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Washington: O tempo é dos porta-aviões que virão intimidar


25/10/2013 - 15h39

Adivinhe quem veio para o jantar?

Por que Washington não pode parar: a chegada da era das pequenas guerras e micro conflitos

22 de outubro de 2013

Por Tom Engelhardt, no TomDispatch

Em matéria de projeção pura de poder, nunca existiu nada assim. Sua força militar dividiu o mundo – o planeta todo – em seis “comandos”.

Sua frota, com 11 porta-aviões de grupos de combate, domina os mares e o faz sem desafios por quase sete décadas.

Sua Força Aérea domina os céus globais e apesar de estar em ação continuamente por anos, não enfrentou nenhum avião inimigo desde 1991 ou se viu diante de um desafio em algum lugar desde 1970.

Sua frota de drones se mostrou capaz de perseguir e matar inimigos suspeitos em cantos remotos do planeta, do Afeganistão e do Paquistão ao Iêmen e à Somália sem preocupação com fronteiras nacionais e sem a menor preocupação de ser derrubada.

Financiam e treinam exércitos substitutos em vários continentes e têm complexas relações de apoio e treinamento com exércitos por todo o planeta.

Em centenas de bases, algumas minúsculas e outras do tamanho de cidades norte-americanas, seus soldados montam guarda no planeta, da Itália à Austrália, de Honduras ao Afeganistão, e das ilhas de Okinawa, no Oceano Pacífico, a Diego Garcia, no Índico.

Seus fabricantes de armas são os mais avançados da Terra e dominam o mercado global.

Suas armas nucleares em silos, em bombardeiros e em sua frota de submarinos seriam capazes de destruir diversos planetas do tamanho da Terra.

Seu sistema de satélites espiões é imbatível, nem se pode desafiar. Seus serviços de espionagem podem ouvir conversas telefônicas ou ler e-mails de quase todo mundo, de líderes mundiais de destaque a insurgentes obscuros.

A CIA e suas forças paramilitares em expansão são capazes de sequestrar pessoas em qualquer lugar, do meio rural da Macedônia às ruas de Roma ou Trípoli.

Para vários de seus prisioneiros, foram montadas (e desmontadas) prisões secretas pelo planeta e em seus navios da Marinha.

Eles gastam mais com seus militares do que os próximos treze países do mundo somados.

Junte-se a isso os gastos com o estado de segurança nacional total, e o volume é bem maior do que o de qualquer grupo de nações.

Em matéria de poderio militar avançado e sem desafios, nunca houve nada como as forças armadas dos Estados Unidos, desde que os mongóis varreram a Eurásia.

Não é de espantar que os presidentes norte-americanos agora usem, regularmente, a frase “a melhor força que o mundo já conheceu” para descrevê-las.

Pela lógica da situação, o planeta deveria ser uma moleza para elas.

Nações menores, com forças bem mais comedidas, conseguiram no passado controlar vastos territórios.

E apesar de toda a discussão sobre o declínio norte-americano e a queda de sua força em um mundo “multipolar”, sua habilidade de pulverizar e destruir, matar e mutilar, explodir e bater só cresceu neste novo século.

Nenhuma outra força militar de outra nação chega perto. Nenhuma tem mais de um punhado de bases militares. Nenhuma tem mais de dois grupos de porta-aviões de guerra.

Nenhum inimigo potencial tem uma frota como essa de aviões-robôs. Nenhum país tem mais de 60 mil forças de operações especiais. País por país, não existe disputa.

O exército russo (um dia “vermelho”) é uma sombra do que já foi. Os europeus não se rearmaram significativamente. As forças de autodefesa do Japão são poderosas e estão crescendo lentamente, mas sob o guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos.

Apesar de a China, regularmente identificada como o próximo estado imperial em ascensão, estar envolvida em um crescimento militar exibicionista, com seu único porta-aviões ainda é apenas um poder regional.

Apesar dessa chocante equação de poder global, por mais de uma década temos assistido a uma lição a respeito do que uma força militar, não importa o quão esmagadora, pode e (quase sempre) não pode fazer no século vinte e um.

A Máquina de Desestabilização

Vamos começar com o que os Estados Unidos podem fazer. Neste ponto os dados recentes são claros: eles podem destruir e desestabilizar.

