VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Líbia: Valter Pomar responde às provocações de Ricardo Musse


12/03/2011 - 14h20

O jornalista português Miguel Urbano Rodrigues, editor do ODiario, publicou o artigo O que a mídia esconde sobre a Líbia, que o Viomundo reproduziu.

Ricardo Musse, professor de Sociologia da USP, respondeu neste texto divulgado pelo Viomundo: Por que a velha esquerda se ilude com Kadafi?

Valter Pomar, como leitor, postou vários comentários no texto de Ricardo Musse.  Como enriquecem o debate político, reproduzimos abaixo. Pomar é dirigente nacional do PT.

Prezado Musse,

Li com atenção o seu texto e gostaria de fazer os seguintes comentários:

1) a expressão velha esquerda não me parece nem um pouco adequada. Aliás, o que seria a velha esquerda? Se o critério for geracional, então temos um problema, pois há velhos social-democratas que dizem preferir uma democracia fraca, à um Estado forte. Ou será que por velha esquerda você se refere aos comunistas e similares? Mas por qual motivo esta esquerda seria velha??? E outras esquerdas (a social-democrata, por exemplo) não mereceriam este apelido por qual motivo???

2) nem acho que se trate de ilusão. Há um cálculo político nos (poucos) que apóiam Kadafi, semelhante ao que levou a Internacional Socialista a incluir, entre seus quadros, o partido do ditador tunisiano e também o partido de Mubarak.

3) eu acho que seria mais adequado você dizer, muito simplesmente, que existe uma parte da esquerda que tem uma visão pragmática acerca do regime político que vigora noutros países. Esta parte da esquerda (social-democrata, comunista ou de outras famílias), gostando ou não da democracia dentro de casa, comporta-se de maneira pragmática frente ao regime político que existe nos demais países.

4) pessoalmente, acho que certo pragmatismo é inevitável, salvo se quisermos exportar e impor nossos modelos políticos. O que não é aceitável, na minha opinião, é fazer do vício virtude; tratar e qualificar como revolucionário, socialista, democrático ou o que seja, o que no máximo pode ser antiimperialista ou, no mais das vezes, um aliado pontual.

5) eu acho que devemos defender a mais ampla democracia. E por isto mesmo sou contra defender a democracia burguesa. A democracia burguesa realmente existente é a que temos em grande parte do mundo, uma democracia mediada pelo dinheiro, restrita a alguns aspectos da vida (na fábrica, no local de trabalho, em casa, não), na qual a cidadania política aparece atomizada em indíviduos (na urna, todos temos um voto, mas fora dela…). Por isto, se é que entendi o que você quis dizer, acho que  erra quando mistura a justa defesa das lutas populares contra ditaduras, com a defesa das regras da democracia burguesa.

6) eu acho que existe muita gente de esquerda, que adota parâmetros ultrapassados. Alguns deles são comunistas, outros são social-democratas, outros pertencem a variadas famílias. E também tem muita gente que se acha parte da nova esquerda, que não consegue acompanhar o que se passa no mundo. Na boa, neste quesito (compreender o que está acontecendo), a maioria da esquerda ainda está correndo atrás dos acontecimentos.

7) sinceramente, nosso problema maior não são os esquerdistas saudosos da ultrapassada tática de confrontação militar com as forças pró-imperialistas. Na minha opinião, nosso problema é a atualíssima tática da direita mundial, que implica em militarizar os conflitos (lutas sociais, lutas nacionais, lutas religiosas, segurança, narcotráfico, tudo vira pretexto para guerra). Frente a esta tática, a esquerda (não importa se velha ou nova, seja lá o que for isto) é obrigada a defender a paz. E, ao fazê-lo, pode ser acusada de estar de um lado contra outro. Por exemplo: eu sou totalmente contra qualquer intervenção militar na Líbia. Por isto posso ser acusado de apoiar Kadafi???

8) registre-se que, ao contrário do que você diz, a guerrilha cubana não teve apoio da URSS. Você está certo ao dizer que o ambiente existente entre 1945 e 1989 tornava possível a vitória militar da esquerda, em alguns casos e países. Mas o apoio logístico ou político direto da URSS ou de outros países foi muitas vezes fator secundário.

Um abraço,

Valter Pomar





56 comentários

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LucasRafaelChianello

14 de março de 2011 às 15h59

Primeiramente, parabéns ao Azenha pela publicação do texto do Valter Pomar, uma referência em análise política.

