VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Denúncias

Juliana Machado: Varrendo os pobres do centro de São Paulo


16/01/2012 - 21h41

‘Extermínio a céu aberto’

Conceição Lemes

Juliana Machado tem 28 anos, é formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), faz mestrado em Sociologia na USP,  integra o coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão) e apóia movimentos por moradia.

Na última quarta feira, 11 de janeiro, ela e a colega Dulce Sampaio voltavam para casa por volta de 23h30, quando, passando pela rua Conselheiro Brotero, na Barra Funda, perceberam três viaturas em frente ao número 215.

Pararam. Umas 20 pessoas (uma grávida de quase 9 meses) retiravam seus pertences (móveis e roupas) de dentro da casa, seis eram crianças (de 2 e 8 anos), algumas deitadas no colchão estendido na calçada. Estavam ali há oito dias, vindos da favela do Moinho, após o incêndio que arrasou parte dos barracos.

“Infelizmente, quando chegamos já não havia muito o que fazer – os  ocupantes já estavam do lado de fora do imóvel – nem eles tinham condições de resistir”,  contou-me Juliana.  “Eu e minha colega, como observadora, ficamos para tentar garantir que não haveria a costumeira violência policial neste tipo de ação, e também mediar uma solução coletiva para aquele momento.”

“Sem opção para morar, aguardavam definição da Prefeitura da cidade de São Paulo sobre a promessa de receberem bolsa aluguel de 450 reais por 10 meses, ‘talvez’ a partir de fevereiro”, contaram-lhe. “A casa ocupada estava abandonada há muito tempo. Antes de eles entrarem na casa, um grupo de usuários de crack utilizava o imóvel.”

Juliana permaneceu ali, com eles, até 3h30. Pesquisadora de remoções forçadas,  foi a primeira vez que esse tipo de tragédia urbana bateu à sua porta:

A MAIOR PARTE TINHA SAÍDO PARA TOMAR BANHO QUANDO A POLÍCIA CHEGOU

“As pessoas estavam desesperadas. Àquela hora da noite não sabiam para onde ir e como levar suas coisas, pois não havia carroças/catadores para ajudar. Elas tinham sido avisadas um pouco antes pela PM que teriam que deixar o local, pois o proprietário havia solicitado a desocupação.

A maior parte deles tinha saído para tomar banho quando a polícia chegou. Não houve possibilidade de resistir. Retiraram os móveis pacificamente. A PM alegou que a casa havia sido interditada pela Defesa Civil

Só que, passando por ali diariamente, percebi a colocação de placas de concreto apenas dois dias antes da ação da PM. Havia também três representantes do proprietário. Segundo eles, o imóvel tinha sido comprado recentemente e seria demolido. O que se apresentou como advogado “negociava” com os ocupantes, o pagamento de um carreto para levar as coisas de volta ao Moinho, onde eles ficariam na calçada, embaixo da lona.

Os ocupantes ficaram divididos. Parte queria buscar outro imóvel para o cupar e dormir aquela madrugada. Parte queria voltar ao Moinho. Mas ninguém sabia ao certo como sair daquele impasse, pois naquele horário nem as ocupações no centro os receberiam.

Não houve violência na ação da PM, porém ficou óbvio que estava ali para a defesa dos interesses do proprietário, sem qualquer preocupação com a situação dos ocupantes.

Como um dos prepostos do dono do imóvel, que se identificou como “Pedro”, se recusava a dialogar com os ocupantes, tratando-os como criminosos, a PM passou a mediar a negociação.

Logo um caminhão de lixo da Prefeitura encostou, para carregar os pertences daquelas pessoas e levá-los para a calçada e viaduto entorno do Moinho.

Numa estratégia clara de dividi-los, o representante do proprietário passou a oferecer dinheiro a cada um, separadamente. A uma mulher ofereceu trabalho, a outra pagou R$ 40. Ao final, deu R$ 200 para serem divididos entre as 15 pessoas restantes.

A estratégia de dar alguns merréis funcionou. Não permitiu uma decisão coletiva por parte deles, que arriscaram o pouco oferecido para não sair sem nada”.

SEM ORDEM JUDICIAL NEM CONDIÇÕES DE RESISTIR

“Em diversos momentos, chamei a atenção da PM e dos ocupantes para o fato daquela ação poderia ter acontecido durante o dia e não naquela hora. Só que, na cidade de São Paulo, é praxe a expulsão durante a madrugada, quando , quando já não havia qualquer possibilidade de buscar acolhimento e ajuda.

