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“Comunista, comunista”, gritaram apoiadores de Bolsonaro a jornalistas na posse; “amigáveis” a presidente circularam livremente
Valter Campanato/Agência Brasil
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“Comunista, comunista”, gritaram apoiadores de Bolsonaro a jornalistas na posse; “amigáveis” a presidente circularam livremente


02/01/2019 - 10h20

Os jornalistas não podiam se deslocar entre os diversos pontos da cerimônia de posse; o registro de Simone Kafruni, do Correio Braziliense (acima),  foi feito na chapelaria do Congresso Nacional

“Comunista! Comunista!” Assim a imprensa é recebida por apoiadores do novo presidente em frente ao Planalto há pouco. Paulo Silva Pinto, jornalista, no tweeter

Incrível, enquanto a imprensa séria está confinada em “chiqueiros”, como chamam os assessores de Bolsonaro, “comunicadores amigos” têm trânsito livre por toda a Esplanada. Isso está mais para Coreia do Norte do que para um país democrático. Vicente Nunes, jornalista

Fotógrafos não devem erguer suas máquinas. Qualquer movimento suspeito pode levar um sniper [atirador de elite] a abater o “alvo”. Orientação da Ascom aos jornalistas. Emílio Moreno, jornalista

Jornalistas protestam contra ‘cárcere privado’ e deixam cobertura da posse

Grupo estrangeiro, que estava no Palácio do Itamaraty, reclamou da impossibilidade de circular livremente para cobrir a posse do presidente Jair Bolsonaro. Depois de denunciarem ‘cárcere privado’, foram autorizados a sair antes do horário previsto

do Correio Braziliense

As limitações impostas pela equipe responsável pela segurança da posse presidencial, que ocorre nesta terça-feira (1º/1), a partir das 14h, têm gerado uma série de dificuldades ao trabalho da imprensa.

Jornalistas estão impedidos de transitar entre os prédios da Esplanada e da Praça dos Três Poderes e foram obrigados a chegar horas antes aos locais onde ocorrerão os eventos.

Em certos pontos, como no Congresso, os repórteres não têm acesso a água nem autorização para ir ao banheiro em determinados momentos.

Para cobrir a transição da faixa presidencial, os jornalistas de veículos nacionais e internacionais tiveram de comparecer ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a partir das 7h para pegarem ônibus que os levaram ao Planalto, Itamaraty e Congresso Nacional.

Depois do transporte, são obrigados a permanecer nos locais até a hora do evento, sendo que alguns deles, como a recepção no Itamaraty, só ocorrerão à noite.

A cobertura jornalística no Ministério das Relações Exteriores também começou tumultuada.

Na chegada ao Palácio do Itamaraty, os jornalistas credenciados foram conduzidos ao piso inferior e colocados na sala San Tiago Dantas, onde deverão permanecer até as 17h, quando serão, então, guiados ao térreo para acompanhar a chegada de autoridades.

O espaço, no entanto, não dispõe de janelas para que os profissionais possam ver o que acontece do lado de fora do palácio.

A limitação pegou de surpresa alguns jornalistas estrangeiros.

“No mapa, quando você vê o Palácio, acha que poderá filmar as coisas acontecendo na Esplanada. No fim, nos demos conta de que ficamos presos em uma sala de imprensa sem vidro, onde não podemos fazer nada para registrar a chegada de convidados”, lamentou Fanny Marie Lotaire, da rede de tevê France 24.

Após muitas reclamações, três jornalistas da emissora e um jornalista da agência oficial de notícias da China deixaram o Palácio do Itamaraty.

Sair, porém, não foi fácil. Inicialmente, a assessoria do Itamaraty explicou que eles não poderiam ir embora antes das 20h, quando saem os primeiros ônibus que levarão os jornalistas de volta ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Após críticas de que a reclusão imposta coloca a imprensa em uma situação de “cárcere privado”, a comunicação do ministério conseguiu um ônibus para levar quem desejasse sair.

“Prefiro ter minha liberdade de entrevistar qualquer pessoa passando na rua, mesmo que esteja vazia, do que ficar aqui”, disse Fanny.

Falta de água

Há informações, porém, de que as restrições não são para todos. Um grupo específico recebeu credenciais especiais de imprensa para circular pelo Palácio do Planalto.

O Correio viu o momento em que um comunicador, credenciado para o salão nobre, circulava pelo térreo com autorização da segurança.

No Planalto, até mesmo o lanche, como frutas e sucos, levados por alguns repórteres, foram recolhidos e jogados no lixo.

Mais tarde, no entanto, a segurança do palácio liberou os alimentos.

No Congresso, a jornalista do Correio Simone Kafruni, gravou um vídeo em que mostra as condições precárias a que estão submetidos os profissionais, que não tinham acesso a água nem podiam ir ao banheiro em determinados momentos.

Posição da Abraji

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticou as ações contra jornalistas.

“Um governo que restringe o trabalho da imprensa ignora a obrigação constitucional de ser transparente”, escreveu.

Segundo a Abraji, com as restrições, brasileiros receberão menos informações sobre a posse presidencial.

“Confinados desde as 7h, alguns com acesso limitado a água e a banheiros, eles não puderam interagir com autoridades e fontes, algo corriqueiro em todas as cerimônias de início de governo desde a redemocratização do país. A Abraji protesta contra este tratamento desrespeitoso aos profissionais que estão lá para fazer o registro histórico deste momento”, afirmou.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



8 comentários

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Jorge

02 de janeiro de 2019 às 19h58

Se o povo ao menos soubesse o que é comunismo, não ficaria falando as mesmas besteiras que o ignorante Coisa Ruim fala. Esse povo é tão ignorante que preferiu um mentiroso desequilibrado a um Professor.
Povinho gosta de ser enganado e de sofrer, vão na onda da mídia mentirosa como globosta, topa tudo por dinheiro, band_ida, isto “não” é verdade, não veja, o estadão noticias falsas e outros;

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a.ali

02 de janeiro de 2019 às 19h03

fora os vassalos por convicção e a esses meu BEMFEITO os outros, à mando do patrão, pagaram o pato. se o coiso foi eleito atraves twitter, então, pra que imprensa? e a ABI? acordou, hem golpista ?

