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Apresentador da Globo: Protesto só é notícia quando acontece; tem de avisar O Globo
Política

Apresentador da Globo: Protesto só é notícia quando acontece; tem de avisar O Globo


28/04/2017 - 14h08

O apresentador da Globo provavelmente não lê O Globo, que deu grande cobertura — antecipada — aos planos do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua, alinhados ideologicamente à emissora

Um dia antes, TV Globo omite greve geral de seus noticiários

“Notícia é o que acontece”, escreveu apresentador. “Como concessionária, emissora tem obrigação de prestar serviço público”, diz professor Lalo Leal

Da Rede Brasil Atual

São Paulo – Quem assistiu aos noticiários da TV Globo, ontem à noite, em São Paulo, ficou sem saber que haveria uma greve geral no país nesta sexta-feira (28).

Os telejornais da emissora SPTV 2ª Edição, Jornal Nacional e Jornal da Globo não fizeram qualquer menção ao movimento convocado pelas centrais sindicais e movimentos populares, que atinge praticamente todo o país.

O fato chamou a atenção de observadores, como o colunista do UOL Mauricio Stycer, especialista em televisão. “Sob qualquer ângulo que se olhe o assunto, concorde-se ou não com o movimento, trata-se de notícia de interesse público”, escreveu em seu blog.

“Nenhuma notícia sobre a convocação da greve, nem sobre os eventuais efeitos que pode causar em áreas de interesse do espectador, como transporte, saúde e educação, foi ao ar”, acrescentou.

Ontem à noite, o jornalista Flavio Fachel, apresentador do Bom Dia RJ, arriscou uma explicação “jornalística” sobre o fato.

“O que é notícia? É o que acontece. Se acontecer, a notícia é amanhã”, escreveu no Twitter.

O também blogueiro Altamiro Borges registrou em sua página o método Globo.

Lembrou que a emissora garantiu holofotes a todos os atos que defendiam o impeachment de Dilma Rousseff em 2015 e 2016 . “Nas marchas pelo impeachment, que resultaram no ‘golpe dos corruptos’ que agora retira direitos até dos ‘coxinhas’, a TV Globo acionou a sua poderosa estrutura para insuflar os manifestantes. A grade de programação da emissora chegou a ser alterada, com mudança de horário de novelas e até de jogos de futebol, para estimular os protestos”, assinala Miro.

Ele pondera, porém, que a conduta seria previsível. “Afinal, nas últimas semanas a TV Globo utilizou seu ‘jornalismo’ para defender apaixonadamente as contrarreformas de Michel Temer. Aplaudiu a aprovação da ‘reforma’ trabalhista, que rasga os direitos previstos na CLT e faz o país regredir à escravidão. Das matérias já veiculadas sobre a “reforma” da Previdência, 91% foram para defender o fim da aposentadoria.”

“Isso é uma censura, é o antijornalismo”, afirma o professor Laurindo Lalo Leal Filho, colaborador da Rede Brasil Atual, sobre a cobertura. “É uma cobertura ideológica, que tomou lado”, acrescenta.

“A greve é contra o governo, contra as medidas que o governo está tomando.” Lalo Leal observa que a TV é uma concessão pública e, “como concessionária, tem a obrigação de prestar serviço público”.

Isso incluiria, por exemplo, informar a população sobre a greve — ou sobre seus possíveis efeitos. “É uma ação anticonstitucional”, observa o professor.

O noticiário desta manhã fala sobre a greve, basicamente abordando os “transtornos” causados pelo movimento. Mas não trata dos motivos que levaram à paralisação.

O posicionamento fica ainda mais claro quando se observa, por exemplo, o comentário do apresentador William Waack, no Jornal da Globo de ontem.

Além de praticamente repetir os argumentos do governo para aprovar a “reforma” trabalhista — uma das motivações da greve geral –, ele afirma que o Brasil “sinaliza com o que é moderno” no mundo.

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5 comentários

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Luiz Carlos P. Oliveira

29 de abril de 2017 às 12h32

NICOLA: homens de bem não trabalham em ambientes nefastos. Se eles estão lá é por que concordam com a canalhice de seus chefes. São, portanto, canalhas também.

Responder

Luiz Carlos P. Oliveira

29 de abril de 2017 às 12h04

O mau caratismo da Globo salta aos olhos. Eu já me desvinculei de tudo que faz parte da rede globosta, do Estadinho, da Vejinha, da Abrilzinha, dos Friazinhas e congêneres. É o pior que pode existir na mídia mundial. Não dou ibope para esses canalhas.

Responder

Flávia Manzara Pinta dos Santos

28 de abril de 2017 às 18h13

Realmente, o Brasil somente se tornará uma verdadeira democracia no dia que a rede golpe for fechada. Delenda PIG!

Responder

Alexandre Tambelli

28 de abril de 2017 às 15h43

Escrevi no Face sobre o tema do post e coloco aqui.

A Globo, a população, o serviço de utilidade pública, a notícia e a Greve Geral.

Certa vez Geraldo Alckmin determinou que haveria aumento da tarifa de ônibus rodoviária (metropolitano e intermunicipais) entre cidades do Estado de São Paulo.

Só que ele fez um acordo com os meios de comunicação aliados, Globo, Band, JP, Estadão, Folha, etc. para que não fosse divulgado o aumento para a população.

Estaria no Diário Oficial do Estado a informação, mas não seria informado o usuário do serviço rodoviário paulista. (Assim, quem não pega diariamente um ônibus na rodoviária/terminal não saberia que o Governo Alckmin aumentou o preço da passagem – evitou, em benefício próprio, alguma manifestação contrária ao aumento e a perda de Ibope pessoal).

Imaginemos se eu sou trabalhador e tenho 20 reais e a minha passagem custa 20 reais. Eu viajo e vou trabalhar, certo?

Naquele dia do aumento da passagem o trabalhador que tinha somente 20 reais e uma marmita ou ticket alimentação e nenhuma possibilidade de um cartão de débito ou crédito não foi trabalhar, porque a passagem não era mais 20, havia subido para, por exemplo, 22.

Este é um fato numa proporção micro.

Imaginemos, agora, um fato como a Greve Geral de hoje, fato de proporção macro, não se tornar notícia de destaque, e um serviço de informação/utilidade pública por parte da Rede Globo, que é o canal maior de informação da população brasileira.

Se não é favorável a Greve Geral vá lá, diga que não é, mas um fato que paralisou São Paulo e muitas partes do Brasil não pode ser uma escolha ou não de virar notícia. É gravíssimo.

Era condição Sine qua non manter a população bem-informada desde sempre, nos dias anteriores principalmente, para alertar seus ouvintes e telespectadores sobre os serviços públicos que aderiram a Greve Geral, como seria o sistema de rodízio, como estavam se preparando os hospitais e serviços essenciais, mais as repartições de Governo, etc. para o dia 28 de abril.

E quando, assim, não acontece duas coisas, ao menos, merecemos discutir:

1) Estamos diante de Jornalismo?

2) Receber Concessão Pública para utilização do espectro eletromagnético e agir desta maneira é tolerável numa sociedade que quer se acreditar em pleno desenvolvimento?

Repensemos as coisas.

Jornalismo é informação ou defesa intransigente de uma única Ideologia e dos seus interesses privados?

Responder

marco

28 de abril de 2017 às 15h37

Qualquer um,que prestar atenção nos detalhes dos TELE JORNAIS DA GLOBO,vai perceber que não aparece ninguém dos apresentadores,gesticulando ou fazendo gestos,com as mãos.Adivinhem onde estavam as mãos desse e dessas senhoras? Naturalmente,nos bolsos !

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