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Diário da Resistência


Raimundo Bonfim e Julian Rodrigues: Reação ao avanço conservador virá da militância
Política

Raimundo Bonfim e Julian Rodrigues: Reação ao avanço conservador virá da militância


06/08/2015 - 15h30

Raimundo Bonfim e Julian RodriguesRaimundo e Julian

Reação à escalada conservadora virá da mobilização da militância de esquerda

por Raimundo Bonfim e Julian Rodrigues, especial para o Viomundo

O quadro político se agrava muito rapidamente.  A escalada conservadora se acelera, alimentando o ódio e a intolerância, fechando o cerco sobre o governo Dilma e intensificando o movimento para aniquilar o PT – e toda a esquerda brasileira.

Está em jogo não somente a continuidade do governo Dilma, mas o  projeto democrático e progressista , duramente construído por milhares de militantes desde o fim da ditadura militar.

A crise econômica foi aprofundada pela política econômica comandada por Joaquim Levy.

Um verdadeiro DES-ajuste fiscal, que apenas alimenta o lucro dos bancos e dos rentistas.  E gera recessão e desemprego, trazendo um desgaste brutal para o governo Dilma –  que atinge níveis de reprovação iguais aos de FHC.

Esse cenário não surpreende. Em fevereiro, já nos somávamos às vozes críticas, alertando para o que poderia acontecer.

O ambiente político do país é muito ruim e se deteriora a cada dia.  Ao optar por uma política econômica  liberal, Dilma rompeu com a base social que a elegeu. E paralisou seu governo.

Ao mesmo tempo, a grande mídia radicaliza seus ataques. O  Ministério Público, setores do Judiciário e a PF agem como justiceiros, pretensamente combatendo a corrupção, mas agindo partidariamente, ignoram as liberdades democráticas, focados na criminalização do PT e na desconstituição do governo.

Todos os limites foram atravessados. A operação Lava-Jato anima a ofensiva golpista. No Congresso Nacional, Eduardo Cunha comanda uma verdadeira contra-reforma reacionária, atacando os direitos humanos, impondo uma agenda globalmente regressiva.

O atentado à bomba ao Instituto Lula e a nova prisão de José Dirceu marcam um novo momento.

É fato que não há consenso no “andar de cima” sobre se é melhor interromper o mandato de Dilma ou esperar as eleições de 2018.

Mas a conjuntura vai se desenrolando e os setores golpistas vão ganhando peso ante a paralisia do governo e do PT.

Articular a reação

Não há nenhum sinal do governo Dilma na direção de mudar essa política econômica antipopular.  Além disso, covardemente, o governo assiste passivamente ao aparelhamento da Polícia Federal, hoje um verdadeiro braço do PSDB e de toda a direita.

A maioria da direção do PT também não tem reagido e não demonstra capacidade de comandar uma forte e necessária contra-ofensiva.

A tarefa da militância partidária e social de esquerda, portanto, é complexa: defender o governo Dilma contra o golpismo de direita, e, ao mesmo tempo, combater e derrotar o ajuste fiscal proposto pelo próprio governo.

E mais grave ainda: temos de fazer tudo isso sem contar com um comando unificado e organizado. Nem o governo Dilma nem o PT dão sinais nesse sentido.

Ou seja: cabe a cada um de nós, lutadores sociais, militantes petistas, militantes de esquerda, socialistas, progressistas, democratas organizar, desde baixo, a resistência ao golpismo e o combate às forças conservadoras.

Só há um caminho imediato: constituir um pólo de esquerda e progressista. Convocar mobilizações de rua e construir um forte movimento antifascista. Para isso, precisamos ajudar a viabilizar, em cada município, a Frente de Esquerda, Democrática, Popular.

Intelectuais críticos, movimentos sociais, militância petista, sindicatos, juventude, ativistas de esquerda, blogosfera progressista. Todos temos a tarefa histórica de impedir o retrocesso, deter o avanço da direita, defender um projeto de país com igualdade e liberdade. Todos às ruas no dia 20 de agosto.

