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Maleta com U$ 1 milhão jamais foi entregue a Delúbio. Ele pretende comprovar que é inocente até 2060
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Maleta com U$ 1 milhão jamais foi entregue a Delúbio. Ele pretende comprovar que é inocente até 2060


28/03/2021 - 18h03

Da Redação

Depois de ser expulso do Partido dos Trabalhadores e voltar a se filiar, o ex-tesoureiro Delúbio Soares relembra o “mensalão do PT” como pai, mãe, avô e avó da Lava Jato.

Ele admite, como fez o ex-presidente Lula, tratar-se de um caso clássico de caixa dois, em que o PT pagou dívidas de campanha do próprio PT e de partidos aliados.

Porém, Delúbio diz que é um absurdo a acusação de que ele teria “comprado” votos de vários partidos, como o PP, PL, MDB, PTB e o próprio PT.

Qual seria o sentido de Delúbio comprar parlamentares do próprio PT, por exemplo?, alega.

Além disso, os partidos que votaram a favor de reformas feitas no primeiro mandato de Lula estavam ideologicamente afinados com as propostas.

O ex-tesoureiro do PT lembra que o deputado Professor Luizinho, do PT, foi condenado por receber 20 mil reais para pagar dívida de uma pesquisa eleitoral, mas o tesoureiro da campanha de Ciro Gomes, Marcio Lacerda, recebeu dele, Delúbio, mais de R$ 1 milhão para pagar dívidas de campanha em 2002 e nem foi incluído no rol de acusados.

Segundo ele, a Polícia Federal procurou em Goiás, seu estado de origem, em mais de oitenta cartórios, para ver se Delúbio tinha terras ou bois — assim como sua esposa e parentes. Não encontrou nada,

Delúbio disse que, com três CPIs acontecendo ao mesmo tempo no Congresso, a Ação Penal 470 foi totalmente baseada em manchetes de jornais, com acusações furadas.

O próprio Roberto Jefferson, do PTB, depois de sua entrevista explosiva à Folha de S. Paulo sobre o suposto mensalão — pagamentos mensais a deputados para comprar votos — afirmou em depoimento posterior que tratava-se de mera “força de expressão”.

“Tentaram fazer de mim o PC [Farias], mas só que não acharam avião”, afirma.

PC Farias, caixa da campanha de Fernando Collor em 1989 e assassinado em condições suspeitas, tinha um Learjet batizado de Morcego Negro (PT-OHU).

Autoridades italianas chegaram a investigar se a aeronave foi utilizada em tráfico de drogas pelo piloto Jorge Waldério Bandeira de Melo, sócio de PC na Brasil Jet Taxi Aéreo.

Ele atribui sua condenação mais recente, na Operação Lava Jato, a delação premiada sem provas materiais.

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, disse que em 2004 tomou um empréstimo de R$ 12 milhões no Banco Sachin, destinado aos cofres do PT, com garantia dada por Delúbio. Salin Schain e Sandro Tordin, presidente do banco, confirmaram a versão.

Delúbio afirma que conhecia Bumlai, mas não a pessoa que teria sido beneficiada parcialmente pelo empréstimo, Ronan Maria Pinto — segundo a acusação, ele usou R$ 6 milhões do empréstimo para assumir o controle do Diário do Grande ABC.

O ex-tesoureiro do PT foi condenado por Sergio Moro e teve a pena aumentada pelo TRF-4, de Porto Alegre.

Delúbio cumpriu ao todo seis anos de cadeia, quatro em Brasília pelo mensalão e dois em Curitiba.

Delúbio atribui sua expulsão do PT ao presidente do partido, Tarso Genro, e ao secretário-geral Ricardo Berzoini — Delúbio diz que pagou uma dívida de Tarso de R$ 4 milhões, caixa dois na campanha a governador do Rio Grande do Sul.

O ex-tesoureiro do PT salienta que, até o estouro do mensalão, todas as campanhas agiam exatamente da mesma forma, mas só os dirigentes do PT foram penalizados.

Hoje, ele responde a mais de 30 inquéritos e processos e diz que até 2060 deve limpar seu nome.

No caso da delatora Maria Auxiliadora Barbosa Zanin, ele se deu bem.

Em sua delação ao MPF, em 2004, Auxiliadora disse ao MPF que entregou uma maleta estilo 007 a Delúbio e ao secretário-geral do PT, Silvinho Pereira, com 1 milhão de dólares.

O pagamento teria sido feito pela Fischer-América Comunicação Total.

A suspeita é de que Auxiliadora pretendia se vingar do ex-chefe, Eduardo Fischer, dono de uma empresa de publicidade da qual ela havia sido demitida.

