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Diário da Resistência


Cartel fraudador: Petistas pedem que MP investigue Serra por omissão
Denúncias

Cartel fraudador: Petistas pedem que MP investigue Serra por omissão


24/09/2013 - 11h10

por Conceição Lemes

No final de julho, deputados petistas entraram com representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) por indícios de omissão nas fraudes em licitações e contratos superfaturados com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Agora, eles ingressaram com ação semelhante contra o ex-governador José Serra (PSDB). Ela é assinada pelos deputados estaduais João Paulo Rillo, Adriano Diogo, Carlos Neder e Francisco Campos (Tito).

“Pedimosa investigação de Serra sobre possível improbidade administrativa,no período de 1º de janeiro de 2007 a 31 de março de 2010”, diz Rillo. “Há indícios de que Serra sabia da atuação do suposto cartel denunciado pela Siemens e não tomou nenhuma medida para coibir a atuação dele, o que configuraria omissão”

Três fatos pegam em cheio a gestão do ex-governador Serra, como mostra esta representação baseada em outras 15 ingressadas pelo PT no MP e em denúncias publicadas mídia.

FATO 1: R$ 20 MI A MAIS PARA ALSTOM, COM BASE EM ADITAMENTO ILEGAL

Há cinco anos, mais precisamente em 4 de junho de 2008, a IstoÉ revelou que, sem licitação, Metrô de São Paulo pagou à Alstom R$ 20 milhões a mais por trens.

Em 7 de maio de 2007 – portanto,  primeiro ano da gestão do governo Serra –, a direção do Metrô assinou um aditamento, que previa a aquisição de 16 trens pela empresa sem concorrência e com indícios de superfaturamento.

Na ocasião, utilizou-se de uma licitação “caduca”, de 1992, para aditar ilegalmente um contrato de 2007, celebrado entre Mafersa (posteriormente incorporada pela Alstom) e o Metrô. Ou seja, 15 anos depois, quando a lei já previa vigência de uma licitação e contrato por,no máximo, cinco anos.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) abriu investigação — TC 14593/026/92– para apurar o aditamento. Seis anos depois, mesmo com todos os indícios de ilegalidade, ele ainda não foi julgado pelo TCE.

Em 2008, o então líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Roberto Felício, protocolou representação junto ao MPE-SP para apurar as eventuais fraudes na compra destes trens.

O MPE-SP abriu o inquérito civil 396/2008, sob a responsabilidade do promotor Silvio Marques. Aparentemente este é um dos inquéritos reabertos pelo MP após a delação da Siemens. Antes, ele talvez tenha sido arquivado por “falta de provas”, assim como aconteceu com outros.

FATO 2: LINHA 5-LILÁS DO METRÔ SUPERFATURADA EM R$ 330 MI

Outro fato apontado na representação diz respeito à concorrência da Linha 5-Lilás do Metrô. Alckmin respalda a direção do Metrô em dar continuidade ao processo licitatório desenvolvido na gestão Serra.

Reportagem de outubro de 2010 da Folha de S. Paulo informou que os vencedores de oito lotes da concorrência da Linha 5  já estavam definidos seis meses antes de ela ser efetuada.

Em 3 de novembro de 2011, o MPE-SP entrou com ação na Justiça, pedindo anulação dela e o afastamento do presidente do Metrô, Sérgio Avelleda.

A direção do Metrô ignorou e decidiu prosseguir as obras da Linha 5, com o respaldo do governo Alckmin, que, na ocasião, em nota disse que não havia “qualquer fundamento jurídico” que justificasse a anulação da licitação.

Nessa mesma nota, Alckmin defendeu Avelleda, afirmando que a decisão de levar adiante o processo foi tomada pela diretoria do Metrô.

Porém, segundo O Estado de S. Paulo de 23 de abril de 2013, juíza Simone Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, aceitou a ação pública movida pelo MPE-SP e mandou citar Avelleda, já então ex-presidente do Metrô,e mais 14 das maiores empreiteiras.

