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Diário da Resistência


Ciro Gomes: “Está acontecendo uma escalada do golpe com apoio da oposição e Temer, amigo íntimo de Eduardo Cunha”
Política

Ciro Gomes: “Está acontecendo uma escalada do golpe com apoio da oposição e Temer, amigo íntimo de Eduardo Cunha”


21/09/2015 - 17h34

ciro-gomes

Derrubar Dilma terá um preço muito alto, diz Ciro Gomes

BERNARDO MELLO FRANCO, COLUNISTA DFOLHA

Depois de um período que batizou de “desintoxicação da política”, o ex-ministro Ciro Gomes, 57, voltou à cena atirando. Recém-filiado ao PDT, ele acusa a oposição e o vice-presidente Michel Temer de apoiarem uma “escalada do golpismo” contra a presidente Dilma Rousseff.

Ciro diz que o Brasil viverá “momentos tensos” de radicalização política se a Câmara autorizar a abertura de um processo de impeachment.

Na última quarta-feira (16), ele foi lançado pré-candidato à Presidência em 2018. Já disputou o cargo duas vezes, em 1998 e 2002, quando recebeu 10,2 milhões de votos.

*

Folha – Como o sr. vê a articulação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff?

Ciro Gomes – A democracia está ameaçada pelo golpismo. Está acontecendo uma escalada do golpe com apoio da oposição, que não aceitou o resultado das eleições.

Não gostar do governo não é causa para impeachment. Isso é um mecanismo raro, a ser usado em caso de crime de responsabilidade imputável direta e dolosamente ao presidente. Ninguém tem nada disso contra a Dilma.

Seria muito caro o preço de uma interrupção do mandato. É só olhar a Venezuela. Quem produziu aquele quadro lá foi esse tipo de antagonismo odiento. O país vai viver momentos tensos e graves, vizinhos à violência, por causa desses loucos.

Quem iria às ruas defender o mandato de Dilma?

Estarei na primeira fila. Muitos brasileiros vão se perfilar. Não é para defender a Dilma, é para defender a regra. Veja o que já aconteceu quando um mandato foi interrompido por renúncia, suicídio ou impedimento.

O impeachment pode ser a catarse de quem está zangado, mas no dia seguinte os problemas serão os mesmos. Só que agora o PT, a CUT e os servidores estarão em pé de guerra com um presidente sem legitimidade.

Uma parte das pessoas está nisso de boa fé porque não sabe que quem assume é o vice, Michel Temer, que é do PMDB e amigo íntimo do Eduardo Cunha. Mas tem pessoas de muita má-fé.

A quem o sr. se refere?

A Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso. O PSDB está fazendo isso por pura vingança. Em 1999, quando houve a desvalorização violenta do real e a popularidade do presidente foi ao chão, o PT começou com o Fora FHC.

O comportamento do Fernando Henrique é constrangedor. Como dizia Brizola, ele está costeando o alambrado do golpe. Qual é a proposta do PSDB? Ficar contra o fator previdenciário e a CPMF, que eles criaram? Contra o ajuste fiscal, que eles introduziram como valor supremo?

Por que Dilma está tão fraca?

O maior problema do governo não é o escândalo, é a mentira. A zanga do povo não é propriamente com a corrupção, que é chocante, mas com o sentimento de ter sido enganada. A gente votou em um conjunto de valores e está recebendo o oposto.

O governo tem que se reorganizar politicamente e fazer uma gestão econômica coerente com o discurso que lhe deu a vitória. Ainda há tempo. O problema é que ela não tem projeto nem equipe.

A equipe da Dilma é de quinta, salvo exceções. Quem bota a [ex-ministra] Ideli Salvatti para tomar conta de uma situação dessa complexidade está pedindo para morrer.

Aí ela entrega a coordenação política ao vice, que distribui todos os cargos importantes ao PMDB e depois lava as mãos e sai. É uma coisa de cinema, rapaz. E os escândalos da Dilma 2.0 vão surgir dos nomeados por ele.

Nunca vi um vice-presidente se mexer tanto. O Temer foi dar palestra para um movimento que está no golpe contra a Dilma e fez uma frase que não admite dupla interpretação. Onde está escrito na Constituição que uma presidente com 7% [8%, segundo o Datafolha ] de aprovação não se aguenta no cargo?

Ele quer a cadeira dela?

Vá ver se o José Alencar [vice de Lula], na crise do mensalão, saiu fazendo palestra e dizendo que era preciso achar alguém para unir o país. Eu costumo não ser idiota.

Como vê o novo pacote fiscal ?

É ilusionismo, mas 70% não sai do papel. E a medida mais importante [a recriação da CPMF] não podia ter sido anunciada daquele jeito.

A receita está despencando por causa da recessão que esses malucos estão produzindo. Se o governo não atrapalhasse com a taxa de juros, o Brasil poderia achar o caminho antes do que se supõe. O governo está atrapalhando.

