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Diário da Resistência


Decisões arriscadas de Barbosa fazem Genoino perder avaliações
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Decisões arriscadas de Barbosa fazem Genoino perder avaliações


09/01/2014 - 20h14

por Conceição Lemes

Hoje faz 54 dias que José Genoino, ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PT, está preso em Brasília.  Inicialmente, na Penitenciária da Papuda. De 24 de novembro em diante, em prisão domiciliar provisória na casa de uma filha que mora no Distrito Federal.

Genoino, um dos réus da Ação Penal 470, o chamado mensalão, foi sentenciado a 6 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto.

Porém, devido a problemas de saúde, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF)  para cumprir, de forma permanente, a pena em casa.

Em 2 de dezembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou-lhe prisão domiciliar durante 90 dias e reavaliação da situação após esse prazo.

Em seu parecer  ao ministro Joaquim Barbosa, relator da AP 470 e presidente do STF, Janot afirma:

29. “Diante das provas contidas nos autos, conclui-se que o requerente apresenta graves problemas (delicada condição de saúde) e que corre risco se continuar a cumprir a pena no presídio, onde as condições para atendimento de problemas cardiológicos são extremamente limitadas ou até inexistentes, no caso de ocorrências em período noturno ou nos finais de semana. Sua permanência  em cárcere,  por pouco mais de  dez   dias,   caracterizou-se  por  diversos   episódios   de   pressão   alta,  alteração na coagulação e outros sintomas que demandaram  não só consultas  médicas e exames,  mas também internação hospitalar [grifo em negrito é do próprio procurador-geral da República].

 Como até 26 de dezembro, Barbosa não havia se posicionado, os advogados de  Genoino, Luiz Fernando Pacheco e Claudio Demckuc de Alencar, solicitaram que a prisão domiciliar fosse transferida de Brasília para São Paulo.

Afinal, é aqui, na cidade de São Paulo, que Genoino tem a sua única moradia, vivem a sua companheira Riocco, dois outros filhos, genro e dois pequenos netos.

Além disso, fica em São Paulo a equipe que o operou, em julho de 2013, de uma gravíssima e quase fatal dissecção da aorta e é responsável pelo controle periódico da sua situação médica.

Em 27 de dezembro, Barbosa concordou com a prisão domiciliar por 90 dias. Porém, negou o pedido de transferência de Genoino para São Paulo a fim de cumprir, provisoriamente, pena domiciliar.  Mais. Adiantou que é “forte” a probabilidade de Genoino voltar para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Resultado: Genoino, desde que foi preso, deixou de fazer duas avaliações médicas previstas anteriormente ao encarceramento.

Uma delas com o dr. Rubens Brito, responsável pelo setor Otorrinolaringologia do Hospital Sírio-Libânes, agendada para novembro.

Logo depois da dissecção da aorta, Genoino ficou com rouquidão. Ela poderia ser decorrente do efeito provocado nas cordas vocais pela entubação durante a cirurgia para corrigir a dissecção da aorta. Mas poderia ser também consequência de anos e anos de tabagismo. Por isso o médico agendou uma biópsia das cordas vocais.

A outra avaliação perdida foi nessa quarta-feira 7, com o médico Roberto Kalil Filho, que desde a operação coordena a equipe que acompanha e orienta Genoino em sua convalescença. Entre outras verificações nessa consulta, seria feita a da coagulação sanguínea, para se decidir se ele continua tomando anticoagulante e em que dosagem.

Em seu despacho, Barbosa disse:

Relativamente à reavaliação da saúde do condenado, ela deverá ser feita no lugar do cumprimento atual da pena, ou seja, em Brasília. Caso o apenado pretenda trazer o médico de sua preferência para realizar os exames necessários no Distrito Federal, deverá fazê-lo às suas próprias expensas.

Para começar, como Genoino bancaria a ida do médico do Sírio-Libanês de São Paulo para Brasília e os exames necessários?

Barbosa diz que é para fazer a avaliação com médico de Brasília. Só que:

1. Todo o prontuário médico está em São Paulo.

2. Genoino não fez uma cirurgia banal que qualquer médico pode acompanhar.

3. Genoino foi submetido à mais complexa e grave cirurgia cardíaca. Foi feita por um dos mais competentes cirurgiões cardíacos da atualidade, o discreto doutor e professor Fábio Jatene.

4. O acompanhamento tem de ser rigoroso, assim como o controle de suas doenças associadas.  E isso tem de ser feito preferencialmente por quem conhece bem a história e o quadro do paciente. No caso, a equipe médica de São Paulo. Que, diga-se de passagem,  deu-lhe alta hospitalar, mas não alta médica!

Pois bem. E se, de repente, nesse período Genoino tiver em Brasília, po r exemplo, uma dissecção da aorta em outro ponto?

Genoino só se salvou, pois foi operado rapidamente por um cirurgião brilhante, cercado por uma equipe de primeiríssima linha. O melhor que medicina brasileira pode oferecer.

Em Brasília, ele provavelmente não terá esse mesmo padrão de atendimento médico.  E seu risco – dissecção da aorta é frequentemente fatal —  poderá ser maior. Tanto que a maioria dos políticos vem se tratar em São Paulo.

A rouquidão de Genoino, que ainda persiste, pode ser apenas sequela da entubação. Mas, eventualmente, um tumor nas cordas vocais. Se for a segunda hipótese, quanto mais demorado o diagnóstico, pior a probabilidade de cura.

Por tudo isso, talvez Joaquim Barbosa ainda não tenha se dado conta de que com suas medidas Genoino possa ter a vida abreviada.

Diferentemente da impressão que passam as suas decisões em relação a Roberto Jefferson, delator do mensalão.

Do contrário, como  explicar que Jefferson continue solto,  apesar  da pena maior, de confessar o recebimento de R$ 4 milhões e de o procurador-geral Rodrigo Janot  já ter recomendado o cumprimento da pena em regime semiaberto?

Em tempo. Insisto no que já disse em reportagens anteriores. Eu, Conceição Lemes, acho que o STF deveria conceder prisão domiciliar tanto a Genoino quanto a Jefferson.