Trecho da sentença

Auxiliadora invocou como sua testemunha o cabeleireiro do hotel Blue Tree, local onde a maleta, na versão dela, teria sido entregue.

Porém, o  cabeleireiro Donato Otacílio desmentiu a versão, disse que recebeu através de terceiro uma proposta de R$ 100 mil para confirmar o que disse Auxiliadora e que uma pessoa que se identificou como repórter da revista Veja prometeu a ele pagar R$ 300 mil por entrevista confirmando a denúncia.

2019 08-09mariaauxiliadora de Luiz Carlos Azenha

Ex-funcionária de agência publicitária é presa em São Paulo por denúncia caluniosa

Da Justiça Federal de São Paulo

A ex-funcionária da empresa Fischer-América Comunicação Total, Maria Auxiliadora Barbosa Zanin (conhecida como Dora Zanin), foi presa no dia 8/8/19, em São Paulo/SP, após estar foragida por quase três anos devido uma condenação por denunciação caluniosa (artigo 339 do Código Penal) praticada contra representantes da agência publicitária Fischer-América e integrantes do governo federal entre 2004 e 2005.

A condenação, de 22/9/2016, é do juiz federal Alessandro Diaferia, da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo/SP.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a acusada deu causa à instauração de uma complexa e dispendiosa investigação criminal e administrativa, além de interceptação telefônica, por ter imputado falsamente a Eduardo Fischer, Eduardo Groisman, Luiz Gabriel Cepeda Ricco, Delúbio Soares e Silvio Pereira a prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e fraude em licitação.

Conforme consta na denúncia do MPF, em março de 2004, julho e outubro de 2005, Maria Auxiliadora Barbosa Zanin esteve na Procuradoria da República de São Paulo afirmando que os delatados “davam as cartas” em todas as concorrências publicitárias do governo federal e que a agência Fischer-América pagava cerca de R$ 200 mil dólares mensais para o “caixa” do governo.

Na ocasião, a acusada disse que testemunhou um encontro entre militantes do Partido dos Trabalhadores (dentre os quais Delúbio Soares) e representantes da empresa Fischer-América no saguão do Hotel Blue Tree, em São Paulo/SP, e que esses teriam entregue um pacote com dinheiro para que pudessem obter vantagens no processo licitatório conduzido pela Caixa Econômica Federal, cujo objeto eram contratos de publicidade.

Maria Auxiliadora mudou sua versão diversas vezes, o que incluiu a adição de uma “mala no estilo 007” com US$ 1 milhão.

À época, chegou a ser aberto um inquérito e os alvos tiveram seus sigilos telefônicos quebrados.

A Procuradoria afirmou à Justiça que seus relatos culminaram “em anos de dispendiosa investigação criminal e administrativa, custeadas pelo erário público, contra pessoas que a acusada sabia serem inocentes”.

Na sentença, Alessandro Diaferia afirma ter ficado constatado que “as imputações feitas pela ora acusada eram completamente inverídicas, agindo com intuito único de prejudicar outrem, valendo-se dos meios de coerção penal públicos para tanto […]. Conforme restou demonstrado, o que parecia verossímil mostrou-se tão somente uma fantasia e que fora, pelo conjunto probatório amealhado no processo, dolosamente construída a fim de prejudicar terceiros”.

A história narrada por Maria Auxiliadora foi desmentida por todos os que estavam no saguão do hotel, inclusive por uma possível “testemunha” (cabelereiro do hotel) que teria presenciado a entrega do dinheiro a Delúbio Soares.

Em depoimento à Justiça, o cabelereiro afirmou ter sido procurado por Maria Auxiliadora que lhe ofereceu R$ 100 mil para que testemunhasse ter visto uma mala de dinheiro sendo entregue, o que não foi aceito por ele.

“Embora seu intuito vingativo fosse direcionado aos representantes da empresa de publicidade em que trabalhara, é certo que a acusada incluiu outras vítimas em sua narrativa, a fim de lhe trazer verossimilhança. É o caso de Delúbio Soares e Sílvio Pereira, que, conforme demonstrado nos autos, jamais se encontraram com os representantes da empresa Fischer na forma e contexto aludidos pela acusada, bem como não tinham qualquer relação com ela. Todavia, como eram protagonistas de outros escândalos do governo federal, igualmente relacionados com verbas publicitárias de bancos públicos, foram envolvidos na inescrupulosa narrativa”, afirma o juiz na sentença.

Maria Auxiliadora Barbosa Zanin foi condenada a 8 anos, 11 meses e 20 dias de reclusão no regime inicial fechado, além do pagamento de 160 dias-multa, no valor unitário  de 1/10 do salário mínimo vigente à época dos fatos.





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