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Dilma ao Estadão, que disse que seria “muito difícil” escolher entre Haddad e Bolsonaro: A imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo
Dilma em Governador Valadares durante a campanha de 2018. Foto Roberto Stuckert Filho, no Instagram de Dilma.
Política

Dilma ao Estadão, que disse que seria “muito difícil” escolher entre Haddad e Bolsonaro: A imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo


02/11/2019 - 16h40

De um lado, o direitista Jair Bolsonaro (PSL), o truculento apologista da ditadura militar; de outro, o esquerdista Fernando Haddad (PT), o preposto de um presidiário. Não será nada fácil para o eleitor decidir-se entre um e outro. O Estado de S. Paulo, no editorial Uma Escolha Muito Difícil, de 08.10.2018

Da Redação

Ao longo de seus mandatos, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff não fizeram lives de madrugada no Facebook, ameaçando cassar a concessão da TV Globo.

Nenhum deles decidiu cortar assinaturas dos jornais dos homens brancos e ricos que sempre controlaram os grandes grupos de comunicação no Brasil — pelo contrário, foi farto o financiamento a eles através da chamada “mídia técnica”, a maneira que se encontrou de manter tudo exatamente como sempre foi.

A presidenta Dilma Rousseff, mesmo vítima de uma ficha falsa que o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo publicou na capa, em período eleitoral, compareceu pessoalmente a uma cerimônia promovida pela família Frias, depois de assumir o segundo mandato, num gesto do republicanismo que marcou a mandatária.

Em 2016, Dilma foi vítima de um golpe marcado pelo machismo e a misoginia.

Agora, a herdeira do trabalhismo não se esquivou de responder ao quartel-general do antigetulismo, O Estado de São Paulo.

Em editorial de 2018, o jornal de latifundiários falidos, hoje administrado por banqueiros, escreveu que uma escolha entre o professor universitário Fernando Haddad — ex-ministro da Educação, mestre em economia e doutor em filosofia — e o ex-capitão expulso do Exército Jair Bolsonaro —  adorador do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, envolvido com o laranja Fabrício Queiroz e cercado por milicianos nos gabinetes de seu clã — seria “uma escolha muito difícil”.

O Estadão investigou o PT de cabo a rabo, mas só agora vem “descobrindo” quem é Jair Bolsonaro e seu entorno

SOBRE OS SURTOS NEOFASCISTAS E A COVARDIA

Do Dilma.com.br

A presidenta Dilma Rousseff recebeu do jornal Estado de S. Paulo uma pergunta sobre o que ela pensa da defesa que Eduardo Bolsonaro fez do AI-5, ao dizer que eventuais protestos contra o governo poderiam tornar necessário um ato de força semelhante.

Eis a sua resposta, em nota enviada ontem ao jornal:

SOBRE OS SURTOS NEOFASCISTAS E A COVARDIA

Dilma Rousseff

Ninguém, dos órgãos de imprensa, pode se declarar surpreendido pela manifestação do deputado Eduardo Bolsonaro a favor do AI-5.

Na verdade, ninguém pode se surpreender porque já houve seguidas manifestações contra a democracia por parte da família Bolsonaro.

Defenderam a ditadura militar e, portanto, o AI-5; reverenciaram regimes totalitários e ditadores; homenagearam o torturador e a tortura; confraternizaram com milicianos.

Desde sempre pensaram e agiram a favor do retrocesso.

Antes das eleições não havia duvidas a respeito.

Durante as eleições e depois dela, muito menos, pois têm se expressado contra a democracia e os princípios civilizatórios em todas as oportunidades que tiveram.

O grave é que nunca receberam da imprensa a oposição enérgica que mereciam.

Ao contrário, acredito que a imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo bolsonarista, porque este adotara a agenda neoliberal.

É que, além das pautas neofascistas, a extrema direita defende a retirada de direitos e de garantias ao trabalho e à aposentadoria; as privatizações desnacionalizantes das empresas públicas e da educação universitária e a suspensão da fiscalização e da proteção ambiental à Amazônia e às populações indígenas.

Não é possível alegar surpresa ou se estarrecer diante da defesa do AI-5.

Na verdade, em prol da realização da agenda neoliberal, na melhor hipótese se auto iludiram, acreditando que poderiam cooptar ou moderar Bolsonaro.

Mas a defesa do AI-5 e da ditadura sempre esteve lá.

Vamos novamente lembrar, o chamado filho 03, que agora diz que considera o AI-5 necessário, é o mesmo que, há algum tempo, disse que “um soldado e um cabo” bastavam para fechar o STF.

Óbvio que sem o poder coercitivo de um AI-5, isto nunca seria possível.

