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Quer entender o Bolsonarismo? Assista ao curso da USP ministrado por Marina Lacerda; aqui, vídeo das 5 aulas
Marina Lacerda, reponsável pelo curso ''Entendendo o Bolsonarismo''; a tela inicial da 1ª aula; e André Singer, professor titular de Ciência Política da FFLCH/USP
Política

Quer entender o Bolsonarismo? Assista ao curso da USP ministrado por Marina Lacerda; aqui, vídeo das 5 aulas


15/07/2021 - 13h16

Por Conceição Lemes

Os leitores assíduos do Viomundo provavelmente já leram algum dos artigos já publicados aqui de Marina Basso Lacerda.

Marina é muito séria, ética e competente.

De fato, um ponto fora da curva.

Analista legislativa da Câmara dos Deputados, ela faz a diferença em tudo o que se envolve.

Em julho de 2019, lançou o livro O novo conservadorismo brasileiro: de Reagan a Bolsonaro, pela editora Zouk, de Porto Alegre (RS).

O livro faz um paralelo entre a ascensão do neoconservadorismo nos EUA, no fim da década de 1970, e o surgimento do novo conservadorismo no Brasil a partir de meados de 2015 – que culmina com a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

No prefácio, a professora Flávia Biroli, da Universidade de Brasília (UnB) e uma das mais importantes cientistas políticas na atualidade, observa:

“Entre as pessoas com as quais eu dialogava, Marina foi uma das primeiras que percebeu o peso do ataque à agenda da igualdade de gênero e da diversidade sexual no quadro mais amplo do novo conservadorismo na Câmara dos Deputados”,

As eleições de 2018 nos mostrariam o potencial de um ativismo conservador que articula diferentes temáticas, numa reação convergente aos direitos sociais, aos direitos humanos e às transformações nas relações de gênero. E a ‘ideologia de gênero’, aquela noção que muita gente não levou a sério lá atrás, em 2014 ou 2015, seria estratégica na campanha.

Na época, em entrevista ao Viomundo, Marina falou sobre o livro e alguns conceitos que ele apresenta.

Por exemplo, neoconservadorismo americano, fundado na tríade militarismo, absolutismo do livre mercado e família tradicional.

No caso do Brasil, o combate à “ideologia de gênero”, a defesa do Escola Sem Partido e do Estatuto da Família referem-se a uma das pernas do tripé, a família tradicional.

Atualmente, faz pós-doutorado em Ciência Política na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

No primeiro semestre deste ano, Marina ministrou o curso de extensão Entendendo o Bolsonarismo, que teve 850 inscritos para 70 vagas.

Foi um dos 50 cursos on-line oferecidos pelo projeto Abril FFLCH aos seus alunos e interessados em geral.Todos integralmente gratuitos e virtuais.

“Eu procurei usar uma linguagem que contemplasse tanto os professores quanto os que estão totalmente fora da academia e da política”, conta-nos Marina.

O seu livro serviu de base.

“O Bolsonarismo é entendido, no curso, como um fenômeno singular, que associa, como num caleidoscópio, diversas posições conservadoras, mais ou menos coerentes entre si”, prossegue Marina.

Os principais conceitos relacionados a esse fenômeno foram abordados no curso: guerras híbridas, fascismo, neoconservadorismo, ideologia de gênero, neoliberalismo, militarização, milicianização, racismo, necropolítica, pulsão de morte e genocídio.

Eles ajudam a entender como um político do baixo clero, pouco tempo de rádio e TV, praticamente sem alianças, defendendo posições extremas numa disputa em que os postulantes historicamente caminham ao centro, conseguiu vencer a eleição para a Presidência da República e manter-se no poder.

Foram cinco aulas. A primeira, sobre a derrocada petista e os resultados eleitorais.

A segunda, sobre o ambiente de mídias digitais.

A terceira, sobre guerra cultural e neoliberalismo.

A quarta, sobre militares e milícias.

A última, sobre oposição aos movimentos antirracistas e morte em massa.

Agora, o curso foi totalmente disponibilizado na internet.

Oportunidade para os que se inscreveram e não conseguiram vaga.

Seguem as cinco aulas.

Logo no começo da primeira, o jornalista e cientista político André Singer, professor titular da FFLCH/USP, atesta o que eu disse no início deste post.

Marina o procurou no ano passado, já em plena pandemia, querendo fazer o pós-doutorado no departamento de Ciência Política.

E conseguiu.

“Foi uma gratíssima surpresa. Marina é uma pesquisadora muito séria, muito comprometida, muito dedicada”, observa André Singer, que a supervisiona no pós-doutorado.

