VIOMUNDO

Diário da Resistência


Rede Brasil Atual: Jornalistas tinham informação privilegiada na véspera da prisão de tesoureiro
Denúncias

Rede Brasil Atual: Jornalistas tinham informação privilegiada na véspera da prisão de tesoureiro


16/04/2015 - 19h46

Captura de Tela 2015-04-16 às 19.52.29

Foi o juiz quem vazou?

ATITUDE

A RBA, a liberdade de expressão e o direito de incomodar

Nos somamos a um amplo universo de fazedores de comunicação, contribuindo com a diversidade da abordagem dos fatos. E passamos a incomodar a imprensa comercial e seus patrocinadores

por Redação da RBA publicado 16/04/2015 18:52, última modificação 16/04/2015 19:23

Tarde de terça-feira (14), véspera do dia de manifestações de movimentos sociais contra a direita, por mais direitos e contra a terceirização desenfreada permitida pelo texto do Projeto de Lei 4.330. O repórter de um grande jornal telefona para a redação da RBA.

Procura o diretor-geral da Editora Atitude, Paulo Salvador, e questiona sobre a menção à empresa nas investigações da Operação Lava Jato. Salvador se diz surpreso, que desconhece o tema, e explica as origens e o funcionamento do empreendimento de comunicação, que tem como produtos a Revista do Brasil, o portal Rede Brasil Atual, edições regionais de um jornal impresso e a produção de conteúdo jornalístico para a Rádio Brasil Atual. Matéria prima: jornalismo.

À primeira observação, salta o detalhe: um profissional da imprensa tradicional tinha em mãos, um dia antes da prisão do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o teor da nova etapa do processo que corre em segredo de Justiça. Não era o único. Tudo leva a crer que as redações dos maiores veículos habitualmente favorecidos pela prática do vazamento seletivo de informações sigilosas já estavam com seus textos elaborados antes do fato político – a prisão – ser consumado. Aguardava-se o “publique-se”, como dizia o personagem de Paulo Betti na novela das nove, Téo Pereira, blogueiro investigativo.

O episódio – informação privilegiada destinada a ferir apenas uma parte dos investigados – é apenas mais um entre tantos que têm levado juristas renomados, defensores da Lava Jato, a se preocupar com os riscos da abusividade e das ilegalidades para a credibilidade e a eficácia da operação.

No enredo, a RBA é atingida lateralmente, já que o alvo do procedimento era outro: alimentar o ódio ao PT e à CUT em um dia de manifestações contundentes em todo o Brasil em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos avanços sociais e democráticos. A RBA, diga-se, é um dos frutos colhidos pela consolidação da democracia no país nos últimos anos.

É a primeira experiência brasileira na história recente, e referência para organizações de trabalhadores em vários países do mundo, de aglutinação de forças de algumas das entidades sindicais mais representativas e respeitadas do país em torno de uma causa que mexe com a vida dos cidadãos para além de seus locais de trabalho: o direito humano à informação.

Dessa convicção, em 2006, surgiu a Revista do Brasil, uma publicação mensal que hoje alcança 200 mil trabalhadores e suas famílias, com dois propósitos editoriais bem definidos: levar informação para quem não tem acesso a outros veículos, estimulando o hábito da leitura, e para quem tem acesso mas não está satisfeito com o que lê. Proporcionar, enfim, o prazer da leitura e a formação de um pensamento crítico não terceirizado pelo conteúdo convencional da imprensa comercial. Com o mesmo objetivo, passaram a integrar esse projeto o portal e a rádio.

Movida a jornalismo desde seu nascedouro, a RBA conquistou respeito e credibilidade junto a políticos e intelectuais, artistas e ativistas sociais, trabalhadores, integrantes de movimentos sociais das mais diversas vertentes e cidadãos anônimos passaram – como fontes e como consumidores de informação. Não é por menos que o portal recebe em média cerca de 1 milhão de visitas, sem contar sua produção de conteúdo exclusivo que é reproduzida por outras páginas da internet, veículos impressos e emissoras pelo país – algumas vezes com crédito, outras não.

Somos procurados por jornalistas e estudantes que ambicionam viver profissionalmente de um trabalho que assegure liberdade e sintonia com seus ideais. E também por universitários que nos tomam como objeto de pesquisa e de aprofundamento acadêmico.

Nesse contexto, nos somamos a um amplo universo de fazedores de comunicação – alguns com mais rodagem, outros contemporâneos, outros que não param de surgir –, contribuindo com a diversidade da abordagem dos fatos. E passamos a incomodar a imprensa comercial e seus patrocinadores.

