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Marcelo Zero: A quem interessa a campanha contra o BNDES
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Marcelo Zero: A quem interessa a campanha contra o BNDES


12/08/2015 - 17h27

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A quem interessa a campanha contra o BNDES

por Marcelo Zero, via e-mail

Em 1996, a EMBRAER participou de sua primeira grande concorrência internacional.

Tratava-se do fornecimento de 150 aeronaves para as empresas americanas de aviação regional ASA e Comer. A Embraer entrou na concorrência com o seu ERJ-145, um jato regional moderno e eficiente. Era o melhor avião e ainda tinha a grande vantagem de ser o mais barato.

Contudo, a EMBRAER perdeu. Perdeu para a Bombardier, que oferecia melhores condições de financiamento para os compradores, pois contava com forte apoio governamental para a comercialização de suas exportações.

Pouco tempo depois, a gigante American Airlines lançou concorrência de US$ 1 bilhão para a compra de jatos regionais. Era a grande oportunidade que a Embraer tinha de pagar o custoso desenvolvimento do ERJ-145 e de se lançar no promissor mercado internacional de aviação regional, que crescia exponencialmente.

Mas a Embraer sabia que não tinha a menor condição de ganhar a concorrência, mesmo tendo o melhor avião, se não contasse com condições de financiamento semelhantes às que dispunham as suas concorrentes.

Resolveu, então, bater na porta do BNDES. A Embraer tinha de oferecer um financiamento à American Airlines que contemplasse não apenas taxas de juros baixas e amortização de longo prazo, mas também a garantia da devolução das aeronaves, caso houvesse algum problema com os equipamentos.

Para o BNDES, era uma aposta de risco considerável. A Embraer era novata nesse mercado e, caso ocorresse algum problema com as suas aeronaves, o banco ficaria em maus lençóis. Nenhum banco privado, nacional ou internacional, queria assumir esse risco.

O BNDES, entretanto, resolveu confiar na Embraer e ofereceu o financiamento com todas as garantias exigidas pela American Airlines.

Resultado: a Embraer ganhou a concorrência e, com isso, iniciou uma carreira vitoriosa no mercado internacional de aviação regional e executiva.

Hoje, a Embraer oscila entre a terceira e a quarta maior empresa mundial do setor. Apenas em 2013, entregou 90 aeronaves comerciais e 119 de aviação executiva, obtendo uma receita líquida de R$ 13, 64 bilhões. É, de longe, a empresa brasileira que mais exporta produtos de alto valor agregado, gerando altos rendimentos e empregos muito qualificados no Brasil.

Assim, a Embraer e o Brasil aprenderam a lição. Não se faz exportações volumosas de bens e serviços, no concorridíssimo mercado internacional, sem apoio financeiro governamental e bancos públicos de investimento.

A Embraer da qual tanto nos orgulhamos simplesmente não existiria, caso não tivesse contado com o apoio do BNDES.

Ironicamente, o orgulho justificado que dedicamos à Embraer não se estende ao banco público que financiou o seu sucesso e o de tantas outras empresas brasileiras.

Ao contrário, há, atualmente, uma grande campanha contra esse estratégico banco público de investimentos.

Uma campanha bem sórdida, por sinal. A desonestidade intelectual que cerca o debate sobre a atuação desse grande banco público de investimentos é assustadora. A bem da verdade, ou é desonestidade intelectual assustadora ou é ignorância abissal.

Com efeito, divulgou-se uma série de mentiras deslavadas sobre esse banco.

Disseram, por exemplo, que o BNDES investe muito em obras na Venezuela, Cuba, Angola, etc., em detrimento dos investimentos imprescindíveis para o Brasil.

Ora, como bem assinalou o presidente Luciano Coutinho, entre 2007 e 2014, as operações de apoio à exportação de serviços do BNDES corresponderam a apenas cerca de 2% do total dos financiamentos que foram oferecidos pelo banco.

Portanto, o BNDES investe ao redor de 98% de seus recursos no Brasil.

