VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Eric Nepomuceno: Clarín controla 56% do mercado de TV aberta e a cabo na Argentina


24/09/2012 - 09h26

Argentina: o que há por trás de um jornal chamado Clarín

No dia 7 de dezembro de 2012, o todo-poderoso grupo Clarín, que além do jornal de maior circulação da Argentina (e um dos maiores da América do Sul) detém, na prática, um império de comunicações no país, terá que começar a de desfazer de vários canais de televisão aberta e a cabo, além de um bom punhado de emissoras de rádio. O grupo tentou denunciar a nova legislação, aprovada por esmagadora maioria no Congresso, mas acumulou derrotas, inclusive da Suprema Corte argentina. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno, de Buenos Aires, na Carta Maior, em 31.05.2012

Buenos Aires – O prazo final foi dado: dezembro. Ou, para quem aprecia precisão e detalhe, dia sete de dezembro de 2012, uma quarta-feira. É quando o todo-poderoso grupo Clarín, que além do jornal de maior circulação da Argentina (e um dos maiores da América do Sul) detém, na prática, um império de comunicações no país, terá de se enquadrar na nova legislação – ou seja, começar a de desfazer de vários canais de televisão aberta e a cabo, além de um bom punhado de emissoras de rádio.

Num estranho neologismo, a questão é tratada, na Argentina, como ‘desenvestimento’. Ora, na verdade a questão é outra: o grupo terá de começar a se desfazer de um patrimônio que é ilegal. Terá de abrir mão de concessões de licenças para operar rádio AM, FM, televisão aberta e televisão fechada. 

O grupo Clarín tentou, de todo jeito, denunciar essa nova legislação – aprovada, aliás, por esmagadora maioria no Congresso –, questionando sua constitucionalidade e alegando que atingia o direito à liberdade de expressão.

A Suprema Corte disse que na nova legislação não há nenhum cerceamento à liberdade de expressão. 

Denunciar atentados à liberdade de expressão cada vez que seus interesses empresariais são ameaçados é característica dos grupos de comunicação que, na América Latina, funcionam como grandes monopólios e, ao mesmo tempo, como ferozes escudeiros do poder econômico.

Cada vez que um desses grupos se sente ameaçado, todos, em uníssono, denunciam que os governos estariam fazendo aquilo que, na verdade, esses mesmos grupos praticam descaradamente em seu dia a dia: o cerceamento à liberdade de expressão. À diversidade de informação.

O caso do grupo Clarín é típico do que ocorre em um sem-fim de países, a começar pelo Brasil, onde um seleto punhado de quatro ou cinco famílias controla ferreamente a distribuição de informação.

Na Argentina, como no Brasil, esses conglomerados de comunicação funcionam como a verdadeira oposição ao governo. E não no sentido de vigiar, pressionar, denunciar erros e desvios, mas de lançar mão de todas as armas e ferramentas, por mais venais que sejam, para atacar qualquer governo que atente contra os seus interesses e os interesses de determinado poder econômico, que os monopólios das comunicações defendem movidos a ferro, fogo e ausência total de escrúpulos. 

Vale a pena recordar como atua o grupo Clarín, fervoroso defensor do sacrossanto direito à liberdade de expressão.

Sua prática, na defesa desse credo, é no mínimo esdrúxula: controla 56% do mercado de canais de televisão aberta e a cabo, e uma parcela ainda maior das emissoras de rádio; manipula contratos de publicidade impedindo que os anunciantes comprem espaço na concorrência; e, como se fosse pouco, ainda briga na Justiça para continuar exercendo o monopólio da produção e distribuição do papel de imprensa no país.

Não se trata de discutir o conteúdo – incrivelmente manipulado, aliás – dos meios de informação controlados pelo Clarín em todas as suas variantes. Trata-se apenas e tão somente de discutir até que ponto é lícito que um determinado grupo exerça semelhante controle sobre o volume de informação que chega aos argentinos. 

Diante desse quadro, é fácil entender que o que fez o governo de Cristina Fernández de Kirchner é, para o grupo Clarín, algo inadmissível.

Afinal, além da intervenção na fábrica Papel Prensa, fazendo com que o Estado assumisse o controle da produção, distribuição e venda de papel a jornais e revistas, o governo baixou uma lei, aprovada pelo Congresso, que dividiu o espaço da transmissão de televisão aberta e fechada em três partes iguais. 

Um terço desse espaço permanece em mãos de grupos privados, como o próprio Clarín. Outro terço passa a ser dividido entre emissoras públicas (nacionais e estaduais), e o terço final passa a emissoras que estarão sob controle da sociedade civil, através de organizações sociais.