A RBA não tem por hábito, ao citar uma informação extraída de um ou outro veículo tradicional, acrescentar-lhe um juízo de valor ou um atributo com intenção desqualificadora. O leitor não lê aqui, por exemplo, “… segundo matéria de O Globo, jornal que apoiou a ditadura, a flexibilização dos direitos trabalhistas e o fim da política de valorização do salário mínimo e pertencente a um grupo acusado de sonegação…”; também não encontra “… de acordo com a Folha de S.Paulo, editado por empresa que emprestava veículos a órgãos de repressão e ligado a correntistas de paraísos fiscais”; tampouco cita o “… Estadão, jornal que nas últimas eleições declarou apoio aos candidatos do PSDB”; muito menos cita a Editora Abril como fornecedora privilegiada de assinaturas para governos sem licitação ou detentora de um monopólio de distribuição de publicações impressas que dificulta ou inviabiliza a circulação de concorrentes. Nem sequer fazemos questão de lembrar que todos eles atuam assumidamente de maneira organizada em torno do Instituto Millenium, mantido por grandes empresas com o propósito de estimular e sustentar a produção de informação e a formação de comunicadores sintonizados com seus interesses políticos, econômicos, ideológicos e comerciais.

Entretanto, não é raro que a citação a nossos veículos venha seguida de um, “ligado à CUT e/ou ao PT”.Sempre com intenção de minar a credibilidade jornalística. Para nós, por trás da arrogância editorial queapropria aos veículos tradicionais exclusividade do direito ao jornalismo e à liberdade de expressão – e que lamentavelmente contamina colegas que acabam se tornando escudeiros ideológicos de seus patrões – está mais um sintoma de que a RBA, como todos os veículos que ousam remar contra a corrente ideológica da imprensa comercial – incomoda.

Em tempo: consideramos que CUT, PT, demais centrais, demais partidos e toda e qualquer organização social têm todo o direito de ter seus veículos de comunicação. Mas não somos “da” CUT ou “do” PT. Nossa política editorial é assumidamente de esquerda, humanista, voltada para o estímulo à participação social, à defesa intransigente dos direitos humanos, à busca da cidadania plena para as maiorias da população e às minorias oprimidas por preconceitos nefastos, à construção de um novo modelo de desenvolvimento que viabilize o planeta para as gerações futuras. Nossas afinidades com pontos programáticos, seja da CUT, seja do PT, não nos priva da liberdade editorial de produzir conteúdo que ora desagrada seus militantes e dirigentes, ora desagrada seus opositores.

Aos nossos leitores e seguidores que, como todos nós, se sentiram perplexos com a forma como a RBA e a Editora Atitude foram abordados no dia de ontem (15), fica a nossa mensagem: 1) os recursos que sustentam nossos veículos são provenientes de entidades determinadas em fazer dos investimentos em comunicação umsindicalismo cidadão, de prestação de serviços editoriais que têm o jornalismo como matéria-prima e de uma escassa receita de publicidade e patrocínios; 2) os recursos destinados pelas entidades sindicais são objeto regular de prestação de contas de seus associados, bem como integrantes dos programas de gestão por meio do qual são democraticamente eleitas; e 3) todos os recursos são integralmente destinados às despesas operacionais e administrativas decorrentes da produção, distribuição e veiculação de conteúdo jornalístico, e devidamente contabilizadas.

No plano legal, a Editora Atitude está em dia com suas obrigações e à disposição da Justiça. No campo da disputa pela democratização do acesso e à produção de informação, seguimos em frente.

Nota da Editora Gráfica Atitude

A Editora Gráfica Atitude Ltda. é uma empresa comercial de direito privado criada em 15 de março de 2007 por iniciativa de dirigentes sindicais, jornalistas e personalidades, com a missão de construir uma plataforma de meios de comunicação voltada para o mundo do trabalho, economia, política e cultura em geral. Está instalada na Rua São Bento, 365, 19º, no Centro de São Paulo.

Nesses anos, após 105 edições da Revista do Brasil, a Editora pautou-se pelo melhor do jornalismo, com entrevistas, fotos, textos, edição e impressão de cerca de 28 milhões de exemplares da publicação, que são distribuídos pelo correio e manualmente para sócios dos sindicatos participantes, numa operação logística de grande magnitude. Pesquisas mostram a satisfação do público leitor e ouvinte com a proposta de construção da cidadania que a revista se propõe.

