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Adriano Benayon: Desde 88, Brasil gastou 10 tri com a dívida


03/07/2013 - 10h23

Para onde?

por Adriano Benayon*, via e-mail

01.07.2013

1. Por que milhões de pessoas vão às ruas manifestar-se, mesmo sem ter tido conhecimento dos passos mais recentes dados pelos poderes do Estado no sentido da destruição do País?

2. Claro que para revoltar-se nem precisam estar bem informados. Basta sentir os sofrimentos  decorrentes de problemas que continuam agravando-se: 1) transporte público insuportável e, além disso,  nas grandes cidades, transporte particular inviabilizado pelo excesso de veículos; 2) acesso  difícil ou inexistente a  serviços públicos de saúde e de educação, de alguma qualidade, além de, no âmbito privado,  preços absurdos sem qualidade correspondente; 3) salários baixos; 4) preços elevados, em mercados dominados por empresas e bancos concentradores; 5) impostos e taxas numerosos e custosos.

3. Credita-se ter desencadeado a faísca ao Movimento do Passe Livre (MPL), baseado em São Paulo e outras cidades, organizado há anos e voltado para objetivos justos, embora limitados

4. O momento em que surgiram os protestos devidos ao aumento das passagens de ônibus em São Paulo, coincidiu com os jogos da Copa das Confederações, a qual expôs os superfaturamentos e outros absurdos ligados à construção dos estádios.

5. É compreensível que associem esses gastos suntuários às carências no atendimento das necessidades da população.

6. Falta, porém, elevar mais o número dos manifestantes e motivá-los a lutar pela erradicação das verdadeiras causas das desditas do povo.  Para isso é urgente disseminar, para dezenas de milhões de brasileiros, as informações econômicas e políticas relevantes.

7. Dizer-lhes, por exemplo: Os gastos com a dívida pública absorveram 43,98% dos recursos federais em 2012. Mais de R$ 750 bilhões. Para a saúde foram destinados somente 4,17% desses recursos;3,34% à educação; 0,7 aos transportes; 0,39% à segurança e 0,01% à habitação.

8. Os R$ 750 bilhões para a dívida equivalem a quase o total dos investimentos públicos e privados no mesmo ano. Significa que se esse dinheiro fosse investido produtivamente, em vez de dilapidado em despesas financeiras, poderiam ser dobrados os gastos realizados na produção e na geração de  empregos.

9. Desde 1988 foram gastos 10 trilhões de reais com a dívida pública. Um trilhão é mil vezes um bilhão, e um bilhão é mil vezes um milhão, que é mil vezes mil.

10. De onde veio isso: A indústria e os mercados são controlados por empresas estrangeiras, que remetem dinheiro ao exterior de mais de quinze modos. Os bens e serviços que vendemos são subfaturados, e os que compramos são superfaturados.

11. Então se acumulam as dívidas.  O produto de nosso trabalho, os nossos minérios, a produção agrícola, tudo é mandado para o exterior por quase nada, e o governo ainda premia os exportadores e os isenta de ICMS e contribuições sociais.

12. Por que é assim? Os políticos recebem dinheiro das empresas e bancos concentradores para as eleições e dependem também das TVs comerciais e imprensa, tudo ligado aos concentradores financeiros.

13. Por isso o problema dos investimentos produtivos não é só serem poucos, mas serem mal escolhidos e realizados. Tudo é desenhado, orientado para o ganho dos  concentradores: transportes, educação,  saúde,  telecomunicações e energia.

14. E também: O transporte está ruim? Lógico, as ruas estão entulhadas com veículos produzidos por montadoras estrangeiras, às quais o  governo federal, os estaduais e os municipais dão prêmios e isenções de centenas de bilhões de reais. E não construíram linhas de metrô. Por isso o trabalhador se desgasta durante cinco horas por dia dentro das conduções. Não se fazem tampouco hidrovias nem ferrovias para transportar passageiros e cargas.

15. A corrupção tem efeitos muito mais graves que os percebidos pela grande maioria dos brasileiros. Esta se  indigna diante dos casos de enriquecimento, na ordem de milhões de reais, dos políticos e agentes públicos, que a grande mídia resolve expor, poupando os corruptos mais ligados aos interesses estrangeiros.

16. O povo não protesta, ainda, com a devida força, contra as lesões praticadas pelo atual governo ao patrimônio público nos leilões de petróleo — trilhões de dólares entregues praticamente de graça a petroleiras estrangeiras — nem contra a gradual destruição da Petrobrás.

17. Ainda por cima Executivo e Legislativo fazem demagogia decretando que 75% dos royalties do petróleo sejam carreados para a educação e 25% para a saúde. Ora, esses percentuais incidem sobre praticamente nada, além de a produção ainda demorar, os royalties são 10% das receitas subdeclaradas (o governo não controla o que sai).

18. Ainda se manifesta pouco contra as  concessões de ferrovias, portos e aeroportos financiadas pelo BNDES. Igual com os empréstimos de grande vulto para empresas concentradoras e para as parcerias público-privadas nos investimentos de infra-estrutura, em que o  setor privado tem lucros garantidos pelo Estado, sem sequer investir.

19. Não se mostra ao povo de que modo os bancos obtêm ganhos colossais. Apenas três bancos privados —  Itaú, Bradesco e Santander —  somam lucros anuais de R$ 30 bilhões, emprestando e aplicando dinheiro dos depositantes. E o art. 164 da Constituição obriga o Banco Central a financiar somente os bancos, proibindo-o de financiar o próprio Tesouro Nacional.

20. Ignoram-se, ainda, os prejuízos de trilhões de reais que resultaram das privatizações de FHC, como a da Vale, a do BANESPA, dado ao Santander, e as das siderúrgicas. E as de serviços públicos extorsivos e deficientes, como a eletricidade e as telecomunicações.

21. Nem falam das antigas estradas construídas com dinheiro público, mal conservadas e entregues a concessionárias, que se cevam através de absurdos pedágios. E ninguém constroi novas.

22. Está, pois, na hora de o povo ser informado do que precisa saber para exigir instituições que revertam a lastimável situação do País.

23. Conscientizá-lo de que a luta é árdua. A mídia condenará as manifestações quando focarem no que interessa, e recrudescerá a repressão policial, inexistente para vândalos e assaltantes.

24. Mas o povo terá de enfrentar isso tudo, se não quiser, mais uma vez, servir de massa de manobra para os interesses que o têm mantido sem perspectivas de se libertar. Libertar-se das imposições de potências estrangeiras, brutais embora ocultadas.

25. Em suma, ter-se-á de ir ao fundo da questão: exigir autodeterminação, só possível num sistema político em que os governantes não sejam escolhidos, cooptados, corrompidos nem acuados pelos concentradores.

26. Os obstáculos são muitos. Um dos principais é o tradicional jogo do império anglo-americano, de incitar o ódio ideológico. Para vencê-lo, os brasileiros têm de se unir em torno de questões concretas pautadas pelo interesse nacional.

27. Por exemplo, os manipuladores qualificam o governo de socialista ou neocomunista, quando as políticas dele privilegiam a oligarquia financeira imperial. Enquanto isso, partidos como o PT e PCdoB espalham o mito de serem de esquerda.

