VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Mulher

Naomi Wolf: EUA e o uso cínico do estupro para silenciar a discordância


26/12/2010 - 14h52

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Qualquer feminista em sã consciência sabia que a prisão de Assange nada tinha a ver com a proteção das mulheres ou o combate da violência contra as mulheres. Este texto contundente de Naomi Wolf deixa bastante claro o uso político  que Inglaterra e Suécia, a serviço dos Estados Unidos, fizeram da denúncia de ‘estupro’ por Assange para impedir o trabalho dos wikileaks. Ao mesmo tempo, denuncia como direitos humanos não significam nada para esses países quando as vítimas são reais: mulheres desempoderadas.

J’Accuse: Suécia, Inglaterra e a Interpol insultam as vítimas de violação de todo o mundo

Por: Naomi Wolf*, via Grupo Beatrice, Publicado originalmente, em inglês, pelo Huffington Post

Traduzido por Esquerda.net

24/12/ 2010

Como sei que o tratamento dado pela Interpol, Inglaterra e Suécia a Julian Assange é uma forma de fazer teatro? Porque sei o que acontece em acusações de violação contra homens que não “atrapalham” governos poderosos.

Julian Assange, o fundador da WikiLeaks esteve detido em isolamento na prisão de Wandsworth antes do interrogatório sobre acusações estatais de molestação sexual. Muita gente tem opiniões sobre as acusações. Mas cada vez mais acredito que só aqueles de entre nós que passaram anos trabalhando com sobreviventes de violação e agressão sexual por esse mundo afora e que conhecem a resposta legal padrão a acusações de crime sexuais, compreendem totalmente como esta situação é uma paródia contra aqueles que têm de conseguir viver com o modo como as acusações de crime sexual são vulgarmente tratadas – e como esta situação é um profundo e mesmo enojante insulto aos sobreviventes de violação e agressão sexual em todo o mundo.

O que quero dizer é isto: os homens praticamente nunca são tratados da maneira que Assange está a ser tratado face acusações de crimes sexuais.

Comecei a trabalhar como advogada num centro inglês de vítimas de violência sexual nos meados dos meus 20 anos. Também trabalhei como advogada num abrigo para mulheres vítimas de violência nos EUA, onde a violência sexual fazia muitas vezes parte dos padrões de abuso. Passei desde então duas décadas viajando pelo mundo fazendo relatos sobre sobreviventes de agressão sexual e entrevistando-as e aos seus advogados, em países tão diversos como Serra Leoa e Marrocos, Noruega e Holanda, Israel e Jordânia e os Territórios Ocupados da Palestina, Bósnia e Croácia, Inglaterra, Irlanda e Estados Unidos.

Digo isto na qualidade de pessoa que registrou relatos em primeira mão. Dezenas de milhares de meninas adolescentes foram raptadas sob a mira de armas e mantidas como escravas sexuais na Serra Leoa durante a guerra civil naquele país. Foram atadas a árvores e a estacas no solo e violadas por dúzias de soldados uma a uma. Muitas delas tinham apenas doze ou treze anos. Os seus violadores estão em liberdade.

Encontrei uma menina de quinze anos que arriscou a vida para fugir de seu captor no meio da noite, levando o bebê que resultou da sua violação por centenas de homens. Caminhou da Libéria até um campo de refugiados na Serra Leoa, descalça e perdendo sangue, vivendo de raízes no mato. O seu violador, cujo nome ela conhece, está em liberdade.

Generais a todos os níveis instigaram esta agressão sexual duma geração de meninas por todo o país. Os seus nomes são conhecidos. Estão em liberdade. Na Serra Leoa e no Congo, os violadores usaram muitas vezes objetos contundentes ou afiados para penetrar a vagina. Rasgões e lesões vaginais, chamados fístulas vaginais, proliferam, como qualquer trabalhador da saúde naquela região pode certificar, mas a assistência médica muitas vezes não está disponível. Portanto as mulheres que foram violadas deste modo frequentemente sofrem com corrimentos constantes e mal odorosos por infecções que podiam ser tratadas com um antibiótico de baixo custo – estivesse ele disponível. Por causa das suas lesões, são evitadas pelas comunidades e rejeitadas pelos maridos. Os violadores estão em liberdade.

