VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Mulher

Manter a ilegalidade do aborto é punir ainda mais mulheres pobres e negras


20/08/2011 - 11h43

Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Recebo do médico Mario Lobato a notícia que transcrevo a seguir. Ela não traz necessariamente nada de novo em relação ao que as feministas incansavelmente discutem: garantir o aborto seguro pela rede SUS é política pública e justiça social, pois mulheres pobres e negras (em sua maioria) morrem em maior número ao fazer abortos em lugares sem segurança, já mulheres com recursos conseguem fazer valer seus direitos sexuais e reprodutivos porque tem acesso a clínicas clandestinas seguras.

Para ter acesso à pesquisa citada na matéria, clique aqui

Ilegalidade do aborto prejudica mulheres pobres e negras, avaliam participantes de audiência no Senado

Por: Ricardo Koiti Koshimizu,  Agência Senado

18/08/2011

As mulheres pobres – e particularmente aquelas que são negras – estão entre as principais prejudicadas pela ilegalidade do aborto no país. Essa foi uma das avaliações apresentadas nesta quinta-feira (18) na audiência pública que o Senado promoveu para discutir os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

– Quem tem poder econômico paga, e muito bem, pelo aborto em clínicas clandestinas. São as mulheres pobres que morrem devido ao aborto mal feito – declarou Rosane Silva, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Opinião semelhante foi exposta por Sônia Coelho, integrante da Marcha Mundial das Mulheres – movimento criado em 2000. Ela disse que “as mulheres que têm dinheiro podem decidir sobre a sua vida, podem decidir se querem ter filhos ou não, em contraste com o que acontece com as mulheres pobres e negras”.

Pesquisa

As críticas à ilegalidade do aborto foram embasadas por Paula Viana, que participou da pesquisa

Advocacy para o Acesso ao Aborto Legal e Seguro: Semelhanças no Impacto da Ilegalidade na Saúde das Mulheres e nos Serviços de Saúde em Pernambuco, Bahia, Paraíba, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Paula Viana destacou que, nos casos de Bahia e Mato Grosso do Sul, “onde há, respectivamente, alto percentual de mulheres negras e indígenas”, o levantamento indicou que o aborto clandestino se vincula aos grupos sociais mais vulneráveis (quando se consideram critérios como etnia e classe social).

– Ou seja, isso é também um problema de justiça social – reforçou ela.

Além disso, as participantes da audiência apontaram o despreparo dos hospitais para atender esses casos. Sônia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres, lembrou que “muitas mulheres pobres têm medo de ir a um hospital público e serem maltratadas após um aborto”.

O estudo do qual Paula Viana participou ressalta que “depoimentos de mulheres que procuram os hospitais em situação de abortamento revelam grande frequência de atendimento desumano, longas esperas em jejum e em processo de sangramento, curetagens feitas sem anestesia, atitudes de recriminação e culpabilização das clientes que se submeteram à indução do aborto”.

Uma das principais recomendações da pesquisa foi a aprovação, pelo Congresso, de projetos de lei que descriminalizem o aborto e permitam a sua realização por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Leia também:

Rede Cegonha: saúde feminina se reduz à maternidade? E quanto ao aborto seguro?
Ruth Alexandre: Meu aborto e a criminalização
Sobre a hipocrisia eleitoral: Mônica Serra e a ‘assassina de criancinhas’
28 de setembro: Dia de luta pela descriminalização do aborto na América Latina





36 comentários

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Edson

24 de setembro de 2011 às 13h00

Homicidas, Egoistas e Covardes; não somos Deus para decidir se uma criança viva ou morra
Foi um descuido ou um erro, não importa (ASSUMA), tome as decisões que achar melhor, mas não MATEM uma Criança indefesa

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Carlos Eduardo

21 de agosto de 2011 às 15h52

Azenha, em um debate no orkut, uma pessoa me mostrou um texto contra o aborto, e falou que eu não teria mais argumentos para defender o aborto depois de ler:

(Texto contra o Aborto sem usar a Bíblia)
http://blogdofabianocaldas.blogspot.com/2010/10/t

Tem um monte de gente criticando esse texto nos comentário do blog do autor.

