VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Professora Ana Fani e a aula que não aconteceu


01/11/2011 - 11h55

por Ana Fani Alessandri Carlos, por sugestão do professor Ricardo Musse

Caros estudantes

Foi com grande indignação e imensa tristeza que vi na última quinta  feira a PM invadir o espaço da universidade e, ao fazê-lo, impor sua violenta racionalidade à vida cotidiana do campus. As “forças da ordem” instauraram o caos, usurpando a liberdade necessária e indispensável à realização de nosso trabalho, com o discurso da manutenção da mesma “ordem” que ele subverteu.

Não é difícil reduzir sua ação ao combate do tráfico de drogas sob o argumento de que o tratamento ao usuário de droga pego em flagrante deve ser o mesmo para todos os cidadãos sejam eles estudantes ou não, estejam eles no campus universitário ou fora dele.

A questão está longe de se resumir a esta ação/atitude. A situação em que nos encontramos é muito mais complexa. Trata-se do modo como o uso da força é justificado pelas autoridades. Assim a presença impositiva de uma fileira de motos, um despropositado número de PMs no
estacionamento do prédio da História/Geografia, para autuar três estudantes (antecedidos por blitz constrangedoras e cada vez mais freqüentes aos estudantes da USP) com seus gadgets, somados á bombas de “efeito moral” instauram o caos e impediram que a atividade fim da
universidade se realizasse. Além do que acabaram gerando mais violência e, com ela, um impasse, cujo desfecho certamente recaíra – como de hábito, pela punição aos mais fracos.

Consequentemente, trata-se de buscar a real origem de todo este caos que invade a vida cotidiana do campus subtraindo-lhe o sentido, e não poderia ser outra senão a lógica que orienta as atitudes da atual gestão universitária. Tal atitude vem revelando um desconhecimento do
papel e sentido histórico desta instituição pública, preocupada que esta em atender as exigências do mercado – no discurso tratado como aproximação entre universidade-sociedade (seja lá o que isto quer dizer!)

Os crimes de todos os tipos e assassinatos não podem e devem ser aceitos passivamente, nem no campus, nem fora dele, mas suas origens parecem não estar suficientemente claros, o que parece certo, todavia que com violência e negação de direitos civis estaremos cada vez mais distante da busca de possíveis e desejadas soluções.

Certamente, trata-se de formar nossos estudantes na busca da compreensão do fato de que o consumo inocente de um baseado reproduz o circuito do narcotráfico fundado numa violência ainda maior do que a da PM, e cuja existência impede o mais simples convívio social nas
áreas de sua atuação direta, bem como, no plano da sociedade a realização de um projeto que busque a realização do direto à cidade, a realização da cidadania plena e a subversão da situação de desigualdade que funda a sociedade brasileira.

Certamente os estudantes envolvidos nesta batalha devem ser totalmente favoráveis à superação desta condição de desigualdade que inclusive impede que a maioria daqueles que se encontram na mesma faixa etária tenham acesso à mesma universidade pela qual estamos todos engajados em sua defesa.

Abrir os portões da USP para a PM, vem revelando – em curto espaço de tempo – esta foi uma saída é, no mínimo, irresponsável.

A gestão da USP, ao abrir mão de suas atribuições, vem de forma consistente destituindo a universidade de seus conteúdos e sentido.

Para citar um caso dos mais graves, lembramos, aqui, os programas de pós-graduação deixados – pesquisadores e estudantes, com suas pesquisas – à mercê das instituições de fomento que vem impondo, no lugar do debate acadêmico, a competição entre programas e pesquisadores em busca de linhas em seus currículos lattes.

Competição esta, agora exacerbada pela nova lógica da carreira docente que faz com que o vizinho de sua porta se torne o inimigo a ser combatido por pontos pela progressão na carreira.

Na busca por estes objetivos, os prazos se tronam cada vez mais apertados esvaziando o ato de conhecer como ato de habitar o tempo lento da reflexão, agora, invadida pela quantificação.

Com isso é nosso trabalho que é completamente destituído de sentido, e o conhecimento produzido redunda em mera banalidade ou meras constatações. Agora, na mesma lógica que terceiriza a pós-graduação, a Universidade terceiriza mais uma das atividades que permite a
realização de seus objetivos – a segurança do/no campus.

A cada passo as sucessivas gestões parecem perder pouco a pouco sua legitimidade para levar a universidade para o futuro, prolongando uma história de conquistas tanto no plano do conhecimento da realidade brasileira – agora comprometido pelo tempo veloz com que precisamos produzir textos,artigos, orientações, patentes, etc- quanto no cenário político brasileiro em sua luta contra a ditadura.

Que projeto vislumbrar? Que futuro podemos construir? Sem dúvida o coletivo desta grande universidade precisa apontar novas possibilidades e caminhos mirando o futuro, mas aprendendo com nossa  história…..

Professora Dra. Ana Fani Alessandri Carlos
Departamento de Geografia da FFLCH/USP

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64 comentários

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Professora Ana Fani e a aula que não aconteceu « Ágora

06 de dezembro de 2011 às 00h02

[…] publicado no blog VI O MUNDO, por sugestão do professor Ricardo […]

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Mário Maestri: Pela volta da Idade Média à USP | Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de novembro de 2011 às 15h29

[…] Professora Ana Fani e a aula que não aconteceu […]

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Alexandre Araújo

06 de novembro de 2011 às 14h18

Bando de maconheiro sem vergonha, drogado rico continua sendo drogado, não tem diferença um crackeiro da cracolandia e um maconheiro da USP, devem ser removidos para tratamento, ou enjaulados se não querem ser gente, se preferem ser MACONHEIROS.
Apoio a ação da PM assim como a população GERAL, o povo quer o fim dessa corja de drogados que destroem famílias inteiras!!!!