Não havia ordem judicial para a reintegração de posse, tampouco a PM apresentou o laudo de interdição da defesa civil.

Se a desocupação foi difícil? Não.  A maioria dos ocupantes havia saído do para tomar banho, e os poucos que estavam no imóvel não resistiram ao assédio da polícia”.

INCÊNDIO “CRIMINOSO”, COMO VÁRIOS OUTROS

“Até então, o que eu sabia da favela do Moinho é que a comunidade havia vencido a primeira batalha judicial. Ação do escritório modelo da PUC conseguiu-lhes, em 1ª instância, o usucapião coletivo.  Na prática, essa decisão suspende qualquer possibilidade de reintegração de posse, despejo, remoção por parte da Prefeitura, já que o caso está sub judice.

Só que – de novo, o só que — , no apagar das luzes de 2011, época de Natal/Ano Novo, ocorreu ali um “incêndio”.

Espalhou-se a versão de que uma usuária de crack havia sido a responsável. Em tempos de operação sufoco, é incrível a facilidade de se culpar o lúmpen  do lúmpen, o cidadão   de segunda categoria de tão estigmatizado e rechaçado…

Não acredito nessa versão. Para mim, foi um incêndio “criminoso”, como vários outros que tem ocorrido em favelas de São Paulo nos últimos anos. É curioso verificar que aqui acontecem incêndios quase mensais em favelas, enquanto no Rio de Jane iro, onde tem mais favelas, quase não há registro de incêndios.

Seja como for, o incêndio facilita a retirada gradual dos moradores do Moinho, pois parte deles, sem ter para onde ir, acaba aceitando a bolsa-aluguel de R$ 450 ou o cadastramento em algum programa habitacional. Em ambos os casos em bairros distantes dali. O valor da bolsa não contempla um aluguel para uma família no centro. Um quarto em cortiço, para uma família inteira morar, costuma custar cerca de R$ 800″.

ESTRATÉGIA HIGIENISTA, SIM!

“Vendo a ação policial na Cracolândia, o incêndio no Moinho, as ameaças constantes de despejo das ocupações e cortiços na região central, a presença ostensiva da PM nesses bairros e o grande pretexto da vez – as drogas – são táticas que fazem parte de uma mesma estratégia higienista.

Ou seja,  varrer do centro de São Paulo a população mais pobre e abrir caminho para um projeto de transformação urbana (Nova Luz) que vai beneficiar o grande capital imobiliário, colocando a coisa pública (serviços, transporte, infraestrutura e localização privilegiada) a serviço de interesses privados, em conluio com a Prefeitura da capital e o governo do Estado de São Paulo.

A reurbanização (também chamada revitalização) do projeto Nova Luz pressupõe que não há vida naquele local. Porém, sabemos que os bairros da região são pulsantes de vida, comercio, circulação de pessoas, serviços e equipamentos públicos.  Só que foram abandonados pelos governos da cidade, que deixaram de realizar a zeladoria urbana”.

MAIS UMA FORMA DE EXTERMÍNIO

“Se esse projeto de cidade se concretizar na Luz, pode significar um precedente perigoso e ser aplicado em toda a cidade.

Da mesma forma, o tratamento que está sendo dado aos usuários de crack da região pode, por sua vez, significar o recrudescimento da política de repressão e encarceramento dos usuários de drogas, começando pelos párias que não têm interesse nenhum para o capital. É mais uma forma de extermínio, primeiro a céu aberto, depois em instituições manicomiais.

Na verdade, ação policial na Cracolândia, incêndio no Moinho e despejos de ocupações na região central de São Paulo são formas de extermínio a céu aberto.

Daí a necessidade de articulação rápida entre movimentos de moradia da região central, usuários de drogas, defensores de direitos humanos, entidades, movimentos sociais, etc.  Essa articulação pode ser a trincheira de resistência para disputar este projeto, que já está sendo implementado.Talvez a mobilização social, devidamente unificada, consiga minimizar os estragos que virão”.

Leia também:

Fátima Oliveira: A polêmica da internação compulsória

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



29 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Eliseu Pinto Teixeira

08 de maio de 2012 às 21h58

Rogério Leonardo.
Seu comentário recordou-me a leitura do livro “As Vinhas da Ira”.
Como é que uma terra daquela, que nasce um John Steinbeck!nasce também um Sidney Sheldon???

