VIOMUNDO

Diário da Resistência


Rafael Correa: Dois pesos, duas medidas da mídia
Política

Rafael Correa: Dois pesos, duas medidas da mídia


10/12/2012 - 19h38

Do presidente Rafael Correa, do Equador, em entrevista à Folha, sugerido pelo Murilo Vescovi, no Facebook (reprodução parcial):

O sr. falou de Assange, que vai completar seis meses na Embaixada do Equador no Reino Unido. É uma crise sem fim?

Para crise sem fim o termo é infinita. Para crises nas quais não se conhece quando será o fim se chama indefinida. Não temos ainda uma definição. Tudo depende da Europa, do Reino Unido.

Se amanhã houver salvo-conduto, acabou-se o problema. Se a Suécia decide, como permite sua lei, como fizeram já em outras ocasiões, enviar oficial de Justiça para entrevistá-lo na embaixada em Londres, ou o interrogam via Skype, via internet. A normativa Suécia permite. Ou, se o advogado do senhor Assange, Balthazar Garzón, obtém êxito nos recursos que apresentou na Justiça europeia, acabou-se o problema.

O Equador já fez o que tinha de fazer.

A crise com o Reino Unido, que aventou a possibilidade de entrar na embaixada, está superada?

Foi um gravíssimo erro, um deslize da chancelaria britânica que foi superado totalmente. Eles disseram que não pediram desculpas, mas, na verdade, pediram.

Era até burro. Se impusessem esse precedente [de invadir a embaixada], o maior prejudicado seriam eles mesmos, porque eles tem muito mais embaixadas do que o Equador e eles justificavam a entrada pela força, as embaixadas britânicas seriam as mais ameaçadas.

Creio que se deram conta do erro crasso, e o impasse foi superado.

Para ficar no Reino Unido, o que o sr. achou do Relatório Leveson, sobre…

[Interrompe a pergunta] Rasgo minhas vestes! Atentado à liberdade de expressão!

O relatório propõe lei de imprensa que regule a mídia. O sr. se sente frustrado por não ter aprovado sua proposta do tema no Equador?

O tempo nos dá razão. Quando as respostas vêm do Primeiro Mundo, é civilização, mas quando vêm da América Latina são ditadores famintos de poder que querem calar os heroicos jornalistas que só revelam a corrupção dos políticos.

Ou seja, na América Latina e no mundo inteiro, o poder midiático é um poder imenso. Provavelmente maior que os Estados, frequentemente sem ética, em função de negócios privados. Eles provêem um direito, mas, por definição, se estão num dilema entre garantir um direito ou garantir o lucro da empresa, prevalece o segundo. Temos de saber o que estamos enfrentando.

Quando Alemanha prende 23 pessoas, fecha uma rádio em novembro ou dezembro de 2010 por fazer propaganda nazista, isso é civilização. Quando, de acordo com a lei, processamos um jornalista que me acusou de criminoso, de ordenar atirar sem aviso prévio em um hospital cheio de civis, pura e simples difamação, é atentando à liberdade de expressão. Acabemos essa moral dupla.

O problema nem está sobre quem tem a propriedade, que já é um problema — quem tem os meios de comunicação na América Latina, os pobres, a Madre Tereza de Calcutá ou as oligarquias? Qual tem sido a prática? Fazer um empório econômico, vimos como foi em Equador. Ter 200 empresas, entre elas o maior banco do país que quebraram de maneira fraudulenta, aliás, e depois comprar canais de TV, jornais. Para que? Para informar? Não, para defender o empório.

O problema, além da propriedade, é a própria forma de produção que tem de questionar. Como é possível que um direito tão fundamental para a coesão social, para a liberdade, para os demais direitos como é a informação, esteja em mãos de negócios privados? E já que está, e ante esse tipo de problemas, o que se necessita é controle social. E como se realiza controle social nos Estados modernos? Por meio de leis, com legitimidade democrática.

Por isso é óbvio que necessitamos de lei para regular o poder midiático. E é isso que bloquearam por quatro anos na Assembleia do Equador. Isso é o que o poder midiático e seus cúmplices na Assembleia Nacional vem bloqueando.

O sr. falou de poder econômico, mas o Estado também o tem. O governo equatoriano disse que não vai mais anunciar em “jornais mercantilistas”. Não é uma maneira de manipular lealdades?

