VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Maria Victoria Benevides: Sociedade deve pressionar por reforma política


29/09/2012 - 14h30

Partidos aliados a Dilma podem vencer em 65% das maiores cidades

Levantamento feito pelo PT aponta o partido liderando em 20 desses municípios e bem posicionado em 8 capitais

Por: Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual

Publicado em 28/09/2012, 13:30
Última atualização às 14:02

São Paulo – Partidos aliados ao governo da presidenta Dilma Rousseff caminham para vencer as eleições municipais deste ano em cerca de dois terços das cidades com mais de 150 mil eleitores, segundo levantamento feito pelo PT e obtido pela Rede Brasil Atual. Os números têm por base balanços atualizados de pesquisas públicas e internas.

Ao todo, há 119 municípios nessa faixa, mas em 21 deles não havia pesquisas recentes até o fechamento do relatório. Os candidatos de legendas aliadas ao Planalto despontam em primeiro lugar em 65% das demais 98 cidades – sendo 20 do PT, 15 do PMDB, 13 do PSB, 7 do PDT e 3 do PP, entre outros.

O PT também aparece bem posicionado em 15 das 83 cidades em que pode haver segundo turno (mais de 200 mil eleitores), incluindo oito capitais: Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco, São Paulo e Goiânia.

Nesse recorte, a disputa mais embolada ocorre em Porto Velho (RO). Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (26) mostra Lindomar Garçon (PV) liderando com 29% das intenções de voto. Como a margem de erro é de 4 pontos percentuais, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar: Mário Português (PPS) com 17%, Mauro Nazif (PSB) com 16%, Mariana Carvalho (PSDB) com 15% e Fatima Cleide (PT) com 12%.

Em Salvador (BA), segundo Ibope de ontem (27), a situação está mais bem definida: o petista Nelson Pelegrino tem 34%, seguido por ACM Neto (DEM), com 31%.

Na capital da Paraíba, João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) aparece em primeiro lugar com 29%, de acordo com Ibope do dia 21. Lutam pelo segundo posto Cícero Lucena (PSDB), com 20%; José Maranhão (PMDB), com 18%; e Estela Bezerra (PSB) com 14%.

Em Fortaleza (CE), há equilíbrio entre três candidatos, mas Elmano Freitas (PT) sobe nas intenções de voto e, segundo o Datafolha divulgado ontem (27), já está com 24%, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), que tem 18% ficou atrás também de Roberto Claudio (PSB), com 19%.

Em Cuiabá (MT), as pesquisas mostram Mauro Mendes (PSB) liderando com 38%, tecnicamente empatado com Lúdio Cabral (PT) com 36%. Em Goiânia (GO), o candidato do PT, Paulo Garcia, tem 38% e é seguido de muito longe por Jovair Arantes (PTB), com 11,5%. Na soma de votos válidos, Garcia pode vencer no primeiro turno.

Na capital do Acre, Rio Branco, Marcos Alexandre (PT) lidera com 43%, à frente de Tião Bocalom (PSDB), que está com 39%. O movimento é de queda do tucano e de ascensão do petista.

Na capital de São Paulo, as pesquisas mostram Fernando Haddad (PT) brigando pelo segundo lugar com José Serra (PSDB), na casa dos 18%, enquanto Celso Russomano (PRB) lidera com índices que vão de 34% a 30%.

Além dessas oito capitais, os petistas também acreditam que podem virar o jogo em Belo Horizonte. O quadro atual, porém, mostra Márcio Lacerda (PSB) à frente de Patrus Ananias (PT) e em condições de vencer no primeiro turno, já que lá a disputa ficou polarizada entre os dois candidatos.

Disputas locais

Embora as pesquisas apontem o fortalecimento dos partidos que dão sustentação parlamentar ao governo Dilma, criando condições favoráveis para o projeto de reeleição em 2014, no plano local essas legendas muitas vezes atuam em campos opostos e travam disputas encarniçadas, tanto na política como nas concepções ideológicas e programáticas. É o que acontece hoje em municípios como Londrina (PR), Caxias do Sul (RS), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Santo André (SP), Cuiabá (MT), Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre muitos outros.

