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Eliara Santana: Fim melancólico da Lava Jato de Curitiba e os 4 anos da morte de Dona Marisa. Destino ou triste coincidência?
Fotos; Ricardo Stuckert, Eduaredo Matysiak e reprodução de rede social
Desnudando a mídia

Eliara Santana: Fim melancólico da Lava Jato de Curitiba e os 4 anos da morte de Dona Marisa. Destino ou triste coincidência?


04/02/2021 - 12h28

Por Eliara Santana*

A aclamada e midiática força-tarefa da Lava Jato de Curitiba foi extinta hoje, 3 de fevereiro. Sem qualquer alarde ou grande encenação, apenas com um comunicado do MPF.

A força-tarefa de Curitiba ganhou glamour e foi transformada num feito heróico pela mídia conivente, que fez papel de assessora de imprensa quando deveria ter feito o mínimo que se espera do trabalho jornalístico, a apuração e a apresentação de versões.

Cada cena na TV (especialmente no JN) que mostrava as ações nas inúmeras operações desencadeadas era cuidadosamente espetacularizada, glamorizada, e os agentes eram como Avengers tabajaras.

Foi assim desde 2014, tendo o espetáculo tomado grande vulto a partir de 2015. Hoje ela foi encerrada.

Sem glamour ou apoteose. Mas tendo cumprido a função para a qual foi destinada e pela qual seus agentes passaram a ser os heróis no imaginário nacional: criar caminhos jurídicos para eliminar do poder um determinado grupo e possibilitar a ascensão de outro.

Definitivamente, não há o que comemorar. A Lava Jato foi responsável, entre várias outras coisas, por penalizar e jogar no limbo uma empresa sólida e histórica como a Petrobras, que legaria ao Brasil a chance de autonomia e de investir decentemente em saúde e educação.

Coincidentemente, a força-tarefa de Curitiba se encerra no momento em que Jair (o que ascendeu) tem sob controle o Congresso.

Agora, definitivamente, essa história de “enfrentar a grande corrupção no Brasil” voltará ao ostracismo em que sempre esteve no cenário político e social do país.

Nada mais de ações apoteóticas ou magistrais na mídia. Aliás, o repertório corrupção já sumiu da pauta há muito tempo.

É uma coincidência triste que também hoje se completam quatro anos da morte de dona Marisa Letícia Lula da Silva, ex-primeira-dama, mulher do ex-presidente Lula.

E onde é que esses dois acontecimentos se encontram na história, além da coincidência das datas? O que a morte de dona Marisa tem a ver com a turma de Curitiba? Muita coisa.

Voltemos ao dia 16 de março de 2016.

Naquela data, o então juiz Moro, em franco entendimento com o então coordenador da Força-Tarefa, Deltan Dallagnol, decidiu liberar áudios das gravações de conversas do ex-presidente Lula.

O assunto foi destaque absoluto no Jornal Nacional (a liberação teve endereço certo) e dominou magistralmente o restante da mídia nos dias que se seguiram.

Não vou discutir esse fato específico, amplamente documentado e agora bem escancarado pelos áudios recentemente liberados à defesa de Lula.

O ponto que me interessa é: nos áudios havia conversas de dona Marisa com um dos filhos, em que ela mostrava sua raiva e indignação com os então paneleiros (figuras que também andam sumidas) e sugeria que eles “enfiassem as panelas no c… (também já tive esse pensamento várias e várias vezes).

Nem é preciso dizer que a imprensa deitou e rolou com isso.

Mostrou, destacou, escancarou, problematizou, fez chacota, debochou, ficou indignadinha.

As conversas de dona Marisa não acrescentavam nada às investigações. Mas foram violentamente usadas para atingir a sua família, para atingir seu marido.

Dona Marisa ficou reclusa, mal saía de casa. Menos de um ano depois, em 3 de fevereiro de 2017, ela morreu, vítima de um AVC hemorrágico.

Quando foi internada, médicos limpinhos, cheirosos e “indignados” com tanta “corrupção” vazaram seus exames, que circularam em vários grupos de outros cidadãos “de bem”.

Um desses médicos limpinhos e cheirosos chegou a comentar, sobre os procedimentos para estancar o fluxo de sangue feitos em dona Marisa: “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”,

Certamente, esses médicos e grupos limpinhos e contra corrupção deviam estar igualmente muito indignados agora com o genocídio que ocorre no Brasil, especialmente em Manaus, não é mesmo? Mas essa é outra história.

Retornando ao ponto inicial desta conversa, o que importa é que a Lava Jato, especialmente a força-tarefa que ora se encerra melancolicamente, fez muito mal a dona Marisa Letícia.

E fez muito, muito mal ao Brasil.

*Eliara Santana é jornalista e doutora em Linguística pela PUC/MG.





