VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Saúde

Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento


03/06/2011 - 15h14

por Conceição Lemes

Em fevereiro, durante coletiva de imprensa para anunciar sua aposentadoria do futebol, Ronaldo revelou que tem hipotiroidismo. No final da semana passada, reportagem sórdida da revista Época divulgou que a presidenta Dilma Rousseff também. No caso dela, a origem é a tiroidite de Hashimoto.

Pois cerca de 3 milhões de brasileiros, principalmente mulheres acima de 40 anos, estão na mesma situação que Ronaldo e Dilma. Faça um teste. Pergunte a familiares, amigos, colegas de trabalho se conhecem alguém com hipotiroidismo. Vai se surpreender. Quase certamente encontrará algum caso.

“A incidência de hipotiroidismo vem aumentando no Brasil e uma das razões é a maior quantidade de iodo na dieta dos brasileiros”, informa o endocrinologista João Hamilton Romaldini, professor titular da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade de Campinas. “Outras: métodos diagnósticos mais sensíveis e maior conhecimento da doença pelos médicos.”

O iodo é a matéria-prima básica para a glândula tiroide fabricar hormônios. Existe principalmente em peixes e frutos de mar. Na carência do nutriente, ela não trabalha direito. Em situação extrema, o adulto tem bócio e a criança, deficiência mental.

Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda universalmente adicioná-lo ao sal de cozinha, pois o iodo é raro na natureza. A dose indicada é 20 a 60 miligramas de iodo por quilo de sal.

Porém, iodo demais torna a tiroide suscetível à tiroidite de Hashimoto nas pessoas com predisposição genética. Hashimoto é a principal causa de hipotiroidismo.  Na região Metropolitana de São Paulo, o hipotiroidismo foi encontrado em 8% das mulheres e na cidade do Rio de Janeiro, em 12,3%. Quanto à tiroidite de Hashimoto, afeta mundialmente 2% a 5%  da população feminina.  Quanta maior a faixa etária, maior a ocorrência da doença.

INTERAÇÃO ENTRE PREDISPOSIÇÃO E AMBIENTE

Coloque a mão sob a ponta do queixo. Deslize os dedos até a parte inferior do pescoço. Aí fica a tiroide. Com formato de borboleta e pesando cerca de 20 gramas, é uma das nossas principais glândulas. Ela fabrica os hormônios tiroidianos — substâncias que, via sangue, agem no corpo inteiro, no desenvolvimento e manutenção de todos os órgãos e funções. Por exemplo, ajudam o corpo a usar energia e reter calor; fazem cérebro, coração, músculos e outros órgãos trabalhar devidamente.

Hipotiroidismo significa que os hormônios estão sendo fabricados abaixo do nível considerado normal. Tem vários motivos: má-formação da glândula, radioterapia ou cirurgia no pescoço e uso de certos medicamentos, como amiodarona (para angina e arritmia cardíaca), lítio (antipsicótico), fenilbutazona (antiinflamatório) e sertalina (antidepressivo).

Mas a causa principal em regiões onde há iodo em quantidade suficiente – caso de maior parte do Brasil  – é a tiroidite de Hashimoto, uma doença autoimune.

“A tiroidite de Hashimoto está relacionada à predisposição genética a doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, lúpus eritematoso, vitiligo, psoríase, artrite reumatoide,  com forte influência de fatores ambientais, que aumentam o risco”, explica Romaldini. “Os fatores ambientais mais comuns são radiação, infecções frequentes e estresse, além da elevada ingestão de iodo. A mulher, devido ao estrógeno, o hormônio feminino, também tem maior risco.”

Em outras palavras: a tiroidite de Hashimoto resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais desencadeantes. O sistema imunológico não reconhece a tiroide como parte do corpo e passa a produzir anticorpos contra a glândula, inflamando-a ou destruindo-a progressivamente.

O processo é irreversível. O tratamento consiste em tomar diariamente, e para o restante da vida, comprimidos de levotiroxina (há várias marcas comercializadas no Brasil). É hormônio T4 sintético. Não cura o hipotiroidismo, apenas substitui o T4 (ou tiroxina, principal hormônio fabricado pela tiroide) que a glândula doente não produz em quantidade suficiente. A melhora dos sintomas é lenta, podendo levar meses se eles forem intensos.

