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Beatriz Cerqueira responde a colunista: acordo em Minas enterra choque de gestão tucano que destruiu educação pública


16/05/2015 - 12h33

Professores Minas e Paraná

Fernando Pimentel, lideranças políticas e sindicais anunciam o acordo (foto Décio Junior); já no Paraná do tucano Beto Richa…

por Beatriz Cerqueira, especial para o Viomundo

Quando os colunistas da revista Veja escrevem sobre educação pública, eles sabem do que estão falando? Conhecem a nossa realidade? Sabem de fato o que está nos nossos contra-cheques? Abandonariam a escola particular de mensalidades superiores aos nossos salários e colocariam seus filhos na escola pública?

Acabo de ler artigo do colunista Reinaldo Azevedo sobre o acordo assinado pelo Sind-UTE MG e o Governo do Estado no último dia 15 de maio.

Para ele tudo não passa de estratégias petistas que nada têm a ver com a educação e só tem o objetivo de constranger bons gestores como Beto Richa e Geraldo Alkmim.

Vou ajudá-lo a conhecer a realidade.  E começo convidando-o a vir a Minas Gerais, entrar numa escola estadual e conversar com um professor, qualquer escola, qualquer professor.

Vai descobrir que o PSDB, com o seu modelo de choque de gestão, destruiu a educação mineira, que os indicadores de qualidade divulgados dando a idéia de que Minas Gerais tem a melhor educação do país eram manipulados, o sistema de registro dos alunos impedia que o professor registrasse a verdade sobre o aluno em função do seu desempenho.

Vai descobrir também que os alunos não tem onde comer, porque a maioria das escolas não têm refeitório.

Faço o convite para que os colunistas que escrevem sobre escola pública matriculem seus filhos em escola que funciona em motel desativado ou em posto de gasolina. Podem escolher.

Lutamos para receber um salário, que deve ser o valor que suas esposas gastam com bolsas de marca. Embora seja lei federal, lutamos há 7 anos para receber os reajustes do Piso Salarial Profissional Nacional.

Os governadores Aecio Neves e Antonio Anastasia poderiam ter cumprido a lei, mas não o fizeram.

Receberemos isso pela primeira vez a partir do acordo que assinamos. Por aqui, quem tem mestrado recebe como se tivesse apenas licenciatura curta e quem é pós-graduado recebe como se tivesse apenas nível médio de escolaridade.

Apresentamos, incansavelmente, a reivindicação para que isso se modificasse. Conseguimos agora descongelar a carreira.

Estávamos proibidos de comer na escola, mas tenho certeza que nunca faltou aos colunistas o cafezinho e o biscoito amanteigado!

Na rede estadual são 2/3 de profissionais com vínculo precário, embora a constituição do estado determine que o ingresso no serviço público se dê por concurso público.

Começamos a mudar isso com 60.000 mil nomeações. Com a grande experiência que devem ter, os colunistas devem acreditar que esse negócio de concurso é coisa do passado, que o legal é terceirizar e contratar professor como pessoa jurídica!

Mas, na verdade, o artigo tem o propósito de defender o indefensável: Beto Richa do Paraná e a forma como trata os professores!

Mas se serve de consolo, aqui em Minas já respiramos gás lacrimogêneo. Aqui, policiais militares já despejaram gás de pimenta em nossos corpos. Por aqui também já fizemos meses de greve por uma miséria de Piso salarial cujo valor deve ser o de um jantar de fim de semana nos bons restaurantes que frequentam!

Ficamos 4 meses com corte de salários, sobrevivendo da solidariedade alheia, sendo humilhados e achincalhados por pessoas que, como você, acham que educação não é direito, é bem de consumo.

Pode ser qualquer coisa porque é para a classe trabalhadora.

A elite não se contenta em ter, precisa impedir que os trabalhadores disputem o orçamento público, a prioridade de gestão.

Se fosse um acordo com a Fiemg ou com as empreiteiras ou mineradoras estaria tudo na devida ordem, mas acordo com trabalhador? Que vai significar mais de 70% de mudança salarial?

Enquanto os “bons governadores” espancam professores e destroem a escola pública.

Parece impensável mesmo!

Também deve incomodar a nossa luta contra a invisibilidade que os governos tentam nos impor, a nossa memória de não esquecer a mão que segura o chicote e a nossa rebeldia de não aceitarmos ficar restritos à senzala e sempre incomodarmos a casa grande.

Aí o sindicato, que é a forma de organização do trabalhador, merece especial atenção para ser atacado e a luta coletiva desqualificada. A alienação do trabalhador serve bem ao sistema.

Na crítica somos meros coadjuvantes, desconhecendo os anos de lutas que travamos no estado para mudarmos a realidade! Estas críticas mostram que estamos no caminho certo. O dia que formos elogiados por vocês, será motivo para que a classe trabalhadora fique preocupada com os rumos da luta!

Por fim, faço o convite a todos que gostam de escrever sobre escola pública. Venham a Minas Gerais e vivam por um mês com os salários pagos, herança maldita do PSDB. Façam a grande descoberta de suas vidas: descubram o que é escola pública!

E o que assinamos no dia 15 de maio, não foi por bondade de governo, foi resultado de anos de luta. E continuamos mobilizados! Este documento foi o começo da recuperação do que perdemos na última década.

Aqui em Minas a pauta da educação se transformou na pauta dos movimentos sociais! Não lutamos sozinhos. E isso causa ainda mais medo na casa grande!

*****

Detalhes do acordo em Minas, da página do deputado Rogério Correia:

Servidores da Educação e Saúde aceitam proposta e fecham acordo com Governo de Minas

O Governo de Minas assinou nesta sexta-feira (15), acordo com os trabalhadores da educação, em dia histórico para a categoria, que teve sua carreira defasada em 12 anos de governo tucano no estado. O acordo vai possibilitar o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para os professores e demais profissionais da educação, entre outras conquistas. Com diálogo, transparência, sensibilidade e vontade política, o acordo é fruto de um imenso esforço do governo para valorizar os servidores da educação, reafirmando os compromissos assumidos com a sociedade e construindo as bases para o aprimoramento das políticas educacionais, com a efetiva participação de pais e alunos, trabalhadores e Governo.

