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Diário da Resistência


Laurindo Leal: Mídia brasileira teme que Dilma encarne Cristina
Entrevistas

Laurindo Leal: Mídia brasileira teme que Dilma encarne Cristina


24/12/2012 - 16h40

“Mídia brasileira ataca Ley de Medios argentina por temer projeto semelhante no Brasil”

do Correio da Cidadania, via Barão de Itararé

Após cinco anos de sua idealização, a Argentina conseguiu concretizar a vigência de uma nova Lei de Mídia, redigida a fim de regulamentar a arena das comunicações e reordenar a ocupação do espectro eletromagnético, quebrando os monopólios da mídia comercial. Neste contexto, vários anos se passaram com os mesmos grupos empresariais dominantes bombardeando o governo de Cristina Kirchner, que estaria a “atentar contra a liberdade de expressão”.

Dessa forma, é para elucidar a chamada Lei de Serviços de Comunicação Audiovisuais que o Correio da Cidadania entrevistou o estudioso das comunicações, e editor da revista Caros Amigos, Laurindo Lalo Leal Filho. Com anos de estudo sobre os diferentes níveis de regulação midiática encontrados mundo afora, Lalo assegura que a nova lei é da mais alta consistência, além de amplamente debatida na sociedade: “são dois os grandes aspectos: o teórico-acadêmico e o da sustentação política”.

Como se trata de uma legislação que assegura grande parte das concessões audiovisuais para veículos de comunicação estatais e comunitários, abrindo grande campo para que movimentos e expressões sociais, inclusive minoritários, se manifestem, não foi nada imprevisível o rancor da mídia burguesa, cujos veículos comerciais se apresentam como únicos arautos da democracia.

“A Sociedade Interamericana de Imprensa (órgão que representa a mídia comercial nas Américas) é uma organização que não possui nenhuma legitimidade em relação à sociedade e às populações sobre as quais ela pretende influenciar. É uma organização empresarial, de um setor comercial das comunicações, defendendo os interesses de quem representa”.

Para avançarmos no debate da democratização das comunicações, Laurindo Lalo também recomenda que a lei argentina seja estudada nas escolas de comunicação do país, o que poderá gerar uma real compreensão de sua importância. Uma boa saída para o Brasil, haja vista nosso atual estágio de monopólio midiático, ao lado das dificuldades a serem enfrentadas para a aprovação de uma lei com tal conteúdo em um Congresso densamente permeado pelos interesses dos donos de concessões rádio-televisivas.

“Acredito que não só este governo, mas todos têm um receio muito grande de enfrentar esses poderosos grupos de comunicação. Acho que o fantasma do golpe de 64 perdura até hoje. É uma disputa bastante difícil, mas que aqui no Brasil já está passando da hora”.

A entrevista completa com o jornalista pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Como o senhor analisa o projeto da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisuais, promulgada pelo governo argentino em 2009 e que passou a vigorar a partir do último dia 7 de dezembro, ainda que sob embargo de instâncias intermediárias da justiça local?

Laurindo Lalo Leal Filho: Por ora está embargado, é preciso aguardar um pouco, mas nos próximos tempos devemos ter nova decisão. De toda forma, avalio que essa lei de regulação audiovisual é a mais moderna e avançada de todo o mundo no momento. Serve como exemplo para a América Latina. São dois os objetos centrais da formulação da lei – de 2007. O primeiro é de que foi construída a partir de uma ampla análise jurídica e até acadêmica das legislações hoje existentes em países democráticos de todo o mundo, em relação à radiodifusão. Ela incorpora o que há de mais moderno e avançado em legislações da Europa, EUA e até América Latina.

A lei é muito consistente do ponto de vista teórico, pois, incorporando um pouco de cada uma das leis estudadas, avança para além delas, inclusive sobre os recentes avanços tecnológicos, respondendo também às exigências tecnológicas de hoje. Tenho dito que é muito importante que as escolas de comunicações estudem essa lei, discutindo-a com seus alunos, pois a partir daí vão descobrir como os países democráticos estão estruturados para dar conta das novas tecnologias da comunicação hoje em dia, no campo do audiovisual.

O segundo aspecto que dá consistência à lei é o fato de ter sido formulada através de um amplo debate na sociedade. É uma lei claramente construída de baixo pra cima. Quem tiver paciência de olhá-la por inteiro, poderá perceber que vários artigos e determinações são oriundos de propostas feitas por entidades do movimento social, dentre outras representações da sociedade, incluindo empresariais. Não foi formulada por um grupo fechado, de políticos ou acadêmicos, e imposta à sociedade. Começou com algumas e chegou, ao final de sua elaboração, a contar com praticamente 300 organizações sociais. É uma lei amplamente democrática, consolidada a partir da vontade popular.

Portanto, são dois os grandes aspectos: o teórico-acadêmico e o da sustentação política.

Correio da Cidadania: A seu ver, quais são os pontos mais importantes e que justificariam a aprovação da “Ley de Medios”?

Laurindo Lalo Leal Filho: O primeiro e mais polêmico, que segue dando pano pra manga e foi o que mais dificultou a aprovação da lei, é aquele que rompe um processo não só argentino, mas latino-americano, de concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos grupos. Esse é o aspecto central, pois faz com que a lei amplie a liberdade de expressão na Argentina. Ou seja, um espectro eletromagnético hoje ocupado por poucos grupos passa a ser ocupado por um número maior de atores. Setores da sociedade que estão calados por não terem espaço de colocarem suas vozes terão agora a oportunidade. Como diz o documento “Hablemos todos”, todos têm o direito de falar.

Assim, esse é o aspecto prático mais importante da lei, dividindo o espectro de forma mais equilibrada, seja para as emissoras públicas, estatais ou comerciais. É uma lei que amplia a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que quebra monopólios. Isso tem um desdobramento político muito importante porque representa um aprofundamento da democracia. Não é só uma questão do campo das comunicações. Quando se amplia o número de vozes, idéias e valores, amplia-se a participação democrática da sociedade. Exemplo disso é o ponto que garante o espaço também para os grupos originários, como o de Bariloche, cujo grupo de habitantes de povos originários está colocando no ar sua emissora de TV. Um grupo que sempre esteve calado. Mas, com um terço do espaço reservado às emissoras públicas, agora também poderão falar à sociedade.

Portanto, esse é o aspecto fundamental, a voz a setores sempre silenciados. Mas existem outros, como a garantia da produção nacional, o que abre espaço a muitos grupos que querem mostrar seu trabalho. Há a classificação indicativa estabelecida em lei, porcentagens máximas de publicidade, enfim, uma série de aspectos, todos voltados não só ao aumento da participação pública, mas também à qualidade do que é oferecido ao público.

Correio da Cidadania: Como se viu, é necessário um grande movimento para levar adiante um combate aos monopólios midiáticos, tocando fortes interesses políticos e econômicos com diversos tentáculos de influência. O que teria a dizer, neste sentido, da decisão parcial da justiça de permitir que o grupo Clarín siga adiando seu processo de desmembramento, no qual deve abrir mão de boa parte de seus veículos de comunicação?

Laurindo Lalo Leal Filho: O grupo Clarín, como o grupo Globo aqui, foi ocupando os espaços, gradativamente, pela falta de uma presença mais forte do Estado na regulação. Quando o espaço estava vazio, era como um terreno baldio, e foi se criando o latifúndio. E depois se consolidou um grupo muito forte, como se viu, com 240 concessões de TV a cabo, 4 de TVs abertas, 9 emissoras de rádio AM e FM… É um grupo que tem um poder econômico e político muito grande.

Se fosse qualquer outro ramo social ou comercial, poderia ter só o poder econômico. O problema nas comunicações é que, quando se detém o poder econômico, também se detém o poder político. É um poder muito grande, que sempre se confrontou com o Estado, jogando muita influência sobre os outros poderes, isto é, o legislativo e judiciário. O poder judiciário também sofre muitas pressões do grupo Clarín. A lei foi promulgada em outubro de 2009 e até agora não se conseguiu aplicá-la pelas diversas ações promovidas pelo grupo Clarín sobre os vários poderes.