Na verdade, em todo lugar que se aplicou a força militar dos Estados Unidos nos últimos anos, se houve algum efeito de longo prazo, foi para desestabilizar regiões inteiras.

Em 2004, quase um ano e meio depois que tropas norte-americanas invadiram Bagdá, saqueada e em chamas, Amr Mussa, líder da Liga Árabe, comentou profeticamente: “Os portões do inferno estão abertos no Iraque”.

Para o governo Bush, a situação naquele país já estava controlado e ninguém prestou atenção na descrição de Mussa, pareceu exagero,até ultrajante, quando aplicada à ocupação norte-americana no Iraque.

Hoje, com as estimativas científicas a respeito do assombroso número de mortes provocadas pela invasão e pela guerra, na casa dos 461 mil — e outros milhares que ainda estão morrendo todo ano — e com a Síria em chamas, parece até que a descrição foi incompleta.

Agora ficou claro que George W. Bush e seus principais assessores, fundamentalistas ferrenhos quando se trata do poder militar norte-americano e de sua capacidade de alterar, controlar e dominar o grande Oriente Médio (e possivelmente o planeta), lançaram uma transformação radical da região.

A invasão do Iraque cavou um buraco no coração do Oriente Médio, deflagrando uma guerra civil sunita-xiita que agora se espalhou catastroficamente para a Síria, matando mais de 100 mil pessoas por lá.

Bush e seus assessores ajudaram a transformar a região em um mar revolto de refugiados, deram vida e significado a uma antes inexistente Al-Qaeda no Iraque (e agora uma versão da mesma na Síria), e deixaram o país afundado em um mar de bombas improvisadas, terroristas suicidas e a ameaça, como em tantos outros países da região, de uma possibilidade de implosão territorial.

E isso é apenas um esboço conciso. Não importa se você está falando sobre a desestabilização do Afeganistão, onde as tropas norte-americanas estão há quase 12 anos; do Paquistão, onde a campanha aérea com drones, da CIA, nas comunidades da fronteira, é levada a cabo há anos, enquanto o país se torna mais e mais instável e violento; do Iêmen, onde a chamada Al-Qaeda na Península Árabe cresceu cada vez mais; ou da Somália, onde Washington deu apoio, repetidamente, a exércitos que treinou e financiou, enquanto um país já instável se desmantelou e a influência do al-Shabab, um grupo de insurgentes islâmicos cada vez mais radicais e violentos, começou a transbordar pelas fronteiras regionais.

O resultado tem sido sempre o mesmo: desestabilização.

Considere a Líbia, onde o presidente Obama, não mais interessado em intervenções com soldados em solo, enviou drones da força aérea em 2011, em uma intervenção sem sangue (a não ser, claro, se você estivesse no solo), que ajudou a derrubar Muamar Kadafi, o autocrata local e seu regime de polícia e prisões secretas, e deslanchou uma jovem democracia… opa, um momento, não foi bem assim.

Na verdade, o resultado, que incrivelmente foi uma surpresa para Washington, foi um país ainda mais danificado, com um governo central desesperadamente fraco, um território controlado por várias milícias — algumas de natureza islâmica extremista — insurgência e guerra no vizinho Mali (graças a um influxo de armas roubadas do vasto arsenal de Kadafi), um embaixador norte-americano morto, um país praticamente incapaz de exportar petróleo, e assim por diante.

A Líbia foi, de fato, tão desestabilizada, carece tanto de uma autoridade central, que Washington recentemente se sentiu à vontade para despachar forças de Operações Especiais às ruas da capital, em plena luz do dia, para uma operação de captura de um suspeito de terrorismo procurado há tempos, um ato que foi tão “bem sucedido” quanto a derrubada do regime de Kadafi e, de forma semelhante, contribuiu para a desestabilização ainda maior de um governo que Washington ainda apoiava em tese. (Quase imediatamente em seguida, o primeiro-ministro líbio se viu brevemente sequestrado por uma unidade de milícia, no que pode ter sido em parte tentativa de golpe).

Maravilhas do Mundo Moderno

Se o poder militar esmagador sob o comando de Washington pode desestabilizar regiões completas do planeta, o que então esse poder militar não pode fazer?