Mesmo assim, há gente que, iludida pelas mentiras divulgadas, quer simplesmente proibir o BNDES de dar apoio financeiro à exportação de serviços. A natureza obviamente beócia da proposta deveria saltar aos olhos até do reino mineral, caso lá houvesse olhos, mas há gente que a leva a sério, mesmo no Congresso Nacional.

Da mesma forma, alegou-se que as taxas usadas pelo BNDES para a exportação de serviços constituíam “subsídios indevidos” às empreiteiras. Argumento muito parecido ao usado pelo governo canadense, quando nos acionou na OMC quanto às exportações da Embraer. Ora, o uso das taxas Libor nessas operações foi estabelecido em 1996, pois, para ser competitivo no mercado mundial, é necessário praticar financiamentos com base em taxas internacionais.

Insinuaram também que o sigilo envolvido nas operações financeiras de exportação de serviços destinava-se a ocultar ilícitos e favorecimentos ideológicos a governos “comunistas” e “bolivarianos”, lançando uma suspeita indigna sobre o BNDES, banco que opera com critérios técnicos rigorosos e no qual a análise da concessão de um grande empréstimo demora, em média, 450 dias.

Ora, o BNDES não pode divulgar os detalhes dessas operações financeiras não porque não queira, mas simplesmente porque não pode. Ele é proibido por lei de fazê-lo.

A Lei Complementar nº 105, de 2001, ratificada no segundo governo tucano, protege o sigilo do tomador de empréstimo, independentemente do banco ser público ou privado. Não interessa se o empréstimo foi obtido junto ao Itaú, ao Bradesco, ao Banco do Brasil ou ao BNDES: a proteção jurídica é a mesma.

Há quem argumente, entretanto, que, no caso de banco público, não deveria haver nenhum sigilo. Bom, nesse caso, a lei tucana teria de ser modificada.

O problema maior, porém, não é esse. Leis podem ser modificadas. A dura realidade do concorrido mercado internacional de bens e serviços não pode.

Imaginemos o cenário idealizado pelos que propugnam pela total transparência dessas operações financeiras. Caso a Embraer precisasse do apoio do BNDES para fazer uma grande exportação de aeronaves, esse banco estaria obrigado a divulgar ao público informações sensíveis e estratégicas da empresa, como nível de endividamento, capacidade de pagamento, nível de exposição ao risco, probabilidade de êxito na concorrência, competitividade do bem a ser exportado, estratégia de atuação da empresa no mercado mundial, etc.

Bonito, não? Bonito, e por certo, muito inteligente também. A Bombardier e outras empresas concorrentes das empresas brasileiras lá fora concordam inteiramente.

É por isso que nenhum banco que financia exportações no mundo divulga detalhes sensíveis dessas operações. Os americanos não o fazem, os alemães e os chineses, tampouco. Ninguém faz. É fácil imaginar a razão. Menos no Brasil.

Na realidade, conforme a Open Society Foundations, principal ONG mundial dedicada à transparência, o BNDES já é o banco de investimentos mais transparente do mundo. E essa transparência não adveio de pressões recentes. Ela já fazia parte da linha de atuação do banco há bastante tempo. Conforme o testemunho da Open Society, que participou de muitas reuniões com o BNDES, o programa de crescente transparência do banco avançou por iniciativa da própria gestão do BNDES.

Há muito que o BNDES disponibilizava informações sobre essas linhas de crédito que praticamente nenhum banco semelhante do mundo fornecia. Junto com o Eximbank dos EUA, o BNDES era o único banco que, há anos, oferecia ao público informações como relatórios detalhados anuais, portal de transparência com possibilidade requisição de informações e estatísticas detalhadas online.

O novo portal apenas ampliou a transparência já existente.

Tudo isso deveria ser motivo de orgulho em qualquer país do mundo. Menos no Brasil.

Aqui continuam as acusações parvas contra o banco e as iniciativas para submeter o BNDES a uma CPI. Sempre com argumentos desonestos e mal informados.