SINAIS E SINTOMAS DE HIPOTIROIDISMO

Independentemente da causa, a redução dos hormônios tiroidianos no sangue leva aos poucos o organismo inteiro a “andar” em marcha lenta.

Os sintomas (é o que você sente) e sinais (é o que você e o médico veem) comuns :

* Cansaço, desânimo, com fraqueza, perda de energia.

* Prisão de ventre.

* Pele seca.

* Ganho de peso ou dificuldade para perdê-lo.

“O aumento de peso em função do hipotiroidismo geralmente não é superior a 10% do peso”, afirma Romaldini. “Ele se deve ao acúmulo de líquidos [água] nos espaços entre os tecidos do corpo. É diferente da obesidade, cujo ganho de peso é decorrente do aumento de gordura.”

Outros sinais e sintomas do hipotiroidismo:

* Sensação de frio quando as outras pessoas sentem calor.

* Voz rouca.

* Diminuição da audição.

* Dores articulares (nas juntas).

*Alteração na menstruação, principalmente com aumento do

sangramento.

* Infertilidade.

* Galactorreia (produção de leite fora do período pós-parto ou de lactação. Pode ocorrer no sexo masculino).

* Perda de libido.

* Lerdeza para reagir às situações do cotidiano.

* Raciocínio moroso, concentração difícil e memória ruim.

* Sonolência durante o dia.

* Pálpebras e rosto inchados ao amanhecer.

* Cabelos ressecados, quebradiços, que caem mais do que o habitual.

* Unhas quebradiças.

* Irritação.

* Surgimento ou agravamento da depressão.

* Aumento da taxa de colesterol.

Hoje, raramente, os médicos atendem hipotiroideo com tudo isso junto. É o hipotiroidismo clássico, ou manifesto. Usualmente, o diagnóstico é feito numa fase mais precoce, e o paciente apresenta apenas alguns dos sintomas acima, aliás, comuns a diversas condições, como anemia, depressão, stress e menopausa.

“Em geral, a pessoa não nota o início do hipotiroidismo, os sinais e sintomas são brandos”, avisa Romaldini. “Por meses e muitas vezes anos não tem sintoma algum.” É o hipotiroidismo subclínico, cuja única alteração é o aumento no sangue do hormônio estimulante da tiroide (TSH).

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE HASHIMOTO

— E como saber se a pessoa tem hipotiroidismo?

— E se ele é causado por tiroidite de Hashimoto?

Bem, as sociedades de ginecologia e endocrinologia preconizam a dosagem de TSH para mulheres após os 40 anos. Porém, se sentir cansaço, desânimo ou depressão que não consegue explicar direito, consulte o seu médico. Pode ser que não seja stress ou excesso de trabalho, mas hipotiroidismo.

O diagnóstico de hipotiroidismo é feito através de dosagens hormonais. Na maioria das vezes basta o TSH. É o primeiro a detectar qualquer alteração na tiroide.  O normal é ter de 0,3 a 4,5 miliunidades de TSH por litro de sangue.

Nos resultados alterados, devem ser feitos mais dois testes:

1) T4 livre, particularmente útil no diagnóstico do hipotiroidismo subclínico. É aquele que ainda não dá sinais nem sintomas. O T4 livre normal combinado a TSH pouco elevado indica disfunção mínima da tiroide.

2) Anticorpos antitiroide, para identificar a causa. Resultado positivo é forte indício de tiroidite de Hashimoto.

“TSH Acima de 10, considera-se hipotiroidismo”, observa Romaldini. “Deve ser sempre tratado. A terapia é tomar levotiroxina diariamente pelo restante da vida.”

De 4,5 a 10 miliunidades é a faixa do hipotiroidismo subclínico. Alguns médicos já tratam. Mas o professor Romaldini acha que só deve ser tratado se o paciente tem queixa importante ou fator de risco associado, como aumento do colesterol total e da fração LDL (o ‘mau’ colesterol), angina, doença do pânico ou depressão que não melhora com antidepressivos, diminuição de memória e de concentração.

“O hipotiroidismo está associado a aumento de colesterol, favorecendo aterosclerose e infarto do miocárdio”, justifica Romaldini. “Também pode alterar o humor, contribuindo para a depressão.”

— E se a pessoa tiver também tiroidite de Hashimoto, como fica o tratamento?

O tratamento não muda. O que altera é o prognóstico. Portanto, a forma como se vê a doença naquele paciente que é positivo para anticorpos antitiroide. O risco de evoluir para hipotiroidismo é sete vezes maior.

