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Débora Calheiros: Sociedade vai ter de escolher entre conservar o Pantanal ou gerar 2% de energia


12/09/2012 - 17h20

Débora Calheiros: “As 135 hidrelétricas previstas para a região têm  alto risco de alterar o pulso dos rios do Pantanal e afetar a produção pesqueira, a segurança alimentar de pescadores e ribeirinhos,  a pesca profissional e a atividade turística da região”. Foto: Arquivo pessoal 

por Conceição Lemes

Desde a Constituição de 1998, o Pantanal Mato-Grossense é considerado Patrimônio Nacional. A partir de 2000, por decisão da Unesco, é reconhecido também como Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera.

Maior planície inundável do planeta, ele se estende por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (a maior parte), Bolívia e Paraguai. A sazonalidade regular das cheias e secas dos rios que o formam determina a abundância e exuberante diversidade de seus animais, incluindo os peixes, e plantas.

A questão é que se prevê para essa área a construção de 135 usinas hidrelétricas — a maioria de pequeno porte –, sendo que 44 já estão em operação. Elas podem acarretar danos irreparáveis aos ecossistemas pantaneiros e às populações ribeirinhas, alertam pesquisadores e a Rede Pantanal de ONGs e Movimentos Sociais.

“São previsões baseadas em pesquisas científicas; impactos graves já aconteceram em outros rios e bacias do país após os barramentos”, adverte a bióloga e cientista Débora Calheiros, que, em entrevista recente, ao Viomundo, denunciou: “As135 hidrelétricas previstas na região têm alto risco de alterar o pulso de cheias e secas dos rios do Pantanal e afetar diretamente a produção pesqueira e a segurança alimentar de pescadores e ribeirinhos, bem como a atividade econômica da pesca profissional e turística da região”.

Débora troca em miúdos:

* O pulso de inundação do ecossistema, também conhecido como período de cheia e seca anual, tende a sofrer distorção com a implantação de reservatórios para aproveitamento hidrelétrico.

* Em conseqüência, a subida e descida das águas não estará mais condicionada ao fluxo natural dos rios, mas às necessidades de produção de energia elétrica de todo o país, coordenada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), via Sistema Interligado Nacional (SIN).

* Resultado: alteração do funcionamento ecológico do Pantanal, impedindo a migração de peixes, fluxo de nutrientes e organismos e a recomposição das pastagens nativas. Com isso, diminuirá a produção pesqueira, afetando os pescadores, turismo de pesca e a produção pecuária tradicional, entre outros problemas.

Além disso, segundo o próprio setor elétrico (EPE), o potencial hidrelétrico do Pantanal já está sendo explorado em nível elevado .

“Cerca de 70% da capacidade de geração de energia da bacia do Alto Paraguai [ onde se localiza o Pantanal] já está instalada e produzindo energia. Os 135 projetos, entre os atuais e os previstos, representam apenas cerca de 2% do fornecimento de energia para o país”, avisa Débora. “O professor Dorival Jr, da Federal de Mato Grosso, lembra ainda que só o que Itaipu verte [deixa de movimentar as turbinas e produzir energia] é praticamente o mesmo que a Bacia do Alto Paraguai tem potencial para gerar. Portanto, a sociedade brasileira e pantaneira precisa decidir, agora, o que quer para o seu futuro próximo: gerar 2% de energia para o Brasil ou conservar o Pantanal.”

Há 26 anos Débora investiga a ecologia de rios e planícies de inundação e há 23 trabalha na Unidade Pantanal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).  É considerada uma experiente pesquisadora na questão.

Devido principalmente às suas críticas à construção de um poluidor pólo siderúrgico e gás-químico no Pantanal e, mais recentemente, à implantação de 135 usinas hidrelétricas sem avaliação do efeito sinérgico de todos esses empreendimentos, Débora tem sido alvo de censuras e represálias.

Por exemplo, de 2008 a 2010, a Embrapa retirou-a das representações oficiais sobre gestão de recursos hídricos e bacias hidrográficas da região pantaneira, bem como das discussões no Conselho Nacional de Recursos Hídricos sobre a implantação de hidrelétricas na bacia.

