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Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas


21/11/2012 - 16h08

de CartaCapital

O relatório final da CPI do Cachoeira, que investigou o grupo do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, será lido apenas na quinta-feira 22, mas o capítulo a respeito dos elos da quadrilha com a mídia revela que o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), pedirá o indiciamento de cinco jornalistas, entre eles Policarpo Júnior, redator-chefe da revista Veja em Brasília.

De acordo com o relatório da CPI, Cachoeira contava, como “órgão de apoio de suas empreitadas criminosas, com um forte e atuante braço midiático, a ser utilizado para atender aos desígnios diversos da quadrilha”. Segundo as investigações da CPI, Cachoeira é proprietário oculto de quatro jornais em Goiás (A Redação OnlineO Estado de Goiás, Jornal de Anápolis e Opção) mas tentava influenciar, e muitas vezes conseguia, publicações como o jornal Correio Braziliense e Veja.

O capítulo a respeito da mídia tem 348 páginas. Dessas, 86 são dedicadas ao longo relacionamento de Cachoeira e Policarpo Júnior, “um dos profissionais da imprensa mais requisitados pelo líder da quadrilha”. Segundo o relator, o jornalista da revista Veja não mantinha com Cachoeira “uma vinculação que se consubstanciava apenas na relação de jornalista e fonte”.

Para Cunha, Cachoeira e seus aliados “alimentavam de informações o jornalista Policarpo e usavam as matérias assinadas e/ou pautadas pelo jornalista ou sua equipe como uma arma letal para prejudicar adversários, destruir personalidades e biografias, criar e promover de modo amiúde falsos moralistas e paladinos da ética, visando sempre alcançar o êxito político e econômico” da organização.

Policarpo Júnior, afirma o relatório, “aderia aos estratagemas e utilizava as informações que lhe repassavam o grupo criminoso, na exata medida em que tais enredos pudessem se coadunar com os caminhos e as visões de mundo que orientam a linha editorial do conglomerado que o emprega”.

Há, segundo o relatório, casos em que Veja teria mantido como verdadeiras histórias que sabia não ser verdadeiras. Em maio de 2011, Veja publicou reportagem na qual acusava o ex-deputado e ex-ministro do governo Lula José Dirceu (PT) de ser responsável por ter transformado a construtora Delta na maior parceira do governo federal no PAC.

Segundo o relatório, a revista acusava Dirceu de fazer “tráfico de influência”. O relatório da CPI mostra, no entanto, diálogos entre Cachoeira e Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, nos quais eles afirmam que Dirceu nada tinha a ver com a entrada da Delta nas obras federais. Segundo o relatório, mesmo informado de que Dirceu não tinha influência sobre os contratos da Delta com o governo federal, a história foi mantida.

Há também um caso em que Cachoeira teria conseguido evitar a publicação de denúncias contra o senador agora cassado Demóstenes Torres (ex-DEM). De acordo com o relatório, uma repercussão de reportagem de março de 2011 na qual o ex-governador do DF José Roberto Arruda fazia denúncias contra Demóstenes foi deixada de lado após intervenção de Carlos Cachoeira e Claudio Abreu com Policarpo Júnior. O diálogo, de maio de 2011, foi reproduzido pelo relator:

Demóstenes – Oi professor, não saiu nada na Veja não
Carlinhos – Foi melhor assim né. Eu vi cedo, bom demais
Demóstenes – Morreu o assunto né, tranquilo então beleza, isso aí resolveu então, cem por cento resolvido.
Carlinhos – Foi a conversa que eu e o Claudio tivemos lá com o Policarpo…foi bom, bom demais, valeu.

O relatório nota que, em junho de 2011, quando Veja publicou reportagem tratando Demóstenes como um dos “mosqueteiros” da ética em Brasília, Policarpo já havia descartado uma denúncia contra ele. O mesmo não ocorria, diz o relatório, quando os alvos eram adversários políticos da organização de Cachoeira e também da revista Veja, como Paulo Garcia (PT), prefeito de Goiânia.

