VIOMUNDO

Diário da Resistência


Quem integrava a “quadrilha” que a polícia do Cabral arranjou
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Quem integrava a “quadrilha” que a polícia do Cabral arranjou


08/08/2013 - 21h37

Rennan Philippi, 30 anos           Carla Hirt, 28 anos                       Atre Fabres, 21 anos

Ananda Fabres, 27 anos             Paulo Henrique Reis, 18 anos    Gabriel Nuddi, 18 anos

por Conceição Lemes

No dia 14 de junho passado, no auge das manifestações, Renato Rovai denunciou em seu blog: “Os momentos históricos são diferentes, mas o que está acontecendo em São Paulo precisa ser discutido do tamanho que merece. Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país. E que ganhou hoje o apoio, em editorial, da Folha e do Estado de S. Paulo“.

Os dois jornais, diga-se, deram uma guinada de 180 graus na cobertura depois de pregar a repressão policial (aqui e aqui).

Trinta e três dias após a denúncia de Rovai (apenas um reparo: formação de quadrilha não é crime inafiançável), o mesmo instrumento foi bastante usado no Rio de Janeiro (aqui e aqui).

Na noite de 17 de julho, Carla Hirt, Atre Fabres e a irmã Ananda, Gabriel Haddad Nuddi, Paulo Henrique de Oliveira Reis e Rennan Philippi Santos, entre muitos jovens, participavam pacificamente de manifestação em frente à rua onde mora o governador Sérgio Cabral, no Leblon.

De repente, bem já no final, as luzes se apagaram e a polícia, que havia bloqueado ruas do bairro, lançou bombas de gás lacrimogêneo no meio do protesto. Foi um deus-nos-acuda.

Os manifestantes correram. A polícia passou a perseguí-los. Para fugir da caçada, muitos escaparam para Ipanema. Mas as viaturas foram atrás, atirando balas de borracha e bombas de efeito moral. Na rua Redentor, vários – inclusive alguns feridos — acabaram encurralados e presos.

Dos seis das fotos acima, à exceção de Ananda, todos foram enquadrados por suposto crime de formação de quadrilha.

Nem o professor de ioga Atre Fabres, 21 anos, se livrou. Recebeu a notícia do seu enquadramento no Hospital Miguel Couto, para onde foi encaminhado, pois sangrava muito. Levou um tiro de bala de borracha na testa e, outro, depois, nas costas. A irmã Ananda tomou duas balas de borracha na perna.

A geógrafa Carla Hirt, atualmente doutoranda no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), também foi atingida por duas balas de borracha: uma na perna direita e outra na altura da cintura.

Nenhum “meliante” da “quadrilha” conhecia os demais “comparsas”.

“Juridicamente não tem cabimento nenhum”, condena o advogado Pedro Estevam Serrano, professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Na verdade, trata-se de uma tentativa de usar o poder do Estado de punir e apurar crimes como instrumento inconstitucional de intimidação e restrição indevida ao direito fundamental de manifestação e reunião das pessoas.”

Serrano lembra que a estratégia de tentar caracterizar movimento reivindicatório como quadrilha, por conta da suposta depredação grupal de patrimônio, foi usada na denúncia contra os alunos da USP, que, em 2011, invadiram a reitoria.

“O direito de manifestação e reunião está garantido pelo artigo 5 de nossa Constituição,  portanto a intenção coletiva de realizar manifestação é um desejo lícito”, observa o professor. “Agora, se um ou outro, no uso do direito de manifestação, passou a depredar patrimônio público ou privado, essa evidentemente é uma atitude isolada. Ela não guarda relação com a intenção coletiva e deve ser apurada e punida isoladamente e não como quadrilha.”

“Especificamente, no caso do Rio de Janeiro, além de os jovens não se conhecerem, os fatos de o motivo da reunião não ter sido o cometimento de crime e não haver permanência da atividade supostamente delituosa  descaracterizam a quadrilha”, afirma Serrano. “Portanto, foi atitude de Estado de exceção no interior do Estado democrático, que atenta contra os direitos fundamentais da pessoa e que espero seja invalidada pelo Judiciário.”

