VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Santayana: Não estamos aproveitando bem a aliança natural com os BRICS


25/03/2013 - 11h01

A presidenta Dilma Rousseff, o presidente Dmitri Medvedev (Rússia), o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e os presidentes Hu Jintao (China), e Jacob Zuma (África do Sul) durante foto oficial da 4ª Cúpula do Brics, na Índia. Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

por Mauro Santayana, no JB Online, via seu blog pessoal

Atribui-se ao controvertido general Golbery do Couto e Silva a máxima de que só os incompetentes perdem o poder. A frase, em si, pode ser inteligente, mas deve ser submetida a uma investigação da lógica. Devemos antes entender de que poder se trata. Há os que consideram o poder como exercício do hedonismo puro; outros, a colheita da bajulação ou da adoração. Outros ainda, de pragmatismo canalha, dele fazem o meio de enriquecimento pessoal.

E há os que buscam o poder a fim de realizar projeto político honrado. Na raiz da ideia milita a discussão entre os meios e os fins. Sendo assim, o poder é apenas um meio. A ética aconselha não fazer distinção entre uma coisa e outra; a prática vulgar da política faz dela uma regra, quando o objetivo é o do poder pelo poder. O meio já encerra, em si mesmo, o fim, como ocorre com qualquer caminho.

O governo da presidente Dilma Rousseff está diante desse dilema. Ministros defenestrados entram pelos portais palacianos, inflados de insolência, a fim de indicar seus sucessores. E, entre os ministros atuais, há os que, com arrogada autonomia, sabotam projetos do governo, agindo na contramão dos fins anunciados, como Paulo Bernardo, no caso da banda larga e da Telebras e em suas concessões às empresas estrangeiras.

Uma das grandes dificuldades do atual governo é a falta de coordenação entre os seus integrantes. A boa prática administrativa recomenda reuniões ministeriais periódicas e, no intervalo entre elas, consultas bilaterais, sempre que for o caso. No governo atual elas são quase inviáveis: como reunir 40 ministros, com a frequência recomendável?

Argumenta-se que a chefe do poder executivo federal é refém do parlamento e, para governar, tem que dar a cada partido, conforme sua representação, fatias do poder. É verdade, mas um governo, com a aprovação popular da atual presidente, pode virar a mesa, se quiser, e reduzir o número de ministérios ao patamar da razoabilidade.

É difícil administrar sem projeto nacional que se apoie em programa de ações coordenadas, como ocorreu, com seus acertos e erros, durante os governos de Vargas e Juscelino. Vargas defrontou-se com a prolongada crise econômica dos anos 30, agravada pela ascensão das potências do Eixo, mas, ainda assim, iniciou a ocupação racional do território, estabeleceu as bases de uma política social mais justa e, no momento certo, fez a opção internacional que mais nos convinha, ao aliar-se aos Estados Unidos. No segundo governo, avançou no desenvolvimento econômico, o que lhe custou a vida – mas não se afastou do seu objetivo de construir a grandeza nacional. Juscelino prosseguiu no mesmo caminho, e governou de acordo com o seu programa de metas.

Os dois sofreram, tanto quanto o atual governo, a pressão dos interesses antinacionais, exercida mediante parcela comprometida dos meios de comunicação. A situação internacional, hoje, é mais favorável. Não estamos submetidos ao maniqueísmo da Guerra Fria, e isso nos possibilitou aproximação com países emergentes como o nosso – a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul. Não estamos aproveitando bem essa aliança natural com os BRICS.

Estamos agora construindo submarinos movidos a energia nuclear em parceria com a França, quando nos teria sido muito mais vantajosa parceria com a Rússia, de tecnologia melhor. E mais: nada explica nossas relações desiguais com a Espanha, que tem retirado do Brasil, por intermédio de suas empresas aqui, alguns dos recursos com que vai engambelando os seus credores. O BNDES tem sido mais do que generoso com instituições espanholas, como o Banco Santander e a Telefônica.

Terça-feira os países do BRICS se reúnem novamente em Durban, na África do Sul, com a presença de seus líderes maiores. É um bom momento para que o Brasil aprofunde as parcerias econômicas com a China, a Índia e a Rússia, que dispõem de recursos e tecnologia que ainda nos faltam – a fim de que possamos retornar ao Grande Projeto Nacional de Vargas. Mas é também necessário que coloquemos a administração nacional sob o jugo da racionalidade.

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10 comentários

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Mardones

26 de março de 2013 às 10h36

Infelizmente, o PT e o seu irmão siamês, o PMDB, não vão fazer uma aliança por um projeto nacional.

Quem nasceu na esquerda e migra para o centro, só pode seguir para direita.

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anac

26 de março de 2013 às 08h33

Não é fácil ter o PiG diuturnamente tramando contra, conspirando. tentando de todas as formas derrubar o governo. Os ministros impostos a Dilma pela coalizão é de dar pena. Competente como é, ela não merecia isso. Mas tem ministro que é escolha dela como o Paulinho Bernardo que dá a impressão que, por ser marido da ministra Gleis,i não cai, não obstante a sabotagem. Está mais para um tucano infiltrado. Enquanto não tivermos o marco regulatório o PiG continuara tentando destruir os governos que trabalharem em prol do povo.