Raimundo Bonfim, advogado e coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP-SP).

Julian Rodrigues, professor e jornalista é ativista de direitos humanos e do movimento LGBT.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



12 comentários

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Edgar Rocha

08 de agosto de 2015 às 15h24

A reação vira da militância… tá.
Num tempo distante, muuuuito distante, militância servia pra estabelecer o vínculo entre a sociedade organizada e a população em geral. Militância servia pra aglutinar, pra convidar, pra reunir, informar. Mas, nunca pra encher manifestação.
Pensa bem: acha que todo mundo nas diretas era militante? Acha que os comícios do PT no seu tempo áureo, era só de militante? Acha que militante era todo mundo que ia pra rua, pelo impeachment do Collor, em defesa de alguma categoria, em defesa de uma causa?
Com internet não tem mais diálogo, né? Não se conversa, não se faz panfletagem, não se marcam reuniões locais pra discutir um tema….
E comando unificado num fez falta. Não quando a liderança era só uma espécie de porta-voz.
Mudaram muito os conceitos na esquerda.

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Urbano

08 de agosto de 2015 às 13h02

De forma alguma podemos querer levar o PT ao cadafalso e, o que é pior, esquecendo o brilhante trabalho até agora realizado nas áreas social e econômica. A energia existente em 2003 era limitada e não podíamos nos aventurar em diversas frentes ao mesmo tempo. Certamente que a limpeza da sujeira secular existente no porão da República era e é de suma importância. E a prova está aí de forma escancarada, em que os bandidos de sempre da oposição ao Brasil atuam com a maior desenvoltura e, o que é pior, com o devido respaldo dos seus quatro poderes. Até nisso os bandidos da oposição ao Brasil estão em vantagem, pois os Poderes Republicanos só são três e vez por outra com um contingente menor.

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Julio Silveira

07 de agosto de 2015 às 13h53

O problema é que a cupula da esquerda brasileira empenhou até o anel de couro num acordo maroto chamado coalizão. E, que para se desculpar, engambelando a militancia, inventaram uma justificativa que não se justificava, para “posarem e negociarem” com a corja acessória de todos os governos anteriores, que sempre sempre repudiou o partido e suas diretrizes, grupo que sempre pautou a cultura politica corrupta nacional, tendo sido adversária também dos interesses da maioria cidadania. Gente que a verdadeira militancia sempre abominou. Aliás, para ser mais sincero, que todo brasileiro de boa fé abominou e abomina (mas que a cúpula, marotamente, para ascender aos pincaros da glória vã, abraçou). Adotaram até uma expressão utilitária para tão baixa moral, criada pelas maiores autoridades em falta de carater mundial, para quando se vê a necessidade de mentir e desdizer tudo que sempre disseram convencidos de que num crápula, debochado, ou numa justificativa de que abraçar a merda e uma condição da politica, numa evidente justificativa para a propria incapacidade de condução de uma politica seria culturalmente dignificante, trouxeram ao publico brasileiro o tal de “pragmatismo”.
Quem seria o idiota que daria a vida por covardes que sequer tiveram coragem de segurar suas bandeiras?

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Leo V

07 de agosto de 2015 às 12h52

Quando se reprime a esquerda, se abre caminho para avanço da direita. Foi isso que o governo do PT, junto com os governos estaduais fez a partir de 2013.

Lembremos da força tarefa repressiva pra Copa, incluindo qualificação de ‘força oponente’ aos movimentos sociais, sindicais etc. Colocando a AGU para proibir greve e por aí vai. Além do exército desqualificador do neopetismo na internet.

