VIOMUNDO

Diário da Resistência


Escândalo no futebol: Ricardo Teixeira, o homem-bomba que a Globo não quer ver indiciado
Denúncias Falatório

Escândalo no futebol: Ricardo Teixeira, o homem-bomba que a Globo não quer ver indiciado


30/05/2015 - 14h33

Ricardo Teixeira

por Luiz Carlos Azenha

Anos 2000. A International Sport and Leisure (ISL) corre o risco de falir. A empresa havia sido criada por Horst Dassler, o magnata alemão herdeiro da Adidas. Foi o homem que ajudou a inventar o marketing esportivo: assumir um evento, empacotar comercialmente e vender a emissoras de televisão, já com os patrocinadores definidos.

Hoje sabemos que a ISL dominou o mercado à custa de dezenas de milhões de dólares em propinas. O homem da mala de Dassler era Jean Marie Weber. O encarregado de molhar a mão da cartolagem e garantir os direitos de TV e de marketing que eram das federações.

Foi o esquema da ISL que enriqueceu João Havelange e Ricardo Teixeira. Na casa dos milhões e milhões de dólares. Mostramos no Brasil — modéstia à parte, pela primeira vez — a relação entre as datas de pagamento das propinas e o enriquecimento de Teixeira. Está tudo em O Lado Sujo do Futebol.

Voltemos à ISL. Fustigada por concorrentes, deu passo maior que as pernas, sem contar a drenagem do dinheiro que destinava à corrupção. No desespero, fez um pedido à Globo Overseas, dos irmãos Marinho. Queria um empréstimo. A Globo concordou em fazer um adiantamento de uma parcela devida, relativa a direitos de TV da Copa do Mundo, com 13% de desconto. Assim foi feito.

Mas, a FIFA chiou, já que não recebeu da ISL o repasse que lhe era devido. Foi à Justiça. O caso resultou numa ação contra seis executivos da ISL, inclusive o homem da mala. A Globo foi ouvida no caso. No dia 26 de agosto de 2001, o todo-poderoso do futebol global, Marcelo Campos Pinto, deu depoimento.

Não era objeto daquele caso investigar a Globo. Como não é agora, com os cartolas presos em Zurique. Mas aquele primeiro caso colocou a bola para rolar. Foi resultante dele a investigação subsequente, do promotor Thomas Hildbrand, que acabou com um acordo envolvendo Teixeira e Havelange. Eles devolveram parte do dinheiro recebido como propina e ficou por isso mesmo. Não admitiram culpa, mas o meticuloso trabalho de Hildbrand seguiu o dinheiro e constatou sem sombra de dúvidas o propinoduto na casa das dezenas de milhões de dólares.

O que há em comum entre o caso suiço e o de agora, nos Estados Unidos? A escolha arbitrária, pela cartolagem, de intermediários que facilitam o enriquecimento pessoal. Por que a FIFA não vendeu os direitos diretamente às emissoras de TV? Por que a CBF não vendeu os direitos da Copa do Brasil diretamente às emissoras de TV?  Porque os intermediários levam a bolada de onde sai a propina.

Foi assim com a ISL, foi assim com a Traffic de J. Háwilla. Exemplo? Contrato da Nike com a CBF. De acordo com a promotoria dos Estados Unidos, Háwilla recebeu pelo menos U$ 30 milhões da Nike na Suiça, dos quais repassou 50% a Ricardo Teixeira. Só aí são, em valores de hoje, por baixo, R$ 45 milhões de reais para o cartola! Considerando o valor total do contrato, dá uma taxa de cerca de 20% de propina.

Como sabemos que Teixeira está sendo investigado pelo FBI? Porque na página 74 do indiciamento feito nos Estados Unidos é mencionado que, no dia 11 de julho de 1996, houve a assinatura do contrato entre a Nike e a CBF em Nova York. Quem assinou em nome da CBF foi o co-conspirador de número 11. Como quem assinou em nome da CBF foi Ricardo Teixeira, ele é o co-conspirador número 11 (num documento paralelo, a plea bargain de J. Háwilla, Teixeira é o co-conspirador número 13).

