VIOMUNDO

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Política

Nicolás Maduro eleito presidente com vantagem de apenas 1,5% dos votos


15/04/2013 - 00h48

Ilustração publicada por Augusto Ferreira no Facebook

por Luiz Carlos Azenha

O ex-chanceler da Venezuela e presidente-em-exercício, Nicolás Maduro, foi eleito neste domingo presidente da Venezuela, com 50,66% dos votos.

O candidato oposicionista Henrique Capriles Radonski obteve 49,07%.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral, Maduro teve 7.505.338 votos contra 7.270.403 votos de Capriles. A participação foi de 78,71%.

Em 2012, Capriles obteve 44,55% dos votos ante 54,84% de Hugo Chávez, que teve seu quarto mandato interrompido em 5 de março de 2013 pela morte causada por um câncer.

Foi a décima oitava eleição em 14 anos na Venezuela. Aconteceu onze anos depois de parte da mídia brasileira ter celebrado um golpe cívico-militar contra o presidente Hugo Chávez, retratado aqui.

Horas antes do fechamento das urnas, um cracker invadiu as contas do twitter do candidato e presidente-em-exercício Nicolas Maduro e de outras personalidades e instituições ligadas ao chavismo, deixando mensagens como a que aparece abaixo.

Oficialistas denunciaram que o cracker atuava a partir de Bogotá, na Colômbia.

O fotógrafo Joka Madruga está em Caracas (aqui, um álbum com as imagens dele no Flickr):

 

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39 comentários

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Resultado das eleições na Venezuela favorece a consolidação geopolítica do Mercosul – Observatório da Integração Regional

14 de outubro de 2017 às 21h43

[…] Nicolás Maduro eleito presidente com vantagem de apenas 1,5% dos votos […]

Responder

Leonardo Severo: Mídia privada faz “guerra psicológica” na Venezuela - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de abril de 2013 às 11h35

[…] Nicolás Maduro eleito presidente com vantagem de apenas 1,5% dos votos […]

Responder

Leonardo Meireles Câmar

15 de abril de 2013 às 21h16

Ficaria muito feliz com um post que explicasse porque a diferença foi com margem tão pequena, uma vez que um dos candidatos representa uma elite financeira essencialmente feudal.

O povo não sabia quem estava de que lado? A educação não tem sido suficientemente eficiente a ponto de mostrar a enorme diferença entre os dois? O que há naquele lugar, será a força das TV?

Uma análise séria, por favor.

Responder

Fabio Passos

15 de abril de 2013 às 18h35

Excelente!
O povo da Venezuela optou pelo avanco e justica social.
Toda vitoria sobre os capachos ianques e otima.

Chupa, PiG!

Responder

FrancoAtirador

15 de abril de 2013 às 11h25

.
.
NICOLAS MADURO VENCEU EM 16 DOS 24 ESTADOS DA VENEZUELA

O recém-eleito presidente da Venezuela para o período 2013-2019, Nicolás Maduro, venceu em 16 dos 24 órgãos federais que compõem o território da nação sul-americana, ao obter, nesses estados, mais de 50% dos votos apurados, de acordo com dados oficiais fornecidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)

Com 99,12% das urnas apuradas, o CNE informou em seu site que Maduro recebeu mais de 60% dos votos em Apure (sul), Cojedes (centro) e Português (oeste).

Da mesma forma, o mais alto órgão eleitoral do país divulgou que em outros estados como Delta Amacuro (leste), Guárico (centro) e Trujillo (oeste) o candidato revolucionário obteve 59% do total dos votos apurados.

Os demais estados onde o candidato socialista foi apoiado por mais de 50% dos eleitores são: Distrito Capital, Amazonas, Aragua, Barinas, Carabobo, Falcón, Monagas, Sucre, Vargas e Yaracuy.