Mulheres – e meninas – são drogadas, raptadas e traficadas às dezenas de milhares para a indústria sexual na Tailândia e pela Europa Oriental afora. São mantidas como prisioneiras virtuais por proxenetas. Se se entrevistar as mulheres que passam as suas vidas a tentar resgatá-las e reabilitá-las, elas atestam o fato de que esses raptores e violadores de mulheres são bem conhecidos das autoridades locais e até nacionais – mas esses homens nunca são alvo de acusações. Esses violadores estão em liberdade.

No conflito na Bósnia, a violação era arma de guerra. As mulheres foram presas em barracas utilizadas para esta finalidade e violadas, novamente sob a ponta da espingarda, durante semanas uma a uma. Elas não podiam fugir. Audiências minimalistas depois do conflito resultaram em sentenças de leve admoestação para um punhado de violadores. A vasta maioria dos violadores, cujos nomes são conhecidos, não sofreu acusações. Os militares que perdoaram esses ataques, cujos nomes são conhecidos, estão em liberdade.

As mulheres que testemunhem ter sido violadas na Arábia Saudita, na Síria e em Marrocos arriscam-se a ser presas e espancadas e a ser abandonadas pelas famílias. Os seus violadores quase nunca sofrem acusações e estão em liberdade.

As mulheres que são testemunhas em casos de violação na Índia e no Paquistão foram sujeitas a homicídios de honra e a ataques com ácidos. Os seus violadores quase nunca sofreram acusações, quase nunca são condenados. Eles estão em liberdade. Um caso bem conhecido dum playboy nascido em berço de ouro na Índia acusado de violar uma empregada de mesa violentamente – que estava disposta a testemunhar contra ele – resultou em encobrimento aos níveis mais altos da investigação policial. Ele está em liberdade.

E que tal alguns casos mais típicos, mais perto de nós? Nos países ocidentais como a Inglaterra e a Suécia, que estão se unindo para manter Assange sem fiança, se efetivamente se entrevistar mulheres que trabalhem em centros de emergência para casos de violação, ouvir-se-á isto: é incrivelmente difícil conseguir-se uma condenação por um crime sexual, ou mesmo uma audiência séria. Os trabalhadores em centros de emergência para casos de violação na Inglaterra e na Suécia dirão que há atrasos enormes no trabalho com mulheres violadas durante anos por pais ou padrastos – que não conseguem que se faça justiça. As mulheres violadas por grupos de homens jovens bêbados, atiradas da parte de trás dos carros para fora, ou abandonadas depois de violação em grupo num beco – que não conseguem que se faça justiça. As mulheres violadas por conhecidos não conseguem uma audiência séria.

Nos EUA ouvi falar em dúzias de mulheres jovens que foram drogadas e violadas em cidades universitárias pelo país fora. Há quase inevitavelmente um encobrimento pela universidade – que é garantido se os seus violadores forem atletas destacados na universidade ou abastados – e os seus violadores estão em liberdade. Se se chegar a inquérito policial, ele raramente vai muito longe.

Violação num encontro? Esqueça. Se uma mulher tiver bebido algo, ou se tiver tido anteriormente sexo consensual com o seu atacante, ou se houver ambiguidade sobre a questão do consentimento, ela quase nunca consegue uma audiência séria ou uma verdadeira investigação.

Se a rara mulher de classe média que apresente queixa de violação contra um estrangeiro de fato for tratada seriamente pelo sistema legal – porque inevitavelmente esses são os poucos e raros casos que o estado se dá ao trabalho de ouvir – ainda assim vai encontrar barreiras inevitáveis a qualquer espécie de verdadeira audiência para não dizer a uma verdadeira condenação: «falta de testemunhas» ou problemas com as provas, ou então um discurso de que até um ataque claro é atingido por ambiguidades.