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    abolicionista

    10 de agosto de 2015 às 11h19

    Concordo com você, Leo V, mas estarei nas ruas no dia 20. Não podemos rifar os poucos direitos que a classe trabalhadora conquistou a tanto custo. Há um consenso fascista claramente formado, que é preciso combater diariamente, a cada passo. Não é apenas o PT que está indo para o fundo do poço, é toda a esquerda brasileira e sua agenda, e pior: é muita gente pobre, que vai ser escorraçada de volta para condições subumanas de existência. Não acredito que miseráveis famintos despolitizados possam formar o “agente social transformador”. Como dizia Brecht, “primeiro vem a forragem, depois a moral”. Precisamos barrar o avanço fascista. Caso contrário, o genocídio dos negros da periferia vai continuar a aumentar. Os direitos civis remanescentes serão solapados. Enfim, temos o que perder. Dia 20 estarei lá, mas levarei um cartaz com “Fora Levy!”

Leo V

07 de agosto de 2015 às 12h48

O avanço conservador começou a na repressão a mobilizações sociais contra os efeitos anti-populares da Copa.

Nesse avanço conservador fez parte o governo atual e os governistas.

Agem como conservadores e os conservadores são só os outros.. sei, sei.

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Davi Zocoli

06 de agosto de 2015 às 21h37

Taca-lhe pau nesses coxinhas Dilma!!

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Regina Fe

06 de agosto de 2015 às 18h29

A falta de enfrentamento daquela mídia conhecida por PIG, fez com que os partidos que se formaram nas ideologias conservadoras e concentradoras do poder econômico ganhassem mais espaço junto à opinião pública. Muitos que votaram na Dilma e são simpatizantes às causas do PT foram envenenados contra ambos. Mas há uma luz no meio do túnel (e não no fim). O antídoto é esse mesmo, a Militância. Agora, mais do que nunca, cabe à Dilma avaliar se quer entrar para a história como a guerreira que enfrentou a ditadura e levou à frente o legado do Lula, ou, como a guerreira que enfrentou a ditadura e sucumbiu às perfídias do PIG. Ao PT, cabe avaliar se a sua ideologia é de fato pra valer ou se agora está no espírito das redes sociais, com os seus perfis de “causas que apoia”, com lindas palavras, mas sem ação.

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FrancoAtirador

06 de agosto de 2015 às 18h23

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A Ideologia do Fascismo já está entranhada nas maioria das pessoas pelo País.
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Dilma foi isolada pelo Congresso e o Governo Federal está nas mãos do PMDB.
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O PT foi Aniquilado pela Operação Lava-Jato Maximizada pela Mídia UltraLiberal.
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E a Militância do PT está animada para sair às ruas, depois do Furação Fascista,
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e preparada para limpar os Escombros e reconstruir uma Agenda… com a Globo.
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Responder

Andre

06 de agosto de 2015 às 18h04

Fico me perguntando se o trabalhador comum, não militante e não organizado, que está perdendo o emprego, sofrendo a corrosão de seu salário real e vendo os serviços públicos ‘derreterem’ por falta de dinheiro vai defender este governo. A maioria da população brasileira vive para sobreviver – mesmo com a pífia melhoria na distribuição de renda nos últimos anos, ainda somos um dos pais mais desiguais do mundo – e para eles comida no prato, contas pagas, saúde, segurança, educação e emprego é bem mais concreto do que ‘democracia’, ‘golpe’ ou ‘conservadorismo’ – não que essas coisas em si não sejam importantes. Sem resgatar isso, que o governo abandonou de vez com sua politica econômica, não há militancia que salve o governo pois é a base social e não as direções de movimentos e intelectuais que sustentam um governo. O que poderia salvar o governo é mudar radicalmente a sua politica econômica e ganhar a base da maioria da população que só milita para viver; mas o governo não parece nem um pouco disposto a isso.

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Sérgio

06 de agosto de 2015 às 16h19

À esquerda volver, Dilma. Se é que ainda há tempo. O único apoio que terá é o da militância. Hora de ação, Dilma. Diga ao que veio, antes que seja tarde. Essa é a Valente que carregamos nas costas até o poder? Vire-se e não nos dê mais as costas!

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