Leia também:

Patrick Mariano: “A decisão de não transferir Genoino é ilegal, arbitrária e desumana”

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



50 comentários

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Laura

11 de janeiro de 2014 às 16h03

Estão colocando a vida de Genoíno em perigo. São fundamentais essas revisões, que estão sendo esquecidas por esses Ministros. Ele foi preso quando tinha 4 meses de uma cirurgia seríssima. Há de ter um acompanhamento muito grande do seu estado de saúde.

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Paulo Gomes

11 de janeiro de 2014 às 15h25

Quem está pagando a viagem de ferias do quincas em Miami? Será que ele foi rceber o pagamento pelos serviços prestados aos patrões americanos para a derrubada fo PT? Fica a pergunta que alguem possa responder.

Responder

FrancoAtirador

11 de janeiro de 2014 às 03h36

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PARCEIROS DA FAMÍLIA GENOINO

AS DOAÇÕES PARA JOSÉ GENOINO

Por que estamos aqui?
José Genoino dedicou os quase 50 anos de sua vida pública à militância política.
Como líder estudantil, guerrilheiro no Araguaia, preso político durante a ditadura, ativista social, fundador do PT, parlamentar brilhante e dirigente político, sempre esteve ao lado do povo, da democracia e das lutas sociais.
Poucos têm uma história de vida tão comprometida com a justiça social e a liberdade.

A família de Genoino – Rioco, Miruna, Ronan e Mariana – tem todos os motivos para se orgulhar dele e muitos outros também.

Condenado sem provas por um tribunal que se dobrou a um linchamento midiático, Genoino está sendo alvo agora de uma perseguição rancorosa e odiosa.
Apesar de seus gravíssimos problemas de saúde, continua a sofrer ameaças e constrangimentos intoleráveis da parte de algumas autoridades.

Nas últimas horas do dia 7/01/2014, ele foi notificado de que deve pagar uma multa de R$ 667.513,92 até o dia 20/01/2014.
Como todos sabem, Genoino não tem patrimônio para arcar com tal despesa.

Os amigos de Genoino, seus companheiros, eleitores e admiradores, os homens e as mulheres de bem não vão deixar.

Vamos levantar nos próximos dias o dinheiro para quitar a multa. Cada um contribuirá com o que estiver a seu alcance.

Que fique bem claro que não estamos reconhecendo nenhum fundamento de justiça na multa.
Mas não ficaremos parados quando se busca humilhar um homem da estatura moral e política de Genoino.
Não recusaremos a oportunidade de responder à maldade com solidariedade, à mesquinhez com altivez, à perseguição com muita luta no coração.

Os que têm a alma ínfima e a vaidade suprema não triunfarão.
O Brasil sempre foi – e continuará sendo – maior do que eles.

Genoino, você não está só.

Somos todos Genoino!

PARA SABER COMO CONTRIBUIR,
CLIQUE AQUI: (http://www.apoiogenoino.com/#!para-contribuir/cmpm)


http://www.apoiogenoino.com

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Antônio

10 de janeiro de 2014 às 22h12

Fonte: Uol notícias

ustiça aumenta multa que Genoino deve pagar no processo do mensalão

André Richter
Da Agência Brasil, em Brasília
10/01/201419h09

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal aumentou o valor da multa que o ex-deputado José Genoino, condenado a quatro anos e oito meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão, deve pagar à Justiça devido à condenação. Com a correção monetária, Genoino terá até o dia 20 de janeiro para pagar R$ 667,5 mil. Mais quatro condenados também tiveram os valores das multas reajustados.

Durante o julgamento do processo do mensalão, ficou definido que a multa de Genoino seria de R$ 468 mil. No entanto, de acordo com Código Penal, o valor final da multa deve ser corrigido monetariamente após fim do processo. Os crimes praticados pelo ex-deputado ocorreram em 2003.

Os valores das multas foi determinado na última segunda-feira (6), e os condenados têm dez dias para fazer o pagamento. Se não houver pagamento, o débito será inscrito na Dívida Ativa da União, e os bens particulares podem ser confiscados pelo governo como garantia de pagamento.

A Justiça do Distrito Federal reajustou as multas de outros quatro condenados. Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócios do publicitário Marcos Valério, terão que pagar R$ 3,96 milhões e R$ 2,65 milhões, respectivamente. O ex-deputado federal Valdemar Costa Neto foi multado em R$ 1,6 milhão. A multa de Valério também foi reajustada, mas o valor não foi divulgado.

A família de Genoino criou um site para arrecadar doações para pagar a multa. Segundo os parentes, o ex-deputado não tem dinheiro para quitar o débito. Em nota divulgada hoje (10), o presidente do PT, Rui Falcão, pediu que os militantes do partido ajudem Genoino a pagar a multa. “Como o PT, em virtude da lei, não pode utilizar recursos próprios e nem do Fundo Partidário, propomos esta corrente de solidariedade que deve, igualmente, estender-se aos companheiros José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha”, afirmou.

Responder

FrancoAtirador

10 de janeiro de 2014 às 15h40

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Uma solução para o martírio financeiro de Genoíno e o pânico da mídia

Se Lula fizesse três ou quatro palestras e encaminhasse a receita para Genoino, o martírio financeiro deste seria resolvido.
Mas o que diriam Globo e Veja?

Por Paulo Nogueira, na Carta Maior

Tem sido reveladora a reação de muitos petistas…

A maior objeção é aquela que você pode imaginar:
o que a mídia dirá?
O que a Globo faria com uma coisa dessas?
Já pensou no que o Jornal Nacional colocaria no ar?

Refleti de mim para mim: pobre Genoino.
Sempre no fim da fila quando se trata de definir prioridades.
Só Miruna e uns poucos o colocam no topo.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o grau de intimidação, de medo, de pavor que exala dessa especulação sobre como a mídia reagiria.

Enquanto não for vencido o sentimento de pânico que as pessoas têm da mídia pouca coisa se fará no Brasil.

É incrível como perdura esse pânico, mesmo depois de sucessivas derrotas da mídia em eleições vitais no Brasil.

É um terror que imobiliza, que paralisa o país.

Se a cada passo rumo a uma sociedade justa você parar para pensar no que Globo, Folha ou Veja vão fazer, você simplesmente não andará.

As coisas mudaram.

Revistas e jornais estão morrendo à míngua de leitores, e a audiência da Globo é uma fração diante do que foi no passado.

