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Contra a depressão, “use” atividade física regularmente

Publicado em: 25 de abril de 2010

por Conceição Lemes

Mens sana in corpore sano –mente sã em corpo são. Vocês já leram ou ouviram em latim ou português essa célebre máxima. É do poeta romano Juvenal (60-130 d.C), que, para criá-la, recorreu aos manuscritos de Hipócrates (460 a 377 a.C). Muito lá trás, o Pai da Medicina antevia o que a ciência só recentemente demonstrou.

“A atividade física beneficia não apenas a saúde física, a mental também”, afirma a psiquiatra Laura Helena Andrade, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP. “Está comprovado que ela é eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da depressão.”

Mas antes de ter mais detalhes, é importante saber que a depressão é uma doença comum. Hoje em dia, basta juntar dez mulheres, e terá esta “foto”: duas a três têm, tiveram ou terão o problema. Em caso de dez homens, um a dois aparecerão no “filme”.

O retrato é mundial. A depressão afeta 20% a 30% da população adulta. Segundo pesquisa da Universidade de Harvard, as doenças mentais causam metade dos 1,3 bilhão de dias/ano de afastamentos do trabalho nos Estados Unidos, sendo a depressão a principal responsável. Quadro semelhante ocorre entre os funcionários do Hospital das Clínicas de São Paulo: 45% das licenças médicas devem-se à depressão.

Ela provoca prejuízos duros e doídos. As perdas vão desde dias de trabalho, emprego, bom humor, qualidade de vida e alegria de viver até fim de relacionamentos. Tem mais. Ninguém está livre de ter uma crise um dia.

Logo, prevenir a depressão interessa a todas e todos. Pesquisas de longo prazo demonstram que a atividade física evita o aparecimento de sintomas depressivos em jovens, adultos e idosos, além de melhorar o humor e o bem-estar. Parece ainda reduzir o risco do Mal de Alzheimer e demência senil no futuro. Já em quem tem depressão, ajuda no tratamento.

“É um recurso adjuvante à medicação (os antidepressivos) e à psicoterapia”, salienta a doutora. “Os resultados surgem seis a oito semanas após o início dos exercícios regulares.”

Outra grande vantagem é diminuir as recaídas. Quem tem um episódio depressivo, tem 50% de risco de apresentar um segundo. Se dois, a probabilidade de um terceiro sobe para 70% a 80%. Em caso de três, o perigo de outras crises ultrapassa os 90%. Conseqüentemente é vital investir na prevenção de novas crises. É a chamada prevenção secundária.

Conclusão: os exercícios funcionam – mesmo! — na depressão. O que a ciência ainda não desvendou totalmente são os mecanismos que propiciam tais ganhos. Aparentemente, eles aumentam a liberação pelo cérebro de substâncias, como a serotonina (melhora humor e bem-estar) e as endorfinas (aliviam tensão e ansiedade).

Agora, para conquistá-los, há uma condição: a atividade física tem que ser regular. O ideal, quatro a cinco vezes por semana durante meia hora. Vale o que você preferir ou estiver ao seu alcance: caminhada, corrida, esteira, bicicleta, natação, exercícios com pesinhos, dança, ioga.

Tanto que a doutora Laura prescreve a todos os meus pacientes. Àqueles saudáveis, sem doenças, é sugestão, visando proteger-lhes mais a saúde mental e física. Já para quem tem depressão, é “remédio” obrigatório, que complementa os antidepressivos e/ou a psicoterapia. Potencializa, inclusive, os efeitos de ambos.

A depressão é problema de saúde como outro qualquer. No Brasil, atinge cerca de 20 milhões de pessoas. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, menor o risco de voltar. Portanto, se você se sente triste ou infeliz, sem esperança no futuro, com vontade freqüente de chorar, atenção: talvez seja “ela”. Não se envergonhe, busque ajuda logo.

E mexa-se– sempre! Ninguém está livre de ter uma crise depressiva. Sua cabeça e seu corpo só lucrarão.

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Adiada vacinação do idoso contra gripe comum; Butantan falha

Publicado em: 19 de abril de 2010

por Conceição Lemes

A Campanha Nacional de Vacinação do Idoso deveria começar em todo o Brasil na próxima segunda-feira, 24 de abril, e iria até 7 de maio. Era o previsto desde janeiro no calendário estabelecido pelo Ministério da Saúde. Porém, o ministério teve de adiar o início para 8 de maio nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

Motivo: o Instituto Butantan não entregou no prazo estipulado os 18,6 milhões de doses necessárias para a campanha da vacinação do idoso contra a gripe comum. O Butantan, órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, é parceiro histórico do Ministério da Saúde e único laboratório da América Latina que produz vacinas contra a influenza.

“O Butantan só nos comunicou do atraso da entrega na sexta-feira passada, 16 de abril”, afirma o médico epidemiologista Eduardo Hage, coordenador de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. “Até o momento, recebemos 6,2 milhões de doses, ou seja, apenas um terço do total.” Pelo contrato assinado com Ministério da Saúde, o Butantan deveria ter entregue tudo até a primeira quinzena de abril.

NORTE E SUL: VACINAÇÃO SERÁ DE 24 DE ABRIL A 7 DE MAIO
Em função do atraso, o Ministério da Saúde e os Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais (CONASS) e Municipais (CONASEMS) de Saúde elaboraram um novo calendário para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Nas regiões Norte e Sul, está mantida a vacinação na data prevista inicialmente: 24 de abril a 7 de maio.

Questões logísticas, no Norte, e epidemiológicas, no Sul, reforçaram a necessidade de manter a data de vacinação dos idosos.

No Norte, 100% das doses de vacina contra a gripe comum já haviam sido entregues às Secretarias Estaduais de Saúde na semana passada. O envio de vacinas é priorizado para os estados dessa região porque as Secretarias Estaduais de Saúde têm dificuldade de acesso aos  municípios e às populações mais distantes; muitas vezes precisam usar barcos e aviões para transportar as vacinas. Já o Sul, historicamente, é a região com inverno mais rigoroso em relação ao restante do país.

“Todas as pessoas com mais de 60 anos das regiões Norte e Sul deverão ser imunizadas contra a gripe comum, como acontece todos os anos”, esclarece Eduardo Hage. “Aquelas que tiverem também alguma doença crônica receberão, também, no outro braço, uma dose de vacina contra a gripe H1N1 [a gripe suína]”.

SUDESTE, NORDESTE E CENTRO-OESTE: 8 A 21 DE MAIO
Nessas regiões, a campanha de vacinação contra a gripe comum para maiores de 60 anos ocorrerá de 8 a 21 de maio.  Aqueles que tiverem doenças crônicas também serão imunizados contra a gripe suína.

Nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, os idosos com doenças crônicas poderão tomar a vacina contra a gripe suína já a partir de 24 de abril, data prevista para o início da campanha.

“Os idosos que fizerem essa opção terão de voltar aos postos de vacinação mais uma vez”, alerta o dr. Hage. “É para tomarem a vacina contra a gripe comum, entre 8 e 21 de maio. Já os que optarem por aguardar até 8 de maio poderão tomar as duas vacinas no mesmo dia, uma em cada braço.”

O Ministério da Saúde, o CONASS e o CONASEMS avisam: a mudança nas datas não prejudicará  a saúde dos idosos.

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