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Souto Maior: Intransigência da Reitoria da USP em dialogar pode produzir um verdadeiro massacre | Viomundo - O que você não vê na mídia

06 de novembro de 2011 às 01h21

[…] Professora Ana Fani e a aula que não aconteceu Comovente carta aos seus alunos pela invasão na USP […]

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Pablo Ortellado: A cortina de fumaça da segurança na USP | Viomundo - O que você não vê na mídia

05 de novembro de 2011 às 00h29

[…] deslegitima ato dos alunos da USP Adma Muhana: A quem interessou o acirramento do conflito na USP? Professora Ana Fani e a aula que não aconteceu PM na USP: Reitoria afirma que funcionários concordaram, eles negam […]

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raquel Lang

03 de novembro de 2011 às 21h25

Se vocês tivessem um irmão "maconheiro" que foi espancado até entrar em coma por 6 meses por traficantes pois ficou devendo uns trocadinhos,e hoje, após um ano e muitos gastos, mal anda e fala, não fariam apologia às drogas. Essa mesma maconhazinha que pedem pra liberar acaba com familias e pessoas, levando muitos deles, como os dois filhos do meu irmão, a ficar sem eira nem beira – a mãe deles, minha cunhada, faleceu após uma overdose de crack, depois que deixou a maconha, os filhos e a familia para viver nas ruas à cata desta maldição da humanidade.
Vão trabalhar e deixem o dinheiro público pra quem precisa – fumem o backzinho de vocês na sua casa, na frente dos seus pais e não nas ruas, onde crianças são feitas de avião e não chegam à segunda infância, para satisfazer a infantilidade de vocês.

Raquel Guimarães Lang – dentista – 40 anos – mãe de duas filhas( uma estudante de direito) – atéia e apolítica, enquanto houver corja de ladrões, de qualquer partido politico, mandando e desmandando nesta merda de país!!!

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    denis dias ferreira

    05 de novembro de 2011 às 10h52

    Ninguém, neste espaço, fez apologia das drogas. Sua acusação não procede.

    Luiz

    09 de novembro de 2011 às 19h19

    Ok.
    Se essa maconha que quase matou seu irmão fosse liberada com certeza ele não teria sido espancado pois compraria ela em um lugar adequado para a sua venda. O tráfico com armas do jeito que é seria muito enfraquecido. Existiriam cafés (como na Holanda) onde a venda e o consumo são liberados, sem traficantes armados cobrando, ameaçando, espancando e matando os usuários.
    Se continuar essa proibição mais pessoas serão espancadas quase até a morte, ou até a morte, assassinadas, entre outras crueldades, pois o sistema NUNCA, eu disse NUNCA irá conseguir acabar com o tráfico ilícito de entorpecentes. E aí esta o nicho dos traficantes
    Vc já pensou nisso?

Luiz

03 de novembro de 2011 às 14h37

Sempre achei q a repressão as drogas e a maconha em particular, atende aos interesses do imperialismo ianke e a um racismo tacanho e covarde que age dentro do armário sob o imperativo da lei e da ordem, tal como era a lei da vadiagem e as q proibiam capoeira e samba. O Brasil é um país africano na maioria de sua população e a maconha é nossa maior tradição cultural do continente mãe da humanidade. A puliça fascista do PSDB usa a guerra as drogas para cometer etnocídio e como mecânica de poder,dispensando leis contra terrorismo,pois caso haja essa ameaça, logo é enquadrado na lei de trafico e para superlotar as cadeias com maconheiros nao país da impunidade. Quando não rola execução sumária com o nome de prisão seguida de morte. Achei essa manifestação da USP nossa primavera arabe, finalmente alguem acordou contra a marginalização de grande parte da populção que tem no uso de maconha um modo de transcender e se elevar espiritualmente,ou mesmo p chapar e relaxar com o uso recreativo. Não a toa essa é a melhor universidade do país,pois luta não só pela sua autonomia,mas denuncia essa injustiça social q é a repressão as drogas e os ataques aos nossos direitos civis e culturais ,pois nas universidades sempre houve tolerancia e respeito as diferenças e a propaganda de guerra ,esse verdadeiro plano coeh da maconha,não funciona em um publico critico e esclarecido. Parabéns aos nossos 300, esses espartanos da usp q defendeu no dia 27 o direito de todos nos marginalizados pelos fascistas. Obrigado a esses heróis

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xando

02 de novembro de 2011 às 11h14

liberem a ganja !!! e vão tomar no cú quem achar ruim ,, fumo e vou continuar fumando !!

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    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 21h02

    Fiquei confuso agora: é um "agente provocador de direita" ou um usuário? De qualquer modo, minha ortografia não é lá grande coisa, mas bem que você podia cuidar da sua…

Mario

01 de novembro de 2011 às 23h31

Eu que não sou louco de ser, por aqui, contra o direito dos uspianos fumar maconha la na USP; o patrulhamento (ideológico) por aqui é mais forte que o da PM por lá.