Quem está atuando além desses limites terá de abrir mão de licenças e concessões, que na Argentina – como no Brasil – são públicas.

Além disso, quem for dono de canais abertos não poderá ser dono de distribuidoras de canais a cabo numa mesma região. O grupo Clarín tem superposição de canais abertos e fechados em Buenos Aires, Córdoba, Mar del Plata e Bahía Blanca. Vai ter de escolher. Além disso, ao fundir duas distribuidoras de canais a cabo, a Calevisión e a Multicanal, estourou todos os limites de concessões estabelecidos pela lei (são cerca de 225 canais em mãos do grupo, e isso, para não mencionar as estações de rádio AM e FM). 

A nova legislação foi questionada, é claro, por várias corporações que foram e serão atingidos.

A gigantesca Telefônica espanhola, por exemplo, controla nove canais de televisão aberta no país. Terá abrir mão de todos, a menos que aceite integrar alguma cooperativa junto a organizações sociais. 

Ninguém, em todo caso, fez o estardalhaço que o grupo Clarín está fazendo. Há uma explicação: o grupo decidiu partir, altaneiro, para o tudo ou nada. Confiou no próprio poder e na fraqueza do governo. 
Tropeçou feio: Cristina Kirchner se reelegeu em 2011, e agora a Justiça decidiu que a nova lei tem data, sete de dezembro de 2012, para que seja cumprida.

A fúria do Clarín é evidente e é compreensível. Fez todas as apostas erradas, e está perdendo uma por uma. 

A mais delicada dessas apostas foi a que fez no segundo semestre de 1976, quando ganhou – na base de uma cumplicidade sórdida com a ditadura militar que sufocava o país – o controle da produção e da distribuição de papel de jornais e revistas na Argentina. Foi o auge de seu poder, que agora começa a ser rapidamente minado. Já não há torturadores e militares corruptos e sanguinários a quem recorrer. Restou recorrer à Justiça. Foi quando o grupo começou a perder.

Leia também:

Venício Lima: Liberdade de expressão comercial, só no Brasil

Rui Martins: Governo Dilma financia a direita

Requião: Não me arrependo de ter extinto a publicidade oficial

Beto Almeida: O pecado capital do PT





43 comentários

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Argentina: Juízes financiados pelo Clarín sabotam 7D | Maria Frô

07 de dezembro de 2012 às 22h01

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Roberto Navarro: Argentina, Lei de Meios ou Lei de Medos? | Maria Frô

11 de novembro de 2012 às 18h29

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Leandro Fortes: Acabou o Lexotan na SIP | Maria Frô

16 de outubro de 2012 às 17h53

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Tralli e o exemplo de jornalismo partidarizado | Maria Frô

25 de setembro de 2012 às 16h29

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celso leal

25 de setembro de 2012 às 11h10

Fazem tanta ladainha com esta historia,cassar cocessão é coisa de republica de bananas na qual o mandatario acha que sabe o que é melhor para o povo e odeia criticas, a solução para o monopolio é simples, abre concessão nova e permite que empresas de capital 100% estrangeiro venho operar no pais, ai o bicho pega pro lado de quem tem monopolio pois imaginem a glogo ou a record competir com a CBS ou FOX ,em um ano elas tavam quebradas, o PT e outros esquerdistas são muito burros não conhecem a livre iniciativa e acham que tudo tem que ser solucionado pela caneta do ditador de plantão,é o mesmo com os carros se o governo agora alega que as montadoras tem margem de lucro muito grande é simples libera a importação com aliquota ZERO dai elas ou tomam jeito o fecham , isso sim e´o modo inteligente ou seja usar o mercado contra o mercado.

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    Damian Perez

    02 de outubro de 2012 às 11h14

    Não Celso, essa solução so conduz a trocar um monopolio por outro ainda mais poderoso. A arma a ser usada contra o mercado é o controle soberado do goberno (sim, eu sei que os liberales acham horrorosa essa solução, mas isso é a prova de que é solução mesmo)

Fabio Passos

24 de setembro de 2012 às 21h18

Quebrar o monopólio da informação exercido por estas oligarquias medonhas de atrasadas é fundamental para a América do Sul evoluir.

Ótimo exemplo da Argentina.
Aqui toleramos apaticamente a rede globo sabotando nossa democracia com TV aberta, cabo, jornal, rádio, internet…

Já passou da hora de detonar o PiG.

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FrancoAtirador

24 de setembro de 2012 às 21h06

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O comentarista ‘francisco niteroi’ citou um órgão estatal que teria grande importância na regulação dos monopólios e oligopólios no Brasil, se efetivamente desempenhasse as funções previstas em Lei, principalmente a repressiva: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE.