Sobre apoiar ou não Kadafi, vejo da seguinte maneira: os critérios são os princípios da autodeterminação dos povos e a soberania. Se o direito de insurreição é garantido internacionalmente e o povo líbio não se sente satisfeito com Kadafi, que se apoiem os rebeldes. Porém, entre o regime do Kadafi e a intervenção dos EUA e da OTAN, prefiro o regime.

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ANTONIO ATEU

13 de março de 2011 às 19h13

e o brasil no haiti. isso ñão é intervenção militar antes do terromoto. foça de paz é intervenção. tenho dito . pos alguem já dizia isso

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Leo V

13 de março de 2011 às 14h25

Me surpreende a quantidade de comentários que acham a argumentação do Valter Pomar boa.

Se apegou e se apegaram ao terno "velha esquerda" que o Musse usou e esqueceram o argumento ´principal do artigo do Musse: como a esquerda pode ainda defender um regime que é contraposto nas ruas pela ação em massa, por todo arsenal de mobilização popular?

Se existe alguma coisa que muda o mundo não são Estados e seus governantes, mas o fazer do povo organizado.

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    Julio Silveira

    13 de março de 2011 às 16h48

    Vejo exatamente isso.

    Bonifa

    13 de março de 2011 às 18h47

    Creio que sou de esquerda e não defendo nem Kadafi nem os revoltosos. Não confio nas notícias padronizadas do Ocidente. Ainda mais que já mostraram na mídia manifestações populares muito grandes favoráveis a Kadafi, mas apresentadas como sendo contra Kadafi. Kadafi pode ser histriônico, assassino, etc. Mas também é um modernizador da Líbia. Há alguns meses, assistí a um desses Discoverys que mostrava uma Líbia moderna, com boas estradas, cidades com prédios bem construídos e bem cuidados, mulheres circulando nas ruas com roupas ocidentais, agricultura irrigada pioneira em pleno deserto. A Odebrecht estava construindo um moderno aeroporto e um rodoanel em Trípoli. Agora, pelo interesse estratégico do Ocidente, é necessário esconder cuidadosamente tudo isso? É necessário esquecer que isso existe? É necessário falar que Kadafi não cumpriu a divina obrigação de ter tirado todos os libaneses da pobreza, enquanto líderes americanos não têm o menor pejo de despejarem milhões de compatriotas na pobreza no curto espaço de poucos anos? Não sou tão fanático defensor do Ocidente para chegar a esse ponto, tenho orgulho de sempre duvidar. E duvido também dos movimentos rebeldes libaneses, tenho lido sobre eles coisas boas e também coisas muito más. O fato é que a resistência dos regimes é proporcional à sustentação popular que eles de fato possuem. O regime egípcio chegou ao escárnio da população para atender a uma estrutura de corrupção insustentável. Não tinha mais apoio de nada, por isso caiu. Na Tunísia, mesma coisa. No Bahrein, será a mesma coisa e também na Arábia de Saud. No Iemen. Mas não será assim na Síria, onde o regime tem ampla sustentação popular. Nem na Jordânia, onde tem significativa sustentação popular. O resto é apenas torcida emocional de um jogo de ideologias e interesses, à parte da História.

    Mabel Ide de Aguilar

    13 de março de 2011 às 23h16

    Falou e disse!!! Ninguem tem que se meter. O povo Líbio tem que resolver a vida deles e se escolherem o pior ou melhor (pior ou melhor pra quem?)não é problema nosso nem de ninguém. O nosso papel é assistir de camarote e quem sabe aprender alguma coisa.

    Mário SF Alves

    02 de abril de 2011 às 09h48

    Como a esquerda pode ainda defender…? Eu respondo: talvez pelo fato de ser essa a esquerda cujo cérebro não foi lavado pela ideologia do neolibelismo.

Leo V

13 de março de 2011 às 14h21

Para mim a resposta do Valter Pomar não contrapôs nada do que o Musse escreveu.

Musse continua com a razão.

