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Desespero de um lado, comodismo do outro


12/12/2012 - 15h34

por Luiz Carlos Azenha

Na política brasileira, até parece que o mundo vai acabar. O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e as renovadas denúncias contra o ex-presidente Lula demonstram que a oposição está fazendo o que restou a ela fazer no Brasil: política.

Independentemente do conteúdo das denúncias, o timing levanta suspeitas: julgamento do mensalão durante o período eleitoral, denúncias envolvendo funcionária pública ligada a Lula logo depois da vitória de Fernando Haddad em São Paulo e depoimento de Marcos Valério acusando Lula no que já parece ser a campanha de 2014.

Primeiro José Dirceu, depois Lula, em seguida Dilma…

Mas os ataques ao ex-presidente são os que mais podem afetar o futuro do PT.

Foi Lula, afinal, quem elegeu dois “postes” contra todas as previsões da mídia.

Apesar de todas as denúncias, o Partido dos Trabalhadores cresce seguidamente desde 2002. A partir de janeiro de 2013 voltará a governar o maior orçamento municipal, o de São Paulo.

A oposição encolheu. Corre o sério risco de perder o governo do estado de São Paulo em 2014 e Dilma Rousseff é favorita para se reeleger em 2014.

O quadro político altamente polarizado não é exclusivo do Brasil.

Se você analisar detidamente os processos de mudança em curso na América Latina verá que situações paralelas à nossa, vividas na vizinhança, também envolveram as chamadas dores do parto. Na Venezuela a elite local, tradicionalmente associada aos Estados Unidos, inventou um locaute, a paralisação da principal artéria do país (a petroleira PDVSA) e um golpe cívico-midiático-militar. Na Bolívia houve o levante de Santa Cruz de la Sierra. Na Argentina houve os caminhonaços. No Equador, uma revolta de policiais.

A mídia associada a Washington teve e continua tendo papel relevante na reação à ampliação de direitos em geral — particularmente os trabalhistas — na região. No Brasil, de tradição conciliadora na política, houve menos confrontos abertos. Mas o que foi a cobertura dos escândalos em 2005 que não uma tentativa de impedir a reeleição de Lula em 2006? E, no entanto, Lula se reelegeu. E elegeu Dilma. E elegeu Fernando Haddad.

Fez isso com um estilo político que eu chamaria de pêndulo. Fazendo concessões ora à direita, ora à esquerda. Formando, lentamente, consensos em torno de políticas públicas. Lembram-se como era a reação ao Bolsa Família no primeiro mandato de Lula? E às cotas raciais? E aos direitos indígenas, especialmente durante o debate sobre a demarcação da Raposa/Serra do Sol em Roraima? E aos aumentos reais do salário mínimo?

Muitos dos argumentos usados então contra as políticas de Lula hoje soariam bizarros. Tanto que foram descartados. Restou à oposição o mar de lama, que não tem nada de original na nossa história.

E, no entanto, em todos os debates fundamentais acima citados as propostas do PT acabaram vingando.

Não sem múltiplas concessões, refletindo a estratégia petista de enfraquecer a oposição “por dentro”. Hoje não seria surpresa se Kátia Abreu assumisse um ministério no governo Dilma. Há quem sustente que em nome da governabilidade o PT ficou muito parecido com tudo aquilo que combateu no passado.

Seja como for, o comodismo político do partido tem uma explicação óbvia: funcionou política e eleitoralmente até agora. O partido cresceu. Tem mais orçamento sob sua administração que nunca. E terá muito mais em 2013. O PT é  o principal gestor da modernização conservadora.

Enquanto recebeu benefícios das políticas econômica e social, o povão ficou majoritariamente ao lado de Lula.

A novidade é o aprofundamento da crise econômica internacional e seus reflexos no Brasil.

Desde 2002 o PT nunca governou sob a ameaça de uma crise prolongada ou de crescimento econômico medíocre de longo prazo.

A expansão de direitos promovida por Lula se deu num quadro em que os empresários nacionais se beneficiaram diretamente do crescente mercado interno. Agora, eles enfrentam retração no mercado internacional e redução da margem de lucros.

O lulismo como fiador da conciliação de classes corre risco.

Notem como a redução dos direitos sociais é vendida pela mídia como solução para as crises da Europa e dos Estados Unidos. Os jornais alemães deitaram e rolaram denunciando que a crise na Grécia teria sido provocada… pelos próprios gregos. A Europa mediterrânea seria “preguiçosa”, “gastadora”, “ineficiente”. Nos Estados Unidos o programa de saúde aprovado pelo presidente Barack Obama foi taxado de “socialista” pela Fox News. Um gasto desnecessário de um governo inchado, argumentava o Tea Party.

A crise que nasceu da desregulamentação dos mercados financeiros e se aprofundou com a transferência de trilhões de dólares em dinheiro público para os banqueiros agora é atribuída… àqueles que pagaram a conta. Tal é o poder da mídia associada ao capital financeiro.

Não surpreende, portanto, que empresários brasileiros que se acomodaram com os governos petistas agora se voltem para uma opção mais “eficiente”, que é justamente o mote com o qual o senador Aécio Neves vem se vendendo. É o neoliberalismo na versão light.

De repente, o PT se vê diante da encruzilhada.

O partido é suficientemente “confiável” para promover o esgarçamento dos direitos sociais antevisto pelo empresariado como necessário à competitividade internacional e à retomada das margens de lucros?

Independentemente da resposta, parece estar claro ao governo Dilma que a retomada do crescimento robusto é essencial para a sobrevivência do lulismo nos moldes em que ele se instalou no Planalto.