Pelo acordo, será concedido reajuste de 31,78% na carreira do Professor de Educação Básica, a ser pago em dois anos, ficando assegurado o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional para uma carga horária de 24 horas semanais. O reajuste será implementado em três parcelas que serão incorporadas ao salário. A primeira delas, de R$ 190,00, corresponde a um aumento de 13,06% para o Professor de Educação Básica, e será paga mensalmente a partir de junho de 2015.

A coordenadora-geral do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, falou sobre o momento histórico para os servidores da educação no estado, que lutam pelo piso a anos. “A Assembleia da Educação aprovou a assinatura de acordo com o Governo. Conquistamos as mesmas condições para trabalhadores e aposentados. Tudo isso é resultado de muita luta, de nós não termos desistido do piso salarial”, destacou a sindicalista.

As principais conquistas da educação também foram apresentadas pela coordenadora do Sind-UTE. “Nós acabamos com o subsídio como forma de remuneração, mantivemos os níveis de percentuais da carreira, de promoção e progressão, conquistamos a garantia de reajustes anuais para todas as carreiras, não apenas os profissionais de magistério, 60 mil novas nomeações de concurso público, aprovação de perícia médica para aposentadoria de trabalhadores da lei 100, ou para os que estão em ajustamento funcional”, ressaltou.

Para o Deputado Estadual Rogério Correia, a aprovação da proposta do Governo de Minas é um feito histórico. O Deputado não deixou de falar sobre o modo petista de governar, a eficiência e o respeito com os trabalhadores. “Felizmente, depois de 12 anos de Choque de Gestão, onde os professores viam em assembleia e depois saiam em passeata pelas ruas infelizes, descontentes, reprimidos muitas vezes pela PM, isso teve fim, agora estabelece um processo de negociação”, afirmou.

As gestões tucana em outros estados não são exemplo para ninguém, segundo Rogério. “É importante ressaltar a diferença do que está acontecendo, no Paraná, com professores espancados, pela PM, a mando do governo do PSDB, a greve que já dura 60 dias em São Paulo, a greve no Pará e em Goiás, com exemplos que não devem ser seguidos”, enfatizou o parlamentar.

O deputado, ainda relembrou a época em que outros governos maltratavam a educação em Minas. “Professores recebendo Jato D’água na época do governo Francelino, lideranças ficarem presas do Dops, assisti governadores dizerem que professoras eram mal casadas, vi impedirem passeatas até a praça Sete e, por último, 12 anos desse maldito Choque de Gestão, que ficaram marcados como tragédia. Aliás, era Azeredo, Aécio e Anastasia os três ‘as’ de azar do professor”, relembrou.

A assembleia que definiu o fechamento do acordo ocorreu na quinta-feira (14), no hall das bandeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, trabalhadores e trabalhadoras em‪ educação‬ votaram e aceitaram a proposta de Governo. Após a assinatura, o documento será encaminhado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para apreciação. Para sua aplicação, o acordo deve ser aprovado pela Casa e transformado em lei. ”Como líder do Bloco do Governo na Almg, vou trabalhar com os demais deputados, para no início de junho já estar aprovado na ALMG, os professores têm pressa. E não podem esperar mais”, finalizou o deputado.

Saúde também fecha acordo com Governo

Na terça-feira (12), servidores da Saúde assinaram, também na ALMG, um acordo com Governo do Estado. Participaram da reunião representantes da Secretaria de Estado de Planejamento de Gestão (SEPLAG), Secretaria de Estado da Saúde (SES), Associação dos Trabalhadores da Fhemig (Asthemg), Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde-MG) e parlamentares.

A proposta do Governo do Estado engloba um aumento de R$ 190 para todos os trabalhadores da Saúde e a criação de um grupo de trabalho para discutir o plano de carreira da categoria, com a primeira reunião marcada para 18 de maio. Entre os pontos que serão estudados pelo grupo – formado por representantes do governo e das entidades sindicais – está a redução da carga horária, uma das principais reivindicações da categoria.

Até agosto deste ano, o grupo deverá formular um cronograma de implementação da revisão dos planos de carreira a partir de 2016. “Fizemos várias reuniões com os trabalhadores reforçando a disposição do governo de valorizar o servidor como parte essencial para a gestão eficiente do Estado. Vamos continuar buscando o diálogo, o respeito e a transparência”, afirmou a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAG), Lígia Maria Alves Pereira.

Para o diretor do Sind-Saúde, Renato Barros, as negociações avançaram nesse governo e vêm atendendo às reivindicações dos trabalhadores. “Antes, era impossível negociar com o governo. Essas reuniões não aconteciam”, diz Barros, acrescentando que o próximo passo da categoria é acompanhar a aprovação do projeto de lei que será enviado à Assembleia Legislativa.

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31 comentários

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João do Sertão

19 de outubro de 2015 às 11h38

Desmontar e destruir a educação é um dos programas de (des)governo dos Tunganos, isto ocorre no Paraná, São Paulo e ocorreu em Minas Gerais!

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Rose PE

18 de maio de 2015 às 19h20

Haddad deveria seguir o exemplo do governador de Minas Gerais e entrar em acordo com os professores do município de São Paulo , e não copiar o exemplo do picolé de Chuchu, que é ” não tem negociação”.

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Adilson

18 de maio de 2015 às 05h15

Vídeo sensacional, pau na Ana Maria e Cristiana Lobo, confira no link a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=G6fb45BBSVw

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clodoaldo

18 de maio de 2015 às 00h08

Não se iludam a Veja sabe de tudo isso, só que são contra tudo que é bom para os trabalhadores e brasileiros comuns, simples assim.