Responder

Sebatião Medeiros

13 de março de 2011 às 12h54

Os acadêmicos encastelados na USP têm horror ao Brasil,inclusive,salvo honrosas exceções,os intelectuais de esquerda ou melhor "a nova esquerda",para estes qualquer programa de esquerda dentro da contexto Brasileiro é taxado de "STALINISTA".Sem falar do ódio que grande parte da comunidade acadêmica uspiana nutre por Getúlio Vargas,João Goulart,Leonel Brizola,Celso Furtado,Darci Ribeiro,Ariano Suassuna etc…
A USP foi criada em 1934( após a derrota da "revolução de 1932" contra Getúlio Vargas) pela oligarquia Paulista do café para elaborar propostas para a retomada da Hegemonia Política do Brasil perdida na Revolução de 1930.No início o corpo docente era praticamente composto por europeus com destaque para a missão Francesa.Havia intelectuais de vulto como Claude Levi Straus,Pierre Verge,etc.,mas o projeto era elitista e excludente.
PS: O Fernando Henrique Cardoso é um legitimo filho da USP.

Responder

    Bonifa

    14 de março de 2011 às 09h57

    O que eles não esperavam é que a classe mais pobre viria a emplacar o maior nome que a USP teve até agora, um daqueles paulistas que só nascem de cem em cem anos: Florestan Fernandes. Tiveram que engolir em seco o Florestan.

    Fabio

    04 de abril de 2011 às 00h54

    faltou dizer tudo. FHC é um legítimo FDP da USP.

bernardo peres

13 de março de 2011 às 12h32

sobre o item 5: não existe esse papo de democracia burguesa. democracia é democracia. se não vamos ter que pensar em democracia protelaria, democracia empresarial, democracia ecológica, democracia GLS… isso é uma bobagem. democracia é democracia.

acho que, ao se referir a democracia que existe em grande parte do mundo ele se referia ao que já ouvi ser nomeado de "corporocracia" (corporatecracy), uma forma de pseudo-democracia, pelo que entendi, e que podemos apontar como o exemplo mais gritante o sistema dos EUA…

Responder

    Gus

    13 de março de 2011 às 14h15

    Você sabeo o significado de analfabeto funcional, entende as letras, porém não consegue assimilar o conteúdo….Bons estudos

    Jair de Souza

    13 de março de 2011 às 15h14

    Concordo é besteira mesmo, Democracia existe e sempre existiu em benefício de todos. É puro acidente de percurso que na Grécia antiga, a democracia era para os atenienses livres e de posses e para os escravos (que eram muitíssimos), a democracia era o porrete e os grilhões. Já no capitalismo, a democracia é igual para todo mundo. Ou seja, o Antônio Ermírio de Moraes, o Maluf, o Daniel Dantas, os grandes banqueiros, são todos tratados da mesma maneira que um coletor de lixo ou um servente de pedreiro, por exemplo. Não por ter mais posses o rico vai levar vantagem em alguma coisa. Deve ser por isso que os mais pobres sempre se livram da prisão quando cometem algum crime, enquanto que os mais ricos não escapam nunca. As prisões estão cheias de ricos. Não é verdade, Bernardo Peres? E ainda tem babaca que quer adjetivar as democracias.

    SILOÉ

    15 de março de 2011 às 00h15

    Democracia burguesa é aquela que finge estar do lado do povo, em defesa de seus direitos, mas tudo não passa de engôdo.
    Tipo essa que os EUA estão fazendo agora com o oriente médio, fingindo ajudar aqueles povos: em troca o petróleo é meu.
    Tipo a que tivemos desde pós ditadura até ao governo FHC, que com aquele papo de falso intelectual socialista enganou a boa fé da maioria dos brasileiros e que por incompetência e ganância pessoal privatizou desnecessariamente algumas estatais não sem antes sucatea-las para nos passar a imagem de deficitárias o que quase nos levou a banca-rota.

Moacir Moreira

13 de março de 2011 às 12h28

Olá, Azenha e demais leitores e comentaristas,

Boa avaliação.

O socialismo, queiram ou não os profetas do apocalipse e sabotadores em geral, é o sistema político e econômico mais moderno que existe, ou seja, não tem nada de antigo.

Evidentemente o capitalismo moribundo não irá deixar este mundo pacificamente. Pretende ainda fazer muito barulho, mesmo porque é proprietário dos meios de comunicação.

Outra baboseira é pregar o tal socialismo democrático, como se houvesse outro modelo socialista.

Socialismo é sinônimo de democracia. Mas democracia para o povo.

Abraços

Responder

    assalariado.