28. O programa de reconstrução do Brasil deve priorizar a reindustrialização sob capital nacional e dar ênfase à defesa do País. O oposto do que acabam de fazer lideranças da Câmara dos Deputados desengavetando o acordo que cede aos EUA, potência balística, nuclear e imperial,  a base de lançamento de foguetes em Alcântara.

*Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

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28 comentários

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Rodolfo Machado

05 de julho de 2013 às 10h30

Mais um texto pertinente ao assunto, vindo de um blog referencial no campo progressista, o “GlobalResearch”, texto extremamente critico ao PT, a Lula e Dilma, seu autor é o Canadense Michel Chossudovsky.

Azenha, como alguém oriundo de um pais totalmente submisso aos EUA pode ter uma visão de esquerda que vai muito além do projeto implementado pelo PT no Brasil?
Acho que este texto, mesmo se discordando de seu conteúdo, é sintomático dos rumos tomados por Lula, Dilma e o PT, até a esquerda canadense repudia o modelo petista.

Do site “GlobalResearch”

http://www.globalresearch.ca/raizes-historicas-da-crise-social-no-brasil-o-papel-do-fmi/5340218

Raízes históricas da crise social no Brasil – O papel do FMI

Milhões de pessoas por todo o Brasil aderiram a um dos maiores movimentos de protesto da história do país. Ironicamente, o levantamento social dirige-se contra as políticas económicas de uma auto-proclamada alternativa “socialista” ao neoliberalismo conduzido pelo governo do Partido dos Trabalhadores (PT) da presidente Dilma Rousseff.

O “remédio económico forte” do FMI, incluindo medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, foi implementado sob a bandeira “progressista” e “populista” do PT, em acordo com elites económicas poderosas do Brasil e em estreita ligação com o Banco Mundial, o FMI e a Wall Street.

Apesar de o governo PT apresentar-se como “uma alternativa” ao neoliberalismo, comprometido com o alívio da pobreza e a redistribuição de riqueza, sua política monetária e fiscal está nas mãos dos seus credores da Wall Street.

Foto oficial da presidente Dilma.Ironicamente, o governo PT de Dilma Rousseff e do seu antecessor Luís Ignaio da Silva foi louvado pelo FMI devido a:

“uma notável transformação social no Brasil com base na estabilidade macroeconómica e na ascensão de padrões de vida”.

As realidades sociais subjacentes são outras. As “estatísticas” do Banco Mundial sobre pobreza são grosseiramente manipuladas. Só 11% da população, segundo o Banco Mundial , estão abaixo da linha de pobreza. E 2,2% da população estão a viver em pobreza extrema.

O padrão de vida no Brasil entrou em colapso desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder em 2003. Milhões de pessoas foram marginalizadas e empobrecidas, incluindo uma parte significativa da classe média urbana.

Apesar de o PT apresentar uma imagem “progressista” orientada para o povo, oficialmente oposta à “globalização corporativa”, a agenda macroeconómica foi reforçada. O governo PT sistematicamente manipulou as suas bases, tendo em vista impor o que o “Consenso de Washington” descreve como “uma estrutura política forte”.

Os investimentos estruturais de muitos milhares de milhões de dólares orientados pelo lucro para a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, forjados pela corrupção corporativa, contribuíram para um aumento significativo da dívida externa do Brasil, a qual por sua vez reforçou o controle da política económica pelos seus credores da Wall Street.

O movimento de protesto é em grande parte composto por pessoas que votaram pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O apoio das bases do governo PT foi rompido. A base do Partido dos Trabalhadores voltou-se contra o governo.

História: a traição do Partido dos Trabalhadores

Foto oficial do presidente LulaO Partido dos Trabalhadores está no poder há mais de dez anos.

A crise social em curso no Brasil é a consequência da agenda macroeconómica lançada no início do acesso de Luís Ignácio da Silva à presidência, em 2003.

A eleição de Lula em 2003 corporificou a esperança de uma nação inteira. Representou uma votação esmagadora contra a globalização e o modelo neoliberal, o qual por toda a América Latina resultou na pobreza em massa e no desemprego.

A eleição de Lula no fim de 2002 por entendida como um importante ponto de ruptura, um meio de rejeitar a estrutura política do seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto era abraçado em coro pelos movimentos progressistas de todo o mundo, a administração Lula também estava a ser aplaudida pelo principal protagonista do modelo neoliberal. Na palavras do Director Administrativo do FMI, Horst Kohler:

“Sou entusiasta [da administração Lula]; mas é melhor dizer que estou profundamente impressionado pelo presidente Lula … o FMI ouve o presidente Lula e a equipe económica, esta é a nossa filosofia”.

Não é de admirar que o FMI seja “entusiasta”. As principais instituições da administração económica e financeira foram oferecidas numa bandeja de prata à Wall Street e a Washington.

O FMI e o Banco Mundial têm louvado o governo do Partido dos Trabalhadores pelo seu compromisso com “fortes fundamentos macroeconómicos”. Tanto quanto o FMI está preocupado, o Brasil “está na trilha” em conformidade com as balizas do FMI. O Banco Mundial elogiou tanto os governos Lula como Dilma: “O Brasil está a buscar um programa social arrojado com responsabilidade fiscal”.

De acordo com o Professor James Petras:

A maior parte dos responsáveis políticos da Wall Street e de Washington, surpreendidos pela selecção de uma equipe económica ortodoxa liberal, ficou perfeitamente extasiada quando ele começou a promover vigorosamente uma agenda neoliberal radical, incluindo privatização da segurança social, rebaixamento substancial de pensões para empregados de sectores públicos e redução do custo e facilitação das exigências para capitalistas despedirem trabalhadores. ( Global Research, 2003 )

Segundo Marcos Arruda, do PACS, um centro de investigação não governamental no Rio de Janeiro:

“A equipe económica de Lula ao prosseguir políticas impostas pelo FMI está estripando pagamentos sociais não só para os aposentados como também para os deficientes e as famílias mais pobres”. O prosseguimento de políticas económicas ortodoxas também empurrou o desemprego oficial para 12%, ao passo que as taxas de juro internas posicionam-se nos 26,5%, entre as mais altas taxas do mundo. Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, o desemprego atingiu os 20%. (Ver Roger Burbach, Global Research, June 2003 )

O Brasil sob o governo PT não endossou apenas o neoliberalismo “com um rosto humano”, ele também apoiou a militarização da América Latina e do Caribe conduzida pelos EUA.

Um abraço de amigos.Lula estabeleceu um relacionamento pessoal com George W. Bush. Se bem que fosse um crítico firme da guerra iraquiana conduzida pelos EUA e um apoiante de Hugo Chavez, ele tacitamente também apoiava interesses estratégicos dos EUA na América Latina.

No rastro do golpe de Estado no Haiti patrocinado pelos EUA-França-Canadá, em Fevereiro de 2004, contra o governo eleito devidamente de Jean Bertrand Aristide, o presidente Luís Ignacio da Silva endossou a ocupação militar do Haiti e despachou tropas brasileiras para Port au Prince, sob os auspícios da Missão de Estabilização das Nações Unidas (MINUSTAH).