Consta o seguinte lá no sítio do CADE (ACESSO À INFORMAÇÃO/INSTITUCIONAL):

O que é o CADE?

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Justiça, com sede e foro no Distrito Federal, que exerce, em todo o Território nacional, as atribuições dadas pela Lei nº 12.529/2011.

O CADE tem como missão zelar pela livre concorrência no mercado, sendo a entidade responsável, no âmbito do Poder Executivo, não só por investigar e decidir, em última instância, sobre a matéria concorrencial, como também fomentar e disseminar a cultura da livre concorrência.

Esta entidade exerce três funções:

1) Preventiva
Analisar e posteriormente decidir sobre as fusões, aquisições de controle, incorporações e outros atos de concentração econômica entre grandes empresas que possam colocar em risco a livre concorrência.

2) Repressiva
Investigar, em todo o território nacional, e posteriormente julgar cartéis e outras condutas nocivas à livre concorrência.

3) Educacional ou pedagógica
Instruir o público em geral sobre as diversas condutas que possam prejudicar a livre concorrência; incentivar e estimular estudos e pesquisas acadêmicas sobre o tema, firmando parcerias com universidades, institutos de pesquisa, associações e órgãos do governo; realizar ou apoiar cursos, palestras, seminários e eventos relacionados ao assunto; editar publicações, como a Revista de Direito da Concorrência e cartilhas.

Estrutura e Competências

O Tribunal Administrativo, órgão judicante, compõe-se de um Presidente e seis Conselheiros, nomeados pelo presidente da República depois de aprovados pelo Senado Federal. O mandato dos membros do Plenário é de quatro anos, não coincidentes, vedada a recondução.

O Tribunal Administrativo exerce as competências previstas pelo artigo 9º da Lei nº 12.529/2011.
Basicamente, compete-lhe o julgamento dos processos administrativos para análise ou apuração de atos de concentração econômica;
o julgamento dos processos administrativos para imposição de sanções administrativas por infrações à ordem econômica (instaurados pela Superintendência-Geral);
o julgamento dos recursos contra as medidas preventivas (adotadas pelo Conselheiro-Relator ou pela Superintendência-Geral);
e a aprovação dos termos do compromisso de cessação de prática e dos acordos em controle de concentrações.

Estrutura
O Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência – SBDC é formado pelo Cade e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico – Seae do Ministério da Fazenda. O Cade é constituído pelo Tribunal Administrativo de Defesa Econômica, pela Superintendência-Geral e pelo Departamento de Estudos Econômicos. Dessa estrutura, participam também, de forma auxiliar, a Procuradoria Federal e o Ministério Público Federal.

A Seae realiza a chamada “advocacia da concorrência” perante órgãos do governo e a sociedade. Em outras palavras, ela promove a livre concorrência, opinando sobre proposições legislativas ou minutas de atos normativos nos aspectos relacionados ao tema, propondo a revisão de leis, decretos e regulamentos, manifestando-se sobre pedidos de revisão de tarifas e realizando estudos que avaliem a concorrência em setores específicos da economia, para subsidiar as decisões de órgãos governamentais.

http://www.cade.gov.br

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12529.htm

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Francisco

24 de setembro de 2012 às 19h24

Os tanques não estão na rua, os ônibus passam no horário, os bancos abrem, a novela de TV não é interrompida. Tudo na Argentina, Equador e Venezuela como deve ser numa democracia. Só saiu do trilho na Bolivia, onde não se fez nada.

Mas no Brasil, temos medo… Medo de que os militares saiam de seu sossego e ocupem Brasilia (para refundar a ARENA, teriam que resgatar o que sobrou do DEMO, ACM Neto…), medo que o trânsito fique mais engarrafado (isto é fisicamente impossível), que haja uma crise econômica terrivel (como esta, em curso) e, maior dos terrores, “descontinuar” “Avenida Brasil” ou “As Empreguetes”…

Sinceramente, até que me provem o contrario, o PT tem mais medo que o Brasil. O PT tem quase tanto medo quanto a Regina Duarte.

Faz terapia, meu filho!

Responder

FrancoAtirador

24 de setembro de 2012 às 18h41

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A Oligarquia Famigliar Máfio-Midiática braZileira, a partir da mentira da clarineta mafiosa argentina, anda dizendo por aí que o governo democrático de CFK, ao anunciar a implementação integral da Ley de Medios a partir de 7 dezembro de 2012, está ameaçando o Grupo Clarin.

O governo argentino não está ameaçando coisa nenhuma.