    13 de março de 2011 às 15h39

    Moacir,embora em outro comentário tenha falado em socialismo democrático declaro que,sua opinião é correta,ou seja,a teoria marxista por principio,é a democracia,sinonimo de sociedade socialista.

    Saudações Socialistas.

Galerius

13 de março de 2011 às 11h55

Começaram à falar da Nova-Esquerda na Inglaterra e nos EU quando Tony Blair e Bill Clinton foram eleitos. A implicação era de uma Nova-esquerda pragmática e moderada (mais receptiva aos interesses da burguesia) em contraste com a dita Velha-esquerda que supostamente era obstinada e radical que não conseguia votos e nem ganhos para a classe trabalhadora. Ora, Tony Blair e Bill Clinton de esquerda? mas tambem dizem com a mesma retórica que Obama é socialista.

Responder

João

13 de março de 2011 às 03h09

Tem um blogueiro (não vou citar o nome pois tenho estômago fraco, e o teclado pode ser molhado com o vômito) de um revista de circulação nacional muito conhecida que vive dizendo que a democracia (no caso era no Egito) é só um pretexto para os fundamentalistas tomarem o poder.
Este é um conceito muito difundido por aí: a democracia só valeria em países onde o povo "sabe votar" (sic).
A direita, nova ou velha, cada vez mais quer alijar o povo do processo decisório. Basta ver a reforma política no Brasil: o tal voto distrital por lista acabará, por vez, com os pequenos partidos. Vamos ser, senão abrirmos os olhos, os EEUU, onde democratas e republicanos são os partidos que existem de fato.
O tal Musse (quem é essa figura?) perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto.

Responder

    Bonifa

    14 de março de 2011 às 22h33

    Não acredito que o vato distrital tenha qualquer chance de ser aprovado. Mas perigar, é necessário fustigar dia e noite qualquer deputado que ouse defendê-lo.

Gustavo Xavier

12 de março de 2011 às 21h56

O Valter Pomar esquece que ele próprio lutou a favor da "democracia burguesa" no final dos anos 70, contra a ditadura militar brasileira.

Quando se tem uma ditadura burguesa como a de Kadafi, as aspirações democráticas do povo são uma das principais bandeiras de luta, aspirações que incluem reivindicações como eleições gerais e convocação de uma Assembléia Constituinte. Ou será que Pomar esqueceu dessas velhas "bandeiras democráticas"?

Para lutar contra a "democracia burguesa", é preciso primeiro que ela exista no país. É preciso primeiro derrubar o ditador, e seguindo as aspirações democráticas do povo, convocar eleições.

Somente depois que a "democracia burguesa" existir de fato é que é possível debater com o povo a necessidade de construir um tipo superior de democracia, a democracia proletária. É a tal "revolução permanente".

Responder

    SILOÉ

    13 de março de 2011 às 00h12

    A luta contra a ditadura militar brasileira não foi da democracia burguesa, tivemos e ainda temos que lutar contra ela também.
    Infelizmente por enquanto a luta na Líbia ainda não é por democracia: é pelo domínIo do petróleo.

    Gustavo Xavier

    13 de março de 2011 às 11h28

    Só porque você quer, não é pela democracia, sim "pelo domínio do petróleo".

    Só porque a sua imaginação fértil quer, o povo líbio, cansado de 42 anos de ditadura e torturas, não está lutando por democracia, e sim "pelo domínio do petróleo".

    Bonifa

    14 de março de 2011 às 22h36

    É mais do que isso. Pela loucura que tomou conta do Sarkozy, é questão de vida ou morte.

    Mário SF Alves

    01 de abril de 2011 às 16h27

    Geopolítica, meu caro. Geo"política". Ou, se preferir, geo-rapina. E quanto ao Sarkozy, deve haver outro motivo, parece que tem problemas muito sérios com financiamento de campanha promovido pelo Kadafi.

Milton Freitas

12 de março de 2011 às 21h52

Valter Pomar responde bem ao tema .
Gostaria que ele atua-se como esquerda e fosse mais nas bases do PT.
É homem da midia ,mas nunca vi este nos dzs ,sera que ele quer convite das correntes que domina os dzs .
Pomar pode aparecer no dz tatuapé e outros para conhecermos as suas posições.

Responder

assalariado.