 O QUE CADA “QUADRILHEIRO” FAZIA NO MOMENTO DA PRISÃO

Os seis garantem: não participaram de nenhuma ação violenta nem da destruição de patrimônio público ou privado.

Os cinco enquadrados por formação de quadrilha não se conformam: “Não cometemos nenhum crime”.

Carla não é filiada nem é militante de partido político. “Mas costumo votar nos candidatos do Psol”, conta.

Paulo Henrique Reis, 18 anos, cursa ensino médio em um colégio público estadual e é operador de telemarketing, diz: “Não sou de nenhum partido, mas admiro os que pregam o regime comunista”.

Rennan Philippi Santos, 30 anos, cursa Direito na Faculdade Cândido Mendes, expõe: “Apesar de uma inclinação à esquerda, não sou filiado nem milito em nenhum partido”.

Os demais, como os manifestantes de junho, não têm partido político.

Confira o que cada um fazia na hora na prisão.

Carla Hirt, 28 anos, geógrafa, atualmente faz doutorado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ)

“Eu estava participando pacificamente da manifestação em frente à rua do Cabral.  Quando as luzes se apagaram e a polícia começou a jogar bombas de gás no meio dos manifestantes, eu corri pelas ruas do bairro, tentando escapar do cerco policial.

Por causa do gás lacrimogêneo, desencontrei-me de meu companheiro, consegui ficar somente com uma amiga.

Quando eu já estava em Ipanema, decidindo se iria sozinha para casa ou ficaria na de uma amiga moradora no bairro, três viaturas avançaram em alta velocidade na contramão.

Corri mais. De dentro das viaturas, policiais atiravam indiscriminadamente. Tive de parar depois que fui atingida por duas balas de borracha: uma na perna direita e outra na altura da cintura, que alcançou minha bolsa e quebrou minha máquina fotográfica.

As pessoas que se abrigaram dos disparos em frente a um prédio de vidro à rua  Redentor foram cercadas pela polícia.

Neste momento, liguei para o meu companheiro e para alguns amigos, avisando o que estava acontecendo.

Quando perguntei a um policial o número do prédio, ele se negou a responder. Insisti. Ele me agrediu. Meu companheiro escutou tudo por  telefone — a agressão do policial e os gritos dos demais manifestantes, pedindo para que ele parasse. Em nenhum momento, nos informaram o motivo da prisão. Isso só aconteceu depois de algum tempo, quando já estávamos na delegacia.

O mesmo policial que me agrediu derrubou um menino [Atre Fabres] que havia levado um tiro de bala de borracha na testa e  pisou na cabeça dele”.

Atre Fabres, 21 anos, professor de ioga, trabalha como ator numa peça e acabou de entrar para uma agência de modelos

“Eu cheguei na manifestação por volta de 18 h, mas tive que sair mais cedo para dar aula de ioga numa academia na Ataulfo de Paiva. Após a aula, quando saí da academia, vi uma confusão e fui me informar sobre o que estava acontecendo. Resolvi me afastar. Fiquei junto das pessoas mais à frente, que não estavam quebrando nada.

Aí, encontrei a Ananda, minha irmã, que estava me procurando. Foi quando nos informaram que os policiais haviam cercado as ruas do Leblon. Resolvemos seguir juntos com um grupo que se manifestava pacificamente até Ipanema e de lá procurar uma outra saída, para ir pra casa.

Ao chegar em Ipanema, os policiais nos perseguiram. Entramos em uma das ruas transversais à Visconde de Pirajá. Um pouco mais à frente, entramos na rua Redentor. Lá, eu, minha irmã e outras duas pessoas nos escondemos atrás de um canteiro de obras, na esperança de que os policias seguissem em frente.

Só que quando me levantei, levei um tiro de bala de borracha na testa. Voltei a correr. Fui baleado novamente nas costas e minha irmã baleada duas vezes na perna.

Mais à frente procuramos ajuda em um prédio, mas o porteiro nos ignorou e os policiais nos cercaram e ordenaram que a gente deitasse no chão.