Quando a Embraer começou a incomodar a Bombardier com sua concorrência, o governo canadense logo tratou de questionar o financiamento de suas exportações na OMC. Não bastasse, acabou levantando suspeitas de que o gado “verde” brasileiro poderia estar contaminado com o mal da vaca louca. Um golpe desonesto, que, por iniciativa do então deputado Aloizio Mercadante, provocou a pronta resposta do Congresso Nacional, o qual sustou a tramitação dos atos internacionais firmados com o Canadá. Assim, o Legislativo brasileiro defendeu o Brasil, a Embraer e, por tabela, o banco que financiou seu sucesso mundial.

Agora, setores desse mesmo Congresso perseguem o BNDES, com argumentos tão toscos e desonestos quanto o usado pelo governo canadense.

Não se sabe ao certo no que isso vai dar.

Uma coisa, porém, é certa: a Bombardier agradece.

Haja vaca louca!





13 comentários

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Luiz Carlos

15 de agosto de 2015 às 18h54

Deve ser o sonho de potências inimigas ter um concorrente (país) com um povo como o brasileiro. Fica facílimo detonar e acabar com esforços de setores estratégicos e de grande valor econômico pelo simples sentimento de “viralatismo” de parte do seu povo, os mais abastados. E devem achar estranho termos chegado tão longe. Realmente é bizarro procuradores do Ministério Público iram a uma potência, teoricamente concorrente do nosso sistema de beneficiamento de urânio pedir ajuda. Soa como piada ou entreguismo, passível de pumição.

Responder

FrancoAtirador

14 de agosto de 2015 às 09h47

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Brasil e Índia saem do Grupo dos ‘5 Frágeis’;
México e Colômbia entram, diz JPMorgan Asset.
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Jornal Britânico Financial Times publicou Análise do JPMorgan Asset Management
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que avalia que Colômbia e México devem substituir Brasil e Índia no Rol dos ‘5 Frágeis’,
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Este termo se refere a um grupo de países citado por um analista do Morgan Stanley
em meados de 2013, composto por Turquia, Brasil, Índia, África do Sul e Indonésia
como economias que se tornaram demasiadamente dependentes de investimento estrangeiro, bastante volátil, para financiar suas ambições de crescimento.
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O JPMorgan Asset Management propôs uma alteração no termo,
segundo noticia o Financial Times: tirar o Brasil e a Índia
e eles seriam substituídos pela Colômbia e pelo México.
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“Colômbia e México são agora membros do grupo dos “cinco frágeis”
de nações de mercados emergentes, substituindo a Índia e o Brasil,
de acordo com análise por JPMorgan Asset Management”,
ressalta o jornal, que lembra do momento de maior turbulência dos países.
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Foi quando houve o anúncio de que o Federal Reserve iria diminuir o seu programa
de compra de títulos, o que provocou uma turbulência nos mercados.
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A vulnerabilidade de quatro dos cinco países (África do Sul, Índia, Indonésia, Turquia,
mas não o Brasil) foi identificada pelo JP antes do sell-off.
E, segundo a asset do banco, certas regiões da América Latina
estão mais expostas a esse cenário.
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A Colômbia “caiu” no conceito do banco como resultado da sua forte dependência das exportações de petróleo, em particular a dependência das receitas do governo, além do robusto déficit em conta corrente de 5,8%, que precisa ser financiado por entradas de capital.
O peso caiu 36% frente o dólar nos últimos meses.
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“Se você é dependente de dinheiro de outras pessoas e, em seguida,
o preço [do seu principal produto de exportação] cai, você tem um grande problema”, disse Andres Garcia-Amaya, analista de pesquisa em macroeconomia do JPMAM.
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Já o México é visto como vulnerável porque a taxa de cobertura das reservas
(ou seja, a relação entre as reservas cambiais pelo seu gap de financiamento)
é de apenas 1,6 ano.
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Isso é muito menos do que os sete anos de Rússia,
outro exportador de petróleo que está lutando.
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“O México, um país que muitos investidores consideram um refúgio seguro,
agora está aparecendo como um de alto risco dos mercados emergentes”,
disse Garcia-Amaya.
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InfoMoney
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Responder

    Zenio Silva

    14 de agosto de 2015 às 12h53

    Não faz assim… Estão “judiando” da “urubóloga”. Assim ela não aguenta!!!!
    rsrsrsrs