Como economista não canso de me surpreender. Se perguntamos a um economista o que ele pensa do Estado não regular um mercado com poucas empresas provendo um bem básico, inclusive um direito, e com capacidade de fazer um conluio, de entrar em acordo para prejudicar o usuário, o economista diria: “Está louco? Obviamente que temos de regular esse mercado”. Esse é o mercado da informação, e quando se regula, é um atentando à liberdade de expressão.

Agora lhe pergunto do ponto de vista ético. Se o Estado privilegia certos negócios dando-lhe preferência para compras públicas, etc. vai preso! Mas no caso dos meios de comunicação, se você não lhes dá publicidade para melhorar a rentabilidade de seus negócios é atentado à liberdade de expressão. São incoerências. Que se definam! Se são negócios privados, por que clamam ajuda do governo? E se não são negócios privados, mas sim meios que provêem direito fundamental e necessitam que todo mundo lhe dê dinheiro, por que não aceitam a regulação social? Está aí a inconsistência.

O sr. tem utilizado direitos de respostas exibidos em programas de TV, interrompendo a programação, o que muitos consideram desproporcional. O que diz em sua defesa?

Se é tão desproporcional, eu proponho um trato: que não me insultem, que não mintam, que não terei nada que responder. Maravilhoso! Todo mundo feliz! Eles nos insultam dia a dia. Se estamos aqui, ainda sendo governo, é por que enfrentamos essa imprensa e a desmentimos. E temos mais credibilidade que eles.

Se fizermos um estudo de todas as barbaridades que já disseram… Aqui vai outra contradição, no caso, política. A imprensa é o contrapoder do poder político. A que se perguntar se esse é o papel da imprensa. Se é o contrapoder do poder, que legitimidade tem isso? E qual é o contrapoder do contrapoder?

Depois, ao se definir assim — porque se definem, o jornal “El Universo” colocava : “o quarto poder”. Quer dizer que são agentes políticos, e quando têm respostas políticas [a seus atos] dizem: “atentado à liberdade de expressão”.

Passam todo o tempo dizendo que sou corrupto, ladrão, autoritário, dizem tudo do presidente. Quando no sábado eu lhes digo “medíocre” é atentado à liberdade de expressão. Maravilhoso! Se é tão desproporcional a resposta do presidente, contra tudo isso, que não digam mentiras.

Mas isso eles não fazem, porque sabem que é essa sua maneira de fazer negócio e viver e tentam ainda submeter aos governos a ver se algum dia conseguem algo como em 30 de setembro de 2010 e matam o presidente ou derrubam o governo para voltar ao poder. Por que esse é o problema de fundo: a disputa de poder. O poder legítimo democrático, e os poderes fáticos liderados pelo poder midiático.

O sr. defendeu uma norma, chamada “Código da Democracia” sobre a cobertura jornalística eleitoral, que depois foi modificada pela Justiça. [Antes era: os meios de comunicação devem “se abster de fazer promoção direta ou indireta, seja por meio de reportagens especiais ou qualquer outra forma de mensagem que tenda a incidir a favor ou contra determinado candidato”. O Tribunal Constitucional retirou o trecho: “por meio de reportagens especiais ou qualquer outra forma de mensagem”, por entender que restringia o trabalho jornalístico]. O sr. ficou frustrado com a alteração?

Você leu a reforma? Isso é o que tem que discutir os roteiros de filme americano. Que não nos enganem. Essa gente não busca defender nossos direitos, informar. Busca manter o poder fático que tinham, ser os grandes eleitores, e na democracia os grandes eleitores são os cidadãos, e não os que tiveram dinheiro para comprar uma gráfica. Ou querem que aconteça o que acontece em alguns países, que são os meios que escolhem o presidente, que ficam reféns desses meios?

O artigo que o mundo chamou de “mordaça” (tenho em algum lugar uma publicação que diz que foi um artigo imposto pelo presidente permitindo só publicidade para ele, isso é uma mentira) o que proíbe aos meios de comunicação em época eleitoral é fazer campanha a favor ou contra candidatos ou teses. Sobretudo porque em campanha eleitoral, não é dever dos meios fazer campanha. Seu dever é informar, e quem decide são os cidadãos. Disseram que iam proibir entrevistas, tudo isso era mentira.