A influência da chamada mídia corporativa é hoje muito menor do que foi ontem, e muito maior do que será amanhã.

Veja Haddad, eleito do nada contra o famoso Serra em plena histeria do Mensalão e sob apoio maciço das companhias jornalísticas.

O paradoxo deste quadro é que, mesmo com perda copiosa de influência, a mídia comanda a agenda dos políticos do país.

O Brasil terá dado um grande passo quando os políticos se perguntarem, diante de possíveis medidas, o que pensa a sociedade – e não a Globo.

Íntegra em:

(http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Uma-solucao-para-o-martirio-financeiro-de-Genoino-e-o-panico-da-midia/4/29979)
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Responder

lulipe

10 de janeiro de 2014 às 14h45

Será que esse chororô vai perdurar em 2014???

Responder

francisco pereira neto

10 de janeiro de 2014 às 13h59

Sabe porque a direita está se dando bem? E defino direita como: É apenas um rótulo que não reúne um conteúdo programático que se juntam para constituir um partido. São apenas interesses de uma elite sem se importar com quem esteja no poder. Nos últimos doze anos, pouco estão se lixando com os governos Lula/Dilma mais base aliada(?), pois seus interesses continuam sendo preservados e até em condições melhores do que se tivessem no poder governantes das suas preferências. Mas isso pouco importa. O que importa é que eles continuam mandando. O motivo é a fragmentação das forças de esquerdas( que merece também uma extensa definição, nos mesmos moldes da direita, mas com ideias antagônicas e que contudo, as vezes se confundem com a própria direita) que dizem se reunir em grupos nas redes sociais, nos blogs ou em poucas publicações impressas.
Aqui neste blog muitos chegam a acusar o Azenha ou a Conceição, quando eles opinam, como partidários do Psol!
Acabei de ler a entrevista no site Carta Capital por Sérgio Lirio o autor do livro “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente e o editorial por Mino Carta.
A entrevista mais o editorial na Carta e este artigo da Conceição é a síntese do momento político que vivemos, condensado dos doze anos de governos trabalhista(?)
Mudou alguma coisa? Mudou bastante, mas não o essencial. A elite do nosso(?) país continua governando. Essas matérias são provas cabais da impotência da maioria, analfabetos políticos, frente a uma minoria articulada – políticos oportunistas, grande mídia, Ministério Público e o STF que fazem o que bem entendem na maior cara dura.
O artigo da Conceição é apenas um aspecto de uma conjuntura que está em operação e que não tem data marcada para acabar. Pouco importa se Dilma se reeleger. O essencial continuará sendo a nossa meta, mas não de quem vier assumir o governo, porque os analfabetos políticos continuarão vicejando suas ignorâncias. E nessa condições, vale o que está escrito. E o que está escrito é o que é massificado na grande imprensa. Diz-se tudo contra o governo, não tendo o menor escrúpulo de mentir e esconder tudo que for mexer com os seus interesses. Daniel Dantas, Mensalão Tucano, Satiagraha, Banestado, Privataria Tucana, Príncipe da Privataria, Lista de Furnas, elipópeto dos Perrelas, amigão de Aécio Neves, caso Siemnens/Alstom, máfia do IPTU da prefeitura de São Paulo, suspensão por Joaquim Barbosa do reajuste do IPTU, Verônica Serra listada na Forbes como uma das bilionárias do país, decisão recente do ministro Marco Aurélio em desmembrar a denúncia do Trensalão… enfim isso é que não fica gravado nas mentes dos ignorantes político consciente e inconscientes. Até porque eles escondem. E essas pessoas usam o argumento que o PT assumiu o governo prometendo que iria fazer tais coisas e não está fazendo. Com Lula no poder e sua retórica conseguia neutralizar essa tendência. Com Dilma a situação é preocupante, pois além de fazer um monte de besteiras (se vergou ao mercado financeiro), tentativa esdrúxula de se aproximar da Globo, verbas generosas da Secom alimentando esse câncer e decisão na calada da noite do último dia do ano de um contrato viciado, o Congresso aprovando mais de dois milhões em material escolar para a editora Abril, a pedido do MEC.
Zé Dirceu e Genoino estão encarcerado com todos os erro clamorosos do STF. Mas José Roberto Arruda, Carlinos Cachoeira, Marconi Perilo, Demostenes viajando para a Itália, toda a máfia do trensalão estão soltos.
Sinceramente não sei o que mais dizer ou fazer. Resignar? Nunca. Mas o que fazer, ainda não sei.

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Heitor

10 de janeiro de 2014 às 13h16

Apoio a José Genoíno: http://www.apoiogenoino.com/

Responder

Luís Carlos

10 de janeiro de 2014 às 11h40

As viúvas do Barbosa tentam negar as práticas torpes do presidente do STF e do CNJ, querendo pautar o Viomundo pela mídia corporativa, a mesma que deu emprego ao filho de Barbosa, e consegue que ele faça tudo que ela deseja. Se fosse assim, o Viomundo deixaria de ser o lugar onde nós vemos o que não vemos na grande mídia.
Denunciar Barbosa e sua subserviente postura de agradecimento ao emprego do filho é obrigação.

Responder

José Neto

10 de janeiro de 2014 às 11h05

Você e o Tiago seriam bem mais honestos e autênticos se se indignassem com o sistema judiciário brasileiro em geral, pois não é só no Maranhão que tem presídios com superlotação e com facções que dominam o sistema carcerário, não vi vocês comentarem sobre o PCC que domina SP há anos. Não seriam mais justos se ao invés de querer pautar o blog criassem um e lá discutiriam os temas que mais lhe conviessem? Quem sabe consigam discutir com a profundidade que desejam?

Responder

    Mário SF Alves

    10 de janeiro de 2014 às 11h25

    Ih!
    _____________________________

    Aí, José Neto, po-li-da-men-te, na moral, chama nos brios. Mesmo porque, os olavetes e os reinaldetes andam em polvorosa nesses últimos dias.
    __________________________________________
    Se não se faz alguma coisa, a miopia política e o discurso anti-PT acabam por embotar a capacidade de raciocínio deles.