Responder

O protesto que abalou o shopping | Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território

12 de fevereiro de 2012 às 20h46

[…] isso, no centro da cidade, a Favela do Moinho “pegou fogo” e as 500 famílias foram jogadas a sua própria sorte. E bem perto dali, na “Cracolândia”, a […]

Responder

O protesto que abalou o shopping | Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de fevereiro de 2012 às 19h12

[…] isso, no centro da cidade, a Favela do Moinho “pegou fogo” e as 500 famílias foram jogadas a sua própria sorte. E bem perto dali, na “Cracolândia”, a […]

Responder

Regina Braga

17 de janeiro de 2012 às 19h35

Adorei a matéria Conceição,sou grata.Se as pessoas não se mobilizarem,quer com manifestações ou denúncias…os excluidos vão ser eliminados,pois a prática é constante no Estado.Faz parte do manual do psdb-dem.

Responder

Franco

17 de janeiro de 2012 às 18h47

A ficção do filme Robocop vai tomando forma em São Paulo. No cinema o mote era a falência da velha Detroit a ser substituida por Delta City. A capital do automóvel estadunidense estava "infestada" de pobres, marginalizados, usuários de drogas – no caso o "NUKE". E os políticos endinheirados, brancos e apoiados por uma OCP brigavam para construir Delta City e faturar milhões, nem que na base da faxina social e retirada do prefeito da velha Detroit – não por acaso um negro. Fazer um paralelo entre a realidade de São Paulo e a ficção do filme é facílimo.

Responder

Eduardo Guimarães

17 de janeiro de 2012 às 17h50

Belíssima matéria, Conceição Lemes. Bjs.

Responder

Rogério Leonardo

17 de janeiro de 2012 às 17h25

Parte 03

A coisa anda tão surreal, que não se assustem se daqui a pouco os governos do Estado e Município implantarem, com a concordância da mídia venal e de vários beócios (que apesar de não estarem no alto da pirâmide social, talvez se sentindo parte dela, defendem tais ações), a política de cercar bairros "privilegiados" e controlar o acesso para que a "gente diferenciada" da cidade não possa incomodar as "pessoas de bem" da sociedade paulistana (a não ser é claro para prestar serviços a preços módicos).

No trânsito, se verifica a mesma incompetência e falta de sensibilidade: é a eterna sobreposição do interesse privado (de poucos) sobre o público (restante da população).

A longo prazo estas políticas públicas desastradas e criminosas estão criando um barril de pólvora que em algum momento irá explodir na cara de todos os cidadãos paulistanos, tornando a cidade de São Paulo um local imprestável para a vida em comunidade.

Lógico que os "privilegiados", como sempre, continuarão a se proteger dentro de seus muros superprotegidos, helicópteros e carros blindados, mas, que os "beócios" da classe média paulistana (alguns aspirantes a novos ricos), típicos assinantes daquela revistinha semanal dos Civita não se enganem, eles vão sofrer tanto quanto a "gente diferenciada" que hoje merece o seu desprezo.

Só para que eles entendam na prática, já que não parecem não possuir um mínimo de raciocínio lógico: A não ser que seja um mega empreendedor ou dono do imóvel, qualquer morador será fatalmente "expulso" de seu imóvel pela especulação imobiliária após a hipotética "reurbanização" de determinada região, sendo provável que sequer terá capacidade econômica para vir a frequentar ou usufruir dos novos "negócios" que ali sejam instalados.

Como já verificava há décadas atrás o pseudo intelectual Caetano Veloso (hoje apenas uma sombra medíocre do gênio que prometeu ser para a música brasileira) nos versos de uma de suas grandes obras é "a força da grana que ergue e destrói coisas belas".

Que o Paulistano médio saia do casulo conservador em que vive e entenda de uma vez por todas que é contra esta força que ele deve se posicionar, sob pena de por ela ser massacrado.

Se São Paulo é a locomotiva econômica do país como dizem tais beócios, torço muito para que se transforme também na elite política e intelectual e não dê sustentação ao que há de mais retrógrado e atrasado no pensamento político de nossa nação.

Abraço a todos.

Responder

Rogério Leonardo

17 de janeiro de 2012 às 17h24

Parte 02

Voltando ao caso cracolândia, é evidente que não se pode dar assistência aos viciados e nem combater traficantes (e o tráfico em si), se primeiro não existir uma política pública de apoio e tratamento aos usuários e não for feito um mapeamento e investigação para separar usuários de traficantes, além é claro, uma coordenação que envolva União, Estados e Municípios (já que a droga não é produzida aqui).