As mudanças que o Tribunal Constitucional fez foi para excluir qualquer dúvida, para evidenciar que era mentira que não se podiam fazer entrevistas. O que os meios de comunicação diziam era que os cidadãos não poderiam ser informados, e que o único que podia se promover era eu. O que se dizia nessa reforma, e ainda se diz, é que os meios de comunicação não podem fazer campanha a favor ou contra candidatos e teses.

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19 comentários

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Richard Duncan: Por um salário mínimo mundial (a crise vista por eles) - Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de julho de 2015 às 13h00

[…] Rafael Correa: Dois pesos, duas medidas da mídia […]

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Rafael Correa: “Campanha para desacreditar presidentes” « Viomundo – O que você não vê na mídia

19 de dezembro de 2012 às 18h03

[…] Rafael Correa: Dois pesos, duas medidas […]

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Rodolfo Machado

15 de dezembro de 2012 às 08h53

Azenha, o “Diário Liberdade” postou este vídeo legendado do encontro de Julian Assange, Noam Chomsky e Tariq Ali.

http://www.diarioliberdade.org/audiovisual/batalha-de-ideias/33961-o-mundo-amanh%C3%A3-julian-assange-conversa-com-noam-chomsky-e-tariq-ali.html

http://www.youtube.com/watch?v=aDxzFYv6JqQ&feature=player_embedded#!

Noam Chomsky, renomado linguista e pensador rebelde, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens ativistas que tem se levantado para protestar no mundo todo.

Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Oriente Médio, Assange se reuniu com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.

Noam Chomsky, renomado linguista e pensador rebelde, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens ativistas que tem se levantado para protestar no mundo todo. “A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está revoltando a juventude, ela sente que faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Ali.

“O que temos na política ocidental não é a extrema esquerda e nem a extrema direita, mas um extremo centro”, continua ele. “E esse extremo centro engloba tanto a centro-direita quanto a centro-esquerda, que concordam em fundamentos: travando guerras no exterior, ocupando países e punindo os pobres, punindo por meio de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental… “.

Segundo o próprio Ali, a grande crise da democracia está pulsando nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos abdicando e dizendo ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está indo? O que nós estamos testemunhando é a democracia se tornando cada vez mais despida de conteúdo”, critica o ativista.

Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos, inventados. Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está se replicando no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai se acabar”, alerta Chomsky.

Por outro lado, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir, segundo Tariq Ali. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam céticos. Sejam críticos com o sistema que tem nos dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.

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Roberto Locatelli

11 de dezembro de 2012 às 22h46

Dilma está beeem à direita de Rafael Correa, Chávez, Evo Moralez, Cristina Kirchner…

A Inglaterra está tornando sua Ley de Medios ainda mais dura, e nós aqui à mercê do PIG…

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renato

11 de dezembro de 2012 às 21h45

A Globo como Tv, mantem o seu gerente de Vendas ( o JORNAL NACIONAL),
bem ativo contra o Governo do PT. Pois é de lá que vem om dinheiro.
É tipo encosto na parede.
Não tem compromisso nenhum com a Verdade.
Se esconde atrás de Faustão, Esquenta, The Voice, futebol e Novelas ( a ultima ainda serve os interesses capitais da Empresa de Entretenimento.
São como peças mostradas na vitrine, Mas o verdadeiro está por traz da informação. Aquela que movimenta Economia.
O Jornal Nacional, e outros prestam um grande desserviço ao Brasil.
A montagem hoje da suposta pergunta ao Chefe do STF sobre Lula, foi ridícula, primeiro não fizeram a pergunta, depois só aparece a suposta resposta.
“é claro que sim”! É claro que sim o que Meu deus!
O que está acontecendo para a Globo perder a cabeça hoje!
Depois da reunião dos Tucanos??????????? Hein!!!!!!!

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Carlos

11 de dezembro de 2012 às 18h01

A mídia tupiniquim é uma “Mídia 007” (mídia com autorização para matar).

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Homero Mattos Jr

11 de dezembro de 2012 às 12h46

Grande Rafael Correa!
Bravo!

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Paulo Figueira

11 de dezembro de 2012 às 10h40

“Se estamos aqui, ainda sendo governo, é por que enfrentamos essa imprensa e a desmentimos. E temos mais credibilidade que eles.”
Acredito que essa afirmação do Presidente Rafael Correa deveria servir para reflexão por parte de nosso governo, do PT, e dos cidadãos que prezam a democracia, pois se não enfrentarmos a oligarquia midiática e não a desmentirmos, continuaremos a ser comidos pelas beiradas.