Os citados terão de responder ação por improbidade administrativa por suposto prejuízo de, pelo menos, R$ 330 milhões, decorrentes de contratos firmados entre o Metrô e as seguintes empreiteiras: Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Serveng-Civilsan, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Heleno & Fonseca, Tiisa, Carioca Christiani-Nielsen, Cetenco, Odebrecht, OAS, CR Almeida e Consbem.

Curiosamente, Serveng e Tiisa estão citados no cartel denunciado pela Siemens e a Camargo Correia na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Houve aditamentos de R$ 170 milhões, dos quais R$ 37 milhões no lote da serveng.

FATO 3: REFORMA DE TRENS DAS LINHAS AZUL E VERMELHA DO METRÔ

Em 2009, no governo Serra, o Metrô abriu concorrência para reformar 96 trens das linhas 1 ( Azul) e 3 (Vermelha) em um valor total de R$ 1,75 bilhão. Segundo contratos oficiais, um trem novo custava R$ 23 milhões e o reformado saía por R$ 17 milhões. Ou seja, os trens reformados teriam um custo final de 86% de um trem novo.

Isso levou em  fevereiro de 2011 e em maio de 2012 o então deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), hoje secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, a entrar com representações  no MP para apurar  conluio entre empresas para que ganhassem as licitações para reformas de trens do Metrô com eventuais pagamentos de propinas para agentes públicos e privados de  São Paulo.

O próprio TCE-SP apontou que quatro contratos, para reformas de trens do Metrô,  realizados entre 2008 e 2009, custaram aos cofres públicos do Estado de São Paulo R$ 1,8 bilhão. Em despacho sobre esses mesmos contratos do Metrô, o TCE-SP concluiu:

 “A análise das presentes contratações revelou um contexto no qual houve apenas uma proposta do licitante único de cada lote. Em outras palavras, não houve propriamente uma disputa licitatória, mas, uma atividade de consorciamento, reunindo duas ou três empresas em cada consórcio, que por sua vez, ofereceu a proposta única de cada respectivo lote”.

Serra assim como Alckmin alegam não sabiam das fraudes em licitações e superfaturamento de obras, envolvendo as direções do Metrô e da CPTM.

Porém, reportagem de IstoÉ, de agosto de 2013, demonstrou que eles assim como o ex-governador Mário Covas sabiam do esquema do esquema envolvendo o cartel denunciado pela Siemens.

Outros indícios de que Serra sabia foram dois alertas feitos pelo TCE-SP e um pelo MPE-SP, todos ignorados.

O período delatado pela Siemens vai de 1997 a 2008.

No entanto, reportagem de o Viomundo, mencionada na representação ao MP, mostra que o cartel continuou atingindo de 2009 a 2013. E que o atual governo Geraldo Alckmin contratou, em 2013, por R$ 2,7 bilhões empresas acusadas de envolvimento no propinoduto tucano.

“O Ministério Público daqui só começou a se mexer depois das denúncias e medidas tomadas internacionalmente pela Siemens”, arremata Rillo. “Esperamos que, agora, o MP e o TCE-SP investiguem mesmo as denúncias em vez de sentarem em cima delas, como ocorreu nos últimos 20 anos de sucessivas administrações do PSDB no Estado de São Paulo.”

Representação contra José Serra ao MPE-SP  by conceicaolemes

Leia também:

Cartel dá R$ 307 milhões de prejuízo à CPTM; Alckmin faz vista grossa

Alckmin contrata empresas acusadas de envolvimento no propinoduto tucano

IstoÉ: Todos os homens que operaram o propinoduto paulista

Propina tucana frequentou conta laranja. Literalmente

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



31 comentários

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Promotoria apura se Serra sabia de cartel fraudador - Viomundo - O que você não vê na mídia

27 de fevereiro de 2014 às 14h13

[…] Cartel fraudador: Petistas pedem que MP investigue Serra por omissão […]

Responder

Siemens insinua que Alckmin “acoberta” corrupção | Blog da Cidadania

08 de dezembro de 2013 às 14h16

[…] de matéria recente da jornalista Conceição Lemes, que vem fazendo um trabalho investigativo sobre esse escândalo de enorme importância, mostra bem […]

Responder

leprechaun

26 de setembro de 2013 às 08h32

bobagem, não dá em nada, nunca, melhor seria se o PT saísse às ruas, como faz os black blocks e outros, esse negócio de ‘entrar na justiça’, ‘pedir explicações’, etc me dá nojo ….