No entanto, mesmo sabendo das premissas acima, houve evidentemente uma precipitação e grande incompetência do prefeito e do governador da cidade de São Paulo, eis que eles, além de agirem com truculência contra os desfavorecidos, como é de praxe na ideologia higienista que vem aplicando no poder, conseguiram apenas espalhar os viciados e traficantes para outros locais da cidade, ou seja, mudaram o problema de lugar para tentar faturar com o slogan "Alckimim e Kassab acabaram com a cracolândia criada pelo desgoverno do PT" (o fato é tão verdadeiro que tal discurso já foi colocado em prática por um dos virtuais candidatos da situação em São Paulo).

É claro que ninguém é contra a revitalização ou reurbanização de áreas degradadas da cidade, lógico que todos querem um bairro ou região melhor para viver/trabalhar, porém, o fato é que, historicamente, as ações governamentais na cidade de São Paulo nunca visaram a integração dos ocupantes e moradores das regiões degradadas à área depois de revitalizada, e, sim, a expulsão dos ocupantes/moradores, se possível com bastante violência e ameaças, sem qualquer preocupação social, apenas para beneficiar o fortíssimo lobby do setor imobiliário, que ganha incentivos de milhões de reais do setor público, terrenos à preço de banana, e nada oferece em troca para a cidade, a não ser novas fachadas de suntuosos edifícios que jamais serão ocupados pela maioria dos cidadãos comuns (a não ser como serviçais) ou algumas creches insuficientes para seque suprir a demanda das regiões em que são instaladas, ou seja, não se busca uma solução para o problema social e uma integração dos habitantes à cidade e sim mudar os problemas de lugar, retirar os "indesejáveis" de áreas com potencial para o mercado imobiliário, de preferência, cada vez mais para a periferia da cidade, tentando transformar estas áreas em verdadeiro oásis em meio ao inferno paulistano.

Responder

Rogério Leonardo

17 de janeiro de 2012 às 17h23

Parte 01

O que vou escrever para a população de São Paulo, também se aplica a alguns outros governos do país. Governos, inclusive, ditos de "esquerda" ou "progressistas" (Belo Horizonte, Rio de Janeiro, etc.), porém, é em São Paulo que a situação se potencializa e atinge os níveis mais alarmantes, e é onde se colhem a maioria de manifestações ignorantes de apoio a algumas ações governamentais absurdas que são difíceis de digerir, portanto, será a referência deste comentário.

Prezados Defensores destas ações desastrosas e mal intencionadas dos atuais governantes de São Paulo,

Vamos ver se vocês conseguem fazer um esforço para entender a origem e a fundamentação das críticas à atuação dos governos do estado e município de São Paulo em relação às políticas de ocupação e manutenção do espaço público.

A questão é tão clara que argumentos simplistas são facilmente derrubados pela leitura do que segue abaixo.

Ora, é bastante perceptível que as ações do atual poder constituído, seja no estado ou na capital paulista, não tem preocupação em resolver os problemas da cidade de forma harmoniosa ou, pelo menos efetiva para seus cidadãos.

No caso da específico da cracolândia, por exemplo, a ação, antecipada por motivação política a fim de capitalizar em cima do conservadorismo ignorante do paulistano médio, é uma prova cabal da incompetência e falta de compromisso de tais governantes com o bem-estar dos moradores da cidade, principalmente com os vulneráveis (favelados, usuários de drogas, prostitutas, moradores de rua, etc.).

Gente com o pensamento ignorante de que "é melhor fazer alguma coisa do que deixar as coisas como estão", mesmo com exacerbação da violência e da estigmatização contra as populações desfavorecidas e a um custo social enorme, acaba por legitimar estas ação ridículas, porém, se esquecem de que os fracassos de tais políticas públicas acabam se voltando contra eles mesmos (pedágios extorsivos, inundações, caos no trânsito, violência urbana, etc.).

Responder

Marcio H Silva

17 de janeiro de 2012 às 16h14

O único pacto social respeitado pelos Governantes de sampa foi com o PCC.
Estes pobres, favelados e viciados só irão ser respeitados como ser humano, e receber ajuda dos estado, se houver uma interveção Robin Hoodyana ( irc!) do PCC.

Responder

Jose Antonio Batata

17 de janeiro de 2012 às 16h11

O Governo do Estado de São Paulo caminha para a Extrema-direita . A Sociedade Civil de São Paulo deve formar uma grande frente em favor da democracia. Caso O PSDB ganhe a próxima eleição eles vão radicalizar na repressão FASCISTA. No estado de São Paulo deve construir uma grande frente ANTI_FASCISTA.

