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Cartas de Minas
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Com mais de dois anos de atraso, Lava Jato vai olhar os arquivos da Mossack & Fonseca

18 de março de 2018 às 16h53

Da Redação

Reportagem da Folha de S. Paulo do sábado, 17, assinada por Flávio Ferreira, anuncia que finalmente os investigadores da Lava Jato em Curitiba vão analisar os 36 mil gigabytes de informações apreendidas na sede da Mossack & Fonseca, na avenida Paulista, em São Paulo.

A empresa, especializada em esconder patrimônio e facilitar evasão fiscal, anunciou que vai fechar as portas no Panamá.

Ela esteve no epicentro dos Panama Papers. A clientela, antiga e em potencial, ficou reticente.

No Brasil, também foram encontrados documentos e anotações no escritório, sobre os quais o Viomundo se debruçou em 2016, logo depois da Operação Triplo X, uma das fases da Lava Jato.

Foi então que descobrimos que Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho, aparecia em anotações como responsável pelo pagamento das taxas de manutenção de três empresas offshore, a A Plus, a Juste e a Vaincre LLC, baseadas respectivamente no Panamá, nas ilhas Seychelles e em Nevada, um refúgio fiscal interno dos Estados Unidos — assim como Delaware.

Em nossa página no Slide Share, compartilhamos boa parte dos documentos apreendidos.

“Muitas pessoas famosas e outras nem tanto usaram a Mossack & Fonseca para criar offshores e lavagem de dinheiro, até de narcotráfico e terrorismo”, disse o procurador Januário Paludo à Folha. “Não dava para deixar de lado”, acrescentou.

O problema é que dois anos de atraso é o suficiente para permitir que se apaguem, ainda que apenas formalmente, as impressões digitais, além de contar no tempo da prescrição de eventuais penas.

Os papéis apreendidos permitiriam mapear os intermediários que forneciam serviços da Mossack a “cidadãos de bem”: médicos, advogados, empresários, muitos dos quais interessados em criar empresas de papel fora do Brasil com o objetivo de sonegar.

A propriedade de uma offshore não é, em si, um crime, desde que ela seja declarada ao imposto de renda.

No caso de Paula Marinho, a Vaincre LLC, da qual ela pagou taxas de manutenção, é sócia da Agropecuária Veine, controladora da mansão de Paraty — da qual Paula e o agora ex-marido Alexandre Chiapetta de Azevedo desfrutaram.

Em nota, através de uma advogada, os donos da Globo informaram à época das denúncias que ninguém da família tinha relação direta ou indireta com a propriedade da mansão.

Sendo assim, por que Paula Marinho pagava as taxas de manutenção da Vaincre LLC?

Desde que o caso foi divulgado na blogosfera, o quadro societário da Agropecuária Veine, registrado na Receita Federal, mudou.

Antes, apareciam como sócios Jorge Luiz Lamenza (administrador), Vaincre LLC (pessoa jurídica domiciliada no Exterior) e Celso de Campos (administrador).

A Vaincre tem como procuradora Lucia Cortes Rosemburgue, que mora num apartamento simples do Grajaú, no Rio de Janeiro. Não está claro porque ela é procuradora de uma empresa baseada em Las Vegas, Nevada, aberta pela Mossack & Fonseca.

Agora, nos registros da Receita, Celso de Campos deu lugar a Marco Aurelio Chiapetta de Azevedo. Marco Aurelio é pai de Alexandre.

Ou seja, o casal Alexandre-Paula, agora desfeito, se afastou ainda mais de qualquer relação documental com a mansão de Paraty.

O hiato de dois anos entre a apreensão e a investigação dos papéis da Mossack pode ter permitido muitas outras mudanças como esta, feitas de boa ou má fé, relevantes ou não para os investigadores.

É duvidoso acreditar que o MPF e a Polícia Federal teriam dado dois anos de “prazo” se os investigados fossem outros. Por exemplo, petistas.

Críticas às prioridades da Lava Jato não são novas.

Ao depor na CPI da JBS, o advogado Rodrigo Tacla Duran, acusado de lavar dinheiro de empreiteiras, contou o caso do Meinl Bank, de Antigua, que era a fachada da Odebrecht para pagar propina.

Para Duran, três dos sócios do Meinl Bank foram beneficiados pelo MPF.

Duran sustentou, no depoimento: “A delação dos acionistas do banco Vinícius Borin, Luiz França e Marco Bilinski é de junho do ano passado [2017]. O Meinl Bank só sofreu intervenção do governo de Antígua em fevereiro deste ano, ou seja, entre a delação e a data da intervenção, passaram-se oito meses. Na delação deles, o senhor vai poder verificar que eles tinham permissão do Ministério Público Federal para viajar seis vezes ao ano, se não me engano. Pagaram uma multa irrisória. São três banqueiros que lavaram mais de US$3 bilhões, e cada um pagou R$1 milhão de multa. Não usaram tornozeleira, podiam viajar para Antígua seis vezes ao ano. Enfim, nesses oito meses, com a documentação do banco, sistema etc., ninguém sabe o que aconteceu. De uma coisa temos certeza: quem tinha dinheiro naquele banco, depois da delação deles, não foi lá pegar, não é?”.

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Heitor

19/03/2018 - 10h16

A lava jato só se ocupa com o pt, contra o psdb não dá em nada, a lava jato nem investiga. E com esses barões da globo ou folha que dão prêmios para o Moro, ele não vai fazer nada mesmo. Senão ele fica sem os prêmios.
Não dará em nada.
Já pensaram se um juiz de futebol recebesse prêmios do flamengo.

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jose carlos lima

19/03/2018 - 08h11

https://josecarloslima.blogspot.com.br/2018/03/a-ousadia-de-lula-desencadeou-guerra.html

A ousadia de Lula desencadeou a guerra híbrida dos EUA contra o interesse nacional

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Julio Silveira

19/03/2018 - 06h56

Se for do interesse estadunidense vai pra frente. Se houver interesse em envolver alguem ligado a esquerda vai pra frente. Como essa investigação envolve aqueles que fazem a cultura da yanke dependencia no Brasil, será do tipo “para ingles ver”.

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FrancoAtirador

18/03/2018 - 17h01

Mais uma Operação da PF pra Envolver Lula e o PT? Como Fez na Zelotes?

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