Nesse ponto, os fatos são claros e decisivos.

Como todas as ações militares significativas dos Estados Unidos neste século demonstraram, o uso da força militar, não importa em que formato, se provou incapaz de atingir até mesmo os objetivos mínimos de Washington.

Considere esta uma das maravilhas do mundo moderno: junte a tecnologia militar, derrame dinheiro sobre suas forças armadas, supere o resto do mundo, e nada disso faz com que o mundo se comporte de acordo com o que você quer.

Sim, no Iraque, para citar um exemplo, o regime de Saddam Hussein foi rapidamente “decapitado”, graças a uma demonstração de força esmagadora por parte dos invasores norte-americanos.

A burocracia estatal foi desmontada, o exército desbaratado e a autoridade de ocupação foi estabelecida com o apoio de tropas estrangeiras, logo instaladas em bases militares multibilionárias que tinham como objetivo permanecer por gerações. Um governo local “amigável” foi instalado.

E foi aí que os sonhos do governo Bush acabaram, nos destroços criados por um conjunto de minorias insurgentes mal armadas, em terrorismo e numa guerra civil étnico-religiosa brutal.

No fim, quase nove anos após a invasão e apesar do fato de o governo Obama e de o Pentágono estarem doidos para manter tropas estacionadas por lá de alguma maneira, um governo central relativamente fraco se recusou, e elas partiram, últimas representantes do maior poder do planeta sumindo na calada da noite.

Para trás ficaram as ruínas históricas, “cidades fantasma” e bases norte-americanas saqueadas que deveriam ser nossos monumentos no Iraque.

Hoje, sob circunstâncias ainda mais extraordinárias, um processo semelhante parece estar se desenrolando no Afeganistão – outro espetáculo do momento que deveria nos impressionar.

Após quase 12 anos lá, ao se ver incapaz de suprimir uma insurreição minoritária, Washington está pouco a pouco retirando as tropas de combate, mas quer deixar, nas bases gigantes que construímos, talvez 10 mil “instrutores” para os militares afegãos e algumas forças de Operações Especiais para continuar caçando membros da Al-Qaeda e outros ditos terroristas.

Para a única superpotência do planeta, tudo isso deveria ser uma moleza.

Ao menos o governo do Iraque tinha alguma força própria (e a riqueza do petróleo para lhe dar apoio). Se existe um governo na Terra que se qualifica como “marionete”, deve ser o do Afeganistão, com o presidente Hamid Karzai.

Afinal, ao menos 80% (talvez 90%) das despesas do governo são cobertas pelos Estados Unidos e seus aliados, e suas forças de segurança são consideradas incapazes de lutar contra o Talibã e outros insurgentes sem o apoio e o dinheiro dos Estados Unidos.

Se Washington saísse totalmente (incluindo aí o apoio financeiro), é difícil imaginar que um sucessor do Karzai sobrevivesse muito tempo.

Como, então, explicar o fato de Karzai ter se recusado a assinar um acordo futuro, de longo prazo, de segurança bilateral. enquanto ele era escrito?

Ao contrário, recentemente ele condenou ações dos Estados Unidos no Afeganistão, como fez várias vezes no passado, e disse que simplesmente não assinaria o acordo, e começou a negociar com os representantes dos Estados Unidos como se ele fosse o líder da outra superpotência do planeta.

Washington, frustrada, teve que despachar o secretário de Estado John Kerry em uma missão de última hora a Cabul para negociações de alto nível, cara-a-cara.

O resultado, anunciado após uma maratona de 24 horas de conversações e encontros, foi apresentado como um sucesso: problema(s) resolvido. Opa! Todos menos um.

Como ficou claro, foi exatamente o mesmo em que a presença militar norte-americana no Iraque tropeçou – a exigência de Washington de imunidade legal para as tropas norte-americanas que permanecerem no Afeganistão.

No fim, Kerry embarcou de volta sem garantia de um acordo.

Entendendo a Guerra no século 21

Se a presença militar americana sobreviverá ou não mais alguns anos no Afeganistão, o fato concreto é: o presidente de um dos países mais pobres e fracos do planeta, ele mesmo relativamente sem poder, está essencialmente ditando as regras a Washington – e quem pode dizer se, no fim, como aconteceu no Iraque, as tropas norte-americanas não terão de sair de lá também?