A princípio, não obedeci. Pedi socorro, pois estava com medo de perder mais sangue e desmaiar. Mas o policial não ajudou. Me mandou deitar no chão mais uma vez. Eu obedeci. E quando pedi ajuda mais uma vez, ele xingou, me mandou calar a boca e pisou no meu rosto.

Logo depois, uma mulher [Carla Hirt] pedia apenas o número da rua em que ela se encontrava. O policial não quis dizer. Ela insistiu, ele a derrubou no chão e passou a agredi-la.

Foi, então, que apareceu um policial não fardado. Depois de me avaliar, me mandou para o Hospital Miguel Couto. Foi lá no hospital que, através de uma amiga da minha irmã, eu fiquei sabendo que estava detido”.

Paulo Henrique Oliveira Reis, 18 anos, cursa o ensino médio e trabalha como operador de telemarketing

“Participava da manifestação pacificamente, como venho fazendo, quando, de repente, me senti no meio de um jogo de tiro ao alvo. Eu havia me perdido dos meus dois amigos, estava sozinho. As viaturas com policiais atirando saíram atrás dos manifestantes que vinham logo depois de nós.

Eu, claro, corri. Mas acabei preso. Foi uma prisão sem motivos. Na verdade, só entrei na viatura, com medo de apanhar dos policiais. Um deles já tinha pisado na cabeça de um dos manifestantes [Atre Fabres]  e  agredido fisicamente uma outra manifestante [Carla Hirt]. Eu não queria pagar pra ver”.

Rennan Philippi Santos, 30 anos, cursa Direito na Faculdade Cândido Mendes

“Eu estava na manifestação, fazendo fotos e filmando. Mas como muitos tiros de balas de borracha começaram a ser disparados, comecei a correr.

Assim que entrei numa esquina, várias viaturas da polícia chegaram disparando na direção de todos que estavam na rua.

Para tentar me proteger dos tiros, atravessei a rua. Quando olhei para trás, fui jogado no chão e imobilizado por uma pessoa com roupas normais.

Perguntei porque ele fez aquilo. Não obtive resposta. Quando eu disse que estava ali filmando, ele cobriu o rosto com a camisa e segurou minha mão que estava com a câmera.

Só saiu de cima de mim, quando a PM chegou. Os PMs começaram a me revistar. Um perguntou porque eu estava correndo. Respondi que era por causa dos tiros de borracha. Ele disse que eu o estava acusando, por isso eu ia para a delegacia”.

Gabriel Haddad Nuddi, 18 anos, estudante de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

“Eu e mais dois amigos participamos da manifestação em frente à rua do governador Sérgio Cabral. Depois, fomos para Ipanema. Só que, de repente, começou mais um conflito de alguns manifestantes com a polícia que nos fez correr em direção à Lagoa.

Em meio a bombas de gás e balas de borracha, nós nos perdemos. Eu corri para a rua Redentor, onde outros manifestantes, assim como eu, tentavam se abrigar em um prédio. Os policiais chegaram e fomos detidos.  Uma menina [Ananda] e um rapaz [Atre] detidos junto comigo foram agredidos; ela tinha sido baleada na perna por balas de borracha, ele na testa”.

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*****

Em português claro: a estratégia da Polícia carioca é, obviamente,  criminalizar os manifestantes, para intimidar.

Por tudo isso, vale a pena repetir o que o professor Pedro Serrano disse logo no início: “Foi atitude de Estado de exceção no interior do Estado democrático, que atenta contra os direitos fundamentais da pessoa”.

A “quadrilha” se reuniu no Rio de Janeiro a pedido do Viomundo, para as fotos de Felipe Varanda, do Estúdio Liquido: queríamos dar concretude à “quadrilha” de papel forjada pela polícia do governador Sergio Cabral em uma delegacia.

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37 comentários

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23 de agosto de 2013 às 00h40

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Lincoln Secco: A “publicidade” das lutas é que garante o sucesso das “armas” de rua - Viomundo - O que você não vê na mídia

22 de agosto de 2013 às 23h49

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Freixo: O Rio como cidade-laboratório da rebeldia - Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de agosto de 2013 às 05h51

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Greve de professores do RJ: Paes debocha, secretário de Cabral ameaça e mídia manipula - Viomundo - O que você não vê na mídia

18 de agosto de 2013 às 18h39

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Rodrigo

12 de agosto de 2013 às 14h38

Onde está Welbert? …. E o Amarildo?