Por seu lado, o candidato da direita batido em duas eleições presidenciais consecutivas, em menos de seis meses, fez pender a balança a seu favor em Anzoátegui, Bolívar, Lara, Mérida, Miranda, Nueva Esparta, Táchira e Zulia.

Amazonas
Nicolás Maduro 35.867 (51,94%)
Henrique Capriles 33.095 (47,92%)

Anzoátegui
Nicolás Maduro 382.599 (47,31%)
Henrique Capriles 424.304 (52,46%)

Apure
Nicolás Maduro 134.192 (61,21%)
Henrique Capriles 84.711 (38,64%)

Aragua
Nicolás Maduro 512.379 (54,05%)
Henrique Capriles 432.265 (45,60%)

Barinas
Nicolás Maduro 210.667 (52,00%)
Henrique Capriles 193.925 (47,86%)

Bolívar
Nicolás Maduro 347.332 (47,75%)
Henrique Capriles 377.857 (51,95%)

Carabobo
Nicolás Maduro 606.772 (50,39%)
Henrique Capriles 594.237 (49,35%)

Cojedes
Nicolás Maduro 107.370 (61,15%)
Henrique Capriles 67.898 (38,66%)

Delta Amacuro
Nicolás Maduro 46.012 (59,68%)
Henrique Capriles 30.909 (40,09%)

Distrito Capital
Nicolás Maduro 651.062 (51.32%)
Henrique Capriles 611.359 (48.19%)

Falcón
Nicolás Maduro 264.561 (53,03%)
Henrique Capriles 233.279 (46,76%)

Guárico
Nicolás Maduro 226.667 (59,09%)
Henrique Capriles 156.288 (40,74%)

Lara
Nicolás Maduro 457.670 (47,31%)
Henrique Capriles 507.074 (52,42%)

Mérida
Nicolás Maduro 201.200 (42,81%)
Henrique Capriles 267.997 (57,02%)

Miranda
Nicolás Maduro 734.719 (47,24%)
Henrique Capriles 814.224 (52,35%)

Monagas
Nicolás Maduro 259.321 (55,36%)
Henrique Capriles 208.102 (44,43%)

Nueva Esparta
Nicolás Maduro 125.143 (46,90%)
Henrique Capriles 141.236 (52,94%)

Portuguesa
Nicolás Maduro 297.469 (65,19%)
Henrique Capriles 157.465 (34,51%)

Sucre
Nicolás Maduro 265.243 (57,45%)
Henrique Capriles 195.797 (42,41%)

Táchira
Nicolás Maduro 233.249 (36,90%)
Henrique Capriles 397.810 (62,94%)

Trujillo
Nicolás Maduro 232.684 (59,73%)
Henrique Capriles 156.024 (40,05%)

Vargas
Nicolás Maduro 117.522 (56,93%)
Henrique Capriles 88.013 (42,63%)

Yaracuy
Nicolás Maduro 182.060 (56,47%)
Henrique Capriles 139.547 (43,29%)

Zulia
Nicolás Maduro 873.578 (47,63%)
Henrique Capriles 956.987 (52,18%)

Fonte: teleSUR-AVN-PL-CNE/MARL

(http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/15/nicolas-maduro-gano-en-16-de-las-24-entidades-venezolanas-419.html)

Responder

Gerson Carneiro

15 de abril de 2013 às 11h20

Sério. Quero dar uma abraço caloroso no lulipe, Alemão, Rodrigo Leme, Taques, (faltou algum?)… e parabenizá-los pela quase vitória.

Continuem tentando.

Responder

    Willian

    15 de abril de 2013 às 11h31

    A parte o injustificado esquecimento de minha pessoa, informo que neste tempos de luta anti-homofobia só estou aceitando beijaço. Abraçaço deixemos com o Caetano.