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Carla

11 de dezembro de 2012 às 10h13

já leram isso?

http://www.huffingtonpost.com/william-k-black/new-york-times-profile_b_2269009.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false#sb=594318,b=facebook

(Why Is the Failed Monti a ‘Technocrat’ and the Successful Correa a ‘Left-Leaning Economist’? )

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RicardãoCarioca

11 de dezembro de 2012 às 10h06

A Globo hoje continua batendo em PT, em Lula, etc. O continuísmo dessa atitude oposicionista clandestina (porque não é partido registrado) está cansando e perdendo a força.

Podem convencer 30% do eleitorado, compostos de classes-médias, conservadores a anti-esquerdas, mas não conseguem convencer os outros 70% que não esquecem as imensas diferenças entre os governos de FHC e Lula.

Até os meus amigos conservadores, com os quais quase não falo de política, já me disseram perceber o partidarismo explícito da Globo. Bom sinal.

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augusto2

11 de dezembro de 2012 às 08h56

o pres rafael correa é vivo, profundo e articulado. Feliz o pais andino que o escolheu como presidente. E a entrevista dele com, perdão, de assange com ele foi um show. Quando assange tangenciou no tema o tal consenso de washington, correa foi rapido: ‘virou consenso sem uoxinton’. Dias depois por pura coincidencia..veio o episodio que levou á fuga para a embaixada em londres.O imperio nao gosta que um homem brilhante e de esquerda o ridicularize em publico.

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Fabio SP

11 de dezembro de 2012 às 08h28

Os pseudos-ditadores têm a mesma ladainha…
Alguém se lembra da “encenação” de golpe feita por ele?

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    Bonifa

    11 de dezembro de 2012 às 09h53

    Foi um espetáculo brilhante. O povo sorriu e o abraçou, admirado; os golpistas fugiram, espantados; e os golpistas dos países vizinhos, com seus trolls, ficaram com ódio e inveja, falando que o espetáculo não valeu, porque foi encenado. Eles querem que a vítima aceite o golpe sem fazer marola.

Nelson

11 de dezembro de 2012 às 00h03

Quem são os donos ou controladores dos órgãos de mídia hegemônicos em nossos países, pelos menos aqueles que têm maior capacidade – muito maior eu ressaltaria – de formar opinião e, no limite, manipular mentes? Os trabalhadores, o povo em geral, ou os tubarões?

Rafael Correa diz tudo na entrevista, que deveria ser exibida, senão em todas as salas de aula desse país, pelo menos em todas as dos cursos de Jornalismo.

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Paulo Roberto Álvares de Souza

10 de dezembro de 2012 às 22h10

Não se esqueçam de que o poder da mídia brasileira é muito maior do que o de todas as outras mídias latino americanas, mas, com certeza absoluta, o dia deles chegará. Não podemos esquecer que o acirramento do reacionarismo midiático se dá quando o confronto se estabelece, coisa que até alguns poucos anos atras não existia. Hoje a casa caiu, o rei está completamente despido. A mídia mente, mente, mente, descaradamente, mas a sua mentira, a manipulação que é a sua prática diuturna, é denunciada, é desmascarada e, aos poucos vai se consolidando o juizo de que a grande mídia é um grande embuste, é um grande negócio, onde prepondera, acima de tudo, o lucro, quanto mais fácil e de origem escusa, melhor!

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    Bonifa

    10 de dezembro de 2012 às 22h52

    Quem confere poder à mídia brasileira são os brasileiros que só contam com a mídia para se informar e se guiar para tudo na vida. Tudo de importante que sabem vem da mídia, sobre depressão e outras doenças, sobre novos medicamentos, sobre como se alimentar, como emagrecer, como se deslocar com segurança, sobre o clima, o andamento da economia, tudo enfim, aliado também ao forte componente, em muitos casos o único, do lazer das pessoas. Quando esta fonte de tão preciosas informações e diversão joga uma mentira política e sugere que devam acreditar ser verdade, os brasileiros se sentem obrigados a ter que acreditar, para não por em dúvidas sua preciosa fonte de informação. Pensam logo que seria impossível quem lhes presta tantas informações importantes fosse mentir sobre alguma delas, ou fosse usá-las para direcionar sua opinião no sentido de tirar proveito político disso. Assim vem a manipulação que a mídia faz para operar seu poder: Acompanhada de muita carga de informação preciosa para a vida cotidiana, o que hipnotiza sua vítima.