Porém, em 23 de agosto, Débora, seus colegas pesquisadores e a Rede Pantanal de ONGs, apoiados decididamente pelos ministérios Público Federal (MPF) e Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul, tiveram uma primeira vitória. Foi na Justiça.

JUSTIÇA SUSPENDE LICENÇA AMBIENTAL PARA 135 HIDRELÉTRICAS NO PANTANAL

A 1ª Vara da Justiça Federal de Coxim (MS) determinou a suspensão de licenças para hidrelétricas no entorno do Pantanal até que estudos de impacto ambiental acumulado sejam realizados e aplicados. A medida atinge todas as usinas. Ou seja, as que estão em projeto ou em fase de instalação, assim como as já em operação; neste caso, as autorizações não serão renovadas enquanto os estudos não forem concluídos.

A decisão, em caráter liminar, foi a pedido do MPF e do MPE-MS, que entraram com ação civil pública contra União, estados de MT e MS, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul).

Segundo a decisão judicial, existe “prova inequívoca” de que os empreendimentos estão sendo instalados sem a observância das normas protetivas básicas, que inclui o prévio estudo de impacto ambiental em toda a Bacia do Alto Paraguai.  A bacia é formada por áreas elevadas (planalto) que circundam a planície pantaneira. As barragens para as hidrelétricas estão sendo construídas na área de transição planalto-planície dos principais rios formadores do Pantanal, aproveitando o desnível e queda de água para aproveitamento

A decisão enfatiza:

“Diante de tão claro arcabouço normativo tendente à preservação ambiental, somente um espírito apegado aos sofismas e ilusões poderia subtrair razão à pretensão dos requerentes”.

Ainda acrescenta:

“Não há nenhuma razão plausível para se prosseguir sujeitando, por mais um dia que seja, o ambiente pantaneiro a riscos tão consideráveis”.

Caso a decisão judicial seja descumprida, a multa por licença expedida é de R$ 100 mil.

Atualmente, as licenças ambientais são fornecidas individualmente, considerando cada empreendimento hidrelétrico. Contudo, salientam o MPF e o MPE-MS na ação:

“… em um bioma complexo e sensível como o Pantanal, não basta somar os impactos individuais, é preciso analisá-los em conjunto, considerando toda a Bacia do Alto Paraguai”.

“Sem o devido estudo do impacto acumulado das atividades e de medidas eficazes para evitar o colapso do sistema, danos irreversíveis podem ser causados ao meio ambiente e às mais de 4 mil famílias que dependem exclusivamente da Bacia para sobreviver. Reflexos ainda devem ser sentidos no turismo, na agricultura e na pesca, além de prejuízos a sítios arqueológicos da região”.

“Admitir a continuidade da expansão do setor elétrico na Bacia na qual está inserido o Pantanal, sem o adequado estudo de impactos cumulativos de empreendimentos hidrelétricos, é ato contrário à lei e à Constituição, capaz de ferir de morte um dos biomas mais notáveis do mundo”.

“A via judicial foi a única forma de obrigar os órgãos ambientais a realizar a Avaliação Ambiental Estratégica e prevenir futuros danos”

 “A Avaliação Ambiental Estratégica deve ser realizada em toda a Bacia do Alto Paraguai, incluindo os estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso. O estudo deve ter como base um bibliografia especializada e contar com a participação de setores científicos e da sociedade civil organizada”.

“Apesar das censuras e perseguições na Embrapa, valeu a pena não abrir mão dos fundamentos científicos, legais e éticos, que regem o meu trabalho”, festeja Débora.  “Ter nosso trabalho respeitado pelos colegas, pelo MPF, MPEs e agora pela Justiça é muito gratificante.”

Débora move processo contra a Embrapa por danos morais e sofrimento no trabalho (assédio moral).  A Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho de MS ratificaram os argumemtos da empresa de  que a cientista seria “ideológica e insubordinada”.

“Como puderam sustentar esta argumentação sem quaisquer provas?”, questiona Débora. “Ideológico é quem não informa a sociedade ou não permite deliberadamente o direito inequívoco à informação, à livre discussão com base em argumentação científica numa sociedade democrática. Por isso, reitero, a decisão da Justiça sobre as hidrelétricas foi muito gratificante.”