Marco Weissheimer: O PT que coloque as barbas de molho - Viomundo - O que você não vê na mídia

15 de abril de 2013 às 11h02

[…] Maduro eleito presidente com apenas 1,5% de vantagem sobre Capriles […]

Responder

augusto2

15 de abril de 2013 às 10h58

Ao willian:
como voce é nulo em politica, hein!
a.o chavismo como rumo e doutrina começa agora.
b. Vamos recontar sim os votos para o radiownski em caracas.Desde que
o mexico reconte os votos a Calderon em 2006, com fraude aberta,com hackeamento no site oficial do Partido de Lopez Obrador na antevespera – alardeado pelos jornais em manchete garrafal na vespera-
NAO dando tempo de uma resposta que era materia falsa.Com participaçao efetiva do,da, ela mesmo a embassy do Depto de estado na fraude.
Ah, e o maduro vai convidar para coordenar a recontagem a Katherine Harris, aquela que liderou a RECONTAGEM de eleiçao de George Bush na Florida em 2000. Lembram-se? (tres meses depois la por fev/2001 a Kathy foi convidada para um Clube exclusivissimo: O Council of Foreign Relations, Vulgo CFR. extraordinario.

Responder

    Willian

    15 de abril de 2013 às 11h20

    a) bem, se começa agora, começa dividindo o país quase meio a meio. Algo surpreendente depois de tantos anos de Chávez. Lendo a blogosfera eu acreditava que todo o povo estava com Chávez. A eleição mostrou que maioria está, mas não todos.

    b)quer dizer que a legislação eleitoral venezuelana condiciona a recontagem dos votos à recontagem de votos de uma eleição passada de um país estrangeiro? Sinceramente, desconhecia este aspecto jurídico da questão.

FrancoAtirador

15 de abril de 2013 às 10h30

.
.
REPRESENTANTE DO ‘CANSEI’ VENEZUELANO

Responder

Gerson Carneiro

15 de abril de 2013 às 10h23

É um misto de prazer e compaixão vê-los comemorar a quase vitória.

Responder

    Willian

    15 de abril de 2013 às 11h23

    Prazer quase tão grande é vê-los não comemorar uma vitória.

Sérgio Reis

15 de abril de 2013 às 10h16

Uma diferença mínima como essa só pode ter sido obra e graça do ectoplasma do fantasma bolivariano de Hugo Chavez Frias, materializado no operador do computador totalizador das eleições. Vai enganar outro, mané.
Mas, de certa forma foi até bom. Do jeito que as coisas estão ruins e sem nenhuma perspectiva de melhoria na Venezuela – que tem no petróleo 98% das suas exportações e que importa até o leite(!?) – o verde presidente Maduro irá sair de lá debaixo de uma quartelada. Duvida?

Responder

lidia virni

15 de abril de 2013 às 09h50

200.000 votos não são meia dúzia, são duzentas mil pessoas votando pela contnuidade da obra de Chavez. Será um período difícil, com a direita internacional, sobretudo latino-americana colaborando para derrubar o Maduro, tal como fizeram com o Lula e fazem com a Dilma, mas com a conscientização do povo, iniciada por Chavez e com a paulatina melhora das questões em aberto na vida do país, o socialismo chavista será realmente implantado e perdurará.

Responder

    Willian

    15 de abril de 2013 às 10h21

    A pergunta a ser feita é por que mais de 7.200.000 votaram na oposição.

lulipe

15 de abril de 2013 às 09h26

Os venezuelanos estão começando a acordar!!!!

Responder

J Souza

15 de abril de 2013 às 08h48

E aqui no Brasil?
Como será que vai ser a votação da nossa “Margareth Tatcher” em 2014?

Responder

Lu Witovisk

15 de abril de 2013 às 08h36

huhuuuuuuuuuuuuuuuuu!!! Viva Maduro!!! Viva o povo da venezuela!!! Maduro vai mostrar a que veio e terá mior apoio do povo.

Responder

Willian

15 de abril de 2013 às 08h34

Com um cadáver como cabo eleitoral, com a “comoção” da morte do Chávez, com quase toda a imprensa a favor, com o dinheiro da PDVSA, Maduro conseguiu vencer por 1,6% dos votos.

