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PF diz que Aécio lavou dinheiro através da rádio Arco Íris, denunciada aqui quando senador era todo poderoso
Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. E/D: senador Antonio Anastasia (PSDB-MG); senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Jonas Pereira /Agência Senado
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PF diz que Aécio lavou dinheiro através da rádio Arco Íris, denunciada aqui quando senador era todo poderoso


11/12/2018 - 18h12

Há uma semana, a deputada Cristiane Brasil denunciou o PT da tribuna da Câmara, dizendo que o partido foi extirpado do poder sem comprometer o corpo político brasileiro.

Aécio recebeu R$ 110 mi para comprar apoio político em 2014, diz PF

Operação Ross afirma que senador tucano, alvo de buscas, liderou associação criminosa

Do diário mineiro O Tempo

A Operação Ross, deflagrada na manhã desta terça-feira, 11, pela Polícia Federal, aponta que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) liderou uma associação criminosa que tinha como finalidade comprar apoio político para sua campanha presidencial nas eleições de 2014.

De acordo com a PF, o Grupo J&F, dos irmãos Batista, pagou propina, a pedido de Aécio, de R$ 109,3 milhões ao senador, seu partido e outras legendas, como PTB, DEM e Solidariedade.

A operação, um desdobramento da Operação Patmos, deflagrada pela PF em maio de 2017, investiga ao todo um suposto pagamento direto e indireto de propina de R$ 128 milhões da J&F ao senador Aécio Neves e seu grupo político entre os anos de 2014 e 2017.

De acordo com a PF, parte do valor foi repassado ao senador em espécie e outra por meio de depósitos bancários e pagamento de serviços simulados. São investigados os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antônio Anastasia (PSDB-MG), e os deputados federais Cristiane Brasil (PTB-RJ), Benito Gama (PTB-BA) e Paulinho da Força (SD-PR).

As investigações mostram que o senador Aécio Neves teria recebido R$ 109,3 milhões para a campanha presidencial da coligação apoiadora do PSDB.

O valor teria sido solicitado por Aécio em encontro com o empresário no início de 2014.

A PF aponta que outra parte da propina teria sido entregue a pedido de Aécio por meio de doações oficiais que totalizaram R$ 64,6 milhões a diretórios e candidatos do PSDB. Ao PTB, teria sido destinado R$ 20 milhões, mediante intermediação de Cristiane Brasil, Benedito Gama e Luiz Rondon, tesoureiro do partido. Ao Solidariedade, as doações teriam sido de R$ 15 milhões, por intermédio de Paulinho da Força e Marcelo Lima Cavalcanti.

O dinheiro também teria ido a outros partidos, como DEM, PTN, PSL, PTC, PSC, PSDC, PT do B, PEN, PMN, que, juntos, receberam R$ 10,3 milhões, para comprar apoio político para a campanha presidencial de 2014.

A investigação também aponta o pagamento de R$ 2 milhões para a campanha de Antônio Anastasia ao governo de Minas Gerais e que teria sido viabilizado mediante pedido de Aécio Neves.

O senador também teria solicitado no primeiro trimestre de 2015 em novo encontro na residência de Joesley Batista, em São Paulo, R$ 18 milhões para a quitação de despesas eleitorais pendentes da campanha presidencial de 2014.

De acordo com as investigações, o senador recebeu R$ 17,3 milhões por meio da compra do prédio do jornal “Hoje Em Dia”, em Belo Horizonte (MG), pertencente a Flávio Jacques Carneiro.

As investigações mostram que entre julho de 2015 e junho de 2017, Aécio teria recebido R$ 1,35 milhão em 17 pagamentos de R$ 54 mil, por meio da Rádio Arco Íris Ltda., sediada em Belo Horizonte.

O pagamento teria sido concretizado, de acordo com a PF, por meio de notas fiscais frias, alusivas a serviços fictícios em favor do Grupo J&F, o que caracteriza ciclo de lavagem de dinheiro.

A rádio pertence Andrea Neves e Inês Neves, irmã e mãe de Aécio Neves.

O senador foi sócio da rádio até meados de 2016.

Em troca da propina, Aécio teria atuado em favor do grupo com o então governador do Estado de Minas Gerais Antônio Anastasia, o secretário da Casa Civil, Danilo de Castro, e o subsecretário de Fazenda, Pedro Meneguetti, para a restituição de créditos fiscais de ICMS que totalizou R$ 24 milhões – sendo R$ 12,6 milhões relacionados à JBS/AS (Couros) e R$ 11,5 milhões à empresa Dagranja (SEARA).

Ao autorizar buscas em endereços do senador, sua irmã e também contra o deputado Paulinho da Força, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, apontou ‘indícios de relação ilícita’ do tucano com executivos do Grupo J&F, entre 2014 e 2017.

A Polícia Federal foi às ruas nesta terça, 11, para cumprir 24 mandados de busca e apreensão na Operação Ross.

“O quadro revelado pela autoridade policial, na medida em que ratificado, em parte, pelo órgão acusador, demonstra a existência de indícios de relação ilícita entre o investigado Aécio Neves da Cunha e executivos do Grupo J&F, entre os anos de 2014 a 2017, caracterizada pelo alegado recebimento de quantias em dinheiro, pelo senador ou em seu favor, mediante mecanismos característicos de lavagem de capitais, via empresas e pessoas identificadas na investigação em curso”, escreveu Marco Aurélio.

“Há mais: ficaram demonstrados indicativos da atuação do parlamentar, nessa qualidade, como contrapartida aos benefícios financeiros.”

PS do Viomundo: Quando Aécio e seu “choque de gestão” ainda eram levados a sério pela mídia, este site denunciou a rádio Arco Íris em várias oportunidades, como aqui, aqui e aqui. Nossa repórter Conceição Lemes fez as denúncias mais contundentes contra o governador/senador, agora deputado federal eleito, quando ele era todo poderoso. É só conferir nossos arquivos.

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4 comentários

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Walker

12 de dezembro de 2018 às 08h45

O novo jornal, de Carone, que foi preso pela máfia de Aécio na épocas das eleições de 2014, já vinha denunciando há muito tempo as falcatruas da quadrilha do Aécio. Tinha juiz, promotor, policial, delegado, deputado, muita muita gente pendurada na máfia. Pra acabar com esse câncer não vai ser fácil porque esse pessoal é da pesada já mataram vários e querem matar muito mais. Gente muito perigosa, o Aécio deu só uma mostra de como confiam nos seus métodos.

Responder

Esmeraldo

11 de dezembro de 2018 às 21h14

Essa cristiane e uma vigarista, tal como o pai.

Responder

Zé Maria

11 de dezembro de 2018 às 19h13

Na realidade, quem foi ‘extirpada’ foi a Deputada Cristiane
que não foi reeleita no Rio de Janeiro, e perdeu o Foro Especial

https://exame.abril.com.br/brasil/denunciada-na-operacao-registro-espurio-cristiane-brasil-nao-e-eleita/

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