“Tomara que os gestores ambientais e de energia passem a olhar com mais cuidado para o Pantanal”, prossegue Débora. “Não podemos continuar a ter a mentalidade dos anos 70, ou seja, crescimento econômico para pequena parte da sociedade e custos sociais e ambientais para a maioria.”

MINISTRA IZABELLA REÚNE-SE COM MOVIMENTOS SOCIAIS E SARNEY FILHO PROMOVE AUDIÊNCIA

No dia 28 de agosto, um novo avanço: mais de 1 ano após ser solicitada, representantes da Rede Pantanal foram recebidos em audiência pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O tema da reunião foi, claro, a conservação do Pantanal, em especial a proliferação de hidrelétricas sem qualquer planejamento. Eles entregaram à ministra uma carta (íntegra aqui) e um dossiê baseado em pesquisas científicas, reivindicando uma decisão do Ministério sobre a questão e que a região faça parte da agenda da sua agenda.

A assessoria de imprensa de Izabella Teixeira informa que:

 “a ministra determinou que vários setores do ministério analisem o problema e as possíveis soluções, que passam pela atuação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Agência Nacional de Águas (ANA)”.

Outro avanço – e este já decorrente da decisão da Justiça de paralisar as licenças ambientais para hidrelétricas no Pantanal. No dia 6 de setembro, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, o deputado Sarney Filho (PV-MA), convocou reunião para debater a questão.

Ainda sem data marcada, ela deverá ocorrer após as eleições municipais. O deputado argumenta: “É uma questão relevante e gravíssima porque o Pantanal é hoje um destino ecoturístico do mundo e o ecossistema convive perfeitamente com a atividade econômica. Na medida em que se mexe no ecossistema e se cria o desequilíbrio, aquilo pode ir tudo por água abaixo”.

Para debater o tema, serão convidados os governadores de MT e MS, a bióloga Débora Calheiros, além de representantes do MP e da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Energia Elétrica.

“Esta audiência pública será de extrema importância para a região pantaneira e a sociedade em geral”, vislumbra Débora. “Poderemos, enfim, esclarecer por que é absurdo implementar 100% de aproveitamento hidrelétrico no Pantanal em detrimento dos usos múltiplos dos recursos hídricos e dos serviços ambientais que a sociedade regional usufrui há centenas de anos.”

           BACIA DO ALTO PARAGUAI

 

A área em branco corresponde à Bacia do Alto Paraguai; em verde, ao Pantanal. Os traços em azul são os principais rios da região

AS HIDRELÉTRICAS DO PANTANAL

As assinaladas com bolinha preta são as que geram menos de 1 MW; as bolinhas azuis, de 1 a 30 MW; e as vermelhas acima de 30 MW. Os círculos transparentes indicam as já em operação; os quadrados vazados, às planejadas

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35 comentários

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15 de setembro de 2012 às 23h26

[…] Leia também: Débora Calheiros: Sociedade vai ter de escolher entre conservar o Pantanal ou gerar 2% de energia […]

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Thaliana Piovezana

15 de setembro de 2012 às 22h56

A construção das 135 hidrelétricas no Pantanal irá causar grandes impactos ambientais,pois afetará a biodiversidade do ambiente , além de atingir muitas famílias que dependem exclusivamente da Bacia para sobreviver. Reflexos ainda devem ser sentidos no turismo, na agricultura e na pesca, atividades que promovem o desenvolvimento econômico da região.Portanto, é necessário avaliar se o aproveitamento de 2% de energia para o Brasil ,é mais importante que a conservação do Pantanal.

Responder

Thaís de Lelis - ENSA

15 de setembro de 2012 às 10h21

É complicada a situação. Devemos pensar no alto consumo de energia, e nas consequências (negativas) que a construção de uma usina hidroelétrica pode causar. Os impactos ambientais são enormes, mas ninguém está disposto a deixar de consumir em prol do Pantanal ou de qualquer construção que possa afetar o meio ambiente. Devemos ter consciência também que não é somente a fauna e flora, mas os pescadores e todos os que sobrevivem do rio serão afetados. Por essas e outras razões, hoje, a palavra SUSTENTABILIDADE, se tornou tão importante.