Superados pelo executivo e legislativo, que já deram vigência à lei (o judiciário também, em suas instâncias maiores), restam as instâncias intermediárias do judiciário para pressionar e conseguir recursos no sentido de adiar a aplicação da lei. O que acontece agora é uma disputa entre um grupo poderoso e os poderes da República.

Correio da Cidadania: O que você responderia aos setores críticos da lei, inclusive aqueles do próprio meio midiático, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)?

Laurindo Lalo Leal Filho: A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) é uma organização que não possui nenhuma legitimidade em relação à sociedade e às populações que ela pretende influenciar. É uma organização empresarial, de um setor comercial das comunicações, defendendo os interesses de quem representa. Quer defender os mercados nos quais atua. Portanto, não tem sustentação política alguma.

É uma organização comercial, que tem a sustentá-la empresas comerciais da América que sempre sustentaram governos conservadores e até ditaduras. As ditaduras da América latina, dos jornais e da própria SIP. Basta lembrar que ela foi fundada durante a ditadura de Fulgencio Batista, antes da revolução cubana. Tem uma articulação com os regimes conservadores de direita muito grande.

Na verdade, quando esses governos populares da América Latina – como os da Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela – começaram a colocar algum limite ao poder de seus filiados, a SIP obviamente saiu em defesa deles. Mas é uma defesa de mercado, não tem nada a ver com cidadania, liberdade de expressão, de imprensa. Tem a ver com os interesses comerciais das empresas que a SIP representa.

Correio da Cidadania: Ainda quanto às críticas à nova lei, e talvez nesse mesmo sentido explicado, a maioria dos meios de comunicação de nosso país bombardeia que, a despeito de serem razoáveis as precauções contra o monopólio das comunicações, o que se vê na Argentina é uma “descarada perseguição movida pela presidente Cristina Kirchner contra um grupo de mídia, o Clarín, cujo principal pecado é publicar reportagens e opiniões que a desagradam” (segundo Editorial da Folha de S. Paulo, 09/12/2012). O que diria frente a um argumento desta natureza?

Laurindo Lalo Leal Filho: É uma forma de distorcer o debate, ofuscar o debate real. A mídia ressalta essa divergência existente entre o governo e o grupo Clarín para esconder a realidade da lei, que é a ampliação da liberdade de expressão. Pegam um aspecto – o confronto – e o colocam em destaque. O grupo Clarín representa hoje a oposição política ao governo Cristina. Mas isso é um aspecto parcial, é direito deles fazer oposição ao governo. Isso não tem nada a ver com uma questão muito maior, o debate em torno da ampliação do espaço para outras vozes e grupos, a fim de que possam estes também se manifestar.

Pra deixar claro, a lei não toca em momento algum nos meios impressos. É uma lei de comunicação audiovisual. E quando os jornais, como Folha, Estadão e Globo, falam em “ataques do governo ao Clarín” parece que o governo argentino está querendo intervir no jornal Clarín. Este jornal continuará fazendo o que faz hoje, com liberdade total. O que acontecerá com a aplicação da lei é que o grupo Clarín, não o jornal, será obrigado a abrir mão de licenças de rádio e TV que vão além do limite estabelecido pela lei.

Creio ser um aspecto importante porque aqui no Brasil os meios de comunicação gostam de misturar mídia impressa com eletrônica. A lei argentina é sobre a mídia eletrônica. A lei de mídia que se começa a discutir no Brasil também é sobre a mídia eletrônica. Porque a nossa lei é de 1962. O que esses grupos brasileiros fazem, para atacarem a Ley de Medios argentina, na verdade revela seu temor de que o exemplo argentino sirva de inspiração para os movimentos populares do Brasil e leve, finalmente, o governo a apresentar projeto de lei semelhante. O governo Lula, no final de seu segundo governo, através de seu ministro Franklin Martins, chegou a deixar pronto o projeto de lei, repassado ao governo Dilma para ser levado ao Congresso, guardando semelhanças com a Ley de Medios argentina.

Portanto, a carga que a mídia brasileira traz sobre o projeto argentino é uma forma de tentar evitar uma “contaminação” no cenário brasileiro pelo avanço ocorrido na Argentina.

Correio da Cidadania: E trazendo o assunto para o Brasil, como acredita que deveríamos olhar para a lei argentina e que tipo de debate podemos levar adiante?

Laurindo Lalo Leal Filho: Já cansamos de falar, mas o Brasil está atrasado em mais de 50 anos. A lei brasileira das comunicações é de 1962, assinada por João Goulart, e mesmo assim houve uma série de vetos deste governo, que foram derrubados por um Congresso onde os rádiodifusores tinham domínio total – como continuam tendo, configurando o poder que sempre se contrapôs ao avanço de uma legislação da área no Brasil.

Temos muita dificuldade em avançar porque essa é uma questão que ainda não está enraizada no Brasil. Não temos massa crítica para um debate público e popular, como o que existe na Argentina. Mas estamos avançando. Se formos pensar em quinze anos atrás, não tínhamos o debate que hoje já temos. O principal exemplo foi a realização da Conferência Nacional das Comunicações, no final de 2009, que mobilizou entidades da sociedade em número já razoável, indo além dos debatedores tradicionais, que eram as universidades, os sindicatos… Hoje não, temos associações de classe, mulheres, movimento negro, movimentos sociais, entidades regionais, que já começam a discutir pelo país a criação de uma Lei de Mídia.

O caminho para acompanharmos esse processo natural é mais ou menos o modelo argentino. É preciso enraizar socialmente o debate, mas é preciso também contar com o governo. Apesar de toda essa participação popular, o impulso final foi dado pelo governo de Cristina Kirchner, que sem dúvida alguma sancionou a lei usando, principalmente, os canais públicos de rádio e TV para conseguir levar o debate à sociedade. Enquanto isso não acontecer, fica muito difícil para o cidadão comum entender o que significa uma lei dessas.

Correio da Cidadania: Como analisa o governo brasileiro em sua atuação no campo das comunicações e sua relação com os grupos midiáticos?

Laurindo Lalo Leal Filho: Acredito que não só este governo, mas todos têm um receio muito grande de enfrentar esses poderosos grupos de comunicação. Escrevi um artigo chamado “A síndrome Jango, aos 50”, no qual coloco que o fato de os grupos de comunicação terem praticamente empurrado pra rua o governo Jango, colaborando muito para o golpe de 64, que depois sustentaram, fez com que todos os governos de lá pra cá tenham muitos cuidados, estejam sempre cheios de dedos para dialogar com a mídia. Acho que o fantasma do golpe de 64 perdura até hoje. Não só esse, mas todos os governos sempre tiveram um receio muito grande de ir à frente com um debate pra colocar a mídia e, principalmente, os meios eletrônicos em um enquadramento democrático.

Podemos perceber algumas pesquisas que mostram que, desde 1988, da Constituinte pra cá, já foram elaborados 20 projetos de lei pelos governos, mas que nunca foram colocados em debate na sociedade, muito menos levados ao Congresso Nacional. Pois, em determinado momento da discussão, vinha a ameaça de que o governo poderia ser alvo de uma campanha difamatória muito grande, que poderia até levá-los à desestabilização.

Portanto, é uma disputa muito delicada, sendo necessária uma vontade política muito grande. Mas essa vontade é necessária. E para ser vitoriosa, não basta que seja vontade política dos governos. É preciso que seja combinada com os movimentos sociais. É uma disputa bastante difícil, mas que aqui no Brasil já está passando da hora.

Correio da Cidadania: Acredita que o governo Dilma possa se espelhar no exemplo argentino e buscar caminhos para uma maior democratização do espectro midiático, tão dependente de poucos grupos empresariais?