O risco para o futuro do PT não está no STF, mas na crise econômica, se as concessões do partido à direita implicarem em freada brusca na sensação de avanço social da maioria.

Como escrevi anteriormente, o PT é hoje o partido do establishment. Os saudosistas querem vê-lo militando como nos anos 80. Ao partido no poder nunca interessou fazer marola, especialmente quando ele cresceu sem fazer marola, ainda que na defensiva. Portanto, se o Brasil retomar o crescimento econômico robusto acredito que teremos adiante mais do mesmo: desespero de um lado, comodismo do outro. Evidentemente, com os trancos que tanto animam a blogosfera.

Porém, no quadro de incertezas atual, não deixa de ser estranho o imobilismo do PT diante da campanha eleitoral antecipada da oposição que, de olho em 2014, morre de medo do Lula.

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46 comentários

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Romulo

18 de dezembro de 2012 às 23h00

Prezado Azenha,
como sempre suas observações são muito lúcidas. Mas tem um item faltando na sua análise. A sensação de bem estar é que esta por trás do “..é a economia estup… “. Lembre-se que o PIB já cresceu muito sem distribuição de renda e governos foram mal avaliados. Este ano a economia cresceu pouco mas a distribuição de renda, segundo dados de hoje do IPEA,esta a crescer muito!!! E a felicidade da Nação também!!!Aí, é possível que,se o processo democrático continuar, e não for interrompido (o que não descarto),2014 está decidido.
Infelizmente o que está em jogo no momento não é a continuidade do PT no poder e sim o regime democrático num país que sempre teve , em seus 500 anos de formação,algo ou alguém para impedi-lo.
Aos que pensam que isto é balela,recordo-me do que li sobre a véspera de 64, quando a esquerda pensava que já estava no poder…

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prova de bala

13 de dezembro de 2012 às 15h35

a questão do crescimento econômico influência sim uma eleição… pois o crescimento econômico beneficia a classe empresarial, e se ela se voltar contra o governo numa eleição ficará mais difícil a reeleição de Dilma.

É preciso crescer os 4% nos próximos dois anos, ou corremos sérios riscos na eleição.

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Eduardo Guimarães

13 de dezembro de 2012 às 12h45

Agora é a última mesmo, Azenha/Conceição. Este link explica muito do que escrevi http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-sinais-de-mudanca-economica

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Eduardo Guimarães

13 de dezembro de 2012 às 12h29

Esqueci uma coisa, meu querido amigo Azenha: cuidado com o canto da sereia do PSOL e assemelhados, que emula, em larga medida,o do PSDB. O grande erro dessa gente é não entender que uma queda da desigualdade como a que o índice de Gini detectou no Brasil é muito mais importante que crescimento. Poucos são capazes de entender o que acontece na vida do povo quando a renda se desconcentra. A classe média, é totalmente incapaz. Eu, particularmente, só passei a entender porque, quando me casei, há trinta anos, fui da classe média alta para a classe pobre – pobre mesmo. Então vi coisas que pessoas da classe média nunca verão. Busque a curva de Lorenz (índice de Gini) entre 1960 e 2011 (acho que é o último dado do Gini) e vai ver que não será tão fácil assim tomar o poder do PT.

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Eduardo Guimarães

13 de dezembro de 2012 às 11h54

Azenha, crescimento já se viu que não é o que mantém as massas contentes. O crescimento da era Lula é modesto. O que importa não é crescer, mas distribuir renda e oportunidades. O mundo em chamas e, no Brasil, salários se valorizam, renda se desconcentra, empregos são criados aos milhões. Crescimento pra que? Claro que não pode ter recessão, mas a política econômica vai surtir efeito, disso não tenha dúvida. O PT se ampara, isso sim, no bem-estar social, no bom e velho feel good factor. No conceito de que não é preciso empurrar a conta das crises ao povão. Estamos no segundo ano de baixo crescimento e Dilma vai ficando cada vez mais popular. Não é à toa. Não temos crescimento, mas temos redução dos juros; não temos crescimento, mas temos redução na conta de luz; não temos crescimento, mas temos paulada do governo nos odiados planos de saúde e operadoras de telefonia,internet… A mídia não consegue enxergar que os seus valores não são os do povo, tido como burro, desinformado, mas que sabe direitinho quando sua vida vai bem ou mal.

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    Lafaiete de Souza Spínola

    13 de dezembro de 2012 às 15h59

    EDUARDO,

    Parabéns pelo seu comentário. É preciso ir dividindo a riqueza do país para torná-lo menos injusto. Agora, é chegada a hora de resolver o assunto mais prioritário que governante nenhum se dispôs a procurar a solução: EDUCAÇÃO!

    A Presidenta poderia, já, sem esperar os recursos do pré-sal, distantes, revolucionar a educação. Nada de recursos a conta-gotas, mas investimento maciço como proponho em meu tópico. Como sugeri, parte da reserva deveria ser injetada, disparando esse processo. Essa injeção de dinheiro; não para o consumo de carros nem para o trem bala, mas para resgatar, em parte, a dívida social; traria, também, o crescimento, entre outros, da indústria da construção civil. O nível de autoestima das classes menos favorecidas, seguramente, seria um fator de suma importância para o nosso desenvolvimento futuro.

Lafaiete de Souza Spínola

13 de dezembro de 2012 às 11h37

Presidenta Dilma: A EDUCAÇÃO é o TREM BALA que o Brasil precisa!

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL III.

