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Diário da Resistência


Confederação de escolas privadas entra com ação no STF para banir crianças deficientes
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Confederação de escolas privadas entra com ação no STF para banir crianças deficientes


20/11/2015 - 00h44

Dornas 1

Roberto Dornas, presidente da Confederação Nacional de Estabelecimentos de Ensino (Confenen)

Confederação de escolas privadas pede para STF banir crianças deficientes

 por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania

A pedagogia moderna entende que crianças “deficientes” devem frequentar escolas comuns, evidentemente que contando com infraestrutura especializada. Eis por que o último Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014, prevê, ainda que de forma algo dúbia, a universalização desse instituto civilizatório.

Lei nº 13.146, sancionada pela presidência da República no dia 6/7/2015 e publicada no Diário Oficial da União no dia 7/7/2015, veio com o fim de assegurar e promover a inclusão da pessoa com deficiência.

Artigo 1o da lei 13146/2015:

É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania

Tragicamente, a busca pelo lucro a todo custo fez com que a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) recorresse ao Supremo Tribunal Federal contra essa lei por uma razão muito simples de entender.

A lei supracitada determina que escolas privadas não possam recusar alunos com necessidades especiais sob risco de penalização criminal. Além disso, obriga esses estabelecimentos a fornecer toda a infraestrutura necessária a esses alunos, o que, obviamente, implica em mais custos e, portanto, em menores lucros.

A lei em questão começa a viger a partir de janeiro de 2016.

Por conta disso – e visando somente interesses comerciais -, a Confenen foi ao Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) pretendendo desobrigar as escolas privadas das obrigações impostas pela nova lei.

Além disso, a ADIN da Confenen pede uma liminar para suspender os efeitos do texto legal, de forma que todas as crianças que estiverem em escolas privadas terão ou que pagar pelos “serviços especiais” – tais como “cuidadores”, instalações adequadas e treinamento de professores – ou, simplesmente, terão que ser desligados desses estabelecimentos.

É um horror.

Diante disso, algumas escolas já estão impondo um questionário a ser preenchido pelos pais de seus alunos antes de as matrículas serem aceitas. A medida, ilegal, chegou a ser comentada pela imprensa carioca.

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Como se poderia esperar, veículos de comunicação como a revista Veja vêm tratando de combater uma política pública que colocou o Brasil como um dos líderes mundiais em Educação Inclusiva.

A colunista Lya Luft,em artigo publicado na revista Veja (“O ano das criancinhas mortas”, p. 221, edição 2.302), utiliza de sua liberdade de expressão para refletir sobre o direito ao acesso e permanência na educação para as pessoas com deficiência, fazendo parecer, inclusive, que o direito vem sendo exercido apenas por ser politicamente correto.

Ruim mesmo, trágico mesmo, porém, é o texto da ADIN da Confenen. A certa altura, a entidade tenta colocar pais de crianças deficientes contra os pais das crianças “normais”, “alertando-os” para o “custo” a mais que recairá sobre as mensalidades caso a lei passe a vigorar.

“Os dispositivos impugnados violam, ainda, o princípio da razoabilidade extraído do preceito constitucional insculpido no artigo 5º, inciso LIV da CF porquanto: obrigam à escola comum, regular, pública ou privada, não especializada e despreparada para a incumbência de receber todo e qualquer portador de necessidade especial, de qualquer natureza, grau ou profundidade; prometem ao portador de necessidade especial uma inclusão social com eficiência, tratamento e resultado, de que carecer cada um que a escola regular, comum, não conseguirá propiciar; jogam ônus dos sobrecustos para a escola particular e para todos seus demais alunos, alterando injustamente o orçamento familiar, com verdadeira expropriação; frustram e desequilibram emocionalmente professores e pessoal da escola comum, regular, por não possuírem a capacitação e especialização para lidar com todo e qualquer portador de necessidade e a inumerável variação de cada deficiência; causarão o desemprego e o fechamento de escolas particulares; lançam sobre a iniciativa privada encargos e custos de responsabilidade exclusiva dos poderes públicos”.

Os argumentos da Confenen também são falaciosos no sentido de que colocam as escolas privadas como incapazes de cumprir a lei, quando o cumprimento desta depende, exclusivamente, de investimentos.

O relator dessa peça triste no STF é o ministro Edson Facchin. A ele, a ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE DEFESA DOS DIREITOS DOS IDOSOS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – AMPID, dirigiu a defesa do texto legal que a Confenen tenta derrubar.