A Editora produz também conteúdo jornalístico para o portal na web www.redebrasilatual.com.br, que registra acesso mensal de um milhão de visualizações, que vem duplicando sua produção e acessos anos após anos mesmo com a enorme concorrência que a internet tem atualmente.

A Editora produz um programa também jornalístico para a Rádio Brasil Atual, de duas horas, transmitido entre 7h e 9h da manhã, de segunda a sexta, na FM 98,9, para todos os municípios da Grande São Paulo, ABCD, Alto Tietê, com sintonia num diâmetro que alcança desde Mogi das Cruzes até Jandira e cidades no entorno.

A Editora conta com 34 trabalhadoras e trabalhadores e quase uma centena de colaboradores, articulistas, correspondentes e prestadores de serviços. A Editora mantém firmes laços de parceria com a imprensa sindical e com a blogosfera democrática e progressista, sempre centrada no mundo do trabalho e nos direitos humanos.

As receitas da Editora Gráfica Atitude Ltda provêm da prestação de serviços para entidades sindicais, anúncios públicos, privados e patrocínios. Prática comum de todos os meios de comunicação

Todas as receitas são revertidas para os pagamentos destinados a essa plataforma de comunicação. Para pagar as contas, como se diz na linguagem popular.

Em relação às denúncias veiculadas na imprensa, a Editora informa que mantém seus contratos de forma regular, registrados e está a disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos.

São Paulo, 16 de abril de 2015

Paulo Salvador

Coordenador da Editora Gráfica Atitude Ltda

Leia também:

Paulo Nogueira: Nem um “a” de vazamento sobre Aécio antes da eleição





19 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Messias Franca de Macedo

17 de abril de 2015 às 07h11

[VAMOS DENUNCIAR, PARA SALVARMOS O BRASIL DOS PIRATAS TRANSNACIONAIS! ENTENDA

… Quando eu ouço falar nesse “juiz” mequetrefe [de quinta! e] das primeiras instâncias da ‘Guantánamo do Paraná’, eu me refugio num pensamento do grande filósofo alemão Arthur Schopenhauer:

“Eu não odeio os homens maus; apenas, os desprezo!”
O ostracismo de hoje do rábula psicopata joaquim barbosa: o futuro breve do ‘Sérgio Moro no PSDB [e a *esposa advogada da Chevron &$ da Shell também]’!
O mesmo que responde pela famigerada alcunha de Sérgio ‘Tolo’!]

*Esposa de Sérgio Moro juiz da lava Jato é assessora jurídica de Vice de Beto Richa (PSDB)

04/12/2014 20h38

(…)
Rosângela Moro faz parte do escritório de Advocacia Zucolotto Associados em Maringá. O escritório defende várias empresas do Ramo do Petróleo, como: INGRAX com sede no Rio de Janeiro, Helix da Shell Oil Company, subsidiária nos Estados Unidos da Royal Dutch Shell, uma multinacional petrolífera de origem anglo-holandesa, que está entre as maiores empresas petrolíferas do mundo. A Shell é concorrente direta da Petrobras.
(…)

FONTE: http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/esposa-de-juiz-da-lava-jato-e-assessora-juridica-de-vice-de-beto-richa-psdb

Responder

Messias Franca de Macedo

17 de abril de 2015 às 07h11

… E cadê o criminoso primo do congênere Tucano Beto Richa?
Já foi (RE)algemado?!
“[Ao acusar alguém de corrupção]
Lavem a boca”:
com creolina e germicida de alta potência e última geração,
seus calhordas e corruptos e imundos Tucanos dos Infernos!
O honesto povo trabalhador brasileiro que continuar vivendo, seus energúmenos desalmados, safados, pilantras, picaretas, desordeiros de uma figa maldita!
Deixe-nos em paz, “lote” de aloprados, hipócritas…
INFAMES!

Responder

Messias Franca de Macedo

17 de abril de 2015 às 07h09

Deputado Siba Machado humilha líder tucano “Lave a boca antes de vir ao microfone”

Por jornalista Miguel do Rosário

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.ocafezinho.com/2015/04/16/siba-machado-vai-a-luta/

https://www.youtube.com/watch?v=ZOlGd41yTQ4

Responder

    Messias Franca de Macedo

    17 de abril de 2015 às 07h10

    … Por que não existem mais Sibá Machado no PT do ‘[tíbio] PT da Governança’?!…

    E, ‘nois’, os militantes?

