VIOMUNDO

Diário da Resistência


“Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX”
Política

“Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX”


22/02/2013 - 22h02

Para Pochmann, é válida comparação entre os dois projetos que surgiram no País após a ditadura: o neoliberalismo do PSDB e o desenvolvimentismo do PT. Foto: Twitter pessoal

2014 já começou

Rodrigo Martins, em CartaCapital, encaminhada via e-mail por Julio Cesar Macedo Amorim

Em discurso no ato de comemoração dos dez anos do PT à frente do governo, na noite de quarta-feira 20, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado à oposição ao declarar que os adversários “podem juntar quem quiser” que não vão derrotar Dilma Rousseff nas eleições de 2014.

De acordo com Lula, os rivais políticos do PT estão fragilizados, “sem valores e sem propostas”. “Não temos medo de comparação, inclusive debate sobre a corrupção. Todo mundo sabe que têm duas formas de a sujeira aparecer: uma é mostrar, a outra é esconder. E eu duvido que tenha um governo na história deste país que criou mais transparência e mais instrumentos de combate à corrupção do que o nosso”.

As críticas se dirigiam ao senador mineiro Aécio Neves, virtual candidato do PSDB à Presidência, e também ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ambos ciosos das comparações feitas pelo PT com o governo anterior, do PSDB. Aécio chegou a elaborar um documento intitulado “os 13 fracassos do PT”, no qual cita, entre outras críticas, a suposta “maquiagem fiscal”da política econômica do governo.

Durante a festa, o PT distribuiu 1,5 mil cartilhas com os avanços obtidos por seus governos, reforçando os contrastes com a gestão tucana. Os dados exaltam o êxito inegável de Lula e Dilma. A inflação cresceu num ritmo bem menor, o PIB per capita avançou quatro vezes mais, as reservas externas passaram de 37,8 bilhões para 373,1 bilhões de dólares e a produtividade aumentou 13%, diante da estagnação verificada nos anos FHC.

Apesar de o Brasil continuar entre os 12 países com pior distribuição de renda no mundo, a desigualdade recuou 11,4% nos últimos 10 anos. Enquanto o desemprego cresceu perto de 58% nos oito anos de governo tucano, na gestão petista diminuiu 38,9%. E o fenômeno foi acompanhado de uma valorização real do salário mínimo de 70%, ante um crescimento pouco menor que 30% na gestão do PSDB.

Um dia antes de os números serem oficialmente divulgados, FHC reagiu às críticas pela internet. “A gente deve comemorar a vitória do Brasil, e não ficar o tempo todo olhando para trás. Isso é coisa de criança, parece picuinha”, afirmou, em vídeo de 48 segundos.

De acordo com o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, a comparação é válida por expor dois projetos distintos que surgiram no País após a ditadura, e com experiências concretas de governo: o neoliberalismo do PSDB e o desenvolvimentismo do PT. “Se antes o Estado era visto como o principal responsável pelos problemas da Nação, ele passa a ser visto como parte da solução”, afirmou, em entrevista a CartaCapital.

Na avaliação do economista, o Brasil enfrentou três décadas de regressão econômica e social, uma trajetória só interrompida com a eleição de Lula.

“Nós, brasileiros, sabemos bem qual é a maior década da nossa história recente. É precisamente a década que começamos a trabalhar agora, a década da esperança e do otimismo”, resumiu a presidenta Dilma Rousseff durante a festa.

Para marcar os dez anos de governo, o PT planeja ainda realizar uma série de 13 seminários, em diferentes capitais brasileiras, para fazer um balanço de suas gestões. O primeiro encontro será em Fortaleza, em 28 de fevereiro, com o tema “Políticas de bem-estar, direitos e desafios da inclusão social”. O debate deve reunir a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Ao término de cada um dos seminários, os organizadores pretendem criar um documento com o diagnóstico dos palestrantes. Depois, os textos serão compilados em livro. As narrativas não devem, porém, ficar circunscritas ao registro histórico. “No próximo ano, haverá o congresso nacional do PT e certamente esses debates devem orientar na formulação de novas diretrizes do partido”, explica Pochmann, que discorre a seguir sobre os avanços e desafios do PT à frente do governo.