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Zé Maria

02 de janeiro de 2019 às 17h47

Os Donos da Mídia Corrupta Tradicional vão tolerar e apoiar o Jair Bolsonaro
para que o Guedes consiga entregar o Patrimônio Público
ao Setor Privado, impondo as tais reformas desestatizantes
(previdenciária, administrativa, tributária…) ao Congresso Nacional.

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Zé Maria

02 de janeiro de 2019 às 17h31

JustiSSa ImparsSSial…

O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, pegou uma carona no voo da FAB (Força Aérea Brasileira) a convite do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), para participar nesta terça-feira (1º) da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Bretas foi a Brasília acompanhado da esposa, a juíza federal Simone Bretas, e do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

O magistrado é cotado para ser indicado pelo novo presidente a uma das próximas vagas a serem abertas no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello completarão 75 anos em 2020 e 2021 e terão de deixar o cargo. As vacâncias ocorrem no período de mandato de Bolsonaro —o presidente é responsável pela indicação a ser submetida ao Senado.

Bretas disse à Folha que foi convidado por Bolsonaro para as solenidades nos palácios do Planalto e do Itamaraty.
Maia, por sua vez, o convidou para a posse no Congresso Nacional.

Bretas disse não considerar que tenha havido conflito de interesse ao pegar carona no avião da FAB.

“Eu acho que não [tem conflito de interesse] Sou uma autoridade federal”, disse, ao chegar ao Palácio do Planalto.

Fato é que, sem qualquer evidência de intenção de interferência no processo eleitoral, atos da Justiça Federal afetaram adversários do ex-juiz ao longo da campanha.

A três dias da eleição, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), derrotado no segundo turno, foi acusado pelo ex-secretário Alexandre Pinto de coordenar fraudes a licitações em grandes obras e receber propina em depoimento a Bretas.

Anthony Garotinho (PRP), por sua vez, foi condenado criminalmente mês passado pelo TRF-2, ao qual Witzel era ligado.

Ao longo da campanha eleitoral, Bretas curtiu postagens de Bolsonaro no Twitter.

O juiz já se reuniu com o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito, em novembro.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/01/cotado-para-o-stf-bretas-pega-carona-com-witzel-em-voo-da-fab-para-posse-de-bolsonaro.shtml

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Roque Jones

02 de janeiro de 2019 às 16h58

Ué, os mortadelas gritam “fascista-fascista-fascista” para a imprensa quando esta cobriu
a prisão do Luladrão e outras manifestações petistas. Então, qual é o problema?

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maria do carmo

02 de janeiro de 2019 às 12h51

Bolsonaro bronco ja esta mostrando a que veio, esta chantageando os jornalistas, ditadura repressiva, que Deus acima de tudo, que familia crista, casou tres vezes sempre com uma mais nova, ja entra prejudicando o povo menos favorecido tirando 8 reais dos pobres, a esperanca que o oportunista se controlasse ruiu, defensor dos patroes, perseguindo funcionarios publicos na midia social, pobre povo brasileiro na mao desse maluco e familia, vai continuar com noticias falsas acusando socialismo e comunismo que nao existe no Brasil, todos os eleitores do Bolsonaro bronco vao sentir na pele, so os empresarios milionarios que o ajudaram se eleger com milhoes de noticias falsas contra o estadista Lula inocente e preso sem provas, noticias falsas contra Haddad e contra o povo, o Brasil e o mundo estao vendo ficara na historia!

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Edgar

02 de janeiro de 2019 às 12h26

Só posso dizer uma pavavra: ‘bemfeito. ‘
“As limitações impostas pela equipe responsável pela segurança da posse presidencial, que ocorre nesta terça-feira (1º/1), a partir das 14h, têm gerado uma série de dificuldades ao trabalho da imprensa.”
ISSO é coação, cárcere privado, sequestro. É um aviso claro e inequívoco aos grandes barões da mídia e a jornalistas não puxassacos que se não cobrirem as primaveras da família bolsonaro a fonte vai secar. Vão virar jornal de cidade do interior que só fala bem do prefeito e da família do mandatário local em troca de verba publicitária.
Nada mais foi do que uma ameaça a profissionais e empresas de mídia.
Repito minha única palavra: ‘bemfeito’.
É isso que dá ser vassalo.
Foram tratados como recrutas.

Responder

    Julio Silveira

    03 de janeiro de 2019 às 12h50

    Bem feito? Engano seu, meu caro, a midia corporativa e seus mercenarios e donos, corruptos por cultura, se adequarão, acoitarão mansamente e até aderirão por interesse, como já o fizeram antes no passado. Iludesse quem acredita que a imprensa corporativa sofre. Não esquecer, ela patrocinou o golpe criou e sustentou os idolos do golpe, no vacuo dos governos que se afirmavam de esquerda, mas que desprezaram a propria ideologia e a cultura forte de ideologia facista que se camufla de patriota para tomar em suas mãos a liberdade democratica. A midia corporativa é associada ao fascismo e vai sobreviver como antes sentando a mesa e escolhendo os caminhos do Brasil que permanecerão corruptos por se tratar de principios da ideologia dos direitas. Não se engane.


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