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Diane Sousa: A cor da pele e a renda dos pacientes importam


28/08/2013 - 12h40

O MAIS MÉDICO DESNUDA O RACISMO NO BRASIL!

Publicado em 28 de Agosto de 2013

Diane Sousa, em seu blog, sugerido pela Regina Cabral, no Facebook

É antiga e todos nós conhecemos a história de que no Brasil alguns cursos, como o de Medicina, tem cor e classe social: brancos e ricos. Por outro lado, a população que mais precisa dos médicos também tem cor e classe social: pretos e pobres. E é nessa polarização que a conta não fecha. Mesmo que tivéssemos mais de três médicos por pessoa, dificilmente os médicos brancos e ricos do Brasil, formados nos cursos de nossas universidades iriam para cidades pequenas onde vivem pobres e negros.

O médico é diferente de um juiz, de um promotor. Este atende no gabinete, no tribunal, mantendo distância da população. Os médicos tem contato direto com a população, precisa cuidar de suas doenças, tratar de problemas que são comuns a todos os seres humanos das diferentes etnias e classes sociais, mas também nos lugares mais pobres precisam cuidar de doenças provocadas por situações insalubres, por ambientes revestidos de precariedade e de pobreza, que alguns não têm coragem de enfrentar. Por isso, mesmo com planos de carreira, médicos ricos ao contrário do que ocorre com advogados/juízes e promotores ricos, não iriam para postos de cidades pequenas, pobres e isoladas.

Mesmo com essa situação conhecida, essa realidade estava mascarada. O culpado da falta de médicos em cidades pequenas restringia-se à não prioridade do Governo para enfrentar esse problema e não à forma como a categoria dos médicos está organizada, o que prioriza e como e para que se forma.

A vinda dos médicos cubanos, com divulgação em grande escala no país colocou o Brasil Nu. O preconceito foi desnudado. A realidade cruel do racismo mascarada desde a abolição da escravidão veio à tona forte e destruidora como as fortes ondas de pororocas dos rios amazônicos.

Ao ficarem nus, alguns brasileiros profissionais da medicina (não todos) revelaram faces racistas, xenófobas e preconceito de classe. Junto com eles parte dos políticos e jornalistas conservadores e de direita se posicionaram de forma lamentável.

Para eles, o mais importante é garantir o nicho. Que se lixem os brasileiros pobres e de etnia predominantemente negra dos 700 municípios que não têm médico.
Esse desnudamento nos revela que no Brasil precisamos sim ofertar vagas de medicinas por regiões e para alunos de todas as classes sociais e etnias. Essa área tem que ser ocupada pelos brasileiros e não apenas por uma pequena parcela da elite.

Somente assim teremos médicos em todo nosso território, atendendo adequadamente a TODOS.

O Mais Médico pode ajudar muita gente a ter contato com esse profissional de medicina. Contudo para, além disso, ao desnudar o país poderá ajudar a construir mais democracia, justiça social e uma sociedade mais tolerante e aberta às diferenças sem desigualdades.

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7 comentários

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Helenita

28 de agosto de 2013 às 19h12

Pelo menos para uma coisa todo esse tumulto criado pela direita deu resultado prático: deu para mostrar o quanto a elite médica é bonita, bem tratada, limpinha, cabelos sedosos, belos dentes, geração bem criada! Todos, homens e mulheres, têm a pelo alva e rigorosamente limpa, evidenciando que jamais sequer transitaram por uma rua de terra, quanto mais trabalhar em tais lugares… São filhos de papai na mais larga acepção do termo. E nós, que somos comuns cidadãos, temos que sustentá-los nas universidades públicas, açambarcando as vagas entre eles…
Salve Lula, que criou o Prouni e as quotas raciais, dando oportunidade de os excluídos cursarem medicina também! Ainda chegaremos lá, após muitos anos, quando os médicos egressos das cotas estiverem tratando da população.

Responder

    Luís Carlos

    29 de agosto de 2013 às 09h24

    Salve Dilma que teve coragem e compromisso social para criar o Mais Médicosa.

Arthur Araújo

28 de agosto de 2013 às 17h24

Momento de rara lucidez diante da ira do preconceito contra os médicos cubanos.

Responder

    Fernando Maia Jr.

    29 de agosto de 2013 às 10h04

    Concordo, lindo texto, equilibrado e lúcido. Apesar dos lamentáveis momentos de ira irracional que vimos, tenhamos forças para erguer um futuro próximo de igualdade e tolerância.

Seabra

28 de agosto de 2013 às 16h34

700 municípios que não têm médicos? Há muito mais do que isso…esses 700 é para evitar a calamidade pública na saúde, mas o problema é muito maior em todo o Brasil, inclusive nas capitais e suas periferias.

Responder

killimanjaro

28 de agosto de 2013 às 15h36

Com Mais Amor não precisamos de médicos anêmicos!

reggae musica para desbaratinar:
http://www.youtube.com/watch?v=K6oYyG0KcvQ

I don’t want to see no doc!

Responder

Marmeladov

28 de agosto de 2013 às 14h45

Isso só pode ter sido obra da “direita bramca”.

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