CartaCapital: O PT celebra dez anos no poder e preparou uma cartilha em que compara sua gestão com a experiência do PSDB. Por que explorar esse contraste, em vez de elencar só os avanços e os dasafios futuros?

Marcio Pochmann: Após a redemocratização, houve dois grandes projetos em disputa e com experiências concretas de governo. Um deles é o neoliberal, iniciado no final do governo Sarney que se fortalece com Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. A partir de 2003, com Lula, emerge outro projeto, o desenvolvimentismo. Se antes o Estado era visto como o principal responsável pelos problemas da Nação, ele passa a ser visto como parte da solução. Há um discurso que simplifica demais o debate eleitoral, apresentado como uma mera disputa entre personalidades. O que há de fato é uma disputa entre diferentes projetos de nação.

CC: O que representaram esses 10 anos de governo petista?

MP: Possivelmente, os historiadores vão olhar para esse período como o decênio que mudou o Brasil. Antes de Lula, vivemos três décadas de regressão econômica e social. Em 1980, o Brasil era a oitava maior economia do mundo, mas mantinha um em cada dois brasileiros na pobreza. Em 2000, a economia brasileira caiu para a 13ª. Posição no ranking mundial, e a proporção de pobres praticamente manteve-se inalterada. A concentração de renda também aumentou. Em 1980, cerca de 50% da renda nacional era composta de salários.

Em 2000, os rendimentos dos trabalhadores correspondiam a 39%. Inviabilizou-se a criação de mercado interno. O número de desempregados quintuplicou, atingindo 11 milhões de trabalhadores. O que salvou o Brasil dessa trajetória foi a política, a capacidade de se construir uma maioria em torno de um projeto diferente de nação.

CC: O que mudou com a eleição de Lula?

MP: O processo de distribuição de renda passou a ter um papel fundamental. No período neoliberal, o crescimento era visto como uma coisa espontânea, natural das forças do mercado. Se não tiver inflação ou intervenção do Estado, naturalmente o mercado cresceria e criaria oportunidades. Se isso não ocorre como o planejado, o Estado é o problema. A partir de 2003, a lógica era outra. Ao combater o desemprego, elevar o salário mínimo, facilitar o crédito e distribuir renda, o Brasil passou a ter um mercado interno de fato, com a inclusão de 40 milhões de cidadãos.

CC: Essas iniciativas não existiam antes?

MP: Segundo a perspectiva neoliberal, era impossível construir um País para todos os cidadãos. Uma nação para três quintos da população já estava de bom tamanho. Veja, por exemplo, o tamanho dos nossos aeroportos. São pequenos demais para a dimensão do nosso país, mas eram adequados para aquela pequena parcela da sociedade que podia viajar de avião. Se o Brasil não tivesse ampliado o seu mercado interno, talvez os aeroportos não estivessem sobrecarregados hoje. Quando se começa a crescer, os gargalos aparecem. E cabe ao Estado superá-los.

CC: De que forma?

MP: Há estímulos, como a redução dos juros e as novas formas de concessões, para ver se conseguimos destravar a economia e aumentar a capacidade produtiva. Mantém-se um inegável processo de transferência de renda no governo Dilma, mas com uma natureza um pouco diferente. Ela se dá com a redução das taxas de juro. Certamente, os bancos e os rentistas vão lucrar menos. Mas a população terá mais poder de compra. Reduzir o preço de energia elétrica não interessa às empresas do setor, mas dá um alívio para a indústria. Antigamente, qual era a receita? Privatizar as empresas públicas para pagar os ativos financeiros, os juros da dívida.

CC: Os tucanos sustentam que vários programas de distribuição de renda foram iniciados em sua gestão, e não com o PT.

MP: FHC também tinha o Bolsa Escola e se preocupou com a valorização do salário mínimo. Mas as medidas tiveram alcance limitado. Ao final do governo, o Bolsa Escola atendia cerca de 5 milhões de famílias. Hoje, o Bolsa Família gira em torno de 14 milhões. Em oito anos do governo do PSDB, o salário mínimo teve um aumento real de 29%. Nos dez anos de Lula e Dilma, cresceu 70%. Uma coisa é você pagar um salário maior em um cenário de forte desemprego. Outra é pagar salário maior quando há 18 milhões de trabalhadores a mais com carteira assinada.