Responder

Partizan

10 de agosto de 2013 às 14h33

Não tem que enquadrar em crime nenhum, é só baixar o porrete que estes amofadinhas não voltam mais.
Se fossem trabalhadore não teriam tempo de fazer arruaças e intimidar ninguém.

Responder

    Julio Silveira

    10 de agosto de 2013 às 16h56

    Se ficarmos atentos vamos verificar que essa carruagem de aboboras, depois da meia noite, vai se transformar num rato.

Douglas da Mata

09 de agosto de 2013 às 14h28

Falar sobre a apuração sem conhecer os autos todo mundo faz, e é um perigo, haja vista os wagner montes, resendes e datenas da vida!

Data venia, professor-advogado da PUC, o crime de quadrilha ou bando, previsto no artigo 288, não exige que todos os integrantes se conheçam ou tenham conhecimento dos crimes praticados pelos outros integrantes.

O direito de manifestação é uma garantia constitucional, como são o direito de preservar o patrimônio público, ir e vir, etc.

Não há direito que se imponha de forma absoluta sobre os demais, e quando há conflitos entre bens juridicamente tutelados, usamos o bom senso, a proporcionalidade, freios e contrapesos.

Se os meninos e meninas fizeram o que a polícia diz que o fizeram? Só o processo dirá.

Mas me preocupa muito a criminalização dos movimentos sociais, é verdade. Todos devemos ficar preocupados com isto.

No entanto, me preocupa ainda mais um texto que reproduz o mesmos chavões e cortes de classe para definir (neste caso, pré-definir) quem “pode e quem não pode” ser suspeito.

Será que se fossem do tipo “suspeito padrão” (preto, pobre e favelado), teríamos este tipo de abordagem?

Afinal, onde está escrito que um professor de ioga, ou até um papa não possa cometer crimes?

Responder

    Marcelo

    09 de agosto de 2013 às 15h54

    De acordo com Código Penal Brasileiro, artigo 288, a formação de quadrilha tipifica-se quando há mais de três pessoas envolvidas no planejamento e realização de uma atividade ilícita. Protestar é um direito e não um ato ilícito. As prisões são ilegais.

    André Vieira

    10 de agosto de 2013 às 10h48

    Protestar não é um ato ilícito, mas atirar coquetéis molotovs contra policiais é um ato ilícito, atirar pedras contra vitrines de lojas é um ato ilícito, arrancar e chutar lixeiras de plástico pelas ruas é um ato ilícito, entre muitos outros atos ilícitos praticados pelos marginais mascarados nas ruas do Rio de Janeiro. E se agiram em bando para praticar tais atos ilícitos, então é formação de quadrilha sim. Todo o peso da lei precisa cair sobre os ombros dessa molecada que pensa que vandalismo é aceitável e “bonito”. Precisam ser punidos com todo rigor, para aprender que não podem “desopilar” e “colocar pra fora o espírito animal” através da destruição do patrimônio público e privado. Se querem brincar de destruição, que aluguem um sítio e vão quebrar caixas de isopor com taco de beisebol por lá.

    Vlad

    09 de agosto de 2013 às 20h26

    Então, poliana rainha, quando precisares de uma babá para seus netos, chama um ex-presidiário condenado por pedofilia.

    Douglas da Mata

    10 de agosto de 2013 às 12h07

    Marcelo, não fale do que não sabes:

    Veja o que diz o artigo 288, textualmente:

    Art. 288 – Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes.

    Não há, na moderna doutrina, ou na jurisprudência, nenhuma exigência que estas pessoas se conheçam entre si, ou que tenham conhecimento dos crimes praticados por outros.

    Um exemplo clássico:

    Roubo e desmanche de veículos: Dois roubam, entregam a um terceiro que repassa ao desmanche, que por sua vez revende estas peças a uma loja.