Responder

FrancoAtirador

17 de maio de 2015 às 17h36

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29 DE MAIO: DIA DE PARALISAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES
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Rumo à Greve Geral: Em defesa dos Direitos e da Democracia
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Trabalhadores e Trabalhadores de todo o BraSil Unidos!
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Contra a Terceirização, as MPs 664 e 665 e o Ajuste Fiscal
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CUT + CSP/CONLUTAS + CTB + Nova Central + UGT + Intersindical/CCT
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http://imgur.com/8nmdscI
(http://s.cut.org.br/1PlDGgj)
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Por que paramos?
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Os deputados aprovaram o PL 4330.
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Você sabe o que isso significa para nós trabalhadores? Seremos demitidos!
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Estão rasgando a CLT!
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Trabalhadores registrados serão demitidos para que terceirizados sejam contratados em seu lugar.
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Quais as consequências?
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Fim do 13º, das férias remuneradas, do FGTS, do Seguro-Desemprego e da estabilidade no emprego.
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Mesmo você, que hoje é terceirizado, também será prejudicado
com o rebaixamento geral de salários e direitos trabalhistas.
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Para lutar contra essa tragédia para nós, os trabalhadores do Brasil, estamos parando.
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Se você é assalariado, participe dessa luta, cruze os braços, para que as conquistas históricas de nossos direitos sejam respeitadas por gente como o deputado Eduardo Cunha.
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Continuaremos a pressão contra a aprovação do PL 4330, que retira direitos de todos os trabalhadores ao permitir a terceirização sem limites, em todas as funções de qualquer empresa e setor.
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Também continuaremos mobilizados contra a Medida Provisória (MP) 664, que muda as regras para a concessão do auxílio-doença e pensão por morte, e contra a MP 665, que dificulta o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial.
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Somos contra a política de ajuste fiscal que penaliza o/a trabalhador/a, que gera desemprego e recessão.
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Defendemos a Taxação das Grandes Fortunas,
como primeiro passo para uma reforma tributária em nosso País.
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Nossa luta também é em Defesa da Democracia,
especialmente na Mídia, que só mostra notícias que defendem os Patrões
que, por sua vez, visam cada vez mais lucros à custa do/a trabalhador/a.
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É ainda a Luta contra o Preconceito de Gênero, de Raça e Etnia,
de Crença, de Orientação Sexual, de Ideologia Política e outras Opressões.
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Contra a Corrupção, que se resolve com Reforma Política,
com Proibição do Financiamento Empresarial de Campanha,
e não com Golpe de Estado.
Enquanto essa forma de financiamento não for proibida,
o Sistema Político Brasileiro continuará a seguir os interesses das Empresas
que financiam as Campanhas, e não aos interesses do Povo BraSileiro.
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Apoio aos Professores de todo o Brasil!
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Dia 29 de maio completa um mês do Massacre da Polícia do Paraná,
comandada pelo tucano Beto Richa, aos Professores e à Educação.
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Total apoio às Greves de Professores que ocorrem em vários Estados do País,
esta Luta é de Todos Nós.
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“Direito não se Reduz, se Amplia!”
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(http://www.pagina13.org.br/sindical/29-de-maio-dia-nacional-de-manifestacoes-e-paralisacoes/#.VVj1j9LF8uL)
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Responder

mineiro

17 de maio de 2015 às 08h13

o modelo de choque de indigestao da tucanalha de canalha dos quintos infernos, é aquele famoso e tenebroso choque de tortura igual a turma deles que saiu ileso da ditadura assassina civil e militar que eles fazem parte. so para lembrar , torturador no chile preso, no uruguai preso , na argentina preso , no brasil fazendo passeata e fazendo self com os golpistas na avenida paulista, é mole ou quer mais. voltando ao assunto, o choque de gestao no pr, bala de borracha e gas lacrimogênio , em sp igual ou pior , nos estados governados pela tucanalha a mesma coisa. e ainda tem gente que defende esses lixos assassinos. mas é o pig , a o pig recebe dinheiro deles , o pior deles e da desgovernada russef.

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Almir

16 de maio de 2015 às 23h35

Se o governador fosse um neoliberal, tinha mandado a polícia moer os professores no cacete, com aconteceu no Paraná.

Responder

Apolônio

16 de maio de 2015 às 23h35

Parabéns pela Luta professora Beatriz ! Parabéns governador de MG, Fernando Pimentel, pois cumpriste uma de suas promessas de campanha, que foi de valorizar a educação e saúde. Isto quer queira, quer não, é mais uma faceta positiva dos governos do PT, que vem desde seus primeiros governos, que é valorizar o trabalhador. São opções claras assim, que diferencia o PT de outros partidos. PT procura tratar o trabalhador e povo de maneira melhor possível, nunca na base da chibatada. Os funcionários públicos mineiros, mormente os professores, passaram maus momentos durante os governos passados. A direita tem dado mostras, que não pode voltar tão cedo ao poder no Brasil. Espero que os brasileiros tenham juízo!

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Marat

16 de maio de 2015 às 23h27

Assim como um dia houve (mais ou menos) democracia nos Estados Unidos, no Brasil houve jornalismo. O que vemos hoje é um bando de estúpidos arrogantes (sem motivo para sê-lo, já que são muito burros!) que escrevem aquilo que o poder financeiro assim exige. Esse tal de Reinaldo e toda a escumalha que escreve naquela escória denominada “revista” são apenas uns pobres infelizes, que com seu parco aprendizado, escrevem o que lhes é mandado!

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anderson

16 de maio de 2015 às 23h02

Parabéns ao professores. Que tenham a lucidez e a energia renovada para abrir os olhos da nossa juventude com ensinamento e informação verdadeira e mais realista do que a normalmente acessada.