CC: Hoje, qual é o maior desafio do Brasil?

MP: O Estado tem dificuldade para mover os investimentos de forma eficiente. O maior desfio é a reforma do Estado. Getúlio Vargas lançou as bases da administração direta nos anos 1930. Duas décadas depois, sua estrutura já estava sucateada. Daí as angústias de Juscelino Kubitschek ao lançar o projeto de construção do capital e impulsionar o desenvolvimento do País, na tentativa de avançar “50 anos em cinco”. Ele criou então as formas de administração indireta, com a regulamentação das empresas estatais, autarquias, sociedades de economia mista. Mas, após a redemocratização, não tivemos outro avanço.

CC: Continuamos com a mesma estrutura de 60 anos atrás?

MP: O que houve nas décadas de 1980 e 1990 foi a dilapidação do Estado brasileiro, com as privatizações de empresas públicas e a transferência de responsabilidades para organizações e ONGs.

CC: O que há de errado no Estado?

MP: Há várias fissuras. Tome os exemplos do setor cultural e bancário. Suas políticas são voltadas para os mais ricos. Onde estão equipamentos culturais públicos, os museus, os teatros, as bibliotecas? Nas periferias? Não, estão no centro das grandes capitais. Os bancos públicos estão na Avenida Paulista e nos bairros abastados. Mas é possível ter uma estrutura diferente. É o caso da política assistencial. Não são os ricos que ganham Bolsa Família, que dependem da Previdência Social. Só que não há um padrão de atuação do Estado. Ele distribui recursos com políticas assistenciais, mas o pobre continua pagando mais impostos que o rico, proporcionalmente.

CC: O que fazer?

MP: Não dá mais para continuar com um Estado organizado como no século XIX, no qual cada setor pensa no seu problema específico. A educação cuida dos problemas da ignorância, a saúde se volta para as doenças. O que é uma questão matricial organizada por problemas? Identificam-se os desafios e como cada ministério e departamento pode contribuir. Uma ação efetiva, sistêmica, intersetorial. Se o Estado é grande indutor da economia, ele precisa se organizar melhor para o País crescer.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



50 comentários

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Jorge Vianna: “Há uma campanha em curso para os juros subirem" - Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de abril de 2013 às 23h58

[…] Paulo Kliass: Quem dá mais? Brasil à venda – Preços módicos! “Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX” […]

Responder

Economista que acertou em 2011 e 2012 estima crescimento de 4% « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de março de 2013 às 23h40

[…] Pochmann: “Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX” […]

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Waldo Operário

26 de fevereiro de 2013 às 10h48

Que que é isso, companheiro? Karl Marx fez todas as suas análises que são completamente atuais no século XIX. Tá maluco?

Responder

MariaC

25 de fevereiro de 2013 às 18h10

E Campinas preferiu votar num radialista….. e o querido Pochman perdeu.. e ganhou….. pois ainda irá longe.

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Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX | Blog do Tarso

25 de fevereiro de 2013 às 16h34

[…] Viomundo. Rodrigo Martins, em CartaCapital, encaminhada via e-mail por Julio Cesar Macedo […]

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augusto2

25 de fevereiro de 2013 às 15h17

sendo paulista,andei fazendo pequenas contas de uma forma bem amadoristica, é claro.
Ja deu pra ver que, passados mais un sete anos SP terá populaçao de no maximo 46 milhoes. De pessimistas, midiaticamente orientados.
O NE todo uns 69, 70 mi ou mais.De otimistas, pelo andar da carruagem.
A pergunta é: o que os tucanos e a midia pretendem fazer a respeito?

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Waldo Operário

25 de fevereiro de 2013 às 14h51

A mentira da agente da CIA:
“Eles acreditam numa Cuba estereotipada, uma ilha de esperança, com liberdade para todos. Cuba não vive um comunismo, mas um capitalismo de estado. Recomendaria que cada um deles morasse um tempo em Cuba para viver na pele a realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade, impossibilidade de se manifestar na rua. Depois desse tempo, duvido que continuem a defender o governo cubano. Tentam me calar porque divulgo uma Cuba menos parecida com o discurso político e mais parecida com a rua. Uma Cuba real.”
MENTIRA!