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 11h27

    José
    Jurava que Capilé era da turma dos que são conta direitos humanos e insistem em afirmar que “bandido bom é bandido morto”. Vai ver eu estava errado e ele não é do time do Bolsonaro e cia mas defensor dos direitos humanos. Quem sabe Capilé e Tiago também defendam reparação às vítimas de torturadores da ditadura, aos presos políticos, cadeia para torturadores, estupradores e assassinos da ditadura. Pena que ainda não se manifestaram sobre isso, nem sobre os assassinatos de jovens negros na preferia de SP pela polícia.

    Tiago

    10 de janeiro de 2014 às 13h36

    Prezado colega José Neto, de fato, como não se indignar com o sistema prisional brasileiro “em geral”, transformado em menos que um canil de pessoas? Sistema este subordinado ao Ministério da Justiça, a 12 anos administrado pelo mesmo partido. Quais ações, quais planos, qual projeto, quais soluções para o problema foram apresentadas nesses 12 anos?

    Claro que isso vale igualmente para SP. Mas, se o caos se instalasse nos presídios paulistas, os “progressistas” seriam os primeiros a escrever sobre a “falência do modelo tucano”.

    Eu gostaria que todos os presos cumprissem suas penas em condições humanas, e creio que você concorde. Sejam eles Genoino, Dirceu ou qualquer outro. Espantosamente, apesar da situação calamitosa não ser nenhuma novidade, os “progressistas”, de gogó tão grande, só parecem se interessar pelo assunto se a prisão for a Papuda e se o preso for do PT. Ou se o estado em questão for administrado pelo PSDB.

    E não pretendo “pautar” nada nem ninguém. Não sou eu que me considero o “contraponto à midia golpista” ou que vivo a procura de provas de “golpismo” nos jornais.

    Prezado colega Luís Carlos, lhe respondendo,

    Não, uma coisa não exclui a outra.

    Sim, sou a favor de “reparação às vítimas de torturadores da ditadura, aos presos políticos, cadeia para torturadores, estupradores e assassinos da ditadura”.

    Mas queria que a esquerda se preocupasse com os brasileiros tratados como animais nas nossas prisões da mesma forma que se importa com os presos da ditadura. Mas não conto com isso. E com nossos governantes, menos ainda. Seja lá de que partido forem, parecem não se importar. O tema nem está em suas pautas.

    Se o próprio ministro da Justiça, no qual eu já votei para vereador e deputado, diz que “prefere morrer” do que entrar em um presídio, é a deixa ideal para inferirmos o “projeto” do governo para o assunto.

    Uma criança morreu queimada, como sabem, em algo que eu só consigo chamar de um atentado terrorista em São Luís. A “governanta” da nação não disse uma palavra.

    Hoje vi um post no site do Paulo Henrique Amorim, com uma imagem do Barbosa carregando a cabeça cortada do Genoino.

    Para a cabeça do Genoíno, a esquerda em bloco se mobiliza.

    Para a cabeça dos infelizes no Maranhão, silêncio.

    Uma pena.

    lulipe

    10 de janeiro de 2014 às 16h37

    É a conhecida seletividade ideológica da esquerda-caviar, caro Tiago.

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 17h34

    Tiago
    Concordo com sua crítica às condições de presídios, do MA e de todo país, porém, esta situação tem sido explicitada por todas as mídias, como deveria ser, mas infelizmente em outros estados com siituações semelhantes não. A população carcerária do DF (própria Papuda), SP, RJ, MG, por exemplo, passam por isso, e nenhuma palavra na grande mídia. Lembramos do caso do PCC tocando horror no estado de SP e certos veículos pareciam os três macaquinhos, surdos, cegos e mudos, absolutamente mudos, e pior, dissociados da realidade, vendendo versão absurda dos fatos. A seletividade acusada pelo Lulipe ( tucano velho conhecido de todos aqui) é justamente daqueles que falam em direitos humanos apenas quando lhes convém, mas que pregam permanentemente a redução da maioridade penal ou assassinatos de “bandidos”, geralmente jovens negros de periferia.
    Discordo de você em uma coisa, não votei e não votarei em Cardozo.

    José Neto

    10 de janeiro de 2014 às 17h53

    Caro amigo Tiago, em primeiro lugar agradeço a forma respeitosa que me tratou, é raro em blogs e no dia a dia. Acho que não foram de 12 anos para cá que pioraram o tratamento nas prisões brasileiras, isso vem desde a invasão do Brasil pelos portugueses. Creio que a sua indignação seja a mesma minha, pois com o PT no poder eu imaginava que a Luta Antimanicomial teria mais prioridade, não ocorreu como desejava, que teríamos mais rádios e tvs comunitárias, ouve mais repressão, e em se tratando de presídios, criou-se um poder paralelo sustentado pela rede de tráfico de influência, armas e drogas com a ajuda de agentes penitenciários e policiais corruptos em todas as esferas. Neste momento grave de transição, pois nossa democracia é recente e sempre que se busca consolidá-la aparecem aqueles que sempre estiveram ao lado dos que detém o poder econômico e iniciam o processo de desconstrução dos avanços sociais obtidos até o momento. Por isso sei o que temos de enfrentar, como bem disse Marx: “A história de repete como farsa”, e teremos que continuar a caminhar mesmo que entre pedras e espinhos. O caso Genoíno é sintomático porque é uma personalidade e casos como o dele tem a capacidade de catalisar e atrair os olhares da grande mídia, mas em contrapartida ouvimos os discursos moralistas da oposição de há inumeráveis casos como o dele que são negligenciados pelo poder judiciário, ai eu me pergunto: será que se não houvesse ocorrido a prisão dos caciques do PT, ninguém teria olhos para os presidiários comuns, ou só os vemos por que tentam impingir-lhes uma suposta culpa para que não vejam as entranhas de outros políticos e empresários podres e corruptos que a justiça faz de conta que não existem??? Pois é bom lembrar que a Injustiça que se faz a um, é ameça que se faz a todos. Continuemos a construir pensamentos e ações sobre este tema tão relevante. Forte abraço

Eduardo

10 de janeiro de 2014 às 11h05

Franco Atirador, voçê sabe como serão os sábados e domingos do Pedro Henry? É bom investigar. Como sabemos e sabe o CNJ, no Mato Grosso valem regras não republicanas. Para nascer é preciso de habeas corpus cuja concessão é condicionada.Para viver honestamente é até possivel: basta alienar-se e humilhar-se.Sem isso é quase impossivel. Para morrer basta fazer o que estou fazendo agora e dar nomes aos incontáveis bois de raça que existem por lá.

