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Marcelo Zero: Bolsonaro sonhou que mandava, mas é apenas capitão do mato dos que não aceitam a volta de Lula
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Política

Marcelo Zero: Bolsonaro sonhou que mandava, mas é apenas capitão do mato dos que não aceitam a volta de Lula


10/09/2021 - 21h59

Os Dilemas do Capitão do Mato e da casa grande

Por Marcelo Zero*

Que o Brasil não é para amadores todo o mundo já sabia. Mas, com Bolsonaro, a coisa está ficando difícil até para os mais experimentados profissionais.

O grau de volatilidade do cenário político é tanto que as análises de conjuntura têm prazo de validade de apenas algumas horas.

Num momento Bolsonaro, uma dissidência do Homo Sapiens, parece estar ensaiando um autogolpe e, no outro, Michel Temer, o profissional dos golpes, parece estar mandando de novo no país.

Os meandros tortuosos e contraintuitivos da física quântica são mais fáceis de serem entendidos.

Na política brasileira, o gato dentro da caixa não apenas pode estar vivo ou estar morto.

Pode estar se fingindo de vivo ou se fingindo de morto, vociferando contra a corrupção ou fazendo algum esquema no MS, atacando o STF ou buscando um habeas corpus no STF, envergando a bandeira nacional ou vendendo o patrimônio brasileiro, arfando coragem e furor ou buscando exílio no México.

Muitas variáveis bizarras e contraditórias.

O Brasil, hoje, é uma mescla improvável de ópera bufa com teatro do absurdo.

Mas há alguma lógica no caos construído.

Bolsonaro esperava que o seu sequestro do 7 de setembro, o maior peculato político e simbólico da história, se tornasse o pontapé inicial de uma grande reviravolta política, que o retirasse das cordas de sua contínua desidratação, ocasionada por uma profunda crise econômica, social e sanitária.

Ele nutria a esperança de que a mobilização da massa fanática e furiosa dos 20% que ainda o apoiam, motivada também por uma dinheirama de origem desconhecida, talvez até, em parte, de origem externa, emparedasse as instituições e a oposição.

No limite, se poderia até decretar o estado de sítio ou o de defesa, de forma a se iniciar um processo de destruição definitiva do que restou da democracia brasileira.

Houve, no entanto, um grosseiro erro de cálculo.

O capitão do mato achou que podia mandar na casa grande. Não pode.

O capitão do mato, embora tenha a função crucial de controlar os escravos, é também um mero empregado dos reais senhores.

É preciso entender que o golpe de 2016, a Lava Jato, a prisão sem provas de Lula e a eleição de Bolsonaro foram realizados com um grande e perene objetivo: enterrar o projeto progressista encabeçado pelo PT e implantar a Pinguela para o Passado, um modelo ultraneoliberal, socialmente regressivo e de aprofundamento da dependência.

Acontece que Bolsonaro não está cumprindo adequadamente essa função essencial.

Em primeiro lugar, por causa da crise institucional que ele mesmo criou, Bolsonaro não está conseguindo aprovar as reformas prometidas ao capital para sedimentar, em solo pátrio, o modelo pretendido.

Em segundo, sua estratégia de confronto permanente e sua insistência paleolítica em agendas de extrema-direita estão prejudicando “os negócios”.

Na realidade, as fricções entre o capitão do mato e a casa grande vêm se acumulando há tempos.

Nesse contexto, o recuo, registrado para a posteridade por Temer, com erros de português e sem mesóclises, não foi o primeiro imposto a Bolsonaro.

Houve outros igualmente significativos, embora menos estrondosos.

O primeiro foi na política externa.

O chanceler pré-iluminista, admirador de Trump e caudatário de grandes expoentes do “pensamento” do Ocidente cristão, como Steve Bannon e Olavo de Carvalho, teve de ser substituído por um diplomata profissional e racional.

A substituição foi imposta por grandes interesses econômicos, inclusive os do agronegócio, atemorizados pelos conflitos constantes com a China e com as agressões contra tradicionais parceiros do Brasil, como Alemanha, França, Rússia, Argentina etc.

Os elogios recentes de Bolsonaro à China na cúpula do BRICS foram apenas a culminação de um processo de correção de rumos que se desenvolve há meses.

O segundo foi na política ambiental.

A eleição de Biden e as fortes suspeitas de corrupção do ex-ministro antiambientalista, somadas aos grandes prejuízos acarretados ao país e aos seus negócios pela insistência numa desavergonhada predação ambiental, obrigaram Bolsonaro a recuar.