O artigo publicado por Global Research e resistir.info em Abril de 2003 , no início do governo PT de Luís Ignacio da Silva, descreve como, desde o início a liderança do Partido dos Trabalhadores traiu toda uma nação.

Não pode resultar qualquer mudança significativa de um debate sobre “uma alternativa ao neoliberalismo”, o qual na superfície parece ser “progressista” mas que tacitamente aceita como legítimo o direito de os “globalizadores” dominarem e pilharem o mundo em desenvolvimento.

O movimento de protesto social que tem varrido o Brasil é o resultado de 10 anos da repressão económica de “livre mercado” sob o disfarce de uma “agenda progressista”.
Michel Chossudovsky 21/Junho/2013

Responder

Rodolfo Machado

05 de julho de 2013 às 10h23

Parabéns ao Azenha por permitir criticas à esquerda ao governo, ao PT, ao “Lulismo” e ao “Dilmismo”, algo difícil de fazer nos outros blogs assim chamados “progressistas” ou blogs “sujos”, como queiram, porque la o batalhão de comentaristas militantes petistas promovem um linchamento imediato de qualquer comentário critico ao governo Dilma, o mais interessante é que comentários à esquerda são mais linchados que comentários à direita.

O Azenha tem destacado pronunciamentos, discursos e vídeos do ex governador do Paraná e atual senador Roberto Requião, em cujo dedo minguinho existe mais coragem do que no Lula e na Dilma inteiros.

Segue um texto para reflexão.

Do site “Envolverde”

http://envolverde.com.br/economia/a-era-das-imposturas-e-o-brado-das-ruas/

A era das imposturas e o brado das ruas

No momento em que multidões tomam conta das avenidas das cidades brasileiras e conquistam suas primeiras vitórias, com reduções no preço das passagens, muitas questões emergem desse surpreendente momento.

Vou me ater ao que considero a questão de fundo mais relevante, seja para compreender um pouco das variadas razões do descontentamento manifestado com tanta força ou, mais importante, para iniciar um debate sobre o que pode significar o “mudar o Brasil”, a consigna talvez mais abrangente para o formidável movimento.

Mudar o Brasil é de fato necessário.

Apesar da propalada campanha midiática sobre as supostas mudanças estruturais brasileiras, ocorridas a partir do plano real, a realidade parece teimosamente mostrar o contrário. Neodesenvolvimentismo, nova classe média, ascensão social de milhões de brasileiros, fim da miséria, fim da dívida externa, fim da inflação ou o sucesso das privatizações, imposturas sustentadas pelas classes dominantes, por seus meios de comunicação e por um leque de partidos corrompidos pelo grande capital, parecem não se coadunarem com o grito das ruas.

Desde a eleição de Collor, no início dos anos 90, a agenda política de interesse dos bancos e das multinacionais tem ditado os rumos do país. A partir do fim do processo de renegociação da dívida externa, do início das privatizações e do plano monetário que procurava sustentar a paridade de valor da moeda nacional com o dólar, demos início a uma séria mudança no modelo econômico do país, extremamente perigoso para o nosso futuro.

Contudo, a forte redução dos índices de inflação, o aumento do mercado de consumo e fases de crescimento interno – acompanhando as ondas expansionistas da economia internacional – têm dado fôlego econômico e político para a consolidação de um modelo de subdesenvolvimento e dependência externa do país.

O fôlego político desse modelo pode ser comprovado pelas duas sucessivas eleições de FHC, ambas já no primeiro turno das eleições disputadas em 1994 e 1998; e pelas duas eleições disputadas e ganhas pelo PT, em 2006 e 2010. A exceção foi a eleição em 2002.

Apesar do produzido Lula “paz e amor”, sua campanha se sustentava – e se legitimou como alternativa ao PSDB – na forte crítica que o PT e seus aliados faziam ao modelo dos bancos e multinacionais que, naquele momento, dava mais uma vez sinais de seu esgotamento.

Como sabemos, apesar da vitória eleitoral, a identidade crítica do original PT ficou para trás. Entrou em cena paulatinamente o dominante lulismo, no comando de um novo centrão conservador. O lulismo deu fôlego ao modelo dos bancos e multinacionais, ampliando o seu leque de apoio com a crescente cessão de espaços ao agronegócio e também aos fundos de pensão, que, desde a fase mais intensa das privatizações, com FHC, já haviam sido cooptados. O lulismo, ao mesmo tempo, atraiu e neutralizou as direções de entidades e movimentos sociais anteriormente combativas.

No plano econômico, além de manter o tripé da política macroeconômica que se traduz em juros altos, arrocho fiscal e câmbio valorizado, o governo Lula aprofundou e fortaleceu a política social focalizada, conforme recomendação do Banco Mundial, e manteve e ampliou a política de recuperação do valor real do salário-mínimo, iniciada com FHC.

Com a forte expansão e valorização do comércio internacional das commodities, entre os anos de 2003 e 2007, as contas externas apresentaram saldos em conta-corrente, reduzindo em muito o risco do país no mercado internacional de crédito. Grandes empresas e bancos, captando recursos financeiros no exterior a um custo reduzido, e encontrando no Brasil aplicações financeiras e oportunidades de negócios variadas, ampliaram o mercado de crédito, de forma inédita no país.

A ampliação do consumo das classes pobre e média, através do mercado de crédito a altas taxas de juros, garantia uma dupla vantagem: alta rentabilidade para o capital e a expansão do consumo das famílias, via endividamento. Politicamente, permitiu a apologia de uma concepção de cidadania baseada no mercado de consumo mercantil, intensamente capitalizado pelos grandes meios de comunicação e pelo governo.

Ao mesmo tempo, o calvário das políticas públicas voltadas à população se acentuava. A política de câmbio flutuante, e sobrevalorizado, impõe a política monetária de juros reais elevados e crescentes despesas financeiras. Com isso, quase metade do orçamento anual da União é consumido com o pagamento de encargos financeiros, impondo o constrangimento fiscal que apena, especialmente, as despesas sociais sob responsabilidade do Estado.

A crise internacional, que explode a partir de 2007 e 2008, começa por inverter os sinais das contas externas brasileiras, a partir da redução dos saldos de comércio, pela pressão das crescentes despesas com importações, e da elevação sistemática das despesas com remessa de lucros, juros e outros serviços.

O consumo das famílias, por sua vez, em decorrência do forte endividamento, ainda conseguiu se sustentar positivamente durante algum tempo, mas já demonstra sinais da sua limitação. Por outro lado, as sucessivas medidas de incentivo ao consumo, isenções fiscais e facilidades de créditos subsidiados para as grandes empresas não foram capazes de reativar o ritmo de atividade econômica, em especial as taxas de investimento.

O resultado desse processo começa a se esboçar. Voltamos a ter baixas taxas de crescimento, em um ambiente econômico em que dependemos cada vez mais do sucesso das exportações de commodities. Mais grave: a desnacionalização da economia; a regressão industrial traduzida pelo processo de substituição de peças, componentes e insumos nacionais por produção importada; o fortalecimento dos oligopólios; o domínio do setor financeiro e a concentração de renda e riqueza por um seleto grupo de corporações empresariais são marcas e obstáculos gravíssimos que temos à frente. Além disso, o crescente endividamento financeiro da União, das empresas e das famílias faz com que haja um claro limite para esse tipo de política.

