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Adilson Filho: Sem explicação convincente, Bolsonaro subirá a rampa do Planalto envolto em escândalo de corrupção
Alan Santos/PR
Política

Adilson Filho: Sem explicação convincente, Bolsonaro subirá a rampa do Planalto envolto em escândalo de corrupção


15/12/2018 - 17h42

BOLSONARO CHEGA EM 2019 ENVOLTO EM ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO

por Adilson Filho, especial para o Viomundo

Diferente das outras sucessões presidenciais da história democrática republicana e contrariando a expectativa popular, o presidente eleito subirá a rampa em meio ao inesperado escândalo dos depósitos descobertos pelo COAF, envolvendo seu filho e a futura primeira dama.

Parte do R$1,2 milhão que o motorista do filho movimentou e o depósito suspeito na conta da esposa ainda aguardam a indignação dos veículos das Organizações Globo, as manifestações desesperadas dos que surtam diante da simples menção de algum indício de corrupção e um pronunciamento decente do homem que deixou o cargo de “moralizador geral da nação” para se tornar perdoador oficial do grupo para o qual militava.

Na Globo, dificilmente veremos uma cobertura nos moldes da que acostumamos a ver contra petistas.  Por ora, a boca do Merval não deve espumar nenhuma uma gota de saliva que respingue o  bigode.

Não espere também capa da Veja com hidras e dragões saindo das cabeças de Lula e Dilma.

Mas numa coisa dá para apostar: como presente de fim de ano, o clã dos ”homens de bem” deve receber um generoso perdão público do seu mais novo jagunço de luxo.

Até o momento a resposta do “homem do dedo pro alto, engatilhado” foi a previsível desculpa esfarrapada.

O ” motorista” que movimentou mais de R$ 1 milhão, sacando com a desenvoltura de um Montanaro, pediu  ’40 merréis’ emprestados para pagar em suaves parcelas.

Ao pagar a “dívida”, o parceiro de todas as horas deposita na conta da esposa porque o generoso credor alegava não ter tempo de ir ao banco.

Convenhamos, uma explicação à altura do cérebro dos que caíram no conto do boquirroto que há 30 anos vive à custa do dinheiro público, empregando a família (sua e dos amigos), sem fazer nada de útil para a sociedade.

Seu principal “linha de frente” está enrolado até os últimos fios de cabelo que lhe restam. Aí, na hora de dar explicações, “solta a franga inteira” pra cima de um repórter. E isso é só o começo.

Agora, vamos ao que interessa.

O problema nunca foi a corrupção, tampouco a moral da família brasileira.

Pode vir à tona desde esquema de corrupção a uma bandalheira inimaginável envolvendo pastor, policial, ator-pornô e barbie-pistoleira.

A classe média nacional não vai estar nem aí.

Ela não escolheu quem escolheu para moralizar alguma coisa. Mas, para garantir, à base de exclusão, porrada e sangue derramado (se necessário for), a vergonhosa divisão social brasileira.

Ele foi eleito para assegurar  o velho acordo do “eles lá e nós aqui”, que andou fraquejando nos últimos anos.

Quem ainda espera indignação de quem o apoiou é possível que dê de cara com esta realidade: aquele familiar, vizinho, amigo de infância, talvez não fosse o tão “bem intencionado” , como você supunha.

O silêncio ensurdecedor de quem outrora falava pelos cotovelos revela uma sociedade com traços autoritários.

Há pais e mães de família dando um ‘cheque em branco’ para o genocídio dos mais pobres, se esse for o ”preço” para andar tranquilo na rua e não ter que “dividir” parte do bolo de privilégios recebido de mão beijada.

Tempos mais terríveis estão por vir no  Brasil.

A violência foi o principal trunfo eleitoral. Assim, diante da inevitável crise que se avizinha, uma bomba  pode ser acionada para ”resolver o problema”.

O nome disso é fascismo.

Ele surge de um apetite social por medidas enérgicas na base do “custe o que custar”, cresce no terreno da irracionalidade e ganha forma num líder que não precisa de nada mais do que o seu próprio ódio e sede de destruição para dar conta do recado.

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7 comentários

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Zé Maria

17 de dezembro de 2018 às 17h49

https://i.pinimg.com/originals/de/84/5d/de845dd23e70c7d96d0f735cf2ed2937.jpg
A Tela ‘La Mesquita’ de Cordoba, Andalucia, España,
não é bem-vinda pela Suzi Neopentecostal no Alvorada

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maria do carmo

17 de dezembro de 2018 às 08h44

Parabens Adilson Filho, comentario lucido perfeito essa e a triste realidade !…

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L'Amie

16 de dezembro de 2018 às 21h28

Nosso problema é o mesmo dos povos subdesenvolvidos. 1* ignorância crassa, 2* falta de boa educação, de cultura, de ética e de moral. São necessários ” 40 anos” para que Nova Geração exista e saiba pensar. Nós somos ainda uns Sem Noção.

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Francismoro

16 de dezembro de 2018 às 19h27

Cá entre nós, será que o Queiroz ainda está vivo ?
Bem feito para classe média que nao sabe fazer o O com o copo. A globo é o guru da classe média.
Se o capitao rezar pela mesma cartilha do Aécio, o Queiroz já é arquivo morto.
O Mito é só MAIS 1 corrupto e nada mais. Caiu a ficha ????
Por que o Moro está tão quetinho no canto dele ?