Se, ainda mais raramente, um homem for, de fato, condenado, será quase inevitavelmente uma condenação mínima, insultuosa na sua trivialidade, porque ninguém quer «arruinar a vida» de um homem, muitas vezes um homem jovem, que «cometeu um erro». (As poucas exceções tendem a considerar uma disparidade previsível de raças – homens negros realmente chegam a ser condenados por ataques a mulheres brancas de classe média que eles desconhecem).

Por outras palavras: nunca em vinte e três anos de relatos e apoio a vítimas de violência sexual pelo mundo afora alguma vez eu ouvi falar de um caso dum homem procurado por duas nações e mantido preso em isolamento sem fiança antes de ser interrogado – para qualquer alegada violação, mesmo a mais brutal ou mais fácil de provar.

Quanto a um caso que implica o tipo de ambiguidades e complexidades das queixas dessas pretensas vítimas – sexo que começou consensualmente e que alegadamente se tornou não-consensual quando a discussão surgiu em volta dum preservativo – por favor, encontre em qualquer parte do mundo, outro homem hoje na prisão sem fiança por alguma acusação que se lhe compare.

Claro que «não é não», até depois do consentimento ser dado, quer se seja homem ou mulher; e claro que os preservativos devem sempre ser usados se houve acordo quanto a isso. Como diria o meu rapaz de 15 anos: dah!

Mas para todas as dezenas de milhares de mulheres que foram raptadas e violadas, violadas sob a mira duma arma, violadas em grupo, violadas com objetos afiados, espancadas e violadas, violadas enquanto crianças, violadas por conhecidos – que ainda estão à espera dum mínimo sussurro da justiça – a reação altamente excepcional da Suécia e da Inglaterra a esta situação é uma bofetada na cara.

Parece dizer às a mulheres na Inglaterra e na Suécia que se alguma vez se quiser que alguém leve o crime sexual a sério, se deve assegurar que o homem que acusa do mal por acaso também tenha embaraçado o governo mais poderoso da Terra.

Mantenham Assange na prisão sem fiança até ser interrogado, dê por onde der, se estivermos de repente numa verdadeira epifania mundial feminista sobre a gravidade da questão do crime sexual: mas a Interpol, a Inglaterra e a Suécia devem, se não querem ser culpadas de manipulação detestável para fins políticos cínicos duma questão grave das mulheres, prendam também – de imediato – as centenas de milhar de homens na Inglaterra, na Suécia e pelo mundo fora que são acusados em termos muito menos ambíguos por formas muito mais graves de violência.

Alguém que trabalhe no apoio a mulheres que foram violadas sabe que com esta resposta grosseiramente desproporcional a Inglaterra e a Suécia, seguramente sob pressão dos EUA, estão a usar cinicamente a questão séria da violação como uma folha de parreira para cobrir a questão vergonhosa do conluio global para silenciar a discordância.

Não é o Estado a abraçar o feminismo. É o Estado a afrontar, agredir o feminismo.

*Naomi Wolf é autora do grande êxito editorial «The End of America: Letter of Warning to a Young Patriot»





39 comentários

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Estupro, o que falta aprendermos?Blogueiras Feministas | Blogueiras Feministas

22 de maio de 2011 às 23h26

[…] Se a rara mulher de classe média que apresente queixa de violação contra um estrangeiro de fato f… […]

Responder

Estupro, o que falta aprendermos? « Blogueiras Feministas

18 de fevereiro de 2011 às 18h12

[…] Se a rara mulher de classe média que apresente queixa de violação contra um estrangeiro de fato f… […]

Responder

Juliana Paiva

03 de janeiro de 2011 às 17h13

Sinceramente, depois de ler esse texto contundente, real e triste da Naomi Wolf fico admirada com tantos comentaristas equiparando , em importância e legitimidade, o masculinismo com o feminismo.

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CC.Brega.mim

03 de janeiro de 2011 às 02h53

o texto é excelente!

