Sindsep: Trabalhadores e usuários do Hospital do Servidor Público de SP desprotegidos e desrespeitados

Tempo de leitura: 4 min
Vazamentos vêm se tornando rotina em corredores de ambulatórios. E ao invés de drywall, a obra é "isolada" com plástico preto e fita crepe Fotos: Sindsep

DESRESPEITO A TRABALHADORES(AS) E USUÁRIOS(AS) NO HSPM CONTINUA OCORRENDO

Em um hospital com nove obras concomitantes em execução, as proteções e garantias necessárias que devem fazer parte dos contratos ou estão sendo desobedecidas ou foram suprimidas

Por Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo)

Os limites de ruídos causados por obras de construção civil em São Paulo parecem não ter importância na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Quem frequenta o Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), próximo à estação do metrô Vergueiro, já sabe disso faz um bom tempo e o Sindsep vem denunciando, a partir dos relatos de servidores(as) que utilizam o serviço.

No início de abril, trouxemos matéria sobre uma obra realizada sem planejamento e adequações que garantam a segurança, a saúde e o bem-estar de pacientes e trabalhadores(as).

Embora a Prefeitura de São Paulo (Secretaria Municipal de Saúde) tenha afirmado aos veículos de comunicação comercial, em abril deste ano, que não estavam sendo agendadas cirurgias, não é verdade e a administração municipal segue passando por cima de legislações, diretrizes e protocolos estabelecidos por órgãos como Anvisa. A segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais não são considerados.

Cirurgias e atendimento no meio do caos

Em serviços de saúde, qualquer tipo de intervenção na infraestrutura precisa de planejamento rigoroso, para não interferir no processo de trabalho e não prejudicar o atendimento.

No HSPM isso não é uma prioridade, ao contrário: há meses o hospital é um canteiro de obras, sem que se tenha estabelecido um diálogo com os trabalhadores, uma pactuação de cronograma ou mesmo ajustes nos fluxos assistenciais, à revelia das normas internas do próprio hospital.

A obra iniciada no meio do centro cirúrgico está delimitada apenas por plásticos pretos presos com fita crepe, dois meses após a primeira denúncia.

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Trabalhadores e pacientes estão preocupados com o risco de contaminação pelo pó gerado com a obra, composto principalmente por sílica (vinda do cimento, concreto, argamassa e tijolos), extremamente fino, o que dificulta a sua remoção e pode causar problemas respiratórios sérios.

Essa poeira no ambiente hospitalar pode carregar o aspergilo (ou Aspergillus), um gênero de fungo muito comum no ambiente, cujos esporos podem causar infecções respiratórias graves, conhecidas como aspergilose, especialmente em pessoas com imunidade baixa como pacientes com asma, fibrose cística, tuberculose prévia ou sistema imunológico debilitado, como pacientes em quimioterapia ou transplantados, os mais suscetíveis.

“As empresas contratadas para tocar as obras deveriam estabelecer diferentes tipos de contenção conforme a área sob intervenção. Um corredor de centro cirúrgico ou uma UTI, por exemplo, requerem cuidados especiais tanto nos procedimentos das obras como no seu isolamento, diferenciando-se de outras áreas menos críticas. Não é admissível que ‘economizem’ com isso, colocando pacientes e trabalhadores em risco. A obra iniciada no meio do centro cirúrgico está delimitada apenas por plásticos pretos presos com fita crepe, dois meses após a primeira denúncia”, elencou Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores(as) da Saúde do Sindsep.

Há obras que nunca são concluídas no HSPM e há também as que são iniciadas sem prazo de conclusão, como as em execução no 12º e 13º andares, executadas há mais de dois anos.

Sindsep: Não há planejamento da direção do HSPM para que os serviços sejam realizados após 17h e aos finais de semana, por exemplo. E com a retirada do vidro de proteção, na entrada principal do 3º andar, para a instalação de portas corta fogo, pombos têm acesso livre pelo forro 

No 2º andar, que abriga o Serviço de Dietética e Nutrição, outro vazamento pelo teto com forte odor de urina caía, na semana passada, bem próximo do réchaud onde são mantidas aquecidas as refeições. A solução foi colocar um balde para evitar o espalhamento no local. Um áudio também comprova a altura do ruído das obras dentro do HSPM que os pacientes têm enfrentado.

A dirigente do Sindsep reflete que em um hospital com nove obras concomitantes, as proteções e garantias necessárias devem estar nos contratos e serem seguidas rigorosamente. “Para não colocar em risco as pessoas internadas ou que fizeram cirurgia durante esse processo, nem ao risco de adoecimento os próprios trabalhadores”.

Segundo ela, a engenharia do HSPM tem um documento onde estão determinados os tipos de contenção que devem ser garantidas durante a execução de uma obra.

“Vemos que isso está sendo totalmente desrespeitado dentro do hospital. Fica o questionamento, isso não está nos contratos das obras? Se está por que não está sendo realizado a contento? Quem fiscaliza? Alguém deve estar lucrando com isso, afinal, se num determinado andar era preciso instalar uma contenção de drywall [divisórias de gesso] e cortar lajota com água, como exemplos de algumas proteções para evitar poeira, ruído e outros problemas que temos acompanhado, então, alguém deve estar lucrando com a ausência desses critérios”, questiona a dirigente.

Atualmente, segundo Flávia, os responsáveis no HSPM, principalmente pela Engenharia/Manutenção, ignoram todo e qualquer protocolo, seja interno ou da Anvisa, como a RDC 50/2002.

“Qualquer servidor e servidora que utilizou ou necessite de atendimento no Hospital do Servidor Municipal e tenha sequelas ou piora no seu estado deve procurar o Sindicato. Porém, ainda fica a questão: quem repara um servidor ou uma servidora com sequelas causadas pelos riscos oferecidos no HSPM em obras?”, acrescenta.

Clique aqui para assistir ao vídeo da denúncia.

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