Mais uma vez, a força militar não sai ganhando.

Ainda assim, o poderio militar, as armas avançadas, a força e a destruição como armas de política, como formas de criar um mundo à sua imagem ou ao seu gosto, funcionaram muito bem no passado.

Pergunte aos mongóis, ou aos poderes imperiais da Europa, da Espanha no século XVI aos britânicos no século XIX, que forjaram seus impérios à força com sucesso e os mantiveram por longos períodos.

Em que planeta vivemos agora? Por que este poder militar, o mais forte já imaginado, não pode vencer, pacificar ou simplesmente destruir poderes fracos, movimentos insurgentes nada impressionantes, ou grupos esfarrapados (quase sempre tribais) de pessoas que rotulamos de “terroristas”?

Por que esse poder militar não é mais transformador ou ao menos razoavelmente eficaz?

Isso é, para buscar uma analogia, como os antibióticos? Se usados por muito tempo, em muitas situações, um tipo de imunidade acaba se desenvolvendo contra eles.

Sejamos claros: essa força militar ainda é um instrumento potencial poderoso de destruição, morte e desestabilização.

Por tudo que sabemos – não é algo que tenhamos visto nos últimos anos – ele pode também ser um instrumento poderoso para a defesa genuína.

Mas, se a história recente serve de guia, o que essa força militar não pode ser no século 21 é um instrumento de policiamento, um meio de alterar o mundo para se adequar a um modelo de desenvolvimento de Washington.

O planeta e as pessoas de toda parte parecem mais e mais resistentes, de forma que a opção militar fica fora da mesa como instrumento efetivo da superpotência.

Os planos militares de Washington e as táticas usadas desde o 11 de setembro têm sido particularmente desastrosos.

Quando você olha para trás, a doutrina da contrainsurgência, ressuscitada das cinzas da derrota norte-americana no Vietnã, está de volta à lata de lixo da História. (Quem ainda hoje se lembra do seu slogan “limpar, assegurar e construir”, que agora parece a frase final de uma piada ruim?)

“Surge” (aumento repentino de tropas), uma vez considerada estratégia militar brilhante, desapareceu na neblina. “Nation building”, termo que foi muito usado em Washington, hoje é execrado. “Botas em solo”, das quais os Estados Unidos tinham um número enorme e ainda têm 51 mil no Afeganistão, agora ninguém quer.

O público norte-americano está, e universalmente todo mundo concorda, “exausto” de guerras.

Grandes forças norte-americanas desembarcando para lutar em algum lugar da Eurásia no futuro próximo? Não conte com isso.

Mas lições foram aprendidas com o colapso da política de guerra? Também não conte com isso.

É bastante claro que Washington ainda não absorveu completamente o que aconteceu.

Sua crença na guerra continua incrivelmente intacta em um século no qual o poder militar tornou a politica norte-americana equivalente à de um estado religioso.

Nossos líderes ainda dão muito crédito às guerras antiterroristas do futuro, mesmo quando se afogam em seus esforços militares do presente.

Eles ainda desejam ressuscitar uma solução militar aplicável.

Agora a mensagem é: evite essa quantidade de botas – na verdade, reduza o número de soldados em tempos de cortes do Orçamento – e adote o pacote antiterrorismo.

Nada mais de derramar sangue (norte-americano). Pegue os “homens maus”, um ou uns poucos de cada vez, usando o exército privado do presidente, as forças de Operações Especiais, ou sua força aérea privada, os drones da CIA.

Construa novas micro-bases globalmente. Desloque esses porta-aviões de combate para a costa de qualquer país que você queira intimidar.

Está claro que estamos em um novo período em termos da produção de guerra norte-americana. Chame-a da era das mini-guerras, ou micro-conflitos, especialmente nas áreas tribais do planeta.

Então algo realmente está mudando em resposta às derrotas militares, mas o que não está mudando é a preferência de Washington por guerras escolhidas. O que não está mudando é o pensamento de que , se você ajustar suas táticas e estratégias corretamente, a força funcionará. (Recentemente, Washington se salvou de mergulhar em outro previsível desastre miliar na Síria por um comentário improvisado do secretário de Estado John Kerry e pela intervenção oportuna do presidente russo Vladimir Putin.)

