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Mário Scheffer: Enquanto Prevent usava pacientes como cobaias, Ministério da Saúde “clonava” o seu protocolo de cloroquina e ANS não fiscalizava
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que tem como obrigação fiscalizar os planos de saúde, escolheu Prevent Senior como caso de sucesso na pandemia. Na fotomontagem, diretor-executivo da Prevent, Pedro Batista Júnior, aparece no topo à direita. Foto: Reprodução de vídeo
Blog da Saúde

Mário Scheffer: Enquanto Prevent usava pacientes como cobaias, Ministério da Saúde “clonava” o seu protocolo de cloroquina e ANS não fiscalizava


29/09/2021 - 15h28

Em 2020, quando a Prevent Senior já difundia o “tratamento precoce”, a ANS elegeu a operadora como uma das quatro “experiências bem-sucedidas no contexto da coordenação do cuidado e gestão de pacientes crônicos durante a pandemia de covid-19”. O evento oficial da ANS, em 30 de junho de 2021, contou com apresentação do diretor-executivo da Prevent, Pedro Batista Júnior, um dos investigados da CPI.

O que a CPI da Covid não viu: ANS escolheu Prevent como caso de sucesso na pandemia

Por Mário Scheffer – Blog Diário da CPI – Estadão

Representante dos médicos denunciantes das irregularidades da Prevent Senior, a advogada Bruna Morato depôs na CPI nesta terça-feira, 28, sob críticas de senadores governistas de agir como “testemunha por procuração”.

A depoente foi confrontada sobre o anonimato dos médicos, sobre o momento e a maneira com que o dossiê veio à tona, e esbarrou na controversa quebra de sigilo e intimidade de prontuários de pacientes falecidos.

Mas foram reiteradas, na oitiva e nos indícios expostos, as graves acusações que pesam contra o plano de saúde: omissão de causa de óbito, condução antiética de experimento com seres humanos, coerção de médicos, imposição de medicamentos ineficazes sem alertar pacientes sobre riscos, tratamento indigno de pessoas idosas.

Desde que passou a ser explorado pela CPI, o escândalo da Prevent mobilizou órgãos de controle, desencadeou força tarefa do Ministério Público e pedido de instalação de inquérito na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Com poder de polícia para fiscalizar, respectivamente, planos de saúde e médicos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entraram na história pela porta dos fundos.

No dia 17 de setembro, a ANS anunciou diligências na sede da Prevent Senior, passou a fazer ligações para usuários e enviar ofícios para médicos e prestadores de serviços do plano de saúde.

Em 2020, quando a Prevent Senior já funcionava como irradiadora do indevido “tratamento precoce”, a ANS elegia a operadora como uma das quatro “experiências bem-sucedidas no contexto da coordenação do cuidado e gestão de pacientes crônicos durante a pandemia de covid-19”.

A deferência está documentada em vídeo de evento oficial da ANS, em 30 de junho de 2021, que contou com apresentação do diretor executivo da Prevent, Pedro Batista, um dos investigados da CPI (veja no topo).

No dia 22 de setembro, em nota, o Cremesp afirmou que está “investigando rigorosamente denúncias envolvendo a Prevent Senior”, o que corre sob sigilo.

Em 2020, o mesmo Cremesp seguia o Conselho Federal de Medicina (CFM), para quem o médico que receita cloroquina para tratar covid apenas exerce sua autonomia e, por isso, não comete infração ética.

Carta aberta de ex-presidentes do Cremesp chegou a cobrar da entidade, em janeiro de 2021, a abertura de processos éticos contra “profissionais que têm promovido medicamentos sem qualquer evidência científica para prevenir e tratar a Covid-19”.

 A ANS tem delegação para aplicar multas pesadas e decretar intervenção na Prevent, enquanto Cremesp e CFM podem cassar o exercício profissional de diretores e médicos da empresa.

Tais desfechos são improváveis, considerando a reação tardia dos órgãos, constrangidos pela CPI, e seus movimentos de isenção ou leniência com a causa dos malfeitos que agora passaram a fiscalizar.

A CPI acabou de aprovar requerimento à Polícia Federal e ao Ministério Público para que investiguem a suposta omissão de ANS, CFM e Cremesp no caso da Prevent.

O “protocolo de manejo clínico covid-19”, no qual a Prevent preconizava os medicamentos sem eficácia, era de conhecimento público há muito tempo, sempre esteve ao alcance dos conselhos e da ANS.

A “hidroxicloroquina, concentração de 400 mg, de 12 em 12 horas, no primeiro dia, e a cada 24 h, do segundo ao quinto dia”, oferecida aos pacientes acompanhados pela Prevent, foi reproduzida e referenciada nas Notas Técnicas do Ministério da Saúde, que continham as “orientações para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da covid-19”.





2 comentários

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abelardo

01 de outubro de 2021 às 10h29

Poderiam ser corajosos e mudar a tradução da ANS para Agência Necrófila Suplementar

Responder

Zé Maria

30 de setembro de 2021 às 04h17

ASSOCIAÇÃO PARA CRIMES CONTRA A HUMANIDADE

“Prevent Sênior” + ANS + CFM + MS + “Gabinete Paralelo de Bolsonaro”

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