Os setores mais esclarecidos do capital entenderam que, caso não houvesse esse recuo, o Brasil não entraria na OCDE e o Acordo Mercosul/UE não seria aprovado.

Esses são sonhos de consumo das nossas oligarquias colonizadas. Por isso, o Bolsonaro curvou-se à pauta ambiental, na cúpula convocada por Biden.

O terceiro foi na política sanitária.

Graças, em boa parte, à CPI, tornou-se claro que a política omissa e genocida do governo, que colocava ênfase na imunidade de rebanho e em tratamentos enganosos e inúteis, não apenas estava matando pessoas, mas também as oportunidades para que a economia voltasse ao normal.

Além disso, também estava contribuindo para isolar ainda mais o Brasil, no cenário mundial. Bolsonaro, a contragosto, teve de investir em vacinas, embora com desvios de corrupção, e ainda recalcitrante, em relação às medidas não-farmacológicas.

Mas tudo isso significa que Bolsonaro foi efetivamente domado ou “enquadrado”?

Não, isso seria ingenuidade.

O fascismo é de difícil controle. É como a caixa de Pandora, uma vez aberta, impossível fechá-la.

Afinal, o fascismo se move por emoções básicas e baixas. Bolsonaro, em particular, move-se, agora, pelo medo.

Ele tem dois grandes temores. O primeiro é o de ser condenado e preso.

Daí sua campanha raivosa contra Alexandre de Moraes e contra o STF.

O segundo é o de ser derrotado por Lula, em 2022.

Daí sua campanha de ódio e descrédito contra o TSE e o sistema de votação.

Tenta emular Trump e a invasão do Capitólio.

Assim, Bolsonaro é como aquele cachorro que é perigoso justamente porque é medroso.

Sentindo-se ameaçado, distribui mordidas a esmo.

A História mostra que movimentos como o de Bolsonaro podem extrapolar quaisquer controles institucionais.

Na Alemanha, a elites apostaram em Hitler contra o fantasma do comunismo achando que ele era “controlável”.

Deu no que deu.

Embora Bolsonaro esteja se enfraquecendo há tempos, ele ainda tem poder de mobilização e o relativo controle de alguns setores estratégicos, como as polícias militares, muitas igrejas evangélicas, parte das Forças Armadas, setores econômicos ligados ao agronegócio etc.

Tem também apoio da extrema-direita mundial, que aqui desembarcou em peso para ajudá-lo em seus planos golpistas.

Não está morto e, a depender das circunstâncias voláteis, pode voltar a “esticar a corda” e intentar um novo putsch.

O caos o favorece.

O dilema dele é claro: submeter-se aos grandes interesses que o colocaram no poder e tentar chegar a 2022 como o único candidato capaz de derrotar Lula, alternativa crescentemente improvável, ou, na iminência da debacle, amealhar forças para dar um autogolpe, antes ou depois das eleições.

Alguma coisa semelhante ao que aconteceu na Bolívia e ao que Trump tentou fazer nos EUA.

A primeira alternativa lhe imporá forte degaste em suas ensandecidas bases.

A segunda tem alta probabilidade de fracassar.

Já o dilema da nossa casa grande é mais complexo.

A alternativa mais segura para proteger seus interesses seria a construção de uma candidatura competitiva da “terceira via”, capaz de derrotar Lula em 2022, já que Bolsonaro não é mais funcional e confiável.

Tal construção, porém, não parece viável.

Afinal, foi a própria casa grande que investiu em golpe contra democracia, na Lava Jato, na prisão sem provas de Lula e, sobretudo, na polarização entre Bolsonaro e o PT, que hoje é o eixo político dominante do país.

Também investiu na criminalização da política, na fragilização das instituições e na condenação do sistema de representação.

Ou seja, a casa grande, para se livrar do Lula e do PT, investiu pesadamente na criminalização e fragilização das próprias instituições democráticas e num candidato claramente neofascista, que tinha longo histórico de ataques à democracia e de elogios à ditadura e a torturadores.

Nesse contexto, por ela própria criado, fica difícil voltar a disputar a hegemonia do campo conservador.

Achou que estava fazendo uma aposta muito esperta. Deu com os burros n’agua.

Ou melhor, deu com um jumento fascistoide e constrangedor no Planalto.

Mas que ainda pode ser um jumento útil.

Portanto, é provável que as nossas oligarquias, na ausência de alternativas, acabem por investir de verdade em um Bolsonaro “enquadrado”, ou aparentemente enquadrado, de modo a ter como derrotar Lula em 2022 e impedir a volta de um modelo econômica e socialmente progressista.