O que nossos líderes não entendem é o fato mais básico e prático do momento: a guerra simplesmente não funciona, não a grande nem a micro – não para Washington.

Uma superpotência em guerra em locais distantes do planeta não é mais uma superpotência em ascensão, mas com problemas.

A força militar norte-americana pode ser uma máquina de desestabilização. Mas ela certamente não é uma máquina para impor e fazer cumprir políticas.

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25 comentários

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Falcão

28 de outubro de 2013 às 00h49

Esqueceram de comentar sobre a espinha atravessada na garganta do Tio Sam: CUBA.Outra, se vc dizima tudo e a todos…quem vai lucrar com isso?

Responder

Alice Maria

27 de outubro de 2013 às 01h38

Vocêss estão totalmente ofuscados com este poderio bélico. Não é ele nossa grande ameaça neste momento. A ação se dará em outro plano: financiamento de atividades que consigam desastabilizar o atual governo e coloque em seu lugar um governo mais dócil e fácil de lidar. Para isto eles podem gastar bilhões de dólares, com os quais financiarão blogs, ativistas, institutos de pesquisas, revistas, jornais, rádios, corrompendo políticos e direções sindicais, e etc e tal. Se necessário for financiarão até traficantes para desastabilizar o governo. Façam o cálculo de quantas pessoas você pode comprar por ano com alguns bilhões de dólares. E tudo isto ainda sairá mais barato do que qualquer guerra! Há uma grande fila de traidores brasileiros esperando sua vez para botar a mão em alguns milhares de dólares americanos.

Responder

    Nelson

    28 de outubro de 2013 às 09h29

    O que o governo dos EUA está fazendo na Venezuela, em conluio com a direita apodrecida de Capriles e da Fedecameras, é uma boa mostra do outro tipo de guerra que está sendo travada. Isto, para não falarmos das ações contra Cuba e contra o governo Sandinista da Nicarágua, na década de 1980, entre outros tantos exemplos.

José Souza

26 de outubro de 2013 às 17h31

A teoria do Destino Manifesto continua em plena vigência nos EUA. Inicialmente foi utilizada para o expansionismo dentro do próprio continente e depois para espalhar seus tentáculos pelo mundo. Hoje, como não existem mais terras a serem ocupadas e as bases militares estão onde aquela nação deseja, a luta se trava por garantir matérias primas para que o modo de vida americano não seja modificado. A eles não interessa religiões, política ou o tipo de sistema econômico que o país adota, interessa se o país tem ou não matéria prima útil. Se tiver será pressionado a negociar, poderá ser objeto de desestabilização, e, em última instância, será declarado inimigo e sujeito a sanções, isolamento e até mesmo guerra. Acredito que seja esse o “modus operandi” dos EUA.

Responder

    Só uma coisa

    26 de outubro de 2013 às 20h45

    O interesse “religioso” norte-americano serve muitissimamente bem para seus interesses políticos. John Foster Dulles foi mestre. O único problema deles é que ultimamente o Vaticano já não fecha com o departamento de estado tanto quanto no pós-guerra.

FrancoAtirador

26 de outubro de 2013 às 17h13

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O EIXO CENTRAL

INSTABILIDADE POLÍTICA E DESESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA PARA A RAPINAGEM FINANCEIRA

Apesar do crescimento das contestações às ações integradas dos Departamentos de Estado e de Defesa dos United States of America, tanto dentro quanto fora do território norte-americano,
nas últimas décadas, a política norte-americana para ‘o resto do mundo’ tem alcançado relativo sucesso em seus propósitos de manutenção e até de expansão do Imperialismo Capitalista Globalizado, através da promoção da instabilidade política e da desestabilização econômica nos ‘Países Fora do Eixo’.