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Fabio Passos

25 de março de 2013 às 21h53

Nao aproveitamos porque, ao contrario da China e India, ainda aceitamos submissos o destino a nos determinado pelas nacoes imperialistas: Pais subdesenvolvido fornecedor de materias primas.

Temos potencial humano e riquezas naturais fabulosas, desperdicados porque ainda somos controlados por uma “elite” incompetente e entreguista… que despreza o proprio povo.

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    Julio Silveira

    26 de março de 2013 às 00h15

    Taí uma verdade inquestionavel, que deve ser dita a todo cidadão brasileiro que não entende o “espirito por trás” do sistema que vive.

    Fabio Passos

    26 de março de 2013 às 20h32

    Creio que temos de dar cabo da pior “elite” do mundo.
    Uma ruptura definitiva com o atraso.

Lafaiete de Souza Spínola

25 de março de 2013 às 20h23

FAZENDO HISTÓRIA:

Getúlio Vargas, numa conjuntura difícil: Criou a indústria siderúrgica e a nossa Petrobrás, deixando seu nome na história da industrialização.

Quem der início à grande revolução na educação entrará na história da educação e, em consequência, de uma nova era industrial e de luta por justiça social.

A conjuntura, também, é difícil, pois, sabemos que:

Estão disponíveis na internet uma grande gama de informações, muito bem fundamentadas e algumas foram comprovadas com os vazamentos de informações sigilosas pelo Wikileaks, de que nosso desenvolvimento tecnológico sofre sabotagens de todo tipo, daqueles que não desejam ver o nosso país no cenário internacional como um grande produtor de produtos com alto índice tecnológico.

Vejam, só, como exemplo, os revezes e sabotagens praticados ao PROJETO ESPACIAL BRASILEIRO, tendo seu ápice na explosão da base de Alcântara, quando tudo foi destruído e as vidas de 21 cientistas foram ceifadas, em 22 de agosto de 2003.

Até nossos satélites para uso nas telecomunicações, na vigilância ao desmatamento, no monitoramento do clima estão sendo lançados no exterior, apesar de Alcântara ser um local privilegiado para essa atividade. Os interesses mesquinhos entrelaçam-se. A sabotagem indireta é um ataque silencioso e muito perverso que o Brasil e o seu Programa Espacial vêm sofrendo, sem tréguas, já faz mais de 20 anos.

Tudo isso acontece porque recebem a cooperação dos mesmos que lutam contra a educação no Brasil.

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO.

Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação.

Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo.

Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial. Devemos federalizar a educação básica! Ela deve ter a mesma qualidade, em todo país.

Sugiro que sejam usados cerca de 40% das nossas reservas para a construção inicial desses grandes centros educacionais; em todos os estados, nas cidades e no campo; além de um projeto para preparação de professores.

Essa revolução educacional permitirá que resgatemos parte das injustiças sociais seculares e proporcionará nossa independência tecnológica. Só, assim, teremos, de fato, segurança nacional, pois não teremos a necessidade dessas duvidosas parcerias internacionais.

Nossa parceria deve estar, primordialmente, voltada para com o nosso próprio povo e para com os nossos irmãos vizinhos. Se cultivarmos uma amizade sólida com os povos latino-americanos não necessitaremos importar, na verdade é isso, armamentos de ponta que para nada servirão, em caso de uma agressão que se origine de uma potência que possua força desproporcional.

Com todo esse dinheiro temos condições de investir em nossa pesquisa e nosso desenvolvimento. Muitos projetos poderiam ser desenvolvidos, conjuntamente, com nossos vizinhos, estimulando a amizade e a confiança recíproca.

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Francisco

25 de março de 2013 às 19h52

Esta eleição de Dilma é, no que me diz respeito, a última chance do PT comigo.

Há as coisas que gostariamos de fazer, mas somos inpedidos e há as coisas que nos tiram da zona de conforto e não fazemos.

O PT esta muito confortável.

Ninguém que pense o Brasil tem cobrado coerencia ou plano de governo.

Os únicos que cobram algo são os que gostariam que o país fosse mais submisso para fazer mais dinheiro.

Essa cobrança desqualificada é dispensável. E o pior é que os Randolfes da vida (da esquerda!), estão neste mesmo rumo.

Não aparece ninguém, por exemplo, para cobrar do mandato Dilma a devida apuração de casos de corrupção do PSDB, por exemplo. A obrigação de um governo eleito não é não fazer marola, é governar.

O governo não tem oposição nem interlocutor, porque não há brasileiros.

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Moacir Moreira

25 de março de 2013 às 18h57

Se a dona Dilma tem 80% de aprovação popular já passou da hora de dar um basta nessa aliança de “governabilidade” que faz seu governo curvar-se aos interesses dos banqueiros do crime organizado internacional.

Responder

J Souza

25 de março de 2013 às 18h29

É o melhor governo de direita que um governo de “esquerda” pode ser!?
Ou ainda pode piorar?
Nenhum governo de direita, governando para os ricos, se sustenta por muito tempo!
Vide Europa e EUA…

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Julio Silveira

25 de março de 2013 às 18h14

O “Brasil” não gosta de parceria bonita, que lhe trate bem e com respeito.
Prefere, por causa de brasileiros vendidos, àquela que lhe desrespeita, incentiva na calada a opressão a seu povo, apoia ditaduras de interesse.
O “Brasil” prefere a subordinação e da lacaiagem com a desculpa da ideologia.

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