Laurindo Lalo Leal Filho: Tenho visto a presidente Dilma tomar medidas que antes a gente achava impossíveis de serem tomadas. São os casos da redução da taxa de juros e agora da redução da tarifa da energia elétrica – mais a disputa que trava agora com as três empresas elétricas controladas pelo PSDB. Ela mostra muita coragem nesses enfrentamentos. Não posso descartar essa possibilidade, ainda mais agora que percebemos que ela tem uma estreita relação com a Cristina Kirchner. Assim, parece-me que a Dilma acompanha bem de perto o que acontece lá com a Ley de Medios. Acredito que o exemplo ela tem, o modelo está traçado. O modelo argentino cabe perfeitamente no Brasil, com pequenas adaptações.

É difícil dizer se fará ou não. É difícil acreditar totalmente porque o Brasil tem uma dificuldade a mais: a presença no Congresso Nacional de muitos parlamentares radiodifusores, ou seus representantes, e que fazem parte da base de apoio ao governo, principalmente dentro do PMDB. Esta é uma dificuldade real, coisa que na Argentina acabou sendo enfrentada, e a lei passou.

Não sei até que ponto o governo teria possibilidade de ir à frente numa lei de mídia contando com tal base de sustentação política no Congresso. É luta política, de conquista de apoio, indo à frente e enfrentando essa dificuldade. É muito difícil saber se será possível travá-la no primeiro mandato de Dilma, embora o movimento social e a luta pela democratização da comunicação já tenham claro que estamos muito atrasados, e ficaremos cada vez mais em relação a outros países latino-americanos.

Correio da Cidadania: Em sua opinião, quais seriam os pontos mais importantes de uma imaginária “Ley de Medios à brasileira”?

Laurindo Lalo Leal Filho: Sem dúvidas, tal como lá, um ponto é a divisão do espectro para ampliar a participação de outras vozes no debate político e cultural brasileiro. Em outras palavras, enfrentar o monopólio. Estabelecer limites máximos pra que grupos econômicos tenham determinado número de concessões de rádio e TV, permitindo que outros grupos da sociedade civil possam participar das disputas. Creio ser esta a questão central, tanto na Argentina como no Brasil.

E temos de ir além, porque o Brasil, com as dimensões continentais que tem, necessita de uma lei que dê conta de uma difusão maior nas concessões, estimulando a produção regional. Isso porque tivemos não só a concentração dos meios nas mãos de poucas empresas, mas também uma concentração regional dos meios, determinando que todas as pautas e valores que circulam pelo país continuem sendo produzidos no eixo Rio-São Paulo, passando um pouco por Brasília. A regionalização é fundamental e a lei precisa dar conta disso.

Além do mais, há outras coisas importantes, que nada mais são que a necessidade de regulamentar a Constituição Federal brasileira. A lei tem de vir pra regulamentar artigos da Constituição que garantem uma maior democratização da comunicação e que até hoje não foram colocados em prática. Tem a ver com a regionalização, tem a ver com cotas pra produção nacional, cotas pra produção independente… A lei deve dar conta de tudo isso, para que a comunicação seja algo de todos para todos, e não como é hoje, (feita) de poucos para muitos.

Fonte: Valéria Nader e Gabriel Brito, para o Correio da Cidadania

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64 comentários

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Rômulo Gondim – “Falido” aos 72, Requião diz que humor na blogosfera é essencial

16 de abril de 2013 às 10h40

[…] Argentina, Kirchner conseguiu aprovar uma Ley de Medios que barra o avanço do grupo monopolista local, o Clarín, equivalente argentina das Organizações […]

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"Falido" aos 72, Requião diz que humor na blogosfera é essencial - Viomundo - O que você não vê na mídia

15 de abril de 2013 às 00h17

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Mauro Santayana: 2013, um ano perigoso « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de janeiro de 2013 às 21h42

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Dilma: Ley de Medios, aqui, não! « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de janeiro de 2013 às 20h56

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Janio de Freitas: Governos petistas são um fracasso de comunicação « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de dezembro de 2012 às 18h40

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Erico Nepomuceno: Clarín, o leviatã midiático « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de dezembro de 2012 às 18h32

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Emir Sader: O enigma político da Argentina « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de dezembro de 2012 às 22h46

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Paulo Nogueira: O fiscal também tem que ser fiscalizado « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de dezembro de 2012 às 16h09

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Jaime Amparo Alves: Nunca houve tanto ódio na mídia brasileira « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de dezembro de 2012 às 13h18

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Garoto do Brazil

28 de dezembro de 2012 às 08h58

Fico imaginando o que aconteceria se Barack Obama de repente decidisse desmantelar a ABC, a NBC e a CBS (os tradicionais networks nacionais privados de TV aberta dos EUA) e permitir que elas só transmitissem para alguns quilômetros além de suas cidades-sede, e o resto fosse estatizado ou dado a sindicatos, mais ou menos como a dona Kirchner quer fazer com o Grupo Clarín.

De duas, uma: ou ele sofreria um processo de impeachment pelo Congresso norte-americano em questão de dias, ou seria imediatamente cortado pela Corte Suprema dos EUA, e sabem por que? Porque lá na terra da águia da cabeça branca existe uma coisa chamada 1ª EMENDA DA CONSTITUIÇÃO, que eles levam a sério.

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Altercom defende 30% das verbas publicitárias para pequenas empresas « Viomundo – O que você não vê na mídia

27 de dezembro de 2012 às 17h04

[…] Laurindo Leal: Mídia brasileira teme que Dilma encarne Cristina […]

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Rodrigo Leme

27 de dezembro de 2012 às 15h06

É de temer mesmo…imagina ela encarnarnar a Cristina, e trazer para o Brasil inflação em disparada, recessão econômica, desvalorização da moeda, saques…e ao invés de combater isso matar as instituições que divulgam essas notícias. Tomara que não viongue mesmo.

Responder

Sérgio

27 de dezembro de 2012 às 02h29

É preciso dar um basta na velha mídia golpista, o Brasil não é mais a casa da mãe Joana.
Lei de mídias já!

Responder

FrancoAtirador

26 de dezembro de 2012 às 21h00

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A CONCENTRAÇÃO NA MÍDIA É UM MAL PARA A DEMOCRACIA

Por Paulo Nogueira*, no Diário do Centro do Mundo

Frank de La Rue, relator da ONU para a liberdade de expressão, disse coisas importantes em sua recente passagem pelo Brasil.

Lamentavelmente, mas não surpreendentemente, a cobertura foi virtualmente nula, embora o tema de alto interesse público: liberdade de expressão.

Rue foi ignorado por uma razão: ele disse coisas que não atendem aos interesses corporativos das grandes empresas de jornalismo, a começar pela Globo.

Em outras ocasiões, ele foi bem coberto pela própria Globo, como verifiquei numa pesquisa rápida.

O Jornal Nacional e o Globo deram bem críticas que Rue fez, em 2009, a Chavez na questão da imprensa.

Portanto, Rue é notícia na Globo quando fala coisas que agradam à família Marinho e é nada quando fala coisas que desagradam.

Essa delinquência jornalística simboliza o ponto que Rue defendeu no Brasil: o país tem que discutir uma lei de mídia, em nome da liberdade de expressão e, mais ainda, do direito sagrado dos brasileiros à informação.

O Diário já defendeu várias vezes que o Brasil se inspire na reforma que está sendo feita na Inglaterra por inspiração do juiz Brian Leveson, que por mais de um ano comandou uma investigação sobre os excessos da mídia e as formas de proteger a sociedade deles.

Rue cita dois exemplos vizinhos para o Brasil: a Argentina e o Uruguai. Mais uma vez: o que você lê na grande mídia brasileira são sistemáticos ataques à Lei dos Meios da Argentina, embora o ponto mais importante dela seja mitigar a indefensável, intolerável concentração multimídia do grupo Clarin, obtida graças a favores da ditadura militar.

