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Diário da Resistência


Mauricio Dias: Eduardo Campos à Presidência, em 2014, é um erro político
Política

Mauricio Dias: Eduardo Campos à Presidência, em 2014, é um erro político


02/03/2013 - 17h42

 

por Mauricio Dias, em CartaCapital

O governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) tem o direito e o caminho aberto para disputar a Presidência da República, em 2014. Tem, também, um partido em fase de crescimento, tem pressões internas e externas para romper, apoio da mídia para se projetar, simpatia de empresários preocupados com o PT, de políticos órfãos, e uma relação de conflitos com o governo capaz de produzir a crise necessária para explicar o rompimento com a candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Campos, no entanto, hesita. Está tomado por dúvidas pessoais e políticas. Negaceia. Faz que vai, mas até agora não foi, e assim se expõe às ironias como, por exemplo, a do senador Aécio Neves, virtual presidenciável do PSDB, para quem Eduardo Campos precisa de um divã para saber se é de oposição ou governista.

Nesse momento, ele tornou-se um exemplo que permite perceber a diferença entre uma aventura eleitoral e uma candidatura efetiva, vigorosa, possível de ser vitoriosa. No primeiro caso, o caminho é largo, mas ilusório. No outro, a passagem é estreita e com possibilidades de consequências danosas. Talvez irreversíveis.

Eduardo Campos, 47 anos, neto de Miguel Arraes, tem o sangue do avô nas veias, mas não tem o mesmo compromisso político. É uma “cara nova” atrás da qual todos andam, em nome de suspeita renovação. Ele tem uma expectativa natural de superar Arraes, político dos anos 1960, com liderança nacional e eleitorado restrito a Pernambuco. Esse é o dilema que persegue Campos. Seria a hora de romper com essa amarra? As circunstâncias não são favoráveis.

Campos terá de juntar-se à estratégia da oposição de tradição conservadora para derrotar um governo de natureza progressista e rachar o partido.

Como candidato, integrará o “mutirão de candidatos” possíveis na tentativa de levar a eleição para o segundo turno. Neste caso, a candidatura dele se somaria à de Aécio Neves (PSDB), Fernando Gabeira (PV), Marina Silva (sem partido formalizado) e o candidato do PSOL, cujo objetivo é marcar posição.

Nas últimas semanas, o governador de Pernambuco tem feito críticas a alguns pontos da administração de Dilma. Marca posição e pode se valer dela para, eventualmente, explicar no futuro o afastamento de um governo que apoiou e elogiou ao longo do tempo. O PT vestiu essa “saia-justa” na campanha para a eleição municipal de 2012, em Belo Horizonte.

Há informações de que alguns empresários estariam dispostos a “oxigenar” a campanha de Campos. Os recursos são importantes. Mas onde ele arranjaria espaço-tempo suficiente para montar um bom programa no horário eleitoral? O PSB tem 1 minuto e 40 segundos. Aliança? Só com partidos nanicos, que dispõem de 20 segundos ou pouco mais?

Em 2010, Dilma, com nove aliados, contou com 10 minutos. O tucano José Serra, com cinco aliados, obteve pouco mais de 7 minutos. Houve cinco candidatos dos nanicos, afora Marina, do PV, que viraram fenômeno e arrastaram quase 20 milhões de votos. Campos fará acordo com uma oposição sem programa?

Por enquanto, à direita, só há esperança. Ela espera o aumento da inflação, da taxa de juros, do desemprego, da inadimplência, da falta de investimentos e, por consequência, de um crescimento medíocre do País. Sem esse cenário, em 2014, as chances de qualquer opositor a Dilma são nulas. Isso mostra que no fundo do peito de cada candidato da oposição o coração bate em tom sinistro: quanto melhor pior.