Hoje a inflação é provocada por câmbio e preços administrados, dois setores sobre os quais os juros não têm o menor efeito. E os maiores bancos estão tendo lucro 40% acima do ano passado. Estão ganhando com a crise.

O sr. quer disputar o Planalto?

Acho extemporâneo falar de candidatura agora. Mas eu já fui candidato duas vezes, não posso disfarçar.

O PDT é seu sétimo partido. Como explica tantas mudanças?

Minha vida partidária é uma tragédia, muito ruim mesmo. Mas mudo de partido, não de convicções. Tenho 26 anos de vida pública e nunca respondi a um inquérito.

Pedetista se recusou a apoiar Fora FHC

O ex-ministro Ciro Gomes fez oposição firme ao governo Fernando Henrique Cardoso, mas foi contra o movimento Fora FHC, liderado por petistas que queriam tirar o tucano da Presidência em 1999.

Terceiro colocado na eleição do ano anterior, ele criticou o grupo e disse que o Brasil corria risco de entrar em uma “guerra civil”.

Ciro apoiou o impeachment de Fernando Collor, em 1992, e foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, que o substituiu. Ele diz não ver semelhanças entre Dilma e Collor.

Na época, sustenta, havia provas contra o presidente e a ação foi assinada “por um conjunto respeitabilíssimo de entidades”, incluindo a OAB.

“Não foi um ex-petista aborrecido, que já não está no seu melhor momento”, diz, criticando o advogado Hélio Bicudo, 93, que pediu o afastamento de Dilma.

“E o vice era Itamar, um homem decente que deu ordem ao país”, acrescenta.

 Leia também:

PMDB de Minas contra o golpe





13 comentários

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Marlene

24 de outubro de 2015 às 21h31

De uma coisa tenho certeza, a maioria iria em frente pra defender o mandato de Dilma, pois acreditamos na mudança e na democracia. Este é o primeiro Partido Político que enfrenta forças e países poderosos, não se intimidando. E, quem conhece um pouco da História Política do Brasil, e suas relações com outros países, sabe muito bem a que me refiro: dominação e subordinação, aliadas a corrupção, que sempre permeou a relações políticas, desde a sua colonização.

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Assim Falou Golbery

24 de setembro de 2015 às 15h14

do mesmo jeito que ex-pig é hoje petista de primeira, ex-arenista, psdbista, como Ciro, é melhor para o petismo do que muitos petistas

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FrancoAtirador

22 de setembro de 2015 às 03h50

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Diálogo do Jornalista Fernando Brito, no Brizolista Tijolaço,
com Saul Leblon, Editor da Agência Carta Maior,
Luiz Gonzaga Belluzzo, Economista, na Carta Capital,
e Sergio Buarque de Holanda, das “Raízes do Brasil”:
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“As Raízes de um Brasil Insulado em Elites Indiferentes ao Destino Coletivo”
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Por Fernando Brito, no Tijolaço
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Tempos atrás, Saul Leblon, na Carta Maior, relembrava que Sergio Buarque de Holanda antevia,
em 1936, “as Raízes de um Brasil Insulado em Elites Indiferentes ao Destino Coletivo”,
onde o Engenho “era um Estado Paralelo ao Mundo Colonial”.
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– Ninguém desfruta 388 anos de Escravidão impunemente, escreveu.
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”Os Alicerces do Engenho [da Casa Grande Branca e da Senzala Negra]
ficaram Marmorizados no DNA Cultural das Nossas Elites:
Nenhum Compromisso com o Mundo Exterior, Exceto a Pilhagem e a Predação;
Usos e Abusos para Consumo e Enriquecimento”.
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(http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Raizes-do-Brasil-no-levante-dos-bisturis-ressoa-o-engenho-colonial/28899)
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O Artigo de Luiz Gonzaga Beluzzo, na Carta Capital, faz uma Reflexão Amarga
sobre a ressurgência deste sentimento, quase um apartheid atávico,
que nos retira ainda a condição de nação,
porque é uma partição interna própria das colônias esta falta de identidade.
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Os “dois Brasis”, a “Belíndia”, o “Primo Rico e o Primo Pobre”, o “horror a pobre”
podem ser balelas na economia, mas são realidade nas superestruturas ideológicas
da sociedade brasileira.
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E isso contamina, com me ensina o mestre Nílson Lage, até mesmo parte de sua pseudo-esquerda, mesmo diante dos perigos de ruptura da trajetória democrática e inclusiva recente, acha que se deve cuidar das pequenas vitória das “minorias”, enquanto a maioria se arrebenta.
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Um Certo Brasil
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Por Luiz Gonzaga Beluzzo, na Carta Capital
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Um grande e velho amigo tem o hábito de estender a mão, cumprimentar e conversar com os funcionários ao chegar à sua empresa.
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Pergunta pela família, quer saber dos filhos, os pequenos, os adolescentes e os crescidos.
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Brinca com os torcedores adversários nas derrotas de seus times e até mesmo ironiza os fanáticos da sua banda futebolística.
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Numa dessas, estendeu a mão para cumprimentar o jardineiro recém-chegado.
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Ele cuidava das orquídeas e bromélias espalhadas à frente do edifício da diretoria.
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Diante da mão estendida, o jardineiro mostrou as mãos sujas de terra e sacudiu os braços em um gesto de frustração.
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Meu amigo não desistiu: abraçou o artesão da natureza.
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O trabalhador ficou surpreso e no almoço com os companheiros não se cansava de dizer:
nunca havia sido tratado “dessa maneira”.
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“Essa maneira” revela muito mais do que um abraço.
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O abraço e seu reconhecimento, mais o reconhecimento do que o abraço,
revelam as entranhas de um certo Brasil.
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Os habitantes desse país dentro do País não veem as pessoas.
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As pessoas, gente, humanos, eles e elas, aqueles que começaram a aparecer nos aeroportos,
nos supermercados, nos shopping centers, percebem que os de cima sentem que “eles não são o que nós somos”.
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Não conseguem reconhecer o outro.
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Convivem no mesmo território, mas não frequentam a mesma sociedade.
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Querem dizer: eles não são nossos semelhantes.
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São nossos servidores.
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Na onda de louvação das virtudes do mundo globalizado,
a rejeição ao “nacional” atingiu camadas profundas das almas excelentes.
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A nova rejeição é mais profunda porque, de forma devastadora,
erodiu os sentimentos de pertinência à mesma comunidade de destino,
suscitando processos subjetivos de diferenciação e desidentificação em relação aos “outros”,
ou seja, à massa de pobres e miseráveis que “infesta” o País.
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E essa desidentificação vem assumindo cada vez mais
as feições de um individualismo agressivo e antirrepublicano.
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A rejeição também foi mais ampla porque essas formas de consciência social
contaminaram vastas camadas das classes médias: desde os “novos” proprietários,
passando pelos quadros técnicos intermediários até chegar aos executivos assalariados
e à nova intelectualidade formada em universidades estrangeiras ou mesmo em escolas locais
que se esmeram em reproduzir os valores do individualismo agressivo.
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Isso para não falar do papel avassalador da mídia…
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(http://www.cartacapital.com.br/revista/867/um-certo-brasil-6636.html?utm_content=buffer4500c&utm_medium=social&utm_source=plus.google.com&utm_campaign=buffer)
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(http://tijolaco.com.br/blog/beluzzo-a-elite-brasileira-nao-reconhece-nosso-povo)
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Responder