    Não há exigência que o responsável pela oficina, ou pela loja conheçam os assaltantes.

    É simples assim.

    O comentário do pobre que se autodenomina Vlad nem carece de muita atenção, e menos ainda de respeito.

    Mas como eu estou de bom humor, vamos lá!

    Acho que cérebro diminuto não entendeu o que eu disse, então eu soletro:

    Uma coisa é avaliar as informações de vida pregressa de uma pessoa para fornecer dados para uma investigação, indiciamento ou processamento penal.

    Ora, a lei garante que tais pressupostos influenciam positiva ou negativamente o juízo de valor sobre a conduta de alguém, tanto que permite que as anotações criminais estejam disponíveis para pesquisa.

    Claro que ninguém irá contratar um condenando por pedofilia para tratar de crianças, assim como não contrataria um idiota capaz de um comentário destes para exercer uma atividade intelectual mais refinada.

    Mas não é a isto que me referi, mas sim da imposição do texto, que repete os cacoetes de nossa sociedade, em imaginar que apenas porque se tratam de estudantes (ou professores) de ioga, branquinhos, limpinhos e de classe mé(r)dia estariam imunes a categorização como criminosos.

    Engraçado, esta é a mesma visão torpe que alimenta a violência policial contra populações mais vulneráveis, e por ironia, o “jênio” Vlad quer usá-la, só que com o sinal trocado!

    Se os “manifestantes” se reuniram para cometera crimes(dano ao patrimônio, posse de explosivos, desacato, resistência, etc), devem ser processados desta forma.

    Com amplo direito de defesa e contraditório, é claro.

    Marcelo

    10 de agosto de 2013 às 18h48

    Sugiro que leia novamente o primeiro paragrafo da matéria.
    abçs

    Marcelo

    10 de agosto de 2013 às 20h17

    A única fonte de informação sobre as prisões que disponho são as que a matéria acima nos da , sugiro que leia novamente a matéria .Se tiver mais preguiça pra ler do que tem para fazer juízo de valor sobre pessoas que desconhece basta ler o primeiro paragrafo.
    Abrçs.

    Douglas da Mata

    11 de agosto de 2013 às 12h36

    Marcelo, eu li e replico aqui:

    “No dia 14 de junho passado, no auge das manifestações, Renato Rovai denunciou em seu blog: “Os momentos históricos são diferentes, mas o que está acontecendo em São Paulo precisa ser discutido do tamanho que merece. Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país. E que ganhou hoje o apoio, em editorial, da Folha e do Estado de S. Paulo“.

    Ao que me parece, este parágrafo é também um juízo de valor, que não tem nenhuma outra fonte ou informação sobre o que de fato aconteceu.

    Só que este é um juízo que agrada a suas preferências, só isto.

    Se você tiver menos preguiça, igual aquela que me acusa de ter, em ler o que escrevi, poderá ali entender que não fiz juízo sobre pessoas que não conheço.

    Apenas disse, e repito, que tão perigosa quanto a criminalização dos movimentos sociais, é afastar, de plano, qualquer possibilidade de apuração e responsabilização baseada em estereótipos, ou seja, só porque estavam nas ruas, são brancos e de uma classe diferente da dos suspeitos “padrão” está à salvo de cometerem crimes.

    Primeiro você tentou o embuste sobre o artigo 288…não deu!

    Agora, vem com esta história de “juízo de valor”.

    Ora, criança, toda fala traz embutida um juízo de valor, ou você acredita (como a família Marinho) em imparcialidade de discurso?

    O meu já está exposto, e o seu, qual é? Gente branca e bem vestida não pode cometer crime?

Vlad

09 de agosto de 2013 às 14h26

Como diria o poeta Vaccarezza ao Cabral “não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”.
O “nós”, no caso, parece que está pulando fora do barco, bem sorrateiramente, como se nunca tivesse estado lá.

Responder

RONALD

09 de agosto de 2013 às 14h08

Estou no aguardo de grande manifestação dos coxinhas contra a corrupção dos tucanos de SÃO PAULO e prá pedir o DARF da globo. Ou só valia quando era contra a copa?