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mfs

01 de novembro de 2011 às 22h09

Moro numa cidade com praias. À noite (ou de manhã cedo), a rapaziada tá puxando fumo. O que a polícia faz? Não faz nada. Porque tem mais o que fazer. Na prática brasileira, a maconha tá liberada para certos espaços. Em certos lugares de Nova York ou Paris é parecido, a polícia sabe conviver com certos territórios, poupa energia para outras coisas bem mais importantes. Veja como a maconha está institucionalizada nos filmes hollywoodianos simpáticos aos adolescentes! Assim, a PM pode ficar no campus da USP. Se é para impedir assalto, tá OK. Mas essa PM tem que ser treinada. Treinada para relaxar essa tensão. Para agir com civilidade. Pode até advertir na base do amigável-paternalista "toma juízo rapaz, vai estudar que é melhor pra todos nós". E é claro que os estudantes também têm que respeitar o guarda, não tem ficar fumando na frente dele só para provocar. E nada do que falo é com ironia. O que se trata é de construir espaços de convívio respeitoso. Os PMs também são seres humanos. E se nada disso é argumento, então os estudantes podem fazer faixa com dizeres do tipo : APOIAMOS FHC: LIBEREM A MACONHA

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Conservador316

01 de novembro de 2011 às 22h06

Coitados dos estudantes. Também fiquei comovido.
Vou começar uma campanha para arrecadar mais Toddynho e Sucrilhos pra esses estudantes.

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mfs

01 de novembro de 2011 às 21h59

Peraí, deixa ver se entendi, a PM foi pra USP pra combater assaltos e homicídios; e até agora, o que ela fez, foi dar geral nos estudantes e prender 3 caras fumando baseado? Então é isso? Descobriram que a culpa da alta criminalidade no campus está nos estudantes que fumam maconha no pátio ou na relva? Negócio de assalto e homicídio é pra ser deixado de lado, o que interessa é descer a lenha nos universitários? E que bobagem é essa de que a USP tá tomada por drogados? Isso é papo de ressentido e burro que não conseguiu passar no vestibular pra USP e agora quer gozar com o cassetete dos outros…

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    Cláudia M.

    04 de novembro de 2011 às 11h01

    Plac, plac, pla, MUITO BEM mfs!!! Foi ao ponto: a PM está lá há dois meses e a única coisa que fez até agora foi enquadrar estudantes: invadiram o CA da Poli e levaram 15 de uma vez (um absurdo, mesmo se tratando de um monte de reaças); depois, levaram uns três do CA da Eca; Letras e coisa e tal. Pergunta se os soldados do batalhão especialmente destacada para porteger a já privilegiadíssima comunidade uspiana prendeu algum estuprador, ladrão de carro, assaltante de bando… um batedorzinho de carteira? Nadica de nada!!!

Chico

01 de novembro de 2011 às 20h35

"Inocente baseado" foi ótimo.
Tadim dos jovens só querem se drogar em paz e discutir como vão mudar o mundo e os home mau de farda e cacete querendo impedir. Que mundo injusto do cacete!

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Fabio_Passos

01 de novembro de 2011 às 20h03

puliça invadindo universidade e usando força bruta contra estudante.

<img src=http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ChargeBessinha_tucanoNazi_tvdestaques.jpg>

Responder

Adriano Almeida

01 de novembro de 2011 às 18h49

A USP pertence aos caprichos do PSDB e não aos verdadeiros interesses que ela deve atender.
Uma instituição dessa importancia não pode servir de quintal do Governo de São Paulo.
Só uma sociedade mobilizada e consciente poderá mudar esse triste quadro.
Já passou da hora dessa turba perder a hegemonia política.

Responder

sandro

01 de novembro de 2011 às 18h10

Tudo isso por causa de um baseado?

Quem acredita sinceramente que sim?

Nem o Capitão Nascimento acredita mais nesse discurso….

Responder

Polengo

01 de novembro de 2011 às 18h04

A PM tucana lembra os radares do trânsito.

Tá, não pode fumar maconha – tá, não pode ultrapassar o limite de velocidade.

Então a gente joga uma bomba atômica na usp e resolve o problema.
Então a gente taca uma multa de 500 paus pra quem passar de 40, mesmo aonde uma boa lombada impediria atropelamentos – ou seja, o cara paga a multa mas o perigo continua.

Então, o poder.
Então, a grana.

Responder

mello

01 de novembro de 2011 às 17h22

Chega ao nonsense alguém defender a invasão da USP pela polícia fardada justamente na capital nacional do crack, cujas cracolândias funcionam ao Deus dará…

Responder

Marcelo

01 de novembro de 2011 às 16h50

Vejo como sendo um erro grave haver policiamento da PM de SP dentro do campus , era certo que acabaria mal . Mas ao aceitarem essa situação , alunos e funcionarios devem se submeter a autoridade policial . Se não queriam não deixassem , fizeram corpo mole , não lutaram quando deveriam e agora lutam pelo motivo errado .

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Rodrigo Leme

01 de novembro de 2011 às 16h33

Então,s egundo Ana Fani, a ordem dos acontecimentos foi a seguinte:

1. A PM colocou 500 homens na USP, com o intuito de impedir que a aula dela acontecesse.
2. Os estudantes foram lá encontrar com a PM e jogar cavalete pq eles estavam impedindo a aula de aocntecer.
3. Depois que o confronto acabou, 3 estudantes fumaram maconha no campo vazio.

Genial!!! Parece aqueles livros-atividade "Faça Sua Própria História".

Imagino que a aula dela deva ranquear alto no BINGO DO DCE!!!!
http://www.vanguardapopular.com.br/portal/comenta

Responder

Gilson Conrado

01 de novembro de 2011 às 15h49

Essa falacia toda dos professores da USP em defender o movimento estudantil, como se referem ao ato dos ditos "estudantes da USP", serve na verdade para desfocar o que a questão aborda. Filhinho de papai pode fumar baseado, pq pra eles a lei não funciona. Se é pra criticar a presença da PM deve ampliar e muito onde ela não deveria estar. Porque não se defende o cidadão honesto que trabalha o dia todo e quando vai pra casa na periferia das grandes cidades é abordado pela pm que revista até seu marmiteiro ? É fácil usar essa questão pra levantar a bandeira dos estudantes e se dizer contra a PM no campus, mas o que ocorreu de fato isso não se critica, afinal, portar maconha na universidade é legal e é a onda do momento? onde será que compraram essa maconha ? foi em alguma loja especializada ? FOI NO TRÁFICO, onde há morte diaria de muitos viciados que não pagam as divídas e para pagar as dívidas assaltam estudantes, empresários, donas de casa… enfim é muito fácil ser hipócrita e criticar a PM … Mas qual dos excelentíssimos professores universitários colocam todos os dias o alvo que é a farda da PM e vai pra guerra ??? Somos nós da PM que limpamos as sujeiras que esses estudantes fazem todos os dias, mas que a mídia abafa e põe como vilão os pobres analfabetos da periferia !!!