Sobre o Uruguai, paira um espesso silêncio. Isso quer dizer que os brasileiros não estão tendo acesso a informações importantes para formar opinião sobre a questão da mídia.

Rue tem uma tese sobre a concessão de emissoras de tevês e rádios. As frequências das quais derivam as emissoras de tevê e as estações de rádio são “propriedade do Estado”, nota ele, e deveriam ser administradas como recursos como “solo, água e petróleo”.

O que aconteceu na América do Sul foi uma deformação.
Os beneficiários de concessões deram a elas um caráter estritamente comercial.
A Globo é o caso mais notável, mas evidentemente não é o único.
Essa distorção é generalizada, como se vê na Argentina, por exemplo, com o Clarin, citado acima.

“Concessão não é feita apenas para enriquecer o dono”, diz Rue.

No último levantamento da Forbes das maiores fortunas no Brasil, a família Marinho estava no pódio.

Qualquer tentativa de debater a questão da mídia no Brasil costuma ser rechaçada, por ela mesma, como “ameaça de censura”. Mais uma vez, este tipo de argumento apenas comprova o acerto das teses centrais de Rue.

O Diário defende, como já foi dito, uma legislação de mídia nos moldes da dinamarquesa.

Na Dinamarca, a liberdade de expressão é um direito sagrado.
Foi lá, em nome dessa liberdade, que cartunistas desafiaram o fundamentalismo islâmico ao publicar charges de Maomé.

Para monitorar o comportamento da mídia, os dinamarqueses têm um órgão fiscalizador que é independente das empresas de jornalismo e também do governo.

A autofiscalização fracassou miseravelmente na Inglaterra e no Brasil é essencialmente uma piada.

Com atraso de vários dias, a Folha entrevistou Rue, e o resultado está na edição de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/85591-novo-modelo-de-midia-na-america-latina-pode-ser-criado-pelo-brasil.shtml).
Ponto para a Folha, ainda que não se tenha tocado num assunto que ele abordou no Brasil – o absurdo de o jornal destruir, na Justiça, a paródia digital Falha de S. Paulo (Rue lembrou que nos Estados Unidos havia uma paródia do NY Times).

As teses de Rue mostram que o Brasil está, infelizmente, distante de ter uma mídia genuinamente “livre” – a não ser que consideremos que “livre” signifique a subordinação completa aos interesses de um pequeno grupo de grandes corporações para as quais notícia é apenas o que as beneficia.

*Paulo Nogueira é jornalista. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo. Atualmente vive em Londres de onde edita o blog Diário do Centro do Mundo.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=19737

Responder

sandro

26 de dezembro de 2012 às 15h41

Vai sair ley dos médios aqui sim, e bem radical pois o “piG” esta tão
atordoado que não demora cometerá um ato falho irreversível.

A operação dedo-duro do institudo millenium vai fazer”água” já, já..
se liga Luiz Felipe.

Responder

Romulo

26 de dezembro de 2012 às 14h56

É chegada a hora dar dilvulgação e apoiar com força essa lei no Brasil para o bem da democracia e o desenvolvimento e progresso do Brasil e de todos nós como povo.
Precisamos eleger pessoas de esquerda que estejam determinadas em votar e apoiar essa lei , precisamos eleger pessoas que não tenham rabo preso com a mídia e que nao possuam redes de rádio e tv.
É necessário acabar com o monopólio e a ditadura nos meios de comunicação e precisamos saber desses políticos quais sao os determinados a entrar nessa luta pela democratização dosmeios de comunicação , para assim darmos o nosso voto nas proximos eleições.

Responder

RicardãoCarioca

26 de dezembro de 2012 às 12h18

A Dilma não vai propor Lei de Mídia nenhuma:

1) O PMDB não vai dar os votos para a formação da maioria no congresso para essa proposta;
2) Tem quase 80% de aprovação e mais de 60% de intenções de votos;
3) Nunca prometeu que faria isso, desde a campanha até aqui;
4) Tem na chefia da secretaria de comunicação – que não comunica – uma ex-colunista do jornal O Globo;
5) O Hibernardo não sofre nenhum tipo de ameaça à frente do Minicom (Ministério das Comunicações);
6) Dá claros sinais de afastamento do PT;
7) Continua turbinando a receita do PiG pagando-os proporcionalmente de acordo com os índices de audiências que eles mesmos medem;
8) Diz que prefere o barulho da imprensa;
9) Diz também que o melhor controle da mídia (erra ao fazer essa comparação) é o controle remoto (erra mais uma vez porque de nada serve o controle remoto diante de um noticiário carterizado);
10) Goza de trégua relativa do PiG.

Responder

    Julio Silveira

    26 de dezembro de 2012 às 13h42

    Concordo.

    abolicionista

    26 de dezembro de 2012 às 17h43

    A demanda tem que vir da sociedade. É preciso conseguir massa crítica para pressionar o governo a desengavetar uma proposta como essa que, em termos eleitorais, não é nada apetitosa.

    Sugiro que pensemos seriamente em arregaçar as mangas e fazer pressionar sistematicamente as autoridades.

    O movimento dos sem-mídia me parece uma estratégia valiosa. Caso não o conheçam, consultem o blog do Eduardo Guimarães, fundador do movimento:

    http://www.blogdacidadania.com.br/

    Alguém sugere qual será nossa primeira ação?

Julio Silveira

26 de dezembro de 2012 às 11h58

Taí um a coisa que eu gostaria de ver a Dilma fazer, e não é de hoje. Mas ela não era fã do Franklim Martins, por isso acho que não sai.

Responder

Amaro

26 de dezembro de 2012 às 11h12

Se tivermos que nos contentar com um remendo de regulamentação de mídia melhor será não haver remendo. Propor ao congresso um tapa buraco que passe 3 anos para ser aprovado e entrar em vigor e não ter eficácia, melhor maturar as idéias e num outro momento fazermos algo como a Argentina fez.
Ao contrário continuaremos esta republiqueta da Globo Veja.
Deveremos massificar uma campanha por uma eleição de um Congresso progressista onde nele o PMDB perca esta for(c)ça que o Temer impõe ao governo. Enquanto estivermos reféns deste “partido” não iremos a lugar nenhum com um PT que não passa de um leão que mia e que portanto não proporá nenhum avanço, a exemplo do relatório do Odair cunha que amarelou.
Que inveja da Argentina devemos sentir neste instante!
Pobre Brasil que ainda se escreve com “Z”.

Responder

Mardones

26 de dezembro de 2012 às 10h43

Muito esclarecedora a entrevista. Parabéns!

Infelizmente, o governo brasileiro ainda não descobriu que precisa esclarecer a sociedade da importância do direito à comunicação e a necessidade de uma lei que permita às pessoas direito a informação diversificada e não apenas “a voz dos mercados”

Responder

Jayme Vasconcellos Soares

25 de dezembro de 2012 às 22h33

Dilma não vai propor regulação de mídia nunca! Ela é covarde! Ela continuará alimentando esta fera, que um dia concretizará o seu principal projeto:derrubá-la. Dilma só tem forças contra os velhinhos aposentados, para os quais ela pretende nivelar os salários ao mínimo.

Responder

lulipe

25 de dezembro de 2012 às 20h16

Não só a mídia, mas todos que prezam a liberdade de imprensa!!!

Responder

    RicardãoCarioca

    26 de dezembro de 2012 às 08h11

    Deixe de ser provocador primário. Ley de Medios trata de descentralização do mercado de mídia, aumento do número de empresas desse ramo o que promove a liberdade de expressão. O que temos atualmente é o controle empresarial da imprensa, que escolhe o que noticiar e o que não.

    Só quero para o Brasil uma Ley de Medios que EUA, Reino Unido, França e Argentina têm.

    Renato

    27 de dezembro de 2012 às 11h34

    Estranho falar em aumento de empresas no setor de televisão. Que tipo de empresa, apenas as estatais? Estou fora.