Responder

Wagner

09 de agosto de 2013 às 13h26

Como se isso nao bastasse, o caso Amarildo, agora em São Paulo o caso do ‘garoto assassino’ com uma família toda executada com tiros certeiros… não sei como suportamos isso tudo… um amigo acabou de voltar da Itália, viu um programa evangélico na tv e já soltou: A coisa está escancarada… Sobre a mídia nem tem mais o que falar… é uma situação tão revoltante que já os vejo como inimigos públicos. Procuro olhar minhas realizações pessoas e focar nas coisas que me dão satisfação individual, porque quando penso na situação social que vivemos, fica complicado aceitar isso com razoabilidade, acho que a situação social não é mais razoável, a menos que esteja hipnotizado por ela. Vejo as opiniões, análises aqui… dessa vez acho que nem tenho análise ou opinião alguma à compartilhar… acho que o que eu quero é desabafar e dizer que esse país tem entrar em colapso, que as ruas tem que ser tomadas de novo, que tem que parar tudo… desmontar esse sistema de cabo a rabo… estou rendido pelo transporte que uso diariamente e infarta a cidade todos os dias, e esmagado sentindo os suores misturados cada cidadão alí sente ódio e cumplicidade na situação, queremos nos acotovelar e ao mesmo nos reconhecemos, rendido pelas empresas de comunicação, por uma mídia que me faz querer morrer tamanha a audácia e falta de dignidade ao que se propaga, às igrejas nas duas esquinas de casa com um bando de zumbis guiados por um crápula que eu gostaria de socar na cara até falar que deus morreu, mas devo respeitá-lo e ver aquela masssa sendo abusada sem ter o que fazer, interferindo em leis e direitos alheios, um governo que é montado por corporações, o sonho do carro novo que só falta empilhar os carros uns em cima dos outros porque o ato de estacionar causa hipertensão arterial… tudo regado à muita ‘democracia’… merdado imobiliario especulado, mercado dos diplomas, mercado dos remédios e da máfia de branco, mercado do narcotráfico, das armas… por trás das cortinas tudo se resolve pela força, bala e bomba, e na luz dos bondosos ingênuos fala-se de leis e paz… pra pqp… desculpe o desabafo.

Responder

Invertebrado

09 de agosto de 2013 às 13h13

Seria a maior indecência da justiça desse país condenar estes jovens que foram agredidos, detidos e indiciados pelo crime de formação de quadrilha.

É um absurdo imensurável tudo isso!
PMs, Cabral, Secretário de Segurança Pública do RJ, isso sim podemos denominar de QUADRILHA!!

Responder

    airton

    09 de agosto de 2013 às 23h34

    As vezes achamos que só nossos político (eleitos por nós) são os culpados por tudo. Grande parte do que acontece, se não a maioria, é culpa da nossa justiça, que faz política sem ter sido eleita. Os juizes julgam de acordo com suas conveniências. É por isso que estamos sempre reclamando que politicos não vão para a cadeia. Vejam a dificuldade que o STF tem em enquadrar politicos de certos partidos, enquanto inventa leis para enquadrar de outros. O que nós queremos é que todo fora da lei vá pra cadeia. Seja ele quem for. O que não é o caso desses jovens, claro.

LEANDRO

09 de agosto de 2013 às 11h46

Esses aliados…..eleitos com lula no palanque são câncer do país.

Responder

    Julio Silveira

    09 de agosto de 2013 às 13h42

    Adversários, aliados, todos são muito parecidos na hora do trato das coisas da cidadania. Infelizmente todo nosso sistema foi sendo fabricado para apenas aparentemente mostrar grupos diferentes. Pior é que a cidadania DEMOCRATICAMENTE não tem instrumentos para intervir, em qualquer momento que julguem apropriado, para corrigir os próprios erros de avaliação, quando se tornam vitimas de uma lábia bem aprimorada e treinada para tal. E isso também decorre da instrumentalização para formar essa massa que temos, com alto grau de ignorância politica.

    Douglas da Mata

    09 de agosto de 2013 às 14h31

    Ô…concordo plenamente. Deveriam olhar e aprender com a polícia eficiente do brilhante governo estadual paulista!