Ainda que continuasse na tentativa de demonstração simbólica de Poder Hegemônico sobre todo o Planeta, como ocorreu principalmente no auge da Guerra Fria com as freqüentes invasões territoriais no mundo inteiro além da implantação de diversos Regimes Militares Ditatoriais especialmente na América Latina,
a estratégia geopolítica de imposição dos United States pela força bélica mudou de forma, pelo menos desde a desintegração do bloco soviético, formado pelos chamados países do leste europeu, e a delimitação das fronteiras territoriais na Europa e em parte da Ásia, fundamentalmente com a definição dos Estados originados da antiga Iugoslávia (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro) e da própria União Soviética (Rússia, Ucrânia, Estônia, Letônia, Lituânia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão).

Ratificados ou não pela ONU, os ataques militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos United States, passaram a ser pontuais e como reforço consumativo em situações restritas, isto é, nos casos em que os Meios aplicados através da Guerra da Informação e da Contra-Informação não obtiveram pleno êxito na idealização da dominação integral veladamente pré-concebida.
E, mesmo assim, no curso das ações bélicas, os Meios de Comunicação de Massa continuam servindo de apoio logístico às intervenções armadas, com a cotidiana manchete garrafal da ‘Guerra Necessária’ [antigamente, lá e aqui, ‘Contra o Comunismo’; agora, lá, ‘Contra o Terror’, e aqui continua sendo ‘Contra o Comunismo’].

A manipulação do ‘providencial’ episódio das Torres Gêmeas do World Trade Center, ocorrido em 2001, em que o Governo Norte-Americano se utilizou da falsa e corriqueira alegação do uso de armas químicas proibidas pelos Tratados Internacionais, para pura e simplesmente promover a Invasão do Iraque com a intenção única de destituir Sadan Hussein – cujas decisões contrariavam os interesses da maioria das Corporações Petrolíferas Ocidentais – e, por consequência, rapinar as riquezas minerais daquele País, deixando para trás um conflito político-religioso interno agravado por miséria, destruição e morte, é o melhor exemplo do ápice da crueldade dessa forma proposital de atuação dominadora.

Há tempos, o ideal do Estado Norte-Americano deixou de ser o de ‘levar a Democracia e a Liberdade para o resto do mundo’, se é que um dia teve real proposta. Os Direitos Humanos Fundamentais e o Social-Liberalismo, naquele país, perderam relevância e foram esmagados pelo Avassalador Mercado Financeiro Apátrida.

Hoje, o Governo dos United States of America não passa de um Agente Policial Planetário – e, inclusive, arroga-se como tal – a serviço do Sistema Predador Global.
As Corporações Econômicas, com seus braços midiáticos empresariais, triunfaram sobre o ‘Grande Irmão do Norte’ que ora desempenha integralmente o papel que lhe restou de incumbência: o de levar instabilidade política e desestabilização econômica a todos os países que se contrapõem aos interesses dessa Rapinação Universal.

Melhor que isso, só se elegerem o Tea Party, para perfectibilizarem a Rapinagem.

Será, porém, o começo do fim.

Quem sabe um recomeço, mesmo que ao preço de muitas vidas…

“Podem me torturar e até me matar.
Terão meu corpo, não minha obediência.”

(Mohandas Karamchand ‘Mahatma’ Gandhi)
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Responder

    Mário SF Alves

    26 de outubro de 2013 às 18h56

    “E, mesmo assim, no curso das ações bélicas, os Meios de Comunicação de Massa continuam servindo de apoio logístico às intervenções armadas, com a cotidiana manchete garrafal da ‘Guerra Necessária’ [antigamente, lá e aqui, ‘Contra o Comunismo’; agora, lá, ‘Contra o Terror’, e aqui continua sendo ‘Contra o Comunismo’].”
    _______________________________________
    Interessante a dicotomia:
    “[antigamente, lá e aqui, ‘Contra o Comunismo’; agora, lá, ‘Contra o Terror’, e aqui continua sendo ‘Contra o Comunismo’].”
    ____________________________________________________
    É ou não é a pior elite do mundo?
    E é a pior por isso mesmo. A ela apenas interessa o subdesenvolvimento capitalista. Democracia? Só se for a democracia estritamente moldada para os interesses da plutocracia reinante. E é assim que ela mantém regalias, poder de mando, tráfico de influência e privilégios. É assim que ela garante o BraZil como reserva de valor.
    _______________________________________________________
    Reserva de valor pra quem mesmo? Com a palavra os ideólogos/ociólogos da privatização da C.V.R.D.