SÃO INACEITÁVEIS AS SEGUINTES AFIRMAÇÕES:

1. É UMA SOBRECARGA O GRANDE NÚMERO DE MATÉRIAS OBRIGATÓRIAS NO CURRÍCULO ESCOLAR.

2. O BRASIL VAI QUEBRAR, CASO HAJA UM SUBSTANCIAL AUMENTO DO INVESTIMENTO PÚBLICO NA EDUCAÇÃO.

A TENDÊNCIA, NO MUNDO:

NA INFOERA, COM O AVANÇO EXPONENCIAL DO HARDWARE EM CONSEQUÊNCIA DA MINIATURIZAÇÃO QUE JÁ ENTROU, FAZ TEMPO, NO NÍVEL ATÔMICO AO LADO DO VASTO USO DA NANOTECNOLOGIA E OS CONSEQUENTES AVANÇOS NAS ÁREAS DO SOFTWARE E DO EXTRAORDINÁRIO DESENVOLVIMENTO DAS COMUNICAÇÕES; PASSA SER MAIS IMPORTANTE O SER HUMANO PENSANTE COM UM AMPLO CONHECIMENTO GERAL QUE PERMITA O SEU DESENVOLVIMENTO, QUANDO ESTIVER FORA DA TRADICIONAL CADEIRA ESCOLAR. O PODER DA WEB PASSA A SER INCOMENSURÁVEL.

DURANTE ESSE INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO, CASO HAJA UMA MOBILIZAÇÃO NACIONAL, ALOCANDO PARTE DE NOSSAS RESERVAS NA CONSTRUÇÃO DESSES CIEPS AMPLIADOS, HAVERIA UM CRESCIMENTO SIGNIFICATIVO DO MERCADO INTERNO, NÃO SÓ NA CONSTRUÇÃO CIVIL. IMAGINO QUÃO PROFUNDO SERIA O RESGATE OU MESMO O DESENVOLVIMENTO DA AUTOESTIMA DO POVO BRASILEIRO. TALVEZ ESTA SERIA UMA DAS CONSEQUÊNCIAS MAIS IMPORTANTES A COLHER! PERGUNTO: QUEM TERIA A CORAGEM DE TENTAR SABOTAR TAL PROJETO QUE IRÁ BENEFICIAR DESDES OS MENOS FAVORECIDOS ATÉ QUASE TODA CLASSE MÉDIA? OS PSICOPATAS TERIAM CERTA DIFICULDADE DE ATUAR, FICARIAM CALADOS. O BRASIL PASSARIA, REALMENTE, A SER UMA NAÇÃO DE VERDADE!

Todos sabemos que a nossa educação é, faz décadas, pífia! O Brasil necessita de uma escola pública, em tempo integral, de qualidade que permita fornecer o básico às nossas crianças, para que elas se encaixem nesse mundo que se descortina.

Observem que poucas foram as escolas a obter um nível de avaliação razoável (IDEB). A maioria, inclusive, orientada para atendimento de áreas específicas, de difícil acesso à maioria dos nossos jovens.
Outra observação é que os piores índices, em geral, foram verificados nas regiões onde predominam altos níveis de violência. Quanto maior índice de violência, tanto menor o IDEB!

Guardo cerca de 1000 testes aplicados, nos últimos 10 anos (redação de pelo menos 15 linhas, matemática e conhecimentos gerais), em jovens entre 18 a 25 anos, todos com secundário completo, muitos já frequentando faculdades particulares. É uma calamidade!

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação. Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial. Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados; ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, concomitantemente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda. Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc.

Observações e consequências previsíveis:

1. O tráfico perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, das 07 às 19 horas, na escola. A segurança pública ficará agradecida. Passam a ser desnecessários tantos investimentos em presídios e efetivo policial. É uma fonte de recursos que migrará para a educação. Mais educação e menos balas perdidas!

2. Inicialmente, para aqueles adolescentes que participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.

3. A saúde pública será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem alimentadas, sinônimo de saúde para elas e seus pais. Toda escola deverá ter um posto de saúde. Os pais despreocupados terão mais tempo para seus afazeres. Haverá menos gasto público com acidentes e com viciados em entorpecentes. É mais dinheiro que poderá migrar para a educação.

4. O setor financeiro deve entender que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de bem estar. Será bom para todas as atividades que desejam uma nação economicamente forte. Os bancos irão ter menos gastos com a segurança. Com a educação em constante avanço, poderão aperfeiçoar a automação do setor.

5. Considero que esse projeto, para ter êxito, necessitará de uma coordenação centralizada, inclusive para evitar o privilégio de regiões, ficaria, então, sob a responsabilidade do Ministério da Educação.

6. Os recursos, atualmente, aplicados pelos estados e municípios, na educação, devem ser alocados nesse projeto. Tudo passa para o controle do ME. Para diminuir custos, poderá haver padronização em determinadas atividades. A edição de livros em escala, por exemplo, será necessária.

7. Deve ser criada uma fiscalização, prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação de: pais, professores e sindicatos, com poderes e recursos para denunciar erros, desvios de verba e de rumo etc.

8. Recursos adicionais: os pais devem pagar 5% do salário (entradas) pela mensalidade de cada filho matriculado. A classe média paga, hoje, muito mais em escolas particulares de qualidade duvidosa.

9. O pequeno agricultor terá prioridade no fornecimento dos produtos alimentícios dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno. Tornando-se uma importante política para manter o homem no campo. A formação de pequenas cooperativas agrícolas deve ser incentivada para permitir a aquisição de maquinário de médio porte para o trato da terra e a armazenagem da colheita. Surgirá, então, um promissor mercado para os fabricantes dessas máquinas. Tudo isso representa um grande incentivo para manter o homem no campo, evitando o inchaço das cidades.

10. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar como praticar uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares. As escolas estabelecidas no campo devem ter no currículo aulas teóricas e práticas de como recuperar as áreas degradadas. O governo por intermédio da Embrapa fornecerá mudas e orientação de como proceder. As escolas localizadas dentro do perímetro urbano adotariam a sistemática de, uma vez por mês, participar em conjunto com suas irmãs do campo de mutirões para recuperar áreas degradadas. Isso proporcionaria uma maior integração da cidade com o campo.

11. O Brasil passará a ser um país admirado e respeitado. Deixará de ser o país só das “comodities”, esse anglicismo usado para substituir “produtos primários”. Mesmo no campo da agricultura, teremos uma maior diversidade e qualidade.

12. Passaremos a ter produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta tecnologia. Nossa indústria crescerá, em função do mercado interno.

13. O futuro da energia não poderá ficar dependente da contínua destruição de grande parte da nossa AMAZÔNIA. Precisamos desenvolver tecnologias. Pequenas usinas de energia solar, eólicas e hidroelétricas devem proliferar para atender às novas exigências dessas escolas e dos pequenos agricultores. A sobra dessa energia será integrada à rede nacional, evitando os apagões. Alguns projetos de grande porte poderão, talvez, ser adiados. Com mais educação e cultura teremos melhores condições de analisar nossas prioridades e tecnologias aplicáveis. Será o fim das aventuras! Tudo será planejado!

14. A energia nuclear, ainda é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la. Não podemos importar tudo a preço de ouro. Temos que investir na pesquisa e desenvolvimento de outras fontes. Com esse projeto de educação haverá proliferação de centros de pesquisa.

15. Outras fontes de energia, como a eólica, a solar e a biomassa poderão aumentar a nossa independência. Sem um projeto de educação, como o proposto, não iremos alcançar os avanços tecnológicos, já existentes.

16. Não é com a devastação da Amazônia que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado. Um povo educado e culto saberá combinar o desenvolvimento com a preservação ambiental. Ocuparemos a Amazônia, sem devastá-la.

17. Com a devastação de nossas florestas e matas ciliares, seremos as principais vítimas. Os psicopatas, sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% dessa praga. Num país com uma população de 190 milhões, temos, assim, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade; inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais esses traficantes e corruptos abastecem a lavagem de dinheiro. Com um povo educado essa gente não desaparece, porém o grau de atividade será bem menor.

18. Para alcançarmos tudo isso, possivelmente, necessitaremos de uma nova forma de fazer política: mandato único em todos os níveis, partidos sem caciques, país unitário, lei única, câmara única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia! Quem não dá a devida atenção à educação, deseja o status quo. Surge com uma infinita quantidade de argumentos, aceitáveis pelos psicopatas e por muitos que não se dão conta que estão adotando os argumentos dessa gente.

19. A nossa federação tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis, alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras mazelas. Dentro desse quadro federativo a educação, praticamente, não terá guarida. Dentro desse quadro surgirão promessas vãs, enganosas, como prometer as famosas cotas, tirando o cobertor de pobres injustiçados para cobrir outros tão pobres. Tudo isso numa manobra de lei, sem propor um projeto que transforme profundamente a nossa educação. Falam em educação sem investimentos pesados. Sabem mobilizar para a copa do mundo, agora, para o trem bala e para outros projetos onde o dinheiro jorra descontroladamente. Para a educação sobra o engodo.

20. Tudo, portanto, por uma educação de nível, para que possamos, pacificamente, revolucionar esse nosso Brasil. As áreas de tecnologia passariam a ter disponibilidade de pessoal com preparo. O individuo seria engrandecido e o país ficaria agradecido.

21. As nossas Forças Armadas, assim, repensariam seus projetos de importação, voltando sua atenção para o desenvolvimento tecnológico próprio. Não temos ameaças de vizinhos. Importar equipamento militar de ponta é dar continuidade à nossa dependência tecnológica. Temos que investir mais em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Se não temos inimigos vizinhos, de nada adianta importar certa quantidade de equipamentos, pois, além de ficarmos sempre dependentes, de nada servirá para enfrentar supostos inimigos que possuem uma força imensamente desproporcional. Portanto, o que necessitamos é investimento pesado na EDUCAÇÃO, pois é de onde sairão, aos milhares, nossos pesquisadores. Pesquisadores que tenham mais apreço e orgulho pelo seu país!

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Marcelo de Matos

13 de dezembro de 2012 às 11h16

Se o crescimento econômico é mais importante para o futuro do PT que as marolas da dupla Barbosa/Gurgel no STF, temos notícias alvissareiras. O UOL noticia que: “Em entrevista à agência de notícias Reuters, a presidente-executiva do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, terceira maior varejista do país, prevê um Natal bom e disse que os recentes temores sobre a economia são exagerados. “O varejo é o primeiro que sente, né? E você percebe o momento já da confiança de consumidor de voltar e comprar”, disse Luiza Helena Trajano Rodrigues à Reuters. As vendas de supermercados, que representam cerca de metade do índice restrito de vendas no varejo, tiveram alta de 2,2% em outubro ante setembro, segundo a associação nacional do setor Abras. Indicadores antecedentes apontam uma continuação do forte crescimento anual das vendas no varejo, com as condições favoráveis do crédito e o aumento real dos salários estimulando a demanda, afirmaram analistas do Morgan Stanley em nota”.

