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Carta Maior: Dilma enfrenta a pátria rentista, a mídia uiva
Foto oficial da reunião dos BRICS. Foto: Roberto Stuckert Filho/Blog do Planalto
Política

Carta Maior: Dilma enfrenta a pátria rentista, a mídia uiva


29/03/2013 - 14h02

Na África, a presidenta afirmou que não elevará a ração dos juros reivindicada pelos batalhões rentistas, a pretexto de combater a inflação. Foto oficial da reunião dos BRICS. Foto: Roberto Stuckert Filho/Blog do Planalto

por Saul Leblon, em Carta Maior

Uma dia de estupefação e revolta no circuito formado pelos professores banqueiros, os consultores e a mídia que os vocaliza.

Na reunião dos Brics, na África do Sul, nesta 4ª feira, a presidenta Dilma afirmou que não elevará a ração dos juros reivindicada pelos batalhões rentistas, a pretexto de combater a inflação.

A reação instantânea das sirenes evidencia a cepa de origem a unir o conjunto à afinada ciranda de interesses que arrasta US$ 600 trilhões em derivativos pelo planeta.

Equivale a dez voltas seguidas no PIB da Terra.

Trinta e cinco vezes o movimento das bolsas mundiais.

Os anéis soturnos desse garrote reúnem – e exercem – um poder de extorsão planetária, capaz de paralisar governos e asfixiar nações.

Gente que prefere blindar automóveis a investir em infraestrutura. O Brasil tem a maior frota de carros blindados do mundo.

E uns R$ 500 bi estocados em fundos de curto prazo; fora o saldo em paraísos fiscais.

Carros blindados, dinheiro parado, paraísos fiscais e urgências de investimento formam a determinação mais geral da luta política em nosso tempo.

Em Chipre, como lembra o correspondente de Carta Maior em Londres, Marcelo Justo, o capital a juros compunha uma bocarra equivalente a 67 bilhões de euros, uns US$ 90 bilhões de dólares.

Três vezes o PIB. De um país com população menor que a de Campinas.

A fome pantagruélica desse organismo requeria rações diárias indisponíveis no ambiente retraído da crise mundial.

A gula que quebrou Chipre é a mesma que já havia quebrado a Espanha, Portugal, Irlanda, Islândia e alquebrado o mercado financeiro dos EUA.

A falência cipriota assusta o mundo do dinheiro não por suas dimensões.

Mas porque ressoa o uivo cavernoso de uma bancarrota, só anestesiada a um custo insustentável na UTI mundial das finanças desreguladas.

No Brasil o mesmo uivo assume o idioma eleitoral ao gosto do dinheiro graúdo: ‘dá para fazer mais’.

O governo Dilma acha que sim.

Mas com a expansão do investimento produtivo. Não com arrocho e choque de juros.

O país ampliado por 12 anos de políticas progressistas na esfera da renda e do combate à pobreza, não cabe mais na infraestrutura concebida para 30% de sua gente.

A desproporção terá que ser ajustada em algum momento.

Como o foi, com viés progressista e investimento pesado, durante o ciclo Vargas.

Sobretudo no segundo Getúlio, nos anos 50.

Mas também o foi em 64.

Em versão regressiva feita de arrocho e repressão contra as reformas de base de Jango, no golpe que completa 49 anos neste 31 de março.

O que se assiste hoje guarda uma diferença política importante em relação ao passado.

Nos episódios anteriores, o conflito de classe entre as concepções antagônicas de desenvolvimento seria camuflado pela vulnerabilidade externa da economia.

Um Brasil estrangulado pelo desencontro entre a anemia das exportações e o financiamento das importações colidia precocemente com o seu teto de crescimento.

O gargalo do investimento se realimentava no funil das contas externas. E vice versa.

Era um prato cheio para o monetarismo posar de arauto dos interesses da Nação. E golpeá-la, com as ferramentas recessivas destinadas a congelar o baile.

‘Quem está fora não entra; quem está dentro não sai’.

Durante séculos, essa foi a regra do clube capitalista brasileiro.