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leticia m.

21 de agosto de 2011 às 14h14

Se isso acotece dentro da nossa casa, ou com a gente.. o assunto é outro. Costumamos condenar as mulherer por abortarem, mas o assunto é outro se isso acontece com a gente! Se a própria mulher não pode mandar no proprio corpo.. quem é que vai mandar? o governo? os padres? os médicos? quero ver se fosse com eles.. daria tudo pra saber como ficaria essa questão!

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Wildner Arcanjo

21 de agosto de 2011 às 11h33

É o tal direito a MINHA felicidade. Mas quem disse que a felicidade é algo individual? E a felicidade dos outros? Para muitos só o fato de se estar vivo é ser feliz.

Não entendo mesmo essa tal modernidade, nem onde ela vai nos levar…

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Silvio I

20 de agosto de 2011 às 21h55

Azenha:
O aborto deve ser legalizado, para que toda mulher que queira fazer um aborto, possa o fazer com segurança. Não pode continuar isto, de que não se pode fazer, porque Deus deu a vida e ele sô pode tirar. Nos estamos em um país laico, onde se respeitam todas as idéias religiosas, mais estes não podem intervier, nas resoluções do governo. Isto e que tem de ruim em nossa representação, nas câmaras. Os grupos religiosos elegem representantes, que vão a representar a religião, quando deveriam ser neutros. Deixar sua religião em casa, o em seus templos e ir a câmara, como cidadãos, despidos de preconceitos religiosos.Os fieis a suas religiões, seguidores do que elas determinam, que façam o que acreditem mais conveniente.

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    Matheus Kramer

    21 de agosto de 2011 às 18h24

    Matar é crime em países laicos e ateus, a vida não é um valor religioso, é universal.

    CC.Brega.mim

    23 de agosto de 2011 às 01h29

    "vida"?
    a vida do pernilongo do elefante do boi da alface?
    a vida do musgo do verme das bactérias
    o pó que retorna ao pó e renasce?
    a vida da semente que à natureza retorna
    a vida da mulher que toma conta da sua vida..

Walter

20 de agosto de 2011 às 21h30

Na verdade Marcelo, se homens engravidassem o aborto não seria permitido, seria OBRIGATÓRIO e as mães seriam punidas por não terem evitado a gravidez do seu parceiro.

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beattrice

20 de agosto de 2011 às 21h21

O aborto criminalizado no Brasil é mais um sinal da discriminação contra mulheres, contra as pessoas sem condições econômicas, além de ser uma evidência incontestável de que o ESTADO brasileiro não é laico, AINDA.

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Rebeca

20 de agosto de 2011 às 17h52

Chega de assédio moral! Direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! mulheres mortas. por abortos clandestinos! A paisana ou de batina, a ditadura persiste para reprimir as mulheres!A maioria é contra? Pois bem, ser contra não basta. São contra, mas não fazem nada para resolver a situação. Todos os dias muitas crianças indefesas estão sendo assassinadas, enquanto ficamos de braços cruzados.Mulheres violadas .é necessário legalizar o aborto para acabar com o aborto clandestino e as mortes que este causa. Eu acredito que a mulher que quer abortar vai sempre fazê-lo, quer seja legal quer seja ilegal, pelo que a ilegalização é condenar a mulher a um operação sem condições e, eventualmente, à morte.

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Wildner Arcanjo

20 de agosto de 2011 às 16h55

Tem tanta família que não consegue ter um filho e daria tudo para o ter. Tem tanta família que não tem nada e se desespera quando vem um filho mas, mesmo assim, decide criá-lo. Pergunto eu, por que, na maioria dos casos, não se pensa antes de fazer para depois não se arrepender?

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    beattrice

    20 de agosto de 2011 às 19h42

    O aborto não seria compulsório, quem não quer, pela razão que seja, não faça.

    Vinícius

    24 de agosto de 2011 às 14h04

    Latrocínio, agressão, grilagem, nada disso é compulsório, nem por isso não deve ser combatido.

    Antes de me chamar de fundamentalista dê uma olhadinha sobre o que eu acho de aborto ali em cima.