Responder

Luís CPPrudente

25 de setembro de 2013 às 19h47

O governo do PSDB de São Paulo é um verdadeiro covil de lobos que atacam, sem cessar, o erário público.

PSDB hoje é sinônimo de corrupção.

PSDB também é sinônimo de traição nacional.

Responder

Urbano

25 de setembro de 2013 às 15h08

Ruim vai ser encontrar algo em que ele não tenha sido de alguma forma omisso…

Responder

Ozzy Gasosa

25 de setembro de 2013 às 13h31

Mas o MPSDB é dominando pelos demotucanos desde Cabral…
Elitezinha pé-rapada e sem escrúpulos.

Responder

Conceição acha o Cerra no metrô da Alstom | Conversa Afiada

25 de setembro de 2013 às 12h29

[…] Cartel fraudador: Petistas pedem que MP investigue Serra por omissão […]

Responder

Leandro_O

25 de setembro de 2013 às 07h51

Ahmmm… só uma pergunta: o MP pode decidir de livre escolha o que investigar a fundo e o que arquivar (ou ignorar)?

Responder

FrancoAtirador

24 de setembro de 2013 às 23h51

.
.
EX-GOVERNADORA TUCANA YEDA CRUSIUS [PSDB-RS] VOLTA A SER RÉ

EM AÇÃO JUDICIAL POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, DECIDE STJ

Yeda é acusada de desvio de R$ 44 milhões no Detran gaúcho

MPF
24/9/2013

Pedido do MPF é acolhido pelo STJ
e Yeda Crusius responderá por improbidade

Ex-governadora do Rio Grande do Sul
alegava que Lei de Improbidade
não se aplica a agentes políticos

A segunda turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu os embargos de declaração opostos pelo Ministério Público Federal no Recurso Especial 1216168/RS.

Com o provimento dos recursos, a ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius volta a ser ré em ação de improbidade administrativa no Juízo de primeiro grau.

A ex-governadora foi acusada de desvio de R$ 44 milhões no Detran gaúcho entre 2003 e 2007.

Outras oito pessoas também estão envolvidas no desvio e respondem a ação Justiça gaúcha.

Yeda Crusius alegava que, como agente político, não poderia ser acusada de improbidade administrativa.

Além disso, argumentava que os juízes de primeiro grau não têm competência originária para processar e julgar governadores por atos de improbidade.

O subprocurador-geral da República Aurélio Rios, responsável pelo parecer do MPF acolhido pela segunda turma do STJ, argumentou que, em julgado anterior, a Corte Especial do STJ decidiu que “os agentes políticos – com exceção do Presidente da República, não estão imunes à responsabilização por atos de improbidade administrativa, estando submetidos à Lei nº 8.429/92.

Aurélio Rios ainda lembrou que Yeda Crusius não ocupa mais o cargo de governadora e tal fato tem implicação direta na ação, uma vez que o STJ não detém competência originária para processar e julgar ação de improbidade intentada contra ex-ocupante do cargo que atraía o foro especial.

Por esse motivo, o subprocurador solicitou o retorno dos autos principais à primeira instância para regular julgamento da ação de improbidade administrativa.

(http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_geral/pedido-do-mpf-e-acolhido-pelo-stj-para-yeda-crusius-volte-a-ser-re-em-acao-de-improbidade)

Responder

Marcos Inácio Fernandes

24 de setembro de 2013 às 22h21

As coisas já estiveram melhor para o PSDB.