Todas essas contradições parecem que começam a ter as suas consequências. A deterioração dos serviços públicos básicos para a população – onde a situação da saúde é dramática – e o brutal encarecimento de serviços essenciais, do custo da energia elétrica e da telefonia ao dos transportes públicos, são exemplos de problemas que somente se agravam.

Além de tudo isso, a verdadeira farra com recursos públicos utilizados para a realização dos jogos da Copa do Mundo, em meio a sucessivas denúncias de corrupção de toda ordem, criaram o caldo de cultura que agora se mostra transbordando nos gigantescos protestos populares, puxados por uma juventude que quer mudanças.

Tendo como estopim o reajuste nos preços das tarifas dos transportes públicos, de péssima qualidade, e de cidades onde a mobilidade urbana é cada vez mais um eufemismo, as reivindicações que se avolumam nas ruas agora se tornam complexas. Apontam claramente para a necessidade de mudanças que há décadas são objeto da reação contrária de nossas elites dominantes.

A pauta que ora se projeta das ruas amplia as suas reivindicações, denuncia a transformação de nossas grandes cidades e dos governos de plantão em balcões de negócios e coloca a nu contradições evidentes, mas que até agora se encontravam represadas.

Os manifestantes, agora, questionam partidos, lideranças e pedem desculpas à população, pois sustentam que “estamos mudando o Brasil”.

Este será o grande desafio. A indignação popular ganhou expressão nas ruas e tenderá, a partir de agora, a adquirir maior radicalidade na exigência de mudanças estruturais verdadeiras.

Ganha espaço a possibilidade de um modelo que subordine a lógica econômica às necessidades da maioria da população. Isso exigirá maior precisão, especialmente da oposição de esquerda ao governo, na definição programática das mudanças que de forma difusa são exigidas nas ruas.

A alteração substantiva da política macroeconômica, a reforma do arcabouço jurídico-institucional – com destaque para a reforma política e a legislação regulatória dos meios de comunicação de massa –, além de antigas e acalentadas reformas econômicas estruturais, podem e devem voltar à ordem do dia.

Um novo tempo aponta no horizonte político e a era das imposturas, que marca o país desde os anos 90, pode estar com os seus dias contados. As ruas e a juventude serão decisivas para a alvorada de uma nova era.

* Paulo Passarinho é economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.
(Correio da Cidadania)

Responder

    Pedro

    05 de julho de 2013 às 19h15

    Maravilhoso o artigo do Paulo Passarinho! Obrigado opor postar.

FrancoAtirador

05 de julho de 2013 às 09h04

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GUERRA TOTAL

UNITED STATES COMANDA ENTREGUISTAS NO CONGRESSO BRAzILEIRO:

ESTÃO RESSUSCITANDO PROJETOS DA ERA DO NEOLIBERALISMO DO FHC.

NÃO FOSSE O ALERTA, E ESSE DA BASE DE ALCÂNTARA SERIA APROVADO.

(http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=36249)
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‘COINCIDÊNCIA’:

O PROJETO SAIU DA GAVETA PRECISAMENTE NO MOMENTO EM QUE

O BRASIL ESTÁ POR FECHAR UM ACORDO BILATERAL COM A UCRÂNIA

Brasil e Ucrânia negociam acordo para lançar foguete a partir do Maranhão

Por Renata Giraldi, repórter da Agência Brasil

Brasília – Os governos do Brasil e da Ucrânia negociam um acordo para reforçar a parceria na empresa binacional Alcântara Cyclone Space para o lançamento do primeiro foguete, o Cyclone-4, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara 2, da Base de Alcântara (Maranhão), planejado para o final de 2014.

A parceria existe desde 2003, quando a Ucrânia e o Brasil investiram no projeto.

Pelas previsões da Agência Espacial Brasileira, o foguete ucraniano Cyclone-4 será o primeiro a ser lançado na base.

Paralelamente, os ucranianos indicam interesse em ampliar a cooperação em aviação e na importação de carne suína brasileira – atualmente, o país é um dos maiores importadores do produto.

Esses são alguns temas em discussão durante a primeira visita oficial de um ministro das Relações Exteriores do Brasil a Kiev, na Ucrânia.

O chanceler Antonio Patriota passa o dia na capital ucraniana para reuniões com o ministro das Relações Exteriores, Leonid Kozhara.

As viagens anteriores de chanceleres brasileiros ao país foram para acompanhar presidentes da República.

Patriota e Kozhara também avaliam a possibilidade de aprofundar acordos em educação e energia.
Eles analisam ainda as questões relativas aos conflitos armados, como a proteção de civis em situações de conflito e o processo de paz no Oriente Médio.

Na primeira etapa das reuniões, predominou a questão da empresa binacional Alcântara Cyclone Space.

O Brasil e a Ucrânia querem fazer parte do restrito mercado de lançamento de satélites, no qual atualmente destacam-se a França, o Japão, os Estados Unidos, a China e Rússia.

De 2004 a 2012, foram investidos pouco mais de R$ 582 milhões em infraestrutura e sistemas para o Centro de Lançamento de Alcântara.

Nos próximos dois anos, a previsão do Programa Nacional de Atividades Espaciais é que R$ 176 milhões sejam empregados.

A Ucrânia é responsável por desenvolver e fabricar os equipamentos do foguete.
Ao Brasil cabe a construção da infraestrutura física e de comunicações do Centro de Alcântara.
Ainda não há data marcada para o lançamento do foguete, mas a intenção é que isso ocorra em 2014.

Os ucranianos também querem ampliar a compra de aviões da Empresa Brasileira de Aeronáutica.
O país já comprou 13 aviões da empresa, mas tem interesse em aumentar o volume.

Em 2012, as relações comerciais entre o Brasil e a Ucrânia superaram US$ 1 bilhão, com superávit brasileiro de US$ 235,6 milhões.

Desde 2001, os dois países mantêm reuniões regulares da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômico-Comercial, mecanismo que elabora recomendações para o desenvolvimento das relações econômicas.

Edição: Graça Adjuto

(http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-07-03/brasil-e-ucrania-negociam-acordo-para-lancar-foguete-partir-do-maranhao)

Responder

Desonesto

05 de julho de 2013 às 04h14

Deveria ter anunciado que desde da metdade do segundo governo Lula que a dívida mais do que foi zerada, estamos no crédito

Responder

    Mardones

    05 de julho de 2013 às 10h23

    A dívida externa foi transformada em interna (pública e privada)e os juros desta é pago por meio do criminoso – e imposto pelo FMI – superávit fiscal, que é desvio do orçamento público dos recursos para cobrir essa conta.

    Este desvio é chamado de economia feita pelos governos (prefeitura, estados e governo federal) e um dos instrumentos é a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede o financiamento (endividamento)pelo estado do investimento público para que haja recursos abundantes para destinar aos credores da dívida pública, que hoje é interna.