Foi o Poder Judiciário de lá que estabeleceu o prazo para que a Máfia Midiática Monopolista Argentina se adequasse à nova Lei.

Bem ao contrário do que a mídia oligárquica anda alardeando, foi o Grupo Clarin que atrasou em 3 anos o cumprimento efetivo da Ley, quando ajuizou uma medida cautelar na Suprema Corte Argentina suspendendo os efeitos do artigo que determinou o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação na Argentina.
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Justiça determina a “desmonopolização” do Grupo Clarín

A Suprema Corte argentina determinou que o Grupo Clarín tem até o dia 7 de dezembro de 2012 para “desinvestir” em seu conglomerado midiático

O Clarín havia apresentado uma medida cautelar no dia 1º de outubro de 2009 sobre o artigo 161 da Lei de democratização de meios de comunicação, que estabelece “a obrigatoriedade de desinvestir para aqueles grupos que superam o limite da regulação legal”.

Francisco Luque – Buenos Aires, na Carta Maior

Buenos Aires – Depois de três anos de debate, a Suprema Corte argentina determinou que o Grupo Clarín tem até o dia sete de dezembro de 2012 para “desinvestir” em seu conglomerado midiático.

O Clarín havia apresentado uma medida cautelar no dia 1º de outubro de 2009 sobre o artigo 161 da Lei de democratização de meios de comunicação, que estabelece “a obrigatoriedade de desinvestir para aqueles grupos que superam o limite da regulação legal”.

Por decisão unânime, o Tribunal se pronunciou no processo “Grupo Clarín SA e outros sobre medidas cautelares”, afirmando que “as medidas cautelares são resoluções jurisdicionais precárias e não podem substituir a solução de fundo porque afetam a segurança jurídica”. Ainda que a demanda do Grupo Clarín tenha se enquadrado no marco do direito de defesa da competição, o Grupo também esgrimiu razões de proteção à liberdade de expressão. Neste sentido, a sentença sustenta que a Corte foi muito clara e consistente em seu reconhecimento ao longo de uma extensa e importante jurisprudência. Entretanto, no processo “não há mais que uma menção ao tema” – liberdade de expressão -, já que a parte autora – Clarín – “não acrescentou nenhum elemento probatório que demonstre de que maneira resultaria afetada essa liberdade”.

Textualmente, o artigo da Lei de Meios de Comunicação afirma que “os titulares de licenças dos serviços e registros regulados por esta lei, que na data de sua sanção não reúnam ou não cumpram os requisitos previstos pela mesma, ou as pessoas jurídicas que, no momento de entrada em vigor desta lei fossem titulares de uma quantidade maior de licenças, ou com uma composição societária diferente da permitida, deverão ajustar-se às disposições da presente em um prazo não maior que um (1) ano de que a autoridade de aplicação estabeleça os mecanismos de transição”.

Os juízes Ricardo Lorenzetti, Elena Highton, Carlos Fayt, Juan Carlos Maqueda, Raúl Zaffaroni e Enrique Petracchi avaliaram, através de sua resolução, que o prazo de 36 meses “resulta razoável para a vigência da medida cautelar e se ajusta aos tempos que tarda a via processual tentada”.

No dia 1º de outubro de 2009, o Clarín solicitou que se ditasse uma medida de “não inovar” para suspender o tratamento legislativo da Lei de Medios. O pedido foi indeferido pela justiça civil e comercial federal. Em outubro de 2010, em uma decisão unânime, a Corte confirmou a medida cautelar.

A Corte Suprema afirmou em sua sentença que “quando as cautelares se tornam ordinárias e substituem a sentença definitiva, se cria um direito precário, o que constitui uma lesão ao objetivo de afiançar a justiça, garantido no próprio Preâmbulo da Constituição Nacional”.

A Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA) celebrou a decisão e afirmou que “a resolução garante a segurança jurídica e a equidade para todas as partes, de um modo compatível com o interesse geral e a propriedade privada, na medida em que, anteriormente e por via de regulamentação, a AFSCA já havia prorrogado o prazo até o dia 28 de dezembro de 2011 para o resto dos grupos do setor”.

“A Corte Suprema considerou que a questão litigiosa fica circunscrita ao campo do estritamente patrimonial afirmando que, em função dos elementos probatórios, a norma em questão não afeta a liberdade de expressão”. Também afirmou que “em todo o direito comparado existem normas de regulação do mercado dos meios de comunicação sem que sua constitucionalidade tenha sido questionada”.