Responder

anderson

24 de setembro de 2013 às 21h44

TJMG “simula” extinção de processo, mas Aécio continua réu
Após manobra, assessoria de Aécio distribuiu falsa notícia sobre extinção de processo em que o senador é acusado por desvio de R$ 4,3 bilhões
Após o julgamento dos Embargos de Declaração apresentado por Aécio Neves no Agravo que lhe fora desfavorável na Ação Civil Pública que atribuía ao mesmo o desvio de R$ 4,3 bilhões da área da saúde durante seu mandato de Governador de Minas, Novojornal passou a buscar sem sucesso o Acórdão da decisão, uma vez que, segundo juristas que presenciaram o julgamento, o noticiado pela imprensa com base nas informações da assessoria de Aécio Neves, não correspondia à verdade.

Só quase trinta dias depois, nossa reportagem teve acesso ao Acórdão e constatou que sem dúvida alguma, Minas Gerais e seus Poderes encontram-se na pior quadra de sua história. É desconcertante constatar que acabou até mesmo o pudor entre a elite, permitindo que os desembargadores da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, em julgamento de uma ação que visa apurar o responsável pelo desvio de R$ 4,3 bilhões da área da saúde no Estado, transformassem o julgamento em peça de marketing político.
Os desembargadores, após negarem no agravo a extinção do processo o que gerou enorme repercussão na mídia nacional, criaram um factóide jurídico para ser explorado pela assessoria de imprensa do senador Aécio Neves na propagação de uma mentira na tentativa de neutralizar o grande clamor público contra o ato atribuído ao senador quando governador de Minas Gerais.

No dia 25 de Agosto passado, a imprensa nacional divulgou com enorme destaque: “TJMG anula ação contra Aécio na área de saúde”. As diversas matérias informavam que a decisão teria posto fim a um processo em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e que anteriormente já havia negado recurso do pré-candidato tucano à Presidência, senador Aécio Neves, que pedia extinção da ação na qual ele é acusado de improbidade administrativa por não ter aplicado em saúde o mínimo previsto na Constituição de 2003 a 2008, quando governava o Estado.

Na Ação Civil Pública, Aécio é acusado de ter incluído na prestação de contas do governo de maneira fraudulenta, gastos de mais de R$ 4,3 bilhões como se aplicados em saneamento na Companhia de Saneamento de Minas (Copasa).

Na ação do Ministério Público (MP) é questionado o destino de R$ 4,3 bilhões que teriam sido declarados na lei orçamentária como dinheiro repassado à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para investimentos em obras de saneamento básico. De acordo com a promotora Joseli Ramos Pontes, o repasse do dinheiro não foi comprovado.

Sob a grave acusação de desvio de R$ 4,3 bilhões do orçamento do Estado de Minas Gerais e que deveriam ser aplicados na saúde pública, a administração Aécio Neves/Antônio Anastasia (PSDB) – respectivamente ex e atual governador mineiro – tentou explicar na Justiça Estadual qual o destino da bilionária quantia que alega, teria sido investida em saneamento básico pela Copasa entre 2003 a 2009.

Dos R$ 4,3 bilhões desviados, R$ 3,3 bilhões constam da ação do MPE, que são recursos supostamente transferidos pelo governo estadual (maior acionista da Copasa) para investimento em saneamento básico, na rubrica saúde, conforme determina a lei, entre 2003 e 2008. Como a Justiça negou a liminar solicitada pela promotoria para que fossem interrompidas as supostas transferências, a sangria no orçamento do Estado não foi estancada.

De acordo com demonstrativos oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, somente em 2009 a Copasa recebeu mais de R$ 1,017 bilhões do governo Aécio/Anastasia para serem aplicados em ações e serviços públicos de saúde para cumprimento da Emenda Constitucional nº 29/2000, à qual os estados e municípios estão submetidos, devendo cumpri-la em suas mínimas determinações, como, por exemplo, a aplicação de 12% do orçamento em saúde pública (a partir de 2004), considerada a sua gratuidade e universalidade. Em 2003 a determinação era que se aplicasse o mínimo de10% da arrecadação.