    Comendo poeira!
    E ouvindo desaforos dos pilantras, covardes, canalhas, criminosos… [MEGA]CORRUPTOS da fascigolpista, terrorista, salafrária [eterna] oPÓsição ao Brasil e ao honesto e sapiente povo trabalhador brasileiro!

    Messias Franca de Macedo

    17 de abril de 2015 às 07h10

    … Se “peitar” um pouquinho [basta um pouquinho!], esse dePUTAdo rato bochechudo fascista do PSDB “irá miar que nem gata em telhado de zinco quente!”

    Ah sacripantas irrecuperáveis!

    É a impunidade, estúpido!

    Julio Silveira

    17 de abril de 2015 às 09h39

    É, Messias, é essa a indignação que eu quero ver em todos os petistas que tenham brio.
    Não a aceitação, a entrega, a concordancia de uma forma covarde, se coadunando com a covardia com que estão sendo tratados. Eu por exemplo gostaria de saber, esse tal juiz Moro, tão evidentemente ligado a oposição tucana, ou melhor os juizes do sistema judiciário, são inimputáveis? podem ter tanto poder? Devem seguir leis constituidas ou o arcabouço legal está tão a avacalhado que um juiz, de primeira instancia, pode fazer uso delas conforme sua conveniência?
    Se for possivel da forma que esta acontecendo jogue-se fora estabilidade institucional, a constituição, revogue-se os demais poderes, sorteiem o governo e entreguem-no para qualquer juiz governar.

Francisco

17 de abril de 2015 às 05h27

Muitos já desconfiavam da venalidade da Justiça brasileira, só não imaginavam que fossem tão baratos: um pedaço de lata e uma manchete…

Responder

ricardo silveira

17 de abril de 2015 às 02h07

Se houvesse uma mídia limpa de interesses contrários à democracia os procedimentos nas investigações da Lava Jato certamente seriam outros, pelo menos não alimentariam a campanha do golpe contra um governo legitimamente eleito e melhor combateria a corrupção, pois sem a espetacularização que desacredita a justiça e produz um sentimento de insegurança jurídica no país.

Responder

italo

17 de abril de 2015 às 01h56

Não é essa Justiça que as ruas pedem. Concessão pública disputando Presidência tem que dar cadeia.

Responder

Fernando Resende

17 de abril de 2015 às 00h45

O PT comete erro atrás de erro e vcs ainda querem justificar.

Responder

    Julio Silveira

    17 de abril de 2015 às 11h23

    Meu caro, o PT comete erros, alias, como estamos carecas de saber, exatamente como seus pares, a diferença é que para o PT estão dirigidos em associação todos os holofotes e todas as parcerias com o nitido objetivo de abreviarem sua estada no poder, ou seja alijar a cidadania daqueles que os instalaram lá. A coisa está tão discarada, a associação está tão evidente que parece terem se inspirado no slogam “amigo meu não tem defeito, inimigo, se não tiver eu ponho” e isso não é legal. Sds.
    Mas espero que no PT tenha profissionais para instrui-los de seus direitos constitucionais, e saia das cordas para a luta. Por que de partidos que se ajoelham para os status quo oligarquico dominante o Brasil está cheio, e fazendo uma divida social enorme. Sds

Renato

16 de abril de 2015 às 23h16

A questão é quem vai punir os responsáveis. Será que existe Extraterrestres?

Responder

Almir

16 de abril de 2015 às 22h30

Esse carnaval todinho em cima da prisão do Vaccari tem uma explicação: desviar a atenção do PL 4330, cuja aprovação está sendo ultimada pela direitista no Congresso.
Quero ver a cara dos coxinha trabalhando 5 horas a mais, pra ganhar 40% a menos, sem poder tirar férias (imagina tirar licença-maternidade), por medo de perder o lugar pra outro terceirizado. E de nada adianta botar a culpa no PT, que voltou todinho contra essa aberração, com que tentam revogar a CLT.