Responder

FrancoAtirador

13 de setembro de 2012 às 19h33

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STJ MANTÉM SUSPENSÃO DAS OPERAÇÕES DA CHEVRON E DA TRANSOCEAN NO RJ
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STJ
DECISÃO

Mantida suspensão das atividades de empresas acusadas pelo vazamento de óleo na Bacia de Campos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que determinou a suspensão, no prazo de 30 dias, de todas as atividades de extração e transporte petrolífero da concessionária Chevron Brasil Upstream Frade e da operadora de sondas Transocean Brasil, sob pena de multa diária de R$ 500 milhões.

A liminar foi concedida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) em processo a que as empresas respondem por dois vazamentos de petróleo ocorridos no Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ), em novembro de 2011 e março de 2012.

A liminar determinou também que as duas empresas adotem os procedimentos necessários ao integral cumprimento do plano de abandono de poço, com fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), sob pena de multa no mesmo valor.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública, requerendo a condenação das empresas ao pagamento de R$ 20 bilhões de indenização por danos ambientais e a paralisação definitiva de todas as suas atividades no Brasil.
Adicionalmente, requereu a concessão de liminar para determinar a suspensão dos trabalhos das empresas, até o julgamento do mérito da ação, sob pena de multa diária de R$ 500 milhões.

Em primeira instância, a liminar foi indeferida.
O MPF recorreu ao TRF2, que deu provimento à medida de urgência.
Segundo o entendimento do tribunal regional, o direito ambiental se pauta na aplicação do princípio da precaução, que preconiza a adoção de medidas eficazes para evitar ou minimizar a degradação do meio ambiente, sempre que houver perigo de dano grave ou irreversível.

Para o TRF2, a reincidência nos danos causados pelas atividades de exploração petrolífera, aliada à falta de equipamentos para identificar a origem dos vazamentos e conter os incidentes e à negligência quanto aos procedimentos de restauração das condições de segurança da plataforma, demonstram que as empresas se encontram incapacitadas para operar os poços em segurança.

ANP

A ANP pediu ao STJ a suspensão da liminar, alegando que sua concessão provocaria grave lesão à segurança, à ordem econômica e social e à ordem jurídica e administrativa.

Afirmou que a suspensão imediata das atividades no Campo de Frade representa grave lesão à segurança do meio ambiente e de parte dos recursos petrolíferos pátrios, patrimônio da União.
Mencionou que as atividades e estudos que estavam sendo executados pela Chevron seriam comprometidos, “trazendo impactos diretos ao meio ambiente e atrasos no conhecimento geológico da área e da estrutura de reservatórios”.

A respeito da grave lesão à ordem econômica e social, a ANP mencionou que o impedimento de realizar perfurações no Brasil implicaria a rescisão dos contratos de outras empresas com a Transocean, que atualmente é a empresa do ramo com maior participação no país, opera em várias regiões e conta com a força de trabalho de dois mil empregados.
Desse modo, “as empresas de petróleo que operam no Brasil, em especial a Petrobras, levariam anos para firmar novos contratos”, disse.

Afirmou que a reentrada de um poço é operação que envolve altos custos e riscos. “Um abandono que não esteja calcado na boa técnica pode pôr a perder um poço em que já foram investidos milhões de reais, além de comprometer a segurança operacional e ambiental”, disse a agência.

Quanto à grave lesão à ordem jurídica e administrativa, a ANP sustentou que a decisão judicial proferida não poderia substituir a atuação da administração pública, a menos que houvesse alguma ilegalidade ou ausência de razoabilidade do ato administrativo, o que, segundo ela, não teria sido comprovado.
Em seu entendimento, a presunção de legitimidade de sua atuação deveria permanecer.

Precaução

Para o ministro Felix Fischer, presidente do STJ, se considerados os dois graves acidentes, bem como a falta de condições apresentadas para a implantação do plano de abandono do poço, “nota-se não ter sido descabida a interferência do Poder Judiciário, que, com sua atuação, visou exclusivamente tutelar o meio ambiente”.