A peça é um horror – quem quiser, pode ler no link destacado no parágrafo anterior. Os termos que usa, aliás, tratam as crianças deficientes de uma forma inaceitável. Em um ponto do texto, a Confenen usa expressão quase inacreditável:

Lembre-se ainda que educação não se confunde com adestramento coletivo

“Adestramento”?! É assim que essa entidade enxerga o tratamento que a lei impõe que dê a crianças especiais?! Isso já não é nem mais preconceito, é bestialidade mesmo…

O fato, porém, é que a Confenen, mesmo exercendo seu direito de recorrer à Justiça, por vias transversas está incentivando a violação da lei, conforme sua reprodução a seguir:

Art. 8º Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa:

I – recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta;

…Vide Lei nº 13.146, de 2015:

Art. 98. A Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 8o Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa:

I – recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência;

A ADIN da Confenen impõe a pessoas com deficiência normas diferenciadas e ônus pela condição, ônus para a humanidade e violação de preceitos fundamentais. Enseja uma grave violação aos Direitos Humanos a toda a sociedade ao tratar pessoas com necessidades especiais como fardos para a sociedade, gerando “razão” para preconceitos, expondo as crianças que já estudam em escolas comuns, inclusive, a bullying.

A reação jurídica à iniciativa da Confenen conta com o apoio das Apaes e até da OAB. O que essa entidade de classe está fazendo atenta contra os direitos fundamentais da pessoa, contra o Estado de Direito e contra o próprio direito do deficiente de meramente existir socialmente, condenando à segregação e à invisibilidade que tanto mal já causou àqueles que constituem-se os mais fracos entre os fracos.

O tema Educação Inclusiva é extremamente extenso. O caso em questão, idem. Se o Blog fosse abordar a questão na sua integralidade, produziria um post cansativo que, muito provavelmente, muitos não teriam paciência e/ou tempo para ler.

Desse modo, esta matéria constitui a primeira de outras que voltarão ao tema.

Há uma bela, porém longa entrevista com Claudia Grabois, advogada da AMPID na ADI 5357, presidente da Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência do IBDFAM e membro da Comissão de Direito a Educação e Direito de Família da OABRJ

A advogada Claudia, ao lado da jornalista Meire Cavalcante, que já apareceu neste Blog em artigos sobre Educação Inclusiva, vem lutando com destemor contra o preconceito e, inclusive, está à frente na reação judicial aos desatinos da Confenen.

Concluo esta matéria, pois, pedindo aos leitores que se posicionem a favor de uma medida civilizatória como é a Educação Inclusiva e contra os arroubos mercantilistas dessa entidade que, de modo preocupante, está à frente dos estabelecimentos privados de ensino.

Estamos falando sobre seres humanos, pessoas que compõe a diversidade humana e que integram o imenso “quebra-cabeça” da humanidade. Não se trata de politicamente correto: pessoas com deficiência existem, são gente! Pessoas com deficiência têm direitos humanos!

Apoie essa luta. Para fazê-lo, basta divulgar a reação à postura inaceitável da Confenen, posicionando-se a favor da Inclusão quando surgir oportunidade para tanto.

Concluo relatando ao leitor uma situação que mostra que nenhum de nós sabe quando poderá adentrar – ou ser conduzido – ao mundo das pessoas com necessidades especiais, um mundo “invisível” que depende de sua visibilidade para que seus habitantes possam se integrar à sociedade a que pertencem.

Até 1998, este blogueiro tinha três filhos já grandinhos. Todos “perfeitos”, sem qualquer deficiência. Eis que me vem a quarta filha com “paralisia cerebral”, conduzindo-me a uma realidade que poucos conhecem, mas que todos estão sujeitos a vivenciar. Ninguém deve se considerar livre de depender da solidariedade e da generosidade alheia.

Ninguém está pedindo dinheiro, ninguém está pedindo trabalho a quem quiser apoiar essa causa. Só o que se pede é um minuto de seu tempo para divulgar o material que você acaba de ler e, sempre que puder, defender essa medida civilizatória que é a Educação Inclusiva. Milhões de brasileiros “deficientes” contam com você.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



23 comentários

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Alexandrina Oliveira

13 de março de 2016 às 12h41

O que não se pode é o governo lançar nas instituições privadas uma obrigatoriedade que deveria ser sua. As escolas privadas não deveriam ser obrigadas a ofertar esse serviço.