    Vocês querem decidir o que eu posso assistir, sem levar a consideração o que eu quero assitir.

anac

25 de dezembro de 2012 às 20h10

Pelos trolls escaravelhacos Murdoch foi vitima dos ditadores da INGLATERRA.
Ou a Dilma tem coragem com os 70% de aprovação de enfrentar os golpistas ou a democracia viverá eternamente sob a ameaça dos golpistas midiaticos.
O unico que foi poupado foi FHC por motivos obvios que o milionario apartamento na Avenida Foch, recem reconhecido, em Paris explica.
Não existirá outro Lula para resistir aos ataques e chantagens da midia. Depois não reclamem quando os joaquins silverios voltarem ao poder.Eles não deixarão pedra sobre pedra do Brasil.

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Sagarana

25 de dezembro de 2012 às 19h01

Durante anos, o Brasil chamou a atenção do mundo graças a seu novo ciclo de crescimento. No entanto seria interessante perguntar-se sobre o tipo de capitalismo que tal ciclo gerou, sobre qual a especificidade da experiência brasileira e seus limites.

Colocar tal questão é importante porque, se há algo que chama a atenção no caso brasileiro, é a maneira como aprofundamos um modelo econômico oligopolista, de baixa concorrência e alta concentração. No Brasil, o capitalismo mostrou uma de suas faces mais brutais. Pois não ocorreu aqui fenômenos de pulverização de atores econômicos por meio de ciclos de abertura de start-ups e de defesa estatal de ambientes de multiplicação de grupos de empreendedores.

Na verdade, tivemos, muitas vezes, uma diminuição no número de tais atores através de políticas estatais que produziram ou incentivaram involuntariamente a oligopolização da economia em nome da criação de “grandes players globais”.

Setores como os frigoríficos e a produção de etanol são exemplares, nesse sentido. Em tais casos, em vez de lutar contra a tendência oligopolista, o governo subvencionou a criação de grandes grupos exportadores que usaram, em várias ocasiões, dinheiro público para comprar concorrentes e concentrar o mercado.

O resultado foi aberrações em que oligopólios controlam serviços e produtos, oferecendo-os a preços exorbitantes e com baixa qualidade. A recente pesquisa sobre os preços da indústria automobilística nacional, por exemplo, demonstrou o que qualquer pessoa sensata já imaginava: nossos carros estão entre os mais caros do mundo não devido aos impostos ou ao custo Brasil, reclamações clássicas de empresários acostumados com a exploração de seus empregados.

Na verdade, eles estão entre os mais caros simplesmente porque a margem de lucro é uma das mais altas do mundo. Algo só possível em um mercado totalmente oligopolizado, sem concorrência real. Mercado onde a regra é a espoliação dos consumidores.

Durante certo tempo, ouvimos a pregação de que a abertura da economia nacional a empresas estrangeiras quebraria o ciclo de relações incestuosas entre poder público e burguesia nacional de baixa competividade. No entanto o que vimos nesses casos foi um primeiro momento virtuoso que logo dava lugar a um novo monopólio, só que agora com sotaque estrangeiro.

Ou seja, o Brasil tinha à sua frente o desafio de criar um sistema econômico no qual a intervenção estatal fosse organizada tendo em vista a quebra da natureza monopolista do capitalismo atual. Mas ele fez exatamente o contrário. Há de perguntar se isso não colabora para o atual estágio de baixo crescimento econômico.

VLADIMIR SAFATLE.

Responder

    Bonifa

    27 de dezembro de 2012 às 11h17

    O modelo brasileiro não é esse que o Safatle fala. É preciso ver etapas, em lugar de pensar em aplicação de um “modelo capitalista” idealmente. Condições de superação vão surgindo com o surgimento concreto de novas situações. E o Geral do modelo brasileiro não é promoção de oligopólios. É o modelo misto que favorece o surgimento de produção onde nada havia, enquanto se avança em políticas públicas de inclusão. Agora, se surge um frigorífico brasileiro que se torna player mundial e compra o Swift, operação que mexeu com o orgulho dos americanos, não há porque destruir tal frigoríco em nome do combate ao oligopólio. Nosso caminho não é o ideal, mas é o caminho certo, levando em conta todas as variáveis, dentro do possível, e ainda mais lutando dia a dia contra aqueles que torcem contra o desenvolvimento do país.

    Bonifa

    27 de dezembro de 2012 às 12h36

    Pacto adversativo x Pacto progressista
    Por Saul Leblon, na Carta Maior

    A ‘Folha’ quer ser o bastião de um conservadorismo mais que nunca determinado a implodir a agenda progressista que ordena o país desde 2003.

    A exemplo dos pavões do PSDB, porém, o veículo dos Frias também se pretende ‘moderno’ .Uma referência de desprendimento republicano, ‘a serviço do Brasil’.

    Incompatibilidades entre uma coisa e outra são escamoteadas frequentemente abusando-se de um recurso ardiloso: o fraseado adversativo.

    Basta um ‘mas’ depois das vírgulas. Pronto.

    A relação de forças, os conflitos de interesses que estruturam os impasses macroeconômicos atuais, as dinâmicas condicionadas pela desordem neoliberal, o saldo dos avanços e, sobretudo, os riscos de uma ruptura tudo se dissipa e se dissolve.

    O pontificado do arrasa-terra lubrifica-se nesse genial truque de um ‘mas’ depois da vírgula.

    Evidências incontornáveis reduzem-se a partículas de Higgs. Por exemplo, o fato de o dispositivo midiático ser um dos escudos implacáveis do rentismo neoliberal que engessou e corroeu – e ainda corrói – as turbinas do investimento produtivo nacional.

    Nada disso importa ao pasteurizador narrativo da Folha.

    O truque consiste em nivelar um avanço inquestionável da década petista a um ponto não contemplado da agenda conservadora.

    Passo seguinte: conclui-se que nada de relevante aconteceu no país; nada mudou desde 2003; não houve um miserável centímetro de avanço histórico.

    Escavado o buraco negro desobriga-se o foco de contemplar as conquistas –desobriga-se também quem de direito a defende-las. No limite podemos chegar ao suicídio assistido pelos princípios inquebrantáveis que levaram alguns a preferir a vitória de Serra contra Haddad em SP — ‘para punir a degeneração petista’.

    O país –o governo construído desde 2003, com suas falhas clamorosas e avanços reais– vira uma terra de ninguém. Uma Geni de fim de ano. Pau nela.

    Em torno do marco zero pontifica-se livremente sobre o futuro: tudo está por fazer.

    O negacionismo adversativo é uma espécie de doença infantil do conservadorismo.

    Como outras doenças infantis, trata-se de abduzir a realidade e a relação de forças no complacente espaço do idealismo.

    É esse o motor do editorial da Folha desta 4ª feira, sugestivamente intitulado ‘Reforma Geral’. Ou vassourão de fim de ano.

    Ou ainda, ‘chamada geral ao pacto adversativo contra o governo Dilma’.

    A meta é exposta com todas as letras no texto: desqualificado o presente, o futuro passa por ‘mudar desde as condições de produção até as próprias prioridades nacionais”, convoca o confiável diário dos Frias.

    Só isso.

    Quais prioridades nacionais?

    O editorial não tem a audácia (ainda) de propor a supressão dos avanços sociais implantados no governo Lula.

    Tampouco de clamar por alguma forma velada de arrocho salarial –a começar pelo salário mínimo, quem sabe.

    Mas é disso que se trata.

    A restauração do projeto derrotado nas últimas três eleições presidenciais implica negar a qualquer avanço do ciclo petista o condão de uma nova alavanca de desenvolvimento.
    ………………………………………………………………………………………………………

    http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1162

Sagarana

25 de dezembro de 2012 às 18h59

Para quem acredita que esse governo que aí esta vai desconcentrar alguma coisa, segue texto de Vladimir Saflate.