Hoje, embora a pauta exportadora se ressinta de temerária concentração em commodities, não vem daí o principal obstáculo ao investimento.

O país dispõe de reservas recordes (US$ 370 bi). Tem crédito farto no mercado internacional. O relógio econômico intertemporal é favorável ao financiamento de um ciclo pesado de investimentos em infraestrutura.

Quem, afinal, veria risco em financiar a sétima economia do planeta, que, em menos de uma década, estará refinando a pleno vapor as maiores descobertas de petróleo do século 21?

O desencontro entre o Brasil que somos e aquele que podemos ser deslocou-se do gargalo externo, dos anos 50/60/80 para o conflito aberto entre os interesses da maioria da sociedade e os dos detentores do capital a juro.

Assim como em Chipre, na Espanha, nos EUA ou em Paris, o rentismo aqui prefere repousar num colchão de juros reais generosos, blindado por esférico monetarismo ortodoxo.

Migrar para a esfera do investimento produtivo, sobretudo de longo prazo, como requer o país agora, não integra o seu repertório de escolhas espontâneas.

Cabe ao Estado induzi-lo.

Dilma começou a fazê-lo cortando as taxas de juros.

A pátria rentista reclama:no primeiro trimestre deste ano, praticamente todas as aplicações financeiras perderam para a inflação. Ficou difícil multiplicar lucros e bônus sem botar a mão na massa da economia produtiva.

É essa prerrogativa estéril que os professores banqueiros do PSDB cobram pela boca e pelo teclado do jornalismo econômico, escandalizado com a assertiva defesa do desenvolvimento feita pela presidenta Dilma.

Presidenciáveis risonhos que se oferecem untados em molhos palatáveis às papilas monetaristas e plutocráticas vão aderir ao jogral.

“Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença está datado; é uma política superada”, fuzilou Dilma.

Previsível, o dispositivo midiático tentou desqualificar o revés como se fora uma demonstração de ‘negligência com a inflação’.

Um governo que trouxe 50 milhões de pessoas para o mercado de consumo minimizaria a vigilância sobre a inflação?

Sacaria contra o futuro do seu maior patrimônio político?

A sofreguidão conservadora esmurra a própria coerência de sua análise sobre a força eleitoral do governo.

O governo Dilma optou por abortar as pressões inflacionárias imediatas com desonerações. E enfrentar o desequilíbrio estrutural com um robusto ciclo de investimentos.

Entende que o desafio da produtividade, indispensável à progressão dos ganhos reais de salários, deve ser vencido com infraestrutura e inovação. Não com arrocho, como se fez nos anos tucanos.

São lógicas dissociadas da receita rentista.

Aqui e alhures, a obsessão mórbida pela liquidez descolou-se da esfera patrimonial para a dos rendimentos financeiros. Não importa a que custo social ou político.

Sua característica fundamental é a preferência parasitária pelo acúmulo de direitos sobre a riqueza, sem o ônus do investimento físico na economia.

A maximização de ganhos se faz à base da velocidade e da mobilidade dos capitais, sendo incompatível com o empenho fixo em projetos de longa maturação em ferrovias, hidrelétricas ou portos.

Durante a década de 90, as mesmas vozes que hoje disparam contra o que classificam como ‘intervencionismo da Dilma’, colocaram o Estado brasileiro a serviço dessa engrenagem.

A ração dos juros oferecida no altar da rendição nacional chegou a 45%, em 1999.

Um jornalismo rudimentar no conteúdo, ressalvadas as exceções de praxe, mas prestativo na abordagem, impermeabilizou essa receita de Estado mínimo com uma camada de verniz naval de legitimidade incontrastável.

A supremacia dos acionistas e dos dividendos sobre o investimento –e a sociedade– tornou-se a regra de ouro do noticiário econômico.

Ainda é.

A crise mundial instaurou a hora da verdade nessa endogamia entre o circuito do dinheiro e o da notícia.

Trata-se de uma crise dos próprios fundamentos daquilo que o conservadorismo entende como sendo ‘os interesses dos mercados’. Que a mídia equipara aos de toda a sociedade.