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maria

24 de novembro de 2015 às 17h04

O autor critica a Confenen por usar o termo “adestramento” e usa o termo “banir” no título – igualmente forte e fora de propósito. Menos sensacionalismo e mais coerência se quer ser levado a sério, por favor.

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Julio Silveira

23 de novembro de 2015 às 11h25

Sra. Ana, tenho formação acadêmica, mas não atuo na área. Porem minha esposa é pedagoga e atua como professora e como cidadão, até para poder colocar essas opiniões, posso dizer que conversamos bastante sobre o assunto. O fato da Sra. ser professora não lhe dá mais verniz para colocar sua experiência e a sua expectativa como a definitiva. Nesse meio existem país, alunos e outros docentes.
Minhas posições são fruto do meu acompanhamento ao trabalho de minha esposa e suas frustrações pela forma autoritária como costumam ser postas sob as suas costas as responsabilidades no ensino. E lhe digo mais, a Sra. atente para o que escrevi, não há lá uma única linha critica a inclusão em sí, mas sim a irrealidade com que tratam o assunto.
Mais uma vez, vejo ser mostrado um caso de exceção, esse de sua escola. Minha sugestão, a Sra. deveria percorrer as diversas escolas, das periferias principalmente, e conhecer as diversas realidades, para, ao fim, poder proclamar com essa força absolutista sua certeza de igualdade.

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Gustavo

23 de novembro de 2015 às 07h44

Infelizmente o governo seja qual for não quer gastar, investir em estudos, então fica mais fácil ficar falando em inclusão e colocando crianças com algum tipo de deficiência em salas de aulas convencionais para que professores mau remunerados e desmotivados com toda a razão se vire para ensinar ou fazer de conta que consegue ensinar uma classe com 30 alunos entre eles especiais ou não. Um absurdo, inclusão significa dar atendimento adequado às suas necessidades especiais. Devem existir salas de aulas especiais, com professores especiais, com investimento diferenciado, com objetivos diferenciados na aprendizagem e claro, no intervalo uma interação com todos, para aí sim existir a inclusão e o entendimento e superação das diferenças.
Estes Governos estão jogando no lixo a esducaçao, estão roubando o dinheiro do povo e terceirizado para a própria sociedade a responsabilidade que deveria ser do governo. Enquanto eles fazem isso, as AACDS, APAES, etc… Estão fechando as portas por falta de recursos……..

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Geni Flores

21 de novembro de 2015 às 22h45

Sou orientadora educacional em Capão da Canoa, RS. Quero deixar registrado aqui o meu repúdio às manifestações discriminadoras aqui encontradas nos comentários de algumas pessoas que, ou por ignorância ou má fé, não aceitam a inclusão de pessoas com deficiência (erroneamente ditas “portadoras” de deficiência). A inclusão já é uma realidade nas escolas públicas de nosso município há quase uma década. Posso garantir-lhes que não é uma tarefa fácil, mas é extremamente gratificante. Por trás da deficiência, há um ser humano com sentimentos, com capacidades e possibilidades. Nosso dever como educadores, mas principalmente como cidadãos, é o de abraçar essa causa, buscando cada dia mais formação e aperfeiçoamento para atende-los de forma adequada. Posso garantir que as crianças os aceitam com naturalidade e carinho pois ainda não estão contaminadas pelo preconceito dos adultos.

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Gabriele Lomba

21 de novembro de 2015 às 11h24

Informem-se antes de falar ideias ultrapassadas, preconceituosas, de um passado macabro. A inclusão é um movimento MUNDIAL baseado em estudos que mostram que crianças com deficiência aprendem muito mais em escola regular. Escola especial é “extra”, para quem precisa. Escola é escola, para todas as crianças.

Todos ganham na inclusão, principalmente quem não tem deficiência. Estamos assim formando adultos mais tolerantes, que respeitam as diferenças.