Em relação à afirmação da ANP, de que a suspensão imediata das atividades no Campo de Frade poderia causar danos ao meio ambiente, Felix Fischer verificou que foi justamente o princípio da precaução que norteou a decisão de segunda instância.

“A combatida decisão não apenas consagrou o princípio da precaução, como também, conferiu eficácia ao princípio da prevenção, haja vista o conhecimento notório dos danos que podem advir da atividade interrompida, tudo isso em homenagem ao princípio do desenvolvimento sustentável, vetor do direito ambiental, previsto no texto constitucional”, afirmou o ministro.

Ele mencionou que a ANP não demonstrou de que forma a interrupção dos estudos realizados pela Chevron seria mais prejudicial ao meio ambiente se comparada ao prosseguimento das atividades da empresa.

Demonstração objetiva

O ministro afirmou que, para a suspensão da liminar, é insuficiente a mera alegação de que a decisão do TRF2 poderá causar grave lesão à economia pública. “Deverá haver a demonstração cabal e precisa, com o devido lastro probatório, de que a ordem econômica será gravemente afetada pela decisão que se pretende suspender”, disse o presidente do STJ.

Além disso, ele afirmou que não houve a demonstração objetiva dos valores que caracterizariam a grave lesão, nem mesmo da iminência de significativo prejuízo aos cofres públicos.

Quanto às alegações de lesão à ordem jurídica e administrativa, Fischer disse que não devem ser consideradas no exame da medida excepcional: “O pedido de suspensão deve limitar-se a averiguar se a decisão impugnada possibilita a ocorrência de grave lesão aos bens legalmente tutelados, não constando daí a mencionada lesão à ordem jurídico-administrativa.”

Por fim, o ministro afastou a alegação de incompetência do Poder Judiciário no âmbito administrativo, pois o acórdão do TRF2 destacou a prevalência do princípio da precaução, “que norteia as matérias atinentes ao meio ambiente, em detrimento de qualquer regra jurídico-administrativa”, concluiu.

http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=106951

Responder

Porco Rosso

13 de setembro de 2012 às 15h28

A sociedade tem que escolher? E desde quando a escolha da sociedade conta quando os industrias já fizeram a escolha deles?

Responder

    Alexandre Carlos Aguiar

    13 de setembro de 2012 às 16h07

    Bom, a SOCIEDADE fez a sua manifestação contra Belo Monte e dificilmente ela sai. A não ser que seja imposta à força.

    Porco Rosso

    13 de setembro de 2012 às 21h49

    Belo Monte está a pleno vapor e vai sair, sim, mesmo desrespeitando a Constituição de 88, a OIT e a OEA.

    Caso contrário, como a China e a Índia vão conseguir alumínio?

Alcides Faria

13 de setembro de 2012 às 13h57

Os 2% lá de cima estão errados! Deve ser no máximo 0,2%. Antes de mais nada mirem na perda de trabalho com o impacto sobre a pesca. Corumba tem 30% dapopulação ligada a atividade.

Responder

LEANDRO

13 de setembro de 2012 às 12h19

É só 15 o número de empresas que conseguiram o desconto de 28% na conta de energia, são só 15 em todo o país. A maior parte siderurgia e alumínio. Vamos destruir um ecossistema único para prover de energia produtores de matéria prima que vão alimentar a industria de manufaturados no exterior e aí importamos deles os bens com maior valor agregado. É uma ótica idiota. Porque nenhum país desenvolvido quer industria de alumínio em seu território? Destruir para encher o bolso de meia dúzia de empresários?

Responder

Alexandre Carlos Aguiar

13 de setembro de 2012 às 11h06

Está muito óbvio que o governo Lula e o da Dilma transformaram o país. É evidente, mais claro que a luz solar, que o Brasil se desenvolveu em 10 anos o que nunca tinha conseguido desde o descobrimento. Estamos na iminência de nos tornaros uma nação poderosíssima. Mas, isso tem um preço.
Agora é a hora da parcimônia. Saber construir com sustentabilidade, dentro dos parâmetros do bom senso. Produzir, produzir, produzir e vender, vender vender seria melhor entendido se se perguntasse para a China como isso foi feito.
A demanda por energia é inevitável, mas deve ser reconsiderada.
O Pantanal, assim como grandes ecossistemas nacionais podem e devem ser explorados, desde que não se acabe com a galinha dos ovos de água.
Porque, a se pensar que pode tudo, certamente encheremos de usinas naquela região, secaremos o lugar e sobrará apenas uma boa área para estacionamentos.
É esse o desenvolvimento que queremos?