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Marat

16 de maio de 2015 às 22h15

Dialogar com trogloditas pagos pelos EEUU é impossível. Eles apenas repetem, como bons animais amestrados, o que o psdb e seus capos dos EEUU mandam!

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renato

16 de maio de 2015 às 21h37

Parece que Beto Richa, a Justiça, e o legislativo do Paraná, já começaram a sacar o dinheiro da Previdência dos Professores..486 milhões dos 8,2 Bilhoes.
Começou o saque..
Com isto este dinheiro deve encobrir as pegadas…

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Lafaiete de Souza Spínola

16 de maio de 2015 às 19h41

Segundo Noam Chomsky:

As classes dominantes procuram controlar o poder através de seus escolhidos, seus parceiros que têm a tarefa de manipular a educação, atuando de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.

A educação dada às classes inferiores deve ser, assim, de baixa qualidade, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores permaneça incompreensível pelas classes inferiores.

Nesse ambiente manipulado, então, os professores não devem ter relevância.

Para desacreditá-los usam de termos pejorativos com a intenção vil de atingir a dignidade desses profissionais que deveriam ser respeitados e bem remunerados.

Eles querem a predominância de uma sociedade egoísta e individualista cujo parâmetro é o mesquinho deus mercado!

Por uma educação pública de qualidade:
https://www.facebook.com/LafaieteDeSouzaSpinola/posts/459567987533948

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irineu Almeida Baptista

16 de maio de 2015 às 19h13

Apesar da boa vontade da Beatriz, infelizmente, este artigo ou resposta que ela escreveu não vai surtir nenhum efeito. O tal colunista da Veja é um grande cafajeste e, como todo cafajeste, pouco faz o que os outros pensam. O que vale é a canalhice dele p/ satisfazer a sanha odiosa dos incautos que o acompanham.

Responder

Messias Franca de Macedo

16 de maio de 2015 às 18h55

O DEMoTUCANO BETO RICHA DESMORALIZA A OPERAÇÃO LAVA JATO, o ‘miniSTÉRIO’ PÚBLICO, A PF, O PIG E “O JUIZ DO ‘braZ$il’”!

ENTENDA AS ENTRELINHAS DA LAMBANÇA!…

####################################################

RICHA DIZ QUE DELAÇÃO DE CRIMINOSO NÃO VALE

Sob pressão, governador tucano afirma que tem sido “alvo de ataques de todos os tipos”, mas que “agora passaram do limite”; “Pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores, para me acusar sem nenhuma prova”, diz Beto Richa, em vídeo no Facebook, ao negar que tenha usado dinheiro de propina em sua campanha, conforme delatou o auditor da Receita Estadual do Paraná Luiz Antônio de Souza; nessa semana, o ex-presidente Lula fez uma defesa semelhante em referência ao doleiro Alberto Youssef, delator na Lava Jato, que faz acusações sem provas contra o PT; o que o PSDB dirá neste caso?

16 DE MAIO DE 2015 ÀS 17:13

(…)

#####################

… É caso de Papuda e/ou internação em manicômio de segurança máxima (sic)?

E o golpe jurídico-midiático fazendo água por todos os lados!

Em breve, os primeiros ratos começarão a pular da canoa furada – e IMUNDA!

Ah golpistas desavergonhados!

Corruptos até a enésima geração!…

Responder

Messias Franca de Macedo

16 de maio de 2015 às 18h54

URGENTE!
[MAIS UM] ESCÂNDALO ENVOLVENDO O CONLUIO PIG/Tucanos!
INACREDITÁVEL!…
NO MÍNIMO, UMA CPMI!
E DENÚNCIA A TODAS AS INSTÂNCIAS INTERNACIONAIS!…
ENTENDA

Ontem (15/05/2015) – já da tarde da noite (sic), o portal uol/Folha estampou, no topo da página, a manchete:

Campanha de Richa recebeu R$ 2 mi de esquema, diz auditor

CARLOS OHARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LONDRINA (PR)
15/05/2015 23h26
(…)

[ http://www1.folha.uol.com.br/p… ]

Pois bem, hoje a mesma matéria foi deslocada para a parte inferior e, pasme, substituída pelo título

Acusação de auditor é ‘coisa de bandido’, diz Richa em *vídeo

CARLOS OHARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CURITIBA
16/05/2015 16h05

(…)

[ http://www1.folha.uol.com.br/p… ]

PASME: dos portais da denominada grande mídia, somente o *G1.Globo repercutiu este escândalo do PSDB do Paraná!
E, justamente, apresentando o vídeo no qual o governador Beto Richa desqualifica o delator e, pasme novamente(!), acusa o governo federal pela patifaria!

EM TEMPOS FASCIGOLPISTAS: a bem da verdade, apenas o site do jornal ‘O Globo’ reverberou a notícia!
Ainda que postada praticamente no rodapé da página principal!

*O VÍDEO – http://g1.globo.com/pr/parana/…

Richa repudia denúncia sobre propina em campanha: ‘Passaram dos limites’ – 16/05/2015 15h17

Governador postou vídeo no Facebook na tarde deste sábado (16).
Auditor disse que campanha de Richa à reeleição teve dinheiro de propina.

É surreal!
Temos que reagir!…

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia
República de ‘Nois’ Bananas

Responder

Julio Silveira

16 de maio de 2015 às 18h07

Já que foi citado no post esse instrumento panfletário da direita reacionária e entreguista chamada “oia”, fiquei de cara com a chamada publicitária numa radio daqui do estado, o RS, para esse instrumento de alienação. A chamada para ler é feita com base numa pretensa tentativa de acabar com a lava jato, por que se aproxima de Lula e Dilma. Uma voisa que me chamou atenção, quando atendia ao interesse da revista, a justiça era confiavel, agora que faz agua pelos excessos mais que demonstrados, excedendo os aspectos juridicos na condução do processo, a justiça passa a ser suspeita de atender a interesses escusos. Será que esse ato do panfleto oligarquico reacionário não é uma mera tentativa de pautar o sistema para atender a seus interesses usando o poder de sua comunicação para intimidar e constranger? Muito interessante a pegada desse detrito.