Dilma, de forma elegante, classificou essa ilação como uma fraude datada e vencida. De um mundo que trincou e aderna, desde setembro de 2008.

A pátria rentista uiva, range e ruge diante de tamanha indiscrição.

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28 comentários

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Guanabara

30 de março de 2013 às 11h16

Beleza. Concordo com o artigo. Mas há certas coisas que observo no país, que não sei como serão lidadas nessa possível nova realidade. Explico:

Infelizmente, vejo a maioria, talvez a totalidade, dos empresários NO Brasil, sufocarem suas próprias empresas para obter o lucro quase que exclusivamente para si, ou, ainda, como grandes jogadores. Não investem na criação de uma empresa pensando em desenvolvimento ou até mesmo crescimento do negócio. Ou tiram o máximo delas até quebrar, saindo da empresa com muito dinheiro limpo no bolso às custas de pagar miséria a seus funcionários (que efetivamente o fizeram ter esse dinheiro), ou vendem a empresa, repetindo a consequência supracitada.

Não vejo mais no Brasil o autêntico empreendedor. Aquele que vê uma oportunidade de negócio, e quer fazê-lo com gosto, investir em qualidade. E, sinceramente, (chute meu…), acredito até mesmo que esse comportamento hoje em dia, se partindo de um brasileiro, para criar uma empresa brasileira competitiva seja, até mesmo, desencorajado.

Sugiro assistirem ao documentário Panair do Brasil, que mostra um Brasil que já existiu e foi, devidamente, sufocado até acabar.

Responder

Carlos N Mendes

30 de março de 2013 às 05h55

A pseudoimprensa brasileira agiu muito mais como avalista do crime de lesa-Pátria perpetrado pelo PSDB do que como um agente de informação. Não foi fiscal, investigadora, agente da verdade; foi CÚMPLICE, foi conivente, lucrou e tirou dividendos desse apoio travestido de jornalismo. E ainda fez seus leitores pagarem por essa propaganda política. Resumindo, um grande ato de estelionato para legitimar um golpe.

Responder

Marcos C. Campos

30 de março de 2013 às 00h29

Ainda faltou dizer Saul Leblon,

Responder

    Marcos C. Campos

    30 de março de 2013 às 00h30

    que: com tanto papel moeda circulando o planeta, como podem querer juros mais altos se o capital está disponível, ao contrário de épocas anteriores ?

Maria Ines Reinert Azambuja

29 de março de 2013 às 23h47

Estou nos EUA…interessante como as coisas funcionam diferentemente nos dois países… No Brasil, se o consumo aumenta, as empresas dão um jeito de aumentar os preços para ganharem mais sem aumentarem a oferta… Aqui é o contrário… elas investem em tecnoloia que aumente a produtividade e baixam os preços para ganhar mais vendendo por menos para mais gente…

Acho que ainda temos que aprender o capitalismo básico…

Responder

Maria Thereza

29 de março de 2013 às 21h59

Eles podiam começar a pensar em trablahar.

Responder

Carlos N Mendes

29 de março de 2013 às 21h52

Vi meu pai, vítima da estupidez administrativa do então presidente José Sarney, passar seus imóveis aos três filhos com medo de perdê-los para um banco. Sua fracassada tentativa de se esabelecer como pequeno comerciante quase arruinou a família. O banco? O banco LUCROU com abancarrota de meu pai. Teria lucrado com seu sucesso também, mas que diferença faz para um sequestrador se o refém vive ou morre, se o resgat é pago de qualquer maneira? Aprendi da pior maneira que banqueiros estão em outra dimensão aquém da humana. Jamais fiz empréstimo, e usei o limite de meu cheque-ouro por apenas 24 horas ao longo das 201.480 horas que tive direito de usá-lo. Não se dá asa para cobras – e todo mundo deveria saber o que acontece quando elas as conseguem.

Responder

    Lafaiete de Souza Spínola

    30 de março de 2013 às 11h58

    É um conluio entre bancos, governos aliados que dormem sonhando com o financiamento privado jorrando para a reeleição e a lavagem de dinheiro que prospera com toda liberdade.