12 de março de 2011 às 21h11

O que é ser de esquerda? wikipédia,diz: "…O termo esquerdista passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa,especialmente socialistas,anarquistas e comunistas. "…Particularmente influente foi a publicação do Manifesto Comunista por Marx e Friedrich Engels em 1848, que afirmava que a história de todas as sociedades humanas existentes até então era a história da luta de classes. Ele previa que uma revolução proletária acabaria por derrubar a sociedade burguesa e, através da abolição da propriedade privada, criaria uma sociedade sem classes, sem Estado, e pós-monetária…" — Ou seja, a esquerda(de fato), terá que dar fim ao deus mercado e,acabar com a propriedade privada dos meios de produção, desta forma ,se iniciaria,o fim da exploração do homem pelo homem,rumo ao socialismo democratico,sem essa de capitalismo de Estado social democrata(conhecido também,como stalinismo).Inclusive,se analisarmos a história veremos que governos de esquerda ,de fato, nunca existiram,logo, não existe a nova e a velha.

Responder

    Marat

    13 de março de 2011 às 00h09

    Assalariado, na Wikipédia qualquer um pode escrever o que bem entender…
    Abraços

    assalariado.

    13 de março de 2011 às 12h26

    Marat,voce está querendo dizer que,este meu comentário tirado na wikipédia é mentiroso/destorcido?

    Se a resposta for afirmativa,então de-me um endereço onde defina melhor o que é ser de esquerda dentro do conceito de uma sociedade de luta de classes.Caso contrário fico com esta…

    Aqui tem mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerda_pol%C3%ADti

    Abraços Fraternos.

    Marat

    13 de março de 2011 às 13h45

    Caro assalariado, a Wikipédia é território livre, cada um escreve o que quer, tanto é que muitos verbetes são constantemente modificados. Enre lá daqui a um mês, e verifique se o texto estará igual…
    Mais um detalhe: caso você esteja fazendo um curso superior, na área de humanas, experimente basear algum trabalho na Wikipédia, e aguarde a reação de seu professor…

    assalariado.

    13 de março de 2011 às 15h34

    Marat,estamos falando de um conceito,então qual é o seu conceito de esquerda? E/ou de-me um endereço… Também acho a Wiki um território livre mas,não fuja da resposta… desde já,agradeço…

    Abraços Fraternos.

    Marat

    13 de março de 2011 às 22h43

    Caro assalariado, só para não perdermos tempo: Eu acredito que a esquerda verdadeira é aquela onde toda riqueza do país pertence ao estado, onde tudo é comum a todos, onde o dinheiro não tem maior valor que as pessoas, onde prevaleça a justiça e a igualdade para todos, sem exceção. Lógico que nenhum país empregou isso com perfeição, porém, os países autointitulados socialistas foram os quer chegaram mais perto disso tudo. Lógico que forças tenebrosas, como o capitalismo internacional e certas religiões sempre tentaram minar o sonho de um mundo mais justo e igualitário.

    Valdeci Elias

    14 de março de 2011 às 10h31

    Então deve ser bom, ser funcionario publico num país de esquerda. Ter toda riqueza , sobre meus cuidados deve ser bom.

    Marat

    14 de março de 2011 às 12h48

    Mas é ai que está o x da questão: em casos de corrupção – bala na nuca… Eles pensariam duas, ou melhor, dez vezes, antes de aprontar.
    A riqueza seria distribuída. Não haveria especulação imobiliária nem financeira…
    E, antes de me taxarem de utópico, lembrem-se da frase atribuída a Jean Cocteau: Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez

    Bertold

    13 de março de 2011 às 16h45

    Leia "Direita e Esquerda" (Destra i Sinistra) de Norberto Bobbio, 2001, Editora Unesp.

    assalariado.

    13 de março de 2011 às 21h07

    Bertold,obrigado pela indicação,creio que acabou ajudando eu e o Marat.

    Abraços Fraternos.