Responder

FrancoAtirador

16 de maio de 2015 às 15h49

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P’r’a Mídia-Empresa, escola boa é a que paga propaganda
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em ‘sáitis’, jornais, revistas e redes de rádio e televisão.
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Aliás, para os midiáticos de G.A.F.E.*, os melhores governos
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são sempre os que pagam gordos anúncios publicitários
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nos diversos Veículos dessas Empresas de Comunicação.
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Por exemplo, o Governo do Estado de São Paulo, do PSDB,
.
cuja Secretaria de Educação [SIC] contrata, a peso de ouro,
.
assinaturas dos jornais Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo
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e das revistas Veja /Abril/Naspers, QuantoÉ e Época/Globo,
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para serem distribuídos na rede escolar estadual paulista.
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Pra eles, Educação e Saúde são Meras Questões de Mercado.
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(https://www.viomundo.com.br/denuncias/namarianews-governo-paulista-desova-mais-de-r-155-mi-na-abril-folha-estadao-istoe-epoca-e-panini.html)
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*G.A.F.E. = Globo, Abril, Folha e Estadão
.
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Responder

    FrancoAtirador

    16 de maio de 2015 às 16h08

    .
    .
    EM 2014, A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA PARA A MÍDIA-EMPRESA
    .
    FOI MANTER O PSDB NO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
    .
    E DESTROÇAR A REPRESENTAÇÃO DA ESQUERDA NO PARLAMENTO.
    .
    AGORA, É DERRUBAR O PT DA PREFEITURA DA CAPITAL, EM 2016.
    .
    A Reeleição do Governador Tucano Paulista, já no 1º turno,
    foi a Prioridade das Prioridades do Oligopólio de G.A.F.E.*,
    uma vez que Essencial para Rede Globo, Abril et Caterva
    continuar tendo em mãos o Governo do Estado de São Paulo.
    .
    Porque, em termos Empresariais, o Estado de São Paulo (UF)
    é financeiramente Estratégico para os Negócios da Mídia,
    tanto no que se refere ao Patrocínio Estatal e Privado,
    quanto ao Número de Leitores, Ouvintes e Telespectadores,
    .
    pois esses são os Grandes Pilares de Sustentação Midiática
    na Promoção da Produção e da Divulgação dos Factóides
    que determinam a Pauta Política, Econômica e Social no País,
    através de Manchetes Escandalosas, Caluniosas e Difamatórias,
    com Destaque para os Boatos que dão Suporte aos Especuladores
    no Mercado de Ações da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA).
    .
    .
    O NOVO MARCO REGULATÓRIO ECONÔMICO DA MÍDIA-EMPRESA
    .
    Potencialmente todo ser humano está sujeito a práticas desonestas.
    .
    É precisamente por isso que existem as Leis Humanas em todos os Países.
    .
    Aliás, até Jeová teve de decretar no Sinai, no Egito, os 10 Mandamentos
    para regulamentar a Religião Judaica, depois adaptada pelo Cristianismo.
    .
    É também pelo fato de que, em se tratando de Negócios, ninguém é santo,
    que estamos propondo o Novo Marco Regulatório Econômico da Mídia-Empresa,
    contra a resistência dos autoproclamados deuses infalíveis das redações.
    .
    Até agora, através da Internet, tem-se conseguido desconstruir,
    com relativo sucesso, os principais Factóides da Mídia Bandida,
    .
    Casos Paradigmáticos foram a Bolinha de Papel do Serra, em 2010,
    e a Capa/Panfleto do PSDB do Detrito Fétido da Marginal, em 2014.
    .
    Porém, o Monopólio de G.A.F.E.* continua arbitrando e ditando a Pauta,
    selecionando os fatos, cerceando a informação ou mentindo mesmo.
    .
    Com o Poder Econômico concentrado em 4 Empresas de Comunicação,
    que formam um Cartel na Produção de Notícias com viés Partidário,
    para atendimento exclusivo ao Ambiente Corporativo dos Negócios,
    inclusive dos próprios, máxime na Indústria e no Mercado Financeiro,
    torna-se inviável ou impraticável a formulação alternativa independente
    de amplo alcance na Sociedade BraSileira, em todo o Território Nacional.
    .
    Somente com a Aprovação do Novo Marco Regulatório Econômico da Mídia
    poderemos ter, ainda, a Esperança de que, ao menos, a Verdade Factual
    possa se estender de forma clara e limpa a toda população do BraSil.
    .
    Não devemos nos acomodar à mera condição de ‘Grilos Falantes’ da Globo.
    .
    O Golpe Eleitoral da Mídia Bandida
    .
    é construído a cada dia, ano a ano.
    .
    Na véspera da votação, só se consuma.
    .
    http://imgur.com/g4GfSY4
    i.imgur.com/g4GfSY4.jpg
    .
    .

    Mário SF Alves

    16 de maio de 2015 às 20h03

    Direto ao ponto. Valeu.
    Mais uma vez, obrigado, meu caro e irredutível brasileiro FrancoAtirador. Definitivamente, o BraSil com S não entra na equação da mídia-for-da-lei.

André Luís da Silva

16 de maio de 2015 às 14h38

Acabei de almoçar e quase passei mal em saber que esses vagabundos da Veja tão se metendo falar de algo que não sabem: a educação pública estadual em Minas, deixada pela PSDB. Sou professor da rede estadual a 20 anos e venho acompanhando, de perto, essa nossa luta. Se eu encontrar esse Reinaldo Azevedo na rua, dou-lhe um tapa na cara, literalmente. Parabéns Beatriz pela nossa luta. Parabéns Fernando Pimentel pelo respeito aos professores. Parabéns Lula e Dilma pelo belíssimo trabalho que tem realizado no Brasil.