Responder

Marcelo de Matos

13 de dezembro de 2012 às 10h39

“o PT é hoje o partido do establishment. Os saudosistas querem vê-lo militando como nos anos 80”. Discordo quanto à primeira parte: se o PT fosse o partido do establishment não estariam tentando fazê-lo sentar no banco dos réus, como nesse processo do mensalão. O establishment, aliás, usa de todas as armas para tentar aniquilá-lo: a toga, os factoides y otras cositas más. Como disse Roberto Amaral, na Carta Capital: “Hoje, queira ou não, Lula continua a ser o “sapo barbudo” que a direita foi obrigada a engolir, mas está sempre tentando regurgitar”. Quanto aos saudosistas, que querem ver o PT militando como nos anos 80, não consigo entendê-los. Esses saudosistas não são os mesmos que deixaram o PT formando o PSOL e o PSTU? Então o problema desse pessoal é outro: seus partidos sofrem de nanismo, ou naniquismo. Se o PT seguir a cartilha desses saudosistas vai se tornar mais um partido liliputiano. Finalmente, o que é “fazer marola”? É ser falastrão? “Não faz marola pra canoa não virar”, dizia uma marcha carnavalesca dos anos 50.

Responder

Marcelo de Matos

13 de dezembro de 2012 às 09h34

Volto a repetir o que já disse: não vejo a atual campanha contra Lula como propaganda eleitoral antecipada. O PIG sabe que a melhor defesa é o ataque. Quando quer blindar seu pessoal, como o governador Geraldo Alckmin, desvia o foco das investigações sobre Lula. No caso do porto da Ilha dos Bagres, por exemplo, já havia operários trabalhando na área, que é patrimônio federal. Paulo Vieira foi questionado quando encomendava um parecer – Tem gente grande envolvida, prefeito, governador? A resposta foi: Tem, tem, tem. Alckmin publicou o Decreto 58.111 em que “reconhece a relevância econômica e social da obra”. Qual a relação do governador com Gilberto Miranda e com a construtora CR Almeida? Nada disso foi considerado pelo PIG que blindou Sua Excelência. A investigação desviou-se dos magnatas que, só eles, poderiam encomendar e pagar os pareceres fajutos, para um suposto affaire Lula/Rosemary, fato esse mais importante para a República que as grandes negociatas que estavam sendo entabuladas em Santos.

Responder

FrancoAtirador

13 de dezembro de 2012 às 09h24

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UM SOBREVÔO SOBRE A MÍDIA ALEMÃ: A TELEVISÃO

O artigo é de Flávio Aguiar, de Berlim, na Carta Maior

Berlim – Como tudo mais, a experiência alemã com a mídia televisiva tem por objetivo evitar a concentração de poderes em poucas mãos.

Apesar de, em sua história, a mídia televisiva da Alemanha Ocidental – que foi a que prevaleceu – ter começado com um único canal público de TV (ARD), depois 2 (ZDF) e três (com as retransmissoras regionais da ARD, que também promoviam programação própria). Foi apenas em meados da década de 80 que o sistema televisivo da Alemanha Ocidental se abriu para o setor privado.

Na antiga Alemanha Oriental havia um sistema estatal de TV. A situação era muito complexa, porque boa parte dos cidadãos da DDR conseguiam captar os sinais do lado Ocidental. Interferir com estes sinais, bloqueando-os, também podia dificultar a transmissão própria do lado oriental. Havia até acomodações de horários, com os noticiários, por exemplo, do lado oriental e do lado ocidental indo ao ar em momentos diferentes.

Depois da reunificação, o sistema oriental foi absorvido pela ARD (fundada em 1954) sob a forma de estações regionais de retransmissão.

A Alemanha desfruta de um sistema próprio de transmissão, conhecido como PAL (mesmo com as atuais transmissões digitais), que também é usado no Reino Unido, na Europa ocidental, na África, Austrália e América do Sul. É um sistema diferente do usado na América do Norte e Central,e no Japão, o ATSC, sucessor do NTSC, e do SECAM, usado na França, na Rússia e na Europa do Leste.

Atualmente 95% dos lares alemães possuem pelo menos um aparelho de TV, num total de quase 40 milhões de unidades. Destas, 19,8 milhões recebem a TV a cabo, 15,7 por satélite e 4,2 por transmissão aérea, ou terrestre.

As TVS públicas alemãs continuam desfrutando de uma larga audiência: juntas, são responsáveis por 24,5% da recepção, 12,4% a ARD e 12,1% a ZDF.

As duas maiores TVs privadas são responsáveis por 24,2% da recepção:
a rede RTL detém 14,1% e a SAT1, 10,2%.

Assim mesmo esses dados, que são de 2011, apontam uma variação pequena, mas importante: em 2009 a ARD detinha 12,7% da recepção e a RTL, 12,5%.
A ZDF tinha 12,5% e a SAT1, 10,4%.

De todo modo, o que se constata é que não existe aqui um fenômeno como o da Rede Globo.

Em termos de financiamento, 4,43 bilhões de euros provêem de fontes públicas; 4,035, da publicidade; e 1,15 das assinaturas. Parte do financiamento público (que vai para a ARD e a ZDF) provém de um imposto, chamado GEZ (de “Gebühreneinzugszentrale”), pago por todos os lares conforme tenham aparelhos de tv e/ou rádio, cuja declaração e registro são obrigatórios (excetuam-se os aparelhos portáteis e de carro, caso os usuários já os tenham em casa).