    Mário SF Alves

    01 de abril de 2011 às 16h44

    Não só ao deus mercado e à propriedade privada, mas, igualmente à sua maior arma, a ideologia judaico-cristã-ocidental: a maior fábrica de dusumanização ou de desconstrução de humanidades dos últimos 2.000 anos de história e só amenizada por um tempo, após o Renascimento. Nietzche estava certo! Ao que parece o homem involuiu ao longo da história, ficou mais pobre em deuses e em humanidade.

isaias

12 de março de 2011 às 20h41

muito bom

Responder

luis

12 de março de 2011 às 20h21

Na verdade estamos desde há muito, correndo atrás dos fatos.
Em 11 de setembro esse processo se intensificou com a consolidação das "intervenções preventivas".
É verdade sim que parte significativa da esquerda age em auto defesa de suas convicções.
Eu mesmo, quando vejo de um lado EUA, toda e países arabes que orbitam nos EUA defenderem uma intervenção na Líbia, tenho que achar o que?
Mostrem me uma ação que tenha partido dos EUA e que tenha sito realmente realizada visando a libertação de algum povo e eu posso até refletir melhor sobre o assunto.
Foi uma boa idéia o Azenha ter publicado esse contraditório do Valter.
Durante – Campinas

Responder

ZePovinho

12 de março de 2011 às 20h04

Dica do PAULO:

[youtube rCUPXWyE1HY http://www.youtube.com/watch?v=rCUPXWyE1HY youtube]

Responder

André Barbosa

12 de março de 2011 às 19h53

O Valter foi brilhante, como sempre, nas suas posições.
Só gostaria de fazer uma resalva, o Valter não é mais o Sec. de Relações Internacionais do PT, o que é uma pena, mas hoje também está em muito boas mãos, através da companheira Iole Iliada.
Forte abraço,

André Barbosa
Membro do Diretório Municipal do PT de Macaé
Membro da Direção Estadual da Articulação de Esquerda – RJ

Responder

    Conceição Lemes

    12 de março de 2011 às 21h29

    Obrigada, André. Corrigido. Abs

assalariado.

12 de março de 2011 às 19h51

O que é ser de esquerda? wikipédia,diz: "…O termo esquerdista passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas. Particularmente influente foi a publicação do Manifesto Comunista por Marx e Friedrich Engels em 1848, que afirmava que a história de todas as sociedades humanas existentes até então era a história da luta de classes. Ele previa que uma revolução proletária acabaria por derrubar a sociedade burguesa e, através da abolição da propriedade privada, criaria uma sociedade sem classes, sem Estado,e pós-monetária…" — Ou seja, teremos que dar fim ao deus mercado e,acabar com a propriedade privada dos meios de produção(socializa-las),desta forma ,se iniciaria,o fim da exploração do homem pelo homem,rumo ao socialismo/comunismo,sem essa de capitalismo de Estado social democrata(conhecido como stalinismo),pensando melhor acho que nunca houve um governo de esquerda(de fato),até hoje.Vamos construi-lo,de preferencia,democratico…

Responder

Marat

12 de março de 2011 às 19h20

É por isso que eu estou com a esquerda. Os esquerdistas escrevem melhor, conhecem bem os problemas, nunca estão satisfeitos, nem são conformistas. Além disso, são idealistas. Há direitistas sensíveis, inteligentes e bem-intencionados, mas são muito poucos. A imensa maioria é de arrivistas e moneyteístas.

Responder

Fernando

12 de março de 2011 às 18h30

Pomar mandou muito bem, é um dos melhores quadros do PT.

Esse direitão do Musse aí deve tá bolado porque o povo líbio se levantou para defender o governo Kadafi do golpe pró-yankee, vastas áreas já foram reconquistadas.

Responder

Vlado

12 de março de 2011 às 18h16

Vocês não entenderam.
Quando o professor Musse fala em uma "velha esquerda", o contraponto é uma "nova direita". Esta última é formada basicamente por antigos quadros comunistas, trotskistas e outros istas menos votados. Se não vejamos: quem são os mais eloquentes defensores do conservadorismo pátrio hoje? Fácil levantar nomes: Aluizio Nunes, José Serra, Marcos Villas, Roberto Freire, Alberto Goldman, Demetrio Magnoli, só para citar alguns que me vieram à cabeça.

Responder

P A U L O

12 de março de 2011 às 18h05

Assistam ao excelente documentário sobre os 'nazisraelitas',

Difamacao (Defamation) – A Indústria do Antissemtismo – Yoav Shamir.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embed

Responder

David R. da Silva

12 de março de 2011 às 17h19

O Pomar foi no cerne da Questão. Ou Roberto Freire e o Governo Português, é exemplo pra alguma Coisa? de Belo Horizonte.