Cunha escreveu ainda que Policarpo Júnior usava os serviços da quadrilha de Cachoeira para fazer investigações. Isso teria ocorrido em agosto de 2011, com o deputado Jovair Arantes, envolvido em supostas irregularidades na Conab, e no mesmo mês com o ex-ministro José Dirceu. Segundo o relatório, Policarpo Junior procurou o araponga Jairo Martins, que trabalhava para Cachoeira, para obter imagens de um hotel onde José Dirceu estava hospedado em Brasília e mantinha encontros políticos. Cachoeira, afirma o relator, “a tudo acompanhava e controlava, sendo todo o tempo informado dos pedidos e solicitações de Policarpo Junior para Jairo Martins.”

Confira abaixo os nomes de todos os jornalistas citados pelo relatório final da CPI, bem como as implicações de cada um deles:

A) Assessores de comunicação que prestaram serviços profissionais para empresas ou integrantes da Organização Criminosa. São três jornalistas, nenhum dos quais foi indiciado pela CPI por falta de provas.

Luís Costa Pinto (o “Lula” ou “Lulinha”), dono da empresa Ideias, Fatos e Textos (IFT). Segundo a CPI, Lulinha recebeu 425,1 mil reais da Delta Construções entre fevereiro de 2011 e maio de 2012 para prestar serviços ao grupo de Cachoeira. A intenção era usar o conhecimento de Lulinha “para emplacar matérias que pudessem beneficiar ou as atividades ou pessoas ligadas a Cachoeira.” Uma das tentativas do grupo foi fazer com que o jornal Correio Braziliense “pudesse produzir alguma matéria que beneficiasse, pessoal e politicamente, o prefeito Geraldo Messias, de Águas Lindas de Goiás, um dos mais atuantes servos da quadrilha liderada por Carlinhos Cachoeira.” Não há provas de que Lulinha tenha se envolvido em prática criminosa.

Claudio Humberto. De acordo com a CPI, a atuação de Claudio Humberto prova a “íntima ligação” do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com a quadrilha comandada por Carlos Cachoeira. Os diálogos mostram que Perillo solicitou que a quadrilha de Cachoeira contratasse o “jornalista Cláudio Humberto através da empresa Delta a fim de que este receba, durante um período, uma determinada quantia por supostos serviços de mídia, tudo de modo que o governador cumpra algum compromisso ou favor junto ao mencionado profissional da imprensa”. A CPI não encontrou provas de que Claudio Humberto tenha cometido crimes, mas mostra que ele recebeu 187,7 mil reais da organização criminosa.

Jorge Kajuru, apresentador da TV Esporte Interativo. Segundo a CPI, ele recebeu 20 mil reais de empresas laranjas controladas por Cachoeira. O jornalista admite o recebimento e afirma que era referente a publicidade da Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda, empresa de Cachoeira. Não há provas de que Kajuru tenha cometido crimes.

B) Jornalistas que prestaram ou teriam supostamente prestado algum favor em seus veículos de comunicação para a Organização Criminosa em troca de alguma remuneração.

Wagner Relâmpago, repórter policial do programa DF Alerta, da TV Brasília/Rede TV e também do programa Na Polícia e nas Ruas – Rádio Clube 105,5 FM – DF. Segundo a CPI, ele “aderiu de forma vergonhosa aos desígnios da Organização Criminosa e, em troca de retribuição financeira, passou a colaborar com os interesses espúrios do grupo criminoso”, como desacreditar a atuação da Força Nacional de Segurança que combatia o crime organizado no DF. É acusado pela CPI de formação de quadrilha ou bando.

Magnho José (Maguinho), editor do blog BNL – Boletim de Novidades Lotéricas. De acordo com o relatório final da CPI, Maguinho “colaborou, mediante retribuição financeira” com o grupo de Cachoeira ao promover em seu blog reportagens que divulgavam os jogos e, “consequentemente, as atividades da organização criminosa”. A CPI não conseguiu provar o recebimento de dinheiro e, portanto, não pediu seu indiciamento.

Etelmino Alfredo Pedrosa, o Mino Pedrosa, é editor-chefe do blog QuidNovi. Segundo a CPI, ele tem “uma relação antiga com Carlinhos Cachoeira” e teria procurado avisar aliados do bicheiro a respeito da Operação Monte Carlo, que desbaratou a quadrilha. Segundo a CPI, Mino Pedrosa teria recebido um apartamento de Cachoeira. Como a CPI não encontrou indícios suficientes de sua participação na organização criminosa, não pediu seu indiciamento e sugeriu que as investigações sejam aprofundadas.