“A cada seis meses, o paciente passa por nova avaliação”, atenta o doutor Romaldini. “Se alterar o TSH ou o quadro clínico, inicia-se o tratamento.”

Mas atenção. Tem muita gente sendo tratada desnecessariamente de hipotiroidismo no Brasil.  Sobre isso, nós alertamos aqui.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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Por Laurindo Lalo Leal Filho



22 comentários

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sandra chahde

06 de junho de 2012 às 18h11

O que é antiperoxidase tireoidiana-anticorpos? O meu exame deu 88,2
O meu nodulo tem 4,22×2,69×3,53
O medico quer operar, devo? Nao tem tratamento?

Responder

Silvia De Castro

29 de março de 2012 às 19h30

é uma boa coisa a se fazer Lemes, eu vou procurar outro especialista pra repetir os exames, achei estranho ela me receitar somente um frasco com 30 comprimidos e retornar daqui a 3 meses. Não vou começar o tratamento sem saber ao certo. Obrigada pelo seu auxílio!

Responder

Sílvia De Castro

29 de março de 2012 às 12h52

Mas achei estranho, pois quem tem hipotiroidismo não pode interromper o tratamento, eu vou tomar os trinta comprimidos e ficar 2 meses sem tomar nada para ai fazer o exame e voltar na medica…

Responder

    Conceição Lemes

    29 de março de 2012 às 13h30

    Silvia, vc tem toda a razão. Vc conhece bem o médico? E o laboratório? Não seria o caso de vc refazer os exames (pelo menos o TSH) e ouvir uma segunda opinião? Considerando que é um tratamento pra vida toda, é FUNDAMENTAL ter o diagnóstico preciso. O fato de vc ter familiares com hipo não significa que com certeza vc tem ou terá, embora, claro, esteja mais propensa. abs

Sílvia De Castro

29 de março de 2012 às 11h39

Ela me medicou Puran 25 mg e me pediu para retornar daqui a 3 meses com os exames de t4, t3 e tsh.

Responder

Sílvia De Castro

28 de março de 2012 às 19h27

Olá eu tenho 23 anos e fiz exames que deram o resultado de tsh 4,15 uui/ml , t4 livre 0,82 ng/dl fsh 2,9 mU/ml e Luteinizante 2.2 mUI/ml . A médica disse que tenho hipotiroidismo, tenho mais casos na familia, seria genetico? Esta avançado??

Responder

    Conceição Lemes

    28 de março de 2012 às 20h45

    Silvia, o que a médica recomendou? Ela pediu pra repetir o TSH? abs

Denise

19 de fevereiro de 2012 às 19h39

Fui diagnosticada com hipotiroidismo, através de exames específicos, entretanto não apresento sintomas.
Ao iniciar o tratamento com levoid apresentei os sintomas da doença, parei com a medicação e os sintomas desapareceram. Substitui por outro medicamento e sintomas retornaram, suspendi a medicação e os sintomas desapareceram.
O que pode ser?

Responder

    Conceição Lemes

    19 de fevereiro de 2012 às 20h17

    Denise, vou perguntar ao médico entrevistado. Depois te respondo aqui mesmo. abs

Jamil Murad: O risco dos “depósitos humanos” | Viomundo - O que você não vê na mídia

07 de novembro de 2011 às 16h04

[…] Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento […]

Responder

Conceição Lemes

02 de julho de 2011 às 22h34

Marcos, conversei com o dr. Gilberto Vieira, professor de Endocrinologia da Unifesp, que deu as seguintes explicações:

*Os principais sintomas da hipertiroidismo incluem fraqueza muscular, tremores nas mãos, batimentos cardíacos acelerados, fadiga, perda de peso importante, fome excessiva, diarréia ou aumento do número de evacuações, irritabilidade e agitação, ansiedade, insônia, sudorese excessiva, sensação exagerada de calor e irregularidade menstrual. Esses sinais clínicos raramente surgem em conjunto e podem nem estar presentes na fase inicial da doença.

* O hipotiroidismo pode se transformar em hipertiroidismo, sim, e vice-versa.

* Há três tipos de tratamento para hipertiroidismo: drogas antitiroideanas, iodoterapia e cirurgia (tiroidectomia subtotal). As indicações de cada um são bem definidas.