O presidente, então ainda deputado, proferiu no plenário da Câmara um voto em que homenageou um dos mais notórios e sanguinários torturadores do regime militar.

Aquele coronel só agiu com tal brutalidade contra os opositores do regime militar porque estava protegido pelo AI-5.

Jair Bolsonaro afirmou em entrevista que a ditadura militar cometeu poucos assassinatos de opositores políticos. E que os militares deviam ter matado “pelo menos uns 30 mil”.

Também afirmou, na campanha do ano passado, que, se vencesse a eleição, só restariam dois caminhos aos petistas – o exílio ou a prisão – e de que maneira isto seria possível sem a força brutal de um ato institucional como o AI-5?

É estranho que me perguntem o que eu acho da última declaração sobre o AI-5, pois a minha vida toda lutei, e continuo lutando, contra o AI-5, seus assemelhados e seus defensores.

O Estadão, que me faz esta pergunta, também deve e precisa responder, pois sua posição editorial tem sido, diga-se com muita gentileza, no mínimo ambígua diante da ascensão da extrema direita no País.

Quem nunca questionou as ameaças da família Bolsonaro com a firmeza necessária e que, em nome de uma oposição cega, covarde e irracional ao PT, se omitiu diante do crescimento do ódio e da extrema-direita, tornou-se cúmplice da defesa canhestra do autoritarismo neofascista.

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11 comentários

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Jardel

04 de novembro de 2019 às 15h15

Como sempre Dilma vai ao cerne da questão. Melhor resposta seria impossível.
A imprensa golpista tem grande parte de culpa na eleição desse palhaço fascista.
Agora vem perguntar o que a ex-presidente acha… É muito cinismo.

Responder

LULIPE

04 de novembro de 2019 às 10h18

Essa coitada não cansa de passar vergonha…

Responder

    Jardel

    04 de novembro de 2019 às 15h10

    Parece que o coitado aqui é você. Um reacionário eleitor do Bozo que, ao ver o seu eleito fazendo merda, ao invés de criticá-lo, fica perambulando como uma lesma aleijada pelos sites progressistas para dizer asneiras e ofensas.
    Vá TNSC, cara! O seu Bozo é um desastre e só idiotas úteis como você ainda não perceberam isso.
    O seu Bozo vai levar o País à bancarrota, seu babaca.
    O cara não tem nem um ano de governo e já se meteu em assassinato, tráfico de cocaína, candidaturas laranjas, funcionários fantasmas, escândalo de Itaipu etc.
    Se liga Mané!

Zé Maria

03 de novembro de 2019 às 19h39

Golpeachment: O Golpe Na Presidenta Dilma Rousseff

Livro de Cassio Vilela Prado

https://books.google.com.br/books?id=0eHSAQAACAAJ&dq=Golpeachment

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Elena

03 de novembro de 2019 às 12h33

Essa foi na veia, Dilma! Deu um cruzado que nocauteou o Estadão! Agora, que essa nossa mídia asquerosa trate de tirar esse lixo fascista do poder. Isso ela sabe fazer muito bem……. quando quer!

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LuisCPPrudente

03 de novembro de 2019 às 10h43

Hoje qual seria a opinião de Dilma Roussef, a nossa grande presidenta, sobre o controle remoto? Tem como escolher e ver a diversidade cultural e política entre os canais de tv (ou rádios) das famiglias que controlam a Globo, Record, SBT, Bandeirantes, RIT, CNT e outros lixos de comunicação? A presidenta Dilma tem que ter hoje a opinião da necessidade de regular os meios de comunicação e evitar a formação de cartéis criminosos que dominam os meios de comunicação no país. Há muito tempo que é necessário a criação de uma Ley de Medios que diminuísse o poder criminoso que as famiglias do PIG tem sobre os meios de comunicação (que já era necessário na época do presidente Lula e Lula relegou este assunto). Se o presidente Lula e depois a presidenta Dilma tomassem medidas necessárias à democratização dos meios de comunicação e dificultando a manutenção de redes nacionais de comunicação (Rede Globo, SBT, Rede Record, Rede Bandeirantes, por exemplo) que uniformizaram o discurso contra os governos petistas, que uniformizaram o pensamento irracional de ódio das classes médias contra as políticas sociais, talvez seria mais difícil a existência de um governo de imbecis ligados às milícias.

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Marys

03 de novembro de 2019 às 10h20

Se o atual presidente não pedir renúncia agora, esperemos por dias piores.

O mundo está de olho no Brasil, mas a elite não tem para onde correr. O mal está feito, pois nossa política está no fundo do poço e nossa diplomacia acabou.

O país, como um todo, deixou que ocorressem crimes simbólicos que nunca darão sossego à elite colonizada e seus ocultos investidores transnacionais.