C) Jornalistas-empresários, que atuam comercialmente à frente de veículos de comunicação e que tiveram papel fundamental na expansão midiática da Organização Criminosa.

Patrícia Moraes Machado, diretora-executiva e editora de Política do jornal Opção, do Estado de Goiás. Havia, segundo a CPI, “interlocução frequente” entre Patrícia e a quadrilha, além de “pagamentos periódicos”. A CPI cogita, ainda, que o verdadeiro dono do jornal Opção seja o próprio Carlinhos Cachoeira. A CPI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

João Unes, jornalista, advogado, idealizador e diretor do jornal online A Redação. Segundo a CPI, Unes teria recebido mais de 1,8 milhão da quadrilha de Cachoeira na compra do jornal A Redação, “mantendo-o, entretanto, à frente da direção do empreendimento, como um verdadeiro testa de ferro da quadrilha chefiada por Carlos Cachoeira”. A CPI pede seu indiciamento por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Carlos Antônio Nogueira (Botina), sócio de Carlos Cachoeira no jornal O Estado de Goiás. Segundo a CPI, Botina é sócio minoritário de Cachoeira no jornal O Estado de Goiás e também no Jornal de Anápolis. Sobre O Estado de Goiás, o relator da CPI afirma que “é Carlos Cachoeira quem decide o que vai e o que não vai ser publicado, quem vai ou não vai fazer propaganda no jornal, qual a linha editorial a ser seguida, qual o tom das reportagens que serão publicadas, quais os adversários que serão atacados, quem será promovido midiaticamente”. Ainda segundo a CPI, o governador Marconi Perillo “também integrava ou integrou a sociedade proprietária do jornal”. A CPI pede seu indiciamento pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

D) Profissionais que mantiveram constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa Carlos Cachoeira. Atuam na imprensa e publicam o que interessa a eles, usando Cachoeira como fonte, mas também publicando, por vezes, o que interessa à Organização Criminosa, sendo usados pela quadrilha.

Renato Alves, do jornal Correio Braziliense. O relatório final da CPI afirma que ele mantinha “interlocução frequente com a chefia e com alguns integrantes da Organização Criminosa de Carlos Cachoeira”. Segundo a CPI, Renato Alves teria “ajudado a promover os negócios criminosos da organização, assinando matérias sob uma roupagem investigativa e falsamente denunciativa, que serviam na verdade para promover as atividades contravencionais da quadrilha chefiada por Carlos Cachoeira, como também fazia publicar matérias que, de alguma forma, prejudicassem empresas e grupos concorrentes”. Em troca, afirma a CPI, Alves recebia “presentes e recompensas”. Como as investigações não conseguiram comprovar o recebimento de favores, o relatório final da CPI não recomenda o indiciamento de Alves.

Policarpo Júnior, diretor da sucursal Brasília e redator-chefe da revista Veja. O relatório da CPI afirma que o relacionamento entre Cachoeira e Policarpo teve início em em 2004, quando Veja publicou, uma semana depois da revista Época, matéria sobre fita gravada, em 2002, por Cachoeira, na qual Waldomiro Diniz, que viria a se tornar assessor da Casa Civil no governo Lula, aparece extorquindo o contraventor. A partir daí, diz o relatório, surgiu um relacionamento por meio do qual Policarpo Junior e sua equipe “utilizavam-se das supostas fontes repassadas por integrantes da Organização Criminosa, ou por pessoas próximas, para publicar matérias que serviam aos propósitos” tanto do grupo de Cachoeira, quanto “aos desideratos valorativos e às visões de mundo que movimentavam uma determinada linha editorial”. A CPI pede seu indiciamento por formação de quadrilha.

Eumano Silva, da revista Época (Leia mais AQUI). Segundo a CPI, diferentemente dos outros jornalistas, os indícios indicam apenas que Silva usou a organização criminosa para confirmar informações que obteve por outras fontes. O jornalista manteve contato com integrantes do grupo, sobretudo o araponga Idalberto Matias, o Dadá, para obter informações sobre uma empresa ligada ao Ministério do Turismo que teria sido beneficiada em obras em Goiânia. “Nossas investigações preliminares não identificaram ações desse profissional em prol dos objetivos do grupo criminoso, de modo que os diálogos seguintes mostram tratativas que se encerram dentro dos parâmetros de uma relação jornalista-fonte”, diz o relatório.