Da mesma forma que não se sabe o destino dos R$ 3,3 bilhões questionados pelo MPE, também não se sabe onde foi parar esses R$ 1,017 bilhões supostamente transferidos para a Copasa em 2009.

A análise pelo MPE das prestações de contas do governo estadual iniciou-se em 2007, quando os promotores Josely Ramos Ponte, Eduardo Nepomuceno de Sousa e João Medeiros Silva Neto ficaram alerta com os questionamentos e recomendações apresentadas nos relatórios técnicos da Comissão de Acompanhamento da Execução Orçamentária (CAEO), órgão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), desde a primeira prestação de contas do governo Aécio. Chamou-lhes a atenção, também, o crescimento, ano a ano, a partir de 2003, das transferências de recursos à Copasa para aplicação em saneamento e esgotamento sanitário.

Os promotores Josely Ramos, Eduardo Nepomuceno e João Medeiros querem que a administração do governo de Minas e da Copasa, conduzida na gestão Aécio Neves/Anastasia, devolva ao Fundo Estadual de Saúde os R$ 3,3 bilhões que é objeto da Ação Civil Pública que tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual e que segundo eles podem ter sido desviados da saúde pública.

No pedido de liminar na ação na 5ª Vara da Fazenda Pública, os promotores solicitaram à Justiça que:

“seja julgado procedente o pedido, com lastro preferencial na metodologia dos cálculos apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, para condenar os réus, solidariamente ou não, à devolução de todos os valores transferidos à COPASA do orçamento vinculado às ações e serviços de saúde que não foram utilizados em saneamento básico entre os anos de 2003 e 2008, totalizando R$ 3.387.063.363,00 (três bilhões, trezentos e oitenta e sete milhões, sessenta e três mil e trezentos e sessenta e três reais), a serem depositados no Fundo Estadual de Saúde.”

O MPE requereu às instituições as provas que pudessem revelar como foram aplicados os recursos públicos constantes das prestações de contas do Executivo e nos demonstrativos financeiros da empresa. O que os promotores constataram foi outra coisa ao analisarem os pareceres das auditorias externas realizadas durante esse período:

“Além disto, as empresas que realizaram auditoria externa na COPASA, durante o período de 2002 a 2008, não detectaram nos demonstrativos financeiros da empresa os recursos públicos que deveriam ser destinados a ações e serviços da saúde.”

As discrepâncias contidas nas prestações de contas do Estado levaram os promotores a consultar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à qual a Copasa deve apresentar seus demonstrativos financeiros e balanços anuais.

Em sua resposta à consulta, a CVM respondeu ao Ministério Público por ofício que “após análise de toda a documentação, não foram encontrados evidências da transferência de recursos da saúde pública para investimentos da COPASA, nos termos da Lei Orçamentária do Estado de Minas Gerais e na respectiva prestação de contas do Estado de Minas Gerais, conforme mencionado na consulta realizada por esta Promotoria de Justiça”.

Na página 26 das 30 que compõem a ação, os promotores afirmam o seguinte sobre a ausência das autoridades convocadas para prestar esclarecimentos sobre o assunto:

“Ressalte-se que a COPASA recusou-se a prestar informações ao Ministério Público sobre os fatos aqui explicitados. Notificado a comparecer na Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, seu Presidente apresentou justificativa na data marcada e não compareceu”.

“A Contadora Geral do Estado também notificada a prestar esclarecimentos, na condição de técnica que assina a Prestação de Contas, também apresentou justificativa pífia e não compareceu na data marcada”.

“Finalmente, a Auditora Geral do Estado, que também assina as Prestações de Contas do Estado, que poderia e até deveria colaborar com a investigação, arvorou-se da condição de servidora com status de Secretário de Estado, por força de dispositivo não aplicável à espécie, contido em lei delegada estadual (sic) e não apresentou qualquer esclarecimento ao Ministério Público.”