Parabéns!

Responder

jotajota

15 de abril de 2013 às 08h27

Será que não foi manipulado.1,5 %? Venezuela? KKK , piada!

Responder

Geraldo Souza

15 de abril de 2013 às 08h27

Não tem problema. Fosse por 10 votos, o importante é a manutenção de um governo que tem o povo Venezuelano como norte e não as elites estrangeiras. Capriles seria o aético de lá. Parabéns Venezuela !!!

Responder

Amaro Doce

15 de abril de 2013 às 08h20

Li na blogosfera que a direita venezuelana apresentou um programa de governo tão á esquerda quanto o de Maduro/Chávez, mas que, claro, não seria colocado em prática de maneira nenhuma caso Capriles tivesse ganhado a eleição.

Aposto uma grade de cerveja que este será o caminho a ser trilhado pela direita/extrema direita raivosa brasileira no confronto com a Dilma na próxima eleição. Basta analisar as declarações de FHC,Serra, Aécio, Campos, da Marina do Itaú e dos jornalistas amestrados que lhes dão cobertura.

Todos eles já estão a dizer “podemos fazer melhor do que a Dilma”! E eu respondo aos meus botões “um tomate”!

“Um tomate” é uma expressão que de repente voltou à ribalta graças a valorização deste legume nas feiras da Falha de Seu Paulo. Mas dizem que o produto já foi vendido até por 99 centavos o quilo nesse final de semana, e eu já não sei se a expressão está tão valorizada assim, e muito menos qual será o preço do produto na véspera da próxima reunião do Copom. Mas se a tomate ficar quase de graça, substitua a expressão “um tomate” por “uma pinoia” ou mesmo por “uma porra”.

Uma pinoia que o PSDB pretenda dar continuidade aos programas sociais da dupla Lula-Dilma. Não caia nessa esparrela!

Responder

Mardones

15 de abril de 2013 às 08h15

Nossa! Foi por pouco, mas valeu a participação do povo em eleger seu representante. O chavismo segue vivo. Isso é importante.

Responder

Roberto Locatelli

15 de abril de 2013 às 07h52

É preciso lembrar que:
1) das 18 eleições venezuelanas, o chavismo venceu 17. A única derrota foi por menos de 1% e os chavistas respeitaram o resultado.
2) Bush foi eleito por diferença de 0,1% e governou os EUA com mão de ferro.

A discussão que o novo governo deve fazer é: o que levou tantos venezuelanos a votar na oposição? Acredito que uma minoria desses 49% é de pessoas de direita. Mas a ampla maioria não está satisfeita com algo. Seriam os salários? As condições de moradia? A saúde? Educação?

Maduro precisa governar para melhorar ainda mais a vida da população. Não é fácil fazer isso num país ainda capitalista. Mas é absolutamente necessário para conquistar o apoio dos que optaram por Caprilez neste 14 de abril.

Responder

Taques

15 de abril de 2013 às 07h31

O velório finalmente acabou! Chavez foi enterrado ontem.

Responder

RicardãoCarioca

15 de abril de 2013 às 07h16

Preparem os ouvidos para aturar o PiG transformar a derrota do Capriles em vitória e a vitória do Maduro em derrota, somente por causa da pequena diferença de votos.

Maduro terá de lutar muito contra a direita política-empresarial-governamental-midiática para poder governar.

Responder

Gerson Carneiro

15 de abril de 2013 às 06h21

#mimimi da direita midiática em 1, 2, 3…

Responder

    Willian

    15 de abril de 2013 às 09h47

    Por via das dúvidas, Gérson já mandou uma VACINA para qualquer matéria que não exalte a vitória de Maduro.

    P.S. Faltou uma letra da Legião Urbana.

    Gerson Carneiro

    15 de abril de 2013 às 10h02

    Ei menino branco, o que é que você faz aqui?
    Subindo o morro pra tentar se divertir.