A Lei de democratização de meios de comunicação foi aprovada no dia 10 de outubro de 2009, com 44 votos a favor e 24 contra. Consta de 165 artigos e o eixo central está colocado nos seguintes pontos:

– O desinvestimento (ou desmonopolização). O artigo 161 obriga as empresas de radiodifusão a vender, no prazo de um ano, os meios que não se ajustem aos limites da nova regulação.

– Novo regime. As distribuidoras de cabo não poderão ter canais de tv aberta e só é permitido ter um sinal de cabo de alcance local. Nenhuma empresa pode operar mais de 10 licenças (até então eram 24).

– Autoridade de aplicação. Foi criada a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), um ente formado por dois membros escolhidos pelo Governo, três pelo Congresso (um pela situação e dois opositores) e dois surgidos de um Conselho Federal dominado pelos governadores.

– Meios do Estado. Ficou estabelecido que o espaço radioelétrico se dividisse em 3/3, com uma parte para os privados, outra para o Estado e uma última para empresas administradas por ONGs.

– Concessão de licenças. O Poder Executivo se reserva essa faculdade para as cidades com mais de 500.000 habitantes.

– Conteúdos. Ficam estabelecidos limites mínimos de produção nacional (em programas e música) nas rádios e canais de TV.

– Telefônicas. Suprimiu-se a autorização para participar do negócio da TV a cabo. Mas poderiam chegar a fazê-lo associadas à cooperativas.

– Publicidade. Regula a distribuição da grade nos canais privados, mas não se refere à publicidade oficial.

Tradução: Libório Junior

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20208

Responder

    Jotace

    24 de setembro de 2012 às 22h19

    Caro Franco,

    Sim, o Poder Judiciário argentino deu o seu importante apoio, não criou dificuldades à Presidente Cristina como aliás fez o mesmo também o Poder Legislativo da nação irmã. Liderança é assim, dá exemplos, recebe apoios. Pois, a decisão primeira foi da corajosa e patriota Presidente Cristina. A mesma que teve o arrojo de reestatizar a YPF, retomando-a da Repsol enquanto aqui, por caminhos que ninguém sabe,esta multinacional espanhola recebeu de presente uma gorda fatia do pré-sal. Que, diga-se de passagem, só foi encontrada face a pesados investimentos em pesquisas da Petrobrás feitas naturalmente com os recursos do povo brasileiro. Fraternal abraço, Jotace

wlademiro tiradentes

24 de setembro de 2012 às 16h29

A pergunta é: Porque a presidenta Dilma tem tanto pavor dessas famílias que controlam a mídia no Brasil? E mais, ainda distribuí 60% da verba publicitária do governo a essas famílias que atentam a democracia e a liberdade de informação diariamente?

Responder

    Jotace

    24 de setembro de 2012 às 19h48

    Caro Wlademiro,

    A fraqueza entreguista nesta altura é incurável e os males que vem causando são imensos. Creio que tanto à atual Presidente quanto a Lula faltou uma copiosa transfusão de ‘la sangre’. Ambos se apercebem do criminoso comportamento de FHC e de Serra apenas nos períodos eleitorais, mas depois sempre fazem o mesmo ou pior do que eles. Freqüentar comes e bebes da grande imprensa corrupta, reuniões da SIP, ou encher o peito de medalhas, não dão mais pra enganar o povo que assiste o que se passa em outros países da América Latina. Um cordial abraço, Jotace

Julio Silveira

24 de setembro de 2012 às 16h28

Ainda acho que a melhor maneira de furar esse bloqueio midíatico corporativo deveria se dar pela liberação geral da concorrência. Pela via da democratizando dos serviços. Se dando através da facilitação para a legalizar Radios e TVs de pequenos empresários, os hoje chamados piratas, comunitários, etc…Para quem quisesse.

Responder

RICARDO GODINHO

24 de setembro de 2012 às 16h14

Gostei do termo: hondurada…
Do jeito que o PT parece se borrar de medo de mexer nesse vespeiro, não demora muito da presidenta vai se chamar Dilma Zelaya Lugo Roussef…

Responder

Willian

24 de setembro de 2012 às 15h59

Estive na Argentina. A vida lá está uma maravilha. Deus queira que Cristina Kirchner tenha um terceiro mandato.

Responder

Urbano

24 de setembro de 2012 às 15h52

Ah! E num país como o nosso em que existe uma salvação de tarados e fraudadores, aí então é que a bósnia vira boné mesmo. Desse jeito a gente não vai pra canto nenhum, a não ser para as cafuas das torturas, quando os crápulas voltarem e refizerem as mesmas. E com as bênçãos dos que estão aí, para depois tirarem de vítimas, caso escaparem vivos. Essa gente é isenta de qualquer magnetismo, só pode ser. Pô meu! Não conseguir sentir a maldade e o perigo que representa o fred henrique danoso… É muita coragem ou muitas nuvens. Pois é… vão tirando de bonzinhos e logo.logo verão a puxa queda do cavalo, o coice e o lambuzar-se com o que o cavalo fizer.