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Zé Maria

16 de dezembro de 2018 às 00h27

https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/147/bolsonaro-e-as-redes-a-mentira-e-a-manipulacao-sem-intermediarios/ditador%20zap.jpg

Bolsonaro e as Redes: a Mentira e a Manipulação sem intermediários

Apesar de oratória débil e cultura rasa, o pretenso “mito”
conta com tecnologia que dispensa mídia comercial
e ideias elaboradas para atingir grandes plateias,
já “adestradas” para essa comunicação

Nos anos 1930, um cabo austríaco falava às massas sem intermediários. Usava o rádio e a praça pública. Hoje um capitão reformado brasileiro faz o mesmo usando as redes sociais. Mudam os meios, mas os fins são semelhantes.

Por Lalo Leal Filho, para a RBA

O afastamento das chamadas associações intermediárias do jogo democrático, como partidos e sindicatos, é típica de governos autoritários.
Projetos e propostas políticas deixam de ser debatidos e refinados através da sociedade organizada para serem impostos à vontade popular através da voz solitária do líder, tendo como sustentação apelos emocionais e demagógicos.

Incapacitado por sua débil oratória e rasa cultura, o pretenso líder brasileiro viu cair aos seus pés uma tecnologia que dispensa ideias mais elaboradas.
Uma ou duas frases, muitas vezes capengas, são suficientes para atingir grandes plateias virtuais, já adestradas para esse tipo de comunicação.

Infelizmente o entendimento de textos mais elaborados está fora do alcance da maioria dos brasileiros.

A eficiência das redes ficou provada durante o processo eleitoral.
Alguns dias antes do pleito, robôs despejaram milhões de mensagens contra candidatos progressistas.
Além da disputa presidencial, foram deturpadas diversas campanhas para os legislativos.
Exemplos significativos foram as derrotas de Eduardo Suplicy, em São Paulo, e Dilma Rousseff, em Minas, candidatos ao Senado que apareciam até às vésperas das eleições como franco favoritos.
Foi a fase aguda da comunicação eleitoral.

A dúvida agora é saber se de aguda passará a crônica, juntando-se aos meios tradicionais.
Desde sempre, esses meios oferecem ao público doses diárias de informações cujo efeito cumulativo é semelhante ao dos remédios de uso contínuo.
Permanecem indefinidamente no organismo.

É assim com a criminalização diária da política, a exacerbação da violência através dos programas policialescos e a imposição de regras morais conservadoras pelos canais e programas religiosos onipresentes no rádio e na televisão.
São vidas inteiras contaminadas por esses produtos sem nenhuma fiscalização.

Há momentos em que alguns veículos aumentam a dosagem de suas drogas.

Um dos casos mais evidentes é o do surgimento e consolidação dos movimentos de extrema direita…
…seus líderes tornaram-se protagonistas da cena política graças à mídia tradicional que buscava, de qualquer forma, algum movimento de rua capaz de servir de contraponto às tradicionais ações desse tipo, conduzidas pela esquerda.

Dessa forma, pequenos grupos de 10 ou 20 pessoas segurando a bandeira nacional, pedindo o impeachment da presidenta ou a “intervenção militar democrática” viravam notícia de destaque.
Alguns dos seus integrantes tornaram-se populares obtendo expressivas votações no último pleito.

O exemplo mais significativo desse processo de ampliação de poder dos grupos de extrema-direita, realizado pela mídia tradicional, deu-se no sábado que antecedeu o primeiro turno das eleições presidências.
Naquele dia aconteceu um movimento de massa nacional comparável apenas com os comícios das Diretas Já, na década de 1980.
Foi o “Ele Não”, responsável por colocar nas ruas milhares de pessoas nas principais cidades do país.

A TV Globo, além de não anunciar esses eventos, como fazia quando era para derrubar a presidenta Dilma, os minimizou com uma cobertura minguada e distorcida.
Tentou exibir um equilíbrio que só é lembrado nessas horas, indo atrás de reduzidos grupos de manifestantes favoráveis ao candidato direitista.
Comparou o incomparável, abrindo espaços iguais para acontecimentos desiguais.

Ainda assim, o sucesso do “Ele Não” assustou seus adversários.

A partir daí, o bombardeio através do WhatsApp ganhou proporções nunca vistas por aqui e acabou decidindo as eleições.

Tornou-se o grande cabo eleitoral do candidato vencedor que agora aposta nele como forma de sustentação ao seu governo.
Resta saber se dará certo.

Uma coisa são as descargas de mensagens fantasiosas concentradas em poucos dias apelando para uma decisão eleitoral.
Outra será a necessidade de explicar acusações de corrupção ou de justificar mais reduções de direitos trabalhistas todos os dias.

https://t.co/ES7RlGl0Js
https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/147/bolsonaro-e-as-redes-a-mentira-e-a-manipulacao-sem-intermediarios

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Zé Maria

15 de dezembro de 2018 às 18h11

O braZil foi Fasci-Paulistizado.

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