Leia também:

CPI do Cachoeira: Íntegra do relatório final

Luiz Moreira: Ação Penal 470, sem provas nem teoria

CPI do Cachoeira pede indiciamento de Perillo, Lereia e Cavendish e investigação de Gurgel

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39 comentários

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CPI do Cachoeira adia leitura do relatório final « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de novembro de 2012 às 12h56

[…] Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas […]

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Nassif: Relatório da CPI do Cachoeira mostra ligações diretas entre jornalistas e crime organizado « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de novembro de 2012 às 10h09

[…] Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas […]

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Ronaldo Silva

22 de novembro de 2012 às 09h56

Eu torço para que o Joaquim Barbosa coloque todo mundo do pt em cana, este partido faz elos desnecessários(abafa desta cpi, exclusão de Paulo Lacerda e Protógenes, etc…). TORÇO MESMO PARA QUE A CÚPULA DO PT VÁ PARA A CADEIA MESMO SEM PROVAS, talvez assim aprendam.

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luis carlos

22 de novembro de 2012 às 09h10

Policarpo “Caneta” Jr é apenas mais um quadrilheiro do bando de Cachoeira. A defesa que os barões da mídia fazem dele revela mais que a face de uma mídia comprometida com o que há de pior,revela um grande desapego à lei e ás instituições democráticas.

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Gerson Carneiro

22 de novembro de 2012 às 09h03

Relatório final da CPI do Cachoeira aponta Roberto Gurgel no Núcleo Jurídico do esquema.

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/11/21/gurgel-delta-e-veja-entram-na-mira-da-cpi/

Teoria do Domínio do fato nele, já !!!

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Rita

22 de novembro de 2012 às 08h48

Será que nosso “querido stf” será tão rigoroso com essa quadrilha?? Será que Vossa Excelência Joaquim Barbosa vai gritar tanto no Tribunal?? Será que se policarpo for condenado vai ser capa da veja?? Ou terá 18´no JN?? KKKK, vão ser tratados como vítimas

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Professor Hariovaldo

22 de novembro de 2012 às 08h40

O CRIME ORGANIZADO, NA IMPRENSA E NA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA, COMEÇA A CAIR HOJE ÀS 10:30 HORAS!!!!!!!!!

“…Veja é um ponto fora da curva no jornalismo brasileiro. Mas não ficou sozinha nessa parceria com o crime.

Um levantamento sobre as premiações do jornalismo investigativo nas últimas décadas vai revelar como fontes, em muitos casos, lobistas e criminosos da pior espécie.

Não apenas isso. Poderiam ser utilizados como fonte e suas informações servirem de ponto de partida para investigações mais aprofundadas. Mas eram utilizadas a seco, sem passar sequer pelo teste da verossimilhança, sem nenhum filtro, fuzilando reputações e, principalmente, atentando contra o próprio exercício do jornalismo”…

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-cpmi-de-cachoeira-e-o-papel-da-midia

A CPMI de Cachoeira e o papel da mídia
Enviado por luisnassif, qui, 22/11/2012 – 08:00
Autor:
Luis Nassif

Coluna Econômica

O papel moderno da imprensa, no mundo, tem dois divisores de água.

O primeiro, legítimo, o episódio Watergate, no qual um jornal (The Washington Post), com um jornalismo rigoroso e corajoso, logrou derrubar o presidente da República da

maior Nação democrática do planeta.

O segundo, tenebroso, o processo ao qual foi submetido o magnata da mídia, Rupert Murdoch, depois de revelados os métodos criminosos do seu tabloide, “The Sun”, para obter reportagens sensacionalistas.

O crime do The Sun foi ter se envolvido com baixos e médios escalões da polícia para atentar contra o direito à privacidade de cidadãos ingleses.

***

O relatório da CPMI de Cachoeira, traz dados muito mais graves do que os crimes do “The Sun”. Mostra ligações diretas entre jornalistas e o crime organizado.