Responder

Lucimar Cruz

27 de junho de 2011 às 11h56

Conceição,
Aprecio sempre os seus artigos. No entanto, faço uma observação quanto às matérias sobre disfunções da tireóide. Se você voltar a escrever a respeito, cite também o hipertireoidismo, assim a reportagem fica mais completa.
Acho que mencionar apenas o hipotireodismo e a tireoidite de hashimoto deixa os textos um pouco confusos. Digo isso porque tratei durante cinco anos tireoidite de hashimoto associada a HIPERtireodismo. Felizmente, obtive a cura, mas faço controle regular, pois, segundo o médico, quem teve hipertireodismo pode vir a desenvolver hipotireodismo.
Registrada a dica, deixo meus parabéns pelo seu excelente trabalho.

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Marcelo de Matos

20 de junho de 2011 às 09h54

(parte 2) Como era no pé, fui encaminhado para um ortopedista. Antes, consultei um clínico geral que disse que seria melhor não operar. Encaminhou-me para um quiropodista (ou podólogo) que disse que eu tinha de usar palmilha no tênis ou sapato. Preferi operar e troquei seis por meia dúzia. No lugar da formação óssea surgiram protuberâncias carnosas cujo nome não sei.

Responder

Marcelo de Matos

20 de junho de 2011 às 09h53

(parte 1) É difícil saber se temos ou não esses sintomas todos. O meu colesterol, por exemplo, é abaixo da média. Talvez seja esse o lado bom do vinho. Dores articulares (nas juntas) talvez seja o caso. Quando passei dos 50 comecei a ter alguns nódulos nos dedos das mãos. Consultei alguns médicos do meu convênio (Unimed) e ouvi opiniões como: 1) no tempo que eu andei estudando esses nódulos, conclui que eram causados pelo uso de bebidas alcoólicas (reumatologista); 2) não é gota, portanto não é da minha área (reumatologista); 3) a dermatologista me encaminhou para um cirurgião da mão e operei os dois dedos médios. Em um deles surgiu outro nódulo, mais próximo da unha, que dói bastante. Disseram que era cirurgia ambulatorial, mas, acabei tomando anestesia geral. Depois meu urologista mandou que eu não operasse mais os nódulos, deixando-os como estavam, porque tenho só um rim e não posso tomar anti-inflamatório. Na planta dos dois pés, bem na parte côncava, surgiram também duas formações ósseas, parecidas com os nódulos da mão.

Responder

O_Brasileiro

05 de junho de 2011 às 15h28

Muito bem!

Responder

beattrice

04 de junho de 2011 às 15h17

Muito oportuno seu esclarecimento Conceição.
Um exemplo de como se faz jornalismo a favor da saúde de todos e não a favor de azucrinar alguns como a GLOBOPE.

Responder

Maria Libia

04 de junho de 2011 às 14h00

Procurar fazer os exames o mais rápido oissível para quem tem os sintomas acima descrito. Mas é bom que além do peixe saibam que o agrião, rúcula, couve flor, salta , tomar suco de limão que são rico em iodo. E não esquecer de ser acompanhado por um tratamento medicinal.

Responder

rita

04 de junho de 2011 às 11h51

eu tive hipotiroidismo. e tive todos os sintomas que relata o texto. o pior que na fase mais severa eu engordei muito. e não tinha apeitite nenhum, isso era o pior de tudo. agora eu estou no outro extremo, com hipertiroidismo. minha tiroide é um caos!

Responder

operantelivre

04 de junho de 2011 às 09h54

Conceição, seu artigo está muito didático. Trouxe importantes informações. Parabéns!!!

Responder

operantelivre

04 de junho de 2011 às 09h35

Conceição, seu artigo está muito didático. Trouxe importantes informações. Parabéns!!!
Mas acho que o caso do Ronaldo era proveniente do excesso de churrasco (rsrsrs) com sal iodado.

Responder

M. S. Romares

03 de junho de 2011 às 17h31

"Em situação extrema, o adulto tem bócio e a criança, deficiência mental."

Isso revela bastante coisa em relação a alguns comentários que aparecem por aqui. Porém, com algumas diferenças: os adultos (idade cronológica) são beócios, mas ainda são crianças.

Responder

Marcos

03 de junho de 2011 às 16h33

E hipertireoidismo ? Quais os sintomas mais frequentes e qual o tratamento indicado ? É verdade que o hipor pode virar hipo na maioria das vezes ?

Responder

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