Como o juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública estadual do TJMG, em setembro de 2012 determinara que as partes especificassem as provas que pretendiam produzir para proceder ao julgamento e sem qualquer defesa diante das incontestáveis provas dos crimes praticados apresentadas pelo Ministério Público, utilizando-se de uma artimanha considerada “despudorada”, Aécio deixou de lado sua defesa em relação aos crimes que tinha cometido passando a defender a tese de que seria competência exclusiva do Procurador Geral de Justiça o ajuizamento da ação contra Governador do Estado.

A negativa do TJMG ao Agrava que pedia a extinção do processo com base nesta “tese”, que tivera enorme repercussão na mídia nacional, fundamentara-se no fato que na data do ajuizamento da Ação, Aécio Neves já não era mais governador, quem exercia o cargo era seu sucessor Antonio Anastasia.

Segundo fontes do TJMG, após a decisão, capitaneada pelo presidente do tribunal, ardoroso cabo eleitoral de Aécio, procurou-se uma solução que além de retardar o julgamento da Ação Civil Pública criasse um “clima”, favorável para a imagem do Senador. Sem qualquer fundamentação jurídica sua defesa apresentou os conhecidos “embargos declaratórios”. É necessário que destaque-se, para surpresa da grande maioria de Desembargadores do TJMG, que não concordam com a exposição do tribunal, foi concedido ao mesmo “efeito infringente”, modificando a decisão, sem sequer julgar o mérito da ação.

Segundo fontes do tribunal isto ocorreu devido à quantidade de provas do desvio de R$ 4,3 bilhões, constantes da Ação Civil Pública. Voltando atrás no que já haviam decidido inclusive em relação ao fato de Aécio quando do ajuizamento da ação já tivera deixado o governo de Minas, os desembargadores aceitaram a tese de que só o Procurador Geral poderia ter proposto a mesma, determinando fosse notificado o Procurador de Justiça, função e cargo de escolha e indicação do Governador Anastasia para pronunciar-se se referendava ou não a ação proposta.

A falta de pudor é tamanha que mesmo antes do Procurador pronunciar-se a assessoria de Aécio Neves noticiou que a ação havia sido extinta. Não existe explicação para certeza da subserviência do Procurador Geral de Justiça ao que interessa o Poder Executivo.

Hoje se sabe que esta decisão teria sido o motivo do “sigilo”, imposto ao acórdão, uma vez que o mesmo não tem qualquer efeito prático a não ser como informado anteriormente, servir de factóide para embasar a falsa notícia de que a Ação Civil Pública havia sido extinta.

É esperada para os próximos dias a apresentação de um recurso contra esta “engraçada”, decisão pela Procuradoria de Direitos Difusos.

Ao contrário do noticiado, Aécio Neves continua réu na Ação Civil Pública que o acusa de ter desviado R$ 4,3 bilhões de recursos da área de saúde no período que governou Minas Gerais.

Responder

Marcilio Serrano

24 de setembro de 2013 às 21h00

Somente para lembrar dois nomes que eram ligados ao Serra, Paulo Preto e Richthofen. Pelas mãos deles passaram rios de dinheiro e o ladrão é o Genoino. Só pode ser piada pronta.

Responder

Zanchetta

24 de setembro de 2013 às 19h56

Ou seja, já que não tem indícios, vamos tentar por omissão…

Que tal jogar o “eunãosabia” nessa de “por omissão”?

Responder

Marat

24 de setembro de 2013 às 19h43

Para a imprensa 50 tons de marrom e seus seguidores, só é verdade o que apregoa a veja e a globo.