    Dívida, aliás, que não foi auditada, como manda a Constituição Federal de 1988. E antes que falem qualquer coisa, o Equador fez a auditoria da dívida, diminuiu seu saldo e conseguiu mais recursos para áreas como saúde e educação. No processo Equatoriano houve a participação de juízo internacional para afastar qualquer mentira sobre golpe comunista ou coisas do tipo.

    É preciso tratar mais sobre a dívida brasileira, pois muita gente pensa que não temos mais despesas com dívida, depois que o PT anunciou o ‘pagamento’ da dívida externa. Quando na verdade, transformou-se em dívida de entes federativos.

    Nelson

    05 de julho de 2013 às 11h05

    Não conte com isso, Desonesto.

Márcio Gaspar

04 de julho de 2013 às 21h16

A Violência do dinheiro
“A internacionalização do capital financeiro amplia-se, recentemente, por várias razões. Na fase histórica atual, as megafirmas devem, obrigatoriamente, preocupar-se com o uso financeiro do dinheiro que obtêm. As grandes empresas são, quase que compulsoriamente,ladeadas por grandes empresas financeiras.
Essas empresas financeiras das multinacionais utilizam em grande parte a poupança dos países em que se encontram. Quando um firma de qualquer outro país se instala num país C ou D, as poupanças internas passam a participar da lógica financeira e do trabalho financeiro dessa multinacional. Quando expatriado, esse dinheiro pode regressar ao país de origem na forma de crédito e de dívida, quer dizer, por intermédio das grandes empresas globais. O que seria poupança interna transforma-se em poupança externa, pela qual os países recipiendários devem pagar juros extorsivos. O que sai do país como royalties, inteligência comprada, pagamento de serviços ou remessa de lucros volta com crédito e dívida. Essa é a lógica atual da internacionalização do crédito e da dívida. A aceitação de um modelo econômico em que o pagamento da dívida é prioritário implica a aceitação da lógica desse dinheiro.
Nas condições atuais de economia internacional, o financeiro ganha uma espécie de autonomia. Por isso, a relação entre a finança e a produção, entre o que agora se chama economia real e o mundo da finança, dá lugar àquilo que Marx chamava de loucura especulativa, fundada no papel do dinheiro em estado puro. Este se torna o centro do mundo. É o dinheiro como, simplesmente, dinheiro, recriando seu fetichismo pela ideologia. O sistema financeiro descobre fórmulas imaginosas, inventa sempre novos instrumentos, multiplica o que chama de derivativos, que são formas sempre renovadas de oferta dessa mercadoria aos especuladores. O resultado é que a especulação exponencial assim redefinida vai se tornar algo indispensável, intrínseco, ao sistema, graças aos processo técnicos da nossa época. É o tempo real que vai permitir a rapidez das operações e a volatilidade dos assets. E a finança move a economia e a deforma, levando seus tentáculos a todos os aspectos da vida. Por isso, é lícito falar de tirania do dinheiro.
Se o dinheiro em estado puro se tornou despótico, isso também se deve ao fato de que tudo se torna valor de troca. A monetarização da vida cotidiana ganhou, no mundo inteiro, um enorme terreno nos últimos 25 anos. Essa presença do dinheiro em toda parte acaba por constituir um dado ameaçador da nossa existência cotidiana.”

Milton Santos – Por um outra globalização – do pensamento único à consciência universal – pg 43/44 9ª ed – 2002

Responder

Bacellar

04 de julho de 2013 às 20h23

Penso que é fundamental nesse momento demonstrar claramente e da forma mais didática possível o pequeno detalhe que escapa a boa parte dos manifestantes inconformados com a política brasileira: A esfera política é reflexo da esfera privada. O jogo político é a acomodação de interesses dos diferentes setores que compõe a esfera civil, essa composição é majoritariamente formada por setores privados poderosos economicamente e apenas uma minoria dos políticos defendem movimentos sociais ou classes trabalhistas. Pode parecer insuficiente, e de fato é, mas trata-se daquilo que é possível nesse determinado momento histórico. O mundo da pós-política seria o mundo dos mesmos mandatários de hoje porem livres da obrigação de abrir qualquer canal de diálogo com a classe trabalhadora, conosco, seria o mundo dos sonhos do capital e o mundo dos pesadelos da humanidade.
Quem ganhou com a copa mais do que as grandes construtoras? Que deputado vai lucrar mais do que o CEO da CocaColaCompany e seus grandes acionistas? Que orgão público vai vai se locupletar tanto quanto a CBF e a FIFA?
Nossos verdadeiros inimigos são aqueles que manipulam as cordinhas e não os fantoches.

Responder

Pedro

04 de julho de 2013 às 17h00

Estão nos espoliando até os ossos. Um dia, vamos ter de nos levantar.

Responder

ZePovinho

03 de julho de 2013 às 22h26

“Para aqueles que acham que e apenas o governo o “vilão” dos preços de produtos, mais ainda produtos importados, tem o melhor tira teima do mundo para saber quanto se paga de impostos em produtos.
Não adianta reclamar do governo pelo preço do vídeo-game ou do celular ou tablet que custam 4 – 5 x o preço lá de fora ok ? A culpa e das próprias empresas que possuem margens pornográficas e continuam a cobrar o preço que querem, pois o povo não reclama, e menos ainda se informa de verdade sobre os valores de impostos.
Neste site, você simula todos tributos para importação, derrubando em vários casos o “Mito” do “custo brasil”, o qual muita vezes torna-se a realidade do “lucro brasil”, pois povo que não se informa, acaba pagando mais por não saber certas verdades…
Uma dica: consoles de videogame pagam em média 80% de impostos, e se a empresa compra lote grande de unidades, ela paga bem menos que o preço de varejo, então, não, não são impostos que fazem o x-box one sair por R$ 2000, e sim a ganancia do mercado e a falta de informação das pessoas.
http://www4.receita.fazenda.gov.br/simulador/

Responder

@naldovalenca

03 de julho de 2013 às 21h41

Se fosse simples assim ‘tava bom’.
Tenta convencer essa molecada que faz tudo que uma máscara pede, que o plebiscito seria mais democrático? Vai lá?

Responder

José Rocha

03 de julho de 2013 às 20h05

Essa matéria está no lugar errado. Deveria estar na veja ou na época.
Né direitoso?

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

03 de julho de 2013 às 17h37

Discutimos e discutimos nossas mazelas.

Precisamos de união em torno de algo que nos ajude a sair desse estado de coisas.

Sugiro que primeiro vejam os 03 vídeos do Adriano Benayon, no programa PROVOCAÇÕES da CULTURA.

Depois leiam,com mais calma, essa minha sugestão, sobre a educação que, a mais de um ano, venho publicando nos blogs:

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL.

Desde meados de 2012 venho publicando este tópico, com pequenas revisões.

Não tenho a pretensão de estabelecer métodos de ensino. Procuro alertar sobre a necessidade de um aumento substancial no investimento do ensino básico.

Esse projeto surgiu, depois de observar que necessitamos de uma base para a construção de um Brasil altamente desenvolvido, com justiça social e que, na conjuntura atual, possa unir o nosso povo em torno de algo que supere a pulverização de ideias e ideologias que não têm conseguido aglutinar o nosso povo, possibilitando aos inimigos externos que não desejam ver esse gigante desenvolvendo tecnologia, com uma indústria pujante, própria, lado a lado com os povos irmãos latino-americanos.