O cenário embaralha a lógica tradicional da política e confunde a cabeça do eleitor. Em São Paulo, por exemplo, a campanha petista detectou que muitos eleitores potenciais do PT teriam migrado para Celso Russomanno, cujo partido, o PRB, está na base de apoio do governo federal.

Para a cientista política Maria Victoria Benevides, sem uma reforma política essas situações muitas vezes desconfortantes vão continuar. “Alianças muitas vezes espúrias, que não se dão em torno de propostas comuns ou ideologias, mas que são meras alianças eleitorais, muitas vezes exigem um preço elevado, exigem concessões”, diz. “Precisamos de uma reforma que exigisse mais autenticidade nas alianças, em torno de propostas políticas, ideológicas e programáticas”, acredita a professora, que acrescenta: “Não sou contra alianças, mas contra a confusão que o atual sistema gera na cabeça do eleitor, e que faz ele acreditar que só existe política para politicagem, e não como um meio de organizar a sociedade”.

Maria Victoria Benevides defende uma reforma que faça valer de fato a fidelidade partidária, financiamento público de campanha, que mexa na questão do tempo de TV da propaganda eleitoral. “Grandes acordos são feitos para maximizar o tempo na TV”, constata.

Embora afirme que todo o nosso sistema político “deva passar por uma revisão séria”, ela não crê que tal reforma passe no Congresso Nacional. Teria de ser feita com “amplo apoio popular e mobilização da sociedade civil”, diz. “Se depender só do Congresso, não acredito que saia. Já ouvi de políticos que aprovar uma reforma poderia ser um ‘suicídio político.’”

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6 comentários

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Julio Silveira

30 de setembro de 2012 às 10h11

A reforma politica talvez fosse uma boa, se soubessemos e tivessemos condições de intervir quando estivesse desviando-se para um caminho que não fosse atender aos interesses da maioria do cidadãos. Mas aí mora o perigo, a gente sabe o discurso para seu inicio, mas não sabe as reais intenções que moverão sua execução. Conhecendo as peças que compõem a politica brasileira, há que se ficar com dois pés para trás. Hoje, como verificamos, os que não são conservadores quase sempre são oportunistas, quando não o somatório. E nós cidadãos não temos força para intervir em nosso interesse. Eles sabem que tem foro privilegiado, sabem que são privilegiados e estarão fora de nosso alcance. Irão, como acontece sempre em nosso Páis, dar um jeito de mostrar alguma conquista aparente, mas que de fato para nós será derrota, já que são mestres em subverter principios. Os beneficiários serão, mais uma vez, os próprios e seus grupos. O Sr. José de Almeida Bispo disse com muita propriedade que nosso grande mal reside é na ausência de justiça, uma que fosse eficaz e mais igualitária, que atuasse de forma a exemplar, de cima para baixo. Infelizmente para nós o que verificamos em nosso País é arremedo de justiça, montada de forma preconceituosa para proteger os que mais podem e aqueles que sabem se proteger nos refugios dos privilégios legais. Acho que a reforma que urge é a do Judiciário, para torná-lo verdadeiramente democratico o que envolveria, inclusive, uma reforma em seus principios.

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Roberto Locatelli

30 de setembro de 2012 às 08h12

A verdadeira transformação política virá quando amplas camadas da sociedade estiverem organizadas e politizadas. Em toda a América do Sul, governos e partidos de esquerda estão trabalhando para isso. No Brasil, não. PT e aliados de centro-esquerda contam exclusivamente com o famigerado “tempo de TV” e PSOL conta com o apoio da Globo. Resultado: PSTU, PCO e outros começam a conquistar vitórias em sindicatos de trabalhadores e diretórios estudantis. Para o bem ou para o mal, é o que veremos.