    VOCÊ SABIA?

    O tema é sumamente importante! Pura verdade!

    ESTE RELATO NÃO É DO CONHECIMENTO DE GRANDE PARTE DA NOSSA POPULAÇÃO.

    A classe média prefere simular que nada vê, nada sabe.

    1. Que em entrevista, ao jornal A TARDE, Salvador, em 2001, alguns empresários declararam, desonestamente, que “O SIMPLES NACIONAL estava destruindo médias empresas”? Um dos postulantes ao Min das Micros e Pequenas Empresas sabe do que estou dizendo.

    2. Que, em seguida a essa orquestração, o governo de então, publicou o decreto do imposto antecipado? Que o governo posterior deu continuidade e ampliou a aplicação desse decreto? Agora, está colhendo o que semeou.

    3. Que os médios e grandes empresários pagam esse imposto no dia 25 e recebem de volta, na forma de crédito, no dia 09 do mês seguinte?

    4. Que em outros estados, dessa malfadada federação, criaram o imposto substituição, eliminando, também, as vantagens do simples nacional?

    5. Que as micros e pequenas empresas pagam em definitivo esses impostos, aumentando, assim, a sua carga tributária? Que isso não é justo? Que isso fere os princípios da nossa Constituição?

    6. Que a Constituição Federal declara a necessidade de um tratamento diferenciado para as micros e pequenas empresas, como um meio de protegê-las? Que as pequenas empresas empregam mais, proporcional e quantitativamente, que as grandes? Que isso induz à conhecida e nefasta informalidade? Que isso incrementa o contrabando, incentiva o tráfico e facilita a lavagem de dinheiro?

    7. Que, em lugar dessa proteção, o poder do ESTADO (legislativo, executivo e judiciário) não tem aplicado essa orientação da nossa Constituição? Pois:
    As micros e pequenas empresas têm o mesmo tratamento judicial das grandes empresas.
    O tratamento FISCAL é similar ao das grandes empresas, talvez pior.
    Julgam que os pequenos podem ter advogados, consultores, contadores e recursos humanos, como as grandes.
    Consideram que os pequenos e micros devem acompanhar O DIÁRIO OFICIAL etc.
    Para quem não tem outra alternativa, sobra a informalidade que se institucionaliza.

    8. Que o custo financeiro dos bancos, para com os pequenos empresários é, em geral, superior a duas vezes ao exigido para os grandes? Que dificilmente, devido às exigências, um pequeno empresário consegue empréstimo do BNDES? Que esses recursos, normalmente, são alocados para os grandes? Que muitos deles dão verdadeiros golpes?

    9. Que por tais entraves, cerca de 90% das pequenas empresas fecham as portas nos primeiros 10 anos, deixando toda uma sequela para os seus proprietários? Que são enormes os prejuízos causados por esse constante abre e fecha de empresas?

    10. Que esse tratamento vil é um dos principais fatores que levam muitas pequenas empresas à informalidade, para sobreviver? Que um país não tem futuro assim?

    11. Que a lavagem de dinheiro, além de incentivar o consumo de drogas, está também corroendo a vida das micros e pequenas empresas? Que só combatendo essa lavagem será possível minorar a criminalidade e dar fôlego às pequenas empresas?

    12. Que a Lei Geral foi aprovada como se fosse um presente, uma benesse, para os pequenos empresários?

    13. Que as pequenas empresas estão no SIMPLES, não são do SIMPLES? Que não pode haver, por exemplo, qualquer atraso no pagamento de um parcelamento de dívida, pois serão descredenciadas? Que exigem uma petição para recredenciamento, para aquelas que conseguiram quitar seus débitos, como se os pequenos empresários não tivessem seus duros afazeres diários? Atrasos nos pagamentos, só para os grandes empresários. Que no penúltimo refis, muitas grandes empresas optaram pagar à vista suas dívidas, dando a entender que não faltavam recursos disponíveis. Aos micros não permitiram o parcelamento. Descredenciaram todas, centenas de milhares.