Também é possível identificar J. Háwilla, neste documento, como o co-conspirador número 2. Foi ele quem, em abril de 2014, teve uma conversa um tanto bizarra com José Maria Marin na Flórida. Marin tinha ido a Miami tratar da Copa América Centenário, que será disputada em 2016 nos Estados Unidos. Mas falou com Háwilla sobre pagamentos devidos a ele e ao co-conspirador número 12 (presumivelmente Marco Polo Del Nero, o atual presidente da CBF) no esquema da Copa do Brasil.

Háwilla provavelmente usava uma escuta ambiental, já que o diálogo é transcrito ipsis literis pelos promotores (ver abaixo).

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Em resumo, Háwilla perguntou se deveria continuar pagando propina ao antecessor de José Maria Marin, Ricardo Teixeira, no esquema da Copa do Brasil. Marin respondeu mais ou menos assim: “Tá na hora de vir para nós. Verdade ou não?”.

Háwilla: “Certo, certo, certo, o dinheiro tinha de ser dado a você”. Marin: “É isso, certo”.

Disso podemos tirar duas conclusões:

— Tudo indica que o FBI usou escutas ambientais em mais de um dos quatro acusados que fizeram confissão de culpa. Em Chuck Blazer, conhecido como Mr. 10%, o fez com certeza. Como nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, não há vazamentos seletivos para a imprensa, só saberemos exatamente quando e se as gravações forem mostradas no julgamento.

— Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero estão sob investigação da polícia federal dos Estados Unidos.

Uma autoridade norte-americana disse ao New York Times que deverá acontecer uma segunda rodada de indiciamentos. O mais provável é que a promotoria aguarde a extradição dos presos em Zurique para tentar obter a colaboração de mais algum deles.

Marin está com 83 anos de idade. Vai passar o resto da vida na cadeia ou fazer acordo com os promotores?

O foco parece ser, acima de tudo, a FIFA e sua cartolagem graúda, ainda em atividade. São aqueles que conhecem com intimidade os bastidores e as negociatas do futebol, tanto quanto ou mais que J. Háwilla. Gente que pode denunciar esquemas, identificar negócios ilícitos, enfim, colaborar com a promotoria em troca de leniência.

Neste sentido, pela longevidade no poder, Ricardo Teixeira tem muito a contar.

Tanto quanto o FBI, ele parece gostar de gravações.

Narramos em nosso livro um episódio intrigrante, sobre o dia em que a blindagem de Teixeira no noticiário da TV Globo foi brevemente rompida:

Isso durou até 13 de agosto, um sábado. Nesse dia, 12 policiais civis de Brasília cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento de Vanessa Almeida Precht, no Leblon, no Rio de Janeiro. O endereço era a sede da Ailanto, a empresa de Vanessa e Sandro Rosell acusada de desviar dinheiro do amistoso entre Brasil e Portugal.

Diante de novas denúncias, a polícia obteve na Justiça autorização para vasculhar a empresa em busca de documentos e computadores. A busca foi noticiada no “Jornal Nacional”.

Teixeira enfureceu-se. Na quinta-feira subsequente, veio a vingança. O colunista Ricardo Feltrin publicou uma suposta ameaça de Teixeira ao diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto. Segundo Feltrin, o dirigente estava disposto a revelar gravações, em seu poder, que mostrariam a forma como a Globo manipulou horário de partidas de clubes e da seleção. E mais: outras gravações evidenciariam a prepotência da cúpula da Globo Esportes e o desprezo por concorrentes. A pessoas próximas, Teixeira teria dito estar perplexo com “a cacetada da Globo” e se sentindo traído. Sua maior revolta se devia ao fato de, poucos meses antes, ter ajudado a Globo a manter os direitos de transmissão do futebol.

 O recado de Teixeira, via imprensa, inibiu a Globo de avançar no noticiário. Mas o cartola percebeu que alguma coisa estava fora da ordem. Mesmo a contragosto, a Globo havia noticiado alguma coisa contra ele. Era o sinal mais claro de que a informação no Brasil não tinha mais dono.

 Um fenômeno causado tanto pela disseminação do acesso à internet quanto pela redução relativa do alcance de veículos tradicionais. Em 1989, por exemplo, quando o cartola tomou posse na CBF, a média de audiência do Jornal Nacional era de 59 pontos. Em 2013, foi de 26. Ou seja, quase 6 em cada 10 telespectadores do Jornal Nacional mudaram de canal. E grande parte deles estava se informando sobre as denúncias contra Teixeira.