Essa base necessária chama-se educação!

Na Finlândia, por exemplo, um dos primeiros passos para o seu desenvolvimento foi a valorização dos professores. Hoje, para ser professor da rede básica é exigido curso superior e mestrado. Ser professor passou a ser a carreira mais cobiçada, valorizada. Há uma preparação especial e só os melhores alunos conseguem chegar lá. A quantidade de matérias é ampla, propiciando a formação técnica e crítica dos estudantes. Da escola, não sai, apenas, um técnico, mas uma pessoa com preparo para definir suas opções na vida.

Antes de 1960, a Finlândia era, praticamente, um país madeireiro. Hoje, as pessoas falam duas línguas estrangeiras e o país é conhecido pela Nokia, uma das maiores fábricas de celulares do mundo, produto que importamos e em troca exportamos, entre outros produtos primários, o café. Em nosso país querem suprimir matérias como Geografia e História, talvez, como consequência da supressão de professores. Educação que para essa gente é gasto e não investimento!

No Brasil, o que precisamos?

São inaceitáveis as seguintes afirmações:

1. É uma sobrecarga o grande número de matérias obrigatórias no currículo escolar.
2. O Brasil vai quebrar, caso haja um grande aumento do investimento público na educação.
3. Aqueles que necessitam lutem sozinhos pelos seus direitos.

Na INFOERA; com o avanço exponencial dos componentes integrados, em consequência da miniaturização, já alcançando o nível atômico, ao lado do vasto uso da nanotecnologia, do vertiginoso desenvolvimento do software e das comunicações; passa a ser mais importante, cada vez mais, o ser humano pensante, com um amplo conhecimento geral que permita o seu desenvolvimento, quando estiver fora da tradicional cadeira escolar. O trabalho rotineiro será, então, executado pelas máquinas e robôs, como está acontecendo, até no Brasil. O mundo da WEB tende a ser incomensurável.

Precisamos preparar nossas crianças para esse mundo que se avizinha a uma velocidade alucinante, com mais e mais competição, em qualquer tipo de sociedade que se apresente.

No futuro que se avizinha as pessoas passarão a ter suas atividades em casa ou viajando. Quem não estiver preparado, sofrerá as consequências do ócio.
A verdade mostra que a nossa educação é, faz décadas, pífia! O Brasil necessita de uma escola pública; em tempo integral, de qualidade; que permita fornecer o básico às nossas crianças, para que elas se encaixem nesse mundo que se descortina.

Observem que poucas são as escolas a obter um nível de avaliação razoável no IDEB.

Outra observação é que os piores índices, em geral, são verificados nas regiões onde predominam altos níveis de violência. Quanto maior índice de violência, tanto menor o IDEB!
Guardo cerca de 1000 testes aplicados; nos últimos 10 anos (redação de pelo menos 15 linhas, matemática e conhecimentos gerais); em jovens entre 18 a 25 anos, todos com secundário completo, muitos já frequentando faculdades particulares. É uma calamidade!

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação.

Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial.

A construção civil deve ser acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante esse período, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda.

Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública; com a inclusão do bolsa família; com a criação de uma CPMF exclusiva para educação etc.

É só pensar nos 43.98% dos gastos com a dívida pública!

Temos dinheiro para investir nesse projeto. Não é uma utopia! É o caminho!

Para a construção inicial dos centros educacionais e formação de professores, sugiro que se invista cerca de 40% das nossas reservas. Alerto, que sem a federalização esse projeto não terá sucesso.

O objetivo desse projeto não é, apenas, a formação indivíduos tecnicamente muito bem preparados, mas seres humanos que enxerguem com clareza o mundo que os cerca.

Não temos tempo para ficar aguardando a época do pré-sal.

Observações e consequências previsíveis:

1. O tráfico perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, das 07 às 18 horas, na escola. Serão desnecessários tantos investimentos em presídios e no efetivo policial. É uma fonte de recursos que migrará para a educação.

2. Para aqueles adolescentes que já participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.

3. A saúde será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem alimentadas, sinônimo de bem-estar para elas e seus pais. Toda escola deverá ter um posto de saúde.

4. O setor financeiro deve saber que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de prosperidade. Será bom para todos que desejam uma nação economicamente forte.

5. A federalização da educação é uma necessidade, evitando aumentar as diferenças nas diversas regiões do Brasil. A educação deve ter o mesmo nível em todo país.

6. Fiscalização rigorosa, prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação dos pais, dos professores, dos sindicatos, com poderes e recursos para denunciar erros, desvios de verba e de rumo.

7. Recursos adicionais: os pais pagarão 5% do salário / entradas pela mensalidade de cada filho matriculado. Isso é muito menos do que arcam, hoje, nas escolas particulares que, na sua maioria, não adotam o tempo integral.

8. O pequeno agricultor deve ter prioridade no fornecimento dos produtos alimentícios dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno. Tornando-se, também, numa importante política para manter o homem no campo. A formação de pequenas cooperativas agrícolas deve ser incentivada para permitir a aquisição de maquinário destinado ao cultivo da terra, armazenagem da colheita e entrega dos produtos nas escolas.

9. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar como praticar uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares. As escolas estabelecidas no campo devem ter no currículo aulas teóricas e práticas de como recuperar as áreas degradadas. O governo, por intermédio da Embrapa, fornecerá mudas e orientação de como proceder. As escolas localizadas dentro do perímetro urbano devem adotar a sistemática de, uma ou duas vezes por mês, participar, em conjunto com suas irmãs do campo, de mutirões para recuperar áreas degradadas, proporcionando uma maior integração da cidade com o campo. As crianças da cidade não ficariam tão alienadas, quanto à vida do interior.

10. O Brasil deixará de ser, apenas, um país exportador de produtos primários. No campo da agricultura, teremos uma maior diversidade e qualidade. Como está, cada dia, temos menos variedades de frutas e verduras, pois ao grande produtor não interessa essa variedade. Neste ritmo, só pensando na exportação, muitas espécies desaparecerão!

11. Com o advento dessa geração bem educada, passaremos a ter produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta tecnologia. Nossa indústria crescerá, em função do mercado interno e da exportação de produtos com melhor qualidade.

12. O futuro da energia: Pequenas usinas de energia solar, eólicas e hidroelétricas devem proliferar para atender às novas exigências dessas escolas e dos pequenos agricultores. A sobra dessa energia será integrada à rede nacional, evitando possíveis apagões.

13. A energia nuclear, ainda, é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la, intensamente.

14. Outras fontes de energia, como a eólica, a solar e a biomassa poderão aumentar a nossa independência.

15. Não é com a devastação da Amazônia que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado. Um povo educado e culto saberá combinar o desenvolvimento com a preservação ambiental.

16. Os psicopatas sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% a 5% dessa praga. Num país com uma população de 190 milhões, temos, assim, pelo menos, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade; inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais os traficantes, os corruptos e lavadores de dinheiro atuam. Com um povo educado essa gente não desaparece, porém o grau de atividade será bem menor. Eles estarão, com certeza, na linha de frente, em oposição a um plano como este!