Jose Mario HRP

26 de outubro de 2013 às 06h26

O texto honesto não traz nada de novo e mostra o que nunca foi segredo.~
O poder esmagador dos EUA!

Responder

Gerson Oliveira

25 de outubro de 2013 às 23h52

É, a Russia disse não e eles pararam. já cheguei a pensar que eles, os EUA, pudessem se tornar vítimas de sua soberba, mas tão é bem realistas.

Responder

irineu

25 de outubro de 2013 às 23h45

Azenha e leitores, sei que os Eua são poderosos belicamente.
Mas o que dizer dessa matéria que a grande mídia não mostrou.
Azenha você como jornalista pode verificar por gentileza a “veracidade”
Segue o link.
O titulo é: O nocaute ao império.
Nessa matéria fala que a Rússia interceptou dois misseis que o Eua lançou na Síria.
http://port.pravda.ru/russa/16-09-2013/35292-nocaute_imperio-0/

Att
Irineu

Responder

Marat

25 de outubro de 2013 às 23h08

Temos também muito que aprender com os valorosos guerreiros iraquianos e suas táticas de guerrilha… Eles foram invadidos e humilhados por gente desonesta e desonrada, mas lutaram, preferiram morrer, a perder a honra! Muitos e muitos analistas chineses, russos etc., certamente estudaram a fundo formas de se defender destes animais sujos!

Responder

Urbano

25 de outubro de 2013 às 22h43

Em tecnologia voltada para ceifar vidas é com eles mesmos. É o que se pode chamar de ciência a serviço da burrice, pois assassinar, principalmente pelo volume e pelos motivos que eles fazem, não é nada inteligente. São tão sarcásticos que denominaram de inteligência o serviço primário dos holocaustos perpetrados ao longo do tempo.

Responder

Marat

25 de outubro de 2013 às 21h43

O Brasil, se desejar continuar como uma nação “soberana”, precisa investir pesado em ensino técnico de altíssimo nível, e numa extremamente forte indústria militar. Enquanto isso não existir, precisa comprar muito armamento de ponta, de preferência russo. Ah…, mais um detalhe: Embora os governos pseudo-esquerdistas sejam um pouco mais que fracos na política externa, é imprescindível que governos entreguista e neoliberais não sejam eleitos por pelo menos uns 20 anos… Com um rearmamento sólido, nesse tempo poderemos ter ao menos um pouco de força para nos defender dos abutres fantasiados de águias.

Responder

Roberto Blatt

25 de outubro de 2013 às 20h57

Análise muito sóbria do atual momento do imperialismo americano. Acho um tanto ingênua, sob certos aspectos, notadamente porque sugere que as guerras foram “perdas” para os USA. Derrotas morais eles sofrem cada vez mais, entretanto, lucram muito petróleo, saqueiam muito, ocupam bases no tabuleiro mundial e giram um setor fundamental da sua economia: a indústria bélica.

Responder

guilhermeni

25 de outubro de 2013 às 19h32

Em simulações de conflitos com Irã e também com a China o exército americano não foi capaz de assegurar uma vitória a não ser com uso de armas nucleares e recebendo grandes perdas. Os drones matam ser serem derrubados pois são usados em países já destruídos (Iraq) , sem defesa aérea (Afeg) ou em países com governos manipulados (Pak) por exemplo. Não são usados no Irã nem na Síria facilmente pois são países que comprovadamente os derrubam.
A marinha Russa é desenhada para destruir porta aviões e navios grandes, é desenhada pra destruir a marinha americana. É baseada em mísseis, a balística aeroespacial da Rússia é muito avançada. A China já comprovadamente abateu um satélite no espaço a partir de um míssil terrestre.
O poder militar americano é grande porém não foi posto à prova contra grandes exércitos, apenas contra estados fracos e com pouca capacidade de defesa.
Os americanos sempre irão achar que possuem a melhor força militar no mundo. O tom do artigo fica claro.