Responder

celso campos romeu

10 de janeiro de 2014 às 10h09

É sadomoquismo de quem? Os lulistas são vítimas de sua próprio pragmatismo, pelo conforto do poder!!! Lula ( a maior farsa de nossa história) juntamamente com o Poste Dilma seguem estritamente obediência à burguesia rural e financeira. As escolhas dos ministro do STF foram feitas para agradá-los… então, entre outras muitas , tentando serem bonzinhos…. deu no que deu…… Portanto, se o remédio é amargo, que o prepara incansavelmente é o próprio lulismo, por covardia….

Responder

    Mário SF Alves

    10 de janeiro de 2014 às 11h12

    Êpa! Por covardia, não.
    ________________________________
    Por prudência, respeito à história e às circunstâncias, sim. Por pragmatismo, sim.
    ____________________________________________
    Ou você esqueceu o que foi ou o que motivou o golpe de Estado de 1964?

    Ou você esqueceu como foi engendrado aquele golpe de Estado?

    Ou você esqueceu o preponderante papel dos EUA/CIA na preparação do mencionado golpe?

    Ou você esqueceu a barbaridade das torturas cometidas por sádicos psicopatas à soldo do fascismo que se apossou daquele Estado sequestrado?
    ______________________________________________________
    Ah, sim. Você poderia dizer: naquela época, de fato, o mundo estava dividido em dois pólos, imperialismo norte-americano/capitalismo de um lado e imperialismo soviético/cominismo de outros.
    ____________________________________________________
    Verdade. E é exatamente aí que a porca torce o rabo. Ora, se o comunismo faliu e, portanto, não paira mais sobre o Ocidente a nuvem pesada e temível da odiada ameaça comunista, por que o governo de coalizão da República federativa do Brasil, ELEITO para atender os direitos constitucionais do povo, vive pisando em ovos e não o faz?

    _________________________________________________________________
    A propósito, hoje fiquei sabendo pela mídia corporativa local/ES, onde nem Lula e nem Dilma jamais foram eleitos, que parlamentares do PT ainda estão avaliando se contribuem ou não para o pagamento da tal multa arbitrariamente imposta ao Genoino.

    Estranho… muito estranho…. Pelo visto o PT deve ter razões que a própria razão [mundana] desconhece.

    É… começo a duvidar… você disse COVARDIA, não foi?

    ______________________________________________
    Seja como for, tá complicado saber por onde ruma o PT. Como caminha [a torto e a direito tomando porrada] a gente já tá cansado de saber. Mas, no que vai dar essa “estratégia” ninguém sabe.

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 11h17

    Se Lula e dIlma que etão mudando o país de séculos de dominação e submissão são covardes, o que dirá de quem apenas fala …

    renato

    10 de janeiro de 2014 às 11h21

    Tenho lido muito estas mesmas palavras formando as mesmas frases contra o LULA, MAS o que mais me deixa feliz, é justamente isto..
    A total falta do que dizer…
    Ficaram de quatro diante dos problemas nacionais, e esqueceram de como se levantar, e comem daquilo que está mais próximo, GRAMA.
    Soube que estão querendo acabar com os campos para a copa!!

    Péricles

    10 de janeiro de 2014 às 12h20

    Esse é o discurso do PSOL, o pior de todos os partidos a serviço da direita.

Tiago

10 de janeiro de 2014 às 09h49

Recorde no número de homicídios, um ministro da Justiça que afirmou que “prefere morrer” do que entrar em uma prisão brasileira. Ausência absoluta de política de segurança pública.

E os “progressistas” só se importam com uma única prisão do país, chamada de Papuda. E com alguns prisioneiros privilegiados, você sabe quais são, enquanto milhares de brasileiros, criminosos cumprindo pena mas ainda assim brasileiros e seres humanos, são tratados como animais em masmorras.

Colega Capilé, se e somente se os ditos “progressistas” abordarem o caos dos presídios que você citou (e o silêncio está dizendo muito), será apenas para culpar o “pensamento conservador”.

Ou talvez, tal qual a governadora Roseana, pra culpar a “mídia” que está “perseguindo” o governo do estado.

Responder

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 11h28

    Uma coisa excluí a outra Tiago?

Aline C. Pavia

10 de janeiro de 2014 às 08h55

Barbosão Torquemada está plenamente consciente disso e faz isso de caso pensado, óbvio. A intenção talvez seja essa: apequenar-se cada vez mais, curvando-se mansamente à elitezinha e à imprensa, provando aquele velho ditado, “quanto mais se abaixa…”

Responder

Antônio

10 de janeiro de 2014 às 06h47

Para mim as coisas estão muito claras: Joaquim Barbosa é um psicopata sádico. Converse com qualquer psicólogo razoavelmente bem informado a respeito das travessuras de JB e você verá que o veredicto é sempre o mesmo :um psicopata sádico. E na Suprema Corte.

E ainda dizem que Deus é brasileiro. Eu duvido!

Responder

edir

10 de janeiro de 2014 às 06h27

Que sol maravilhoso !!! que praia linda !!! que bela cidade !!!
que apartamento confortável !!! Tudo isso em Miami as custas do dinheiro público !!! Ô mundäo sujo !!!!

Responder

Leandro

10 de janeiro de 2014 às 06h17

Enquanto isso tem massacre no Maranhão e por aqui nada….

Responder

    FrancoAtirador

    10 de janeiro de 2014 às 17h32

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    Em São Paulo tem PCC.

    E por aí, nada…
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    Le Monde Diplomatique
    Edição 36 – Julho 2010

    RESENHA

    JUNTO E MISTURADO: UMA ETNOGRAFIA DO PCC
    Karina Biondi, Ed. Terceiro Nome

    Em maio de 2006, uma onda de violência atingiu o estado de São Paulo. Rebeliões em presídios, morte de agentes públicos, ataques a bancos e a transportes coletivos paralisaram a maior cidade do país.

    O mais surpreendente é que esses eventos estariam sendo coordenados a partir das prisões, numa demonstração de força do crime organizado instalado no sistema penitenciário paulista.