Responder

    Geraldo Maia

    16 de maio de 2015 às 23h47

    Parabéns pelo seu comentário.

Leo

16 de maio de 2015 às 13h00

Beatriz, seu artigo não se reduz a uma realidade mineira. Essa realidade é nacional. E dentro de tudo que existe de ruim na educação pública, qual é o ensino de melhor qualidade no Brasil? É esta pergunta que precisa ser respondida, mediante um “ranqueamento” dos Estados.
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Desde quando me entendo por gente, posso dizer com propriedade que o único momento em que vi boa educação foi no período dos governos militares. Depois disso, a derrocada foi generalizada!
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E quanto a matricular os filhos em colégios particulares, tenha a certeza de que até os filhos dos professores das escolas públicas optam por colocar seus filhos em instituições privadas de ensino.
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PS.: No Brasil, professores públicos, médicos públicos e os profissionais de segurança pública deveriam ser os mais bem remunerados pelo Estado. Contudo, o caos que propositalmente é implantado nesse tripé gera vultuosos lucros para a iniciativa privada. Daí vem aquela pergunta já musicalizada: “Brasil, qual é o teu sócio…”?

Responder

    Marcelo Sant'Anna

    16 de maio de 2015 às 13h48

    Caro LEo, tive espanto ao ver tua citação “o único momento em que vi boa educação foi no período dos governos militares”.
    Creio que tenha sido apenas pra você, eu e minha esposa que estudamos em colégios públicos no início dos anos 80 tivemos a pior coisa possível. Você lembra da musiquinha : colégio municipal entra burro e sai animal…
    Infelizmente ser professor no Brasil não é algo homogêneo, depende do estado, munícipio o ou nível federal. Vemos professores de prefeitura como a de Duque de Caxias no RJ com salários atraentes, enquanto a do estado do RJ vivem pela misericórdia.
    Então é preciso analisar o nível, a esfera de poder que se inseri o professor e não generalizar.
    Afinal de contas que vai falar que o ensino no Colégio Pedro II ou Escola técnica Joaquim Venâncio são de má qualidade?

    renato

    16 de maio de 2015 às 14h40

    Entendo Leo, o que falas.
    Mas para mim, assim..
    Dois filhos criados e Escola Publica.
    Um já entrou na UTFPR Ciencias da Computação.
    E esta estudando sozinho, pois quer fazer psicologia
    na UEPG.
    Uma outra que fez escola Particular por que minha
    firma fazia pela precariedade de escolas no local,
    ( 1984 ), Formou depois bem depois, pagando uma
    Universidade particular em LETRAS. Quie hoje ajuda.
    A Outra filha faz cursinho para entrar em Universidade
    Publica..e vai passar..
    PERGUNTA?
    As melhores escolas do País foram as ESCOLAS DE EDUCAÇÂO.
    Isto é fato…. Quem destruiu as Escolas de Educação Do PAÌS?

    Leo

    16 de maio de 2015 às 15h11

    Marcelo Sant’Anna, não se espante. A abertura se deu no início dos anos 80, você se lembra? E mais: o governo militar durou 20 anos. E não se limite à educação infantil, fundamental e média. Vá para as universidades também.
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    Responda-me apenas uma coisa: em que lugar o Brasil está buscando engenheiros hoje? No exterior, correto? Subtraia 30 anos, período que vai do nascimento até a solidificação no mercado de trabalho de um engenheiro. Chegamos ao ano de 1985. Tire suas conclusões…
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    Abraços.

    abolicionista

    16 de maio de 2015 às 17h42

    O que não faz a falta de perspectiva histórica. Infelizmente, muita gente repete o seu equívoco, Leo. A verdade é que a ditadura militar destruiu e a educação nacional, e o resultado está aí pra quem quiser ver. Aliás, não apenas a educação, mas a cultura como um todo. O sucateamento sistemático das instituições escolares começou no governo militar. Ocorre que você provavelmente viu, durante a ditadura, o que havia sobrado do antigo sistema educacional (que não era perfeito, verdade seja dita, uma vez que fornecia um bom nível de ensino para poucos, mas melhor do que a oferta de um ensino péssimo para muitos, como se passou a fazer durante a ditadura).

    Sob o pretexto de democratizar o ensino, a ditadura o massificou. As consequências disso, como hoje se vê, foram desastrosas.

    Talvez esse texto, uma entrevista com o professor Demerval Saviani, talvez ajude-o a entender melhor o que ocorreu (embora ele fale em “democratização” para caracterizar o plano de ensino ditatorial e eu prefira, por motivos óbvios, o termo “massificação”):

    “O regime implantado pelo golpe civil-militar de1964 produziu uma democratização do acesso à educação no Brasil, mas dentro de uma lógica de vinculação da educação pública aos interesses do mercado e de estímulo e favorecimento à privatização do ensino, afirma o pesquisador Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp e coordenador-geral do Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”, da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Essa opção da ditadura acabou gerando uma situação na qual os professores da rede pública de educação básica são formados, majoritariamente, em instituições superiores de qualidade duvidosa, o que agrava o processo de desqualificação da escola pública, disse.

    “Antes do advento da ditadura civil-militar, a oferta de ensino superior era maciçamente pública. Hoje 75% das vagas são preenchidas pelas instituições privadas, na sua maioria de caráter não universitário e de duvidosa qualidade, em contraposição às instituições públicas, na sua maioria constituída por universidades, que cobrem apenas 25% das vagas. Em consequência, no nível superior a qualidade está do lado da educação pública”, lembrou, em entrevista ao Jornal da Unicamp. “Com isso, a educação básica pública fica refém do ensino superior privado mercantilizado, sem possibilidade de resolver seus problemas de qualidade”.