17. Para alcançarmos tudo isso, quiçá, vamos necessitar de uma nova forma de praticar a política: mandato único em todos os níveis, partidos sem caciques, país unitário (seria o ideal), lei única, câmara única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia! Quem não dá a devida atenção à educação, deseja o status quo. Surgirão com uma infinita quantidade de argumentos contra, lançados pelos psicopatas e por muitos que não se dão conta que estão adotando os argumentos dessa gente.

Muitos irão dizer que só precisamos melhorar a gestão, num faz de conta que não estão vendo os milhões de crianças perambulando pelas ruas ou trabalhando para ajudar no sustento familiar. Não querendo, ainda, tomar conhecimento dos milhares que estão sendo recrutados pelo tráfico. Muitos ou estão dominados pela propaganda ou simplesmente têm receio de contrariar banqueiros, construtoras, empreiteiras e grandes empresas com potencial de participar do execrável financiamento privado para as eleições.

18. A nossa federação tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis, alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras mazelas. Dentro desse quadro federativo a educação, dificilmente, terá guarida. Lutam desesperadamente pelos royalties do petróleo. Planejam implantar o Trem Bala num país que não possui uma rede ferroviária para escoar sua produção. Para a educação sobra o engodo.

19. Com um projeto como esse, as nossas Forças Armadas, repensariam seus projetos de importação, voltando sua atenção para o desenvolvimento tecnológico próprio. Não temos ameaças de vizinhos. Importar tecnologia militar de ponta é dar continuidade à nossa dependência. Um alto índice de educação será a base da nossa segurança. Daqui, sairão nossos pesquisadores, jovens que dedicarão seu tempo ao estudo, sem os desvios e vícios dessa sociedade doentia. Jovens que terão orgulho do pedaço de torrão onde nasceram e daqueles que pensaram neles. Jovens que não irão para as ruas queimar a bandeira do seu país e praticar todo tipo de vandalismo. Isso é utopia? Para quem não pensa em tal futuro, sim.

20. Essa escola deve acolher as crianças a partir dos 04 anos de idade com o objetivo de termos um bom nivelamento. Poucos são os pais, dentro dessa vida estressante, que têm condições de educar seus filhos durante os 04 aos 07 anos. Há uma tendência de deixarem essas crianças na frente da televisão, mesmo quando sob o cuidado de algum adulto. Dentro da classe média isso acontece, também. Que alternativa sobra para as camadas menos favorecidas que, muitas vezes, necessitam usar os precários meios de transporte, já antes do sol nascer? Há estudos que comprovam ser essa faixa etária a mais importante como base para o aprendizado futuro.

21. As atuais escolas de pequeno porte devem ser reformadas e usadas como creches.

22. Lendo um artigo sobre a escola na China, chamou-me à atenção o fato de 02 crianças; filhas de brasileiros, que lá estão estudando; externarem o desejo de retornar à escola brasileira, alegando que a professora, no Brasil, passava uma folha para o dever de casa e que na escola chinesa ela recebia quatro folhas, com a obrigação de entregar o trabalho de casa totalmente feito. Para as crianças chinesas, aquele procedimento era normal. Elas não cresceram sentadas ou deitadas no sofá, só vendo desenhos animados e novelas.

Já morei num condomínio, com 108 apartamentos, onde havia uma quadra de futsal que, praticamente, não era usada. Nos fins de semana, quando encontrava um menino solitário no térreo e perguntava onde estavam os coleguinhas que não desciam para brincar um pouco; a resposta não era que estavam estudando e sim que a meninada gostava mesmo era do videogame, estavam jogando, por isso não desciam. A obesidade começa a se tornar a companheira inseparável do péssimo desempenho escolar! É por isso que o entrevistador obteve aquela resposta na China. Tornemos a saúde a companheira do conhecimento!

23. Há um programa internacional de avaliação de estudantes (PISA), no qual, em teste recente, entre 65 participantes, o Brasil obteve o desagradável 54° lugar. A China, representada por Xangai, foi a primeira colocada. Existe um projeto para expandir o sistema adotado em Xangai, com cerca de 15 milhões de habitantes, para todo país. É, apenas, um exemplo, mas precisamos saber o que acontece no mundo para facilitar imitar o lado bom e evitarmos o negativo.

24. Imaginem o salto quantitativo e qualitativo que teríamos nos esportes. Em todas futuras olimpíadas estaríamos nas primeiras colocações. Em Londres, obtivemos desempenho inferior a países infinitamente menores em dimensões territoriais e populacionais, como Jamaica e Cuba.

25. Está disponível na internet uma grande gama de informações esclarecedoras; muito bem fundamentadas e algumas foram comprovadas com os vazamentos de documentos sigilosos pelo Wikileaks; de que nosso desenvolvimento tecnológico sofre sabotagens de todo tipo, daqueles que não desejam ver o nosso país no cenário internacional com produtos de alto índice tecnológico. O interesse é que sejamos, exclusivamente, fornecedores de comodities!
Vejam, só, como exemplo, os revezes e sabotagens praticados ao PROJETO ESPACIAL BRASILEIRO, tendo seu ápice na explosão da base de Alcântara, quando tudo foi destruído e as vidas de 21 cientistas foram ceifadas, em 22 de agosto de 2003.
Até nossos satélites para uso nas telecomunicações, na vigilância do desmatamento, no monitoramento do clima estão sendo lançados no exterior, apesar de Alcântara ser um local privilegiado para essa atividade. Os interesses mesquinhos entrelaçam-se. A sabotagem indireta é um ataque silencioso e muito perverso que o Brasil e o seu Programa Espacial vêm sofrendo, sem tréguas, já faz mais de 20 anos. Tudo isso acontece porque recebem a ajuda e cooperação dos mesmos que lutam contra a educação no Brasil.

Responder

Eunice

03 de julho de 2013 às 16h30

Só que aí entra a conversa de “bolivarismo” da tropa de choque dos empresários elitistas dos quais os congressistas são meros pudles.

Qualquer palavra dita por uma presidenta popular vai ser xingada de bolivarismo. Os cachorrinhos da mídia estão bem treinados.

Aí está a parte deles, e vai precisar sacrificio do povão e da classe média burra. Se a classe burra acha que atear fogo em lixo é suficiente está muito enganada. Será uma luta encarniçada literalmente.

Responder

Urbano

03 de julho de 2013 às 15h50

Os bandidos da oposição ao mundo nos impõem e nós aceitamos, como a maior parte dos países. Isso é um roubo que não vai se acabar nunca. Inclusive, não sei pra que esses fdp querem tanto dinheiro. Para coisa boa é que não deve ser.

Responder

G.A Almeida

03 de julho de 2013 às 13h25

Ela devia explicar também suas medidas populistas, falar certinho como isto afeta o crescimento do país, joga a sujeira para baixo do tapete e lhe dá tempo para ignorar infra-estrutura e crescimento sustentável

Vamo fazer o seguinte.

A solução pra isto tudo é liberar mais credito pro pessoal.