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Urbano

24 de fevereiro de 2013 às 18h29

Em 1994, os tunganos organizaram um Estado (de coma) do século XVI…

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Altamiro Borges: Por que FHC anda tão amargurado? « Viomundo – O que você não vê na mídia

24 de fevereiro de 2013 às 13h18

[…] Não Pochmann: “Não dá para continuar com Estado organizado como no século XIX” […]

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Mário SF Alves

24 de fevereiro de 2013 às 12h10

Os últimos parágrafos da Carta ao Povo Brasileiro:

Há outro caminho possível. É o caminho do crescimento econômico com estabilidade e responsabilidade social. As mudanças que forem necessárias serão feitas democraticamente, dentro dos marcos institucionais. Vamos ordenar as contas públicas e mantê-las sob controle. Mas, acima de tudo, vamos fazer um Compromisso pela Produção, pelo emprego e por justiça social.

O que nos move é a certeza de que o Brasil é bem maior que todas as crises. O país não suporta mais conviver com a idéia de uma terceira década perdidas. O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. É com essa convicção que chamo todos os que querem o bem do Brasil a se unirem em torno de um programa de mudanças corajosas e responsáveis.

Luiz Inácio Lula da Silva

São Paulo, 22 de junho de 2002

Responder

    zikk

    03 de março de 2013 às 11h08

    E tem gente que trata a ‘Carta aos Brasileiros’ como ‘Carta aos Banqueiros’…

Patrick Wiens

24 de fevereiro de 2013 às 07h39

Hum, um governo que se gaba de seu desenvolvimento econômico… se esforça para defender e ter o apoio das massas… girando em torno de uma personalidade marcante, que levanta as massas com seus discursos… contra o desenvolvimento livre do país e a favor do desenvolvimento girando em torno do estado… atacando a oposição como se fossem impatriotas… contra a imprensa, afirma que ela é golpista, como se simplesmente TODA a imprensa fosse uma coisa só… enfim, um governo que quer implantar o nacional-socialismo! Acho que já vi isto antes…

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    Mário SF Alves

    24 de fevereiro de 2013 às 12h24

    Nacional o quê? E em nome de quem e pra quê? Sua bússola inverteu os pólos. Resta saber se casual ou intencionalmente. Ou será que assim do nada, de repente, o PT tacou fogo na própria história e aderiu ao nazi-fascismo neoliberal?
    _____________________________

    Só pra refrescar a memória: o nome da coisa é austeridade econômica, ou seja: tudo em nome do rentismo/capitalismo financeiro. Os espanhóis e os portugueses, talvez lhe expliquem melhor. E, a propósito, quem mais gosta dela é chanceler Angela Merkel. De onde mesmo?

Eduardo Raio X

23 de fevereiro de 2013 às 23h19

Nem muito ao céu, nem muito a terra diz o ditado! Entre direita e esquerda, capitalismo e socialismo, tem que ter um lugar muito especial para a sociabilidade do equilíbrio. É preciso de muita inteligencia e sabedoria para construir uma grande transformação de uma sociedade. O Brasil já não é mais o país do futuro, nosso Brasil é o futuro! Tem muito trabalho pela frente, e os desafios são imensos, com confiança e determinação podemos fazer, a verdadeira revolução não é por vias da força e sim mental, ai esta a coisa! Com essa elite rabugenta antiBrasil desenvolvido e seus apaniguados partidos satélites e imprensa PIGUENTA, vamos precisar de muita coragem e valentia para enfrenta-los!

Responder

Luiz

23 de fevereiro de 2013 às 23h08

A não comparação somente interessa aos demotucanos e ao PIG.

Tem que comparar sim, e muito, ostensivamente. Para o povo brasileiro ter as informações certas para votar.

Responder

Roberto Locatelli

23 de fevereiro de 2013 às 20h26

Vamos mais longe: por quanto tempo será possível melhorar a vida da população mantendo-se o sistema capitalista? Não tenhamos ilusões, por pouco tempo.

Inevitavelmente a América Latina terá que escolher: ou avança rumo a outro sistema econômico mais igualitário ou a crise do capitalismo chegará com força.