    Aliás, esta tal de democracia é mesmo uma merda, né não? Afinal, porque o psdb e seus aliados não foram entronizados e eternizados no poder do Brasil para todo o sempre?

    airton

    09 de agosto de 2013 às 23h44

    Leandro, ainda bem que nós temos os políticos do PSDB pra nos salvar, né mesmo? Quem são os arautos da moral e bom costumes: FHC (o lider) Serra(com o apoio inestimável de sua filha verônica), Alckmin, Paulo Preto, Aloizio Trezentos Mil, Aécio o etílico ( certamente etílico não tem nada a ver com ética, ok?), Andrea Matarazzo, Demóstenes Torres(aliado), José Arruda(Aliado), Agripino Maia (aliado), Marcondes Perillo…Ufa! A lista é grande!

Julio Silveira

09 de agosto de 2013 às 11h39

Enquanto isso ambulâncias adquiridas em licitação dessas certamente criadas para beneficiar algum fim estranho aos interesses públicos, apodrecem ao tempo lá em Niterói. E os cidadãos do Rio apodrecem com os hospitais e postos de saúde precários do estado.
Infelizmente para a cidadania, essa turma que manda na politica do estado adora um marketing, e a copa, assim como os jogos olímpicos, viraram o pote de ouro ao fim do arco íris, esse que usam para esconder os graves problemas que afetam a cidadania do estado.

Responder

leprechaun

09 de agosto de 2013 às 11h16

É o que falam giorgio agambem e paulo arantes, vivemos num estado de excessão permanente com certas liberdades, no entanto, esse estado de escessão não é nem pode ser percebido no dia a dia. Os petistas rejeitam a ideia e afirmam que vivemos num “estado de direitos consolidado” e “numa democracia consolidada” (Tarso Genro escreveu um artigo defendendo a tese no Cartamaior, plausível pra quem está no poder)
No entanto o estado de excessão permanente é vigilante e atua quando pede a ocasião, como nesse caso, na repressão sistemática aos movimentos sociais, na vigilância planetária, etc.
Temo, sim, liberdades, para consumir e reproduzir o sistema

Responder

O DOUTRINADOR

09 de agosto de 2013 às 11h08

Essa Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, deveria acabar como disse no filme o Coronel Nascimento, mais de 90% dos seus quadros estão envolvidos em algum tipo de falcatruas. Eles é que deverão ser enquadrados por formação de quadrilha(s). Tb olhemos os chefes: Cabral, Cunha, Miro , etc….

Responder

DANIEL BERNARDES

09 de agosto de 2013 às 10h56

O Cabral sabe bem o que e quadrilha. Ate porque participa de uma. E desde muito, ne? Ou alguem acredita que a fortuna dele foi “heranca” de uma tia distante e rica? Entao, nao e necessario, apesar de importante, o Prof Serrano explicar, para o Cabral, o que e quadrilha. Basta somar os salarios que o Cabral recebeu, desde que nasceu, e comparar com o “pequeno” patrimonio amealhado.

Responder

Hélio Jorge Cordeiro

09 de agosto de 2013 às 10h15

A grande revolução ainda há de vir e com ela a ética, a verdadeira democracia, pois o que está ai é ditadura disfarçada. Do jeito que está o gigante neste momento são eles e nós, o povo, somos o João! Temos que começar a subir no pé de feijão, já!

Responder

Mardones

09 de agosto de 2013 às 08h33

Viva o Brasil.

Enquanto os governadores de São Paulo: Mário Covas, José Serra e GEraldo Alckmin e seus serventes montam quadrilha para fraudar licitações de transportes por anos a fio e não sofrem sequer uma advertência do TCE ou do MPE, jovens que vão às ruas para manifestar insatisfação são acusados de formar quadrilha.