A acusação maior é contra a revista Veja e seu diretor em Brasília, Policarpo Jr. O relatório mostra, com abundância de detalhes, como Policarpo era acionado para derrubar autoridades e servidores públicos que incomodassem Carlinhos Cachoeira, atacar concorrentes do marginal e como encomendava dossiês a ele, muitos obtidos por métodos criminosos.

***

Já em 2008, a série “O caso de Veja” – que publiquei na Internet – mostrava os resultados dessa parceria.

Um esquema aliado de Cachoeira havia sido afastado dos Correios pelo esquema Roberto Jefferson. Jairo (o araponga de Cachoeira) armou um grampo em cima de um diretor, Maurício Marinho, recebendo propina de R$ 3 mil. A gravação foi entregue a Policarpo, que a considerou insuficiente. Providenciou-se outra gravação, aprovada por Policarpo.

Divulgado o grampo, caiu toda a estrutura montada por Jefferson e entrou a de Cachoeira. Veja compactuou com o novo grupo, mesmo sendo Policarpo conhecedor íntimo do esquema criminoso por trás dele.

Dois anos depois, a Polícia Federal implodiu o novo esquema. E a revista manteve-se em silêncio, preservando Cachoeira.

***

Nos estudos sobre as chamadas OrgCrim (organizações criminosas), em nível global, identificam-se braços nos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e também na mídia. O relatório descreve bem as funções da organização de Cachoeira no país.

Cachoeira ajudou a eleger o ex-senador Demóstenes Torres. Veja transformou-o em uma figura política poderosa, com sucessivas matérias apontando-o como o paladino da luta contra a corrupção. Com o poder que se viu revestido por Veja, Demóstenes transitava em repartições, junto a Ministros do Supremo, aumentando o poder de lobby da quadrilha de Cachoeira.

***

Veja é um ponto fora da curva no jornalismo brasileiro. Mas não ficou sozinha nessa parceria com o crime.

Um levantamento sobre as premiações do jornalismo investigativo nas últimas décadas vai revelar como fontes, em muitos casos, lobistas e criminosos da pior espécie.

Não apenas isso. Poderiam ser utilizados como fonte e suas informações servirem de ponto de partida para investigações mais aprofundadas. Mas eram utilizadas a seco, sem passar sequer pelo teste da verossimilhança, sem nenhum filtro, fuzilando reputações e, principalmente, atentando contra o próprio exercício do jornalismo.

Responder

Roberto Locatelli

22 de novembro de 2012 às 08h34

O PIG (Partido da Imprensa Golpista) pressionará fortemente a CPI para que mude esse relatório. É preciso mandar mensagens ao deputado Odair Cunha apoiando o pedido de indicamento.

– twitter: @DepOdairCunha
– facebook: http://www.facebook.com/depodaircunha
– email da Câmara: [email protected]
– contato através do site do deputado: http://www.odaircunha.com.br/odaircunha/contato

Responder

Roberto Locatelli

22 de novembro de 2012 às 07h58

Ué, mas essa não era aquela CPI que, segundo o PIG (Partido da Imprensa Golpista) iria acabar em pizza?

Ao contrário, a CPI acertou em cheio dois pilares da quadrilha de Cachoeira: 1) a procuradoria geral (Gurgel) e 2) a Veja. Derrubando esses dois pilares, derruba-se boa parte do golpe de estado em andamento.

Responder

    Willian

    22 de novembro de 2012 às 09h36

    Uai, mas acabou. O resultado final (e os posts e comentários na blogosfera) mostra que o grande objetivo da CPI era pegar os inimigos do partido. Não investigaram a fundo os laranjas do Cavendish, nem as ligaçõe dele com o governador do Rio de janeiro, e ainda omitiram do relatório as declarações dos delegdos da Policia Federal sobre o repórter da VEja.

    O PT saberá recompensar o relator pelo serviço feito.

Mailson

22 de novembro de 2012 às 07h25

HILARIANTE!

No telejornal da Band saiu a notícia que que Joaquim Barbosa quer pressa no julgamento do mensalão tucano. Eu juro, a Band usou a palavra tucano.

A notícia pegou o próprio Boechart de surpresa, e ele não acreditou no que estava lendo. E no momento de pedir para a reportagem sobre o assunto ser colocada no ar, ele enrolou-se todo.