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    EUNAOSABIA

    01 de novembro de 2011 às 16h36

    Gilson Conrado, meus parabéns… se o senhor for um Policial Militar me faça um favor, na verdade me preste uma homenagem.

    Quando o senhor e sua guarnição de heróis e guardiões da sociedade honesta que trabalha e que paga impostos for chamada para fazer valer a lei e a ordem, por favor, me preste uma homenagem, ao se deparar com um desses arruaceiros, faça uso da única linguagem que eles entendem, esse remédio é infalível, retire seu cassetete de borracha e aplique a força necessária para restaurar a ordem, ao aplicar a bordunada no lombo da criança diga… "essa aqui é pelo EUNAOSABIA"… me preste esta homenagem.

    Brasil acima de tudo!

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 18h10

    Ele adora um cacetete!

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 16h37

    Caro Gilson, você se esquece de dizer que a PM não voltou a entrar na USP para combater o tráfico, mas como instrumento de repressão política. Em 2009 houve um pedido de reintegração de posse viabilizado por liminar expedida pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 3ª Vara de Execuções. Tem-se então o uso do chamado interdito proibitório, uma ação jurídica relacionada a situações nas quais o direito de posse ou de propriedade está sendo ameaçado, o que está previsto no artigo 1.210 do Código Civil.
    O que possibilitou a resolução foi uma uma resolução elaborada pela Comissão de Legislação e Recursos (CLR), cujo parecer foi proposto por João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direto da USP – e candidato a próximo Reitor -, que foi aprovada na 919º sessão do Conselho Universitário, dia 28/05/08. A resolução do parecer da CLR acabou sendo aprovada com 55 votos favoráveis, 21 contrários, na 919º sessão do Conselho Universitário, dia 28/05/08.duas abstenções e quatro votos anulados, em todos os seus itens, sendo: A) reiterar a solicitação de desobstrução forçada dos acessos, caso não haja liberação até a 0h do dia 29 de maio; B) interpor medidas judiciais cabíveis (inclusive reintegração de posse) com pedido de liminar, se a desobstrução, na forma acima, não se concretizar; C) retomar negociações com alunos e servidores, caso necessário, somente após a desobstrução dos acessos; D) identificar os envolvidos nos atos acima descritos, apurando-se, na forma da lei, as responsabilidades administrativas. Como foi possível aprovar uma coisa dessas? Simples, por meio de uma reunião secreta, é isso mesmo. Conforme consta na ata da sessão, vários membros disseram não ter sido convocados e, inclusive, só estavam naquela sessão por terem sido avisados de sua realização por terceiros.Só que, segundo a estudante de Geografia Nathalie Drumond, “Como Rd do Co eu também era membro da CLR, e não fui convocada para a reunião que debateu o parecer. Questionei isso publicamente na reunião do Conselho e o argumento dado foi que eles chamaram para a reunião quem foi possível”.Para o professor Pablo Ortellado, também membro do Co, a resolução serve para dar “aval político” e respaldo à reitora, caso ela pense ser necessário pedir a presença da polícia. “Há ainda uma questão que está sendo muito discutida entre estudiosos da área jurídica: nos acontecimentos recentes, a presença policial foi pedida para ‘reintegração de posse’. Só que a Reitoria não tinha sido invadida”.
    Ou seja, a questão da maconha é puro paliativo. Os alunos não estão revoltados porque não podem mais fumar maconha (caso fosse esse o problema, o movimento não teria a adesão de tantos estudantes), eles estão revoltados porque o Reitor está sucateando a instituição. Por conta das terceirizações, o cidadão honesto que trabalha o dia todo perdeu os seus direitos trabalhistas, perdeu metade do seu salário e pode ser mandado embora a qualquer momento sem receber fundo de garantia ou seguro desemprego, pois a USP não se responsabiliza por ele. Isso não aparece nunca no jornal! Por que será? Mas sabemos que essas privatizações futuramente afetarão também o corpo policial e, nesse momento, quando os próprios policiais forem as vítimas de políticas de achatamento salarial, o que eles farão? Será que contarão com o apoio dos mesmos trabalhadores que espancaram em manifestações? Será que os professores espancados, por exemplo, os apoiarão?

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 14h50

    Gilson, existem injustiças na USP que são promovidas em situações que vão além do caso da polícia no campus. Não se restringe, inclusive, à maconha. Infelizmente, o movimento estudantil também não ajuda, não tem proposta melhor do que "fora PM no campus", pura circunstância.

    Desde 2002, quando da famosa greve da FFLCH, em função da ausência de professores, superlotação de salas, etc., o papo é o mesmo: queixas dos estudantes e uso do problema para fins políticos (CA, DCE e excrescências). Na época, aqueles que apoiaram o fim da greve (hoje, muitos deles, doutorandos da FFLCH, pois eu não me esqueci deles), disseram: "a greve acaba; a luta continua". Pois bem; segundo me consta (a não ser que eu sofra de psicose temporal), estamos em 2011 e a coisa só piorou. Os problemas são os mesmos, mas ampliados.

