Soraia Lozano: Sucesso do peeling depende de cuidados posteriores

por Conceição Lemes

Recentemente, a leitora Kátia Moraes me mandou um e-mail, perguntando sobre peeling: Qualquer pessoa pode fazê-lo? quais os tipos? 

Para esclarecê-la, pedi ajuda à dermatologista Soraia Araceli Lozano, médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Acabei perguntando mais.  Resultado: esta entrevista.

Blog da Saúde — Doutora, o que é exatamente o peeling?

Soraia Lozano: A descamação provocada da epiderme.

 Blog da Saúde — Trocando em miúdos.

Soraia Lozano — A pele tem três camadas principais. A mais interna é a gordurosa, a chamada hipoderme. Entre outras funções, protege o organismo de traumas e de alterações climáticas (mantendo a temperatura corporal) e também atua como reserva de energia.

A segunda camada é a derme, exatamente onde estão as nossas “fábricas” de novas células da pele que você vê. Entre a hipoderme e a derme ficam certas glândulas e a raiz dos pelos.

A externa é a epiderme, a camada protetora. Constituída de células mortas, garante a impermeabilização e a resistência da cutis.

Pois bem, a derme produz continuamente células novas, que, à medida que chegam à superfície, envelhecem, morrem e descamam. É o processo natural. O que o peeling faz é acelerar essa renovação da pele.

Blog da Saúde — De que maneira?

Soraia Lozano — Utilizando substâncias químicas, físicas ou procedimentos cirúrgicos, que eliminam as camadas mais envelhecidas, e, ao mesmo tempo, forçam a proliferação de células novas. Poucos dias depois a cútis nova está à mostra.

Blog da Saúde — Que outros efeitos produz?

Soraia Lozano — Combate rugas de expressão, cicatrizes de espinhas,manchas de sol e a acne propriamente dita, além de estimular o colágeno, dando mais firmeza à pele.

Blog da Saúde — Todo peeling é igual?

Soraia Lozano –Não. Imagine uma laranja sendo descascada. Há um tipo de peeling que só retira a casca. É o superficial. Como o nome indica, retira as células mortas da porção mais externa da epiderme.

Há um segundo tipo que alcança a camada mais profunda. Esse é o médio: também age na epiderme mas um pouco abaixo e a derme superficial.

O terceiro tipo chega próximo à base de formação das células. É profundo: por meio de substância ácida ou procedimento cirúrgico, atinge derme profunda e exige anestesia.

Blog da Saúde — Os três podem ser feitos em consultório?

Soraia Lozano –– Não. Apenas o superficial e o médio. No primeiro tipo, utilizam-se principalmente os ácidos acetilsalicílico, alfa-hidroxiácido ou o retinoico. No segundo, o ácido tricloracético.

Blog da Saúde —  A opção pelo tipo de peeling depende de quê?

Soraia Lozano — Da necessidade de cada pele. Se o objetivo for retirar substâncias que obstruem poros (favorecendo o surgimento de acne) ou eliminar manchas superficiais, o peeling mais indicado é o superficial.

Ele é também a opção quando se deseja apenas dar frescor e viço à pele.

Já o peeling médio destina-se às manchas causadas pelo sol, para estimular o colágeno, melhorando algumas cicatrizes de espinhas e rugas superficiais de expressão. Ambos podem ser feitos na face, colo, pescoço, dorso das mãos e braços.

O peeling profundo também age sobre o colágeno, estimulando-o mais intensamente. Proporciona melhora das cicatrizes de acne mais profundas e rejuvenescimento.

Blog da Saúde — Na prática, como são feitos os peelings químicos?

Soraia Lozano — Sobre a pele limpa e desengordurada, aplica-se o ácido ou a substância química escolhida.  No local, às vezes provoca vermelhidão e sensação de queimação, que passam rapidamente.

Blog da Saúde — Qualquer pessoa pode fazer peeling?

Soraia Lozano — Em princípio, sim. Porém, peles de pessoas com ascendência africana ou asiática requerem muito mais cuidado. Nelas, devido a características raciais, há maior risco do peeling produzir manchas.

Blog da Saúde  — E a idade?

Soraia Lozano — A menos que seja necessário por causa de muita acne, por exemplo, é aconselhável acima dos 25 anos.

Blog da Saúde — Peeling pode ser feito em qualquer fase do ano?

Soraia Lozano — No verão, há mais risco de a pele manchar, por isso o melhor é fazer no inverno. Se indispensável, os cuidados pós-peeling devem ser ainda mais rigorosos. A exposição direta ao sol é proibida.

Blog da Saúde  — Quer dizer que o sucesso do peeling depende de cuidados posteriores?

Soraia Lozano — Seguramente. Isso vale para qualquer tipo de pele em qualquer época do ano. Os cuidados indispensáveis são:

1. Não se exponha diretamente ao sol.

2. Mantenha a região bem hidratada.

3. Reaplique o protetor solar a cada duas horas.

Lembrem-se: não tem cabimento qualquer complicação em procedimento estético, certo?

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