Responder

Mameladov

09 de agosto de 2013 às 07h13

A polícia militar no Brasil – talvez menos em São Paulo – é formada por pessoas oriundas das classes menos favorecidas, onde os serviços essenciais às saúdes física, mental e moral do cidadão não chegam, ou, se chegam, o fazem de maneira bastante precária.
Quando o aspirante é admitido policial militar foram algumas horas apenas de treinamento. Nesse pobnto, o ex-cidadão comum, carente de tudo, recebe uma arma e o aval do estado para usá-la em defesa própria e do mesmo estado que lhe negou quase tudo em sua vida até aquele momento.
O que se pode esperar, o que se poderia esperar?

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    assalariado.

    09 de agosto de 2013 às 10h17

    Pois é, Sr. Mameladov. Segundo seu raciocínio, o pobre quando é colocado a serviço do Estado burguês para reprimir, geralmente, os outros pobres, até seus vizinhos e parentes, lhe dá uma arma, um porrete nas mãos, são violentos pela sua própria existência enquanto desassistido pelo Estado capitalista. No entanto este seu preconceito (INDIRETO) em dizer que a policia é violenta porque é o ‘cidadão’ pobre e alienado instruído e instituído de autoridade, é conversa de classe média alienada/ desinformada.

    Mesmo porque, eles

    -(os reles soldados, os cabos e os sargentos, com seus cérebros devidamente lavados pelos valores do Estado burguês e sua ideologia não menos burguesa, querem a todo custo manter a ordem, a ordem capitalista).

    Não de repente, recebem ordens de ataque ou não, dos seus superiores hierárquicos, imediatos. E por falar nisso, quem são mesmo, os superiores hierárquicos das fardas multicores? Que, por sua vez, pertencem a que extrato social da sociedade? Ou você acha que os coronéis, os tenentes, os majores, os generais,… são filhos das favelas e das periferias? Ou será que esses comandantes são os próprios filhos da burguesia, imbuídos de ideologia burguesa, seus braços armados?

    Observação: tenho claro que a burguesia capitalista através do (SEU)Estado, usa os três poderes “Republicano” (executivos, legislativos e judiciários), para dominação da sociedade instituída, para nos manter dominados e explorados pelos donos do capital via, suposto “Estado de Direito”.

    Sim, é a luta de classes antagônicas.

    vinicius

    09 de agosto de 2013 às 15h49

    A cada dia fica tenho mais onvicção que luta de classes não acabou.

    Se Marx fosse vivo diria:

    “Eu estava certo sobre o capitalismo”

    rodrigo

    09 de agosto de 2013 às 21h17

    Oi vinicius, não só nunca acabou como já tá fazendo bem mais de dois mil anos. O único diferencial é que pelo jeito agora acabou o estoque de truques para disfarçar a situação.

Solange Alves Pinto

08 de agosto de 2013 às 23h36

Um caso muito grave esse, o do Estado de exceção. Nós do PT sabemos exatamente o que é isso e também como eles se sentem. Ainda bem que eles não estão com 60 anos e não vieram de outras violências políticas e policiais na vida e também não estão sendo vítimas de linchamento público. Todo apoio as vítimas desse Estado Policial! O que eu defendo para os outros é o que eu defendo para mim!
Abç!

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Abelardo

08 de agosto de 2013 às 23h31

O Cabral 10% deve saber que quadrilha se acha no primeiro escalão do governo, se caha dentroi de sua casa toda vez que ele adentra,se acha dentro de suas suspeitas e inesplicáveis obras e demolições, se acha dentro de sua mente doentia por poder e dinheiro, se acha em seu espectro nefasto nada de bom contém e nada de bom transmite.

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lidia virni

08 de agosto de 2013 às 22h59

Temos uma policia treinada para repirmir com vioencia, em lugar de prevenir e,no caso das manifestações pacíficas, proteger os próprios manifestantes. Há vídeos mostrando a ligação entre os mascarados e violentos e a polícia, há testemunhas de que utilizam linguagem militar entre si, de que os meliantes vão vestidos sempre do mesmo jeito e portando maletas ou mochilas que dispensam um raio-x para sabermos o que há dentro e a polícia nem os aborda previamente, apenas espera que ajam violentamente e depois se misturem aos manifestatnes para ter uma desculpa pára reprimir. E quem manda nessa polícia? O que eles têm a argumentar?

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