    Em 2009, em uma greve esvaziada, alunos provocaram e cercaram um pequeno grupo de policiais que revidou com o restante da tropa. Professores apanharam por causa desse pessoal inconsequente. Por causa da memória seletiva – quase um "revisionismo" – e da ausência de organização do movimento estudantil da USP, a injustificável truculência da PM tem servido, também, para manter e conservar uma incapacidade de se organizar dos alunos, de renovar as ideias e fomentar um debate mais profundo que vá além dos particularismos e da "mesmice".

    A declaração da Congregação da FFLCH tem alguns objetivos claros: fomentar o debate entre as partes, uma vez que, em função de suas paixões, tendem a puxar a "brasa para o próprio peixe"; repensar a questão da segurança no campus; declarar que a violência é repudiada (inclusive vinda dos próprios alunos). Ontem (1/11), houve uma assembleia que votou pelo fim da ocupação do prédio da FFLCH (justamente de quem sempre deu apoio aos alunos). O que houve em seguida, foi uma ocupação da Reitoria por parte de um grupo, insatisfeito com a deliberação democrática e legítima dos próprios estudantes. Por outro lado, o grupo terá que assumir o que faz. Normalmente, uma pessoa comum diria o seguinte: "A gente já não discutiu isso? Não entramos em acordo? Para que é que você está fazendo essa besteira? A troco de que?" Traidores de acordos e provocadores existem até no movimento estudantil, não é apenas o Rodas ou a PM.

    Parece engraçado você ser "negativado" pelos usuários, quando, na prática, você coloca a mesma opinião com outras palavras! Por exemplo: "Certamente, trata-se de formar nossos estudantes na busca da compreensão do fato de que o consumo inocente de um baseado reproduz o circuito do narcotráfico fundado numa violência ainda maior do que a da PM". Está lá no post: &lt ;https://www.viomundo.com.br/politica/professora-ana-fani-e-a-aula-que-nao-aconteceu.html&gt;. Em liguagem "arcaica", a mentalidade de "liberdade burguesa" não tem relacionado o particular com o geral. Engraçado que pouco se discute sobre aquilo que os professores e a própria Congregação da FFLCH por parte dos usuários do "Vi o Mundo", como se "falou, tá falado".

    Por um momento, pensei que, talvez, você fosse policial militar. Como em qualquer ocupação, tem gente boa e gente ruim; gente idealista e gente realista. Tem gente na PM que, acredito, tenha uma visão idealista do que faz, que considera estar fazendo a coisa certa; do mesmo modo que existem pessoas que extrapolam a lei e nem mesmo questionam-na em momentos "civis". A situação da PM também é complicada, sobretudo quando o salário é ruim, o treinamento e a formação da tropa é baseado em estereótipos a respeito do "comportamento criminoso". Como são poucas (ou quase nenhuma) as políticas que cortem pela raiz as causas que originam a criminalidade, o polícia existe para coibir os efeitos.

    Mudando de assunto: parece engraçado, mas eu estava assistindo, de madrugada (programaço!) uma gravação de sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo. O Major Olímpio (PDT), embora eu não concorde com tudo o que ele fale, levantou-se contra o Projeto de Lei Complementar 79/2006, que torna o Hospital das Clínicas de São Paulo uma autarquia especial, permitindo, inclusive, o acesso de planos de saúde, a famosa "dupla porta de acesso". A propósito: alguém levantou esse problema? Não, ninguém! Nem um postezinho para discutir a questão da privatização da saúde paulista. Para informações iniciais, ver em: ,http://www.al.sp.gov.br/portal/site/Internet/menuitem.4b8fb127603fa4af58783210850041ca/?vgnextoid=f6b3657e439f7110VgnVCM100000590014acRCRD&id=9243b0730ef53310VgnVCM100000600014ac____&gt;.

EUNAOSABIA

01 de novembro de 2011 às 14h40

Dona Solange Alves Pinto, a coisa é muito mais grave do que a senhora expõe em seu comentário, fosse só isso, estaríamos muito bem.

A tragédia é infinitamente maior nas "uniesquinas" da vida, as faculdades de 1,99 que proliferaram como erva daninha durante o governo Lula, financiadas por um dos programas de compra de votos do The Doctor, um programa que só serve para aumentar o hiato social entre um aluno que pode entrar numa faculdade pública e outro que não tem condições para isso, estou falando do grotesco PROUNI, esse programa só serve para encher as burras de reitores inescrupulosos e gananciosos..isso nada mais é que a privatização do ensino público no Brasil… coisas do genial The Doctor…

Sala de aulas com 100 alunos ou mais, comparecem uns 30 no máximo, acontece que na lista de assinatura de presença a frequência é de 100%, no meio da aula já não tem mais quase ninguém, no dia da prova aparece todo mundo. Como é que um aluno tem condições de aprender alguma coisa se só dá as caras no dia da prova???

O curioso é que todo mundo é aprovado, ninguém fica sem média para passar, tem aluno que não sabe nem escrever, literalmente falando, são semi-analfabetos mesmo, o ensino superior no Brasil virou um grande negócio e um grande investimento, onde se busca acima de tudo o lucro, quem dera se as UNI 1,99 do The Doctor e seu ministro da deseducação fossem apenas isso que a senhora expõe.

Tenho exemplos grotescos, coisas de dar penas mesmo.. certa vez, para dar o exemplo de como a globalização tornou o mundo mais integrado e menor em função das comunicações, dei o exemplo de que a morte de Abraham Lincoln levou três meses para chegar à Europa, e que a notícia sobre o atentado a Ronald Reagan levou 15 segundos para percorrer o mundo, para minha surpresa, alguns alunos me perguntaram quem foi Abraham Lincoln.