Responder

Silvio I

17 de janeiro de 2012 às 15h49

Conceção Leme:
Todos já o têm visto, desde o ponto de vista social, mais existe um muito grave, que ninguém tocou. Primeiro a policia atuando sem ordem judicial. Segundo a essa hora da noite e proibido fazer o. Entre os direitos do cidadão está que durante as horas da noite, não se pode invadir domicilio, nem com ordem judicial. Se tem que esperar a saída do sol,ate o anoitecer. Dirão-me que esse não era o domicilio de eles, certo, mais ate que não forem despejados, este era o domicilio de eles. O seja que agora advogados, da parte interessada, trabalha junto com a policia.Chama me muito atenção que a justiça este cega para estas coisas. Estamos ante um governo de corte fascista, ou ate nazista, já que está procedendo da mesma forma, que se procedeu em estes sistemas de governo.

Responder

CLAUDIO LUIZ PESSUTI

17 de janeiro de 2012 às 15h24

Este e o blog do vi o mundo?Creio que não, deve o blog do "vi mal de Sao Paulo".Impressionante, outro dia morreram 3 meninos numa rebelião num centro de socialização de menores da "progressista" Pernambuco.Nenhuma linha aqui.Ja com relação a Cracolândia, basta encontrar alguém que que queira "meter o pau" em Sao Paulo, de preferencia com uma abordagem "sociológica" , da-lhe espaço.Ate ex-ministro do FHC vale.Se aparecer um cadáver então, nossa , segura a onda!

Responder

    Klaus

    17 de janeiro de 2012 às 17h09

    Novo por aqui, Cláudio?

@Solange_ev

17 de janeiro de 2012 às 13h50

Acho que SP perdeu uma excelente oportunidade de fazer um grande dia de cidadania, a exemplo daqueles promovidos pelo Sistema S (SESI, SENAI). Com ações de tratamento digno daquelas pessoas. Com apoio psicológico, social, emissão de documentos, higiene pessoal, alimentos, etc…etc…obviamente para os que quisessem…avaliando cada caso, com oportunidade de tratamento e ocupação (trabalho) remunerado.

Responder

Horridus Bendegó

17 de janeiro de 2012 às 13h33

Na São Paulo atual só estão faltando os fornos crematórios…

Mas, pelo visto, já estão quase chegando lá.

Responder

Luci

17 de janeiro de 2012 às 12h50

"Só que – de novo, o só que — , no apagar das luzes de 2011, época de Natal/Ano Novo, ocorreu ali um “incêndio”. Como no filme Missipi em Chamas, que demonstrou como a Klu Klux Klan agia.
São Paulo está em Chamas. Mas todos nós sairemos chamuscados, estão destruindo a cidade em nome de uma gestão excludente, racista, higienista e desumana.É o fim, quem viver verá.

Responder

Marcelo de Matos

17 de janeiro de 2012 às 12h30

O pessoal critica qualquer medida governamental que vise reurbanizar os bairros degradados. Esses bairros, entretanto, podem ser aproveitados melhor a um custo muito mais baixo para os cofres públicos. São locais que contam com toda infraestrutura. Entendem que a Cracolândia é intocável. Pois bem. Por que não vão morar lá perto? Tenho uma vizinha aqui no prédio que tinha um bar próximo da Avenida Rudge e teve de fechá-lo. Quando fui comprar meu Fiat na Itavema, ali naquela área, furtaram o celular da vendedora que estava em cima de sua mesa. Ali numa esquina ficam centenas de pessoas sentadas no chão em busca de algum atendimento social. Há muitos furtos na área devido à aglomeração de pessoas. Eu não gostaria de morar ali. Se alguém aí gosta, que faça bom proveito.

Responder

    Emilio Matos

    17 de janeiro de 2012 às 14h26

    O problema não é que os bairros estão degradados, acorda. O que está degradada é a vida das pessoas que estão lá. Gente é mais importante que tijolo e asfalto. "medida governamental que vise reurbanizar os bairros degradados" não vai resolver isso, vai?

    baader

    17 de janeiro de 2012 às 14h33

    no século XVIII v.sa.apoiaria tb a criação dos asilos (bem longe!) para mendigos, doentes, velhos e fracos, crianças soltas nas ruas, loucos e assemelhados e teria o mesmo tipo de argumento. já morei (santa cecília)/trabalhei (febem) em sampa, 2001, e posso lhe garantir: é uma cidade das mais desumanas que conheci (já morei um ano nos EUA e já viajei algo pela latinoamérica). uma desumanidade que horrorizou sebastião salgado, acostumado a fotografar êxodos étnicos devido a guerras. e mais: posso lhe garantir que ter que "trombar" pelas ruas com esses seres em frangalhos aguça nossa sensibilidade, nos fornece compaixão, mas principalmente nos faz dialogar, pois somos um deles.