Agora, o ex-presidente da CBF perdeu seu refúgio na Flórida. Ele não obteve a cidadania definitiva que buscava no refúgio fiscal de Andorra, onde ficaria livre de extradição. Como definiu meu colega Leandro Cipoloni, Teixeira se parece com aquele rei que, no xadrez, anda de lado uma casa por vez, para escapar do xeque-mate que fatalmente virá.

Se for indiciado nos Estados Unidos e, consequentemente, acossado por autoridades brasileiras, vai respeitar a lei do silêncio?

 Leia também:

 Camila Mattoso: Por quem chora Marcelo Campos Pinto, o homem forte do futebol da TV Globo

Corrupção na FIFA: Quais são os negócios do réu confesso com a Globo

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



27 comentários

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Elias

31 de maio de 2015 às 10h58

Ristorante Dom Corleone
.
Porco à MariNada

Frutos Marinhos
.
Espaguete à Putanesca

Responder

Melo

31 de maio de 2015 às 10h08

A Globo estava esperando que o FBI fosse igual a Moro, vazassem informação para ela(globo)

Responder

    Leo

    31 de maio de 2015 às 10h48

    E não vazou?

    Leo

    31 de maio de 2015 às 10h50

    Quer comparar o juiz com o FBI!? Está comparando maçã com banana, não? E saiba de uma coisa: as investigações nos EUA prosseguem a todo vapor, da mesma forma que ocorre na Lava-Jato.
    .
    Abraços.

    Vinicius

    31 de maio de 2015 às 11h27

    Mas a lava jato só investiga e prende petista.

    Tucanos não passam nem perto do furor e da fúria investigaria do sr moro…

Leo

31 de maio de 2015 às 08h43

Se O Ricardo Teixeira permanecer literalmente em solo brasileiro para o resto de sua vida, nada acontecerá com ele, a não ser que distribuam o caso para o juiz Sergio Moro.

Responder

    Vinicius

    31 de maio de 2015 às 11h25

    Moro não vai prender Teixeira.

    Afinal,ele não vai querer desagradar a Globo…

    Bonobo, Severino de Oliveira

    01 de junho de 2015 às 16h57

    RA! RA RA! Oh Leo!! Vc também acredita em fada, mula sem cabeça e Saci Pererê? Acorda cara! Vc não viu o Moro deslumbrado recebendo o jeton no Insituto Innovare? Joaquim Barbosa, Moro, PF, MP e Gilmar Dantas, como diria o Miro, é tudo a mesma sopa!! Colocaram o Serviço Público do Estado Brasileiro a serviço dos patrões da GLOBO. Os rentistas internacionais.

Feici.Besta

31 de maio de 2015 às 03h36

CBF/Fifa e o helicocáptero com 445kg de pasta: q relação têm?

Bem, o dono do helicocáptero, perrela, além de homem forte do aecim, era ex-presidente do cruzeiro; tem investimentos em passes de jogadores de futebol, inclusive vários dos jogadores da raposa pertenciam ao seu grupo. Agora, imagine q vc queira lavar dinheiro de origem escusa: haveria atividade melhor que a do futebol profissional?

A verdade que o cruzeiro virou nos últimos anos, um verdadeiro rolo compressor que comprava todo bom talento q aparecia nos clubes rivais: se a origem do dinheiro for essa, fica difícil impedir todos esses títulos que a raposa vem amealhando.

Nos seus tempos de presidência do cruzeiro, perrela angariou muito prestígio junto à cbf, e ñ seria de espantar se esse prestígio também tivesse chegado à comissão arbitral da cbf… http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=90676

Quem sabe o projeto de narco-estado, implantado inicialmente em MG, tenha sido implantado para melhor proveito dessas circunstâncias de beneficiamento que o poder absoluto propiciava: aeroportos clandestinos, laboratórios de refino de cocaína, juízes q vendem sentenças, prendem e calam opositores, imprensa unívoca, etc?

Em Sampa ouve-se dizer que o piloto do helicocáptero virou empresário do ramo de táxi aéreo… versão bastante crível, levando-se em conta o histórico PIGuento.

Responder

    André Martins

    01 de junho de 2015 às 12h12

    perfeito Feici.