    Mas já disse que não tem,
    E você ainda quer mais!

    Por que você não me deixa em paz?

    Willian

    15 de abril de 2013 às 10h16

    Veio bem a calhar a letra que você postou:

    MAIS DO MESMO

    Autocrítica é isto aí!

Gerson Carneiro

15 de abril de 2013 às 06h20

ATENÇÃO

Por motivo de adequação na manchete, editorial, e arte visual da primeira página, pedimos desculpas pelo atraso na entrega da edição de hoje.

Ass: Estadão, Folha de São Paulo e O Globo.

Responder

JOTACE

15 de abril de 2013 às 03h37

Resultados simplesmente incompreensíveis face ao desnível entre os dois candidatos nos campos da competência, da ética, e da moralidade administrativa, não fosse considerada a interferência permanente, criminosa e descarada do poder imperial. Mesmo feita a auditoria do trabalho do CNE e confirmada a correção do processo, Maduro terá o mais difícil dos governos que se pode imaginar. Tanto petróleo disponível a curta distancia vem criando as maiores dificuldades para qualquer governo sério numa Venezuela soberana. Obstáculo que mesmo a genialidade de Chávez nunca conseguiu superar até que fosse abatido.

Responder

Cláudio

15 de abril de 2013 às 02h32

Viva o povo venezuelano ! ! ! Viva o povo latinoamericano ! ! !

Responder

João-PR

15 de abril de 2013 às 01h55

Estava aqui, trabalhando com o computador ligado na internet para saber do resultado.
A vitória de Maduro demonstra, a meu ver, que a população da Venezuela chegou a um ponto interessante de politização. Lá o voto não é obrigatório.
Temos que levar em conta que Maduro lutou contra forças (sendo redundante) muito fortes. Até paramilitares foram presos com uniformes do exército da Venezuela (imaginemos o que aconteceu lá, e não sabemos).
Enfim, Maduro terá a missão de, no seu mandato, fazer avançar a Venezuela, com um caminho próprio.
Fico por aqui.

Responder

Antonio

15 de abril de 2013 às 01h43

VIVA A VENEZUELA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PIG, chupa mais esta manga.

Vão acabar com indigestão!

Responder

FrancoAtirador

15 de abril de 2013 às 01h09

.
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Pergunta
Quantas eleições diretas na Venezuela serão necessárias
até que a Mídia Bandida afirme que lá há Democracia?

Resposta
Uma só: a que o candidato da Direita for o vitorioso.
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E ainda não foi desta vez…
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AS RESPOSTAS* DE NICOLÁS MADURO À MÍDIA BANDIDA BRAzILEIRA:

1. O presidente Chávez fundou um movimento revolucionário e de massas na Venezuela. Deu a ele uma ideologia e uma Constituição. Nosso processo revolucionário está constitucionalizado. Ele nos dotou de um corpo de doutrinas e de princípios. Nos deixou um testamento político, o programa da pátria, com objetivos de curto, médio e longo prazos. E promoveu um nível de participação e de protagonismo das amplas maiorias como nunca se viu na história da Venezuela. Estamos preparados para seguir fazendo a revolução. Ele formou um povo. Nos formou para um projeto.

2. Nós aceitamos todas as eleições que perdemos. A Venezuela tem governadores e prefeitos de oposição. Tem deputados, 40% do Parlamento. Se algum dia ganharem, coisa que eu duvido que se passe no século 21, bem, ganhariam e assumiriam a Presidência. E teriam que ver o que fazer com o país. A Venezuela tem um povo consciente e bases sólidas de país independente em vias do socialismo.

3. O movimento revolucionário nacional está unido ao redor da imagem, da espiritualidade e da ideologia de Chávez. De um projeto de pátria. Pátria grande. Está unido ao redor de uma direção coletiva que ele construiu. E ao redor da designação do comandante Chávez da minha pessoa como condutor da revolução para essa etapa. Estamos unidos.