Responder

Avelino

01 de novembro de 2011 às 14h17

Caro Azenha
A luta é clara, é desmoralizar a luta uspiniana contra o desmanche dos governos tucanos.
O resto é balela.
Saudações

Responder

    EUNAOSABIA

    01 de novembro de 2011 às 16h48

    A melhor universidade da América Latina…. é USP.

    USP é primeira e Unicamp terceira colocada geral em ranking inédito que leva em conta critérios regionais

    Veja as 20 primeiras do ranking:

    1 Universidade de São Paulo (USP) – Brasil
    2 Pontificia Universidad Católica de Chile – Chile
    3 Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – Brasil

    Rankings da educação brasileira
    USP está em 169º lugar no ranking mundial QS
    USP sobe para 43ª em ranking de relevância online
    USP é a única brasileira entre as 150 melhores em escolha chinesa

    Vai te tratar rapaz…

    Vocês não enganam é ninguém.

    Mentes acima de tudo para ti mesmo.

    Polengo

    01 de novembro de 2011 às 18h00

    Pois é, antes que os tucanos consigam estragam mais isso ainda…
    Ou foram os tucanos que levaram a USP a esse ponto?

    EUNAOSABIA

    01 de novembro de 2011 às 19h32

    Vai ver foi o Lula, ministrando aulas por lá… doutor tais e tal.. bla bla bla…sá cumé.

    Gerson Carneiro

    01 de novembro de 2011 às 20h19

    Ah meu fio do jeito que suncê tá só o ômi é que pode te ajudá.

    [youtube StSFv3OSuzk http://www.youtube.com/watch?v=StSFv3OSuzk youtube]

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 18h09

    E sabe qual a unidade responsável pela ascensão? FFLCH. Quer que eu soletre? Os cursos que obtiveram melhor desempenho estão lá. Pesquise melhor antes de abrir a boca, amigão.rs

    Avelino

    01 de novembro de 2011 às 19h20

    Caro Eunãosabia
    E nada disso se deve aos governos tucanos, mas sim aos professores e alunos que resistem ao desmanche neoliberal das escolas públicas.Quando se tem política de ampliar o povo nelas, os governo tucanos arrebentam.
    Saudações

    EUJASABIA

    01 de novembro de 2011 às 21h45

    Pois é…

    Uma universidade FEDERAL.

    rs…

    Tá na hora do Gardenal, Smith.

    ANA

    01 de novembro de 2011 às 22h41

    Só mesmo uma pessoa tacanha para postar o sucesso da USP para defendera a violência da PM no campus.

    ANA

    01 de novembro de 2011 às 23h01

    Como egressa da FFLCH vou lhe contar uma pequena história: o curso de Letras quando chegou no campus do Butantã nos anos 70, não tinha prédio, foi jogado nos barracões da Psicologia e depois para no CRUSP, moradia estudantil, não preciso desenhar os motivos. Somente em 1986, depois de 3 anos de mobilização e uma greve de 1 ano, o governo de SP começou a construir o Prédio novo cuja planta foi feita a pedido dos alunos, constava até materiais alternativos. Pois bem, sabe quem era a trupe governante da época? os mesmos que estão no poder há 16 anos. Muito boas foram as condições dadas pelos tucanos, não acha?
    Em tempo:1. durante os 3 anos de mobilização, o Reitor proibiu a entrada de qualquer aluno das Letras no recinto
    Em tempo 2: durante a greve de um ano muitas aulas foram dadas nas casas dos professores.
    Em tempo 3: o Governador da época, Franco Montoro quando recebeu o comitê das Letras afirmou que não podia construir o Prédio porque não tinha dinheiro !!!!!!!!!!!!!
    A isso chama-e combatividade, coisa que o senhor nega a mando de alguém, talvez os mesmos que jogaram o nosso curso nos barracões da Psicologia.

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 11h10

    Cuidado com esse "orgulho em ser uspiano":

    "A melhora no desempenho da USP reflete o esforço feito pela universidade para se internacionalizar. A bandeira é uma das mais importantes da gestão do reitor João Grandino Rodas.". &lt ;http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,usp-sobe-84-posicoes-em-ranking-internacional,768708,0.htm&gt;.

    Em termos de pesquisa na área de tecnologia, a USP é inferior à UNICAMP.

Alex Mendes

01 de novembro de 2011 às 14h16

O Butantã tem bocas de crack a cada esquina. Na comunidade "São Remo" pode ser visto tráfico de crack em plena luz do dia e se localiza acima de um batalhão da PM. E a polícia enchendo o saco dos estudantes da USP. E a Falha, o Estragão apoiando …