Responder

    Marcelo de Matos

    13 de setembro de 2012 às 11h40

    Então por que não criticamos aqui os produtores de carvão, que inclusive utilizam trabalho escravo. Eles estão desmatando os dois matogrossos e, também, qualquer mato fino que apareça pela frente. E os criadores de gado que secam as baias dos rios, que são criatórios de peixes, para aumentar a área plantada de capim? Será que ganhamos alguma coisa para ficar aqui falando mal só do governo?

    Alexandre Carlos Aguiar

    13 de setembro de 2012 às 13h35

    Olha, Marcelo, não acho que se esteja faladno mal do governo ao tratar desse assunto. O que se está fazendo é uma análise crítica das escolhas. Isso o próprio governo faz em suas reuniões internas, e não se sabe de qualquer caso em que alguém tenha saido da reunião mudando de partido, por ter ficado indignado.
    Fazer a escolha entre desenvolvimento a qualquer custo ou sustentável é da ordem de qualquer governo e de qualquer sociedade que se pretende civilizada. Aliás, é uma discussão de Estado. E o Estado brasileiro, após a gestão de Lula e agora da Dilma, está no caminho certo do amadurecimento político suficiente para discutir tais questão sem ninguém ficar de biquinho.
    A respeito dos carvoeiros, fala-se deles, sim, mas eu entendi que o assunto em tela era a questão das hidroelétricas.

    LEANDRO

    13 de setembro de 2012 às 14h02

    A mesma ótica da defesa do mensalão..”os outros também fizeram, então, sou inocente”. Isso não é partidarismo é fanatismo.

    renato

    15 de setembro de 2012 às 19h16

    Palavras sábias e pausadas. Assim dá gosto discutir.
    Sabemos hoje que ao se falar em modificação do Natural,
    já nos deixa em estado de alerta e isto é bom, precisaríamos
    receber mais notícias verdadeiras e não politicas!
    Pelo menos para opinar como simples seres humanos de uma
    sociedade em crescimento.
    Mas quanto ao Marcelo Matos é verdadeiro o que ele diz?
    Se for? O mal é o mesmo; ou pior é predador!Assassino!Injusto!
    Irrecuperável.
    Se Marte tivesse água, seria verde!!!
    É assim quando falam de Natureza eu fico maluco, sinto uma secura na garganta!

Débora Calheiros

13 de setembro de 2012 às 10h51

Apenas para complementar e contribuir para o debate:

No horário de pico, apenas o consumo de energia para os chuveiros elétricos representa cerca de 13% do consumo nacional… num país tropical (!!) com uma das maiores incidências de radiação solar do planeta… Poder-se-ia optar para tanto o uso de uma fonte de energia como a solar, ou não?

Já há danos causados pelas hidrelétricas já em operação… Comunidades ribeirinhas e pescadores profissionais sem fonte de renda e de alimento…

Observem no texto:

Segundo o professor Dorival Jr, da Federal de Mato Grosso, somente o que Itaipu verte [deixa de movimentar as turbinas e produzir energia] é praticamente o mesmo que a Bacia do Alto Paraguai tem potencial para gerar…

Dá apra pensar né??

Responder

    Lu Witovisk

    13 de setembro de 2012 às 17h28

    Pois é Debora, com o sistema de aquecimento solar para agua, feito de garrafa pet, caixas de leite e canos, que funciona em SANTA CATARINA (no sul, onde é mais frio e faz menos sol que o resto do país) poderiamos aquecer chuveiros de muitas casas e livrar uma parcela dos 13%.

    Mas e vontade de fazer isso?? o povo desinformado acha que é gambiarra, que isso, que aquilo… ai o painel solar é caro… e assim ninguem se mexe.

    Parabens a você pela luta.