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carlos saraiva e saraiva

29 de setembro de 2012 às 18h08

Gostaria de fazer discretas reflexões, em respeito e em consideração à companheira Vitória, uma das mais brilhantes, militantes de esquerda do nosso país. Concordo em principio com suas colocações, acho entretanto que o grande problema entre nós, é o descompasso entre projeto nacional e regional, incluindo o municipal. O projeto nacional é secundarizado, pois o importante é a manutênção do poder regional, beneficiando grupos ou figuras, que usarão este prestigio para a chantagem ao nível legislativo e executivo. A direita que sempre hegemonizou às disputas, tanto aos níveis regionais, como nacional, sem projeto, pois para ela o importante é a manutênção do poder,nunca teve problema. O grande exemplo, foram as alianças no governo FHC, feitas por um partido de direita, o PSDB, com toda a direita, alijando a esquerda. O chamado Presidencialismo de Coalizão, apresentou problemas, pela primeira vez agora, com a chegada do PT, ao governo federal. Para isto foi preciso, alianças com a direita periférica, regional, auxiliado pela esquerda, para o embate contra a Direita(PSDB), que apresentava um projeto nacional à ser batido. Devo dizer, que toda a aliança com a direita é espúria, pois as cobranças,chantagens, são muito maiores e quase sempre comprometedoras, como a exigência de financiamento, cargos que possam facilitar seu prestigio, regional. Estamos assistindo, agora, o resultado mais emblemático, que é o julgamento , ora em curso. O PT, é o mais afetado neste processo, seja pela pressão da direita,no interior de sua base, pela direita oposicionista, hoje com o papel especial da grande mídia. É afetado ainda pela esquerda que lhe faz oposição e sobretudo pela esquerda, no interior da aliança, que aproveita seu desgaste, para disputar hegemonia, muitas vezes, estimulando e aguçando as disputas internas do partido em nome de projetos regionais. O grande exemplo, desse caso, é o PSB. Assim , mais do que uma reforma politica, que acho importante, a esquerda e em especial o PT, precisa discutir qual o papel e como deve agir, um partido de esquerda, de massa, que construiu um projeto, executou, foi vencedor e necessita continuar construindo uma contrahegemonia, dentro de uma ordem, com uma elite, viciada, dscompromissada e submissa à uma ordem colonizada. Eis a questão.

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    luca brevi

    30 de setembro de 2012 às 16h31

    Concordo com o Carlos Saraiva mas, sem politização da juventude para que els saibam ver claramente as atuais mazelas é impossivel mudanças.Ora, o jovem ja esta apto ao trabalho e a votar a partir de 16anos.A grande maioria deles não tem a minima noção de partido ou de ideologia e, pior ainda, repetem os refrões ditados pela grande Midia que não tem compromisso algum com o povo ou com o desenvolvimento do pais. A justiça se perde na retórica dos fatos publicados e não se encontram para dar ao pais uma justiça igualitária.

Tomudjin

29 de setembro de 2012 às 15h38

Pela quantidade de canteiros de obra que surgem em ano de eleição, podemos deduzir que o político trabalha três anos para o benefício próprio, e um, ele reserva para o povo.

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Marcelo de Matos

29 de setembro de 2012 às 15h12

Talvez nas capitais o voto tenha maior alicerce ideológico. No interior a ideologia passa ao largo. Em Campinas, por exemplo, o PCdoB, ao invés de formar aliança com o PT, aliou-se a oito partidos: PSDB, DEM, PPS, PSC, PHS, PTB e PTC e PSB. Em Itupeva, ali perto, o PT formou aliança com PDT / PTB / PSL / PSC / PR / PPS / PSDC / PRTB / PTC / PSB / PV / PRP / PT do B / PTN. Parece que será a vez do PT na cidade. Depois volta o PSDB. É uma gangorra: as alianças são feitas em torno de pessoas, não de partidos, cujas siglas nada representam. O importante, para os políticos, é estar sempre no poder, estando ou não no governo. É a fórmula de Tancredi, do livro “O Leopardo”: é preciso que tudo mude para que tudo fique como está. Revezam-se os partidos, mas, os que mandam são sempre os mesmos.

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