Ah, vamos canetar a conta de agua também, e subsidiar a diferença com dinheiro do tesouro.

Responder

von Narr

03 de julho de 2013 às 13h08

Peraí, tem alguma coisa errada nessa história. O governo diz que pagou 200 e tantos bi em juros, e o articulista fala em 750 bi. Por que essa discrepância? Onde estão as fontes?

Responder

Hgf

03 de julho de 2013 às 12h42

É o que eu digo, todo governo que não toca nesses três pontos que escraviza o povo brasileiro e o mundo é cúmplice e de direita, que são:
-Auditoria na dívida externa e externa.
-Revisão da privatizações.
-Lei da Mídia.

Responder

wendel

03 de julho de 2013 às 12h40

O artigo realmente nos faz refletir, e aborda temas muito interessante, qual seja, o pagamento dos juros da divida publica e mais recentemente a volta da divida externa.
Conforme cita, “os gastos com a dívida pública absorveram 43,98% dos recursos federais em 2012. Mais de R$ 750 bilhões. Para a saúde foram destinados somente 4,17% desses recursos;3,34% à educação; 0,7 aos transportes; 0,39% à segurança e 0,01% à habitação.”
É sem dúvida alguma, uma verdadeira sangria, mas deixou de abordar um dos fatores mais essenciais, e talvez mais importante, qual seja, a independência do Banco Central!
Enquanto o Banco Central estiver atrelado e controlado pelos Donos do Mundo, não adiantará nada os arroubos nacionalistas, pois se quisermos nos salvar, antes de mais nada, o que o país tem que fazer, e urgentemente, é retomar o controle desta instituição!
Gostaria de sugerir que escrevesse um artigo sobre este tema, para esclarecer melhor os menos avisados!
Finalizo, e agradeço a oportunidade de ler seu artigo!

Responder

Armando Viana de Lima

03 de julho de 2013 às 12h29

Esse é o verdadeiro ponto a ser combatido, as grandes corporações, praticamente todos os governos estão de joelhos diante delas, e, até agora nenhum governante teve coragem de contraria-las.

Responder

renato

03 de julho de 2013 às 11h59

A Dila deeria pegar o horario politico a que tem direito. e espero que tenha direito, e vir falar todo o dia com o povo e explicar tim tim por tim tim cada coisa como esta. E expor os verdadeiros parasitas deste Brasil.
Certo ou errado ele sabe quem são os Pulhas..

Responder

    renato

    03 de julho de 2013 às 12h00

    DILMA

Hildermes José Medeiros

03 de julho de 2013 às 11h40

Ora faça-me o favor! Gastos com a dívida desde 1988, trinta e três anos, sem se referir as ações já realizadas e bem sucedidas para redução do impacto desse endividamento? Dizer que foi o Movimento do Passe Livre (MPL) o responsável pelo desencadeamento das manifestações que se veem sucedendo desde o início de junho é desconhecer que o Governo Federal, querendo fazer política com números, em conluio com governos estaduais e prefeituras, no sentido de maquiar os números da inflação, como ainda parece que faz com o preço dos derivados de petróleo, represou aumentos, diga-se de passagem com preços absurdamente indexados à inflação nas tarifas de transporte, cujos reajustamentos em todo o país passaram a ser realizados em junho, dando todo o combustível necessário para incendiar a classe média, a partir da centelha do MPL, que encontrou o ambiente propício. Todas as mazelas que aponta, a maioria são problemas estruturais de nossa economia, que muitos grupos de pressão agora aproveitam para impor ao Governo e ao Congresso as soluções que desejam. Não é por outra razão que sindicatos, muito mais aqueles em dissidência com o Governo e pretensões políticas, como é o caso da Força Sindical, sob liderança do nada confiável Paulinho, programam manifestações para o próximo onze de julho,cuja pauta é um verdadeiro rol de questões pendentes há muitos anos. Não é uma análise mas documento de um oposicionista pressionando.

Responder

    Eunice

    03 de julho de 2013 às 16h24

    Eu quero saber onde busco – no orçamento federal – mesmo um valor aproximado para saber o que pagamos POR ANO aqui dentro, ao ITAÙ, etc os financiadores dos titulos brasileiros da dívida que é uma coisa.

    E quero saber onde busco – e isso deve ser mais dificil – a soma de todos os gastos do governo para financiar os exportadores, isso sim gera dolares para a diferença das contas internacionais. Que é bem outra coisa. Me ajudem.

    Em todo caso as 2 dívidas indiretamente afetam os pobres, e lhes debita, afeta os ricos e lhes credita, pois quando um exportador recebe dolares ele paga em reais o subsídio que o goveno lhe deu em reais. E embolsa o resto.E o seu empregado não tem nenhum subsidio do governo para comprar nada.Ao contrário só pode comprar produtos ruins chineses, ainda assim caros, pela qualidade, e que também ajudam a debitar o governo brasileiro com algum tipo diferença nas contas externas. Os produtos internos a que tem acesso em geral são os de básica necessidade, comida, refrigerante, remédios, nestes também sempre há uma contribuição aos estrangeiros.

    Eunice

    03 de julho de 2013 às 16h26

    Acho que este assunto vale uma boa marcha, mas uma marcha organizada e consciente. Não uma balada louca! Uma balada de tirar o sono do governo e que siga até a porta do Congresso, com uma multidão tal que alguns morram de infarto e já desocupem o cenário imediatamente.

jaime

03 de julho de 2013 às 11h08

A propósito:

“Governo admite elevar impostos para poupar até R$ 20 bi”

“A ordem no governo é perseguir, a todo o custo, a meta de poupar o equivalente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o pagamento dos juros da dívida pública.”

http://br.financas.yahoo.com/noticias/governo-admite-elevar-impostos-poupar-103500051.html

Responder

jaime

03 de julho de 2013 às 10h50

Obrigado ao Viomundo pela publicação. Penso que isso é expor o “núcleo duro” das principais questões, aquelas que são a origem dos demais problemas.
Não por acaso, o primeiro elemento do pacto que Dilma propôs referia-se à responsabilidade fiscal, o que em outras palavras, significa primeiro o “mercado”, os “investidores”, a Carta aos Brasileiros, a permissão dos verdadeiros donos para que o “governo” siga “governando”.
Também não por acaso afastou-se a possibilidade de uma Constituinte restrita, trocada por um plebiscito ou eventualmente um referendum. Em nenhum destes o foco cairá sobre o questionamento da dívida pública e seu gerenciamento.
Sinto que estamos ainda no mesmo ponto em que Jango, no discurso da Central do Brasil, falava sobre remessa de lucros.
Governabilidade, base de apoio, tudo isso se chama conchavos porque o país é muito rico – podemos ir entregando tudo por algum tempo ainda, até porque, se não entregarmos eles vêm buscar.
E, na minha modesta e falível opinião, o começo da mudança passa inevitavelmente pela MÍDIA. Sem poder informar, sem poder disseminar textos como este, não sairemos do lugar.
Talvez Marilena Chauí tenha razão quando diz que a classe média é uma abominação cognitiva porque é ignorante, mas para não sermos ignorantes temos que ter à disposição informação confiável e verdadeira.

Responder

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