Francisco

30 de maio de 2015 às 22h50

Os Marinho não irem mais à Disney, não tem preço…

Responder

Marat

30 de maio de 2015 às 22h36

Talvez devamos ir para Rússia ou China. Esta merda de país está contaminada pelo capitalismo e pela impren$$$a 50 tons de marrom!

Responder

Marat

30 de maio de 2015 às 22h31

A luta do Viomundo é inglória… luta contra:
Globo
Veja-esgoto
Direita (nacional e internacional)
Latifundiários
judiciário (caixa baixa em protesto!) corrupto do Brasil;
Aristocracia nacional;
Burguesia nacional;
Multinacionais;
Mas, estou com vocês até a morte!!!

Responder

Ricardo Rodrigues

30 de maio de 2015 às 22h21

Ótimo se por tabela algum peão cair aqui no Brasil,bispos,torres e rainha ficarão intactos,que dirá o rei.

Mas não se iludam, o objetivo do Fbi é chegar a Copa do mundo da Russia, depois a Russia e depois em Putin.

O resto são danos colaterais.

Responder

Messias Franca de Macedo

30 de maio de 2015 às 21h49

Bomba! As ligações entre a Globo e a máfia da Fifa

Por jornalista Miguel do Rosário

30 maio 2015

O Cafezinho teve acesso, com exclusividade, a documentos que ilustram as relações comerciais íntimas, societárias, entre a Globo e J. Hawilla, o bandidão confesso preso pelo FBI no recente escândalo de corrupção da Fifa.
Os nomes da família global são João Roberto Marinho e Flávia Daudt Marinho, filha de José Roberto Marinho.
Os irmãos Marinho tem usado seus filhos para burlar o decreto lei 236, que limita o número de emissoras em mãos de um proprietário.
(…)
A TV Tem, também do interior de São Paulo, reúne a turma toda na lista de sócios: João Roberto Marinho, dois filhos de J.Hawilla, o onipresente José Geraldo Góes, e a empresa Bonanza.
(…)
Sempre que você olha para as empresas de J. Hawilla, esbarra com o nome de José Geraldo Góes, em posição superior, como diretor, secretário ou acionista. Góes também é sócio de várias tvs controladas pela Globo.
(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.ocafezinho.com/2015

Responder

    Messias Franca de Macedo

    30 de maio de 2015 às 21h53

    Antes de mais nada, parabéns, ínclito, competente e intrépido jornalista Miguel do Rosário!
    Jornalismo de alto nível!

    Um adendo:
    “A mídia não vai investigar isso? Não vai sequer dar a informação de que os Hawilla e os Marinho são sócios diretos em várias empresas no Brasil?”

    Prezado Miguel do Rosário, a meu ver, essas perguntas devem ser respondidas pelo Ministério da Justiça, Ministério das Comunicações, Receita Federal, ‘miniSTÉRIO’ Público “dos procuradores que só procuram petistas”, Receita Federal, Controladoria Geral da União, ABIN e Polícia Federal.
    O PIG “joga em equipe”!
    Criminosa!

    Respeitosamente,

    Messias Franca de Macedo
    Feira de Santana, Bahia
    República de ‘Nois’ Bananas

Leleco

30 de maio de 2015 às 18h43

Sonho de consumo : Ver os filhos do Roberto Marinho detidos em viagem ao exterior ( já que aqui na terrinha seria impossível ) , tendo sua extradição solicitada pelos EUA , indo diretamente para o xilindró. Isso não teria preço .

Responder

Messias Franca de Macedo

30 de maio de 2015 às 17h46

Rede Globo quer demitir Marcelo Campos Pinto. Executivo ameaça contar o que sabe

Caso FBI-FIFA:

A investigação do FBI americano sobre pagamento de propinas nos negócios envolvendo compra de direito televisivos dos principais torneios de futebol do Planeta gerou uma crise interna na Rede Globo que estourou, ontem, em reunião de diretores da emissora com o executivo Marcelo Campos Pinto.
O clima foi tenso.
Responsável pela ligação da Globo com o mundo da cartolagem (CBF, Federações e clubes), Pinto foi pressionado a pedir demissão, mas o dirigente retrucou, ameaçando “botar a boca no trombone”.
(…)

FONTE: https://blogdopaulinho.wordpress.com/2015/05/30/caso-fbi-fifa-rede-globo-quer-demitir-marcelo-campos-pinto-executivo-ameaca-contar-o-que-sabe/

Responder

Stan Neto

30 de maio de 2015 às 17h23

O melhor protesto dos brasileiros seria um boicote à Nike.