É nisso que dá esconder uma notícia por tanto tempo (no caso, o mensalão tucano nascido em Minas). Quando ela finalmente é veiculada, nem o próprio locutor acredita no que está lendo e fica em duvida se o editor do telejornal não enlouqueceu.

Responder

ricardo silveira

22 de novembro de 2012 às 01h57

Pelos parlamentares oposicionistas que tentaram o tempo todo boicotar os trabalhos da CPMI achava que nenhum jornalista e, muito menos da Veja, seria indiciado pela Comissão. Muito bom que foi diferente do que pensava! Como muito bom, também, foi o indiciamento do poderoso PGR. Espero que os empresários e outros servidores públicos envolvidos sejam igualmente denunciados, e que toda e qualquer denúncia da CPMI seja considerada pelo MP. Mas acho que não será, pelo menos, no caso da mídia e do PGR. Infelizmente. Mas, tomara que erre, novamente.

Responder

Saul Leblon: Policarpo & Gurgel, ruídos na sinfonia dos contentes « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de novembro de 2012 às 01h50

[…] Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas […]

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Cibele

22 de novembro de 2012 às 00h02

Sim, aqui se dá direito de resposta!
Só por curiosidade, se puderem dizer, por quanto tempo mais teremos que deparar com o direito deles nos destaques do blog? Obrigada.

Responder

paulo Sergio

21 de novembro de 2012 às 23h10

Esse Jorge Kajuru , está aqui em Belo Horizonte , parece que às custas do Aécio , aquele , que teria sido denunciado pelo mesmo . Mas agora o Kajuru está contando uma outra estória , isentando o Aécio de todas aquelas acusacões q ele havia feito , qdo daquele jogo Brasil x Argentina , no Mineirão . Esse K já arrumou confusão em todo lugar , perdeu credibilidade , faz tempo .

Responder

Cibele

21 de novembro de 2012 às 22h58

Menos mal, o Poli não foi esquecido…
Pediram nova prisão para o Cachô:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1189046-procuradoria-em-go-pede-nova-prisao-preventiva-de-cachoeira.shtml

Responder

Maria Carvalho

21 de novembro de 2012 às 21h48

Enquanto o “caxô” esteve preso, nenhum ministro do governo foi notícia “naquela” revista. Agora, depois de “condenado”, saiu da prisão, vamos ver o que vai aparecer.

Responder

Abel

21 de novembro de 2012 às 21h01

Pode não dar em nada, mas pelo menos tiveram a decência de indiciar o Policarpo.

Responder

Gersier

21 de novembro de 2012 às 20h53

Esses tucanóides…
Estão dizendo que o relatório da CPMI é político.
Adjetivaram de “canalhice”.
Tá,e o julgamento da AP470 é o que seus cínicos?

Responder

sandro

21 de novembro de 2012 às 20h29

Assistiremos o começo do fim do Sr. Joaquim Barbosa.

Responder

sandro

21 de novembro de 2012 às 20h26

Duas máfias no mesmo espaço.
PCC – Primeiro-Comando da Capital.
PCC – Policarbo-Carlinhos-Cachoeira.

Responder

Vlad

21 de novembro de 2012 às 20h14

A CPI do Cachoeira começou como uma farsa de alguns governistas para tentar “enquadrar” e intimidar adversários, além de disputar holofotes com o julgamento do mensalão. Quando passou a não servir mais a este propósito e ameaçar o sossego da empreiteira número 1 do PAC, seus controladores decidiram enterrá-la.

“Foi uma CPI com pouco conteúdo, que encobre o que é fundamental: o envolvimento de agentes políticos com a construtora Delta” afirmou Randolfe Rodrigues.