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28 comentários

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Eduardo Campos se diz tão esquerdista quanto o Serra « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de março de 2013 às 19h55

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Marcos Coimbra: A eleição de 2014 parece resolvida « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de março de 2013 às 12h58

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Mauricio Dias: Ministério Público, da vanguarda ao atraso « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de março de 2013 às 23h57

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Alexandre Vannuchi vive! Da USP, ao vivo, ato daqui a pouco « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de março de 2013 às 21h48

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André Singer: PSB, base governista? « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de março de 2013 às 09h08

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Filipe Rodrigues

03 de março de 2013 às 11h50

Seja candidato Eduardo, não desista, ninguém aguenta mais essa polarização PT-PSDB.

O maior cabo eleitoral do PSDB é Lula e o PT, que vivem ressuscitando FHC com as comparações sobre qual governo foi melhor, para os tucanos isso é ótimo (falem mal de mim, mas falem de mim).

Eduardo com sua candidatura está dando um recado para Lula, Dilma e o PT para decidirem de que lado querem estar…

O PT está errado em insistir numa base aliada muito grande, se querem dividir o PSB com essa briga entre Eduardo e os irmãos Gomes saibam que muitos petistas também estão incomodados em abrir mão de candidatos competitivos para comportar partidos de centro-direita na base de apoio, se Lindberg for preterido de concorrer no Rio o PSB dará apoio a ele dividindo o PT.

Quanto menos alianças e coligações o PT fazer, mais deputados, senadores e governadores vai eleger em relação aos atuais que possui.

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lulipe

03 de março de 2013 às 11h09

Quando o Eduardo obedecia sem questionar as decisões do lula, todo-poderoso dono do PT, era um bom político.Bastou contrariar o deus do universo, o imaculado, para começarem as críticas de todos os cantos…A ditadura, o poder centralizador, o pensamento único está no sangue desse “povo”….

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Walter Cesar

02 de março de 2013 às 23h57

Excelente raciocínio para todos que apoiam esse governo progressista.

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Willian

02 de março de 2013 às 23h29

“Campos terá de juntar-se à estratégia da oposição de tradição conservadora para derrotar um governo de natureza progressista e rachar o partido.”

Conservador é só aquele que não apoia o PT. Meu Deus, Collor, Renan, Sarney, todos conservadores. Ou não? Lula pode se aliar ao diabo, Eduardo Campos não….rs

Que os leva sério ainda?

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Willian

02 de março de 2013 às 23h23

Me parece que a única candidatura legítima é a de Dilma ( ou de Lula ou quem ele mandar). Qualquer outra pessoa deve se recolher a sua insignificância e não ousar ficar no caminho entre o PT e seu destino, ou seja, o poder.

Daqui até às eleições vai ser um desfile de ataques àqueles que ousarem se opor ao legítimo direito do PT estar no poder.

A democracia do candidato único é o sonho não-realizado de vocês.

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Paulo

02 de março de 2013 às 22h13

Então ele deve esperar?
Um conselho ridículo! Esperar o que, sacripanta?
A benção de deus Lula que nunca virá?
A desarticulação de alianças atuais do PT, com a submissão de seus aliados, pela hegemonia do poder?

Erro político seria não mostrar sua cara e seu projeto, no que diferencia ao do PT. Perder uma eleição faz parte do jogo e, no nosso contexto, essencial para galgar a presidência! Dificilmente, após o ciclo Lula-Dilma, algum candidato novato será eleito. É um projeto de longo prazo e acredito que o Eduardo Campos sabe que terá de romper seu cordão umbilical com a atual aliança, mais cedo ou já, para a criação de uma alternativa viável para 2018.

Sobre a torcida de quanto pior, melhor, não passa do discurso enfadonho de petistas temendo a capacidade de inovação que pode vir de fora de seus quadros. Pura covardia! Aliás, tática bem usada pelo PT na época em que outros governavam.

Responder

    FrancoAtirador

    03 de março de 2013 às 03h27

    .
    .
    Que é aquilo

    no canto de cima ?

    Um Tucano Pica-Pau ?
    .
    .