Mais de 20% da população brasileira trmtem deficiência. Então, amanhã pode ser seu filho,neto. Aí talvez vocês se informem sobre o assunto

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    Maria

    22 de novembro de 2015 às 21h29

    Olha por acaso vc tem um filho que estudou com alguma criança com necessidades especiais? Meu filho sim, agora tem 8 anos e volta e meia me pergunta pq tem de cumprir determinadas regras se o fulano não cumpre? Pq não pode sair da sala qd quer se o amigo o faz? Pq aquele menino bate em todo mundo e nada lhe acontece? São perguntas que para mim como mãe se tornam difíceis de responder, principalmente pq eu não quero usar o termo” ele faz pq é deficiente”, vejo que tanto o Brasil( onde estivemos por um ano em 2013) qt Portugal onde resido regularmente não estão preparados para esta inclusão que é bonita no papel, mas qd inicia o ano letivo não dispõe de profissional capaz de lidar com estes alunos. Depois é uma confusão, é secretária fazendo de acompanhante de crianças, diretora, a senhora da cantina….

Hugo Oliveira

21 de novembro de 2015 às 00h06

Muito bom, ótimo, concordo plenamente! Meus parabéns pela iniciativa. Mas cabe uma pergunta, as escolas municipais e estaduais, serão exigidas também nestes termos? Com que pena se não se prepararem? Num mundo onde dia e noite temos notícias de prefeitos embolsando os recursos da merenda escolar (Bom Jardim – Maranhão) ou escolas que não tem infraestrutura para ser chiqueiro (Codó – MA), justamente em zonas de altíssima incidência de vários tipos de deficiências, como exigir que as escolas de ensino público também devam se adequar, ou elas não precisam e continuaram como estão?

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    Carolina Pinho

    22 de novembro de 2015 às 12h33

    Olá Hugo,
    Achei a sua questão muito pertinente e merecedora de uma resposta. No final do ano passado expirou o prazo de dez anos para que os transportes coletivos fizessem as adaptações necessárias para atender PNE. Ainda há um número de considerável de ônibus sem as devidas adaptações. Os táxis especiais não atendem a todos os que necessitam, apenas aqueles que podem pagar e ainda são em quantidade insuficientes para atender a demanda. Será que todos os táxis não deveriam estar preparados para atender os portadores de necessidades especiais?
    Quando se trata de um carro particular, o governo oferece isenção de imposto, como forma de incentivo as montadoras. Ao que parece o governo trata os setores de forma diferenciada, mas não há incentivo para os taxistas e nem para escolas. Oferecer incentivo para a Educação parece não interessar ao governo,

clodoaldo

20 de novembro de 2015 às 16h32

Muitos apostaram na volta do PSDB e deram com os burros n’água agora tudo que o governo fizer para beneficiar essa ou aquela minoria será visto como afronta e não como melhoria para o país.

Responder

Urbano

20 de novembro de 2015 às 15h37

Há uma designação com nome e sobrenome pra lá de apropriada para esse tipo de atitude, cujo monograma é ‘nf’.

Responder

    Urbano

    20 de novembro de 2015 às 15h39

    Sim, adivinhem de quem copiaram a ideia!

Julio Silveira

20 de novembro de 2015 às 10h38

Com todo respeito ao texto, mas criança especial exige pedagogia especial, exige cuidados diferenciados.
Sabemos o quão longe estão os mestres nos colégios, isolados em salas de aula, do preparo para atender crianças especiais. E vou um pouco mais longe, a qualificação ao atendimento a esses pequenos cidadãos. Professores regulares em geral não são habilitados para o cuidado a esses seres humanos, que portam necessidades especiais, até na por formação. É tudo muito mundo cor de rosa para fins de propaganda. Chegar e atribuir a outrem obrigações cuja preparo profissional não abrange tal atividade. Na verdade isso, para mim, não passa é de uma forma de arbítrio.
Querer atender crianças especiais em colégios regulares não há problema, contratem profissionais especializados para esse fim, criem ambientes com mais de um profissional em sala de aula, o especializado mais o professor regular. Sabemos que crianças costumam não ver diferenças entre si, mas adultos não devem partir de premissas infantis. Devem antes de tudo serem responsáveis, principalmente com aquilo que se busca, não inventar uma utopia e afirmar que outros devem cumpri-la, de qualquer maneira e nesse caso sobre a educação.
Juntar crianças em sala de aula de qualquer jeito não é educação. Juntar crianças em pleno gozo de suas habilidades, com outras especiais que não estão no mesmo ritmo para as acompanhar vai exigir, no modelo atual, dos profissionais, atuação de heróis, e como heróis em geral é coisa de revistas em quadrinhos no fim os prejudicados serão todos. Inclusive o futuro de toda a cidadania, e só ir ver a realidade e botar os pés no chão.
Mas quero deixar claro isso não é defesa de ninguém, não entro do mérito dos motivos do cidadão, mas um simples reconhecimento de quem convive um pouco com o que se passa no meio educacional.