    Tais acontecimentos ainda hoje são nebulosos, tanto no que diz respeito aos seus mentores quanto ao alcance e legalidade das ações repressivas das autoridades que restabeleceram a ordem.

    O maio sangrento, no entanto, deu visibilidade a um ator coletivo que, no imaginário social, tornou-se sinônimo de crime organizado:
    o Primeiro Comando da Capital (PCC).

    O livro Junto e misturado, de Karina Biondi, desmistifica essa imagem do PCC como quintessência do crime organizado ao fornecer relatos e descrições de presos e seus familiares obtidos em dias de visita nas cadeias.
    Para a autora, o PCC não é um grupo hierárquico, mas sim um coletivo sem liderança que contribuiu decisivamente para a pacificação dos conflitos entre presos no interior das prisões.

    O mérito do trabalho consiste em mostrar como a existência do PCC não pode ser compreendida sem uma reflexão acerca do sistema prisional brasileiro, com sua história de violência e iniquidade.

    Pode-se questionar se a ideia do papel pacificador do PCC não obscurece o fato de que a violência continua a ser empregada contra aqueles que não fazem parte do Comando – entidades rivais, presos estigmatizados etc. –, já que se trata de regular um espaço de ação necessariamente violento: o mundo do crime.

    A existência do PCC aponta para um problema político incontornável na sociedade brasileira: o respeito aos direitos humanos, mesmo os daqueles condenados pela justiça.
    A atuação do Comando, porém, baseada no emprego da violência, o coloca aquém do horizonte da democracia.
    De qualquer modo, o livro de Biondi fornece novas perspectivas para a discussão da violência nas prisões brasileiras.

    Marcos César Alvarez
    Professor de Sociologia da USP e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência – NEV

    (http://www.diplomatique.org.br/resenhas.php?edicao=36)
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    PCC: “Paz entre os ladrões”

    Em entrevista à CH, a antropóloga Karina Biondi analisa esse fenômeno social complexo, o Primeiro Comando da Capital (PCC), que proibiu nas prisões o craque, a agressão, o estupro, as mortes sem autorização, o porte de facas e até palavrões.

    Por Cássio Leite Vieira, na Revista Ciência Hoje – CH/RJ

    Este ano, quando completa o 10º aniversário de sua hegemonia nas prisões paulistas – estima-se que hoje tenha influência em torno de 90% das cerca de 150 delas – e de sua refundação, quando acrescentou o ‘Igualdade’ ao lema ‘Paz, Justiça e Liberdade’,
    o PCC (Primeiro Comando da Capital) lançou a ameaça de uma ‘Copa do mundo do terror’- [será mesmo que foi o PCC que lançou o lema? Ou é um bode expiatório preventivo?] -, caso seus membros sejam transferidos para o isolamento, como prometem as autoridades de segurança em retaliação a um suposto plano para matar o governador Geraldo Alckmin.

    A CH entrevistou a antropóloga Karina Biondi, da Universidade Federal de São Carlos, para entender esse fenômeno social complexo, que proibiu nas prisões o craque, a agressão, o estupro, as mortes sem autorização, o porte de facas e até palavrões.
    Autora de ‘Junto e misturado: uma etnografia do PCC’ (São Paulo: editora Terceiro Nome, 2010), Biondi há anos pesquisa o assunto, que lhe surgiu como tema de mestrado e doutorado,
    depois da prisão do marido – inocentado, após quase seis anos aguardando julgamento [!!!]–,
    quando passou a visitar prisões paulistas.

    Ciência Hoje: Parece difícil definir o PCC. Usa-se facção, grupo, associação, coletivo etc. Como a senhora o definiria?

    Karina Biondi: Realmente, é difícil oferecer algo que pudesse fornecer uma moldura a um fenômeno tão complexo.
    Já o caracterizei como um coletivo, quando tomei de empréstimo esse conceito de outro autor, para me desvencilhar da ideia de ‘crime organizado’.
    Mas a melhor definição é a que os próprios integrantes oferecem: o PCC é um movimento.
    E isso quer dizer que não obedece a limites espaciais, que não adquire formas definidas.
    Toda a terminologia usada por seus integrantes remete a essa definição: quando alguém (geralmente um ‘correria’) ingressa no PCC, diz-se que ‘entrou para a caminhada’; as diferenças que o PCC expressa são denominadas ‘ritmo’; quando se pretende alcançar um objetivo, procura-se ‘levar a ideia adiante’.

    De fato, em minha pesquisa, deparei-me com um PCC que não se restringia ao conjunto de seus integrantes, que estava presente mesmo onde não havia nenhum membro e que se apresentava de formas variadas a depender do ponto de vista adotado.
    É possível dizer que não existe um, mas vários PCCs possíveis e que só se efetuam na medida em que acontecem.
    Por isso, em vez de definir ou pressupor o PCC como força exterior que molda os indivíduos que a integram, passei a me esforçar para descrever como esse movimento acontece, como sua existência é alimentada pelas relações mais sutis, cotidianas, triviais.

    Ciência Hoje: O PCC foi fundado em meados da década de 1990. Há uma década, depois de enfrentar facções, obteve sua hegemonia nas prisões paulistas. O que levou a população carcerária a aderir majoritariamente ao PCC?

    Karina Biondi: O índice de mortes nas prisões era bastante elevado quando do surgimento do PCC, cuja expansão não se deu sem muito derramamento de sangue
    O índice de mortes nas prisões era bastante elevado quando do surgimento do PCC, cuja expansão não se deu sem muito derramamento de sangue.
    Mas, à época, o PCC era apenas um dos vários agrupamentos que disputavam espaço nos estabelecimentos penais, e a força física não era um diferencial seu.
    Como se diz, era uma época do ‘cada um por si’, em que ‘vencia o mais forte’.

    Nessa situação, aliada à força física – o que os presos chamam ‘disposição’ –, as ideias que propagavam eram muito sedutoras:
    estabelecer tanto a ‘paz entre os ladrões’ – para dar fim às extorsões, à violência sexual, exploração e às mortes por banalidades comuns no ambiente prisional – quanto a ‘guerra contra a polícia’ – cujo objetivo principal seria lutar contra o que os presos chamam ‘opressão carcerária’.