    Esse processo, diz Saviani, gera um “cruzamento perverso entre as redes públicas e privadas”. “Os membros das camadas populares têm acesso a um ensino público básico de qualidade insatisfatória, o que faz com que, se quiserem ter acesso ao ensino superior, tenham de pagar por um ensino privado também de baixo nível. Em contrapartida, os membros das elites podem pagar por um bom ensino básico privado, o que lhes permite ocupar as reduzidas vagas das universidades públicas de boa qualidade”.

    “Antes do advento da ditadura civil-militar, a oferta de ensino superior era maciçamente pública. Hoje 75% das vagas são preenchidas pelas instituições privadas, na sua maioria de caráter não universitário e de duvidosa qualidade.”Reforma
    Em artigo publicado nos Cadernos Cedes em 2008, intitulado “O Legado Educacional do Regime Militar”, Saviani retraça a história da reforma educacional implantada pelo regime, começando pela Constituição de 1967, que eliminava a exigência de um gasto mínimo com educação – restabelecido em 1969, mas apenas na esfera municipal –, passando pela Lei da Reforma Universitária de 1968, pelo decreto de regulamentação dessa lei, de 1969, e pela lei de 1971 que, como resume o artigo, “unificou o antigo primário com o antigo ginásio, criando o curso de 1º grau de oito anos e instituiu a profissionalização universal e compulsória no ensino de 2º grau, visando atender à formação de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho”.

    O fim da vinculação orçamentária obrigatória em nível estadual e federal trouxe uma queda no investimento em educação, enquanto que a unificação de primário e ginásio ajudou a ampliar o acesso ao ensino. “A fusão do antigo primário com o antigo ginásio, criando o ensino de primeiro grau, foi um passo importante para a ‘democratização’, ao eliminar a barreira do exame de admissão ao ginásio, elevando a escolaridade obrigatória de quatro para oito anos”, disse o pesquisador.

    Nos primeiros anos da ditadura houve uma grande ampliação do acesso à educação, principalmente ao ensino superior, como relata o artigo de 2008: “Entre 1964 e 1973, enquanto o ensino primário cresceu 70,3%; o ginasial, 332%; o colegial, 391%; o ensino superior foi muito além, tendo crescido no mesmo período 744,7%”. O texto destaca ainda que “entre 1968 e 1976, o número de instituições públicas de ensino superior passou de 129 para 222, enquanto as instituições privadas saltaram de 243 para 663”. Esse aumento da participação privada, escreve o autor, “foi possível pelo incentivo governamental, assumido deliberadamente como política educacional”.

    “Os grupos privados atuantes no ensino foram beneficiados, desde o Império, pelas ideias positivistas e liberais, que representavam o campo progressista e pela Igreja Católica, que representava o campo tradicional, conservador”, explicou Saviani. “Parece paradoxal que positivistas e liberais tenham reforçado os interesses privados aliados à Igreja, mas isso ocorreu tendo em vista a defesa, pelos positivistas, da completa desoficialização do ensino sob o argumento da liberdade das profissões e a posição dos liberais que, em nome do princípio de que o Estado não tem doutrina, chegavam a advogar o seu afastamento do âmbito educativo. Nesse contexto foi se constituindo um forte grupo privado de pressão que, em defesa de seus interesses, interferiu na formulação das medidas de política educacional, como se pode documentar nas Constituintes de 1934, 1946 e 1988, assim como na elaboração das leis de educação e na composição dos conselhos de educação”.

    O pesquisador lembra que o golpe de 1964 “teve forte apoio nesses grupos, mesmo porque se orientou pelos valores da iniciativa privada e pelos mecanismos de mercado. Assim, faz todo o sentido a opção por realizar a expansão por meio do incentivo à iniciativa privada”.

    A reforma trazida pela ditadura transformou as universidades, que deixaram de ser organizadas em termos de cursos e passaram a se estruturar em departamentos – assim, em vez de, por exemplo, cada curso da área de humanidades ter seu próprio professor de filosofia, instituía-se um departamento de filosofia responsável por servir a diversos cursos.

    Com essa reorganização vieram o sistema de créditos-aula e da oferta semestral de disciplinas. “Tanto a departamentalização como a matrícula por disciplina e o regime de créditos tinham por principal objetivo a redução de custos. Assim, pela departamentalização, evitava-se a existência de vários professores de uma mesma disciplina, assim como a possibilidade de que uma mesma disciplina fosse ministrada em turmas diferentes, em separado, provocando a necessidade de sua repetição por um mesmo professor ou por diferentes docentes”, escreve o pesquisador.

    O espírito da reforma havia sido explicitado, de acordo com Saviani, no fórum “A Educação que Nos Convém”, realizado em 1968. O artigo cita, entre os principais pontos da política educacional defendida no Fórum, os seguintes: “ênfase nos elementos dispostos pela ‘teoria do capital humano’; na educação como formação de recursos humanos para o desenvolvimento econômico dentro dos parâmetros da ordem capitalista; na função de sondagem de aptidões e iniciação para o trabalho atribuída ao primeiro grau de ensino; no papel do ensino médio de formar, mediante habilitações profissionais, a mão de obra técnica requerida pelo mercado de trabalho; na diversificação do ensino superior, introduzindo-se cursos de curta duração voltados para o atendimento da demanda de profissionais qualificados.”