Durante anos, o Brasil chamou a atenção do mundo graças a seu novo ciclo de crescimento. No entanto seria interessante perguntar-se sobre o tipo de capitalismo que tal ciclo gerou, sobre qual a especificidade da experiência brasileira e seus limites.

Colocar tal questão é importante porque, se há algo que chama a atenção no caso brasileiro, é a maneira como aprofundamos um modelo econômico oligopolista, de baixa concorrência e alta concentração. No Brasil, o capitalismo mostrou uma de suas faces mais brutais. Pois não ocorreu aqui fenômenos de pulverização de atores econômicos por meio de ciclos de abertura de start-ups e de defesa estatal de ambientes de multiplicação de grupos de empreendedores.

Na verdade, tivemos, muitas vezes, uma diminuição no número de tais atores através de políticas estatais que produziram ou incentivaram involuntariamente a oligopolização da economia em nome da criação de “grandes players globais”.

Setores como os frigoríficos e a produção de etanol são exemplares, nesse sentido. Em tais casos, em vez de lutar contra a tendência oligopolista, o governo subvencionou a criação de grandes grupos exportadores que usaram, em várias ocasiões, dinheiro público para comprar concorrentes e concentrar o mercado.

O resultado foi aberrações em que oligopólios controlam serviços e produtos, oferecendo-os a preços exorbitantes e com baixa qualidade. A recente pesquisa sobre os preços da indústria automobilística nacional, por exemplo, demonstrou o que qualquer pessoa sensata já imaginava: nossos carros estão entre os mais caros do mundo não devido aos impostos ou ao custo Brasil, reclamações clássicas de empresários acostumados com a exploração de seus empregados.

Na verdade, eles estão entre os mais caros simplesmente porque a margem de lucro é uma das mais altas do mundo. Algo só possível em um mercado totalmente oligopolizado, sem concorrência real. Mercado onde a regra é a espoliação dos consumidores.

Durante certo tempo, ouvimos a pregação de que a abertura da economia nacional a empresas estrangeiras quebraria o ciclo de relações incestuosas entre poder público e burguesia nacional de baixa competividade. No entanto o que vimos nesses casos foi um primeiro momento virtuoso que logo dava lugar a um novo monopólio, só que agora com sotaque estrangeiro.

Ou seja, o Brasil tinha à sua frente o desafio de criar um sistema econômico no qual a intervenção estatal fosse organizada tendo em vista a quebra da natureza monopolista do capitalismo atual. Mas ele fez exatamente o contrário. Há de perguntar se isso não colabora para o atual estágio de baixo crescimento econômico.

VLADIMIR SAFATLE

Responder

    Romulo

    26 de dezembro de 2012 às 15h07

    Esse artigo do Safatle é sensacional e serve para refletir por que vai direto ao ponto dos problemas que o Brasil enfrenta de cima a baixo essa é a mais pura verdade. Este é o grande desafio nacional a ser enfrentado por todos nós, se queremos que esse nosso Brasil se torne um dia uma nação desenvolvida e de primeiro mundo.

Sagarana

25 de dezembro de 2012 às 18h44

E se fizéssemos uma lei obrigando uma parcela mínima da população a ler pelo menos uma vez por ano a carta capital e a caros amigos? O que vocês acham?

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Isadora do PT

25 de dezembro de 2012 às 18h04

Durante 16 anos a tal “mídia burguesa”, a “midia golpista” escondeu de todos os brasileiros a participação do PT e de Lula numa entidade chamada “Foro de São Paulo”, que havia sido criada por Lula e o companheiro Fidel Castro. Com seu silêncio obsequioso e cúmplice, reforçado de tempos em tempos por negações explícitas, a tal midia ajudou o Foro de São Paulo a crescer em paz e segurança, escondidinho, longe dos olhos da multidão curiosa, até tornar-se o dominador quase monopolístico não só da política brasileira, mas de meio continente. A blindagem que o sr. Luis Inacio Lula da Silva recebeu, mesmo durante o processo do mensalão, foi mesmo espetacular. Mas agora, esses 16 anos de acobertamento, foram jogados no lixo. O apoio ao projeto tem que ser total, irrestrito. Se não for assim, não serve, e aí não faltarão adjetivos.

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Bruce Guimarães

25 de dezembro de 2012 às 16h32

É fato que o percentual de participação do Clarin e das Organizações Globo é alto, talvez fosse melhor mesmo uma menor concentração, mas me parece autoritário demais, um governo retirar na “mão grande”, concessões desses veículos. Seria muito mais interessante, os governos estimularem menores grupos a crescerem, com isso a participação de uma Rede Globo diminuiria naturalmente.

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    anac

    25 de dezembro de 2012 às 20h01

    Viche os trolls escaravelhacos começaram cedo a atacar o post.
    Mão grande kkkkkkkkkkkkk
    Avisa pros USA, Inglaterra, França e cia ltda que eles levaram a democracia na mão grande com os seus marcos regulatorios que impede a propriedade cruzada.
    O mais absurdo é a Globo cria da ditadura, que escondeu até um movimento – Diretas JÁ! – que levou milhões as ruas acusar o governo de tentar atentar para a liberdade de imprensa e expressão. E os rola-bsta vem aqui e repetem.

    Bruce Guimarães

    25 de dezembro de 2012 às 20h59

    Prezada Agência de Aviação Civil, seus argumentos são péssimos, você quer justificar a tal lei de regulação só porque os EUA, Inglaterra e cia fizeram? Então podemos copiar qualquer porcaria de lá? De fato não sei como se deu a regulação da mídia no primeiro mundo, a analogia que fazemos é com o que está acontecendo na Argentina. Sobre a Globo ser criada na ditadura, existe várias outras empresas privadas e públicas que foram criados quando os milicos estavam no poder, aliás foi os que mais criaram empresas públicas. Mas, tentem melhorar seus argumentos, você pode mais!!!

    wendell dantas

    25 de dezembro de 2012 às 20h40

    você deve estar de brincadeira continuar a financiar com dinheiro publico grupos oligarquicos só por que não crsceram tanto quanto a GLOBO. Fala serio, que sejam feitas reformas e que dinheiro apenas seja usado para manter e melhoraro que for publico indivisivel e universalmente…

    Bruce Guimarães

    25 de dezembro de 2012 às 21h45

    Bem, acho que vc já saiba, a Rede Globo é uma das empresas que tem mais saldo a amortizar no BNDES, dinheiro do tesouro subsidiado. Qualquer projeto de crescimento do grupo da Rede Globo o governo sempre chega junto. Eu penso, que se der colher de chá, subsidiar as menores ao invés da Globo, esse percentual de participação da Rede Globo tende a diminuir.

    Rodrigo Mello

    26 de dezembro de 2012 às 02h18

    Acho que a discussão não leva a lugar algum.A questão é muito mais complexa.Mas tal lei sá beneficiaria ainda mais a GLOBO, pois está bem claro na CONSTITUIÇÃO:
    Art. 5º ,Inciso XXXIX-“não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;”.Dessa forma essa lei não atingiria a GLOBO. O único jeito de combate-la é parando de assistir, ou revendo a transmissão de canais abertos, pela ANATEL. Talvez limitar o acesso nas residencias(1 aparelho), sendo taxado os demais.Em alguns países na europa, o acesso é pago.

    Bonifa

    27 de dezembro de 2012 às 11h26

    Dá certo não, Bruce. Foi isso que falou o pavoroso ministro da cultura do Collor, como argumento para acabar com a subvenção ao cinema brasileiro. Segundo ele, o cinema no Brasil, com a simples adoção das leis de mercado, poderia naturalmente chegar a ser uma Hollywood. E ainda mais que estamos falando de concessão de um serviço que tem obrigações sociais definidas na própria Constituição, e entretanto se tornou um Leviatã.