Responder

Euler

16 de abril de 2015 às 22h12

A Operação Lava Jato, elaborada pelo juiz Moro e pela Globo, com algum auxílio de policiais federais e promotores do Paraná, tem as seguintes etapas:

1a fase: prender o doleiro Youssef, que é “de Casa”, ou seja, antigo freguês do juiz Moro, desde a delação premiada e não cumprida do Castelo de Areia;

2a fase: prender e chantagear dois ou três diretores bandidos da Petrobras, e oferecer a delação premiada em troca da confissão daquilo que interessar ao juiz, à Globo e à CIA;

3a fase: prender Barusco, que declarou que durante a era FHC, as propinas eram pessoais, só para ele; a partir de Lula, as propinas se transferiram para o PT e outros partidos, já que, ao contrário do PSDB que é um partido de anjos, o PT não aceita que a propina seja exclusiva dos corruptos de plantão. Tem que repartir o pão;

4a fase: prender os executivos das empreiteiras da Lava Jato até que aceitem a delação premiada, o que, traduzindo, significa: aceitar denunciar o PT, Dilma e Lula. Fora deste escopo, não há acordo e eles continuarão presos, mesmo sem qualquer condenação – quem disse que o Brasil vive um estado democrático de direito? O direito, no Brasil, é aquilo que querem o juiz Moro, a Globo e a CIA. Ponto.;

5a fase: prender o Vargas que não é Getúlio, mas teria voado no avião do doleiro Youssef, e, o mais importante, foi do PT. Se tivesse sido amigo de algum político do PT já seria suficiente. Mas, como foi deputado do PT, eis a chave de cadeia. Diferente, por exemplo, dos Perrelas, cujo helicóptero preso carregava 500 quilos de pasta base de coca e cujo piloto era funcionário remunerado pela ALMG, na época dominada pelos tucanos. Por ser amigo dos tucanos, imediatamente o caso foi arquivado. Ninguém foi preso, nem julgado, nem condenado. Nem apareceu na Globo. Justiça rápida e eficiente com os “homens bons” da atualidade.

6a fase: prender o tesoureiro do PT, Vacari. Seu principal crime: ser tesoureiro do PT. Vacari conseguiu arrecadar grandes somas legais das empreiteiras do Lava Jato. Os tesoureiros do PSDB e do PMDB também conseguiram. Mas, só os recursos legais do PT é que são de origem duvidosa, das propinas, talvez. As do PSDB, PPS e PMDB, não, vieram de fonte limpinha. Os executivos faziam assim: de cada 10 reais utilizados nas obras, um era para o PT, dinheiro de propina; dois eram para o PSDB, dinheiro limpinho, honesto, cheiroso, até; e outros dois eram para o PMDB, igualmente limpinho.

7a fase: prender José Dirceu por dois motivos: ter sido dirigente do PT, um partido que a Globo diz que é uma organização criminosa, e por ter recebido dinheiro de consultoria. Tal como o PT, embora o dinheiro da consultoria tenha sido declarado ao fisco, os recursos vieram da propina e não do lucro ou da soma total dos recursos contratados. Afinal, ele tinha obrigação de saber da origem dos recursos. Como teve obrigação de saber de todo o esquema da AP 470 já que era chefe da Casa Civil do governo Lula. Os quatro governos tucanos do Trensalão de SP não tinham a menor obrigação de saber das propinas dos trens, mas Zé Dirceu tinha.

8a fase: prender Lula por ter sido o primeiro operário presidente da República, e logo pelo PT, ou seja, é a raiz de todo o mal da humanidade. Foi ele quem inventou a corrupção na Petrobras – antes os corruptos roubavam isoladamente, não repartiam com ninguém. Depois de Lula, as propinas começaram a ser distribuídas para todos os partidos, nessa mania de querer distribuir as riquezas com mais gente.

9a fase: prender a presidenta Dilma, por ter sido conivente com tudo o que essa gloriosa operação lava jato descobriu. Antes era o Mensalão do PT o único e o maior caso de corrupção da história da humanidade. O mensalão tucano de Minas, já prescrito, não passou de invenção do PT. O ministro Barbosa foi consagrado como o maior juiz que a jurisprudência mundial jamais teria inventado. Até que apareceu o juiz Moro, outro totalmente afinado com a Globo, a CIA e os tucanos. Tornou-se herói nacional. A Globo já o premiou. Falta agora receber indicação para o Prêmio Nobel da Justiça (ah, não existe? A Globo vai criar, aguardem).

