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Jeferson Miola: Por que Bolsonaro interferiu nas investigações do crime de ‘suposto desconhecido e estranho’?
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Política

Jeferson Miola: Por que Bolsonaro interferiu nas investigações do crime de ‘suposto desconhecido e estranho’?


03/11/2019 - 22h21

Bolsonaro se safa da prisão preventiva, mas fica exposto à cassação

por Jeferson Miola, em seu blog     

Nós pegamos [as gravações da portaria], antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, confessou Bolsonaro neste sábado, 2 de novembro.

Com a confissão, Bolsonaro [que, não por coincidência, residia no mesmo condomínio do assassino de Marielle e Anderson] deixou no ar perguntas que, se não forem respondidas, reforçarão os indícios de envolvimento do clã com milícias e com o submundo do crime:

[1] quem são os “nós” “que pegamos toda a memória da secretária eletrônica”?;

[2] quem forneceu a planilha que Carlos Bolsonaro mostrou no twitter antes mesmo do Ministério Público apresentar aquela perícia feita em tempo recorde?;

[3] quem guardava “a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano” e que foi entregue a Carlos Bolsonaro?;

[4] se Bolsonaro e seus filhos alegam não terem vínculo e não conhecerem o vizinho de condomínio Ronnie Lessa [o suspeito de ser o assassino de Marielle], por que motivo eles interferiram nas investigações do crime cometido pelo “suposto desconhecido e estranho”? Com qual interesse o clã agiu?

Com a confissão e as suspeitas deixadas no ar, além de assumir a prática de crime de responsabilidade que permite seu afastamento pelo Congresso por impeachment, Bolsonaro também assumiu o cometimento de crimes enquadráveis no código penal brasileiro.

Se não estivesse no cargo de presidente da República, o chefe do clã já estaria cumprindo prisão preventiva – remédio jurídico que o impediria de continuar obstruindo o trabalho da justiça e destruindo ou adulterando provas.

A Constituição, porém, confere a ele a prerrogativa de não ser julgado durante o mandato, nem mesmo por crime de sangue e em flagrante delito [artigo 86].

Ainda que não possa ser processado nem mantido em prisão preventiva durante o mandato, Bolsonaro poderá ficar ameaçado de responder a processo de impeachment no Congresso [Lei 1079/1950].

As recentes crises com o PSL e com os partidos da base de apoio; a desmoralização do governo e, principalmente, o terrível impacto para a imagem do país com um presidente suspeito de envolvimento em assassinato, são fatores que poderão favorecer o clima para a cassação dele por crime de responsabilidade.

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4 comentários

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João Ferreira Bastos

04 de novembro de 2019 às 18h32

O porteiro mentiu.

se porteiro mentiu, por que o miliciano-assassino roubou a gravação que inocentaria o PR

Responder

Zé Maria

04 de novembro de 2019 às 17h10

https://www.pinaculo.com.br/site/uploads/aplicacoes/c7013fc6558d83111aeb29d742fb325f.png
https://twitter.com/search?q=%23OPorteiroNaoMentiu

Jair Bolsonaro alega que, no dia do assassinato da Marielle (14/3/2018),
estava em Brasília, na Câmara dos Deputados, onde registrou presença.

Mas não estava sem Celular:

https://pinaculo.com.br/site/produtos/8
https://pinaculo.com.br/site/produtos/29

https://docplayer.com.br/80671675-Manual-de-instalacao-configuracao-e-utilizacao-do-mc-soft.html

O que o Jair e o Carlos Bolsonaro fizeram
foi se apropriarem do backup dos áudios
registrados no Sistema Eletrônico (acima)
e transferi-los para o Computador, onde
poderiam ser manipulados os dados,
mais especificamente excluídos.

Ajuste do nível de áudio (Tx/Rx) (Vide 3.1.9-10)
Volumes de áudio de saída (Tx) e entrada (Rx)
https://pbs.twimg.com/media/EII_Pm-X0AERsEd.jpg
https://pbs.twimg.com/media/EIcqHZbWsAEFSRY.jpg
#ImpeachmantBolsonaroUrgente

https://jornalggn.com.br/noticia/mutirao-e-reportagem-a-tela-exibida-por-carluxo-e-de-que-sistema-de-portaria-eletronica/
https://jornalggn.com.br/noticia/se-fizer-jornalismo-a-globo-conseguira-ressuscitar-a-denuncia-por-luis-nassif/

Responder

marcio gaúcho

04 de novembro de 2019 às 16h17

A raposa frequenta o galinheiro. Tenta enganar o galo. Mas, deixou o rabo de fora. O galo viu. Está feito o furdunço!

Responder

Zé Maria

04 de novembro de 2019 às 14h52

O STF já decidiu, no Caso Temer, que o Presidente da República,
no mandato, não pode ser processado, mas pode ser investigado.

Responder

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