RicardãoCarioca

25 de dezembro de 2012 às 16h05

A Dilma não vai propor Lei de Mídia nenhuma:

1) O PMDB não vai dar os votos para a formação da maioria no congresso para essa proposta;
2) Tem quase 80% de aprovação e mais de 60% de intenções de votos;
3) Nunca prometeu que faria isso, desde a campanha até aqui;
4) Tem na chefia da secretaria de comunicação – que não comunica – uma ex-colunista do jornal O Globo;
5) O Hibernardo não sofre nenhum tipo de ameaça à frente do Minicom (Ministério das Comunicações);
6) Dá claros sinais de afastamento do PT;
7) Continua turbinando a receita do PiG pagando-os proporcionalmente de acordo com os índices de audiências que eles mesmos medem;
8) Diz que prefere o barulho da imprensa;
9) Diz também que o melhor controle da mídia (erra ao fazer essa comparação) é o controle remoto (erra mais uma vez porque de nada serve o controle remoto diante de um noticiário carterizado);
10) Goza de trégua relativa do PiG.

Ainda resta algum(a) iludido(a) aí?

Responder

RicardãoCarioca

25 de dezembro de 2012 às 15h55

A Rede Esgoto, sozinha, detém quase 60% do mercado de mídia nacional, computando aí todas as mídias. É muita burrice Folha, Estadão, Veja, SBT, Band e demais porquinhas regionais não apoiarem a descentralização do mercado midiático brazuca.

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FrancoAtirador

25 de dezembro de 2012 às 15h15

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Natal no shopping

Por Urariano Mota, no Luis Nassif OnLine

Nesses dias próximos do Natal, não quero lembrar por quê, fui ao shopping.

Fui, e comecei a circular, o que no shopping é uma forma de andar.

Circulo e circulo, enquanto rumino coisas que para mim mesmo não estão claras.

Penso em beber, ah, como cairia bem um chope no shopping, como desceria bem o líquido sobre uma garganta sem eloquência.

Giro, como se andasse.

Então, súbito, cai sobre mim um som belo, lindo, que não identifico de imediato de onde vem.

Sim, é Natal, mas não estou dentro de um conto de Dickens.
Então, de onde vem essa beleza que escuto, perdido num mundo de mercadorias?

“Eu preciso descobrir
a emoção de estar contigo
ver o sol amanhecer
como um dia de domingo…”

Olho, estou em frente a um restaurante aberto, e as pessoas bebem e comem e gargalham e batem copos e fazem pedidos com escândalo, aos gritos, possessas e porcas.

Mas ainda assim a beleza resiste por sobre o mar de insensibilidade:

“Eu preciso respirar
o mesmo ar que te rodeia
e na pele quero ter
o mesmo sol que te bronzeia …”

Então eu descubro de onde vem esse sopro de Dickens.

Uma pianista velha toca solenemente a um canto.

Ela não toca, vejo, ela desce os dedos com uma gravidade, com uma rigidez quase de mármore duro, como se fosse uma estátua que apenas movesse os dedos.

Para quem toca essa velha pianista?

Para que coração ela se dirige diante de uma barreira de barbárie?

“Eu preciso te tocar
e outra vez te ver sorrindo
e voltar num sonho lindo…”

Ela me lembra de imediato os comediantes, os palhaços, os clowns que não riem.

Mas não, essa lembrança diz respeito somente a seu rosto que não reflete a emoção do que toca.

Os palhaços têm melhor sorte, porque o público a eles responde.

A pianista velha, com a sua rigidez facial, percebo então, é um alto escudo para que não a insultem mais do que fazem agora enquanto gritam por mais carne e mais vinho e mais champanhe e mais a porcaria toda que o dinheiro pode comprar.

Agora compreendo que ela, dura como uma pedra, responde com um “desprezo-os como me desprezam”.

Aos gritos de carne e vinho e chope, ela bate mais forte no teclado:

“Faz de conta que ainda é cedo…”

– Carne!

“.. e deixar falar a voz
a voz do coração.”

Que dignidade há nesses artistas que tocam sem que ninguém os escute!

Saio. A decoração do shopping é de um vermelho extravagante. Pois esta não é a cor do Papai Noel?

Saio, preciso de ar, vou para a rua.

O mundo desconcertado pode não merecer concerto, mas tem lógica.

Existe um fio que vai da festa da mercadoria até o público que não ouve a música de um artista digno.

Tudo é shopping…

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/urariano-mota
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Só mesmo a sensibilidade de Urariano Mota

para identificar, numa crônica natalina,

o real ‘espírito do natal’ capitalista:

A Prostituição da Alma.
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Responder

    Sagarana

    25 de dezembro de 2012 às 18h41

    Quando ele citou os primeiros versos eu imaginei que poderia ser o Ministro Fux.

abolicionista

25 de dezembro de 2012 às 14h15

As leis de imprensa de França e Argentina são modelos para qualquer país. Está na hora do Brasil receber um choque de democracia.

Responder

    FrancoAtirador

    25 de dezembro de 2012 às 15h31

    .
    .
    Precisamos urgentemente de um ’13D’.
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Messias Franca de Macedo

25 de dezembro de 2012 às 13h43

… Basta a egrégia, competente, democrata e impávida presidente Dilma Rousseff, A Magnífica, ter a disposição/motivação política no sentido de esclarecer à opinião pública do que se trata a Lei dos Meios; promover múltiplos e amplos debates e conferências envolvendo todos os entes – direta ou indiretamente – envolvidos na temática, incluindo desde os barões da “grande” mídia nativa, blogueiros sujos(!) até os consumidores de todas as formas de mídia!…

… E, aí, veremos quem tem ‘a farinha da verdade no saco’!

NOTA ACAUTELATÓRIA: presidente Dilma Rousseff, A Magnífica, por favor, confie no honesto, sapiente e intrépido povo trabalhador brasileiro!… Não nos faça sentir inveja da presidente Cristina Kirchner!…

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas e antigolpistas,

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Messias Franca de Macedo

25 de dezembro de 2012 às 13h32

EM TEMPO DE TERRORISMO GOLPISTA(!): os réus da Ação Penal 470 têm a obrigação de ingressar com uma ação judicial contra o Robert(o) Gurgel! Últimos delitos cometidos pelo procurador geral da República em relação aos réus da ação penal 470: danos morais; assédio moral exercido publicamente; incitação à desordem pública; desrespeito brutal à constituição; demonstração cabal de falta de saber jurídico compatível ao cargo que ora ocupa; manobra delinquente ao retirar da pauta do STF o pedido de prisão imediata e reapresentá-lo imediatamente junto com o início do recesso da suprema corte, burlando – adrede e irresponsavelmente – as etapas do processo… Cumpre esclarecer que não incluímos na lista os crimes de prevaricação e ‘vazamentos ilegais’ denunciados pelo senador Fernando Collor de Mello…

… Ademais, uma equipe médica deveria fazer uma perícia e proceder a uma espécie de ‘exame de corpo de delito’, objetivando avaliar os ‘plausíveis e críveis’ [e, provavelmente, não ‘tênues’!] agravos à saúde das vítimas!…

EM TEMPO: relendo outro ‘post’, constatei que o prezado Mário SF Alves havia encaminhado um abraço fraternal ao matuto! Aproveito para retribuir, aproveitando para desejar-lhe um Feliz Natal e revolucionários [RISOS] Anos Novos(!): Hasta la Victoria Siempre. Protestos extensivos aos responsáveis e comentaristas desta conspícua e radicalmente democrática ‘casa cibernética’…

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas e antigolpistas,

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Isidoro Guedes

25 de dezembro de 2012 às 12h59

A velha mídia (corporativa, direitista e reacionária) não quer nenhum tipo de regulação para continuar fazendo o que ela sabe fazer de melhor: a promoção de golpismos, a manipulação das informações, e o assassinato seletivo de reputações especialmente contra políticos de trabalhistas ou de esquerda. Afinal, de ética e democrata essa mídia não tem absolutamente nada. Pois sempre que os interesses da elite econômica a qual vocaliza são ameaçados de uma maneira ou de outra, ela entra em campo para promover rasteiras contra os governantes que governam para a maioria. Não importando se isto vá dar em regimes de exceção ou não. Assim foi em 1964 e assim será em qualquer época, pois essa é a natureza dessa mídia (a natureza do escorpião).