Lu Witovisk

13 de setembro de 2012 às 10h02

Mais uma reportagem que entra para o meu arquivo pessoal intitulado “nós não precisaríamos nos preocupar com isso se este governo realmente governasse para o povo”.

Que SANDICE é essa?? quanta irresponsabilidade!! Ta na hora do povo parar e pensar: nos temos que reduzir as coisas em nossas vidas, temos que reduzir os carros, o consumo de energia. Mas o que vejo é: comprem!! comprem carro, comprem linha branca, o Brasil é prospero. QUAL Brasil será prospero sem reforma agraria, com o avançar do agronegocio coorporativo, com as populações tradicionais em risco?? QUAL Brasil eles querem?? QUAL Brasil nós queremos??

Abaixo esta M de sistema falido, abaixo a esse desenvolventismo entreguista (SIM) da Dilma. Temos que nos virar para virar este jogo e rapido!

Parabéns a Debora que não pára de gritar. 2% de energia ou o Pantanal parece piada… irracional.

Responder

Mardones Ferreira

13 de setembro de 2012 às 10h01

Em nome do desenvolvimento, o governo teme em atropelar os procedimentos essenciais para implantação de uma usina num bioma como o Pantanal. É de dar inveja aos modos dos ditadores.

Responder

Marcelo de Matos

13 de setembro de 2012 às 09h51

O que há por trás dessa resistência à instalação de usinas hidrelétricas no pantanal não é mais, nem menos, que ataques ao governo Dilma, por razões políticas. Os grupos da oposição, do PIG e da ultraesquerda patrocinam ações judiciais para barrar as construções. Não raro, encontram juízes babões que dão guarida a seus pedidos: “Não há nenhuma razão plausível para se prosseguir sujeitando, por mais um dia que seja, o ambiente pantaneiro a riscos tão consideráveis”. O pantanal está sujeito, sem dúvida, a inúmeros riscos. O rio Paraguai deixou há muito de ser navegável por conta do assoreamento promovido pelos criadores de gado. Os produtores de carvão, fornecedores de siderúrgicas, completaram a obra destruindo a mata ciliar. A campanha promovida por esse pessoal não é contra os verdadeiros destruidores do pantanal: é apenas contra o governo. É claro que as hidrelétricas causam impacto, mas, são um mal necessário. Não sobreviveremos sem energia e, entre a nuclear e a hidrelétrica, mil vezes essa última.

Responder

    antonio rodrigues

    13 de setembro de 2012 às 10h35

    Voce conhece o Pantanal?
    Caso conheça e mesmo assim mantenha a sua opinião, a coisa é seria.
    O Pantanal é um dos maiores tesouros da terra.
    Os turistas estrangeiros quando ali chegam ficam maravilhados.
    Os brasileiros nem tanto.
    Muitos preferem transformar tudo aquilo em represa de hidroelétrica,”para esquentar a água do chuveiro”.
    Se o Pantanal fosse bem explorado turisticamente, teríamos uma gigantesca Disney, trazendo recursos para o pais.
    Não existe nada parecido com o Pantanal no planeta.
    Infelizmente, é bem provável, vamos destruir também o Pantanal.
    Sera um dos maiores erros que o pais cometera contra seu patrimônio.
    Em futuro próximo iremos nos arrepender amargamente por essa fata de visão.
    Mas sera tarde, não terá volta.
    Ao mesmo tempo “os chuveiros” poderão ser esquentados por placas solares ou outras tecnologias que estão surgindo em velocidade.
    Esses bilhões investidos nessas hidrelétricas poderiam estar sendo usados na busca de novas tecnologias, na substituição por usos mais eficazes de energia.
    Continuamos na contramão da historia.

    Marcelo de Matos

    13 de setembro de 2012 às 11h28

    Grande Antônio. Conheço, sim, o pantanal. Já estive pegando sacos de peixe lá no rio Miranda. Estão destruindo essa maravilha. Os produtores de carvão destroem a mata; os pecuaristas acabam com as baias dos rios, que são criatórios de peixes, para aumentar a área plantada de capim. Com ou sem usinas hidrelétricas esse bioma irá para o saco. O pessoal aí não está preocupado com o fim do pantanal, mas, com o fim da Dilma. Essas críticas são apenas ataques políticos.