Responder

Solange Alves Pinto

01 de novembro de 2011 às 13h44

Ana Fani tocou em pontos que, por conta deles, abandonei a "carreira acadêmica" a "pesquisa científica" e a Geografia.
Após o mestrado dei aulas por 8 anos em universidades públicas e privadas, mas, sobretudo, em uma delas, havia o impedimento explícito em estimular alunos a se manifestarem, contra ou a favor, sobre qualquer tema efervescente no momento, que envolvesse política ou movimentos sociais. Nas outras era mias disfarçada a intransigência. Mas, na primeira, os alunos se manifestavam como no período militar, ou seja, de forma escondida. Isso foi até 2008, ano em que desisti de ser professora universitária; de fazer Dr e da Geografia. Essa foi uma das razões a outra se refere aos prazos. Quanto a eles, a universidade tornou-se balcão de lanchonete , ou seja: leitura dinâmica; reflexão "rápida ou esqueça"; produção de pesquisas "saia como puder"; artigos "requentados ou turbinados" tudo com o objetivo maior de cumprir as metas da produção em larga escala. Tudo tem que ser dinâmico e ágil nesse afã de engrossar o Lattes, até pq ele é pré requisito para a vida acadêmica. Assim, muitos de nós tornamo-nos chapeiros – sem preconceito com a profissão, mas, apenas fazendo referência a rapidez do trabalho. As solicitações nos chegam mais ou menos assim: Salta um artigo sobre a territorialidade dos plantadores de bananas! Salta uma oficina sobre a regionalização do Tucuruvi! Rápido, rápido, uma mesa redonda sobre o Morro do Alemão!
Pergunto: Isso é a academia? Valemos o quanto produzimos e não com que qualidade produzimos? Quais questões a universidade suscita no momento?
A universidade hj não é mais lugar de embates teóricos ou atitudes críticas, mas, espaço de produção fugaz que faz tilintar o caixa dos pontos do currículo Lattes.

Responder

    oalfinete

    01 de novembro de 2011 às 16h47

    É… difícil nossa docência. Difícil nossa Geografia.

Janaina

01 de novembro de 2011 às 13h19

Professora Ana Fani, obrigada! Enquanto todos tentam reduzir o ocorrido com uma relação binária maconha-PM, é ótimo ter um alívio e ler um texto que busca ampliar as causas e consequências do conflito do dia 27.

Responder

FrancoAtirador

01 de novembro de 2011 às 13h11

.
Ninguém está acima da lei. Mas, quem é ninguém? O que é a lei? Qual é a verdade?

por Jorge Luiz Souto Maior, prof. livre docente da Faculdade de Direito da USP

Para deslegitimar o ato de estudantes da USP, que se postaram contra a presença da polícia militar no campus universitário, o governador Geraldo Alckmin sentenciou:
“Ninguém está acima da lei”, sugerindo que o ato dos estudantes seria fruto de uma tentativa de obter uma situação especial perante outros cidadãos pelo fato de serem estudantes.
Aliás, na sequência, os debates na mídia se voltaram para este aspecto, sendo os estudantes acusados de estarem pretendendo se alijar do império da lei, que a todos atingem.
Muito precisa ser dito a respeito, no entanto.
Em primeiro lugar, a expressão, “Ninguém está acima da lei”, traduz um preceito republicano, pelo qual, historicamente, se fixou a conquista de que o poder pertence ao povo e que, portanto, o governante não detém o poder por si, mas em nome do povo, exercendo-o nos limites por leis, democraticamente, estatuídas.
O “Ninguém está acima da lei” é uma conquista do povo em face dos governos autoritários.
O “ninguém” da expressão, por conseguinte, é o governante, jamais o povo. Claro que nenhum do povo está acima da lei, mas a expressão não se destina a essa obviedade e sim a consignar algo mais relevante, advindo da luta republicana, isto é, do povo, para evitar a deturpação do poder.
Nesse sentido, não é dado ao governante usar o preceito contra atos de manifestação popular, pois é desses atos que se constroem, democraticamente, os valores que vão se expressar nas leis que limitarão, na sequencia, os atos dos governantes.
Dito de forma mais clara, a utilização do argumento da lei contra os atos populares é um ato anti-republicano, que favorece o disfarce do império da lei, ao desmonte da contestação popular aos valores que estejam abarcados em determinadas leis.
Todos estão sob o império da lei, mas não pode haver obstáculos institucionalizados para a discussão pública da necessidade ou não de sua alteração.
A lei, portanto, não é ato de poder, não pertence ao governante.
A lei deve ser fruto da vontade popular, fixada a partir de experiências democráticas, que tanto se estabelecem pelo meio institucionalizado da representação parlamentar quanto pelo livre pensar e pelas manifestações públicas espontâneas.
E, ademais, qual é a verdade da situação?
A grande verdade é que os alunos da USP não estão querendo um tratamento especial diante da lei.
Não estão pretendendo uma espécie da vácuo legal, para benefício pessoal.
Para ser completamente, claro, não estão querendo fumar maconha no Campus sem serem incomodados pela lei.
Querem, isto sim, manifestar, democraticamente, sua contrariedade à presença da PM no Campus universitário, não pelo fato de que a presença da polícia lhes obsta a prática de atos ilícitos, mas porque o ambiente escolar não é, por si, um caso de polícia.
Diz-se que a presença da Polícia Militar se deu para impedir furtos e, até, assassinatos, o que, infelizmente, foi refletido em fatos recentes no local.
Mas, para bem além disso, a presença da Polícia Militar tem servido para inibir os atos democráticos de manifestação, que, ademais, são comuns em ambientes acadêmicos, envoltos em debates políticos e reivindicações estudantis e trabalhistas.
A presença ostensiva da Polícia Militar causa constrangimentos a essas práticas, como, aliás, se verificou, recentemente, com a condução de vários servidores da Universidade à Delegacia de Polícia, em razão da realização de um ato de paralisação de natureza reivindicatória, o que lhes gerou, dentro da lógica de terror instaurada, a abertura de um Inquérito Administrativo que tem por propósito impingir-lhes a pena da perda do emprego por justa causa.
Há um enorme “déficit” democrático na Universidade de São Paulo que de um tempo pra cá a comunidade acadêmica, integrada por professores, alunos e servidores, tem pretendido pôr em debate e foi, exatamente, esse avanço dessa experiência reivindicatória que motivou, em ato de represália, patrocinado pelo atual reitor, o advento da polícia militar no campus, sob a falácia da proteção da ordem jurídica.
A ocupação não é ato de delinquência, trata-se, meramente, da forma encontrada pelos alunos para expressar publicamente o conflito que existe entre os que querem democratizar a Universidade e os que se opõem a isso em nome de interesses que não precisam revelar quando se ancoram na cômoda defesa da “lei”.