Responder

Marcos Rocha

25 de dezembro de 2012 às 12h08

Realmente, é muito provável que Dilma, no alto dos seus quase 80 pontos de aprovação pelos brasileiros, siga o passo da ilustre vizinha que tem menos pontos que o Palmeiras no campeonato, enfrenta onda de saques no país e descontentamento geral dos argentinos.

É mesmo um exemplo a ser seguido…

Responder

    abolicionista

    25 de dezembro de 2012 às 14h13

    Estive em Buenos Aires há pouco tempo e não vi nada disso. A presidenta foi eleita com folga, pois os argentinos lembram muito bem do preço que pagaram por seguir os conselhos do FMI. A taxa de roubos na Argentina é menor que a de São Paulo, a de assassinatos idem. Será que você não está confundindo a Argentina com os EUA ou algum país da Europa?

    Edno Lima

    25 de dezembro de 2012 às 17h30

    Esqueceu-se de citar que não só São Paulo tem uma taxa de homicídios maior que da Argentina. Bahia e Distrito Federal, governada por valorosos petistas, tem uma taxa bem maior; quase o dobro da São Paulo. A Venezuela, do querido Hugo Chaves, também possui uma taxa bem maior do que a da argentina( é o país mais violento da américa do sul), mas não lembro de os petistas considerarem que isso fosse um problema. Faltou dizer também que a Argentina tem uma taxa de homicídios menor do que qualquer estado brasileiro.

    abolicionista

    25 de dezembro de 2012 às 19h08

    Não é engraçado como os próprios trolls se denunciam? Notem, qualquer comentário contrário ao oligopólio midiático é automaticamente interpretado como um elogio ao PT. Em nenhum momento de meu comentário eu elogiei o PT. Pelo contrário, elogiei a cidade de Buenos Aires, muito diferente da cidade de São Paulo, onde moro. O comentário de Edno apenas prova que os próprios Trolls reconhecem que a mídia corporativa brasileira age como um partido político e que mesmo os Trolls já o admitem, mais uma prova de que precisamos urgentemente democratizar a mídia corporativa, que está cega, surda e muda para a pluralidade e para o diálogo aberto e amplo entre os diferentes setores da sociedade. Obrigado, Edno, seu comentário foi muito elucidativo. Ah, um conselho: se você quer se mudar para um estado seguro, vá para o Piauí, o estado teve o menor índice de homicídios em 2012! ;)

    Edno Lima

    25 de dezembro de 2012 às 20h15

    Já eu sugeriria a vc que fosse morar na Argentina que tem uma das menores taxas de homicídio da América do Sul, tem uma presidente que governa da forma você gostaria o Brasil fosse governado e melhor, tem um modelo de controle de imprensa que vc adora! Boa viagem! ah, e da próxima vez tome cuidado, não é só vc que gosta de olhar dados estatísticos!!!

    wendell dantas

    25 de dezembro de 2012 às 21h12

    quem disse que o PIaui é o mais seguro e menos violento da nação? a imprensa partidarista ou os dados oficiais manipulados… venham observara desproporção entre segurança e criminalidade no Estado onde todos os meios de comunicação pertencem a grupos oligopolistas de apenas quarto familias!

    abolicionista

    26 de dezembro de 2012 às 18h00

    Poxa, Edno, achei que você fosse sugerir que eu morasse na França!rs A lei de mídia francesa é tão boa quanto a Argentina e esta em vigor a mais tempo. Você acha que a França não vive em uma democracia? Você acha que a França é um país comunista? Na verdade, já que você tocou no assunto, de fato pretendo passar alguns anos morando lá, durante meu doutorado. Em todo o caso, também gostaria muito de passar alguns anos morando em Buenos Aires, não só por causa da política, também por questões culturais, sou fanático por literatura argentina. Contudo, apesar de desejar morar no exterior por alguns anos, jamais abandonaria definitivamente o Brasil. Quer dizer, só o faria em caso de Golpe Militar ou algo do tipo, ou seja, caso o tipo de governo ditatorial que você admira se instalasse aqui. A Globo, aliás, surgiu de um contrato de gaveta feito com os militares, ou você não sabia? Bom, não é no Jornal Nacional que você saberia disso, né?

    Quanto a chamar a “ley de medios” de lei de controle, isso é ignorância ou preconceito? Você já leu a respeito da lei? Sabe como ela funciona? Então sabe que a mídia impressa não será nem afetada por ela? Sabe que o grande diferencial dela é evitar monopólio e a propriedade cruzada de meios-de-comunicação? Os canais de TV e rádio são concessões públicas, devem prestar serviço à democracia, não apenas defender o interesse de um grupo de poderosos.

Miranda

25 de dezembro de 2012 às 09h08

A matéria é também uma vacina contra a gritaria dos empresários da mídia eletrônica no Brasil.

E eu já tinha compreendido o receio da Dilma em peitar os donos do mundo. O problema começa no próprio Congresso: quantos deputados e senadores são “donos” (eles agem como se fossem donos) de estações de rádio e de televisão, estas últimas repetidoras da programação da Globo (por isso elas são chamadas de rede), da Bandeirantes, Record e do SBT?

De fato a Dilma peitou os banqueiros, vai diminuir o chamado custo Brasil com a diminuição do preço da energia elétrica e anda dizendo que vai baixar os impostos (com isto todos os empresários e banqueiros concordam). Mas, na hora de discutir o monopólio da família marinho no setor de telecomunicações, ela amarela.

Eu até que compreendo o receio do Dilma, porque a rede Globo é de fato e de longe o primeiríssimo poder nesse país: condenou o Zé Dirceu e, se ficarmos calados, vai também colocar o Lula na cadeia. E não precisa de nenhuma acusação consistente: ela tem o judiciário brasileiro em suas mãos, que o diga o julgamento do “mensalão”. E também chantageia políticos de acordo com as suas conveniências. Duvido que ela se posicione contra o Miro Teixeira, porque o Miro é gente da casa.

Vai ser uma batalha e tanto. Por muito tempo ainda contaremos somente com o apoio do controle remoto. Mas para que serve o controle remoto? Para mudar da programação da Globo para a programação da SBT? Well, isso depende do enredo da novela mexicana e do humor do Carlos Nascimento.

Responder

Otto

25 de dezembro de 2012 às 08h50

Felizmente a Dilma não é estúpida para imitar essa bruaca. Tem personalidade e amor-próprio. Não precisa disto.

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    abolicionista

    25 de dezembro de 2012 às 14h17

    Otto, que tal elevar o nível dos comentários, educação é bom e todo mundo gosta.

Bonifa

24 de dezembro de 2012 às 19h09

A Globo mostrou um saque em Buenos Aires. Imagens de gente corrndo com objetos nas mãos, fogo, e a polícia reprimindo. Na padaria, um senhor pergunta: “O que é isso aí?” E o outro senhor: “É na Argentina…” “Ah, é aquela mulher. Essa mulher tá acabando com a Argentina…” É isso que a Globo realmente quer. Não quer debate nem discussão com contraditório. Isso é crime midiático.

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Gerson Carneiro

24 de dezembro de 2012 às 18h36

O Ministro das Comunicações da Cristina sabe fazer outras coisas além de cozinhar macarrão.

Responder

    Mário SF Alves

    25 de dezembro de 2012 às 21h39

    Gerson,

    Parabéns pela imagem do ano:

    Mário SF Alves

    25 de dezembro de 2012 às 21h50

    É… esse besouro escaravelhizado anda dando o que falar.
    A propósito, valeu Frei Leonardo, pela aula de entomologia e pela singular analogia. Valeu, Gérson, pelo brilhantismo e rigor na tradução.


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