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Carone: “Aécio foi a Caracas visitar golpistas. Já eu nem a família nem a Comissão de Direitos Humanos puderam me visitar”
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Carone: “Aécio foi a Caracas visitar golpistas. Já eu nem a família nem a Comissão de Direitos Humanos puderam me visitar”


24/06/2015 - 16h36

aécio e carone

por Conceição Lemes

Na quinta-feira passada, 18 de junho, Aécio Neves (PDSB-MG) e outros seis senadores brasileiros protagonizaram uma irresponsabilidade sem limite. Com o objetivo de provocar politicamente o governo Nicolás Maduro e constranger o de Dilma Rousseff, eles foram à Venezuela visitar Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma, que a mídia brasileira trata como “presos políticos”.

O partido de Lopez, o Vontade Popular, não tem um deputado na Assembleia Venezuelana. Ele pretendia extinguir todas as instituições democráticas do país. Foi o principal incitador das “guarimbas”, manifestações violentíssimas que ocorreram no país no início de 2014, e que resultaram nas mortes de 43 pessoas.

Um membro do governo venezuelano denunciou a Miguel do Rosário, de O Cafezinho, que esteve lá na semana passada:

“Em 23 de janeiro de 2014, Leopoldo Lopez, Maria Corina Machado [deputada cassada] e Antonio Ledezma [prefeito de Caracas, também preso] identificados como a ala radical da oposição, convocam a imprensa para anunciar o plano que eles chamaram ‘La Salida’. O objetivo do plano era a deposição do presidente Nicolás Maduro. Houve pequenas manifestações inicialmente. Mas em 12 de fevereiro, deste mesmo ano, eles convocaram uma manifestação até o Ministério Público. Era o “dia da juventude” e a convocação foi voltada principalmente para os estudantes universitários. A convocatória foi feita por Leopoldo, ele veio encabeçando a manifestação, e quando chegaram diante da Procuradoria, os líderes sumiram e começou a bagunça. Quebraram a sede do ministério público, tentaram incendiá-la.”.

“Vários agentes da ordem foram executados com tiros na cabeça. Eles (os “guarimbeiros”) colocavam fios de arame de poste a poste, atravessando a rua, que provocaram a degola de vários motociclistas”.

Desde o Brasil, uma pessoa acompanhou com especial atenção a esparrela dos tucanos e agregados e a caradura de Aécio: o jornalista Marco Aurélio Carone.

Carone mantinha o site Novo Jornal, onde publicava denúncias contra os tucanos mineiros, especialmente Aécio, que governou Minas de 2003 a 2010.

Acabou preso. Ficou encarcerado de 20 de janeiro a 4 de novembro de 2014, no complexo penitenciário segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH.

O bloco parlamentar Minas Sem Censura (MSC) denunciou à época: a prisão de Carone foi  uma armação e teve a ver com o chamado “mensalão tucano” e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.

Viomundo — O que te passou pela cabeça quando leu a notícia de que Aécio Neves iria à Venezuela visitar dois golpistas?

Marco Aurélio Carone – Tive certeza absoluta de que o senador é uma pessoa desprovida de qualquer principio ético e moral. Ele continua imaginando que, através de uma cobertura midiática favorável,  pode manter uma imagem desassociada da truculência e da censura. Mas não pode. Jornalistas mineiros sabem muito bem disso. E o que aconteceu comigo é a maior prova.  Permaneci preso em um presídio de segurança máxima por 9 meses e 20 dias, em condições sub-humanas, sendo que nos últimos três últimos – justamente no período eleitoral –, em isolamento absoluto.

Tudo sem qualquer condenação. Meu crime: Publicar matérias que denunciavam o esquema criminoso e corrupto montado por ele em Minas Gerais

Viomundo – Qual foi fundamentação para prisão?

Marco Aurélio Carone – Manutenção da ordem pública e evitar que eu continuasse a publicar matérias que, na opinião do Ministério Público  de Minas e da juíza que determinou a minha prisão, poderiam interferir negativamente nas eleições de 2014.

Meu jornal foi literalmente saqueado: os bens e documentos apreendidos sequer foram relacionados. Cabe destacar que, três meses antes da minha prisão, eu tinha ganho uma ação por acusação idêntica no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que determinara que o Novojornal com terminação .br, fosse restabelecido. Eu tinha sido impedido de funcionar igualmente por uma medida cautelar indevida e absurda. Decisão esta que até hoje não foi cumprida pelo Poder Judiciário e Ministério Público mineiros.

Viomundo – Uma provocação: Aécio foi te visitar na prisão?

Marco Aurélio Carone — O ‘democrata’ foi a Caracas visitar golpistas. Já eu, em Minas, nem mesmo minha família pode me ver. Até a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi impedida de manter contato comigo.

Meu tratamento cardíaco e de diabetes foi interrompido. Estava recuperando de uma cirurgia de quadril devido um acidente automobilístico. Não tive qualquer atendimento fisioterápico. Minha perna direita agora, quase sete meses depois, começa a dar sinal de que vai voltar a movimentar, permitindo que eu largue as muletas… Praticamente todo o tempo de prisão permaneci deitado.