    Mário SF Alves

    11 de dezembro de 2012 às 11h53

    Caro Bonifa,

    Em se tratando daquela corporação/concessão pública que manteve (ou mantém) relações duvidosas com a norte-americana Time Life, e que se beneficiou fortemente da ditadura implantada em 1964, é importante considerar que um dos seus “noticiários televisionados” ainda recebe o nome de Jornal Nacional. Nacional, prezado Bonifa! Nacional! Pois então, aquilo que em essência foi um dia considerado entulho autoritário, resquício da ditadura, continua até hoje, e mais forte, potencializado.

    __________________________________________
    Enquanto isso, nós, ingenuamente acreditávamos que com o fim da ditadura no Brasil e uma vez extinto o IMPÉRIO DO MAL, a ex-URSS, e o respectivo fim do comunismo, tudo voltaria ao normal; que a supressão de todo e qualquer entulho autoritário e a consequente consolidação da democracia seria ato e gesto normalíssimo, corriqueiro até. Ledo engano, companheiro, ledo engano.

    ________________________________________________
    A prepotência sobre os mais fracos é considerada ação deplorável até nas leis de trânsito. O mesmo se pode dizer em relação àqueles que jamais puderam assistir a um istmo de EDUCAÇÃO POLÍTICA através dessas ditas concessões públicas e seus ditos noticiários. O mesmo se poderá dizer em relação àqueles [brasileiros, europeus e outros] que, econômica e/ou idelogicamente, e COVARDEMENTE, sempre foram condicionados a serem os mais fracos ante a prepotência do sistema econômico hegemônico vigente, e que, a exemplo das normas de trânsito, são diuturnamente massacrados.

    Afinal, o que mudou com o fim do IMPÉRIO DO MAL? Onde foi parar o seu oposto, o IMPÉRIO DO BEM? Será que, enfim, não mudou nada para melhor porque anda tendo de gastar zilhões de dólares com sua própria defesa contra os adeptos do Bin Laden, contra os poderosos palestinos, contra os líbios, contra os iranianos, contra os chineses, contra os norte-coreanos, contra os sírios, contra os venezuelanos e outros menos aparentes, mas igualmente terríveis e que ao menos descuido podem destruir o império do bem?

    Ah! Sim, não responda. Aquela vitória sobre a URSS mudou absoluta e irreversivelmente o mundo, o problema é que o “império do bem”, o portentoso Império Norte-Americano, o mesmo do “O DESTINO MANIFESTO”, do American Way Life do tempo da URSS, anda agora travado, ocupadíssimo em boicotar e conter o povo cubano, posto que Cuba, tão vasta e tão poderosamente armada com ogivas nucleares de última geração, pode vir a ressuscitar e ser a nova URSS. Tá explicado. Daí vale tudo, inclusive, continuar chamando de NACIONAL aquilo que, em essência, é, na melhor das hipóteses, TRANSNACIONAL.

LULA VESCOVI

10 de dezembro de 2012 às 20h08

Os PIGS são todos iguais.A diferença é que no Equador,Venezuela,Bolívia e na Argentina há enfrentamento.Aqui,a covardia do governo federal é incompreensível.

Responder

    Bonifa

    10 de dezembro de 2012 às 23h08

    O que aconteceu aqui foi que a mídia, através da brilhante manipulação de um julgamento, o que parece ter sido preparado durante anos, conseguiu uma situação privilegiada que não tinha conseguido ainda, ao tentar destruir nos corações e mentes das pessoas a imagem de um governo magnífico, de sucesso fantástico, dedicado inteiramente à construção de um país melhor. A opinião pública, principalmente a classe média que se orienta únicamente pela mídia, parece que ficou completamente cega e desmemoriada pela exibição daquele espetáculo midiático que mostrou toda a sua força ao ser encenado dentro do próprio Supremo Tribunal Federal, embora com maus atores. Esta classe média mostrou então disposição como nunca de pegar seus benfeitores e atirálos ao abismo, enquanto gritava glórias e louvores aos finórios e aos algozes. Entretanto, as coisas da mídia têm como característa passarem voando. E este momento que envergonha o país, sua justiça e seu jormnalismo, também passará. Tentar estendêlo indefinidamente custará muito, mas muito mesmo, à própria mídia.


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