No limite, poderiam até apoiar um golpe definitivo contra a democracia do Brasil, desde que seja algo “limpinho e cheiroso”, como já fizeram antes.

Podem escrever: investirão pesadamente na inviabilização da candidatura de Lula. Virá chumbo grosso.

É provável que a “terceira via” e Bolsonaro acabem cerrando fileiras contra Lula.

Voltarão a investir no fantasma do antipetismo, que é justamente o que mais fortalece Bolsonaro e o fascismo.   

Afinal, o grande imperativo, para eles, é prosseguir com a implantação da agenda ultraneoliberal e retrógrada.

Quando dizem que não querem nem Bolsonaro nem Lula estão dizendo, na verdade, que não querem Lula de jeito nenhum, mas que aceitariam apoiar de novo Bolsonaro, caso não haja alternativa.

O “inimigo principal”, para esses setores, é Lula e seu projeto progressista; não Bolsonaro, que nem projeto próprio tem.

A vetusta casa grande só está realmente preocupada, como sempre esteve, com seus grandes interesses.

Sua preocupação com a democracia vai apenas até os estreitos limites da legitimidade formal e da estabilidade política de governos que a apoiem.

Essa é grande tragédia do Brasil. Nem o ungido capitão do mato nem a casa grande que o colocou no poder têm compromisso real, sólido, com a democracia, especialmente com uma democracia substantiva e inclusiva.

Ambos defendem apenas seus interesses mesquinhos, conflitivos nos métodos, mas confluentes na substância.

Nenhum oferece esperança de uma vida melhor à população. Oferecem apenas desigualdade, pobreza, fome, desemprego, doença, no mundo hobbesiano da distopia neoliberal.

Em nome desses interesses, estão dispostos a mandar tudo às favas. Inclusive a democracia. Ou o que dela restou.

*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.





9 comentários

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Riaj Otim

12 de setembro de 2021 às 20h01

todo líder grandioso só o foi porque por algum tempo a maioria achar trata-se só um falastrão sem liderança. os primeiro Alemães que ouviram Her Hitler, riram que o queixo ficou doendo

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Marco Vitis

12 de setembro de 2021 às 14h13

A bem da Verdade, Marcelo Zero oculta que é um assessor do PT. Dito isto, fica evidente sua defesa de Lula como ÚNICA opção progressista. Essa é uma farsa, típica do PT que se distanciou de sua valorosa origem. Zero jamais vai reconhecer que foi Lula quem ensejou a vitória de Bolsonaro. E o PT não tem um projeto estratégico para o Brasil. Se a casa grande é mesquinha, o PT também tornou-se mesquinho, colocando seus mesquinhos interesses partidários e os cargos comissionados acima das necessidades coletivas. O “Anti PT” está apenas adormecido e vai reaparecer fortemente em 2022. Penso que a situação política atual é um crescente movimento “Nem Bolsonaro, Nem Lula”. Por erros de Lula e seus puxa-sacos, infelizmente o PT é desde 2014 uma força política declinante. A prova é a quantidade de deputados, senadores e prefeitos eleitos. Verifique esta informação e explique se puder, Marcelo assessor do PT.

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Zé Maria

11 de setembro de 2021 às 22h45

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“Lembrando Bourdieu, nunca podemos esquecer que o campo jornalístico
reconfigura, redesenha e ressignifica o campo político, o que toma proporções
gigantescas ao se considerar a realidade de alta concentração dos meios de
comunicação [notadamente de Direita] como se observa no Brasil.”

Eliara Santana, jornalista e doutora em Linguística pela PUC/MG,
em: (https://t.co/ST4RPmpY7e)
https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1436812497978331136
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A Frente Política da Direita (composta basicamente de Grupos Antipetistas
Lavajatistas e Bolsonaristas Arrependidos,) não quer dissociar o Movimento
#ForaBolsonaro da Campanha Eleitoral de 2022, assumindo, desde já, que,
tal como em 2018, com apoio maciço da Mídia Venal, quer, por antecipação,
alijar Lula (PT) da Disputa Presidencial do ano que vem e, inclusive, torná-lo
inelegível novamente, se possível.

Não é o PT que não quer participar da Manifestação de Domingo – até porque
é um dos únicos Partidos que, desde o início, participa de Protestos contra o
desgoverno Bolsonaro/Guedes/Mourão – mas sim é essa Frente Oportunista
da Direita – que apoia o Guedes até o último fio de cabelo – que deseja excluir
o Partido dos Trabalhadores e sua Bandeira, e conseqüentemente afastar a
popularidade de Lula e manchar a reputação do ex-Presidente Petista.