Viomundo – Como está o processo contra você?

Marco Aurélio Carone — Parado.

Viomundo – A Globo foi à Venezuela acompanhar a visita de Aécio aos dois golpistas. Só que ela, assim como a mídia em geral, ignorou totalmente o que aconteceu com você, que foi realmente preso político do governo tucano de Minas. O que acha disso?

Marco Aurélio Carone — São coisas da vida, meu bisavô e avô já passaram por isso, assim como meu pai em 1964. Ele era prefeito de Belo Horizonte e foi cassado pelo golpe miliar. Embora dono de duas usinas de açúcar, devido ao bloqueio de seus bens, entrou em tremenda dificuldade financeira.

Minha família composta por mim, minha mãe meu pai, dois irmãos e uma irmã, fomos morar em um quarto do Hotel Amazonas em Belo Horizonte. À noite, meu pai descia comprava uma pratada de macarrão e todos nos comíamos satisfeitos. Não poucas vezes, no dia seguinte, os jornais Estado de Minas e Diário da Tarde estampavam na capa manchetes dizendo que meu pai tinha sido cassado porque roubara. Respondeu 14 processos sem sair do Brasil. E em pleno regime de exceção foi absolvido.

Talvez daqui alguns anos quando fizerem uma nova comissão da verdade meu caso seja citado pela grande imprensa.

Leia também: 

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23 comentários

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Julio Silveira

27 de junho de 2015 às 17h51

Meu caro Carone, nunca tivemos um grupo politico de esquerda que fizesse valer suas prerrogativas eleitorais, preferindo capitular por um pragmatismo enfraquecedor que entrega aos adversários da maioria a faca e o queijo, para a sua conveniencia decidir os destinos politicos da cidadania. Essa sua indignação e sua humilhação sofrida tem causa, e a causa é a fraqueza de fazer valer as vitórias eleitorais, deixando passar as oportunidades de constituir um corpo juridico administrativo afim com o discurso e as causas vencedoras das eleições. No fundo realmente pareçe que estão lá para garantir a perpetuidade da segurança economica as suas familias, por que a dos demais cidadãos que dependem da seriedade de suas posturas politicas, esses estão sempre vulneraveis.

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Sergio Santos

27 de junho de 2015 às 11h28

A Justiça brasileira é uma ficção. Em pleno regime democrático acontece um absurdo desses. É uma das ações dessa elite podre brasileira que não admite perder seus privilégios históricos e esmaga qualquer manifestação da moral e da decência. Esse Aécio é, mesmo, um mau caráter.

Responder

FrancoAtirador

25 de junho de 2015 às 23h20

.
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Perseguição em Minas Gerais se inverteu:
Agora, é contra o Governador, do PT, claro…
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Jornal GGN – Carolina Pimentel, esposa do governador mineiro Fernando Pimentel (PT),
divulgou uma nota à imprensa, na tarde desta quinta-feira (25), criticando
a ação de busca e apreensão deflagrada pela Polícia Federal no âmbito da
Operação Acrônimo. A PF cumpriu diligências em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Em Brasília, levou equipamentos e documentos da agência de publicidade Pepper Interativa, que cuidou das redes sociais da campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2014.
.
Carolina disse que as autoridades da Acrônimo divulgaram indevidamente
uma série de documentos de sua antiga empresa, a Oli Comunicação,
investigada na primeira fase do inquérito.
.
A primeira-dama já havia enviado explicações à Justiça na tentativa de esclarecer
que a Oli, nos anos em que existiu, não exerceu nenhuma atividade ilegal.
.
A PF investiga as conexões entre a Oli Comunicação e a Pepper.
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Segundo o Estadão, a antiga empresa de Carolina havia prestado serviços para a Pepper,
mas a primeira-dama afirma que, em todos os casos, os clientes eram empresas privadas,
nunca do setor público ou partidos políticos.
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Abaixo, a nota na íntegra.
.
“Comunicado em 25/06/2015
.
No dia 29 de maio, a Polícia Federal deflagrou uma operação de busca e apreensão
na minha residência em Brasília, sem justa causa, uma vez que os argumentos usados
não correspondem a realidade, como demonstrado com documentos oficiais
no site: (http://www.comunicadoimprensa.com.br),
criado especificamente para os esclarecimentos das denúncias.
.
Comprovamos ao juiz da 10a. Vara da Justiça Federal
que a empresa Oli Comunicação e Imagem Eireli:
.
‘Funcionou regularmente entre 2012 e 2014;
Não compartilhou seu endereço com outras empresas;
Não teve qualquer relação financeira com as outras empresas investigadas na Operação Acrônimo;
Não trabalhou para órgãos públicos, partidos politicos ou ainda para empresas fora do setor de comunicação’
.
Hoje, 25 de junho, em nova operação, foram divulgados indevidamente
os dados do sigilo fiscal da Oli Comunicação Imagem Eireli,
obtidos na primeira busca e apreensão, questionada anteriormente.
.
Sobre a publicação destas informações, esclarecemos:
.
A Oli Comunicação e Imagem Eireli prestou serviços de comunicação digital
para a Pepper Interativa, entre 2012 e 2014.
Entre esses serviços, nenhum foi prestado ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES);
.
A Oli Comunicação e Imagem também prestou serviços para a MR Consultoria,
entre 2012 e 2014. A empresa pertence ao jornalista Mario Rosa,
um dos consultores de imagem e gerenciamento de crises mais reputados do Brasil,
com diversos livros publicados e palestras requistadas por todo o país.
.
A MR Consultoria também não presta serviços para órgãos públicos e partidos políticos.
.
Portanto, todos os serviços prestados pela Oli Comunicação estão relacionados
a clientes privados, que passaram por crises de imagem e de comunicação
ao longo deste período.
.
Só tenho a agradecer pela confiança e oportunidade de trabalhar
com um dos melhores jornalistas do Brasil.”
.
(http://jornalggn.com.br/noticia/pf-mira-agencia-que-nao-trabalhou-com-poder-publico-diz-mulher-de-pimentel)
.
.