Responder

    Romanelli

    25 de fevereiro de 2013 às 07h18

    BOBAGEM ..vc analisa o capitalismo do séc.XXI com olhos do séc. XIX, a coisa é mais embaixo

    A assistência social, leis trabalhistas e mais cidadãs, acesso a bens de consumo, saneamento, saúde, educação e justiça, mais informação e emprego são alguns dos pontos que fizeram seus medos pararem no tempo e as ameças contra o modelo se esvaziarem por falta de público e interesse.

    SEM duvida que não dá pra continuarmos a ficar sobre o JULGO de CORRUPTOS de todos os “nipes”, mas aqui me refiro tanto a empresários sovinas, como a banqueiros agiotas e a sindicalistas pelegos e corporativas (essa, uma recente modalidade entre nosso “governantes”)

    o HOMEM, e não o modelo, é o LOBO do homem ..e lamento, mais “natural”, essencial e instintivo, mais “socialmente ergonômico” à nossa naureza é um modelo que clama pela performance e concorrência, do que o pela indulgência e obediência ..daí, daí que mais afeito À natureza psico-social humana seria um modelo que valorizasse e provocasse a sua individualidade, do que outro que clamasse pelo igualdade

    Sim, se vc falou que então devemos procurar um outro estágio mais “equânime”, aqui até concordaria, embora penso que o que procuras não esta nas fórmulas e réguas que carregas que, como disse, estão mais presas a poesias, necessidades e sonhos de outras épocas.

    abra

    pronto Azenha – eis mais um texto meu bom pra CENSURAR, né mesmo ?

    Mário SF Alves

    25 de fevereiro de 2013 às 13h24

    A retórica até que é boa, mas, aqui pra nós, cê tá de sacanagem com o Blog, tá não?

    zikk

    03 de março de 2013 às 11h11

    E a tal ‘correlação’ de forças: um dos lados pende muito mais na balança, logo não tem como se equilibrar.

roberto almeida

23 de fevereiro de 2013 às 16h27

É preciso se fazer uma análise observando o todo. Um País não sai de séculos de atraso, resolvendo todos seus problemas, em apenas uma década. Só há problemas nos aeroportos porque existem passageiros. Então vamos aguardar um certo tempo para que seja implantada a solução. A educação, por outro lado, demanda tempo para se atingir um bom nível.Ora, um País que há pouco tempo a taxa de analfabetismo passava dos 30% da população, não vai querer, como num passe de mágica,que seja excelente de uma hora para outra. Portanto, é esse projeto desenvolvimentista e de inclusão social que tem de continuar.

Responder

    Paulo

    23 de fevereiro de 2013 às 22h12

    A Coréia do SUL resolveu em 20 anos esses dois problemas apontados. Como se sabe, usou o modelo capitalista. Deu uma banana para “patentes” e focou-se em produtos de alto valor agregado.

    O PT, há 10 anos no poder (veja, só faltam 10 para tentar fazer o que a Coréia do SUL fez), ainda fica se referenciando no passado, em FHC, perdendo muito tempo com suas ideologias arcaicas. Não tem coragem de se arriscar (nunca teve) e, neste ritmo, com tanta saudade de Marx, vai colocar o estado no século XVIII, só para combinar com a “famosa” análise histórica do pai dos comunistas.

Oswaldo Conti-Bosso

23 de fevereiro de 2013 às 16h12

“Temos um projeto poítico”: Será ‘bravata’ do lulismo?
http://oswaldoconti-bosso.blogspot.com.br/2013/02/temos-um-projeto-politico-sera-bravata.html

Responder

Mário SF Alves

23 de fevereiro de 2013 às 15h11

E a questão do cooperativismo como um dos indutores do desenvolvimento? Pouco se fala a respeito, não?
___________________________________________

É certo que num governo de direita esse método, quando muito, é intencionalmente aplicado de maneira distorcida em ralação aos seus princípios fundamentais. Mas, e quanto aos Governos do PT, ainda que movidos a alianças, algumas das quais pouco propensas ao tema, é bem verdade, mas, ainda assim, qual a razão de tão pouca atenção ao cooperativismo?

Responder

Aline C Pavia

23 de fevereiro de 2013 às 13h18

E Campinas preferiu eleger uma marionete tucaninha de gabinete ao invés desse cara. Vai entender.

Responder

    Mardones

    25 de fevereiro de 2013 às 10h39

    Oh, Aline. o Brasil viveu algumas décadas com marionetes do FMI e do Banco Mundial.