Detalhe: os dois nunca se viram pessoalmente; só se conhecem remotamente.

https://www.youtube.com/watch?v=q99wKQiqItI&list=PL-A0PPdfxKsyEjVKwl_SqGfGeXS_NAp8B&index=19





3 comentários

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Zé Maria

17 de julho de 2021 às 20h10

MPF-RS processa ‘movimento’ ‘Médicos Pela Vida’
por publicidade irregular e Anvisa por omissão

[ Reportagem: Victor Hugo Viegas Silva | Medium ]

Em Ação Civil Pública (ACP) iniciada em 29 de abril desse ano, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) processa o Médicos Pela Vida por publicidade de medicamento irregular e à Anvisa por omissão em relação a essa prática de publicidade.

Íntegra:
https://negativando.medium.com/mpf-rs-processa-anvisa-por-omiss%C3%A3o-em-rela%C3%A7%C3%A3o-a-m%C3%A9dicos-pela-vida-a1d184eb940e

‘Médicos pela Vida’ são diretamente ligados
a grupo empresarial que produz ivermectina

[ Reportagem: Victor Hugo Viegas Silva | Medium ]

Íntegra:
https://negativando.medium.com/m%C3%A9dicos-pela-vida-s%C3%A3o-diretamente-ligados-a-grupo-empresarial-que-produz-ivermectina-140285fe0691

Dados sigilosos da CPI da Covid no Senado revelam que a farmacêutica Vitamedic bancou a publicação em fevereiro de anúncios da Associação Médicos pelo Brasil em defesa do chamado tratamento precoce [ineficaz] contra a Covid-19, tese sem respaldo na comunidade científica.

Os anúncios publicitários foram veiculados nos principais jornais do país e tinham como autor apenas o grupo Médicos pela Vida.

Dias antes de os anúncios serem publicados nos jornais, a Vitamedic havia divulgado nota rebatendo a farmacêutica Merck (MSD no Brasil), produtora inicial [fabricante original] do medicamento.
A Merck afirmou que não há evidências pré-clínicas nem clínicas de eficácia da ivermectina no combate à Covid.

A peça defendia o tratamento precoce [ineficaz] com o uso de cloroquina, ivermectina, zinco e vitamina D.
Os remédios, à época, já eram descartados pelas comunidades científica e médica para o tratamento da doença.

A Vitamedic é uma das principais produtoras de ivermectina do país.

Em dados enviados à CPI da Covid, ela informou que aumentou a venda de caixas do medicamento em 1.230%, passando de 5,7 milhões em 2019 para 75,8 milhões em 2020.

O financiamento da campanha pela farmacêutica pode configurar conflito de interesses, de acordo com o Código de Ética Médica.

A associação Médicos pela Vida mantém um site favorável ao tratamento precoce [ineficaz] e alguns de seus integrantes compõem o chamado “Gabinete Paralelo”, grupo de aconselhamento informal do presidente Jair Bolsonaro, um dos principais defensores no Brasil do tratamento precoce [ineficaz].

A Vitamedic informou à CPI o total de vendas de caixas de Ivermectina de janeiro de 2020 a maio de 2021 e o preço médio por caixa.
Fazendo a conta, estima-se que a empresa tenha arrecadado R$ 734 milhões só com esse medicamento do kit Covid [ineficaz] nesse período.

Os dados do patrocínio da campanha chegaram à CPI após requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) aos veículos de comunicação, no dia 30 de junho.
No ofício, o parlamentar pediu que fossem informados quem solicitou a publicação do informe ‘Manifesto pela Vida’ e o valor dessas campanhas.

Os documentos mostram que a Vitamedic foi a contratante e responsável pelo pagamento.
Em dois jornais, Zero Hora e O Globo, os anúncios custaram R$ 217.295,05. Na Folha, o anúncio saiu por R$ 78.080,62.
Os outros veículos ainda não enviaram os dados à comissão.

Os remédios que fazem parte do kit Covid [ineficaz] se tornaram bandeira do presidente Bolsonaro no enfrentamento da pandemia, o que é hoje um dos flancos de apuração pela CPI.

A comissão no Senado já descobriu, por exemplo, a existência de um “Gabinete Paralelo” de aconselhamento do presidente fora da estrutura do Ministério da Saúde.
Os senadores agora querem descobrir a relação das farmacêuticas com o governo e com os membros desse “Gabinete Paralelo”.

[ Reportagem: Raquel Lopes | FolhaSP ]

Íntegra: (https://t.co/2qzPtNFNAp)
https://twitter.com/JulianaDalPiva/status/1416348080270712832

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Lucivaldo

16 de julho de 2021 às 15h21

Olá Caríssimos,

Aproveitando pra parabenizar sobre a disponibilização desse conteúdo em que podemos acompanhar todo o desenrolar desse movimento, que pouco-a-pouco vamos enfim descortinando todo esse movimento.

Mas também gostaria de aproveitar, saber se poderia também ter acesso ao acervo bibliográfico do curso (links, artigos e recomendação de livros)

Meu cordial Abraço

Lucivaldo Martins
Sobral – Ce.

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