10 comentários

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Zé Maria

06 de fevereiro de 2021 às 20h19

“Paulo Pimenta denuncia mais um esquema da Lava Jato:
PGR descobre depósito de R$ 270 Milhões da JBS
em conta de ONG da Lava Jato, criada por Dallagnol
com aquiescência de Moro”

https://www.viomundo.com.br/denuncias/paulo-pimenta-pgr-descobre-deposito-de-r-270-mi-da-jbs-em-conta-de-ong-braco-da-lava-jato-criada-por-dallagnol-com-aquiescencia-de-moro.html

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abelardo

04 de fevereiro de 2021 às 19h37

Chegou uma parte da conta para todos e todas §} ©¿#&+! $ que se coligaram para tentar destruir Lula. Sifú de verde a amarelo, todos eles e todas elas.

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Zé Maria

04 de fevereiro de 2021 às 17h33

“Há 4 anos perdemos dona Marisa Letícia.
Companheira de todas as horas,
Marisa sofreu na pele os horrores
de uma perseguição injusta e cruel.”
https://twitter.com/inst_lula/status/1356942227562463232

“Uma mulher injustiçada, que foi humilhada pela ação policialesca
de um Judiciário que combinava sentenças.
Além disso, setores da grande imprensa, que lambiam Ruth Cardoso,
também sempre massacraram Marisa Letícia, à moda do que fizeram
com Dilma. Preconceito e misoginia.”
https://twitter.com/Fabato/status/1356964621941411840

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Zé Maria

04 de fevereiro de 2021 às 17h05

Excerto com Adendo

“Foi assim desde 2014, tendo o espetáculo tomado grande vulto a partir de 2015.

Hoje ela [FTLJ de Curitiba] foi encerrada [- embora fosse um Nome Fantasia de uma Entidade Comercial sem registro no CNPJ -]… tendo cumprido a função
para a qual foi destinada e pela qual seus agentes [DD & Filhos de Januário]
passaram a ser os heróis no imaginário nacional:
criar caminhos jurídicos para eliminar do Poder um determinado grupo [político, à esquerda – o PT -] e possibilitar a ascensão de outro [antipetista, à (extrema-)direita].”

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Giullia Prado .

04 de fevereiro de 2021 às 16h44

A médica que vazou as coisas da Mariza Letícia foi inocentada e ainda ganhou 500 mil de indenização por danos morais do sírio libanês que perdeu o processo.
Ou seja, se vc tem dinheiro no Brasil nunca vc vai se ferrar e ir preso na cadeia. No máximo prisão em casa com frigobar, tv, ar condicionado.
Juízes costumam dar 3 anos em regime fechado, cadeia de verdade, onde o cara vai dar o lolo na cadeia pra não morrer, para pobre que é pego furtando num mercado qualquer uma coxa de frango pra dar para o filho.
Cadeia só para PPP, pobre, preto e puta no Brasil.
País extremamente desigual.
Aliás, se roubar e não furtar, roubo a mão armada se tiver grana pra pagar advogado talvez não fique nem 1 ano preso. Tudo se arranja aqui.

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Henrique Martins

04 de fevereiro de 2021 às 15h36

Complementando comentário anterior:
Imaginem as duas variantes , ou seja, ditadura de extrema direita casada
em comunhão de bens com ditadura militar….

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Henrique Martins

04 de fevereiro de 2021 às 14h30

Até então as ditaduras estavam fora de moda. Acontece que o Myanmar está aí para provar que o câncer voltou. Agora temos duas variantes de ditadura: a moderna de extrema direita que não aceita resultados de eleições e a militar que também não aceita resultado de eleições.
Dose dupla.

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Henrique Martins

04 de fevereiro de 2021 às 13h25

Complementando o comentário anterior: De qualquer forma é bom que os navegantes desavisados saibam que nas ditaduras os congressos costumam ser fechados e o ditador governa por decretos.

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Henrique Martins

04 de fevereiro de 2021 às 13h22

É elementar nas ditaduras afastar ministros do STF que nao rezam na cartilha do ditador.
Pois então, meu caro Watson: Bia Kicis – aquela que defende atos antidemocráticos e, portanto, defende a ditadura – pretende votar projeto estabelecendo crime de responsabilidade de ministros do STF por ativismo judicial.

Está pouco ou quer mais?

Responder

Henrique Martins

04 de fevereiro de 2021 às 13h02

É elementar nas ditaduras afastar ministros do STF que nao rezam na cartilha do ditador.
Pois então, meu caro Watson: Bia Kicis – aquela que defende atos antidemocráticos e, portanto, defende a ditadura – pretende votar projeto estabelecendo crime de responsabilidade de ministros do STF por ativismo judicial.

Está pouco ou quer mais?

Responder

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