    E olha que ainda destinamos 40% do nosso orçamento para pagamento de uma dívida não auditada, ao contrário do que o fez o gigante Equador de Rafael Correa.

    Então, é exagero pensar que já temos condições plenas de avaliar candidatos e seus projetos. Ainda vamos viver algum tempo com as marionetes, pois estamos na era do controle remoto para o quarto poder.

PEDRO SANCHES

23 de fevereiro de 2013 às 12h18

Tem que ter comparação sim pois os herdeiros do Neoliberalismo estão aí junto com os seus tocadores irresponsáveis e Impatrióticos pois os mesmos delapidaram o Patrimonios Publicos para fazerem seus polpudos caixas em conivencia com Judiciário ( STF e Procuradores Gerais da República) e a Mídia Golpista que inclusive ajudaram a Ditadura Militar, Pois estão tentando de todas as formas apagar os 10 verdadeiros anos de BRASIL-NAÇÃO, o País que verdadeiramenta atua para a sua soberania e Independencia com os verdadeiros beneficiários que são a sua População sem sombra de dúvidas.

Responder

Romanelli

23 de fevereiro de 2013 às 11h53

caramba ..tenho mó trabalho em escrever educadamente, pra vir depois um sujeito “SUJINHO” e me censura não publicando o meu texto ..eita nome mais apropriado a quem resolve dar uma de DONO DA VERDADE, né mesmo ?

Responder

    Luciano Bastiani

    24 de fevereiro de 2013 às 12h47

    Ler os comentarios do romanoff causa canseira visual.
    Vai ver que é por isso que te cortaram, véio…

    Romanelli

    25 de fevereiro de 2013 às 07h06

    Vc já me chamou a atenção, isquenta não ..agora só falta vc querer DEBATER ..argumentos tem ?

    abrá

FrancoAtirador

23 de fevereiro de 2013 às 11h00

.
.
“…cada setor pensa no seu problema específico…”
.
.
Interdisciplinaridade e ação conjunta

sequer foram implementadas nas escolas,

que dirá nas administrações complexas.
.
.
É a tal exigência de saber tudo de pouco,

a tecnicidade sem nenhuma visão coletiva,

a especialização direcionada ao ‘Mercado’.
.
.

Responder

Marcelo de Matos

23 de fevereiro de 2013 às 10h37

Reestruturar o Estado brasileiro, no discurso, não é difícil. Na prática, sim. O Lula do palanque foi diferente do Lula Presidente. Há certas condicionantes inafastáveis. Entre elas o protagonismo da “sociedade civil”, leia-se, por exemplo, Fiesp e Febraban. Lula tomou conhecimento disso quando subscreveu a famosa “Carta os brasileiros”. Quem capitaneia a política nacional de juros e industrial não é o governo, mas, as entidades representativas desses segmentos econômicos. Qualquer tentativa governamental de baixar muito os juros cai por terra. No setor industrial não há muito que mudar. Quem irá concorrer, na área de suprimentos de informática, com a taiwanesa Foxconn, maior produtora mundial do setor, que está montando novas fábricas no país? Não é possível fechar as portas aos produtos chineses: os teclados de computador desbotam e viram lixo pouco tempo depois de chegar aqui, mas, não há quem consiga produzi-los tão barato. Além do mais, só somos a sexta economia do mundo devido à parceria comercial com a China.

Responder

    Mário SF Alves

    23 de fevereiro de 2013 às 23h35

    Grato pelo comentário, prezado Marcelo de Matos. É esclarecedor.

ricardo

23 de fevereiro de 2013 às 09h47

Um político do PT, falando bem do PT (e mal dos outros) numa revista do PT. Que furo!