FrancoAtirador

22 de setembro de 2015 às 02h56

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PARLAMENTARES CORRUPTOS DA OPOSIÇÃO AO BRASIL TENTAM DERRUBAR
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A DECISÃO DO SUPREMO QUE PROIBIU DOAÇÕES EMPRESARIAS A POLÍTICOS.
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A FAMIGERADA PEC 113/2015, APROVADA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
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POR MANOBRA DE EDUARDO CUNHA, ESTÁ AGORA NO SENADO FEDERAL.
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(http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/122759)
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(https://youtu.be/KF_PVLhxuJY)
(http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2015/09/18/pec-retoma-polemica-das-doacoes-empresariais-para-campanhas)
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Responder

FrancoAtirador

22 de setembro de 2015 às 00h57

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O Ciro sabe que eles não querem eleições antecipadas
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e que também não pretendem pegar o bonde andando.
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Na realidade, o que PPSDemB e parte do PMDB desejam
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é o Afastamento Temporário da Presidente da República,
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ou, no mínimo, mantê-la sob Ameaça, para implementar
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o Programa de Desmanche das Estatais e do Setor Público.
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Responder

    FrancoAtirador

    22 de setembro de 2015 às 00h59

    .
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    E de Crise em Crise, de Pacotão em Pacotão, vai-se o BraSil
    .
    e com ele a Esperança de Distribuição da Riqueza do País.
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    .

lulipe

21 de setembro de 2015 às 21h21

Esse coitado morreu politicamente e ainda não sabe….

Responder

    FrancoAtirador

    22 de setembro de 2015 às 03h02

    .
    .
    É. Só os Políticos Tucanos Sobreviveram.
    .
    Avis Rara.
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    .

    José C.Filho

    22 de setembro de 2015 às 13h46

    O Ciro está em melhor saúde e prestígio que o seu menino bebum Aécio. Do FHC. nem se fala, é uma ave empalhada sem nenhum valor histórico ou arqueológico.

marco

21 de setembro de 2015 às 20h09

Sr.Ciro.Com todo o respeito,não existe hipótese de golpe,até porque esses BANANAS não tem nem apoio externo!É um bando de ‘BANANAS”,das podres,que nem inteligência tem! Um dos lideres é um deputado paulista,que mais lembra um DEMENTE!

Responder

C.Paoliello

21 de setembro de 2015 às 18h49

Ele fala muito contra o golpe mas quando houve a manifestação dos líderes partidários contra o impeachment não houve assinatura nem presença de nenhuma liderança do PDT. Por quê?

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