4. Nem um ‘pitoniso’, um bruxo, um vidente, ninguém pode saber o que nos reserva o destino. O que te digo é que neste momento histórico estamos solidamente unidos. E o mundo deve saber que essa direção coletiva já passou por várias provas de fogo. Estamos prontos para a vitória em 14 de abril e para governar muito bem o nosso país.

5. Os canais públicos, em uma revolução como a que estamos vivendo na Venezuela, têm que formar o povo, educar o povo, prepará-lo para essa revolução. Têm que sair defendendo a verdade frente a uma ditadura midiática que promoveu um golpe de Estado [em 2002, as emissoras privadas apoiaram a tentativa frustrada de depor Chávez]. Foi o primeiro golpe de Estado dado por canais de televisão. É preciso buscar uma leitura mais próxima do que se passa na Venezuela. Os canais públicos têm sido o contrapeso necessário e são o sustentáculo para estabilizar a sociedade. Se tivessem desaparecido nos últimos seis anos, haveria uma guerra civil. Os canais privados nos teriam levado a uma guerra de todos contra todos.

6. Nós soubemos pela imprensa que a Globovisión estava sendo vendida. Em todo caso, é uma negociação entre empresários amigos. É problema deles, realmente. É preciso ver como termina. Quem sabe a mensagem mais poderosa da venda da Globovisión é a de que sabem que estão perdidos.

7. A Globovisión simplesmente jogou para derrubar o governo e fracassou. E o fracasso político e de comunicação os levou a um fracasso econômico. Estão quebrados, dizem eles. E simplesmente estão separados da sociedade. Sabem que vamos governar este país por muitos anos, a revolução continua. E eu creio que estão cansados já. Se cansaram, se renderam.

8. Bem, mas elas têm 80% dos meios de comunicação. Se você vai agora mesmo a qualquer lugar de Barinas e compra os jornais, verá que são privados e contra o governo. As televisões regionais, as rádios, 80% a 90% delas são contra o governo. Fazem seu negócio, vendem seu produto. Eles [oposição] têm todos os meios, nós temos um só: a consciência popular, que os derrota todos os dias. Quanto mais veneno jogam, mais as pessoas reagem. Você pode andar por qualquer lugar em Caracas. Encontrará um povo com consciência. Como se criou isso? Com a liderança do presidente Chávez, que era pedagógico, saía à rua, falava, formava as pessoas.

9. Não houve em vida e agora o que há é amor. Culto ao amor, ao agradecimento do povo a um líder que já é chamado na América de Cristo Redentor dos Pobres. Um homem que transcendeu as nossas fronteiras.

10. Nós temos Forças Armadas que resgataram os valores do libertador Simón Bolívar, que têm uma doutrina anti-imperialista e anticolonialista, latino-americana, própria. Você sabe que os EUA estão funcionando como um vampiro sedento, buscando as riquezas petroleiras e os recursos naturais do mundo com guerras, invasões. E as nossas Forças Armadas têm agora uma doutrina de defesa integral do país, das maiores reservas petroleiras do mundo. Defendem o nosso sonho, a nossa terra.
Têm uma doutrina nacionalista, revolucionária, assumiram o socialismo como causa da humanidade para construir uma nova moral. Aqui se formavam oficiais com os manuais da Escola das Américas [financiada pelos EUA], que formou as Forças Armadas latino-americanas por cem anos. Ensinavam os nossos oficiais em inglês, quase sem tradução. É uma vergonha que não ocorre mais.

11. Não, é um erro. As Forças Armadas não podem estar nos quartéis. Têm que estar nas ruas, na fábrica, nos bairros, com o povo, para poder defender a pátria. Não podem ser uma elite alijada. Não. Têm que fazer parte do mesmo povo.