Responder

    Estevão Zanch

    23 de fevereiro de 2013 às 11h48

    Discutir com petistas é como jogar xadrez com pombos. Não importa o movimento que você faça, ele vai derrubar as peças, cagar no tabuleiro e sair de peito estufado arrulhando…

    Mário SF Alves

    23 de fevereiro de 2013 às 21h36

    É Estevão, pelo visto você entende mesmo de PT, heim?
    ________________________________
    Será que entende tão bem a história do Brasil, inclusive a inserção deste no contexto internacional?
    _______________________________________
    Será que entende tão bem a mídia corporativa que a todo instante nos diz velada ou abertamente que não interessa a ela a consolidação da democracia no Brasil e que não conseguiremos superar o regime casa-grande-BraZil-eterna-senzala?
    _______________________________________________
    Xadrez por xadrez, meu caro, sou mais o do PT (sujinho, não?).

    renato

    23 de fevereiro de 2013 às 12h26

    Não é uma furo, meu caro ricardo.
    É uma constante.
    Falar mal do PSDB, no PIG as vezes ocorre
    e também não é furo, principalmente quando
    o PIG esta precisando de dinheiro.
    Mas isto é estranho, concorda.

    Aline C Pavia

    23 de fevereiro de 2013 às 13h17

    Isso é o máximo que vc consegue em termos de opinião crítica?
    Uaaaahhhh >bocejo<

Wilza Paim

23 de fevereiro de 2013 às 08h52

Eu concordo, afinal ainda tem muito a ser feito, portos,aeroportos, estradas, há muitos rincões Brasil afora…
Escolas em situações precárias, isto quero dizer que nao sao poucas nao, sem contar o sistema de saúde que parece que jamais será definitivamente um dia resolvido.

Responder

    Vlad

    23 de fevereiro de 2013 às 11h28

    Estamos trabalhando, Wilza. EStamos trabalhando.
    A querida ministra Gleisi Hoffmann, mais o querrrido ministrrro Mantega e o patriota Luciano Coutinho do BNDES (que é quem vai financiar 110% do custo, com 30 anos de carência e juros de 5% da libor) foram a um road-show internacional (New York e London, chique não?) para vender um gigantesco pacote de “concessões”.
    O “pacote” consiste na entrega para os “parceiros” da iniciativa privada de diversos portos, aeroportos, dizem que também refinarias e jazidas de petróleo e gás mais uns 8 mil km de rodovias e uns 10 mil km de ferrovias.
    Para as escolas fundamentais ainda não encontramos “parceiros” para as concessões, mas vamos estudar aumentar o dinheiro do BNDES para ver se algum “parceiro” internacional as assuma a missão.
    Saúde não tem problema. É só ir no Sírio Libanês ou no Albert Einstein, conforme prefira o seu médico particular.

Carlos Cruz

23 de fevereiro de 2013 às 08h00

Sou morador da cidade de Fortaleza-Ce, destruida por 8 anos de incompetencia petista na cidade. 8 anos nos de má administração do PMDB e mais 8 do PT. É urucubaca pura, vade retro!!!! Onde vc olhe há destruição e incompetencia, jeito petista de administrar. O atual prefeito dispensou “milhares” (não um, dois, 100, 500!!!) dos cargos fantasmas, que não trabalhavam. Todos pagos com dinheiro dos contribuintes. Cidade esburacada, prais sujas e largadas a propia sorte, camelos espalhados por todos os cantos, transito louco e sem fiscalização, insegurança, o Centro destruido e sujo, norte/sul/leste/oeste destruidos.É o jeito petista de destruir, como o PSDB uns gafanhotos/ sauvas. O pais está preso as diretrizes da “tecnica”, incompetente em administrar, mas excelente em destruir. E agora brigam para saber quem roubou mais ou menos ( PT ou PSDB/DEM ?). Mas roubaram!!!!!

Responder

    Marcelo de Matos

    23 de fevereiro de 2013 às 09h58

    Não estamos lendo os mesmos jornais. Pelo que tenho lido Fortaleza está em pleno progressso.
    http://www.northparangaba.com.br/a_cidade.php
    “Dentre as nove maiores regiões metropolitanas do País, a Grande Fortaleza é a que apresentou a maior taxa de crescimento entre os anos 2000 e 2010”. “Passou de uma população de 3.056.769 para 3.610.379, o que representa uma variação de 1,68%, ou seja, maior que São Paulo (0,96%), Rio de Janeiro (0,67%) e Salvador (1,37%)”.

    * fonte: Comunicado Nº 102 -Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    Helio pavan

    23 de fevereiro de 2013 às 14h03

    Pelo amor de deus, marcelo! Quer dizer que aumento populacional e taxa de crescimento são a mesma coisa? A cidade inchou em mais 500 mil pessoas em dez anos. Isso significa problemas em igual tamanho: vagas em creches, escola, hospitais, habitação, saneamento, transportes… Que cidade tem cacife para assimilar um crescimento desses e dar qualidade de vida a seus habitantes?