    CC.Brega.mim

    23 de agosto de 2011 às 01h40

    ah ser humano..
    sempre errando.

    então é legítimo impedir
    as sementes de se encontrarem

    concordamos que a gravidez indesejada é um erro
    mas impedimos de que o erro seja reparado
    de que a vida da mulher
    seja possível
    para além da mãe
    mulher ser humano.
    erra. conserta.
    toma sua vida para si.

    o corpo é meu!

    Vinícius

    24 de agosto de 2011 às 13h04

    eca. Uma coisa é deixar de punir mulheres pobres que cometeram o aborto por puro desespero, ou mesmo acolhe-las. Outra coisa é falar "legal, é isso aí" para alguém que aborta tendo condições para, no mínimo, por a criança no mundo e entregar a um orfanato.

    Mesmo quem argumenta que o aborto é questão de laicismo não pode negar que a partir do terceiro mês a criança já possui sistema nervoso central. (há quem defenda o aborto apenas até o terceiro mês: aí a história é diferente, discordo, mas discordando menos)

    Uma relação sexual, a falta de uma camisinha, um remédio fajuto, tudo isso pode ser um erro. Uma pessoa não é um erro! Errou, entrega pra adoção. E o 'colaborador' (o genitor masculino) que colabore para custear os problemas que a gestação causará na mulher nesse meio tempo. É ruim? Pois é, é ruim, mas é menos ruim que punir uma criança, ainda por cima com a morte…

    CC.Brega.mim

    24 de agosto de 2011 às 15h08

    você está falando em dar crianças!
    depois eu é que sou cruel..

    Vinícius

    25 de agosto de 2011 às 13h21

    É, estou falando em dar crianças. É cruel sim. Rejeitar um filho é cruel. E matar?

    Como já disse uma comentarista daqui, o pior tabu no Brasil não é o aborto, é a adoção. Alguém me explique de que modo, posta a tragédia de uma mãe não querer um filho, matar a criança possa sair a saída menos desumana. Por favor!

josé gilvar gonzaga

20 de agosto de 2011 às 16h52

Você que está defedendo o aborto, agradece a DEUS e a seus pais por terem nascido, mas dar o direito dos outros nascerem também.

Responder

    beattrice

    20 de agosto de 2011 às 19h43

    Um ser humano deve agradecer aos pais ter sido gerado com amor.
    Por pais que exerceram seu direito e optaram por ter um filho livremente.

    Wildner Arcanjo

    21 de agosto de 2011 às 11h35

    Conheco muitas pessoas que não tiveram a possiblidade de conviver com seus pais e mães biológicos e agradecem a vida que tiveram e que têm.

    Silvio I

    20 de agosto de 2011 às 23h00

    josé gilvar gonzaga:
    Assim com você me diz que agradeça a Deus, por ter nascido posso comunicar, que Eu não solicitei para nascer!

CC.Brega.mim

20 de agosto de 2011 às 15h57

eu acho que a mulher deve saber que é um direito seu
que é possível ter ajuda e fazer o aborto de forma segura.
hoje tem citotec, que permite abortar em casa como se fosse natural.
como é tópico, não é detectado em exame de sangue e
se for necessário ir ao hospital a mulher pode não revelar que provocou o aborto.
o remédio é ilegal no brasil mas se consegue na internet (o que é bastante inseguro..)
ou seja, muitas mulherese já sabem e praticam como um direito seu a seu corpo sua vida.
na minha opinião as mulheres devem simplesmente realizá-lo se acharem necessário.

Responder

    Wildner Arcanjo

    20 de agosto de 2011 às 16h51

    E se o aborto não funcionar e o bebê nascer com problemas? Como cuidar disso? Já pensou?

    beattrice

    20 de agosto de 2011 às 21h19

    Se a interrupção da gravidez ou aborto for feita com a assistencia médica devida isso não ocorre e a mãe assegura o SEU direito à vida.

    Wildner Arcanjo

    21 de agosto de 2011 às 11h31

    Eu estou perguntando sobre o caso específico do uso de citotec (medicamento que é até proibido para qualquer outro tratamento que não o destinado). Ou agora tudo justifica o direito de abortar, inclusive por em risco a vida de outras pessoas?