12. Bom, depende do que você entende por política. O que as nossas Forças Armadas não têm é formação partidária. Você não vai ver nenhum oficial mandando votar por nenhum partido político, nem fazendo campanha por um partido.

13. Cada país tem o seu ritmo. Eu fui testemunha de pelo menos 14 reuniões do presidente Lula com o presidente Chávez. E posso te dizer que eram dois irmãos. Os dois se entendiam perfeitamente. E os dois sabiam que tanto o que Lula fazia, como grande líder do Brasil, quanto o que Chávez fazia aqui era parte de um só processo, de libertação da América Latina.

14. Tentou-se por muito tempo [dizer isso]. Em 2007, havia toda essa campanha brutal contra o presidente Chávez. E Lula propôs, para que eles não brigassem… ele dizia assim: [imitando Lula] ‘Chávess, vamos fazer uma coisa. Vamos nos reunir a cada três meses para acabar com a intriga’. E assim se fez. Foram mais de 14 reuniões a partir daí. Agora, sim, o que posso te dizer: Lula para nós também é um pai. Porque Lula é fundador das correntes de esquerda de novo tipo que surgiram nos anos 80 adiante. Nós nos inspiramos na ética de Lula, na energia dele, em sua liderança trabalhadora.

15. Cada um lidou com a circunstância histórica do seu país. E Lula empurrou o Brasil até uma grande onda progressista, de prosperidade, de desenvolvimento.

16. Para a direita pega muito mal… para uma direita que nunca trabalhou pega muito mal colocar-se ‘barba a barba’ com Lula. Lula ganhou trabalhando nos fornos da luta, da história.

17. Se há algo a dizer de Lula, Néstor Kirchner, Cristina [Kirchner] e outros líderes é que são, na essência, antineoliberais. Libertaram nossos países do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. E essa direita que trata de se colocar disfarçada de Lula é, em sua essência, privatizadora, dependente da forma neoliberal e do FMI. Não têm nada que ver com o legado nem com o patrimônio político e cultural dos valores que Lula representa.

18. O socialismo do século 21 é diverso. Tem as particularidades e está enraizado na dinâmica verdadeira de cada país. Cada um tem a sua realidade. E não podemos achar que há menos ou mais socialismo porque o nosso, o boliviano, o equatoriano, o nicaraguense ou o cubano não se parecem com as experiências da antiga União Soviética ou da Romênia.

19. A história está por ser escrita. Há espaço para investimentos que venham a desenvolver um modelo produtivo e inclusivo. Lamentavelmente na Venezuela os cem anos de modelo de rentismo petroleiro não permitiram que surgisse um capital forte. No fundamental, o capital se articulou à renda petroleira sem gerar capacidade produtiva e desenvolvimento tecnológico. Esse capital não tem visão de país, nacionalista.
É diferente do que se passou no Brasil ou na Argentina, por exemplo, que tiveram burguesias nacionais. Na Venezuela não há burguesia nacional. Nossas dificuldades são então maiores. Os setores que se dedicaram à atividade econômica privada têm laços de dependência muito forte com o capital estadunidense.
É por isso que estão em todos os processos de sabotagem da economia e da política. Quem sabe agora comece a surgir, e vem surgindo, um setor misto de capital venezuelano e de investimentos de outras partes do mundo. Capital brasileiro, argentino, uruguaio, em aliança com um novo capital privado na Venezuela.

20. Todo esse modelo está em elaboração. Nesse momento estamos fazendo um chamado e buscando instrumentos para financiar e construir setores privados que sejam nacionalistas e que nos permitam diversificar a economia.

21. Claro. Totalmente. Com financiamento, incentivo. De todos os tamanhos, pequeno, médio, grande, vinculado à tecnologia, à indústria, ao comércio. Vinculado ao capital de outras partes do mundo, Brasil, Argentina, Rússia, China. Capital estadunidense.