Responder

Messias Franca de Macedo

21 de novembro de 2012 às 19h44

BARBOSA DÁ PRAZO PARA MENSALÃO DO PSDB

(…)

É a última medida de Barbosa na ação penal que investiga o mensalão do PSDB.
Ele assume amanhã a presidência do STF. Como o processo não está finalizado, deixará o caso, que passará a ser conduzido pelo *magistrado que assumir seu gabinete.
(…)
No despacho, Barbosa cita outros personagens que aparecem tanto no mensalão petista quanto no do PSDB… O ministro questiona se as testemunhas “conhecem ou tiveram contato” com os publicitários “tendo em vista que esses corréus contraíram dívidas no montante de R$ 13,9 milhões através da DNA Propaganda mediante empréstimo no Banco Rural”.
Na Ação Penal 536 há “indícios” de que houve desvio de dinheiro público no caso. A suspeita é que o dinheiro teria saído de estatais mineiras para a SMPB, empresa controlada pelo empresário, “sob a justificativa formal de patrocínio a três eventos esportivos”.
(…)

*oxalá que o novo ocupante do gabinete seja o Gilmar Mendes ou o Marco Aurélio Mello ou o Celso de Mello ou o Luiz Fux ou… Em homenagem ao “menino pobre que mudou o ‘Brazil’”, o colegiado do “supremoTF” decida conservar o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, data venia, “inocupável” **ad eternum… [RISOS DO MATUTO ‘BANANIENSE’]
**em latim “para todo o sempre”

################################

Lembrando a minha saudosa e sábia avó: “Meu ‘fi’ não há nada ‘mió’ do que o dia que ‘assucede’ o outro!”

Que país é este, sô?!…

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    ZePovinho

    21 de novembro de 2012 às 20h48

    NOMEIE O DESEMBARGADOR FAUTO DE SANCTIS PARA O STF,PRESIDENTA DILMA!!!SERIA ELE QUE PEGARIA A AÇÃO PENAL 536- MENSALÃO DO PSDB!!!!!

Messias Franca de Macedo

21 de novembro de 2012 às 19h29

VIVA O ‘BRAZIL’ QUE MUDOU!

… Por determinação da (In)Justiça desta Republiqueta de Bananas o notável (sic) *“professor” Carlinhos Cachoeira deixou o presídio da Papuda… Tomara que dê tempo para que o Cachoeira, acompanhado do DEMÓstenes Torres e do Marconi ‘Periggo’, possa assistir, de cátedra, a posse do [inclemente] “menino pobre que mudou(?!) o Brasil” na presidência do “supremoTF”!…
*segundo o ilibado (sic) magistrado [DEMotucano] DEMÓstenes Torres!

EM TEMPO: apesar de ter sido condenado a cumprir uma pena de mais de, apenas, 05 (cinco) anos em regime semi-aberto, ‘é plausível’ e crível’ que ‘a tênue inclemência seletiva’ da (In)Justiça ‘bananiense’ não exija que, neste período, o “professor” Cachoeira pernoite no xilindró!… Contado parece mentira, no entanto consideremos ‘o domínio do fato’ envolver um, digamos, réu de história pregressa imaculada e inefáveis serviços prestados à história do país!…

Que país é este, sô?!… República de ‘Nois’ Banana, responde, “na lata”, o matuto ‘bananiense’!

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

CPI do Cachoeira pede indiciamento de Perillo, Lereia e Cavendish e investigação de Gurgel « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de novembro de 2012 às 19h22

[…] Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas […]

Responder

CPI do Cachoeira: Íntegra do relatório final « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de novembro de 2012 às 19h21

[…] Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas […]

Responder

abolicionista

21 de novembro de 2012 às 18h23

Embora possua méritos por indicar a ponta do iceberg, no geral a CPI foi fraca e não servirá para impulsionar a reforma política de que a consolidação da democracia brasileira tanto precisa.

Responder

Narr

21 de novembro de 2012 às 17h52

Bonito mesmo é saber que Genoíno vai pra cadeia enquanto que Cachoeira finalmente pode curtir sua riqueza em paz. O Brasil realmente mudou.

Responder

ZePovinho

21 de novembro de 2012 às 17h45

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/11/joaquim-barbosa-da-prazo-para-mensalao.html

quarta-feira, 21 de novembro de

Joaquim Barbosa dá prazo para mensalão do PSDB

O ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal), fixou nesta semana o prazo de 40 dias para que testemunhas do mensalão mineiro, que envolve políticos do PSDB, sejam ouvidas pela Justiça. As informações são da colunista Monica Bergamo

O valerioduto tucano foi um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento irregular da campanha eleitoral do então governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tentava a reeleição em 1998 e perdeu.

Entre os intimados estão o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PSDB-PE), e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSB-CE), que até 1997 integrou a legenda.