Urbano

13 de agosto de 2015 às 14h41

Os governos fascistas internacionais sempre usaram a rapinagem, nem que seja da verdade, contra os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O pior de tudo isso é que, acreditando ser pouco, ainda usam o resultado desse achaque como forma de supremacia racial e, por conseguinte, o direito divino de serem os donos do orbe terrestre, e de toda a riqueza nele existente. Com relação ao Brasil, nunca usaram a força da guerra, como estão a fazer em diversas frentes nesse momento, porque sempre houve um farto contingente de bandidos da oposição ao Brasil para realizar todo e qualquer trabalho sujo para eles. Isto obviamente em troca dos trinta dinheiros da prostituição moral a que sempre se submeteram, no intuito de servir os seus adestradores. Isso sem contar a sucessiva rapinagem particular que sempre perpetraram contra o nosso país, em que mais das vezes empregam toda a família nesse afazer; e isso geração após geração.

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CARLOS MOREIRA-MACEIÓ/AL

13 de agosto de 2015 às 13h41

Vejam o que a âncora de TV Russa, fez ao ler sobre os protestos dos coxinhaas, marcados pro dia 16.08.15, vale a pena ver:

https://www.youtube.com/watch?v=DTllPBXOa_0

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    Christian Lesage

    15 de agosto de 2015 às 09h55

    Engraçado, mas a locutora russa não está falando nada disso, e sim algo sobre uma plantação de maconha no Canadá guardada por um urso.

lulipe

12 de agosto de 2015 às 21h54

O autor deve ser daqueles que acham que o Elvis está vivo, morando em trancoso e que os EUA “montaram” o 11 de setembro. Só rindo mesmo. Não se pode mais investigar para onde está indo o dinheiro do povo brasileiro, não, tudo tem uma segunda, terceira, quart Tudo é teoria da conspiração, aliás os petistas adoram isso, talvez para expiar as culpas e incompetências tão características. Queriam que os empreiteiros corruptos continuassem sangrando a Petrobrás, não querem saber para onde vão os empréstimos do BNDES, a que juros são feitos, que garantias são dadas, se é que são dadas garantias…É por isso que o óleo de peroba está em falta no mercado!!

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    Nelson

    13 de agosto de 2015 às 16h26

    E o(a) senhor(a) Lulipe, ao que parece, é daquele(a)s que acreditam, fervorosamente, na versão montada por Bush e os sionistas, de que foi a turma do Bin Laden que explodiu as torres do WTC e o Pentágono.

    Daqueles que acreditam em fantasias, duendes, fadas madrinhas, mula sem cabeça, chupa-cabra e quetais.

Julio Silveira

12 de agosto de 2015 às 20h29

Pessimo exemplo trazido, a EMBRAER, hoje o que menos tem nela é ingrediente nacional. Ainda serve como ferramenta de trabalho para muitos nacionais, mas hoje sua principal utilidade reside aí. Até seus produtos mais economicamente viaveis como o super tucano devem depender do aval yanke para serem vendidos. A maior empresa americana, a BOEING, que por sinal “perdeu” a concorrencia no FX2 é hoje uma das proprietárias da empresa, que já deixou de ser produto nacional faz tempo.

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José Caetano

12 de agosto de 2015 às 17h45

Não existe nenhuma campanha contra o BNDES. O que existe, isto sim, é a busca da devida apuração dos gigantescos gastos do Governo Federal, via BNDES, com financiamentos de dezenas de obras no exterior e compras de empresas que, restou demonstrado serem desnecessárias.

Responder

    tata

    12 de agosto de 2015 às 20h23

    Então o que precisamos não é crucificar o BNDES basta mudar a lei, sugiro envio dessa sugestão aos deputados, e os que não pensarem igual a você na próxima eleição não vote neles pois eles não te representão.

    Zenio Silva!