Responder

    Alceisa Lima

    20 de novembro de 2015 às 13h48

    Concordo com vc em gênero, número e grau…criança especial precisam sim de tratamento especializado e professores habilitados para tal e as escolas particulares deveriam ter o direito sim de trabalhar ou não com este tipo de aluno. Minha filha já foi vítima direta de uma criança com síndrome de down leve, chegou ao ponto de ir ao colégio reclamar pois a menina não tinha paz, a outra criança a perseguia dentro da escola na cabeça dela minha filha era uma boneca cuja qual tinha que brincar em um desespero da minha filha de 05 anos na época escondeu – se em baixo de uma mesa e acabou se ferindo, em outra vez minha filha não queria brincar com esta criança pois era agressiva e não querendo apanhar se negou e acabou apanhando do mesmo jeito…quer dizer que temos que sujeitar nossos filhos a isto? Pela “educação inclusiva” poupe – me só quem já sentiu na pele sabe que essas crianças têm sim necessidades especiais e necessitam sim de cuidados especializados!

    Marcello

    20 de novembro de 2015 às 15h57

    Prezado, Júlio. Por isto que os cursos de licenciatura incluem conteúdos dirigidos à educação inclusiva. A maior parte dos professores não pode alegar incapacidade, pois tiveram este conteúdo. Ninguém pega um diploma de licenciado sem ter tido esta preparação. E não sei exatamente que tipo de cuidados tão diferenciados uma PNE precisa. Tive alunos com deficiência auditiva que faziam leitura labial e tudo que pediam era que eu falasse voltado para a turma e não para o quadro, outros com paralisia cerebral precisavam de uma rampa e uma sala no térreo, outras com deficiência visual pediam que eu falasse pausadamente e em bom tom ou gravavam a aula. Mesmo que não seja licenciado, embora seja uma exigência do MEC, o instrutor ou professor pode passar por uma capacitação, procedimento comum em todas as empresas de médio e grande porte, e que não custa uma exorbitância. Um piso tátil, um banheiro para cadeirante e uma rampa custam menos do que as reformas que estes empresários fazem nos seus terraços Gourmet para receberem seus amigos. O problema não é o custo. É mera discriminação. Além disso, a inclusão é demonstração de responsabilidade social de uma empresa, fato que afeta favoravelmente a imagem e a reputação da organização e funciona como um apelo de marketing. Não tem como sustentar um argumento falacioso como este da Confenen!

    Marcello

    20 de novembro de 2015 às 16h07

    Alceisa,

    As referidas crianças precisam de escolas especiais tanto quanto precisam aquelas consideradas normais e que praticam bullying com frequência. Tem criança que é chata e mal educada, seja ela normal ou PNE. Quando criança fiz muita merda na escola e não sou RM (pelo menos não diagnosticado). O que a escola precisa é de um psicopedagogo e de um envolvimento mais próximo dos pais, das duas crianças, para que o conflito alcance resolutividade.