O imposto pago pela posse de um ou mais aparelhos de rádio é de 5,76 euros por mês, e 17,98 pela posse de tv ou tv + rádio, independentemente do números de aparelhos.
Pode-se pagá-lo mensalmente, por trimestre ou anualmente.
Há também casos de isenção por desemprego, recurso à assistência social, etc.

Anote-se também que o número de canais pequenos ou de grande porte – mais internacionais (como a CNN ou a BBC, por exemplo) é muito grande.

Somente em Berlim o usuário dispõe de 25 canais (sem contar os que possa receber do exterior via satélite ou pela internet, em seu computador).

Nos canais públicos a publicidade é controlada rigidamente, não podendo ultrapassar os 20 minutos diários e tendo de ser veiculada antes das 20 horas.

REGULAÇÃO
O controle sobre a TV é exercido por uma intricada rede de Comissões de nível regional ou estadual, que, além de atuarem em sua área, se reúnem periodicamente e fazem parte da European Platform of Regulatory Authorities.

A atividade dessas Comissões é regulada em lei derivada da Constituição Federal e, entre suas atribuições estão:

1) O licenciamento dos canais e a avaliação sobre se está havendo excessiva concentração em sua posse;

2) A avaliação sobre a pluralidade de pontos-de-vista em todos os setores da programação;

3) A proteção do menor;

4) A observação das leis anti-discriminação cultural, religiosa, étnica, sexual, etc.

Essas comissões podem exarar pareceres ou recomendações com força de lei.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21399&editoria_id=6

Responder

Roberto Locatelli

13 de dezembro de 2012 às 08h02

A questão é: para quem governar? Para os capitalistas ou para a população?

Para que a crise econômica não chegue aqui, o PT terá que radicalizar suas ações à esquerda: os juros bancários terão que cair drasticamente, a especulação tem que ser pesadamente taxada e os direitos trabalhistas têm que ser mantidos e até ampliados. A conta de luz tem que cair, os impostos para os muito ricos têm que subir radicalmente.

Essa é a principal contradição do capitalismo: quanto menos poder aquisitivo o povo tem, menos consumo, portanto menos produção. Resultado: recessão, fome e desemprego.

Responder

    Roberto Locatelli

    13 de dezembro de 2012 às 08h14

    Reforçando o argumento:

    1) Os capitalistas dizem: “se houver menos direitos trabalhistas, contrataremos mais trabalhadores”.
    2) O governo (da Grécia, por exemplo) corta direitos trabalhistas, atendendo à reivindicação dos capitalistas.
    3) O trabalhador, tendo menos direitos, tem menos renda (digamos que o governo corte férias, 13º, vale-transporte). Tendo menos renda, ele e sua família consomem menos.
    4) Portanto, a produção se reduz e as empresas de serviços têm menos clientes.
    5) os pequenos empresários, que são de classe média, vão à falência ou, no mínimo, perdem renda, reduzindo também seu nível de consumo.
    6)Os capitalistas, ao invés de contratar mais, demitem, pois não conseguem mais arcar com o número de empregados que tem.
    7) Com o nível de desemprego em alta, o consumo cai ainda mais. Empresas médias vão à falência.

    Forma-se assim o círculo vicioso. Por isso é que os países nos quais o povo tem mais renda, prosperam. Quando o capitalismo força a renda do povo para baixo, há crise.

    Essa é a tendência suicida do capitalismo, que está sempre querendo matar a galinha dos ovos de ouro, o trabalhador/consumidor.

J Souza

12 de dezembro de 2012 às 20h28

“Tal é o poder da mídia associada ao capital financeiro.”
É assim que se ganham as guerras, conquistando corações e mentes…
Por enquanto, corações e mentes ainda estão com Lula!
E por isso até a Globo morre de inveja do Lula…

Responder

sergior

12 de dezembro de 2012 às 18h30

Falta ao PT fazer política, de fato.
1. A escolha do próximo ministro do STF é fundamental. O PT precisa, como FHC teve durante todo seu governo, um líder do governo no STF. Alguém como Nelson Jobim fez, como Gilmar Mendes faz. Só para comparar: FHC indicou três ministros (Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes). O primeira, seu ministro da justiça; a segunda, uma indicação desse; o terceiro, seu advogado-geral da união. Lula indicou Toffoli, advogado inexperiente e inexpressivo, do total de 8 indicações que fez. Dilma já fez duas indicações, ambas frágeis na visão de país.
2. A escolha do próximo PGR é fundamental.
3. Uma reforma do ministério: retirar José Eduardo Cardoso e colocar alguém com peso político e intelectual para ser ministro da justiça. Alguém que faça política, como é mister, historicamente, do ministro da justiça fazer.
4. Retomar o controle da PF. Trazer Paulo Lacerda de volta poderia ser uma solução.
5. Ter a coragem política de enfrentar a mídia, retomando a CPI do Cachoeira e explicitando a relação dele com a Abril e com a Globo. Sonho de uma noite de verão.
6. Retomar a política de comunicação do governo. Helena Chagas já cumpriu sua parte de tentar desarmar os ânimos da mídia. Não conseguiu. Ao contrário. Deu o espaço para a atual situação. O governo perdeu completamente os poucos interlocutores de mídia que tinha.
7. Desarmar os ânimos, vencer as mágoas e retomar os contatos com os movimentos sociais. Não há governo de esquerda que se mantenha sem acordos com movimentos sociais. Todos os exemplos que você cita (Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina) só se mantiveram, mesmo sob forte ataque, porque colocaram povo nas ruas. Aqui, o governo dá paulada em greves de trabalhadores do serviço público, trata-os como inimigos, sem qualquer diálogo, ao contrário do que faz com a mídia que o ataca a todo momento; desconstrói a reforma agrária; desconstrói a legislação trabalhista, apoiando a proposta de acordo coletivo especial; desconstrói a previdência pública, transferido recursos dessa para o empresariado, sem qualquer contrapartida e, além disso, jogando nas costas dos próprios trabalhadores (pois é o tesouro nacional que está assumindo as contas) o ônus da chamada desoneração fiscal.
8. Abrir diálogo com a esquerda, neste sentido, é fazer política. Chega da máxima de José Dirceu, que dizia que à esquerda não resta outra alternativa senão apoiar Lula e os petistas que gravitam a seu redor. O mundo mudou, a direita radicalizou seu discurso, sua prática e suas apostas de quanto pior, melhor. Fazer política, neste momento, é se abrir à esquerda.