É a última medida de Barbosa na ação penal que investiga o mensalão do PSDB.Ele assume amanhã a presidência do STF. Como o processo não está finalizado, deixará o caso, que passará a ser conduzido pelo magistrado que assumir seu gabinete.

O despacho foi assinado na segunda-feira, 19. Nele, Barbosa autoriza os juízes que devem tomar os depoimentos a “conduzirem coercitivamente as testemunhas” que faltarem às audiências.O ministro decidiu também incluir perguntas formuladas por ele aos depoentes.Barbosa questiona, por exemplo, se as testemunhas tinham conhecimento de que o empresário Marcos Valério pagava despesas de campanha de Eduardo Azeredo
.
Na pergunta, cita “indícios” de que houve desvio de dinheiro público no caso. A suspeita é que o dinheiro teria saído de estatais mineiras para a SMPB, empresa controlada pelo empresário, “sob a justificativa formal de patrocínio a três eventos esportivos”.

Valério é pivô de outro mensalão, o do PT, e já foi condenado pelo Supremo a mais de 40 anos de prisão.

DÍVIDA

No despacho, Barbosa cita outros personagens que aparecem tanto no mensalão que esta sendo julgado quanto no do PSDB: Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, sócios de Valério, a DNA Propaganda, controlada pelos três, e o Banco Rural.

O ministro questiona se as testemunhas “conhecem ou tiveram contato” com os publicitários “tendo em vista que esses três corréus contraíram dívidas no montante de R$ 13,9 milhões através da DNA Propaganda mediante empréstimo no Banco Rural”.

O dinheiro, segundo depoimento dos publicitários, “destinou-se ao financiamento” da campanha de Azeredo e de seu vice, Clésio Andrade ao governo mineiro.Mais tarde, segundo o processo, o Banco Rural “aceitou dar quitação” dos R$ 13 milhões por R$ 2 milhões “através de transação judicial”.

PRESCRIÇÃO

O mensalão mineiro ocorreu em 1998, mas a acusação só foi apresentada pelo procurador-geral da República ao STF em 2007. Em 2009, o Supremo aceitou a denúncia.

Diferentemente do caso petista, o processo tucano foi desmembrado e apenas Azeredo, que é deputado, e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), que têm foro privilegiado, permanecem no STF.
Outros 12 réus são processados em primeira instância.

Um dos acusados, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, presidente do PSB-MG, deverá ser o primeiro envolvido a se beneficiar da lentidão da Justiça.

Ao completar 70 anos no próximo sábado, 24, ele poderá requerer a prescrição dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, pelos quais foi denunciado.Mares Guia era vice-governador à época e coordenava a campanha de Azeredo.

Responder

De Paula

21 de novembro de 2012 às 17h26

Achei o trato dos meios de comunicação e seus profissionais meio borocoxô.
O relatório desnuda todo mundo, mas tem, sempre, o cuidado de esconder o essencial com uma folha de parreira.

Responder

ZePovinho

21 de novembro de 2012 às 17h14

A Veja é uma ORGCRIM(organização criminosa)!!!!!!!!!!!!

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Gabriel

21 de novembro de 2012 às 17h13

Quer dizer então que o Policarpo era mesmo um chumbeta do Cachoeira?

Não bastava ser chumbeta do Civita?

Responder

CARLOS MOREIRA-MACEIÓ/AL

21 de novembro de 2012 às 16h57

CPI da vergonha, dsos PTistas de rabos entre as pernas, com medo do PIG.

Responder

Rodrigo Leme

21 de novembro de 2012 às 16h27

O Odair Cunha tem que ganhar bônus. Impediu a CPI de ir além dos 4o dias, que permitiu colocar o que quisesse sem ter que ir a fundo nas relações da Delta, o que complicaria muito pra muita gente que não interessa.

Está de parabéns.

Responder

    Fabrício Alves

    21 de novembro de 2012 às 16h57

    xiiiiiiii…

    sandro

    21 de novembro de 2012 às 20h23

    Essa foi fraca “zoin virado”.
    Tá começando a ficar ruim né.

    Abel

    21 de novembro de 2012 às 21h00

    Fala do Policarpo, Rodrigo ;)

    Rita

    22 de novembro de 2012 às 08h51

    Quanta besteira!!


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