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Lucas

31 de dezembro de 2010 às 02h22

É crime não querer usar camisinha? Desde que vi isso já me veio a mente que era pura pressão americana. Mas fazer o que? O cara mexeu com a nação mais poderosa do mundo sem nenhum respaldo, foi corajoso, mas se deu mal. E o pior é que ele não conseguiu nenhuma informação realmente relevante. Mas agora só nos resta torcer para que haja algum protesto, e creio que não deveria ser somente do grupo das molestadas, mas sim principalmente da imprensa, que supostamente quer a liberdade, mas nesse momento aje como cachorrinha dos governos locais.

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Victor Farinelli

29 de dezembro de 2010 às 19h37

Seria importante que as feministas tomassem da Suécia, da Inglaterra, da Europa toda, se pronunciem.

Mas tenho uma dúvida, que pode soar tonta devido a que um caso tão nebuloso como esse nunca nos permite ter certeza do que realmente aconteceu e quem realmente são as pessoas envolvidas, mas quando surgiu esse fato na mídia, a primeira informação que eu li foi a de que a tal acusadora era uma militante feminista. Depois, apareceram muitas outras coisas sobre ela, que tem um blog onde um post recente ensina os segredos da vingança sexual forjando ter sido vítima de estupro, que é estadunidense de origem cubana e ligada à ultradireita ianqubana de Miami, já se disse até que ela é uma agente da CIA, mas a informação inicial, de que ela era militante de movimentos feministas suecos, eu não vi mais.

Quem é essa garota, finalmente? Ela é mesmo uma feminista? O que as feministas suecas e do mundo inteiro pensam dela? O simples fato de que a imprensa ainda não tenha publicado a mini biografia completa dessa moça (um dos expedientes mais comuns da imprensa em qualquer lugar do mundo) já é por si só suspeitíssimo.

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Sávio Alves

27 de dezembro de 2010 às 14h08

Se o cara propõe sexo sem a proteção masculina,
por que elas não fizeram a contra proposta
de usar a camisinha feminina?

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Gerson Carneiro

27 de dezembro de 2010 às 13h51

E se o taradão fosse o marido da dona Hillary, lari, lari, ê! Ôh, ôh, ôh! É a turma da Xuxa que vai dando o seu alô!

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DUDU

27 de dezembro de 2010 às 12h20

Sobre inglaterra e estados unidos, nada me surpreende quando o assunto é caráter, dignidade, justiça, honradêz, nessa linha.
Mas … a Suiça?
O país da neutralidade, refúgio dos perseguidos?
Este caso é mais uma certeza de que, onde entram os estados unidos, a podridão, a covardia, a arrogância, a desfaçatêz, são inevitáveis!

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    Vinícius

    28 de dezembro de 2010 às 15h23

    Du, é Suécia.

diogojfaraujo

27 de dezembro de 2010 às 11h52

Essa galera que critica o feminismo me parece praticamente igual aqueles que criticam o dia da consciência negra, perguntando pq não existe o da consciência branca… Não sei o nome certo desse tipo de falácia, mas é ser muito estúpido pra pensar assim…

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    Ary

    27 de dezembro de 2010 às 12h45

    É mesmo…não tem dia da consciência mulata também.
    Poxa!

    diogojfaraujo

    03 de janeiro de 2011 às 12h48

    Nem o da Consciência Gorda! Cadê meus direitos!!!!!

Tomudjin

27 de dezembro de 2010 às 11h22

Esse epsódio pode ser comparado à mesma estratégia usada pelos EUA quando se viu obrigado a "inventar" as fábricas de armas quimicas, como pretexto para conseguir o apoio da opinião pública, na invazão do Iraque.
A justiça é assim mesmo subjetiva: passa-se por cima das Leis muçulmanas, exige-se a liberdade de uma mulher condenada ao apedrejamento, mas, ao mesmo tempo, filma-se o enforcamento de um lider iraquiano num ritual tão macabro quanto as mortes que esse mesmo lider provocou.