22. Cada um tem suas particularidades. A Cuba coube viver uma história dos anos 60, 70, muito marcada pela chamada Guerra Fria. Bem, Cuba foi contra nossos antigos modelos políticos, sociais, econômicos.
Cuba tem seu próprio processo de aperfeiçoamento do socialismo. Precisamente o bonito da ALBA [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, integrada por países como Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua] é que nós todos temos formas diversas de economia. E diversos conceitos do que é o socialismo neste momento em cada país. E podemos andar juntos, e vamos aprendendo uns com os outros.

23. Até agora, sim, creio que é possível. Creio inclusive que, salvo se o império estadunidense ficar louco e pretender nos derrotar pela via da força, ou invadir esse país, o caminho da Venezuela seguirá sendo a democracia ampla, profunda, de amplas liberdades e transformações pacíficas, que são as que de verdade deixam raízes. Toda transformação que se dá pela via do debate democrático e da decisão popular são decisões verdadeiras que têm solidez na soberania e na consciência dos povos.

24. O socialismo tem várias dimensões. A principal delas é a espiritual, a moral, a ideológica, de transformação do ser humano. E quando o ser humano dessa sociedade, por todo processo de educação, de nova cultura, de nova prática política, de participação, de novas relações econômicas, de produção, começa a funcionar de outra forma, então existem as condições para a sociedade socialista, que supere o individualismo, o desejo de riqueza individual. E, cavalgando junto, vão as transformações para um novo modelo econômico, que supere, no caso da Venezuela, o capitalismo rentístico, especulador. E que faça as bases de uma economia produtiva, diversificada, que crie riqueza para ser distribuída através da saúde, educação, alimentação, seguridade social, para que o povo tenha níveis de vida dignos, para que se supere a pobreza definitivamente.

25. Nós integramos a UNASUL [União das Nações Sul-Americanas], o Mercosul, comunidades democráticas onde se debatem ideias. E quando se debatem ideias normalmente surgem opções.

26. Você sabe que os temas que têm que ver com o parlamento sempre são lentos. Nós temos uma comissão já de caráter presidencial que reúne os delegados de cada presidente do Banco do Sul. Tudo está pronto. Só esperamos que o Congresso brasileiro o aprove para que entre em vigência de maneira rápida, automática.

27. Bem, são projetos sobre os quais têm havido debates. A TeleSur é uma linda realidade de comunicação alternativa que venceu a ditadura midiática das grandes cadeias de televisão. Quem sabe mais adiante [o governo brasileiro se integre ao projeto]. Seguramente as portas da TeleSur estão abertas para o governo da presidenta Dilma e de qualquer iniciativa que venha a fortalecê-la.

28. Não tenho os detalhes atualizados, mas sei que marcha agora melhor. E que vai ter um final feliz.

29. No dia 22 de fevereiro, conversamos por cinco horas com o presidente Chávez sobre temas econômicos. E ele disse: ‘Veja, Nicolás, estamos em uma guerra econômica’. Porque, com a enfermidade do presidente, os interesses econômicos nacionais e internacionais se lançaram a desabastecer [o país] de produtos, a especular com os preços e com o valor do dólar. Eles acreditavam numa hecatombe econômica que chegaria a uma explosão social e a uma desestabilização política. Nós estamos enfrentando. Vamos torcer o braço do dólar paralelo, vamos torcer até lá embaixo.
É um problema do funcionamento especulativo do capital. A inflação nos 14 anos antes do presidente Chávez foi de 34%. Nestes 14 anos com ele, baixou para 22%. Planejamos levá-la à metade nos próximos dez anos. Oxalá possamos chegar a um dígito.
O mais importante é que os gastos se convertam em investimento social para proteger o povo e econômico para girar riqueza no país. E isso é uma dinâmica bendita que vai gerando mudanças na estrutura econômica e vacinando o país da especulação como sistema de fixação de preços e de movimentos da economia.

*Para ler as perguntas acesse:
(https://www.viomundo.com.br/politica/igor-felippe.html)

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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.