    Ciência Hoje: A senhora diria que a ‘paz entre os ladrões’ foi fruto de um ou mais fundadores que perceberam que as energias, forças e vontades da população carcerária – então, em situação caótica, na base do ‘cada um por si, que vença o mais forte’ – poderiam ser canalizadas contra um inimigo comum: o Estado e sua polícia?

    Karina Biondi: Mais do que ser fruto dos fundadores, é efeito de uma série de acontecimentos: as repercussões do massacre do Carandiru;
    o crescimento vertiginoso da população carcerária no estado de São Paulo;
    a transferência desse enorme contingente para longe dos olhos da maioria da população paulista;
    o recrudescimento das práticas penais – cujo ponto alto foi, posteriormente, a criação do Regime Disciplinar Diferenciado.

    O sucesso da ideia de ‘paz entre os ladrões’, por sua vez, não pode ser dissociada das reações do Estado – como transferências e isolamento dos que eram considerados líderes – e do que, na antropologia, costumamos chamar ‘política do cotidiano’ ou ‘pequena política’, ou seja, as mais triviais relações travadas cotidianamente.
    Foram elas as determinantes para a atual dinâmica do PCC.

    (http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/310/pcc-201cpaz-entre-os-ladroes201d)

    Íntegra da entrevista com a antropóloga Karina Biondi,
    publicada na Revista Ciência Hoje – CH 310 (dezembro/2013):

    (http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/310/pdf_aberto/entrevista310.pdf)
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Sr.Indignado

10 de janeiro de 2014 às 03h50

Para a nação custou MUITO caro o tratamento nas costas de Barbosa, no exterior principalmente, sem perder um único dia de salário, sem trabalhar. Porque não se tratou num posto de saúde em Brasília. Tem que dar o exemplo.
E agora, senhores congressitas?

Responder

    Ana Cruzzeli

    10 de janeiro de 2014 às 12h20

    O Sarah reabilitação de Brasilia está entre os 3 melhores do mundo. Totalmente custeado pelo SUS
    Ele ter ido para a Alemanha não tem justificativa a não ser fazer turismo

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 17h38

    Exatamente Ana. Mesmo porque o Sarah tem esse custeio total do SUS previsto em lei federal 8080/90.

FrancoAtirador

10 de janeiro de 2014 às 02h54

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CONTERRÂNEO CORRELIGIONÁRIO DE GILMAR
RECEBE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA TRABALHAR
FORA DO PRESÍDIO NO ESTADO DO MATO GROSSO
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Condenado pelo mensalão, Pedro Henry já trabalha fora do presídio

O ex-deputado do PP conseguiu na tarde de quarta (8)
autorização para trabalhar como coordenador administrativo
do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, um dos maiores da rede privada
do estado do Mato Grosso, terra natal do ministro Gilmar Mendes.

Por Najla Passos, na Carta Maior

Brasília – Dos condenados pela ação penal 470, o ex-deputado Pedro Henry (PP-MT) foi o primeiro a conseguir autorização judicial para trabalhar fora do presídio.

A decisão foi assinada na tarde de quarta (8) pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Geraldo Fidélis, e na manhã desta quinta (9) ele já se apresentou para o trabalho como coordenador administrativo do Hospital Santa Rosa, um dos maiores da rede privada de Mato Grosso.
Seu salário mensal será de R$ 7,5 mil.

Embora seja médico, Henry ficará responsável por trabalhos administrativos, como elaborar a escala da instituição.
Ele não atenderá pacientes.
Trabalhará de segunda a sexta, das 7h às 17h, e no sábado, de 7h às 14h. A autorização judicial, entretanto, libera o ex-deputado das 6h às 19h, o que o permitirá tomar banho e fazer refeições em casa.
O restante do período terá que passar na prisão.
Pela decisão, ele será monitorado por tornozeleira eletrônica e não poderá frequentar prostíbulos e casas de jogos, além de estar proibido de ingerir bebidas alcóolicas.

Henry cumpre pena de sete anos e quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Presidente do PP à época do escândalo do mensalão, foi condenado por receber R$ 3 milhões das agências de publicidade de Marcos Valério.

Renunciou ao seu quinto mandato como deputado e se entregou à Polícia Federal de Brasília (DF) no dia 13 de dezembro, quase um mês após a prisão dos réus petistas, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado e ex-presidente do partido, José Genoíno.

Suspeita-se que na ânsia de prender os réus mais “midiatizados” do processo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, quase se esqueceu de encaminhar a dele.

No dia 27/12, Henry foi transferido, conforme autorização de Barbosa, para a Penitenciária Central do Estado, a Polinter, em Cuiabá, capital de Mato Grosso, estado de sua residência.

Ex-secretário de Saúde no atual mandato do governador Sinval Barbosa (PMDB), foi presidente da Companhia de Água e Esgoto na gestão do governador tucano Dante de Oliveira e também atuou na equipe do primeiro ano de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Tem amigos influentes em todos os lados, inclusive no Judiciário:
foi o único dos réus do “mensalão” absolvido pelo ministro mato-grossense Gilmar Mendes, o que mais pesou a mão na condenação dos demais, especialmente os petistas.

Agora, volta a mostrar sua força no setor:
em pouco tempo conseguiu uma boa colocação no mercado e, o mais difícil, viabilizá-la judicialmente.

Embora a medida seja legal e prevista em lei, outros condenados pela mesma ação não tiveram a mesma sorte:
por pressão da mídia e do próprio judiciário, Dirceu acabou desistindo da vaga de gerente de hotel em Brasília, na qual receberia salário mensal de R$ 20 mil.

Com o trabalho, Henry poderá reduzir sua pena em um terço e, se tudo correr bem, já estará livre da prisão no ano que vem.

(http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Condenado-pelo-mensalao-Pedro-Henry-ja-trabalha-fora-do-presidio/4/29969)
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Responder

    FrancoAtirador

    10 de janeiro de 2014 às 03h03

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    A EXCEÇÃO É A REGRA

    O procedimento adotado pelo STF, em relação ao réu Pedro Henry,

    é o que deveria ter sido aplicado a todos os acusados na AP 470

    que foram condenados a cumprir pena pelo regime semi-aberto.
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    Mário SF Alves

    10 de janeiro de 2014 às 12h52

    E não é exatamente por isso que regime autoritário/ditatorial/estado absolutista são conhecidos como regimes de exceção?