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Felipe

27 de dezembro de 2010 às 09h21

Eis um texto que merece ser amplamente divulgado. Até o momento em que o li, eu realmente acreditava na possibilidade de prisões daquela natureza acontecerem em países como a Inglaterra ou a Suécia com certa frequência.

A própria abordagem "neutra" da grande imprensa em momento algum levantou qualquer suspeita nesse sentido. Poder-se-ia duvidar da veracidade das acusações, mas não dos procedimentos adotados pelos governos a partir delas.

Foi, de fato, muito coerente e esclarecedor

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fichacorrida

27 de dezembro de 2010 às 08h16

Em Florianópolis, uma menina foi estuprada. Os estupradores estão soltos. A famiglia Sirotsky sabe quem é a vítima é quem foi o estuprador. Bem que eles poderiam usar o Grupo RBS para detonar uma campanha contra os estupradores locais. Depois, sim, poderiam dar mais atenção ao caso de Assange…

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    Gerson Carneiro

    27 de dezembro de 2010 às 13h49

    falou e disse.

Gustavo Pamplona

26 de dezembro de 2010 às 22h24

A ambas "Conceições", deixo para as duas a seguinte citação da Laurel Thatcher

"Well-Behaved women seldom make history" (Mulheres bem comportadas raramente fazem história)

Mais info: http://en.wikipedia.org/wiki/Laurel_Thatcher_Ulri…

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Maria Lucia

26 de dezembro de 2010 às 21h12

Interessante é que a aversão a mulheres tem um termo próprio, misoginia. Mas existe também a aversão a homens que, em Psiquiatria, é classificada como androfobia.
Ambos fenômenos provocam dificuldades no viver e sofrimento nos seus portadores e nos vitimados, fisica ou emocionalmente, pelas mencionadas aversões.
Daí a importância de um debate sério sobre os conceitos e preconceitos que cercam a questão tanto do movimento feminista quanto do movimento masculinista. Que também existe e precisa ser objeto de nossa análise, se não queremos ser simplistas e preconceituosos/as.
Sugiro ler o verbete da Wikipédia sobre Movimento Maculinista, já que nos abre a mente para pensar sobre o reverso da medalha: http://pt.wikipedia.org/wiki/Masculinismo
Mulheres e homens, a meu ver, podem e devem se encontrar numa ampla visão humanista e numa luta comum para a construção de um outro mundo possível, onde possa existir a maior soma de felicidade para toda a humanidade.
Entender o lado do outro e da outra pode significar um salto de qualidade essencial para uma transformação social e econômica verdadeiramente criativa e inovadora.
Demonizar ou angelizar homens ou mulheres é um preconceito. E preconceito, como diz o Presidente Lula, é uma doença terrível.
O ser humano, seja homem ou mulher, não é simplesmente pelo fato de pertencer a um determinado sexo, anjo ou demônio. Quem trabalha na área da Psiquiatria, do Direito e em todas as profissões que lidam diretamente com pessoas constata diariamente essa realidade.
E mesmo,na vida de cada um de nós é fácil constatar que cá e lá ( lado masculino e lado feminino) más fadas há. Como boas fadas também as há, em ambos os sexos.
Diz a bela letra do samba Canto Chorado do grande Billy Blanco:
"O que dá pra rir dá pra chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida".
"As coisas estão no mundo eu que preciso aprender", completa o Paulinho da Viola.
E a gente vai tentando aprender. "Devagar , devagarinho", como ensina Martinho da Vila.

Responder

    Aline

    27 de dezembro de 2010 às 00h01

    Aceitei a sua sugestão e fui ler sobre o movimento masculinista do qual nunca tinha sequer ouvido falar. Foi uma surpresa para mim o que li a respeito.
    Realmente acho muito interessante que nós mulheres tomemos conhecimento do movimento masculinista,o porquê de sua constituição e quais as suas principais reivindicações no momento atual.
    Se queremos que os homens se interessem em saber o que é o movimento feminino e até delem participem é justo que a recíproca seja verdadeira.
    E viva a blogosfera,que está sempre ampliando a nossa visão do que existe na realidade.