Responder

Urbano

24 de setembro de 2012 às 15h35

Enquanto isso aqui no Brasil a groubonoma e o restante da bandalha continuam [email protected] e andando na cabeça dos mandatários, ou tidos como tais.

Responder

Héctor Amuchastegui

24 de setembro de 2012 às 15h30

Sou argentino, jornalista, mora há 7 anos no Brasil.

Celebrei a ley de medios, o processo de papel prensa. Nenhum grupo de grande midia em qualquer lugar do mundo representa a liberdade de expressão, como enganam dizendo serem. Clarín não, assim como também não o são CBS, Univisión, Globo ou Record.

No entanto, o governa mau utilizou a ley de medios criando jornais, revistas, praticamente toda a rádio AM (que na Argentina ainda é muito forte) e na tv um bando de puxa-sacos, literalmente, nos quais não existe voz critica, e tribuna para atacar qualquer um que seja crítico ao governo. Não só aos tradicionais reacionários, senão também aqueles que vão por isquerda remarcando contradições do governo.

Todos esses veículos novos pro-governo, assim como os, chamdaos opositores representandos por Clarin ou La Nación, são patéticos. Não passam de uma guerra de quadrilhas.

Responder

Rodrigo Leme

24 de setembro de 2012 às 14h47

É engraçado..a lei prevê uma redistribuição dos veiculos e concessões em nome da “diversidade” na comunicação.

Aí pergunto: o que define diversidade? Será diversidade regional, econômica, social, política? Se dividir 3 concessões entre 3 grupos de propósitos diferentes, mas de mesma orientação política, a mídia será “plural”?

Acho importantíssima a proteção contra a concentração econômica, especialmente no mercado de mídia. Agora, essa descentralização ocorrerá no campo ideológico também? Será equilibrada?

Ou vamos assitir a transferência de um grupo anti-governista para vários grupos alinhados com o governo, eliminando a concentração econômica mas mantendo a ideológica?

A resposta é: se os “democratas” portenhos da comunicação pensarem como os nossos, vamos ver uma mídia servindo aos interesses do governo argentino atual.

A descentralização econômica dos meios de comunicação é uma falácia ideológica.

Responder

    francisco niteroi

    24 de setembro de 2012 às 15h47

    “A descentralização econômica dos meios de comunicação é uma falácia ideológica.”

    Talvez seja por isso que a Suprema Corte americana acabou de reafirmar os principios que foram sendo construidos desde 1934 (só tinha radio) de que um mesmo concesssionario não pode possuir diversos meios de comunicação no mesmo ambiente geogradico? Vc conhece a TV New York Times? Claro que não pois o Jornal New York Times obedece regras de desconcentração. E aqui vemos discursos alienados querendo misturar alhos com bugalhos.

    Talvez seja por isso tb que a Ofcomm inglesa existe só para regular “a falacia ideologica”?.

    será por isso que a França exige que, SEMPRE, numa informação sobre, por exemplo, um projeto de lei sejam apresentados os pontos de vista da situação e oposição?

    Será por isso que o CADE pode regular a concentração na área de chocolates( lembra da compra da Garoto?) mas nada pode falar sobre a concentração de quem produz a informação. a cultura, o “fazer a cabeça” da população, etc.?

    Haja falacia ideologica.

    Abraao

    24 de setembro de 2012 às 16h41

    Belo texto Rodrigo, pena que pouquíssimas pessoas enxergam essa verdade.
    Outra coisinha, por que todas as denuncias vinculadas pela imprensa “golpista” resultam em demissões, em explicações muito mal dadas pelos acusados, inquéritos e etc…..Não seria mais fácil o acusado abrir todos os seus sigilos, convocar todas as investigações possíveis, provar de FORMA IRREFUTÁVEL sua inocência e processar os “golpistas”. Seriam tantos processos que nenhum jornal, revista ou tv suportaria. Pronto….resolvido…
    A verdade dói, não é mesmo??????
    Ladrões não gostam de noticias, gostam de propaganda……

    Adolfo

    24 de setembro de 2012 às 18h56

    Abraão, você não fala coisa com coisa, mas sou obrigado a concordar com sua última frase.
    “Ladroes não gostam de notícia, gostam de propaganda”
    É verdade.
    Por isso que os direitistas, serristas e reaças em geral gostam tanto da Globo, da bandeirantes, da folha, do estadão, da Veja…. né?

    tomou?