    FrancoAtirador

    10 de janeiro de 2014 às 17h37

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    Precisamente, mestre Mário Alves.

    E infelizmente, ainda hoje, no Brasil.
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FrancoAtirador

10 de janeiro de 2014 às 02h32

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“No país de Joaquim Barbosa,
o simples bom senso
é de pura esquerda.”

(Bonifa, no Viomundo)
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Responder

Mário SF Alves

10 de janeiro de 2014 às 00h02

Joaquim não é o Mal. Joaquim é só e somente só um instrumentinho nas mãos do Mal. E o Mal, e disso só ingênuos não sabem, só é o Mal para quem ele faz mal. Ou, dito de outra forma, o Mal só é o Mal para a imensa maioria da população.

______________________________________________

A propósito, Hitler também foi um instrumentos nas mãos do Mal. Era o homem certo no lugar certo.

Lá, o Mal era a extrema direita. E aqui?
_________________________________________________________
Hoje vi um vídeo mostrando a intrepidez de pássaros atravessando cortinas dágua com pressão de mais de 5 atm. Sagacidade, reflexo, instinto e intrepidez.

Pois é, na natureza é possível aos irracionais agir frente os maiores perigos; enfrentar as condições mais desafiadoras, inclusive o poder dos elementos naturais e de outros irracionais.

E entre os humanos?

A diferença, a sutil diferença, é que a natureza não pratica a tortura e nem a vingança.

É por isso aqueles pássaros são tão intrépidos, tão incomuns e tão desafiadores.
______________________________________

Conclusão:

Joaquins, Hitlers e sádicos psicopatas torturadores já não são mais elementos integrantes da natureza.

Responder

Igitur

09 de janeiro de 2014 às 22h25

Há alguns dias que entro no Viomundo esperando notícias do Maranhão.

Gostam mais dos presos da Papuda do que dos torturados de Pedrinhas, parece.

Responder

    Luís Carlos

    10 de janeiro de 2014 às 11h33

    Querem que o Viomundo seja pautado pela grande mídia e negue o que a mídia corporativa esconde. Os presídios de SP estão cheios também, e com o PCC fazendo e acontecendo. Teremos intervenção em SP?

    J Fernando

    10 de janeiro de 2014 às 14h09

    E o PCC em São Paulo, que comanda os presídios há tempos?

romildo

09 de janeiro de 2014 às 22h06

PORQUE NINGUÉM FALA EM IMPEACHMENT DE JOAQUIM BARBOSA ?
ESTÃO ESPERANDO O QUE ?
QUEREM QUE O JOAQUIM BARBOSA MATE O JENOINO PARA DEPOIS PEDIREM O IMPEACHMENT DELE ?
ATÉ QUANDO JOAQUIM BARBOSA VAI CONTINUAR GOVERNANDO O PAÍS ?

Responder

    Edemar Motta

    09 de janeiro de 2014 às 22h45

    Esse senadozinho minúsculo que temos, entupido de suplentes sem voto, daqui 30, 40 ou 50 anos, fará uma sessão de desagravo a Genoíno. Agir agora para conter o monstro, nem pensar.

    Francisco

    09 de janeiro de 2014 às 23h32

    A única possibilidade de senadores se preocuparem com arbitrariedades de Barbosa ou com condições de apenados é alguém REALMENTE poderoso ser preso algum dia.

    O PT não tem o poder, está no poder. Quem tem o poder são as burguesias oligárquicas.

Maria Thereza

09 de janeiro de 2014 às 22h02

Prezada Conceição. Embora concorde que as arbitrariedades de jb já passaram dos limites há muito tempo, talvez você não esteja a par da situação da medicina em Brasília. Meu marido é médico, cardiologista e, em 2005 teve uma dissecção de aorta. Foi operado aqui mesmo,com implante de prótese e tudo, por equipe da maior competência e segue clinicando, viajando, enfim, com vida normal. Evidentemente não passou pelo estresse psicológico intenso pelo qual Genoíno está passando. Mas isso é outra história e não depende do nível da medicina aqui em Brasília.

Responder

    Edemar Motta

    09 de janeiro de 2014 às 22h48

    OK, e esses médicos atenderão na Papuda? Se em hospital, o atendimento será cobrado do paciente ou do Estado, responsável por sua integridade física, já que está preso?

    Maria Thereza

    10 de janeiro de 2014 às 09h16

    Prezado Edmar. Eu nem sequer toquei no atendimento específico ao Genoíno. Apenas comentei que, em Brasília, há profissionais capazes, do ponto de vista técnico – vamos dizer assim – de prestar o atendimento necessário. O Dr. Kalil iria atende-lo na Papuda de SP?

    José Neto

    10 de janeiro de 2014 às 11h30

    Que alegria saber que a medicina em Brasília consegue aplicar técnicas que salvam vidas. No caso de Genoíno o que se pede é apenas uma questão do remédio do Direito e não da Medicina, quando estamos de fora do problema é natural que o nosso pensamento busque soluções que ao nosso ver é uma saída simples e objetiva, mas que interfere na vida de outrem, não entro no mérito da condenação pois o tempo e os fatos reais e as motivações serão reveladas. Mas para manter Genoíno em prisão domiciliar fora de SP que é onde reside e para tanto em seu despacho utilizar comparação com Fernadinho Beira-mar é de uma sandice inominável, o que se discute é o direito do paciente ser atendido por quem fez o trabalho primeiro, o Dr. Kalil e sua equipe, ser atendido por outro médico não faz sentido, estamos falando de confiança e cumplicidade, fatores primordiais a qualquer tratamento da área da saúde. Na realidade Genoíno precisa da decisão de um Juiz do ramo do Direito, e não do posicionamento de um juiz de direita. Abraço

Mauro Silva

09 de janeiro de 2014 às 21h36

O togado está ‘nem aí’ porque sabe o Congresso que o Brasil tem.
O togado deve estar dançando rumba em seu ap. de dez dólares ‘legalizados’ em boca-raton.

Responder

JURIDICO

09 de janeiro de 2014 às 21h00

JOAQUIM foi treinar sua alegria maligna (alegria com sofrimento alheio) para aplicar aqui no Brasil, depois dar aula em universidade americana explicando como o tio Patinhas trata os nativos dessa regiao

Responder

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