Responder

Francisco de Assis

30 de maio de 2015 às 17h03

Em 11 de julho de 1996, houve a assinatura do contrato entre a Nike e a CBF em Nova York.

No acordo com a Justiça dos EU José Hawila vai devolver US$ 151 milhões (DOLARES).

A TV Globo sonegou R$ 183 milhões (REAIS) que deveria ter recolhido ao imposto de renda, na operação de compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, da FIFA.

Não são valores muito distintos considerando-se que a operação da Globo deve ter sido realizada em 1996 ou 1997 (a conferir).

Será que a Globo pagou esta propina com o dinheiro dos nossos impostos?

Responder

braga

30 de maio de 2015 às 16h38

pesos e medidas diferentes

casos ocorridos em minas gerais.

mulher do governador petista x helicoca dos perrelas.

caso perrela: resumo do processo.

O senador José Perrella de Oliveira Costa, o juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa e o procurador da República Júlio de Castilhos Oliveira Costa têm em comum não apenas o sobrenome.

O juiz e o procurador atuam no processo número 0012299-92.2013.4.02.5001, sobre tráfico internacional de drogas, em que o Oliveira Costa senador, mais conhecido como Zezé, é o sujeito oculto

Uma das poucas vezes em que José Perrella aparece é na transcrição de uma troca de mensagens entre o piloto da família Perrella, Rogério Almeida Antunes, e o primo dele, chamado Éder, que mora em Minas Gerais.

“Man, eu quase derrubei a máquina do Zezé”, escreveu ele em seu Iphone, usando o aplicativo Whatsapp.Rogério conta que estava transportando cocaína, num peso superior à capacidade do helicóptero. “Eu nunca passei um apuro daquele”, digita. “Nossa!”, responde o primo.

Portanto, os 445 quilos trazidos de Pedro Juan Caballero, a preço estimado de R$ 6 milhões, seriam transformados em quase duas toneladas de cocaína própria para o consumo. A preço de varejo na Europa, renderiam pelo menos R$ 50 milhões.

Outra dúvida: Gustavo Perrella, deputado estadual e filho do senador Zezé Perrella, autorizou o voo até domingo à tarde, mas quando houve a prisão já era quase noite, e não há registro telefônico de que o piloto, empregado dele, tenha sido procurado.

Como o piloto faria desaparecer do helicóptero o forte cheiro da pasta base de cocaína, que ficou impregnado, é outro mistério. O que Rogério diria ao patrão, caso ele não soubesse do transporte de cocaína, a respeito do odor?

No caso do Espírito Santo, os advogados nem tiveram muito trabalho para chegar ao ápice. O principal motivo para a libertação dos presos foi uma denúncia do Ministério Público Federal, que tramitava em sigilo. O Ministério Público está, a rigor, no lado oposto da defesa.

Mas, neste caso, facilitou o trabalho dos advogados. Ou será que foi a Polícia Federal que meteu os pés pelas mãos? O fato é que o procurador da República Fernando Amorim Lavieri acusou a Polícia Federal de efetuar a prisão dos traficantes mediante uma prova ilícita.

Segundo ele, foi uma interceptação telefônica ilegal realizada em São Paulo que levou à descoberta de que a droga seria descarregada em Afonso Cláudio. Na denúncia do procurador, não é citado o telefone grampeado. A acusação, vaga e genérica, serviu, no entanto, como justificativa para o juiz colocar os traficantes em liberdade.

Ao decidir libertar os presos, o juiz Marcus Vinícius argumentou que já tinha se esgotado o prazo legal para a prisão sem julgamento. Na verdade, ainda faltavam alguns dias, mas esse prazo, a rigor, é elástico. Vale a interpretação do juiz.