    14. Que as pequenas empresas, portanto, não podem/podiam parcelar dívidas? Que o parcelamento, é, também, um ato de benesse?

    15. Que os Estados e Prefeituras podem, a qualquer momento, de acordo com o humor do governante, decretar impostos como o antecipado, acabando com essas “benesses”? Que não é esse o país que desejamos, porém, pouco temos feito para mudá-lo? Que BENESSES, de verdade, são oferecidas às multinacionais, como às montadoras de automóveis e outras grandes empresas, potenciais financiadoras de eleições?

    16. Que a maioria dos sistemas de automação comercial recebeu ou recebe homologação dos governos estaduais, sem o menor critério, apresentando falhas aberrantes, bugs de toda espécie? Que essa situação pouco tem mudado?
    Que milhões de máquinas para emissão de cupons fiscais estão sendo sucateadas, em todo Brasil, com a troca por outros modelos? Que tudo isso é definido por meia dúzia de pessoas, à revelia dos interesses dos pequenos empresários. Que os principais beneficiados por tais medidas são empresas multinacionais?
    Que cada máquina sucatada custou cerca R$ 1.200,00? Que essas máquinas, mesmo depois de terem recebido a cessação de uso, devem ser guardadas pelo pequeno empresário como sucata, por anos, sem que ele possa vendê-las? É o país dos absurdos!

    17. Que implantam sistemas de controle, como o SINTEGRA, a toque de caixa, com muitas falhas, pois, como o asfalto das nossas estradas, esses sistemas estão sendo, constantemente remendados, gerando transtornos e multas aos pequenos? Que tudo isso é inócuo, pois o sonegador, geralmente, recebe a mercadoria de grandes contrabandistas?

    Que o pior de tudo, já não é o tradicional descaminho e sim empresas que lavam o dinheiro sujo? Que neste caso, não há pequeno empresário, e até médio, honesto que possa sobreviver? Já leu Gomorra, livro de Roberto Saviano que descreve como cerca de 50% do comércio, no Sul da Itália, caíram nas mãos dos mafiosos? Já pensou o que deve estar passando no Brasil? Você já leu os livros e artigos do grande Juiz Fausto de Sanctis?

    “É preciso distinguir entre a reciclagem local e internacional. O primeiro caso é ilustrado de maneira exemplar pela cidade de Reggio, na Calábria, 190 mil habitantes na ponta da “bota”. Corso Garibaldi: 02 km de butiques ultrachiques ao longo de uma via reservada aos pedestres. Pode-se adquirir o que há de melhor em matéria de moda e design: roupas assinadas por Valentino ou Calvin Klein, bolsas Vuitton ou móveis Armani. Mas estas butiques estão vazias. Ninguém compra nada! Um mistério logo explicado por Vicenzo Macri, magistrado: “Estas lojas não são mais que vitrines; pouco importa que não vendam nada; o proprietário emite a cada noite tíquetes de caixa como se houvesse vendas. E assim é lavado o dinheiro sujo da droga…”.

    18. Que mesmo, assim, continuam cobrando multas pela falta de entrega desses arquivos que pouco servem? Que a prioridade seria combater o fenômeno da lavagem do dinheiro sujo.

    19. Que é injusto usar as micros e pequenas empresas como cobaias de desenvolvedores, e ainda aplicando as devidas multas?

    20. Que o sistema federativo não ajuda, só atrapalha? Pensou, também, nisso? Com um PAÍS UNITÁRIO a lei do SIMPLES não seria burlada por estados e prefeituras.

    21. Que temos o dever de saber, discutir, e mostrar soluções para todas as mazelas, que não são poucas, desse nosso país?

    22. Finalmente, você sabia que para abrir e colocar em funcionamento uma microempresa o proprietário necessita de muito tempo e dinheiro? Que a CEF, hoje, cria obstáculos para abrir uma conta corrente e efetuar uma certificação digital para os pequenos empresários?
    Que devido a isso, muitos, não suportando esses entraves, terminam entrando pelo caminho tortuoso da informalidade?