    CLAUDIO LUIZ PESSUTI

    17 de janeiro de 2012 às 15h27

    Estao fazendo exatamente a mesma coisa no Rio, e la estao removendo moradores , legalizados, na pancada.Ah, mas veja bem, ai e o Eike Batista, do Rio de Janeiro que esta na jogada, entende, Eike, RJ, Marcelo Crivella, eeeee, por ai vamos , não e mesmo???

    Marcos C. Campos

    17 de janeiro de 2012 às 15h28

    Você acha que urbanismo significa existir somente bairros classe A A+. A cidade é para todos. O que acontece no Brasil inteiro e em São Paulo em particular é uma quase total preocupação do poder público em atender somente os interesses imobiliários em investimentos que rendem mais (mais lucros) por metro quadrado construído. Assim as disparidades sociais só aumentam.

    Marcelo de Matos

    17 de janeiro de 2012 às 17h59

    Eu não acho que devam existir somente bairros classe AA+, nem que os pobres devam ser levados para longe, como disse o baader. Aliás, não acho nada. Quem decide isso são os investidores. Apenas constato a realidade. Os terrenos e a infraestrutura custam muito caro. Nos EUA bairros inteiros são demolidos para reurbanização; na China idem. No Brasil isso já está acontecendo. Em bairros ditos "nobres" como Perdizes, Pompéia, Aclimação, Pinheiros, Tatuapé e vários outros só se constroem apartamentos de alto padrão. Meu prédio aqui nas Perdizes foi construído há quarenta anos e um apto. sem garagem, com dois dormitórios, custa R$ 450.000,00. Mas já não se constroem prédios populares como o meu aqui no bairro. Essa é a realidade. Não adianta a gente ficar aqui tapando o sol com a peneira e dizendo como deveria ser. Essa é a vida como ela é.

    CC.Brega.mim

    18 de janeiro de 2012 às 17h24

    "quem decide são os investidores"..

    é disso que se trata.
    política.
    disputa.
    e você parece que sabe bem de que lado está..

Gilvan

17 de janeiro de 2012 às 11h22

A Juliana sabe, como boa estudante de sociologia, que a elite de São Paulo não é a mais atrasada do país, como diz Mino Carta. É a mais criminosa, política e socialmente. A "droga" que a entorpeceu por derradeiro se chama PSBD (rima com LSD), este sim seu ópio. Cracolândias, sem-tetos, favelas urbanas são produtos acabados dessa elite. Depois dizem que o Nazismo não existiu.

Responder

Gerson Carneiro

17 de janeiro de 2012 às 11h11

Entra em beco, sai beco: há um recurso, Madalena!
Vai na próxima Capela, pra não passar fome.

[youtube BfWst51fvNM http://www.youtube.com/watch?v=BfWst51fvNM youtube]

Responder

    EUNAOSABIA

    17 de janeiro de 2012 às 13h25

    Solta o vídeo da música "Marly Meu Travesti"… deve estar sendo disputado a tapa também.

    Quem comprou o livro tem que levar o CD também…. o CD da Marly….solta aí manow….

João-PR

17 de janeiro de 2012 às 10h38

O higienismo paulistano usa de tudo: fogo, polícia, porrete, sofrimento pela falta do crack………….gente, aonde chegamos!!! Será que a maioria dos paulistanos foi anestesiada e hipnotizada pelo PSDB e seus amigos do PIG?????

Responder

Fernando Noruega

17 de janeiro de 2012 às 10h34

Se essas ações ocorressem em um país no qual as instituições existissem para além do papel, essa dupla de governantes de São Paulo já estaria presa por crimes de lesa-humanidade. Começaram com a rampa anti mendigo na Paulista, viram que a patuleia foi favorável e agora expandiram o seu leque de atentados contra os direitos fundamentais dos cidadãos para outras plagas. Recebem pelas atrocidades, ao invés de cadeia, os aplausos da mídia e da população racistas, além de uns bons caraminguás da turma da especulação imobiliária.

Responder

Deixe uma resposta para O protesto que abalou o shopping | Laboratório da Conjuntura Social: tecnologia e território

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.