    Resultados
    Com a expansão da educação promovida pela ditadura, houve uma percepção de queda de qualidade do sistema. “Enquanto a educação se restringe às elites, ela mantém certo padrão de qualidade. Na medida em que a oferta se estende, abrangendo as massas populares, tende a ocorrer uma compressão da qualidade”, por motivos que vão da dificuldade de operar um sistema de massa à falta de recursos para atender ao novo patamar de demanda. “No entanto, do ponto de vista das camadas populares não houve queda, mas aumento da qualidade. Isso porque, para quem não tinha acesso a escola alguma, o acesso à escola elementar permitindo-lhe aprender, ainda que minimamente, a ler, escrever e contar significa um importante aumento qualitativo de sua formação. E isso vale também para os graus de ensino ulteriores ao antigo primário”.Com o “cruzamento perverso entre as redes públicas e privadas” gerado pela expansão da educação básica via setor público e do ensino superior via rede privada, “o argumento difundido que sustenta a baixa qualidade da educação pública tecendo loas ao ensino privado resulta frágil”, diz Saviani. “A baixa qualidade da educação básica pública é reforçada pela baixa qualidade das instituições privadas de ensino superior, pela via da formação precária dos professores que atuam nas escolas públicas. Eis a razão pela qual tenho defendido, nas discussões sobre o projeto de Plano Nacional de Educação, a criação de uma rede pública de formação de professores ancorada nas universidades públicas. Sem isso não será possível atingir a meta, constantemente proclamada, de elevação da qualidade do ensino nas escolas públicas de educação básica”.

    “Inegavelmente, o regime militar teve sua parcela de responsabilidade nesse processo de desqualificação do ensino público ao orientar a política educacional pelo princípio da obtenção do máximo de resultados com o mínimo de dispêndio”, afirmou o pesquisador.

    Alternativas
    Saviani está lançando um livro intitulado Sistema Nacional de Educação e Plano Nacional de Educação: significado, controvérsias e perspectivas, no qual articula uma visão alternativa à educação voltada para o mercado adotada pela ditadura e que teve continuidade nos anos pós-redemocratização.

    “É preciso operar um giro da formação, na direção de uma cultura de base científica que articule, de forma unificada, num complexo compreensivo, as ciências humano-naturais que estão modificando profundamente as formas de vida, passando-as pelo crivo da reflexão filosófica e da expressão artística e literária”, diz ele. “É este o desafio que o sistema nacional de educação terá de enfrentar. Somente assim será possível, além de qualificar para o trabalho, promover igualmente o pleno desenvolvimento da pessoa e o preparo para o exercício da cidadania”.

    Fonte: https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/entrevistas/reforma-educacional-da-ditadura-eliminou-exigencia-de-gasto-minimo-com-educacao

    Gerson

    16 de maio de 2015 às 23h49

    Foi os governos militares que acabaram com a escola pública. As grandes escolas públicas acabaram a partir dos milicos e começaram a “pulular” escolas particulares. Vou te dar o exemplo de Porto Alegre, onde existia antes do golpe militar o colégio Julio de Castilhos (o Julinho) que era uma escola modelo na década de 50 e primeira metade da de 60. A partir do final da década de 60 e por toda a década de 70 esse colégio entrou em decadência, e quando eu estudei lá, na década de 80 o colégio estava como todos os outros no país, decadente, com professores mal pagos e laboratórios mal equipados.

    Lafaiete de Souza Spínola

    17 de maio de 2015 às 10h57

    Leo,

    O abolicionista apresenta bem o assunto e cita a realidade:
    “Os membros das camadas populares têm acesso a um ensino público básico de qualidade insatisfatória, o que faz com que, se quiserem ter acesso ao ensino superior, tenham de pagar por um ensino privado também de baixo nível. Em contrapartida, os membros das elites podem pagar por um bom ensino básico privado, o que lhes permite ocupar as reduzidas vagas das universidades públicas de boa qualidade”.

    Algumas perguntas para vocês:

    1. Temos um projeto para resgatar o ensino básico da sua mediocridade?
    2. Para qualquer grande obra não são necessários bons projetos?
    3. Qual dos partidos atuais possui um projeto para essa obra?
    4. É suficiente discutirmos que nossa educação , desde que Cabral aqui chegou, é pura manipulação?
    5. É justo considerar como aceitável e boa aquela educação nível Pedro II, quando só uma ínfima parcela da sociedade conseguia matricular seus filhos?
    6. Terminei meu secundário através do Art. 99, no RJ, no Pedro II, frequentando cursinhos noturnos, quando possível. sendo, na prática, um autodidata. A maioria dos alunos matriculados nessa instituição vinha da denominada classe média. Essa educação para poucos, no geral, pode ser considerada boa?
    7. Não acham que para a educação básica ser considerada boa, tem que ter qualidade e servir a todos?
    8. Não acham que estamos cultivando a mediocridade, formando nossos profissionais superiores em universidades privadas que, em grande parte, pagando a mensalidade passa?
    9. Não acham que devemos discutir esse tema, mas, acima de tudo, lutar por um projeto.
    10. Que partido ou organização lutaria por um projeto ambicioso e sem manipulação?
    11. Não acham que devemos, já, ultrapassar a fase das promessas?
    12. Termino minhas perguntas, apresentando meu esboço:
    https://www.facebook.com/LafaieteDeSouzaSpinola/posts/459567987533948

    Leo

    24 de maio de 2015 às 17h02

    Prezados, se possível, respondam-me.
    .
    A ditadura militar durou exatos 20 anos e segundo educadores do início da década de 80, o ensino público ainda era de qualidade, considerando todas as faixas (infantil, fundamental, médio e superior). Aliás, o nível do ensino superior era considerado excelente. diga-se por passagem. O problema é que em plena democracia, que já superou a ditadura em 10 anos, muito pouco se fez pela educação e vou mais adiante: o ensino privado engoliu o ensino público, inclusive as universidades. Ora, segundo esse raciocínio empírico, quem realmente destruiu o ensino público brasileiro?
    .
    PS.: reforço minha perplexidade ao ler os cadernos do ENEM. São de baixíssima qualidade, com temas pra lá de tendenciosos e que estimula muito pouco a inteligência dos candidatos.
    .
    Abraços


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