Responder

trombeta

12 de março de 2011 às 17h19

Frase de parachoque de caminhão para o caso do Egito e similares: nunca começe uma revolução se você não estiver pronto para assumir o poder. No caso da Líbia, temos ai um roteiro conhecido, a Líbia tem petróleo o que torna o país atrativo para uma intervenção militar, Sudão, Haiti e outros tem pouco a oferecer ao capitalismo por isso foram abandonados a própria sorte. A África do Sul tinha e tem um solo rico em diamantes, ouro e outras riqueza minerais sofreu um regime racista que pilhou seu patrimônio e com o próprio roubo foi erigido um grande país com a economia dominada pelo colonizador racista. No Iraque, o mesmo.

A lição que fica é quem é rico é alvo porque no fundo pouco importa a política doméstica mas sim o que vamos ganhar com uma guerra?

Responder

Jair de Souza

12 de março de 2011 às 16h41

Parabéns ao Valter Pomar por sua justa e correta posição. Essa história de tachar de velha esquerda aos que não aceitam se submeter aos ditados do neoliberalismo globalizado é, na verdade, uma tática dos velhos (mesmo que jovens de idade) defensores dos privilégios imperialistas e do grande capital. Papo igual ouvimos antes da invasão do Iraq. Era preciso salvar o povo iraquiano do ditador Saddam Hussein. Os mais de 1.300.000 civis mortos pelas forças invasoras, os milhões de deslocados de seus lares, a entrega total da economia iraquiana ao grande capital multinacional, tudo isso foi um pequeno preço para introduzir a democracia no Iraque. E, como todo mundo sabe, a "democracia" iraquiana atual é tão boa que nos leva a sentir saudades do velho Saddam. Parece que os "novos" capitalistas agora querem nos fazer sentir muita saudades de Gadafi também.

Responder

FrancoAtirador

12 de março de 2011 às 16h39

.
.
Realmente.

Quando li o texto desse professor(?) da USP, aqui no blog,

me deu a nítida impressão de que ele é UM SAUDOSISTA DA VELHA DIREITA.
.
.

Responder

Leo

12 de março de 2011 às 16h36

A revolução cubana era uma revolução nacional e popular,não comunista. Somente depois das primeiras e muitas agressões dos EUA e dos terroristas acampados na florida(invasão da baia dos porcos, embargo economico) é que Cuba se aproximou da URSS. Foi empurrada para a URSS pela ditadura ameriacana,a ditadura do complexo industrial e militar dos EUA nas palavras de Dwirght Eisenhouer,presidente que antecedeu Kennedy.

Responder

    Mário SF Alves

    14 de abril de 2011 às 10h46

    Gostei disso, Leo. Esclarecedor e bem poderia servir de referência/moderativa para muitos dos detratores contumazes ou maria-vai-com-a-as-outras que precipitam contra Cuba.

Bonifa

12 de março de 2011 às 16h25

Esta expressão, velha esquerda, assim como sua irmã siamesa nova esquerda, apodreceu, caiu de velha. Ficou caduca. Ela era usada pelos uspianos do tucanato embrionário, que pretendiam abrir por aqui uma franquia das griffes do nipo-americano Francis Fukuyama e do franco-israelense Bernard Henry-Levi. Adotaram o pensamento único neoliberal com fé profunda e inabalável. E, perante o arcabouço esclerosado das instituições (e da cultura) brasileiras, observando-se a sí mesmos como arautos iluminados da boa nova, ousaram dizer-se de esquerda, uma nova e eterna esquerda. Era, na verdade, apenas uma face luninosa da velha extrema direita, que pretendia roubar da esquerda fragilizada a bandeira sagrada das novidades e da mudança. E sairam por aí, pregando o quê? Uma viagem fascinante pela modernidade do atraso. Muita gente que não pôde enxergar o atraso em suas auras, embarcou.

Responder

betinho2

12 de março de 2011 às 15h09

Correta a analise de Valter Pomar.
Nessa linha eu perguntaria ao Ricardo Musse, se ele vai classificar Kassab com seu PDB (Partido Da Boquinha), como "nova esquerda"?

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Marcelo Fraga

12 de março de 2011 às 14h57

Por que Musse não reclama da velha direita, aquela da Ação Integralista Brasileira, aquela que criou o Ternuma (ridículamente ridículo), aquela que acoberta torturadores?

Já dizia o ditado: "macaco senta no próprio rabo para falar do rabo dos outros".

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