    A solução não é retornarmos ao mundo do século XVIII, incentivando os horríveis instintos animalescos dos empresários. Aliás, em pleno século XXI, estamos vendo isso mundo afora.
    A lavagem de dinheiro, a corrupção e o crime organizado dão exemplos abundantes!

Fabio Passos

29 de março de 2013 às 21h06

O PiG esta em campanha pelo retorno do parasitismo rentista com demissoes em massa e recessao.
Enfim… o PiG esta com saudades do pior presidente da historia do Brasil: fhc.

Acabar com o PiG e pre condicao para o Brasil se tornar uma nacao soberana, prospera e justa.

Responder

Lula: “Prioridade em todos os Estados é reeleger Dilma” « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de março de 2013 às 19h09

[…] Carta Maior: Dilma enfrenta a pátria rentista, a mídia uiva […]

Responder

Leonardo

29 de março de 2013 às 18h13

Vamos lá Dilma! Continue com o discurso na prática e aumente o salário mínimo para o R$ 2.674,88, segundo Dieese para 2013. É o melhor remédio para a economia real! De resto são só notícias, balelas para acalmar o mercado, que não nos interessam só corroboram para manutenção da nossa situação miserável e escrava, porque os juros praticados continuam sendo os maiores do mundo!

Vai uma sugestão pra finalizar, não seria mais interessante fazer render no Brasil a altas (IGPD-DI + juros de 6 a 7% ao ano) taxas de juros a reserva internacional de cerca de 400 bilhões de dólares “investidas” nos EUA a taxas de poupança nacional?

Chega de balela, isto ta parecendo uma trama de filme em que os adversários fora do holofote são amigos íntimos!

Responder

    RicardãoCarioca

    30 de março de 2013 às 09h07

    Falou o defensor dos governos tucanos que sequer conseguiram, em 8 – OITO! – anos elevar o salário mínimo para míseros US$100,00 conforme prometido já na primeira campanha… Hoje temos o mínimo acima de US$300,00.

    O salário mínimo ainda não é o sugerido pelo Dieese, mas nunca o salário mínimo se aproximou tanto dele quanto nos governos dos últimos dez anos, desde a redemocratização.

    A alienação do PiG e o descolamento da realidade vivida pela oposição demotucana estão transformando seus militantes em “Dons Quixotes”. Ridículos.

Tomudjin

29 de março de 2013 às 18h13

Pelo jeito, nossa famigerada oposição vai processar a Dilma novamente – com o auxílio luxuoso do STF – por insistir em posar de vermelho na foto.

Responder

João Bosco Rcoha

29 de março de 2013 às 17h45

Excelente artigo.

Responder

Mineirim

29 de março de 2013 às 17h03

É tudo igual, mesmo. A frase acima sintetiza tudo: “A supremacia dos acionistas e dos dividendos sobre o investimento –e a sociedade– tornou-se a regra de ouro do noticiário econômico”. Eu já disse isso aqui antes, mas vou repetir: outro dia ouvi o presidente da Cemig na TV (uns 30 segundos). Ele repetiu a palavra investidor umas 5 ou 6 vezes. Não se referiu, em nenhum momento, aos consumidores. Os mineiros já sentem esses efeitos, pois depois da privatização (disfarçada) da Cemig as quedas de energia (só para ficar no exemplo residencial) aumentaram significativamente. Basta aumentar a umidade relativa do ar para falta energia.

Responder

willian

29 de março de 2013 às 16h02

Mas afinal, ela disse ou não disse? Ela disse, depois disse que manipularam o que ela disse e agora o texto diz que ela disse. O que ela disse?

Responder

    RicardãoCarioca

    30 de março de 2013 às 09h00

    Faltou às aulas de interpretação de texto, só pode…

Roberto Locatelli

29 de março de 2013 às 16h02

A direita está mais sincera ultimamente.

1) o ministro japonês disse que os idosos tinham que morrer logo pois atrapalham a economia;

2) “especialista” da Europa disse que os europeus tinham que escolher entre capitalismo ou democracia pois não dá pra ter os dois;

3) economista tucano do Itaú disse que é preciso aumentar o desemprego, pois está baixo demais.