Aliás, sugere-se que, se algum(a) eleitor(a) do Lula, que não tenha preferência
partidária, vá ao Protesto #ForaBolsonaro, no dia 12, [email protected] de Vermelho ou
de Preto. E veremos o quão democráticos são os Movimentos Anti-Esquerda,
que encabeçam esse “Right Movement” de Domingo.
.
.
Ressalve-se e ressalte-se a Posição do PSoL, um Partido genuinamente de Esquerda:

“Nosso partido faz parte da Campanha Nacional pelo #ForaBolsonaro,
que em breve definirá seu calendário.
Seguimos em debate com os partidos de oposição para a construção
de uma manifestação ampla pela saída de Bolsonaro nas próximas semanas.”

Nota da Executiva Nacional do PSoL sobre
as Manifestações de 12 de Setembro:
(https://t.co/WeROB3Jgqe)
https://twitter.com/psol50/status/1436424358809964549
https://psol50.org.br/nota-da-executiva-nacional-do-psol-sobre-as-manifestacoes-de-12-de-setembro
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Responder

Zé Maria

11 de setembro de 2021 às 22h11

11 de Setembro: Um Dia de Triste Memória

https://pbs.twimg.com/media/E-877WhWYAEw2iG?format=jpg

“Em 11 de setembro de 1973, golpistas assassinavam o presidente Salvador Allende no Chile.
48 anos depois, o Brasil é governado por entusiastas do regime nefasto de
Pinochet que tomou o poder.
Ditadura nunca mais!
Viva Salvador Allende!”

https://twitter.com/PSsol50/status/1436690998671945735

Responder

    Zé Maria

    11 de setembro de 2021 às 23h45

    Sobre 2001, só uma Curiosidade:

    Ninguém, fora do Pentágono,
    sabe até hoje o Nome do Piloto
    do Caça da Força Aérea dos EUA
    que recebeu a ordem para
    abater o Boeing 757–222
    – Vôo United Airlines 93 – que
    se espatifou numa área rural
    de Shanksville, na Pensilvânia,
    matando 37 passageiros e
    mais 7 tripulantes, às 10h03
    daquele dia fatídico.

Henrique Martins

11 de setembro de 2021 às 16h46 Responder

Henrique Martins

11 de setembro de 2021 às 16h03

Complementando o comentário anterior, peço que alguém faça chegar aos ministros do STF a letra da música “Que país é esse”, de Renato Russo”, com negrito na passagem: “Mas o Brasil vai ficar rico – Vamos faturar um milhão – Quando vendermos as almas dos nossos índios num leilão”.

A despeito das posições jurídicas, eu tenho certeza que eles vão entender o recado.

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Henrique Martins

11 de setembro de 2021 às 15h16

Em um dos meus comentários em post anterior eu perguntei o que o agronegócio estaria ganhando em ajudar Bolsonaro desestabilizar o país e sugeri que a turma estaria aproveitando do processo inflacionário para encher os bolsos com o aumento do preço dos alimentos e da carne. Pois então. O nosso Johnny acabou de me responder nas entrelinhas que o PRINCIPAL interesse do agronegócio em apoiá-lo é tomar as terras dos índios. Talvez por isso Renato Russo tenha sido ‘inspirado’ a dizer na música ‘Que país é esse’ o seguinte: “Mas o Brasil vai ficar rico – Vamos faturar um milhão – Quando vendermos as almas dos nossos índios num leilão’.

Responder

Henrique Martins

11 de setembro de 2021 às 14h56

Complementando um comentário que fiz em um post anterior do blog:

Eu disse que no episódio ‘Hail To The Chump’ Johnny Bravo colocou um opositor de suas ideias na prisão, mais depois este opositor escapou. Porém, eu esqueci de dizer que esse opositor estava na rua na dianteira daqueles que se rebelaram contra Johnny e depois o prenderam e o enxovalharam.
Atentem para o fato de que foram Janaína Paschoal e Miguel Reale Junior que iniciaram o processo de impecheament contra Dilma. Ocorre que, Janaína Paschoal se mostrou depois uma ávida bolsonarista e foi a candidata ao cargo de deputado estadual mais votada do país.
Observem que Janaína é evangélica, assim como Eduardo Cunha e os evangélicos hoje são o principal pilar de sustentação de Bolsonaro no poder. Em outras palavras: o nosso Johnny Bravo estava envolvido até o pescoço com o impecheament de Dilma. Portanto, o seu discurso asqueroso na Câmara por ocasião do seu voto a favor do impecheament não era apenas um dos seus disparates e sim um frenesi pela vitória pessoal. Pronto falei.

Responder

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