Responder

    prova de bala

    13 de dezembro de 2012 às 15h31

    muito lucida sua analise..

    sobre tudo no controle da PF, a na indicação do futuro ministro do STF…

    em minha analise isso é culpa de estratégia do governo Dilma, que “acreditou ser possível um acordão com a direita…

    a resposta esta estampada nos jornais diariamente. Não há acordo possível com a direita.

    e sem o controle da PF, e do STF ficará cada vez mais difícil o governo se manter,

    lembrando que quem municia a “imprensa” é a policia federal e o ministério publico. Tem que cortar o mal na raiz.

Lafaiete de Souza Spínola

12 de dezembro de 2012 às 18h17

Precisamos discutir para mudar o que está aí.

É ASSIM, PARTIDOS SÃO CRIADOS SEM A PARTICIPAÇÃO DO POVO. VOCÊ ESTÁ CANSADO DE OUVIR:

1. NÃO ADIANTA, NUNCA VAI MUDAR. TODO POLÍTICO É CORRUPTO. JÁ PAROU PARA PENSAR QUE ESSA É UMA POSIÇÃO POLÍTICA? QUE OS CORRUPTOS ADORAM ESSA NIVELAÇÃO? VOCÊ É CORRUPTO? VOCÊ TEM PREÇO?

2. A EXPRESSÃO “ALTO CLERO”; GERALMENTE USADA PARA DENOMINAR OS CACIQUES. AQUELES QUE, APESAR DE POUCOS, DEFINEM AS REGRAS DO JOGO, NOMEIAM OU NOMEIAM-SE MINISTROS. CONTROLAM OS GASTOS ELEITORAIS ETC. SÃO OS REPRESENTANTES DO PODER ECONÔMICO QUE NÃO TÊM COMPROMISSO COM O BRASIL. INSTITUIÇÕES DÉBEIS, CLARO, CRIAM UM PAÍS FRÁGIL.

3. A EXPRESSÃO “BAIXO CLERO”; USADA PARA DENOMINAR AQUELES QUE SE ELEGEM, QUASE SEMPRE, PARA SEGUIR AS ORDENS DE CIMA. SÃO FINANCIADOS PELOS PRIMEIROS E JÁ SE CANDIDATARAM SABEDORES DESSAS CONDIÇÕES. NÃO HÁ IDEOLOGIA, NÃO HÁ PRINCÍPIOS. OS PARTIDOS VIRAM CLUBES FECHADOS. A ESTRUTURA ATUAL É PERVERSA. ISSO PODE MUDAR! DEPENDE DE VOCÊ.

4.”COLIGAÇÃO”: PARTIDOS FICAM DEPENDENTES DE OUTROS E, COM O TEMPO, EM NOME DA GOVERNABILIDADE, PERDEM A IDENTIDADE. AÍ, SE REPETE: “TUDO É IGUAL”. FICAM CLAMANDO POR SALVADORES DA PÁTRIA. PRECISAMOS MUDAR A ESTRUTURA PARTIDÁRIA, DEMOCRATIZAR (TAMBÉM) SINDICATOS, ASSOCIAÇÕES, CLUBES ETC. ATÉ SÍNDICO DE PRÉDIO ETERNIZA-SE. É CULTURA! PODE MUDAR!

Precisamos de: País Unitário, Câmara Única, Lei Única, Mandato Único.

Precisamos, portanto, de um novo partido pleiteando tudo isso e 15% do PIB para a educação, já.

Responder

Marcos Rocha

12 de dezembro de 2012 às 17h38

O PT não gosta de lembrar que FHC, mesmo tendo privatizado até o que não podia, e sem um décimo do carisma natural de Lula, foi reeleito e no primeiro turno.

Por que?

Nao foi só o controle da inflação, mas o Plano Real como um todo gerou, pelo menos durante um certo período, uma onda de consumismo.

Lembram dos frangos? Da dentadura? Do Iogurte? Dos carros “Mil”?

Pois é.

Agora é a mesma coisa.

Enquanto o povo estiver viajando de avião pela primeira vez, gastando no cartão de crédito, trocando de carro etc, NADA, absolutamente NADA, tira o governo petista do Poder.

Mas, se a crise vier, o povo vota no “diferente”, no “novo”. Num Aécio ou Eduardo Campos.

É assim no mundo todo, em todas as épocas.

E não venham dizer que a economia não comanda a vida política de um País, porque comanda sim.

No sistema capitalista em que vivemos, gente comprando é gente feliz. Gente sem comprar é gente revoltada.

Sem dinheiro no bolso, os esquemas de corrupção começam a indignar a massa, que se vinga nos políticos da situação.

O PT, hoje, não precisa se preocupar com Marcos Valério, Veja, teúda e manteúda e outras peripécias.