    CC.Brega.mim

    23 de agosto de 2011 às 01h23

    então ela precisará ir a uma clínica clandestina para realizar uma curetagem..
    o que de fato poderá ser bem mais traumático e inseguro..
    além de caro.
    se a mulher tiver direito a seu corpo
    (veja o que estamos discutindo..
    nada disso seria necessário.

    mas proibir nunca coibiu.

    meu corpo é meu!

Marcelo

20 de agosto de 2011 às 14h56

Não sei de quem é a frase , mas concordo com ela : "se fossem os homens que engravidassem o aborto seria legal a séculos ."

Responder

Francisco de Assis

20 de agosto de 2011 às 14h03

Tenho medo quando ouço falar que aborto é um direito humano. Pergunto: tirar a vida de um ser em formação é um direito do ser humano? Isso chega a soar como coisa bizarra. Para mim direitos humanos são: ter acesso a educação, a moradia, direito de ir vir, assistência social a saúde, ao trabalho, a vida plena e não de tirar á vida, a vida é um dom de Deus para o ser humano. Acho que esse grupo deveria militar em outras áreas da vida e não da morte. Acho que dá assistência informativa para essas pessoas que tanto querem abortar. Se as pessoas querem ter relações sexuais podem ter. O que não podem a meu ver é ficarem grávidas sem terem condições de cuidar de esse ser humano, mas isso não lidar o direito de abortar só por que ficou grávida…

Responder

    Gustavo

    20 de agosto de 2011 às 15h40

    Francisco, você esta fugindo da questão central do problema, é justo e humanamente correto, "dar as costas" as milhares de mulheres que não pensam como você e querem abortar a qualquer custo, muitas morrem no processo em função da precariedade do mesmo (para as pobres) e trazer a luz este problema (legalizando fazendo no SUS), fazendo acompanhamento psicológico a estas mulheres, podendo inclusive reverter a decisão, ou o melhor é deixar como esta ou pior ainda aumentar a criminilização deste processo?
    Será que não estariamos fazendo justamento que você prega, diminuindo o número de abortos caso seja legalizado o processo?
    Você poderia fazer uma campanha de esclarecimento sobre número concretos de abortos no Brasil, e não apenas estimativas caso fosse legalizado! Trabalhando para a diminuição do mesmo!!!

    Wildner Arcanjo

    21 de agosto de 2011 às 11h38

    Infelizmente temos que arcar com nossas escolhas, dentro da sociedade. Nem todas as escolhas de nossas vidas serão as ideais e nem tudo o que temos na vida serão frutos de nossas escolhas, mas eximir-se da responsabilidade que temos com a nossa vida e com a vida aí, neste ponto, eu não posso compactuar.

    CC.Brega.mim

    20 de agosto de 2011 às 15h50

    o corpo da mulher é da mulher.
    sempre foi.
    a prática e a sabedoria sobre o aborto
    é ancestral e presente em todas as culturas
    é a mulher se relacionando com seu próprio corpo.

    o corpo é meu!

    Matheus Kramer

    21 de agosto de 2011 às 18h22

    Você é livre para se matar, o corpo é seu. Mas o Bebê é outro corpo, dentro do seu . E você não tem autoridade alguma sobre a vida dele.

    CC.Brega.mim

    23 de agosto de 2011 às 01h35

    sou mãe amigo
    sei o que é gerar..
    é incrível mágico pleno.
    o bebê se forma nas últimas semanas
    sua respiração
    primeiro gesto criativo
    autônomo
    ser humano acontecendo..

    quanto à semente germinada
    e o sangue da mulher tornado berço para que ela
    futuramente seja
    é corpo
    feminino
    mulher.

    direito da mulher.

    o corpo é meu!

Profissão Repórter: Maria sete horas sem atendimento depois que a bolsa se rompeu | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de agosto de 2011 às 13h48

[…] twitter, respondendo a este post aqui, @gueko encaminhou um trecho da matéria do Profissão Repórter sobre o tratamento no SUS dado às […]

Responder

celsohl

20 de agosto de 2011 às 12h11

É um assunto muito complicado. Só quem vive situações desse tipo pode avaliar.

Responder

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