Patrick

13 de setembro de 2012 às 09h00

É inconcebível defender essas hidrelétricas enquanto não se cobrar preços de mercado da energia fornecida à indústria de alumínio.

Responder

Rasec

12 de setembro de 2012 às 23h28

Ah, meu pai! O povo da Marina Traíra! Haja saco, paciência…
Quero ver quando faltar energia elétrica nos chuveiros
“Existem 140 usinas hidrelétricas hoje; são responsáveis por 84% da energia elétrica consumida no Brasil. 

Em todo o planeta, a fonte de eletricidade mais usada é o carvão mineral (40%), maior emissor de CO2. Mais de 65% da geração de eletricidade mundial provém de fontes fósseis (carvão mineral, gás natural e dieesel) de alta emissão de CO2. O uso de fontes renováveis e de baixa emissão não ultrapassa 13% na média mundial; limita-se a 7% nos países ricos. No Brasil é de 47%, sendo a hidroeletricidade a grande responsável por esse trunfo.

Impedir o sucateamento desse patrimônio representa, em si, um ganho ambiental inestimável. Hoje talvez ele estivesse comprometido se a lógica vigente nos anos 90 ainda comandasse o Estado brasileiro”. Saul Leblon

Responder

    Leonardo Varallo

    13 de setembro de 2012 às 03h59

    Acho engraçado, Rasec, que a justificativa para a construção da usina seja a mesma, sempre.
    Em primeiro lugar os milaborantes dados sobre produções de energia no brasil e no mundo que por si só não justificam nada. Sim, é preciso de argumentos, apresentar dados é simplesmente reproduzir informações e pouco acrescentam em um debate.

    A sua frase “Quero ver quando faltar energia elétrica nos chuveiros” representa claramente uma lógica utilitarista baseada em modelo de conforto-absoluto justificada no anseio de uma população contemporânea abdusida por uma vida “tecnológica”, “confortável”, “consumível”, mas muito pouco reflexível. A frase ainda justifica a possível destruição de muitas vidas vegetais, animais e humano-sociais em benefício simbólico da população, mas qual população?

    Seus argumentos desenvolvimentistas baseiam-se na lógica adotada pelo governo federal de “aumentar o bolo ao mesmo tempo que se reparte”, porém a sustentação desse modelo pressupõem um CRESCIMENTO, que é diferente de Desenvolvimento(Pedro Abramovay), infindável. A justificativa social me parece incompatível com a possibilidade de manutenção e democratização do uso da energia.

    E não seja farsante seu tecnicista fajuto, apresente os dados sobre os setores de maior consumo energético da sociedade brasileira.
    Não supreendentemente verá que a Industria está em primeiro lugar com cerca de 100 TWh a mais que o segundo colocado: consumo residencial.
    Conclui-se, assim, que o consumo será para a industria e não para a população, na mesma justificativa de crescimento. Um crescimento discutível, muito discutível.

    Gerson Barbosa

    13 de setembro de 2012 às 05h22

    Se essa energia elétrica for pra usar chuveiro elétrico, nós aqui do Pantanal dispensamos. Aqui, nesse calor, só tomamos banho frio.
    Quanto a chamar de “povo da Marina Traíra” todo aquele que se preocupa com questões ecológicas pertinentes, trata-se de um reducionismo babaca.

    Marcelo de Matos

    13 de setembro de 2012 às 11h34

    Não necessariamente no chuveiro elétrico. Pode ser, também no Georjão, ou no George Foreman Grill, aquela grelha elétrica que aparece nas propagandas do Polishop, na TV. Nela você pode assar com facilidade o pacu e o pintado. Bom apetite.

    Lu Witovisk

    13 de setembro de 2012 às 09h53

    Cara, vc parece que lê mas não entende… haja paciencia para tipos como vc, isso sim.

    Athos

    13 de setembro de 2012 às 10h08

    Concordo plenamente Rasec.

    São os traíras de sempre.
    Colocam um número qualquer e chamam de absurdo.
    Listaram usina de 1mw, uahauhuahuauha, só pode ser piada.

    E tem mais, 44 já estão em operação. Então, não seria mais simples MOSTRAR os danos causados?


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