E foi assim que este corajoso grupo, formado pelo juiz Moro, pela Globo, por meia dúzia de delegados da PF e promotores do Paraná conseguiu mudar a história do Brasil, legando ao nosso povo o seguinte:

1) o fim do estado democrático de direito e da Carta Magna de 1988;
2) a extinção do PT, que um dia ousou pretender desenvolver políticas sociais em benefício dos mais pobres – quanta caradura dessa gente querer mudar a secular paz social que havia antes;
3) o fim da presunção de inocência para quem for considerado inimigo pelos donos do PIB, pela Globo e grupos do judiciário sob os holofotes da Globo; militantes e dirigentes do PT, MST, MTST, entre outros, são naturalmente e previamente culpados; os demais, desde que não sejam negros, pobres e putas, e de preferência desde que sejam limpinhos como os tucanos, são inimputáveis;
4) o fim das eleições diretas para presidente da república. Besteira gastar dinheiro com eleições, se quem manda no país é um grupo que não recebeu um voto sequer e foi ungido pela vontade divina para governar o Brasil com as bençãos de fundamentalistas fanáticos tipo Cunha e Malafaia. O juiz decide quem e quando deve ser preso, a Globo repercute com cobertura total e o resto do Brasil aceita e pronto. Perfeito.
5) a total privatização da Petrobras e a doação do pré-sal para os grupos estrangeiros. Só assim, segundo se sabe pelas orientações das urubólogas da mída, o Brasil atrairá investimentos internacionais e intergaláticos até.

Enfim, viva o Brasil que será salvo por Moro, pelos Marinhos e Cia Ltda, incluindo a CIA. Finalmente, todos os brasileiros terão a mesma tranquilidade que o ditador-torturador Médici sentia quando assistia ao jornal da Globo e percebia que o Brasil era o único país perfeito do mundo.

Responder

Marat

16 de abril de 2015 às 21h03

Este juiz faz o jogo dos golpistas da direita. O jogo que é jogado desde sempre, desde a escravidão, desde os senhores do engenho… A nossa justiça já está muito desmoralizada, mas ela sempre se reinventa e se afunda mais e mais na lama. O pior é que todos ficam calados, e quem poderia fazer algo, fica quieto!

Responder

abelardo

16 de abril de 2015 às 20h45

Se membros do poder judiciário abusam de seus poderes para praticar atos que ferem todos os princípios éticos e morais do cargo que ocupam e, também, se violentam de forma criminosa as leis do país, as quais fizeram juramento de obedece-las e cumpri-las à risca, então nos dão o direito de imaginar que estão se corrompendo em função do cargo e, de forma indecente e indecorosa, em função do total desrespeito as leis do país. O resultado disso é que passam a ser considerados, ao mesmo tempo, tão corruptos e corruptores quanto todos outros no pais que foram processados e julgados por crimes de corrupção. Passar informações sigilosas, que envolve processos sigilosos e informações sigilosas para a mídia, em véspera de operação policial, com o intuito único de manter uma perseguição política e dar sequência ao estímulo do preconceito contra um partido para debilitá-lo e enfraquecê-lo covardemente, impunemente e levianamente já não são apenas atos indecorosos, são escárnios, deboches e a certeza de que estão acima da lei, porque se fazem a lei. Ultrapassaram todos os limites e ainda assim continuam provocando e estimulando uma reação para, talvez, fazer sabe lá o que? Deixam a impressão que passaram para o lado oposto da lei e que fazem da casa da justiça, o temido e aterrorizante tribunal da inquisição.

Responder

    Renato

    16 de abril de 2015 às 23h26

    Sabes o que me revolta? É a impunidade diante dessa atitude viciosa. “Sigam-me os bons”, dizia Chapolin Colorado e, “Não contavam com minha astúcia”. Pois é, ninguém contava com a astúcia do judiciário. A história não será mais contada escondendo as safadezas. Existem outros meios de comunicação e as imagens do juristas corruptos cairão no esquecimento. Já me dizia um pensador da atualidade: “O sistema chamado de capitalismo foi criado pelos perniciosos, corruptos, desajeitados, imorais, antiético e mesquinhos e exploradores.

Isidoro Guedes

16 de abril de 2015 às 20h30

Quer dizer que o juiz Moro agora também quer investir contra a liberdade de expressão? Quer também calar a esquerda? E os veículos de informação que tem um verniz mais progressista e de esquerda? Que lindo não? Já estamos mesmo em (nova) uma ditadura de direita (pós-golpe militar de 1964) ou ainda e só um projeto? Muito grave tudo isso… gravíssimo… Um juiz de primeira instância se transformando em imperador do Brasil sob os auspícios da mídia mais reacionária e vinculada aos interesses do poder econômico e do capital estrangeiro? Muito preocupante mesmo… quais serão as cenas dos próximos aterradores capítulos… todos os esquerdistas de volta para as masmorras para torturas psicológicas (ou físicas) mesmo?

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding