VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Antônio David: Maioria dos alunos da Poli/USP não é de direita e aprova manifestações


08/12/2011 - 10h33

por Antônio David

No dia 30 de novembro, foi divulgado o resultado de um plebiscito organizado pelo Grêmio da Poli (G-Poli) junto aos estudantes da Escola Politécnica da USP. Considero muito importante que se faça uma leitura atenta  e que se tire as devidas lições dele.

Primeira lição: A desinformação reina na Poli

Examinando as respostas, nota-se que a maioria dos estudantes tem opinião formada sobre os assuntos relativos à greve e às reinvindicações do movimento estudantil. No entanto, um dos dados que mais chama a atenção é o elevadíssimo percentual de estudantes que declararam “não possuir opinião formada” justamente sobre as questões que talvez sejam as mais relevantes: aquelas que dizem respeito à universidade (questões 4, 5 e 6 íntegra, AQUI)

Vejamos: 26% não possuem opinião formada se deveria haver um aumento da representação discente no Conselho Universitário – presumidamente, não possuem opinião formada sobre o quão democrático ou antidemocrático é o Conselho Universitário; 19% não possuem opinião formada sobre a maneira como o Reitor é eleito; 18% não possuem opinião formada sobre a gestão Rodas.

Parece pouco, mas não é. Sobretudo quando se considera que os estudantes que votaram são aqueles que de uma forma ou de outra têm uma maior pré-disposição a opinar, a tomar parte, a participar. Ora, se entre estes a desinformação é tão grande, muito maior do que em pesquisas de opinião convencionais, é de se supor que entre os estudantes que não votaram (quase 90% dos estudantes da Poli) a desinformação é ainda maior.

Como não é natural que haja tamanha desinformação a respeito de questões tão importantes para a vida universitária, a única conclusão que se pode tirar é que, na Poli, o acesso às informações é bastante restrito. Dessa conclusão, pode-se extrair outra: as entidades estudantis da Poli não têm cumprido a função de informar os estudantes e fomentar o debate sobre questões fundamentais concernentes à universidade.

Segunda lição: A maioria dos estudantes da Poli não é de direita

O resultado do plebiscito mostra que a maioria dos estudantes que votou é neste momento a favor da PM no campus, repudia as ocupações da administração da FFLCH e da Reitoria e está contra a greve. Isso é fato. No entanto, 48% dos estudantes que votaram disseram discordar da forma como o reitor é eleito (e 19% dizem não ter opinião formada); 40% disseram discordar da gestão Rodas (e 18% não têm opinião formada); 66% declararam que a mídia “gerou um ambiente pobre, em que uma opinião específica foi difundida”.

Portanto, o plebiscito mostrou que, neste momento, entre os estudantes da Poli que votaram, a maioria discorda dos métodos do movimento, mas concorda com parte das reivindicações do movimento – vale dizer, com a parte principal, uma vez que o problema de fundo de todas as demais reivindicações é a estrutura de poder da USP, inclusive o convênio entre a USP e a PM, pois este convênio foi assinado sem que a comunidade universitária pudesse opinar e tomar parte na decisão.

Isso mostra claramente que, ao contrário do que muitos pensam, o estudante da Poli não possui o esteriótipo que normalmente lhe é atribuído. E, ao mesmo tempo, que o grupo que proclama para si o rótulo de “maioria da Poli” talvez não represente a maioria.

Penso que as perguntas 4 e 6 são as que apontam, com alguma precisão, quem esse grupo de fato representa: aproximadamente 10%, ou seja, aqueles que aprovam a gestão Rodas e para quem está bom o número de cadeiras para a representação discente no CO. Mesmo entre estes 10%, não duvido que haja uma parte que possa ser convencida do contrário caso seja melhor informada sobre a estrutura de poder na USP. Uma coisa é certa: os membros da chapa Reação e do “Partido Polinova” (atual gestão do G-Poli) fazem parte deste grupo, minoritário.

Quanto à maioria, acredito que a questão 9 é bastante sintomática de quem é e o que pensa: 66% declaram acreditar na “viabilidade de um perfil mais humanizado para a PM como forma de modelo para a sociedade”. Ou seja, ao contrário de certas pessoas, a maioria não é adepta do malufismo, não é adepta da linha de pensamento fascista do “vou por a ROTA na rua”.

Nestes termos, a questão que devemos fazer é: se a maioria cultiva ilusões na viabilidade de uma PM humanizada – e por isso não é contra a presença da PM no campus – o movimento estudantil não tem a capacidade de convencer a maioria de que a PM não é a solução para o problema da segurança, mas é parte do problema da insegurança? Acredito que tem. Argumentos não faltarão.

Nas respostas deste plebiscito, a maioria oscila entre posições a favor e contra o movimento, o que já é em si mesmo bastante emblemático. De qualquer forma, a verdade é que a maioria não é de direita, não é reacionária. Estes são uma minoria. A maioria pode sim ser convencida pela direita e reproduzir um discurso reacionário ou até mesmo fascista, mas pode igualmente ser convencida por aqueles que têm ideias progressistas e uma prática democrática. E aqui fica uma lição para o movimento: a maioria só é convencida e apoia o movimento na medida em que o movimento se preocupa em conquistar o apoio da maioria e age nessa perspectiva – o que pressupõe não fazer nada que jogue a maioria contra si.

Terceira lição: A imensa maioria dos estudantes da Poli aprova manifestações políticas – coisa que o grupo que está à frente do G-Poli (“Partido Polinova”) e a chapa Reação não só não fazem, como abominam, detestam e ridicularizam

Um dado é especialmente curioso, sobretudo quando se leva em conta todo o esforço de apropriação dos resultados do plebiscito pela direita. Se a maioria dos estudantes da Poli neste momento discorda dos instrumentos de luta tradicionais do movimento (ocupação e greve), isso não quer dizer que a maioria seja contra a manifestação política: 87% disseram concordar com a “utilização de outros meios de manifestação que não greve e ocupação, tais como: passeatas pacíficas, manifestações artísticas, abaixo assinado, etc”.

Ora, em sendo assim, cabe o questionamento: o “Partido Polinova”, grupo que está há quatro anos à frente da gestão do G-Poli e que se considera tão representativo, acaso organizou ou participou de alguma manifestação política nestes quatro anos? Justiça seja feita – para não dizer que não organizou nem participou de nada –, neste longo período o G-Poli participou de uma única manifestação política: o “movimento fora Sarney” (sabe-se lá por qual motivação, se pela justa indignação frente à corrupção, ou se por alguma motivação político-partidária; de qualquer forma, vale destacar que os estudantes não foram consultados quanto a essa participação).

A mesma indagação deve ser dirigida para a chapa Reação, já que essa chapa reiteradamente se autoproclama a verdadeira porta-voz dos estudantes da Poli nas eleições para o DCE da USP: acaso a chapa Reação faria alguma manifestação política se estivesse à frente do DCE? É evidente que não. Não faria porque não faz. A única manifestação política que a chapa Reação considera, além da manifestação virtual via twitter e facebook contra o movimento estudantil, é o discurso do púlpito do Conselho Universtiário para apoiar o Reitor e sua gestão – Reitor este que, diga-se de passagem, a maioria dos estudantes que votou no plebiscito e que declarou ter opinião formada não aprova (para o desgosto da chapa Reação, do “Partido Polinova” e do diretor da Escola Politécnica).

Quarta lição:  Greve que fez com que a maioria que votou no plebiscito da Poli se convencesse da necessidade de democratizar a estrutura de poder da universidade

Há ainda um outro elemento escondido por trás dos números, que não se percebe à primeira vista, mas que é de suma importância perceber.

Se esse plebiscito tivesse ocorrido há dois meses atrás, os percentuais acima mencionados, acerca da eleição para Reitor e sobre a gestão Rodas, certamente seriam menores. Isso significa que, com todos os erros e vacilos que o movimento cometeu, ainda assim o movimento conseguiu mostrar a relevância, senão de tudo, pelo menos de uma parte importante das suas reivindicações. Resultado: mesmo aqueles que repudiam as ocupações da administração da FFLCH e da Reitoria e que estão contra a greve foram convencidos de uma parte das reivindicações do movimento.

Quinta lição: O plebiscito da Poli revelou aquilo que seus organizadores esforçaram-se por mascarar quando organizaram o plebiscito: sua opção política em incentivar e fomentar a desfinformação e a apatia

O “Partido Polinova” é aliado da chapa Reação para o que der e vier. O que está em jogo, para estes grupos, com este plebiscito? Todos sabemos que estes grupos aproveitam-se dos vacilos e erros do movimento estudantil – que existem – para atacar o movimento e suas reivindicações, buscando com isso deslegitimar tudo o que o movimento faz e tudo o que o movimento reivindica – mesmo as coisas acertadas. Mas por quê?

Não nos enganemos ao achar que o objetivo destes grupos é pura e simplesmente aferir a opinião dos estudantes. Estes grupos possuem interesses políticos e ideológicos muito claros e definidos. Seu objetivo definitivamente não é “representar” os estudantes. Há um objetivo maior por trás do plebiscito. O que está em jogo para ambos os grupos é, sobretudo, afirmar e difundir uma proposta para o movimento estudantil. Vejamos isso mais de perto.

Estamos todos carecas de ouvir o discurso em uníssino do “Partido Polinova” e da chapa Reação: plebiscito, plebiscito, plebiscito. Estes grupos pintam o plebiscito como se o plebiscito fosse a coqueluche da democracia, a grande solução para todos os problemas do movimento estudantil. “A assembleia não é representativa; representativo é o plebiscito”, insistem em dizer. E continuam dizendo isso, mesmo sabendo que votaram no plebiscito 12% dos estudantes da Poli, contando graduação e pós-graduação.

O que este plebiscito monstrou? Neste momento, a maioria dos estudantes da Poli que votou no plebiscito está contra uma parte das reivindicações do movimento. Esse é o dado que a chapa Reação está divulgando a torto e a direito. No entanto, o plebiscito mostrou algo muito mais relevante, e que o “Partido Polinova” e a chapa Reação cuidadosamente escondem: que a desinformação na Poli é enorme, que a maioria dos estudantes da Poli que votou no plebiscito é crítica em relação à maneira como o Reitor é eleito e à gestão Rodas e que anseia por manifestar-se politicamente.

Ora, em terra arrasada pela total desinformação e pela total apatia, o ponto é que o plebiscito não só não informa ninguém e não supre a necessidade que os estudantes da Poli legitimamente sentem de informar-se e manifestar-se, como é utilizado de má-fé exatamente para legitimar uma opção política de não informar e não organizar manifestação alguma.

Explico-me: em si mesmo, o plebiscito é um instrumento que pode tanto ser bem utilizado como ser mal utilizado. Não preciso dizer o quão importantes são o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular em regimes democráticos. Entretanto, a democracia pressupõe que estes instrumentos venham acompanhados do acesso à informação, da prática cotidiana do debate e do exercício da manifestação política, e não que aqueles tomem o lugar destes, como que para justificar: “Pra que debate? Pra que manifestação? Temos o plebiscito!”. Ora, não é essa aberração o que tem acontecido na Poli?

Note-se: se o plebiscito tivesse sido utilizado após um longo e qualificado processo de debates, em que os estudantes tivessem o devido acesso à informação, e se viesse acompanhado do exercício da manifestação política, então seria uma coisa. Porém, no caso deste plebiscito a coisa é inversa: é para que não haja nenhum debate e nenhuma manifestação política que o plebiscito é evocado e utilizado.

Essa é a proposta destes grupos para o movimento estudantil, e é isso o que está em jogo com o plebiscito: fomentar a desinformação e a apatia para, de um lado, acabar com o movimento estudantil e, com isso, acabar com toda e qualquer manifestação política e com toda e qualquer opinião crítica à estrutura de poder autocrática da USP, e, de outro, fazer das entidades estudantis meras agências promotoras de eventos (de preferência, eventos que proporcionem gordos lucros para particulares) e palco para “líderes estudantis” que serão candidatos a qualquer coisa nas próximas eleições pelos partidos de direita – pois, não nos enganemos, é isso o que está em jogo para certos “líderes” da chapa Reação, ávidos dos holofotes e microfones da imprensa.

Todavia, para a infelicidade do “Partido Polinova” e de seus aliados da chapa Reação, o tiro saiu pela culatra. Ao fim e ao cabo, e ironicamente, muito mais do que essa ou aquela opinião de 12% dos estudantes da Poli, o plebiscito revelou aquilo que seus organizadores esforçaram-se por mascarar quando tomaram a iniciativa de propor o plebiscito: sua opção política em incentivar e fomentar a desfinformação e a apatia.

O resultado completo do plebiscito, inclusive as perguntas feitas, pode ser lido AQUI .

Antônio David é mestrando em Filosofia, FFLCH/USP.

Leia também:

Manifesto pela Democratização da USP





14 comentários

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Quem o REI-tor vai eliminar agora? « Mundo de Oz

29 de dezembro de 2011 às 13h24

[…] de Direito da USP pelos desserviços prestados quando diretor daquela unidade. E, também em 2011, num plebiscito organizado pelo Grêmio da Poli junto aos estudantes da Escola Politécnica, a maioria declarou não aprovar a gestão Rodas – ou seja, a gestão Rodas não merece […]

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Os alunos preferiram fazê-lo? – Antonio David « Ágora

28 de dezembro de 2011 às 12h29

[…] de Direito da USP pelos desserviços prestados quando diretor daquela unidade. E, também em 2011, num plebiscito organizado pelo Grêmio da Poli junto aos estudantes da Escola Politécnica, a maioria declarou não aprovar a gestão Rodas – ou seja, a gestão Rodas não merece […]

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Será que Antônio David vai ser “eliminado” da USP depois deste artigo? | Viomundo - O que você não vê na mídia

25 de dezembro de 2011 às 10h02

[…] de Direito da USP pelos desserviços prestados quando diretor daquela unidade. E, também em 2011, num plebiscito organizado pelo Grêmio da Poli junto aos estudantes da Escola Politécnica, a maioria declarou não aprovar a gestão Rodas – ou seja, a gestão Rodas não merece […]

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iamkewlz

09 de dezembro de 2011 às 01h01

Cara, essas lições todo o movimento estudantil devia tomar. Inclusive parar de fazer plebiscitos, que, como vemos, tem baixíssima adesão.

Responder

FrancoAtirador

08 de dezembro de 2011 às 16h11

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OS ESTUDANTES DO CHILE TÊM ALGO A ENSINAR AOS DO BRASIL?

Movimento estudantil: Camila Vallejo não é reeleita, mas será vice

A presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH), Camila Vallejo, perdeu com uma estreita margem de votos, a eleição em que concorria à reeleição.

O vencedor foi o líder da frente Criando a Esquerda, Gabriel Boric.

Segundo os resultados oficiais das eleições da FECH, coletados pelo diário EL Mercurio, Criando a Esquerda obteve 4.053 votos, 189 a mais do que a Esquerda Estudantil, lista na qual Vallejo concorria à reeleição.

Apesar da derrota, Vallejo valorizou sua eleição como vice-presidente da FECH. “Isso é muito positivo ara nós e estamos muito contentes e muito otimistas, com uma tarefa que nos chama a seguir trabalhando”, assegurou.

Além disso, destacou a adesão dos estudantes às listas de esquerda que concorreram às eleições. “Os integrantes da FECH serão puramente militantes de esquerda, o que é um bom prognóstico”, considerou.

Em sua opinião, esta “maioria de esquerda” reflete o respaldo dos estudantes às manifestações que há oito meses a FECH e a Confederação dos Estudantes da Universidade do Chile (Confech), da qual é porta-voz, protagonizam nas principais cidades do país em reivindicação de uma melhora no sistema educacional.

“Obviamente esta maioria de esquerda que está se expressando representa, em grande medida o que tem sido este movimento, tanto no interior da universidade, como fora dela”, declarou a líder estudantil.

União da Esquerda

Por sua vez, Boric valorizou o trabalho de Vallejo à frente da FECH. “Faço um chamado à unidade dos candidatos para continuar com os êxitos do movimento estudantil. “Além das nossas diferenças, sabemos que temos que trabalhar juntos”, apontou.

Dessa forma, apesar de ter reconhecido suas diferenças com Vallejo e com outros líderes estudantil com representação na FECH, Boric indicou que “os adversários do movimento estudantil estão no La Moneda (sede da presidência do Chile) e no Parlamento, não na Universidade do Chile”.

Fonte: Europa Press
Tradução: Vanessa Silva, da redação do Vermelho

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia

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eunice

08 de dezembro de 2011 às 13h32

Democracia é suada a sangue. Vamos indo devagar e sempre.Agora, sobre a turminha da USP que se acha…. Ora, minha amiga RG é o melhor exemplo, risos: ela estudou jornalismo na USP, e se considera cultissima e não gosta de filme nacional. Perguntei se conhecia estes filmes nacionais ( uns 20 citados…) e ela não conhecia nem um. O pessoal de exatas que eu conheça, em geral fala de aplicativos e de comida. Não têm outro assunto.

Responder

    Cláudia M.

    08 de dezembro de 2011 às 15h14

    Ooooops, que é isso, companheira Eunice?! Sem generalizações, por favor. Minha filha e eu estudamos na USP, não nos achamos (muito menos cultíssimas) e não só gostamos de cinema nacional (internacional e intergalático), como conhecemos (e assistimos) muito mais do que duas dezenas de títulos.

FrancoAtirador

08 de dezembro de 2011 às 13h26

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Pior do que a desinformação, o que já é grave para a formação da cidadania,

é o completo desinteresse dos estudantes por assuntos de extrema relevância,

já que dizem respeito ao destino da própria Universidade da qual fazem parte.

"Quase 90% dos estudantes não votaram", isto é, se abstiveram de participar.

É realmente de se questionar os motivos desta ausência de participação.

Quais serão as principais causas dessa apatia?

Desilusão com os mecanismos políticos supostamente ineficazes utilizados

ou um mero individualismo, um egoísmo do tipo:

"Quero mais é pegar meu diploma e ganhar muito dinheiro. O resto que se fêda".

E acaso não teriam a mesma origem da alienação vigente em toda a sociedade?

Atualmente, no Brasil, estão se criando meios para o acesso universal à informação?

A internet, como novo canal de comunicação, efetivamente está inovando ?

Substituir a TV Globo pelo G1, a Folha de S.Paulo pelo UOL, a Playboy pelo pornô.com

e a Revista Veja pelo Blog do "Rei" significa melhoria na qualidade da notícia ?
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Responder

    Vlad

    08 de dezembro de 2011 às 16h12

    Só faltou combinar com os estudantes que esses assuntos são de extrema relevância para eles.

    FrancoAtirador

    08 de dezembro de 2011 às 16h51

    .
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    É uma questão de forma, não de conteúdo:

    "…o plebiscito mostrou algo muito mais relevante,
    e que o “Partido Polinova” e a chapa Reação cuidadosamente escondem:
    que a desinformação na Poli é enorme,
    que a maioria dos estudantes da Poli que votou no plebiscito é crítica
    em relação à maneira como o Reitor é eleito e à gestão Rodas
    e que anseia por manifestar-se politicamente."
    .
    .

Rafaela Carvalho

08 de dezembro de 2011 às 12h38

Mesmo assim, esse dado é chocante:

‎"Por outro projeto de segurança na USP, que a Reitoria se responsabilize por: abertura do campus à população – possibilitando que a Universidade seja um espaço de aprendizado e convivência para a sociedade como um todo além de proporcionar maior circulação de pessoas.
. 39,51% – Sim
. 43,36% – NÃO
. 8,97% – Indiferente
. 7,58% – Não possuo opinião formada"

Gente, é espaço público. Você não quer abrir à população um espaço pelo qual ELA PAGA?

Responder

    cronopio

    08 de dezembro de 2011 às 13h37

    Cara Rafaela, concordo contigo. Mas acho que a desinformação cumpre aí um papel importante. Os alunos associam à abertura da USP à entrada de criminosos e ao aumento das ocorrências. Caso o assunto fosse debatido com mais profundidade, logo esses estudantes perceberiam que o aumento do número de pessoas circulando em um local contribui justamente diminuir o número de ocorrências. Essa, aliás, é uma das medidas de segurança mais eficiente do mundo. É claro que eles estão sendo preconceituosos. Como as parcelas mais pobres da população são diretamente associadas ao crime, eles consideram que fechar à USP irá torná-la mais segura. A USP, vale lembrar, fica próxima à favela da São Remo (uma das pautas da chapa Reação, aliás, é remover os favelados de lá, sob uma medida de "reintegração de posse"). Contudo, nesse aspecto, não apenas eles, mas todos os que se trancam em condomínios, em shoppings, etc. estão sendo omissos e preconceituosos. Enfim, é uma discussão longa e eu concordo com você: é um espaço público, mas acho que um trabalho de discussão e conscientização poderia modificar significativamente esses números.

    Thiago

    08 de dezembro de 2011 às 19h46

    Isso é uma confusão comum. Claro que é espaço público, e claro que que é sustentado pela população. No entanto uma coisa não implica na outra. Há, como a USP, diversas áreas públicas cujo acesso é controlado, precisamente para o melhor funcionamento das mesmas. Por que ninguém questiona o controle ao espaço do aeroporto? A questão, embora pareca estapafúrdia (imagine pedalarem na pista do aeroporto!) mostra como áreas públicas e áreas de livre acesso não podem ser confundidas. Outro exemplo pertinente é o autódromo de interlagos que, embora ofereça diversos serviços à comunidade, o faz de forma controlada.

    Ademais, quão fechado realmente é o campus? Com exceção dos domingos, o acesso é livre à população. Neste período, o campus disponibiliza bibliotecas e museus – sustentados com dinheiro público – à toda população. Note que ESTES serviços estão ligados diretamente ao cerne da função da Universidade na sociedade.

    Vlad

    08 de dezembro de 2011 às 21h06

    Mas Rafaela, o acesso dapopulação à Cidade Universitária já não é livre hoje?
    E não foi sempre livre?
    Eu, hein?!
    Não precisa comprar todo peixe que vê pela frente.


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