Responder

    Marat

    25 de outubro de 2013 às 23h02

    Você tocou num ponto essencial, Guilhermini: Eles não foram testados contra oponentes fortes. Contra os fracos eles esbanjam mísseis e outros armamentos, além de cometer muitos “erros”… Isso são problemas típicos de “salto alto”… acreditam demais em si próprios. Quando pegarem um oponente forte, poderão ser nocauteados!

Bertold

25 de outubro de 2013 às 19h14

Na verdade, muitos observadores nos Eua começam a perceber que a força militar colossal deles não pode mais ser imposta impunemente quando os interesses de outras potências, não tão belicosas quanto a deles, também tem a capacidade de decidir a geopolítica do mundo. No fundo a canoa começou a balançar e um hora poderá virar de vez. Notem que a questão é o “basta” russo que foi dado no dia 3 de setembro quando os americanos decidiram começar a guerra tão cantada contra à Síria, disparando 3 misseis de cruzeiro em direção aos centros de poder do país e à Rússia detectou, interceptou e derrubou todos, deixando claro que pela sua única base militar e naval na cidade-porto de Tartus da Síria, portanto entre o hemisfério norte e sul do planeta, não tem essa de derrubar o regime e impedí-los de em algum momento no futuro lutar na Europa ou na África através do Mar Mediterrâneo.

Responder

rui

25 de outubro de 2013 às 18h56

Faltou analisar a desestabilização nos EUA, as guerras também estão causando isso lá.

Responder

    Pedro

    25 de outubro de 2013 às 22h03

    Gostei da sua observação. Mas a verdade é que americano tem dificuldade em se ver na situação.

    Marat

    25 de outubro de 2013 às 23h04

    Rui, sempre acreditei, e tenho isso cada vez mais claro: Esses paranoicos/psicopatas ainda vão ter algumas guerras civis!

    Kátia Scognamiglio Correia de Oliveira e Bragança

    26 de outubro de 2013 às 03h25

    Com a miríade de forças antagônicas que exercem pressão dentro do poderio governamental norte americano, realmente é trabalho de chinês (com trocadilho, sff) entender tudo o que se passa em termos de política geral e pressões econômicas e sociais dentro não só do departamento de estado. Inclusive um dos grandes erros nossos, da ESQUERDA latinoamericana, foi achar que o grande satã (como dizia o Khomeini) fosse único e indivisível, ou em termos que muitos aqui entendem, unidos e coesos…

Wanderson Brum

25 de outubro de 2013 às 18h03

A guerra é massacre, carnificina e pronto.
Não constrói nada.
Os conflitos de nossa era dificilmente se resolveram através dela.
O capitalismo de pilhagem de séc. XXI, não se baseia na conquista pela força das armas, embora estas ainda sirvam para preservação do direito ao botin, há mecanismos muito mais sutis e eficazes. Pelo menos é isso que o mercado financeiro têm nos ensinado nos últimos anos.

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Marcos Inácio Fernandes

25 de outubro de 2013 às 17h29

E tudo que é sólido se desmancha no ar. Já profetizava o barbudo.

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Francisco

25 de outubro de 2013 às 16h58

Ganhar é uma coisa, levar é outra…

No momento que Napoleão surgiu, ele ganhou tudo, conquistou tudo. Em todo lugar era recebido como libertador, porque, de fato, o era.

Acabou com feudalismo, com a servidão, com as torturas, com os cárceres privados, instituiu leis, igualdade juridica, direitos humanos, um pandemônio…

Ai, começou a nomear os parentes para reis e princesas.

As tropas de libertação, para manter esses espantalhos nos tronos, tiveram de ficar.

Ocupar…

Perdeu. Perdeu tudo. Tropas de ocupação que sustentam governos títeres, perdem tudo.

Tropas de libertação, são toleradas (com data improrrogável de saida).

Existem essas duas verdades e só essas, o resto é variação.

Quanto ao poder de destruir o mundo…

Contanto que Jim Jones não seja eleito presidente dos EEUU, essa porcaria nuclear não serve para nada.

Pelo menos até tornarem Marte um planeta habitável…

Se fizerem isso, ai amigo, “Elisium”…

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Augusto Brito

25 de outubro de 2013 às 16h48

A guerra sangra não apenas os inimigos, mas a economia do Império, que caminha para o declínio, repetindo a história de tantos outros impérios.

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A mídia descontrolada

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