Mas se a crise vier…

Responder

Hans Bintje

12 de dezembro de 2012 às 17h11

Azenha:

O problema não é – apenas – a política interna do Brasil.

Vale a pena ler o que o Lula disse na Alemanha. Uma verdadeira revolução ( fonte: http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2012/12/07/em-berlim-lula-revela-conversas-reservadas-com-lideres-mundiais/ )

“Em encontro com representantes da social democracia nesta sexta-feira, 07, em Berlim, o ex-presidente Lula revelou detalhes de algumas das suas conversas reservadas com líderes mundiais no tempo em que estava na Presidência. Abaixo, relato do que foi dito por Lula:

(…)

– Ora, se ninguém tinha conversado com o cara [Ahmadinejad], que diabo de política é essa?

(Gargalhadas e aplausos).

Prosseguiu Lula:

-Antes do Irã, passei em Moscou para conversar com o presidente Medvedev. Chego em Moscou e o presidente Obama tinha ligado para Medvedev:

– Olha, diga para o Lula não ir ao Irã porque ele não vai fazer acordo. Ahmadinejad não cumpre acordo…

Aí, passo no Qatar e o emir do Qatar recebeu um telefonema da secretária de Estado dizendo:

– Olha, diga para o Lula não ir, ele está sendo ingênuo, ele não pode ir porque o Irã não vai.

Eu fui… chegamos no Irã e eu fui conversar com o grande líder (religioso), o Kaminey, fui conversar como presidente do parlamento, e fui conversar com Ahmadinejad e falei com todas as palavras:

– Ahmadinejad, eu estou vindo aqui, os meus amigos estão brigando comigo, (e aí eu citei o nome de cada presidente), a imprensa brasileira está me batendo há uma semana e eu não saio daqui sem uma acordo…

(Risos da plateia)

– Não, mas Lula, você pode sair que eu concordo.

– Olha, tem de escrever.

(Risos da plateia)

Sabe porque tem de escrever, Ahmadinejad? Sabe o que eles pensam de você? Eles pensam que você é mentiroso e não cumpre a palavra… então, eu só saio daqui com um documento escrito.

Qual não foi minha surpresa, e quando eu pensei que o conselho de segurança da ONU iria me dar um prêmio de agradecimento (Risos da plateia), eles deram a maior demonstração de ciúme do mundo e ainda assim resolveram punir o Irã. Ainda bem que a imprensa democrática do mundo publicou uma carta, que o presidente Obama tinha me mandado, dizendo quais as condições que eles aceitavam e o Ahmadinejad aceitou exatamente as condições que estava na carta. E ainda assim, eles fizeram retaliações com o Irã, não aceitaram o documento…

Então, o que eu percebi: eu percebi uma coisa que eu vou dizer com a maior sinceridade, eu acho que tem gente no mundo que não quer paz, quem quer paz é o povo. Mas tem quem precisa da discórdia, necessita da discórdia pra poder ser importante, senão, não teria nenhuma explicação a gente não ter paz no Oriente Médio. A mesma ONU que criou o estado de Israel porque não cria o estado Palestino?

(Aplausos da plateia).”

Responder

    Nelson

    12 de dezembro de 2012 às 23h59

    Bintje.

    Tenho críticas severas aos governos de Lula, mas nem por isso deixo de reconhecer a grande capacidade política do ex-presidente também revelada nesta resportagem que tu trazes.

    Seria bom que aqueles que se consideram os tais, os bons, só porque têm um curso superior ou uma pós ou algo ainda mais elevado “no lombo” e que vivem a incensar o “Farol de Alexandria” e a chamar Lula de analfabeto e outros adjetivos que não vale a pena repetir, ficassem sabendo desses diálogos do “barbudo” com presidentes do primeiro e de outros mundos. Sem dúvida, muito, mas muito diferentes dos diálogos subservientes que um certo Doutor em Sociologia travou com os que se creem “donos do planeta”.

Rodrigo Leme

12 de dezembro de 2012 às 16h19

“Independentemente do conteúdo das denúncias, o timing levanta suspeitas: julgamento do mensalão durante o período eleitoral, denúncias envolvendo funcionária pública ligada a Lula logo depois da vitória de Fernando Haddad em São Paulo e depoimento de Marcos Valério acusando Lula no que já parece ser a campanha de 2014.”

Sabe um timing bem suspeito? A onivestigação da Rosemary foi adiada pela PF pq coincidia com o período de eleições municipais. Mas esse não vamos discutir, sob pena de enfraquecer o argumento.

Responder

    GB

    12 de dezembro de 2012 às 17h46

    Necessariamente, não enfraquece o argumento. Ao contrário, pode até mesmo reforçá-lo, já que a investigação (Rosemary) seria diluída pela cobertura do julgamento do STF (que deveria ser histórico). O timing associa-se à Kairos e não à Chronos.

    Carlos de Sá

    12 de dezembro de 2012 às 17h53

    Rodrigo Leme,
    É melhor você combinar primeiro com a imprensa paulista. Pois eles estão dizendo que a PF deflagou a operação em tempo record, alegaram que a polícia deveria ter investigado mais antes de concluí-la, insinuando que a PF sofreu pressão do governo pra encerrar logo as investigações.
    Outros, contraditoriamente, disseram que o ministro da justiça não foi avisado da operação na véspera, conforme manda o protocolo.
    Portanto, é melhor vocês combinarem direitinho o que vão dizer, senão cai no discrédito e fica ridícula suas intervenções.
    Fui!!!


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