    Marcelo de Matos

    27 de dezembro de 2010 às 08h25

    “O ser humano, seja homem ou mulher, não é simplesmente pelo fato de pertencer a um determinado sexo, anjo ou demônio. Quem trabalha na área da Psiquiatria, do Direito e em todas as profissões que lidam diretamente com pessoas constata diariamente essa realidade”. Você disse tudo: está aí o exemplo de duas moçoilas, uma estudante de Direito e outra já advogada, cabecinhas moles, que combinaram com os respectivos namorados a eliminação dos próprios pais.

    Angela

    27 de dezembro de 2010 às 11h32

    Sinto muito Maria Lúcia mas o assunto me pauta é outro.

    Maria Lucia

    27 de dezembro de 2010 às 13h28

    Sinto muito Angela, mas o assunto gira em torno do Assange. E da hipocrisia que motiva a perseguição a ele.Naomi Wolf mostra que o uso da acusação de crime sexual contra o fundador do Wikileaks é hipócrita. Repare, por exemplo, que ninguém no mundo capitalista se interessou em punir Bill Clinton quando do affair com a Mônica Lewinsky.
    O Movimento Masculinista merece ser conhecido e discutido amplamente, por todo ser humano. E se queremos – como quero – que todos e todas contemplem e respeitem os direitos das mulheres, quero o mesmo em relação aos direitos dos homens.
    Bonito vai ser ver mulheres e homens lutando juntos por um outro mundo possível, onde haja Justiça – aquela dos direitos iguais. Que tudo una os seres humanos nessa luta, que nada os separe!

    Mário SF Alves

    07 de janeiro de 2011 às 14h24

    O espírito [a consciência] é o mais excelso produto da matéria. A frase é de Engels e está no Dialética da Natureza. O problema é que muitos ainda crêem que sabem o que é a matéria sem, no entanto, ter o mínimo conhecimento de sua estrutura atômica. Ou, o que equivale dizer, para quê ciência se nos basta a aparência, não é? Para quê ciência (ou conhecimento de causa) se nos basta um monte da calças, um cinto, um revólver, um corpo esteticamente admirável, um carro luxuoso e um belo saldo bancário. Quem vai se preocupar com a origem ou a utilidades de tais coisas? É dessa terrível miopia que deriva grande parte dos preconceitos de milhões e a escravização de todos. Todos reduzidos ao mínimo para que se concretize a ambição desmedida de alguns. Essa é a lei. A lei da mediocridade. E que á igualmente a eterna lei maior da república das bananas. A mesma com a qual pensam poder calar as vozes dissonantes: os Assanges e os Lulas da vida. O mundo está um pouquinho melhor depois do WikiLeaks. E o Brasil dos brasileiros (e brasileiras) já acordou! E nem todas as trevas do mundo serão capazes de o fazer dormir de novo. Já os incomodados, os de alma pequena, os fúteis, os ideologicamente míopes e os temerosos quanto à possível perda de privilégios que se organizem politicamente. Que respeitem as regras do jogo democrático e venham às claras para o debate público. Caso contrário, ao ignorar princípios fundamentais da democracia, ao fugirem, escamotearem, corromperem ou subornarem o debate político-dialético e, por conseguinte, impedirem a síntese resultante do embate entre as contradições, o que colherão não há de ser apenas bananas, mas, apenas radicalismos, divisionismos, discórdia e tensão inglória. E como dito anteriormente, o Brasil dos brasileiros (e brasileiras) acordou, e nem todas as trevas do mundo serão capazes de fazê-lo dormir de novo.
    Aquele tempo em que o sujeito vivia no Brasil e volta e meia ia à Europa tomar banho de civilização está chegando ao fim. Felizmente! A retomada da civilização já passa pelo Brasil, queiram ou não os déspotas, os entreguistas e os pretensos senhores feudais mantenedores da republiqueta das bananas!
    A propósito, o não uso de preservativo fere alguma lei no Vaticano?