    Willian

    23 de fevereiro de 2013 às 15h22

    Crescimento populacional é sinal de desenvolvimento? Para a cama, casais do Piauí!!!

    Paulo

    23 de fevereiro de 2013 às 22h18

    O próximo ministro do desenvolvimento do PT!

    leia

    23 de fevereiro de 2013 às 12h59

    Ô Carlos, competente é o seu governador, inaugurou um hospital com a presenca de uma cantora baiana, pagando um cachê de 650 mil reais, e um mes depois cai a marquise e telhado. Isso sim é competencia, näo acha ?

    leia

    23 de fevereiro de 2013 às 13h01

    A resposta é para o Carlos Cruz , mas postei no comentário do Marcelo, por engano.

    Bonifa

    25 de fevereiro de 2013 às 17h34

    Conhecemos Fortaleza e não conhecemos apenas os tais “bairros nobres” como chamam por lá. Posso garantir que você não conheceu a administação popular do PT e o quanto que ela foi revolucionária principalmente no trato com as imensas áreas e populações da periferia, sem entretanto deixar de conduzir uma administração de razoável a boa das chamadas áreas “mais nobres”. A alta classe média (embora pequena) de Fortaleza, que faz o papel de elite, já que Fortaleza é uma cidade sem ricos, é a mais preconceituosa e racista do mundo, segundo os próprios (grandes) intelectuais cearenses. Não fique com a opinião que embala os interessses desta classe média. Vamos torcer para que o atual prefeito faça uma boa administração, mas que ele não ouse tentar acabar com as conquistas sociais da prefeita Luizianne. O castigo virá a galope nas próximas eleições.

Vitor Batista

22 de fevereiro de 2013 às 23h27

Eu sou um defensor ferrenho do atual governo e dos blogs “sujos”, mas essa entrevista usa dos mesmos recursos que a mídia dominante: não oferecer oportunidade para o outro lado (onde está a entrevista da outra parte?). A resposta sobre aeroportos, por exemplo, é um absurdo colocar a culpa em governos passados. Só agora com a Copa e Olimpíadas estamos nos preocupando com isso, sendo que o PT governa o pais há mais de 10 anos. Faltou visão estratégica?
Temos sempre que lembrar que as críticas que o PT faz ao governo passado, não deviam ser desculpa, já que estão no poder há 10 anos, e os problemas continuam.

Responder

    Marcelo de Matos

    23 de fevereiro de 2013 às 09h50

    Você está falando de aeroportos. Se for esse o foco, seria o caso de entrevistar alguém que conheça bem a área. Airton Soares é conselheiro da Infraero e, de vez em quando, comenta sobre aeroportos no Jornal da Cultura. Segundo ele disse, a segunda pista do aeroporto de Viracopos não pode ser iniciada porque havia nascente na área e os órgãos competentes não autorizaram. Há muita burocracia para a ampliação de aeroportos, sem contar a necessidade de desapropriações. Com a privatização dos aeroportos deveriam diminuir as dificuldades. Deveriam, mas, parece que não diminuíram. O grupo Camargo Correa está falando em construir um aeroporto em Caieiras. A conversa já vem de longe, sem resultado algum. Agora, quando se falar em aeroporto, não dá para culpar só o governo. A iniciativa privada, também, anda derrapando na pista.

    MTHEREZA

    23 de fevereiro de 2013 às 19h35

    Vítor, mes desculpe, mas acho que numa entrevista não tem “o outro lado”, a não ser que alguém se sinta ofendido com afirmações do entrevistado. “O outro lado” caberia numa reportagem. Quanto aos problemas, o entrevistado colocou muito bem. Os aeroportos, por exemplo,eram de bom tamanho para uma parcela pequena d apopulação que podia viajar de avião. Os problemas terão que ser resolvidos, pelo menos, no médio prazo, assim como outros que não eram prioridades, mas se tornaram em função das mudanças que estão acontecendo. Por exemplo: vamos ter uma necessidade muito menor de pre-escolas, porque as famílias estão muito menores e taxa de fecundidade está menor que o desejável para reposição.


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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.