    Abraao

    24 de setembro de 2012 às 21h04

    Conforme escrevi, “pouquíssimas pessoas enxergam essa verdade”.
    Bom, seguramente vc poe a ideologia a frente da razão, não é Adolfinho…
    kkkkkkkk (brincadeira)
    Há sempre um jogo de interesse em todos que almejam o poder. No caso do PT se a mídia fala a favor, é progressista, se fala contra, é reacionária e ponto final, não tem argumento. Se vc não pensar com a ideologia petralha, vc é inimigo. Os fatos, a verdade, o debate e as instituições democrática que se danem……
    A analise imparcial revela grandes erros de direita e esquerda. Debatam com inteligencia.
    Grande abraço amigo Adolfo.

    Jotace

    24 de setembro de 2012 às 23h13

    Caro Rodrigo Leme,

    Até que não há tanta razão para preocupar-se com a descentralização da grande mídia e todo o seu aparato de veiculos,concessões etc. Pois, depois de redistribuídas, como o devem ser, as milhares de empresas da
    área que representam os interesses oligárquicos e das transnacionais no Brasil, nenhum governo, partido, ou correntes de opinião ou de religião, teriam efetivas condições efetivas de, per se, impôr sua orientação. É o povo livre, operando dentro de uma moldura democrática, todos com o mesmo direito de opinar, de divergir, de ter o direito de resposta. Algo que se assemelharia de uma certa forma até à grande maioria dos chamados blogs ‘sujos’. É o caso, entre outros, do ‘nosso’ blog, seu e meu, o Viomundo: ‘temos’ comentaristas das mais diferentes opiniões, dos mais diferentes gostos e, pelo que me parece, têm todos o mesmo direito de uso do espaço. Não há queixas, nem denúncias feitas em outros blogs que nós somos aqui censurados. Até me parece bem o contrário, pois prestigia a dissemelhança, a diferença, permitindo o contraditório. Mas, o que acontece no Brazil (que não foi o da sua infância nem da minha) é que a safadeza já está de mais e todos estão sendo prejudicados pelas máfias da grande imprensa. Ou você acha que sai barato ao país, ao povo brasileiro, a ‘operatividade’ da Globo, só pra citar uma delas? Cordial abraço, Jotace

Michel

24 de setembro de 2012 às 13h36

Azenha, se possível assista a este vídeo. É um documento incontestável de como a mídia comercial brasileira (e latino-americana) deturpa de maneira sórdida o que está acontecendo na Argentina. Atente-se, no final do vídeo, para a opinião de Frank La Rue, relator da ONU para a liberdade de expressão e de opinião, que foi convidado para acompanhar toda a elaboração da chamada ‘Ley de Medios’ da Argentina até sua aprovação no Congresso do país vizinho. Disse ele com todas as letras: é a mais avançada lei das comunicações que já viu e deveria servir de modelo para o mundo. No link:
http://www.youtube.com/watch?v=VD9f8DgA1iU

Responder

    Pedro Soto

    24 de setembro de 2012 às 20h19

    Maravilha!

Vlad

24 de setembro de 2012 às 13h21

Fato: Sarney, com seus múltiplos tentáculos, salvou Lula da lata de lixo da história, reservada a diversas figuras, dentre as quais o caçador de marajás.
Fato: Sarney, e toda a irmandade que lhe ombreia, vale-se da mídia como lavagem cerebral da massa ignara.
Fato: Nenhum governo, muito menos o atual(Dilma Vanda Roussef) vai fazer bosta nenhuma pela educação de base, único antídoto contra a dominação.
Quebra de monopólio no Brasil, nem daqui a mil anos.
Ley de Medios…99% das sumidades que aqui gorjeiam ainda a confunde com controle de conteúdo.
Vão pescar…até que a morte faça sua parte profilática.

Responder

    Julio Silveira

    24 de setembro de 2012 às 14h54

    Ainda bem que vc não escreveu 100%, já ia me ofender. Rsrsrsrs.

Mariac

24 de setembro de 2012 às 13h09

Sim. Se o governo furar o bolso da corja a Globo vai à falência e
a vida continuará normal.