Responder

Erundina: Custo do transporte coletivo deve ser socializado - Viomundo - O que você não vê na mídia

24 de setembro de 2013 às 18h43

[…] Cartel fraudador: Deputados do PT pedem que MP investigue Serra por omissão […]

Responder

Luiz

24 de setembro de 2013 às 18h01

Vejam esta: A Justiça de Pindamonhangaba (SP) decretou bloqueio de bens, em caráter liminar, do empresário Paulo César Ribeiro, o Paulão, cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em ação civil por ato de improbidade. O embargo alcança R$ 1,12 milhão, segundo o Ministério Público Estadual. Mídia=silêncio

Responder

ricardo silveira

24 de setembro de 2013 às 16h47

Com a roubalheira de dinheiro público nos governos tucanos, denunciada pelos próprios corruptores, que vêm desde o governo Covas, nos anos 90, passando pelos governos Alckmin e Serra, todos corruptos, conforme as empresas que os corromperam, para ficar apenas no Governo de São Paulo e, mesmo assim, nada acontece aos tucanos. A justiça, no caso dos tucanos é sega, surda e muda. E, com tudo isso, ainda inventam o “mentirão”.

Responder

Bacellar

24 de setembro de 2013 às 16h34

Pq investigar? E o “dominio do fato”?

Responder

    renato

    24 de setembro de 2013 às 17h00

    Domínio do fato, serve só para pobre, preto, p…, e pessoas do PT.
    Não serve para a classe branca e rica deste país.
    Parece que não entendeu?

Pedroso

24 de setembro de 2013 às 16h03

DOMÍNIO DO FATO NELE….. simples assim…..

Responder

JCM

24 de setembro de 2013 às 15h04

Olha o domínio do fato aí gente!!! Isso com elementos da quadrilha denunciando, hein!! Será que para os tucaninhos lindos isso valerá?

Responder

Mário SF Alves

24 de setembro de 2013 às 14h27

Enquanto isso [e depois de tudo isso, inclusive o escândalo do mentirão], o PT simplesmente pede. Assim não dá, assim não pode. Ô, PT, muda o disco, exija, meu. Republicano esse PT, republicano até demais.

Responder

Aline C Pavia

24 de setembro de 2013 às 13h51

Uaaahhhh >bocejo<
História antiga, atual e futura, quantas CPIs a ALESP já engavetou?

Responder

Eduardo

24 de setembro de 2013 às 12h48

O Serra e Alkmim, têm “dominio dos fatos”.No momento está valendo esta jurisprudência do STF. Jurisprudência desmoralizada em SP. Não será aceita pelo MP de São Paulo! O que vale no MP de SP é : ” In certo pro pro suspeito”

Responder

jose carlos lima

24 de setembro de 2013 às 11h52

Lula disse dias atrás sobre a reforma politica ser necessária pq do jeito que está pobre não se elege pq as campanhas são caras.
Não achei no Google, alguém tem?
Há video e entrevista
Nesse Google a gente não acha certas coisas nem que a vaca tussa

Responder

    Roberto Locatelli

    24 de setembro de 2013 às 12h31

    Fui no Duck Duck – https://duckduckgo.com/ – que é um mecanismo de busca opensource, mas também não achei. Vou dar uma vasculhada melhor.

    Alemao

    24 de setembro de 2013 às 15h13

    É pq o Google é na verdade controlado pela CIA, e ela, como agência onipresente, faz de tudo para manter os brasileiros desinformados.

Luiz

24 de setembro de 2013 às 11h52

Os pelegos do MP-SP vão continuar procrastinando, para ser mais erudito. Tá no DNA e não vai mudar. Vão omitir o que julgarem incriminatório, vão subverter provas, vão provar que todos são vítimas.
Só a lei divina para cobrar a pena de cada um.

Responder

Wagner

24 de setembro de 2013 às 11h39

É só seguir o caminho da grana.

Responder

edir

24 de setembro de 2013 às 11h22

O PSDB lameado na corrupcäo e a mídia batendo no PT.

Responder

    Roberto Locatelli

    24 de setembro de 2013 às 12h32

    Pois é, o PSDB e a carcomídia são irmãos siameses.


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