Íntegra em:

http://www.dceusp.org.br/2011/10/souto-maior-ning

Responder

    FrancoAtirador

    01 de novembro de 2011 às 14h26

    .
    .
    Juiz-presidente do Conselho Executivo da AJD é contra Polícia Militar na USP
    e defende estudantes que ocupam prédio

    A Rádio Brasil Atual entrevistou nesta terça-feira, 01, o juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia.
    Em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, o juiz afirma que os estudantes que ocupam o prédio da direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP fazem o papel que caberia aos gestores da Universidade ao questionar a forma truculenta e repressiva de se tratar os problemas.

    Link para download e embed em:

    http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas

    Ze Duarte

    01 de novembro de 2011 às 15h22

    Desafio ele e quem mais quiser para ilustrar qual movimento democrático foi impedido.

    Fumar maconha não vale,

    FrancoAtirador

    01 de novembro de 2011 às 17h13

    .
    .
    Lá vem o TROLL
    Patati patacolá
    Lá vem o TROLL
    Para me negativá.
    .
    .

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 13h45

    Ah, o DCE da USP? Por um momento, pensei que não existissem mais (o prédio está lá). Olá, como vão vocês? Vocês devem estar bem, mas eu sei que a USP vai mal…

yacov

01 de novembro de 2011 às 12h52

MACONHA: LEGALIZE JÀ!! E PM PARA FORA DO CAMPUS, JÀ!! Esses pazzos, esses gorilas sem cérebro, mas armados e uniformizados, não conseguem acabar com a cracolândia, bem debaixo dos seus narizes e prá mostrar serviço querem acabar com meia dúzia de jovens que fumam o seu baseadinho por lazer. Vão ser hipócritas assim lá na casa do EU NÂO SABIA, bando de trogloditas a mando dos retrógrados TUCANALHAS que afundam São Paulo com sua incompetência há 17 anos!! BASTA!!!

"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glObo é um braZil apra TOLOS"

Responder

EUNAOSABIA

01 de novembro de 2011 às 12h38

Vocês não enganam ninguém e são uma minoria insignifcante.

Responder

    ZePovinho

    01 de novembro de 2011 às 12h51

    Digite o texto aqui![youtube FCnO28vTBu http://www.youtube.com/watch?v=FCnO28vTBu youtube]

    Felipe Andrade

    01 de novembro de 2011 às 13h14

    O tolo que se esconde e tenta afetar com seu discurso falacioso e golpista.

    RicardãoCarioca

    01 de novembro de 2011 às 13h25

    Se você está se referindo aos progressistas, somos a 'minoria' que elegeu presidentes nas 3 últimas eleições e que com toda a certeza continuará elegendo-os no mínimo por mais 3 eleições vindouras! Não sabia disso? Claro, né! kkkkk!

    Se é sobre os fumantes alcoólatras da USP, minha opinião é a seguinte: Escola é lugar para se estudar, não para fazer aquilo que a pessoa não tem coragem de fazer na frente dos pais.

    Zé Bolinha de Papel

    02 de novembro de 2011 às 15h04

    Sugiro uma reflexão em torno desse triunfalismo em nível federal. Em São Paulo, lamento, quem votou em Dilma pode ter votado em Alckmin, e quem votou no Mercadante, por exemplo, pode ter votado em Serra. Eu também fico pasmo e isto merece um grande esforço de entendimento. Não me parece tão simples, olhando os mapas eleitorais…

    Julio Silveira

    01 de novembro de 2011 às 14h14

    Robo, sei que verdadeiramente sabes onde se esconde a insignificância posto que se não sobesses certamente terias coragem de assinar as tuas bobagens agressivas fora desse insignificante pseudonimo.

    M. S. Romares

    01 de novembro de 2011 às 15h01

    E voce dá mostras de que é um insignificante maior.

    Leider_Lincoln

    01 de novembro de 2011 às 15h04

    Por falar em enganar alguém "EUNAOSABIA" cadê as provas de que foram os palestinos e não os israelenses que bombardearam um hospital em Gaza durante o massacre do mesmo nome? Ou você só pretende nos enganar?

    Carlos

    01 de novembro de 2011 às 20h35

    essa gente da direita só sabe falar e acusar, provar nao é o forte deles. dê um desconto…

    cronopio

    01 de novembro de 2011 às 16h38

    Perguntinha impertinente: então por que você está sempre por aqui?

    Renato Lira

    01 de novembro de 2011 às 21h42

    Cronopio, liga não.

    Richard Smith, vulgo "EUNAOSABIA", reaça de uns 50 anos de idade cronológica e não mais que 5 anos de idade mental, é o típico espécime da direita ignorante e hidrófoba nativa.

    É que ele tá num momento de crise existencial.

    Não toma o Gardenal na hora certa, esquece onde deixou o babador e fica no espelho, se olhando e dizendo e si próprio o que ele e sua turma realmente é.

    Isso que ele tá afirmando é pra ele mesmo, quando o efeito das coisas que lhe fazem fugir da realidade passa.

    Aí ele encara o mundo real e, diante do espelho diz a si próprio e sua curriola:

    "Vocês não enganam ninguém e são uma minoria insignifcante".

    EUJASABIA

    01 de novembro de 2011 às 21h35

    É?

Raul

01 de novembro de 2011 às 12h09

Azenha, veja esse texto do CXoletivo DAR: http://coletivodar.org/2011/10/da-usp-ao-grajau-o

Responder

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