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marcosomag

24 de setembro de 2012 às 12h25

Existe muitíssimo o que fazer na área como o uso do FUST para levar internet rápida e barata ao Brasilzão profundo, separar os negócios de infraestrutura e provimento de conteúdo na internet (dando um “choque concorrencial” no setor), acabar com a propriedade cruzada nos meios de comunicações, disciplinar os setores via cabo/satélite (imposição de parte significativa de produção nacional de conteúdo, opção obrigatória de dublagem em toda a produção estrangeira, quebra do monopólio Murdoch/Globo no setor…), fortelecer a TV Brasil e criar uma forte rede com as educativas estaduais, dentre muitas outras políticas democratizantes. Até na área de educação é preciso políticas que incentivem os adolescentes a criar conteúdo para a web e desconfiar da comunicação vertical e autoritária da mídia tradicional. Enquanto isso, a Dilma mantém o HIBernardo nas Comunicações, nem toca no assunto da propriedade cruzada dos meios de comunicações e muito menos em dar um “choque concorrencial” na internet. Não adianta nada recusar convite da Abril para eventos. Tem que adotar políticas que inviabilizem os caras! Eles já estão com as manguinhas de fora e com a “hondurada” em curso no Brasil! ACORDA DILMA!

Responder

Zezinho

24 de setembro de 2012 às 12h20

Isso seria lindo aqui no Brasil. Um terço na mão do PT e o outro na mão da CUT e do MST.

Daqui a uns 5 anos, quando o Clarín continuar a combater as pataquadas do governo irão aprovar nova lei limitando em 1%…

Responder

    flavio

    24 de setembro de 2012 às 14h44

    zezinho, a voz que clama no deserto……….
    ou
    zezinho, a voz da verdade………..
    ou seria
    zezinho o dono da verdade???

    Pedro Soto

    24 de setembro de 2012 às 19h56

    Para criticar o governo não precisa controlar 56% dos meios de comunicação.
    Isso é o que também acontece aqui no Brasil com as Organizações Globo.
    Parece que você gosta, não?

    Zezinho

    25 de setembro de 2012 às 11h39

    É exatamente esse o meu ponto. Vcs estão todos eufóricos com essas medidas achando que se ocorresse no Brasil seria uma maravilha. Pensam assim porque imaginam que isso iria amordaçar a imprensa livre, vulgo PiG. Ledo engano.

J Souza

24 de setembro de 2012 às 12h04

E o “grupo Clarin” brasileiro, as “organizações” Globo, controlam quanto da mídia brasileira?
Qual o faturamento anual do “grupo Clarin” brasileiro?

Responder

Thelma Oliveira

24 de setembro de 2012 às 10h28

Mas com qual justiça podemos contar aqui? E os grupos ligados à comunicação que estão representados na Câmara e no Senado? Como explicar a paralisação do Lula e da Dilma frente à esse enorme problema? Não sei o que acontece, mas esse imobilismo daqui me deixa preocupada. Ainda ontem ouvi que o Ronaldo se prepara para ser vice do Aécio em 2014, e vi uma reportagem no uol falando da matéria no Fantástico sobre ele e sua tentativa de emagracer em um reality show que será acompanhado todo o domingo nesse programa. Isso já não é a Globo fazendo campanha para 2014?

Responder

    Marcelo de Matos

    24 de setembro de 2012 às 11h18

    Óia! Pode ser campanha mesmo sô. Ronalducho mais magro que o Russomanno. Já pensaram? E fazendo propaganda de cerveja…

    Marcelo de Matos

    24 de setembro de 2012 às 11h20

    ET: essa deu certo: Ronalducho e Aécio são dois pés de cana.

    Rosana

    24 de setembro de 2012 às 11h23

    Sim. sua percepção foi rápida Telma. A intenção é essa mesmo. idolotrar alguem que vai emgrecer depis de anos usando drogas e se alimetnandoma, para depois lança-lo como candidato. Isso se chama lavagem cerebral da mídia marrom.É bom ficar atento, pois o PSDB está em falência em todos os Estados, porém, o laboratõrio de novos fascistas já foi aberto usando de pessoas públicas em outras áreas que não a política.Ronaldo por exemplo está sendo usado e nem percebeu ainda.

LEANDRO

24 de setembro de 2012 às 10h09

Claro que ela quer abafar qualquer voz discordante…a situação da ruim por lá..

“A popularidade da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, caiu para 30% cento em agosto, menos da metade do que era um ano antes, de acordo com uma pesquisa publicada neste domingo que mostra um país preocupado com violência e alta inflação.”

Responder

    RicardãoCarioca

    24 de setembro de 2012 às 10h41

    Pelo contrário, ela quer que existam mais vozes e com mais pluralidade de opiniões. Concentração de mercado não é bom em nenhum segmento, incluindo a mídia.

    FrancoAtirador

    25 de setembro de 2012 às 07h34

    .
    .
    Uma pesquisa que a Management & Fit fez pelo telefone com 2.259 eleitores.

    Fonte: REUTERS
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