Edemar Motta

26 de dezembro de 2010 às 18h45

Não esqueçamos dos garotinhos catarinenses, riquinhos, que embriagaram, violentaram e 'introjetaram' um controle remoto numa menina de treze anos.

Responder

VanderResende

26 de dezembro de 2010 às 18h24

Para pensar sobre a forma como a grande imprensa tem feito um bom uso de Assange, (El Pais, New York Times, The Guardian, Der Spiegel entre outros, até nossa Falha de S. Paulo), abaixo eu transcrevo o link e um trecho de um texto que merece ser traduzido para os leitores do VioMundo. Em um momento em que se iniciam campanhas para Assange para ser considerado para Premio Nobel da Paz. http://dissidentvoice.org/2010/12/wikileaks-play-…
Tradução livre
"Com poucas exceções, a maioria do público, mas o que é mais preocupante, muitos supostos investigadores e / ou jornalistas independentes, têm falhado miseravelmente em exercer a mínima capacidade para avaliação crítica, acerca das “revelações” (muitas das quais já eram de conhecimento comum , ou deveriam ter sido para os jornalistas que fizessem seu trabalho corretamente) e / ou a participação na indecente campanha para tornar Assange um mártir, como algum grande campeão da liberdade de informação e sobre governo aberto – ou ambos.

Muito disso, convenientemente, desvia a atenção das verdadeiras questões – o direito à informação, a conveniência de um governo aberto, a protecção dos denunciantes/informantes ea proteção dos indivíduos contra abusos do estado e do sistema judicial, para fins políticos. Além disso, não discutem as informações em sua forma original, o que poderia eventualmente passar por uma busca da verdade, mas que é a apresentação, pelos jornais e pelo Wikileaks de informações selecionadas e editadas. A lentidão das liberações sugere um olho sobre o rendimento, bem como mantem a atenção do mundo distraída de questões preementes do presente, como, talvez, a próxima operação "Cast Lead"".

Ps. Um exemplo: a notável ausência de documentos, leaks, acerca de Israel, como já foi comentado por outros.
Ps 2 – Assange acaba de vender sua autobiografia para duas grandes editoras, uma delas a americana Alfred A. Knopf, por 1,5 milhão de doláres.

Responder

    Rogerio

    26 de dezembro de 2010 às 21h11

    Eu posso até estar equivocado pra caramba! Mas… Quando a exemplo do modo como você citou a imprensa: '(El Pais, New York Times, The Guardian, Der Spiegel entre outros, até nossa Falha de S. Paulo)" fica muito impune tudo que esse pessoal faz, porque não se pessoaliza, não tem cara nem corpo nem nada, É ABSTRATO! Penso que quanso houver um movimento contra os profissionais que estão por trás dessas coisas, dessas empresas, e a eles recair o ônus do que eles escrevem ou omitem, assim sim, estaremos de fato atingindo o cerne do problema.
    Eu hoje faço questão de não esconder a minha opinião quando deparo com algum profissional da mídia, a quem se chama de jornalista, eu considero primeiro o seu trabalho e dependendo da referencia, encaro como lixo. ISSO MESMO LIXO! UM TREMENDO SACO DE PELE CHEIO DE PORCARIA…! É assim que trato hoje em dia jornalistas que não tem respeito pelo seu trabalho e pelo exercício da profissão… A marca de onde eles distribuem seu lixo só serve pra mim como referencia da qualidade e não como o autor.

Emília

26 de dezembro de 2010 às 18h15

Naomi Wolf: excelente!

Responder

Glecio_Tavares

26 de dezembro de 2010 às 18h01

A Suécia e a Inglaterra poderiam passar sem essa, mas como são capachos do império, não puderam.