Responder

ro

25 de junho de 2015 às 11h24

Requião foi entrevistado pela Globo na Venezuela, falou umas verdades que a Globo com certeza não vai colocar no ar.

Responder

Museusp Batista

25 de junho de 2015 às 09h25

Uma coisa me chamou a atenção. Não sei se entendi direito mas, ao que parece, na Venezuela o Ministério Público não é aparelho de apoio da ala reacionária mais radical?? Será que, além de não ser aparelho, ainda possa ser cumpridor de suas funções, voltadas ao interesse público e não partidário???

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leandro oliveira

25 de junho de 2015 às 08h49

Essa é a justiça tucanalha de MG e do Brasil …

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dudu

25 de junho de 2015 às 05h47

Sabe onde ta o erro da esquerda? No foco. Ficam perdendo energia com FHC, Aécio, etc.. E esquecem da economia. O Brasil ta desmanchando, as contas da Dilma estão para serem rejeitadas, a luz com aumento de 43%, a inflação OFICIAL prevista para 9% (a real costuma ser bemmmm maior), recessão, desemprego e ficam se preocupando com políticos derrotados como se o povo estivesse preocupado com isso. Enquanto tiver arrocho a popularidade vai continuar caindo e com isso as oportunidades surgem para minar a presidente. Já virou um pato manco. É a economia.

Responder

Sergio Soares

24 de junho de 2015 às 23h30

Eu acho q o problema do Sr Carone é com a Justiça q o prendeu e não com o Senador Aécio Neves…

Transferir responsabilidades para criar um fato político não é exatamente uma atitude muito ética, não é?

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alexandre de melo martins

24 de junho de 2015 às 21h47

devemos pedir que senadores venezuelanos venham visitar as prisoes do aecim , e entrevistar o marco carone.
depois publicar na midia mundial.

Responder

Francisco

24 de junho de 2015 às 20h40

Porque a esquerda brasileira não foi visita-lo na cadeia, com grande estardalhaço e cobertura internacional?

Pois é.

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    Jair Fonseca

    25 de junho de 2015 às 23h21

    O pessoal do Minas Sem Censura, capitaneado pelo deputado estadual Rogério Correia, do PT, denunciou esse caso como pôde. Saiu coisa aqui no Viomundo e um ou outro blogue. Claro que não saiu NADA na grande mídia.

Luís CPPrudente

24 de junho de 2015 às 20h16

O arruaceiro senador Playboy do Leblon, dono do Aeroporto Internacional de Claudio é um pilantra mesmo, além de entreguista e golpista.

Responder

Cláudio

24 de junho de 2015 às 19h13

:
Ouvindo A Voz do Bra♥S♥il e postando:
* 1 * 2 * 13 * 4
*************
Um poema (acróstico) para Dilma Rousseff, a depenadora de tucanus :
.:.
D uas vezes contra o espectro atro
I nscreveu já seu nome na história
L utando contra mídia venal & Cia e seu teatro
M ulher forte de mais uma vitória
A deixar tucanus na ó-posição de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! DE QUATRO ! ! ! !
.:.
D ilma, coração valente,
I magem de todo o bem em que se sente
L ivre o amor maior pela brasileira gente
M uito humana e inteligente
A PresidentA do nosso Lula 2018 de novo Presidente
.:. Ley de Medios Já ! ! ! !
Lula 2018 ! ! ! ! ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Responder

Carlos

24 de junho de 2015 às 19h10

As emissoras do PIG podem interferir nas eleições contra o PT.

Responder

marcosomag

24 de junho de 2015 às 18h43

E a “coragem” do “ministro” da Justiça para “peitar” os agora, ex-ditadores de Minas Gerais? Não tem!

Responder

Julio Silveira

24 de junho de 2015 às 17h54

Acho que o Aécio queria era um motivo pra ficar mais perto da Colombia, país de tantas afinidades, inclusive na proximidade com os yankes. Como eles foram ele e sua trupe foram a Venezuela de avião ou helicoptero?

Responder

Tio Osvaldo

24 de junho de 2015 às 17h11

O horror

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