    Paulo

    03 de março de 2013 às 13h05

    Um pinguim rei, caro cara de Dilma! :>*)

    Ascendino Paulino Neto

    03 de março de 2013 às 07h16

    É isso aí…

Francisco

02 de março de 2013 às 21h13

Todo grupo politico tem um ciclo. Se ele esperar o poder pode cair no colo dele, de maduro.

Para quê brigar com Dilma? Para quê ser confundido com Serra? Para quê ficar com fama de “ingrato”.

O PT vive contradições internas quase insanáveis ao seu projeto. Veja o caso da reforma agrária e da lei de mídia. Para não falar da jornada de trabalho…

Mas o essencial é: quem vai suceder Dilma? Dilma fará uma Dilma? Quem será? Quem será o Aécio do PT? E o Serra?

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jacó

02 de março de 2013 às 20h31

LULA É O ETERNO DEUS NA POLITICA MUNDIAL E DILMA É A MELHOR PRESIDENTA DO UNIVERSO.

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Fabio Passos

02 de março de 2013 às 20h16

Nao ha segredo. Candidato com a simpatia do PiG… nao presta. rs

Responder

    Willian

    02 de março de 2013 às 23h25

    Só presta candidato do PT. Se estiver errado, me corrija.

Vlad

02 de março de 2013 às 20h16

Impressão minha ou o establishment está com as calças na mão??!
Não páram de falar nesse cidadão.
Tem caroço nesse angu.

Responder

Roberto Locatelli

02 de março de 2013 às 19h56

Os possíveis candidatos que pensam em disputar com Dilma torcem pelo pior. No entanto, já há previsão até de DEFLAÇÃO para março – http://advivo.com.br/blog/luisnassif/fipe-fala-em-deflacao-em-marco – e já há previsão de crescimento forte esse ano – http://www.ocafezinho.com/2013/02/24/nilson-teixeira-estima-crescimento-em-4/ .

Então, Eduardo Campos tem medo, Aébrio tem medo e Marina tem medo. Zé Bolinha não, esse não tem medo porque não tem mais nada a perder.

Responder

    Willian

    02 de março de 2013 às 23h25

    Já o PT na oposição sempre torceu pelo melhor. Santo Deus, a quem vocês ainda enganam?

    O PT na oposição foi sempre contra a tudo e a todos. Me digam algo que o PT apoiou na oposição.

    lulipe

    03 de março de 2013 às 15h31

    Gostam de enganar a si próprios, é típico de alienados!!!

Julio

02 de março de 2013 às 19h34

Eu estou de saco cheio de neto do Tancredo, neto do Arraes, neto do fulano, neto do cicrano, neto beltrano..
Eu quero é LULA eu quero é DILMA, EU QUERO É MELHORIA PARA O POVO BRASILEIRO, de basta de oligarquia seja ela qual for….

Responder

ricardo silveira

02 de março de 2013 às 19h19

Pelo jeito Campos quer ficar em Pernambuco.

Responder

Geraldo Souza

02 de março de 2013 às 19h01

Este texto demonstra, na minha opinião, o tamanho da irresponsabilidade deste senhor Campos caso cisme ser candidato. Cerrar fileiras com Aécinho, Serra, seu conterrãneo Freire, blá-blá-blárina e outros tantos seria desastroso para o projeto democrático popular que vem dando certo nestes 10 anos.

Responder

    Chico

    04 de março de 2013 às 01h31

    Projeto democratico popular? Deus me livre, não quero que o Brasil vire uma Cuba não, já está na hora de mudar, seja quem for, contanto que não seja ninguem do PT, eu quero o PT fora da presidencia, masi 4 anos é ditadura, chega, basta.

Urbano

02 de março de 2013 às 18h49

O que nós não podemos fazer é repetir o erro crasso das eleições de 1994, só que agora votando no multicara eduardo moita. Seria um verdadeiro tiro na cabeça; nem no pé vem a ser.

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