Responder

Luiz Fortaleza

26 de dezembro de 2010 às 17h31

Eu mesmo fui intimado a depor aqui em Fortaleza numa delegacia sobre o abuso sexual de um espanhol, dono de Hotel aqui na cidade, só pq sou seu vizinho. Uma jovem de 13 anos estava sendo abusada por este espanhol de mais de 50 anos. Ela foi pra uma instituição infanto-juvenil e ele, investigado criminalmente na Assembléia Legislativa do Ceará, por pedofilia, solto e até viajou pra Espanha, fugindo da imprensa local. A menina apaixonada não o denunciou e até hoje ele a sustenta, alugando casa pra ela através de terceiros… Uma menina que era aluna da escolinha de futebol de praia da prefeitura de Fortaleza, hoje se tornou uma garota de programa de estrangeiros que fazem turismo sexual. E aí todos fazem vista grossa e ainda acusam as menores: "elas gostam…"

Responder

JULIO ibrahym

26 de dezembro de 2010 às 16h30

na Arabia Saudita teve materia que o estrupador estava além disso embriagado e foi decapitado ocoreu essa semana no Iran no regime shya execucação do estrupador essa linha dura executa e não faciltia o infrator falo em causa propria de muçulmano E estudo ações que se passam dentro da Ummat naçao Islamica

Responder

Alexandre

26 de dezembro de 2010 às 16h18

pois é… aqui, em santa catarina, um Sirotsky recebeu uma passada de mão nos cabelos por ter estuprado uma menina… em menos de 1 hora, sem ouvir ninguém, nem mesmo a vítima, a justiça entendeu q o menininho precisava era de receber mais carinho dos pais em casa, e, por algum tempo, ser vigiado e frequentar programas estatais de amparo.

sou adovogado e garanto… meninos da mesma idade, quando furtam (bolachas, cds de carros, bicicletas… não importa o q), são muitas vezes internados nas Febens do nosso brasilsão… se estupram, então, ficam 3 anos internados, e essa é uma certeza categórica…

se eu fosse advogado da garota, fotocopiaria o processo inteiro e o distribuiria, a revelia do segredo da justiça… tem horas que o crime menor (quebrar sigilo legal) é imprescindível para a sociedade perceber o mal maios acobertado.

Responder

Lênin

26 de dezembro de 2010 às 15h17

GRANDE Naomi Wolf!!!
Uma das feministas mais corajosas do mundo!!
Sem medo de colocar o dedo em feridas que feministas evitam comentar!!

Responder

    Conceição Oliveira

    26 de dezembro de 2010 às 16h07

    Como? Feministas evitam comentar o quê?

    alex

    26 de dezembro de 2010 às 17h32

    uAI,o wikileaks,ora. Instigado por este diálogo fui nos blogs da lola e da cíntia,as moças que queriam capar o Nassif(desculpe se choco a sua sensibilidade,Frõ, mas lendo a tal Lola a imagem é esta mesmo). No da cíntia ,zero refencias ao wikileaks. No da lola,um único post, focado mais na indignação pelo prejulgamento das moças suecas que acusam o assange do que em qualquer outra coisa.
    O feminismo é muito mais que a lola e a cíntia mas eu acho que o lênin se referia a elas. Neste caso concordo com ele.

    coliveira

    26 de dezembro de 2010 às 18h20

    Oi Alex, não vou publicar seu comentário, não é censura, é porque acho que não ganhamos nada citando as pessoas. Se quiser reformular sem as citações será publicado com prazer.
    PS. Da mesma maneira que discordo delas quererem pautar a blogosfera seja feminina ou masculina, parece-me que ficar vigiando-as pra ver se falam ou não de assunto X ou Y é fazer o mesmo, certo?

    Conceição Oliveira

    26 de dezembro de 2010 às 19h08

    Oi Alex, não publiquei seu comentário. Não é censura, é porque acho que não ganhamos nada citando as pessoas. Se quiser reformular sem as citações nominais será publicado com prazer.
    PS. Da mesma maneira que discordo delas quererem pautar a blogosfera seja feminina ou masculina, parece-me que ficar vigiando-as pra ver se falam ou não de assunto X ou Y é fazer o mesmo, certo?


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