    13 de agosto de 2015 às 09h21

    Acho que o autor do artigo deve desenhar para uns e outros entenderem a diferença entre 2% e 98%!
    Parece que a explicação, como foi escrita, não foi entendida por esses mesmos “uns e outros”:
    _ ” Ora, como bem assinalou o presidente Luciano Coutinho, entre 2007 e 2014, as operações de apoio à exportação de serviços do BNDES corresponderam a apenas cerca de 2% do total dos financiamentos que foram oferecidos pelo banco.

    Portanto, o BNDES investe ao redor de 98% de seus recursos no Brasil.”_

    Alguns comentários são a prova de que, diferentemente da inteligência, a ignorância não tem limites!!!

    Nelson

    13 de agosto de 2015 às 16h34

    Senhor Caetano

    É preciso fazer uma devassa na atuação do BNDES. Afinal, trata-se de um banco público que tem, sim, que prestar contas à sociedade. Aquele que cometeu irregularidades que seja punido, quem quer que seja ele.

    Porém, a pergunta é: por que ficar somente nos últimos anos? A devassa tem que ser geral, vasculhando pelo menos os trinta anos pós-ditadura do banco.

    Abaixo, reproduzo somente dois trechos do magnífico livro do saudoso jornalista, Aloysio Biondi, “O Brasil Privatizado”. Neles, Biondi mostra como o governo dos tucanos utilizou o BNDES para garantir lucros ainda mais gordos a grandes corporações “compradoras” das empresas estatais.

    Os que acreditam, ou fingem acreditar, que todo o mal e toda a corrupção do universo foram encarnados pelo PT e pelos seus governos deveriam ler os textos do Biondi, que retratam o que foi a roubalheira das privatizações feitas pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

    Para isso, basta acessar http://www.fpabramo.org.br/uploads/brasil_privatizado.pdf.

    “A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi comprada por 1,05 bilhão de reais, dos quais 1,01 bilhão em “moedas podres” – vendidas aos “compradores” pelo próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), financiadas em 12 anos. Assim é a privatização brasileira: o governo financia a compra no leilão, vende “moedas podres” a longo prazo e ainda financia os investimentos que os “compradores” precisam fazer – até a Light recebeu um empréstimo de 730 milhões de reais no ano passado. E, para aumentar os lucros dos futuros “compradores”, o governo “engole” dívidas bilionárias, demite funcionários, investe maciçamente e até aumenta tarifas e preços antes da privatização.”

    “Outro motivo para o aumento dos lucros dos “compradores” (e novos “rombos”, se as contas forem bem feitas, para o governo): na maioria das privatizações, o valor está sendo pago em prestações, e com juros vergonhosamente baixos, se comparados com as taxas normais no Brasil ou, mais ainda, com as taxas que o governo tem pago sobre sua dívida cada vez mais alta. Na venda das redes ferroviárias, por exemplo, houve uma entrada de 10% a 20% do valor, com prazo, no total, de nada menos de 30 anos.”
    “Isto é, nesses três primeiros anos o “comprador” recebe dinheiro, fatura, utilizando o patrimônio formado pelo Estado ao longo de décadas, e nada paga (e atenção: ainda recebe empréstimos do BNDES para “investir”). Mesmo no caso das teles houve parcelamento, cuidadosamente escondido por todo o noticiário: a entrada era apenas de 40%, seguida de duas parcelas de 30% cada, a vencerem daí a um e dois anos, respectivamente. Os comentaristas dos jornais e TVs, ou as reportagens sobre a venda, repisavam o tempo todo que o governo iria receber 13,5 bilhões de reais (preço mínimo pedido no leilão), ou “quatro vezes o valor recebido pela Vale do Rio Doce” (sic). Era mentira. A entrada seria de apenas 5,4 bilhões de reais, ou 40% daquele valor. E, quando as teles afinal foram vendidas por 22,2 bilhões de reais, os meios de comunicação trombetearam o tempo todo que o governo usaria aquela “dinheirama” para reduzir a dívida… Continuavam a esconder que, na verdade, o governo só receberia 40% desse valor – 8,8 bilhões de reais. (De fato, receberia menos ainda, considerando-se que o governo financiaria, por meio do BNDES, 50% da entrada, quando o comprador fosse uma empresa nacional, mesmo que ela fosse apenas participante de um consórcio).”


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