Será que os candidatos de direita serão sinceros assim na próxima campanha eleitoral?

Responder

    H. Back™

    29 de março de 2013 às 16h46

    Roberto; com a ajuda do PIG de cada país, não duvido nada que isso possa vir a ocorrer.

    jaime

    29 de março de 2013 às 16h53

    Muito bem Locatelli, esse bateu todos! A escolha é: ou você coloca a economia em função da pessoa, ou a coloca em função do patrimônio. Essa é a diferença entre esquerda e direita, mesmo dentro do capitalismo.

    anac

    29 de março de 2013 às 17h35

    Se não forem transparentes, trataremos de lembrar aos eleitores de qual lado eles estão.
    Pessoas da classe media que votam nos tucanos ficaram sem palavras quando viram os tucanos na defesa intransigente dos rentistas a favor dos juros extorsivos. Ingênuos, acreditaram no PiG que, para criar a cizânia e derrubar Lula, se aliava a Zé de Alencar em suas críticas a politica econômica do governo Lula.
    Rola bostas uteis dos tucanos e PiG.

    Caracol

    30 de março de 2013 às 09h11

    Eu também vinha notando isso, Roberto.
    Mas não é sinceridade não, é desespero. A coisa está ficando tão ruim pro lado deles que estão tendo que deixar de gueri-gueri e se vendo obrigados a tirar logo as calças.

RicardãoCarioca

29 de março de 2013 às 15h50

O Gloebbels noticiou que o emprego e a renda podem frear o crescimento da economia…

Vai além da panfletagem demotucana oposicionista: é bater na cara do leitor chamando-o de burro simultaneamente.

E existem imbecis nesse país que não são ricos, não são rentistas, são na verdade do povo, que defendem a classe elitista que sempre os extorquiram com juros altos, caristia, arroxo salarial e desemprego.

Para essas pessoas – em especial para alguns destes que batem ponto aqui – digo que, se querem pagar por juros altos, por contas de luz mais caras, que peguem o dinheiro que os governos Lula/Dilma lhes fizeram economizar, que vão às casas desses rentistas, batam nas portas deles e, quando lhes atenderem, entreguem suas economias a eles.

Não venham pregar que toda a nação deveria fazer isso também. Não me solidarizo com a burrice alheia.

O PiG é como uma carroça: precisa de burros para puxá-la. Se vocês gostam de vestir o garrote de bom grado, não tentem convidar aqueles que possuem o discernimento de que isso é uma coisa ruim.

Se o PiG (nada contra o setor empresarial que irei citar na hipótese a seguir) noticiasse ‘Diminuição da mortalidade infantil pode provocar crise no setor funerário.’, muito provavelmente eu experimentaria o desprazer de trazer para o meu computador os bytes que formariam os comentários de solidariedade igualmente imbecis dos seus autores àquele ramo comercial, pois viriam – infelizmente, ainda – de forma indissociável dos comentários mais sensatos.

Então, para vocês que não aceitam os benefícios sociais das eras Lula e Dilma, volto a repetir: se quiserem entregar o dinheiro que vocês possuem, advindos das políticas públicas desses dois últimos governos, aos rentistas, que façam isso vocês, sem querer que os demais façam a mesma estupidez.

Responder

    Rita Candeu

    29 de março de 2013 às 23h03

    assinando em baixo

    e a frase – “O PiG é como uma carroça: precisa de burros para puxá-la.”
    n]ao poderia ser mais perfeita

    Guanabara

    30 de março de 2013 às 11h22

    Excelente.

Urbano

29 de março de 2013 às 15h47

Natural que a mídia uive, é a loba…

Responder

SÁVIO ALENCAR SOBREIRA

29 de março de 2013 às 15h36

Excelente artigo, irretocável !!!

Responder

Lu Witovisk

29 de março de 2013 às 15h14

Gostei tanto de ouvir o âncora do noticiário dizer que a fala da presidenta desagradou o mercado! é isso aí!!! se está em desacordo com essa turma, está certa!

Responder

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