    Rosane

    22 de novembro de 2015 às 12h18

    Sr. Julio Silveira. As coisas não são bem assim. Tenho uma filha com dislexia grave, inclusive com problemas mas psicomotricidade fina e ampla. Ela teve que aprender a falar com uma fonoaudióloga e só conseguiu emitir orimeiro som (mã) com quase quatro anos. Aprendeu a caminhar etc. Depois de passar por uma educadora especial, cuja competência é inquestionável, uma vez que ela se especializou em alfabetização de deficientes em função do próprio filho que tem Síndrome de Dawn, minha filha foi aconselhada por professores de escolas com classes especiais, a estudar em classes fitas normais, pois se colocada nessas itãs classes, ela iria, não só retardar como passaria se sentir “especial” no sentido negativo. Pois bem, ela foi aceita numa escola particular e conseguiu aprender muito bem. As professoras de escolas ditas normais, tem muita capacidade para atender deficientes e, pela formação, são muito atenciosas e carinhosas. Resultado, hoje, minha filha já é uma moça de 30 anos, publicitária de sucesso, formada numa Universidade particular, continua com a sua deficiência, e apenas um detalhe, nunca rodou nem no ensino básico, nem na faculdade. Não por conivência de professores, mas por capacidade própria. Claro que desde o vestibular, que ao contrário de muitas pessoas “sãs”, passou de primeira. Claro que ela sempre teve que apresentar atestado pois a escrita leva a tendência de como ela fala, ou seja, troca letras que possam ter sons semelhantes tipo V por F etc. Para o conhecimento de vocês, as redações de pessoas com dificuldades especiais, são corrigidas em separado. E todos os professores confirmaram enfaticamente que deficiência NÃO É ERRO. Aliás, a maioria das crianças deficientes, que não apresentem um retardo muito grande, tem capacidade de aprendizado como, ou mais, qualquer outra pessoas. Aliás, eu tive um colega de faculdade, na PUC de Porto Alegre, que era surdo e mudo. E foi um brilhante aluno.
    Agora um comentário, primeiro sobre o texto acima apresentado, muito bom, reflete bem o que significa essa contramão dos avanços na Educação: sempre a ganância em detrimento do ser humano. E para concluir, essa escritora que eu considero de araque, a tal Lua Luft, que sabe mexer com as pala rãs, mas infelizmente não é e, segundo meu conhecimento, nunca foi brilhante com as ideias. Em relação à deficiência da minha filha, é exatamente o vice-versa.
    Obrigada por ler o meu testemunho.

    Julio Silveira

    22 de novembro de 2015 às 14h19

    Prezado Marcelo, acho que você devia conhcer mais a realidade das escolas. Um aluno surdo que sabe leitura labial não pode ser dado como unico exemplo. Há mais na realidade escolar do que você possa imaginar. Que curso habilita professores a lidar dentro de uma sala de aula com crianças com paralisia cerebral, surdas que não sabem leitura labial, cegas que não sabem braile, sindromes de: down, asperger, altismo, etc…sem falar nas crianças que ainda não são consideradas inclusão, como TDAH, violencia domestica, abusadas sexualmente…isso é o que me lembro agora e que ocorrem sistematicamente dentro do ambiente escolar, por incrivel Que te possa parecer.
    Coloca essas crianças numa turma que tem em média de 30 a 40 alunos, se você me garantir que isso pode dar certo, e que os professores com sua formação generica em inclusão conseguem tratar com essas especificidades, retiro o que escrevi. Sds

    Ana Maria

    22 de novembro de 2015 às 22h27

    Senhor Júlio, o senhor é professor? Se sim, trabalha com crianças deficientes? Trabalho em uma escola pública (Municipal) que atende de maneira inclusiva crianças autistas. As escolas públicas são equipadas com Salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado), na qual tem equipamentos, uma professora formada em Educação Especial e monitora. Enquanto o mundo se preocupa em promover a tolerância e a boa convivência é triste ver que algumas pessoas se sentem superiores e se acham no direito de barrar o acesso dessas crianças aos espaços de educação.

    Julio Silveira

    23 de novembro de 2015 às 11h05

    Sra. Rosane, saúdo o sucesso de sua filha, e também o seu empenho materno. Mas há um grande engano da classe média e alta brasileira quando generaliza o sucesso das exceções. Principalmente quando feitas das exceções dos empenho familiares. É aí, no meu entendimento, que mora o engano que favorecem a utopia, e a malandragem do uso do irrealismo daqueles que se movem para produzir o estelionato politico.
    Infelizmente a sua realidade está distante da realidade de uma maioria que, como a Sra. deve estar observando, agora luta até para não fechar escolas.
    Mas se a Sra. prestou bem atenção ao que eu escrevi, lá não tem nenhuma critica a inclusão em si, mas sim a forma com que a tratam, de maneira politicamente frágil, sem dar meios de se fazer a inclusão de forma consequente, responsável com igual resultados para todos. Principalmente ou inclusive às camadas sociais que não dispõem dos recursos que dispõe aqueles são usados como exemplo, e que confundem por serem justamente as exceções. Sds.

FrancoAtirador

20 de novembro de 2015 às 03h50

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A Pior Deficiência Humana é a de Caráter Ético
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Exacerbada pela Prática dos ‘Livres’ Mercados.
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(https://youtu.be/cuyBeR65Lvw)
(http://www.abpee.net/homepageabpee04_06/artigos_em_pdf/revista4numero1pdf/r4_art08.pdf)
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