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Fátima Oliveira: O que você come pode afetar a sua mente


03/01/2017 - 11h46

dieta-mediterranea

Pesquisa realizada por cientistas espanhóis constatou que pessoas que seguem a dieta mediterrânea têm 30% menos chances de desenvolver depressão

Você é o que você come: a dieta pode afetar a mente humana

Fátima Oliveira, em O TEMPO

Médica – [email protected] @oliveirafatima_

“Você é o que come” é uma frase-mantra da nutrição que encerra verdades científicas e é instigante para quem entende a alimentação como uma questão cultural, incluindo tabus alimentares e interdições religiosas temporárias e perenes. Há comidas sagradas, profanas e de preceito!”

Se “você é o que você come”, como dizem nutricionistas e muitas pesquisas da área, a dieta pode afetar a mente humana também! Vide gerações perdidas de crianças, no mundo, pela desnutrição!

Sabe-se que “uma dieta rica em azeite de oliva aumenta a quantidade disponível de serotonina”. “A maioria dos antidepressivos age para manter mais serotonina no cérebro”. Quando o nível de serotonina aumenta, a dopamina diminui, e vice-versa.

Suplementos nutritivos podem ter efeito positivo nos níveis de dopamina do cérebro, melhorando o foco, resultando em melhora da concentração e do controle de impulso…

Pesquisas demonstraram: a depressão é ligada ao baixo consumo de peixe – rico em ômega 3, essencial para o bom funcionamento do cérebro; há evidências epidemiológicas de que esquizofrênicos apresentam baixos níveis de ácidos poli-insaturados, mas não sabemos ainda que mudanças na dieta seriam necessárias; alguns estudos sugerem que a doença de Alzheimer pode melhorar com grande consumo de legumes e verduras, que protegem contra enfermidades cerebrais; e sobre a Síndrome do Déficit de Atenção (SDA) há dados que mostram que crianças portadoras apresentam baixos níveis de ferro e de ácidos graxos.

Na Grã-Bretanha, a Sustain e a Fundação de Saúde Mental estudam os efeitos das mudanças na alimentação sobre o cérebro e o comportamento humano. Conforme o Relatório Sustain (“Mudança de Dieta, Mudança nas Mentes”, 2006): “A comida pode ter um efeito imediato e duradouro na saúde mental e no comportamento pela maneira como afeta a estrutura e a função do cérebro”.

Sabe-se que as gorduras saturadas, cujo consumo vem sendo ampliado pela ingestão de comida pronta congelada, deixam os processos cerebrais mais lentos. E Andrew McCulloch, diretor executivo da Fundação de Saúde Mental, informa que “as pessoas estão conscientes dos efeitos da dieta na nossa saúde, mas mal começaram a entender como o cérebro é influenciado pelos nutrientes (…); o tratamento de doenças mentais a partir de mudanças na alimentação está mostrando melhores resultados em alguns casos do que drogas ou terapia”.

Uma pesquisa realizada por cientistas espanhóis, das universidades de Las Palmas e Navarra, constatou que pessoas que seguem a dieta mediterrânea têm 30% menos chances de desenvolver depressão. Eles pesquisaram 10.094 adultos saudáveis durante quatro anos.

A dieta mediterrânea consiste de alimentos tradicionalmente consumidos na região do mar Mediterrâneo: grãos integrais, hortaliças, oleaginosas, azeitonas, azeite de oliva extravirgem e menos carnes vermelhas e um consumo maior de peixe.

É uma dieta rica em ácidos graxos monossaturados, como o azeite de oliva; consumo moderado de álcool e laticínios; e alto consumo de legumes, verduras, frutas, castanhas, cereais e peixe. Estudos informam que essa dieta “protege contra doenças cardíacas e o câncer e pode ajudar a prevenir a depressão”.

Sou de uma família que preserva a gastronomia religiosa, as ditas “comidas de preceito”, na Semana Santa, no São João e no Natal.

Defendo a filosofia “slow food”. Comer bem é um direito humano fundamental, da qual decorre a ecogastronomia – “a responsabilidade de defender a herança culinária, as tradições culturais que tornam possível esse prazer”.

 

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15 comentários

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Hellen Bueno

23 de julho de 2018 às 19h12

Muito interessante! Adorei as dicas e vou aplicar no meu dia-a-dia! Obrigada

Responder

JOEL

16 de abril de 2018 às 14h00

Interessante, eu já tinha ouvido falar de tais alimentos, mas não sabia com detalhes. Obrigado por postar.

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Máquina de Falar Inglês

19 de março de 2018 às 21h51

Acredito muito que o que comemos realmente afeta a nossa saúde. Preciso estar mais atenta e este artigo foi muito útil nessa nova fase da minha vida. Obrigada por compartilhar.

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    Luciane

    27 de agosto de 2019 às 15h13

    Amei as dicas ! Obrigada por compartilhar

Pole

05 de fevereiro de 2018 às 23h53

Com toda certeza, nós somos aquilo que comemos e o que comemos, pode sim afetar a nossa mente para melhor ou para pior. Dizem que peixe faz muito bem para melhorar o aprendizado.

Responder

Juliana Pax

30 de janeiro de 2018 às 14h38

ja tentei tanta dieta q só falta fazer dieta de dieta…rs

Responder

Tatiane

22 de setembro de 2017 às 15h37

Obrigada por compartilhar. Preciso urgente mudar minha alimentação.

Responder

Gertrudes Navarro

18 de setembro de 2017 às 17h22

Desde pequenos nos alimentamos mal.

Os pais acostumam os filhos com Coca-cola, Mc Donalds, balas, biscoitos, etc.

Deveríamos ter no ensino fundamental alguma matéria que já começasse a orientar as crianças sobre os perigos da má alimentação.

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Carol

27 de julho de 2017 às 19h37

Já fiz a dieta mediterrânea e me sentia bem melhor. Pena que não dei continuidade. Mas vou tentar introduzir alguns desses alimentos mencionados no artigo na minha alimentação.

Responder

    Maria

    20 de junho de 2019 às 13h33

    Obrigada pelas dicas, realmente precisamos nos atentar mais com a questão da alimentação.

Pedro

22 de junho de 2017 às 14h12

É impressionante como a alimentação traz diversos impactos para nossa saúde. Por isso nunca é tarde para tentar se alimentar melhor.

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Viva Bem

11 de junho de 2017 às 01h00

Excelente artigo, de fato nossa alimentação influencia muito em nossa saúde, e pode ajudar a prevenir doenças.

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Luis

17 de abril de 2017 às 18h12

Saúde é sempre prioridade, até na hora de se alimentar isso deve ser colocado na balança.

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Carlos Eduardo

16 de abril de 2017 às 03h17

Realmente nós somos o que comemos, cortei algumas coisas na minha alimentação e reparo na minha saúde principalmente na pele os efeitos.

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PLPinto.M.

14 de março de 2017 às 03h19

Ótimo artigo! Informações bastante ricas, confesso que não tinha conhecimento sobre algumas delas. Acho muito interesse essa associação entre a alimentação e a depressão, afinal, a obesidade e os problemas psicológicos são dois dos grandes males da população mundial atualmente.

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