Simbolicamente, a deposição de Dilma, a morte de Marielle e, em seguida, a prisão de Lula são destruição, morte e a prisão do povo brasileiro. Como a elite dele necessita, assim praticou um quase suicídio, em busca de uma saída.

A simbologia é inconteste. Eles representam ascensão politico-social indesejada pelo sistema. A da mulher transgressora, a da homossexual negra favelada e marginalizada, ambas intelectualizadas, e a do filho de migrantes nordestinos, operário, cujos destinos se cruzam nos lares patriarcais e nas favelas e subúrbios do país onde se revela um sistema de super-exploração de mão de obra.

Era preciso barrar esse processo e os políticos representantes da elite, a polícia e justiça brasileira, representadas, respectivamente, por polícia política e miliciana e por descendentes brancos europeus, fizeram o serviço sujo que agora o congresso e o exército acobertam porque são descendentes de colonos, com mente colonizada,
antissociais e elitistas, por excelência!

Dilma representa a mulher que enfrentou a tirania militarista e se incluiu por causa disso, Marielle e Lula estampam o desejo do brasileiro oprimido que, aos poucos e com muita luta contra seus algozes escravistas, buscava um lugar sob o sol do Brasil, usando os mecanismos de um sistema em que eles pensaram estar sendo incluídos . Ledo engano.
O sistema, feito sob medida para um seleto grupo de poder, não os suportou e os expeliu como o faz todos os dias nas instituições burguesas, nas favelas e subúrbios do país, perseguindo,executando e prendendo sumária e arbitrariamente.

Dissimulada e covarde, desta feita,como solução direta para oprimir as massas e evitar a resistência, a elite brasileira deixou reflorescer o fascismo que aqui plantou, como semente, quando trouxe para realizar uma limpeza étnica, substituindo o escravo e o migrante nordestino, imigrantes europeus que para aqui vieram não por rejeição à ideologia dos seus sistemas políticos dilacerados ou aos seus ídolos (Mussolini, Salazar, Franco, Hitler etc ), mas pela fome, nos períodos que imediatamente precederam e sucederam a malfadada Abolição da Escravatura.

Assim, simbolicamente, cresceram o mito de Moro e Bolsonaro como descendentes diretos desse sistema que fez ressurgir de suas entranhas profundas a verve fascista, com a incumbência de realizar o serviço sujo de perseguir, matar, torturar e prender, aquilo que tanto incomoda nossa elite de cujos ideais eurocêntricos, supremacistas brancos, homofóbicos e colonizadores nunca se afastou.

É preciso fazer uma leitura mais simbólica do que está acontecendo no país. Simbolicamente a deposição de Dilma, a morte de Marielle e a prisão de Lula colocaram a elite brasileira contra a parede e ela está no comando de todas as instituições. A reação pode ser muito forte e inesperada, pois ela está jogando suas últimas cartadas!

Responder

Maria Carvalho

02 de novembro de 2019 às 23h59

Tomou?

Responder

a.ali

02 de novembro de 2019 às 22h06

que resposta, presidenta!
tá na medida, jornaleco ????

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Zé Maria

02 de novembro de 2019 às 19h44

A Mídia Venal, Corrupta, Comprada e Vendida, Impatriótica e Fascista,
continua com a Falácia de uma tal ‘Polarização’ entre Esquerda e
Direita, que absolutamente não existe no Brasil.
O que há sim é um Extremismo de Direita, Arbitrário, Autoritário,
Absolutista, Totalitário, e, por conseguinte, Fascista, ora representado
pelo desgoverno de Jair Bolsonaro e suas Milícias, Virtuais ou não, contra
o qual se manifestam todas as Correntes Políticas Democráticas – e quase
todas elas não são de Extrema Esquerda, Socialista ou Comunista (assim fossem), como querem fazer acreditar as Empresas de Comunicação; muito ao contrário, cada vez mais, Liberais de Direita se engajam protestando pela Restauração da Ordem Constitucional e o conseqüente Retorno do País ao Estado Democrático de Direito.
O que é Verdade, isto sim, é que Contra o Fascismo e em Defesa da Democracia, ainda que esta brasileira insuficiente, não há Caminho do Meio.

Responder

abelardo

02 de novembro de 2019 às 17h40

Imagino, que não foi só para o estadinho que Dilma disparou essa imensa trolha. A potência da verdade de Dilma também bombardeou em cheio O Globo, a Folha de SP, a Veja, a Isto é, a Época e todo o lixo que se transformou a suposta grande mídia nacional. Que os canalhas e patifes da grande mídia nacional entubem, com areia e tudo, a trolha de Dilma de bicos calado e humilhados merecidamente pela covarde demonstração de dependentes das essa molas governamentais.

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