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Jamil Chade: Por se aliar a Trump e defender farmacêuticas, Bolsonaro tomou troco da Índia nas vacinas
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Jamil Chade: Por se aliar a Trump e defender farmacêuticas, Bolsonaro tomou troco da Índia nas vacinas


19/01/2021 - 17h06

Da Redação

O colunista Jamil Chade, do UOL, baseado em Genebra, pode ter esclarecido hoje o impasse sobre o envio ao Brasil das vacinas prontas da AstraZeneca/Oxford, fabricadas na Índia.

De acordo com Chade, em negociações na Organização Mundial do Comércio, o Brasil aliou-se aos Estados Unidos de Donald Trump para criticar a proposta da Índia de derrubar as patentes para vacinas.

A intenção do chanceler Ernesto Araújo e do presidente Jair Bolsonaro seria facilitar a entrada do Brasil na OCDE, ao lado dos países ricos. Os EUA indicaram o Brasil como próximo país a negociar a entrada na organização.

A posição da Índia, que historicamente já foi a do Brasil, é de facilitar a produção de remédios nos paises mais pobres.

O governo indiano, de acordo com Chade, argumenta que “um grande número de instalações de fabricação em muitos países com capacidade comprovada para produzir vacinas seguras e eficazes são incapazes de utilizar essas capacidades devido a novas barreiras de propriedade intelectual”.

É o caso do Brasil, que tem fábricas de vacina no Butantan e na Fiocruz.

Ao apoiar a posição das farmacêuticas, que pressionam por estender a propriedade intelectual, Bolsonaro rompeu com a política histórica do Itamaraty.

No segundo mandato de FHC, o ministro José Serra, da Saúde, batalhou pela quebra de patentes que ajudou no surgimento dos genéricos e desagradou a indústria farmacêutica.

Agora, o Brasil chegou a adesivar um avião para ir buscar doses da vacina de Oxford na Índia. Porém, depois de fazer a primeira escala, o avião nem seguiu viagem.

A Índia, por sua vez, anunciou que vai começar a distribuição da vacina pronta para aliados geopolíticos, como Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar, Seicheles, Sri Lanka, Afeganistão e as Ilhas Maurício.

A Fiocruz e o Instituto Butantan dependerão de insumos vindos da China para produzir as respectivas vacinas totalmente no Brasil, mas apenas a longo prazo.

Quanto mais dificuldades o país tiver para conseguir a matéria prima, mais tempo vai levar para fazer uma imunização na escala exigida, prorrogando os efeitos da pandemia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que vai visitar o embaixador chinês em Brasília, Yang Wanming, para tentar superar a crise entre o governo Bolsonaro e o governo da China.

“O governo brasileiro interditou a relação com a China. Só fazem ataques ao embaixador. Agora está provada a importância do diálogo diplomático. Precisamos ao menos saber o que está acontecendo, qual é a razão de os insumos não chegarem ao Brasil”, disse Maia.

Wanming é alvo de ataques do chanceler Ernesto Araújo e do filho do presidente da República, deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Poe enquanto, o Brasil é dependente dos IFAs (Ingrediente Farmacêutico Ativo) produzidos na China para produzir aqui mesmo tanto a Coronavac quando a vacina da AstraZeneca/Oxford.

Queimar a relação do Brasil com fornecedores chineses pode ser uma forma de Bolsonaro prejudicar seu nêmesis, o governador de São Paulo, João Doria, que colheu os frutos de marketing da chegada da Coronavac, mas também prejudicaria a Fiocruz.

Por trás da disputa paroquial, representantes da Pfizer acusam a China de tentar desmoralizar a vacina que está sendo aplicada nos Estados Unidos, enquanto os chineses reclamam que a mídia ocidental está colocando em dúvida a eficácia dos imunizantes produzidos em território chinês.





2 comentários

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Zé Maria

19 de janeiro de 2021 às 23h29

Apesar do Reverendo Araújo haver retirado o B do BRICs, transformando Países Parceiros
em inimigos, submetendo-se aos interesses exclusivos dos Estados Unidos da América,
ainda assim há um Contrato Assinado
com o Laboratório Britânico AstraZeneca.
Deve o Brasil, portanto, exigir o Cumprimento desse Contrato.

https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/contrato_vacina_astrazaneca_fiocruz.pdf

https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-divulga-contrato-de-encomenda-tecnologica-com-astrazeneca

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Rocha Pinto

19 de janeiro de 2021 às 19h10

O exército tem um pensamento engessado, padronizado, podem crer que tem um monte de oficial que tem o mesmo modo de pensar e agir do Bozo, afinal todos estudaram no mesmo lugar.
Só os boooocos dos bolsonaristas não viram isso. Vingança futura. E nem chamo isso de vingança.
O povo endeusa o exército, que matou muito pai e mãe de família na ditadura.
Vemos com os próprios olhos que os que mandam no exército são limitados intelectualmente igual o Bozo.
E agora comprarão onde e de quem ? E por qto ? Dos EUA. Mas por quanto. 3x mais caro devido a patente. Até deu trocadilho.
Um cara desses só pode ter entrado no exército pela mesma porta que saiu de lá, ou seja, pela porta dos fundos. Só sabe fazer conta. Não leu a história, geografia etc. Leu a estória contada pelos generais e só.
Não é de hj que eu desconfio de fraude nesses vestibulares de faculdades militares. Deve ter muito filho de general e coronel que deve entrar nas forças atraves de mutreta do pai oficial. Mas já sei essas forças junto com o judiciário são as virgens no puteiro Brasil.
Isso que dá ser fundamentalista e encabeçar no governo além de general que NUNCA foi numa guerra um monte de fundamentalista crente.
Não é a toa que os chamam de GORILAS.

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