“Eu entendo que a regra é a liberdade, prisão é exceção”, explicou Marcus Vinícius. “Não sou nenhum Torquemada. Julgo com base na lei”.

obs minha: interpretação da mesma lei qua o juiz moro invoca para sua diabrices.

caso da mulher do pimentel;

Carolina de Oliveira Pereira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, cujo apartamento em Brasília foi alvo de busca e apreensão realizada nesta 6ª feira (29.mai.2015) pela Polícia Federal, já dividiu uma viagem de jato particular com o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, conhecido como Bené, preso nesta 6ª feira sob suspeita de crime de associação criminosa.

Carolina estava num voo de Punta Del Este, no Uruguai, a Belo Horizonte em 29.mar.2014,

em um jatinho Embraer Phenom 300, prefixo PR-ERE. Também estavam no avião Pimentel, o deputado federal Gabriel Guimarães (PT-MG), Benê e uma segunda mulher, Bruna Cristina da Silva Oliveira Fonseca de Andrade.

A viagem já havia sido divulgada pela “Folha” em 10.out.2014, durante a campanha eleitoral do ano passado, sem a informação de que Carolina estava no voo. Abaixo, reprodução do documento que lista os nomes dos passageiros e detalhes da viagem:

obs minha: vejam bem, o crime da mulher do pimentel é muito mais grave que os 450 kgs de pasta de coca do helicoptero dos perrelas.continuando. vamos ver como iniciou as investigações contra esse tal de bené.Em outubro de 2014, Bené estava em um avião apreendido pela PF no aeroporto de Brasília que transportava R$ 114 mil em espécie. Esse fato foi o pontapé inicial da Operação Acrônimo, deflagrada nesta 6ª feira. Seu nome, sinônimo de sigla, deve-se ao prefixo da aeronave apreendida em 2014, PR-PEG, que traz as iniciais dos filhos de Bené.obs minha: essa apreensão deu-se devido a um telefonema anônimo.lembrem-se, o inquerido sobre o helicoca foi encerrado devido à uma interceptação telefonica ilegal.mas continuando. caso bruno covas:

A Polícia Federal (PF) de São Paulo apreendeu R$ 100 mil em espécie e 16 cheques com o servidor público estadual licenciado Mário Welber, apoiador da campanha de Bruno Covas no interior paulista. A apreensão ocorreu em 27 de setembro, no aeroporto de Congonhas. Segundo a PF, Welber tem até sexta-feira (10) para se manifestar sobre a origem do dinheiro.

A PF diz que os valores seguem retidos. Na ocasião da apreensão, o servidor foi ouvido e liberado. O G1 tenta ouvir Welber, mas não obteve retorno dos telefonemas.
Bruno Covas, eleito deputado federal pelo PSDB neste domingo (5), divulgou nota na qual aponta que o dinheiro pertence ao apoiador e que os cheques da campanha foram cancelados (veja íntegra abaixo).

Em 2012, ao declarar seu patrimônio quando se candidatou como vereador, Welber informou que tinha um Fiat Punto no valor de R$24 mil e o total de patrimônio era de R$ 92.580,78.
Welber atualmente é assessor técnico da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), tendo sido admitido em 2013. Ele pediu licença sem remuneração de suas funções entre os dias 31 de julho e 10 de outubro deste ano.

obs minha: o piloto do helicoca trabalhava como assessor do perrela na AL mineira. alguem sabe alguma coisa sobre esse dinheiro do bruno covas? o fantástico remunera bem. kkk

conclusão minha: se não for preto, pobre, puta e PETISTA és ininputável.

apnhei muito para fazer esse recorta e cola. falta de experiencia. alguem traquejado/a poderia dar prosseguimento.

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imagem de Spin Ggnauta
Spin Ggnauta

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Messias Franca de Macedo

30 de maio de 2015 às 15h56

Parabéns, conspícuo e intrépido jornalista Luiz Carlos Azenha!
Texto jornalístico histórico!
A nação brasileira agradece, penhoradamente!
E o bom jornalismo!

Felicidades!

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia
Brasil

Responder

Mariana martins

30 de maio de 2015 às 15h38

Desde criança ouvia dizer que na CBF havia uma máfia.
Havelange, Teixeira, Marin e Del Nero são farinha do mesmo saco.
A Grobu é o ácino que os envolve.

Responder

Julio Silveira

30 de maio de 2015 às 14h55

Azenha quando você cutuca é com propriedade, afinal você é um dos reporteres que mais investigaram e por isso conhecem Ricardo Teixeira e CBF. Rsrsrs

Responder

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